BEM AVENTURADO - MATEUS - CONVERSA 04
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BEM AVENTURADO - MATEUS - CONVERSA 04

Transcrição do estudo do Novo Testamento da Bíblia Sagrada. 

BEM AVENTURADO - MATEUS - CONVERSA 04

Os doze apóstolos

Jesus chamou os seus doze discípulos e lhes deu autoridade para expulsar espíritos maus e curar todas as enfermidades e doenças graves. São estes os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e o seu irmão André; Tiago e o seu irmão João, filhos de Zebedeu; Filipe, Bartolomeu, Tomé e Mateus, o cobrador de impostos; Tiago, filho de Alfeu; Tadeu e Simão, o nacionalista; e Judas Iscariotes, que traiu Jesus. (Mateus 10, 1 a 4)

Aqui não há nenhum ensinamento. Pode continuar lendo.

Participante: por que chama de Simão se o nome dele é Pedro?

O nome dele era Simão. Mais à frente Jesus vai dizer: tu és Pedro (pedra) e sobre ti vou erguer a minha igreja. Nesse momento Simão passa a ser conhecido como Pedro.

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A missão dos doze apóstolos

Jesus enviou esses doze homens, dando-lhes a seguinte ordem: Não vão aos lugares onde vivem os não judeus, nem entrem nas cidades dos samaritanos. Pelo contrário, procurem as ovelhas perdidas do povo de Israel. Vão e anunciem isto: “O Reino do Céu está perto.” (Mateus 10, 5 a 7)

Vamos parar um pouco aqui e ver o que Cristo diz: ‘não vão onde não estão os não judeus e não vão a Samaria’. Por que disse isso?

Participante: porque esses seguiam o judaísmo, ou seja, já estavam seguindo a ordem.

Que ordem?

Participante: mosaica, seguindo os dez mandamentos

Não. Esse é um grande detalhe e precisamos nos ater a ele.

Está se falando em missão, em levar ensinamento, em conversar, em ajudar as pessoas. Cristo diz bem claro para aqueles que estava orientando a cumprir missões: no vão aos não judeus e nem a Samaria.

A Samaria, só para encurtarmos a conversa, era inimiga dos Judeus. O povo da Samaria era um povo inimigo dos judeus. A orientação de não ir a esse povo, então, é de fácil compreensão, mas porque não ir aos não judeus? Será que esses não

Judeus não merecem receber o ensinamento do mestre? Será que os não judeus não merecem ter a oportunidade de alcançar a elevação espiritual e serem felizes?

Participante: acho que merecem.

Merecem sim. Então, porque Cristo diz para não levar a mensagem a eles?

Participante: não sei.

Porque eles já têm seu próprio caminho.

Participante: os nãos judeus?

Sim. Os nãos judeus tinham as suas próprias religiões, tinham os seus próprios caminhos.

Existe uma coisa que os cristãos se enchem de soberba para falar: só o Cristo é a salvação. Isso é mentira! Todo caminho que é traçado seguindo o ensinamento dos mestres, leva a Deus. Não importa se são ensinamentos de Buda, Maomé ou Krishna. Todos os ensinamentos dos mestre compõem um caminho que leva a Deus.

É por isso que não se deve levar a mensagem cristã aos não cristãos. Quem faz isso não está amando nem ajudando, mas querendo impingir a quem não é cristão, o caminho cristão.

Participante: mas, eles não estavam impingindo os ensinamentos cristãos aos judeus?

Não, porque os judeus seguiam o mesmo caminho de Cristo. Os ensinamentos de Cristo nada mais são do que um complemento aos dos profetas, pois Cristo veio como um sucessor de Moises.

Participante: mas, os Judeus não veem assim.

Sim. Hoje não veem, mas os judeus daquela época viam assim.

Naquela época Jesus Cristo era um profeta, um rabino do povo judaico. Só muito depois houve a separação dos dois ensinamentos, mas naquela época ele era tido como um profeta do povo judaico, um rabino.

A mensagem desse trecho, então, nos leva a que compreensão? Que aquele que percorre o caminho da bem aventurança não deve forçar ninguém a acreditar no que acredita. É isso.

Continue para continuarmos a ver a missão dos doze apóstolos.

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O socorro a quem precisa

 Curem os leprosos e outros doentes, ressuscitem os mortos e expulsem os demônios. Vocês receberam sem pagar; portanto, deem sem cobrar. Não levem guardados no cinto nem ouro, nem prata, nem moedas de cobre. Nesta viagem não levem sacola, nem uma túnica a mais, nem sandálias, nem bengala para se apoiar, pois o trabalhador tem o direito de receber o que precisa para viver.

Quando entrarem numa cidade ou povoado, procurem alguém que queira recebê-los e fiquem hospedados na casa dessa pessoa até irem embora daquele lugar. Quando entrarem numa casa, digam: “Que a paz esteja nesta casa!” Se as pessoas daquela casa receberem vocês bem, que a saudação de paz fique com elas. Mas, se não os receberem bem, retirem a saudação. E, se em alguma casa ou cidade as pessoas não quiserem recebê-los, nem ouvi-los, saiam daquele lugar. E na saída sacudam o pó das suas sandálias, como sinal de protesto contra aquela gente. Eu afirmo a vocês que isto é verdade: no Dia do Juízo, Deus terá mais pena das cidades de Sodoma e de Gomorra do que daquela cidade. (Mateus 10, 8 a 15)

Eis ai a base da ajuda ao próximo: deve se ajudar aquele que aceita o que você fala. Aquele que tenha o mesmo interesse que você tem. Se mesmo sabendo que ele comunga da mesma crença, mas naquele momento não quer receber ajuda, vá embora.

O que está escrito sobre a saudação, o tirar o pó das sandálias, é apenas mitologia daquele tempo. O importante do texto é isso: ajude aquele que compactua com a suas ideias. Ajude-o até o ponto que ele quiser ser ajudado. Quando não quiser socorro, diga: ‘muito obrigado, foi um prazer lhe conhecer, um abraço que estou indo embora’.

No evangelho de Felipe é dito assim: um prosélito (um religioso) não faz outro. Não adianta querer impor sua crença aos outros, como fizeram os padres católicos com os índios, com os mulçumanos e com outros povos. O verdadeiro cristão, aquele que cumpre o acordo com Deus deve buscar ajudar aquele que quer ser ajudado e queira aceitar o caminho que você tem para propor.

Se uma pessoa não pede sua ajuda, não dê. Se pede, dê, mostre caminhos que podem ajudá-la a ser feliz. Agora, se ela disser que o seu conselho está errado, não insista. Esqueça, vá embora. Não fique tentando impor sua verdade. Não fique insistindo em argumentos que ela não acredita.

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Receber pela ajuda

Há uma questão interessante no texto que vimos:

pois o trabalhador tem o direito de receber o que precisa para viver.

Você não deve levar ouro, não deve cobrar pelo que faz, mas ao mesmo tempo Cristo diz é justo que aquele que leva a mensagem receba o seu pagamento. Receber para poder viver.

O texto parece antagônico, não é mesmo? Não cobre, mas é justo receber. Vamos ver isso.

O que é cobrar?

Participante: esperar um agradecimento.

Não.

Participante: uma troca, uma chantagem.

Não, é exigir receber. ‘Custa tanto’: isso é cobrar. Exigir alguma coisa em troca.

Não estou falando em dinheiro, mas em exigir alguma coisa em troca do seu trabalho. Isso não deve ser feito. Mas, ao mesmo tempo é justo que receber alguma coisa pelo que fez.

Receber alguma coisa não é indecente; o indecente é cobrar, é colocar um preço no serviço e exigir que ele seja pago. Até porque, o trabalhador sempre receberá alguma coisa pelo que faz. Se não for em espécie, receberá em ajuda, em amor, em elevação, em felicidade incondicional. Receberá sempre de alguém alguma coisa pelo que faz.

Receber não é injusto; O que não é justo é que a cobrança pelo que se faz. ‘Só vou fazer o trabalho espiritual se eu ganhar proteção para minha família, se não tiver mais problemas na vida, se conseguir um emprego’. É sobre esses pensamentos do ser humano que Cristo está falando.

Participante: não se deve fazer barganha, não é?

Não fazer barganha, não comercializar na casa de Deus.

Participante: nem precisa, porque receber vai sempre, mesmo que não seja claro que está recebendo.

Mesmo que você não veja, estará recebendo. E é justo que receba.

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O perdão de Deus

Eu afirmo a vocês que isto é verdade: no Dia do Juízo, Deus terá mais pena das cidades de Sodoma e de Gomorra do que daquela cidade. (Mateus 10, 15)

No dia do juízo Deus terá mais pena da cidade de Sodoma e Gomorra do que daquelas que não receberem a mensagem dos apóstolos. O que quer dizer isso?

Participante: o que foi Sodoma e Gomorra?

Sodoma e Gomorra são cidades bíblicas que foram destruídas por Deus por causa da iniquidade em que vivam.

Claro, isso é parábola, apenas uma história para poder trazer um ensinamento, uma verdade. Por isso, não me pergunte onde elas ficavam, quando foram destruídas, porque elas não existiram.

Sodoma e Gomorra são símbolos. Símbolos de que?

Participante: pecado, perversão?

Dos que não queriam saber de Deus.

O que Cristo está dizendo é que aqueles que não buscam a Deus receberão o perdão mais facilmente do que aqueles que dizem que estão buscando-O, mas não aceitam a mensagem, não seguem os ensinamentos.

Esse é o ponto fundamental para a felicidade. Quando o ser pede ajuda, deve aceitar o que vier, a ajuda que vier. A não aceitação da ajuda está ligada a uma atitude de soberba, de imposição ao mundo: só vou aceitar ajuda se a ajuda for aquela que quero. Esse está cobrando um valor para receber a ajuda.

Aqueles que afirmam estar buscando a bem aventurança, mas quando recebem o ensinamento que serve de caminho para ela se antagonizam com a ajuda mantendo-se apegado a busca material, dificilmente serão perdoados. Ou melhor: serão mais perdoados aqueles que nunca fizeram nada no tocante a elevação espiritual, aqueles que nunca buscaram a Deus.

Participante: isso tem a ver com a frase, quanto mais for dado mais será cobrado?

Perfeito! É a hipocrisia que vamos ver mais lá a frente. ‘Ah Deus! Eu amo o Senhor, mas na hora que faz o que eu não gosto paro de gostar’.

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Perseguições e sofrimentos

Escutem! Eu estou mandando vocês como ovelhas para o meio de lobos. Sejam espertos como as cobras e sem maldade como as pombas. Tenham cuidado, pois vocês serão presos, e levados ao tribunal, e serão chicoteados nas sinagogas. Por serem meus seguidores, vocês serão levados aos governadores e reis para serem julgados e falarão a eles e aos não judeus sobre o evangelho. Quando levarem vocês para serem julgados, não fiquem preocupados com o que deverão dizer ou como irão falar. Quando chegar o momento, Deus dará a vocês o que devem falar. Porque as palavras que disserem não serão de vocês mesmos, mas virão do Espírito do Pai de vocês, que fala por meio de vocês. (Mateus 10, 16 a 20)

Nesse trecho dois pontos. Primeiro: ninguém acende uma lamparina para esconder dentro do armário.

Já estudamos isso. Não pensem que vocês porque ajudam o próximo que suas vidas vão ficar uma maravilha. Não vai: os mesmos problemas vão continuar acontecendo.

Segundo: na hora que estiverem na frente daqueles que estão ajudando, não se preocupem com palavras porque o que será dito não será decidido por vocês.

Nunca esqueçam que são intermediários de Deus e não criadores de alguma coisa. Por isso só podem dar a quem precisa o que é consentido dar. Ninguém pode ajudar alguém que não precise e nem mereça naquele momento ser ajudado. Da mesma forma, ninguém pode ajudar a mais ou a menos do que o merecimento do outro.

Então, muitas vezes você pode ajudar e sua ajuda atrapalhar ainda mais a vida do outro. Se isso acontecer, não se culpe pelo o que falou, pois as palavras não são suas, não foram escolhidas por vocês.

Participante: então, nenhuma das palavras que a gente fala é nossa?

Não!

Participante: nada?

Nada!

Se Deus der o direito de você falar o que quer, por sua ignorância (falta de conhecimento) das coisas universais, pode ferir e magoar quem não precisa e merece ser magoado. Se isso acontecesse, o ensinamento de Cristo onde o mestre afirma que Deus dá a cada um segundo suas obras, ou seja, o justo, seria falso. Com isso, todos os demais ensinamentos poderiam ter sua verdade questionada.

Portanto, só pode declamar aquilo que o outro precisa receber. Não importa o que seja. Se disser meu amor, coisinha bonita ou você não presta, a palavra foi dita porque aquele que ouviu precisava e merecia receber aquela fala.

Participante: isso elimina tanto a culpa quanto a soberba. Você não sai soberbo porque o que falou foi alguma coisa que ajudou o próximo.

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Não existe verdade salvadora

Muitos entregarão os seus próprios irmãos para serem mortos, e os pais entregarão os filhos. Os filhos ficarão contra os pais e os matarão. Todos odiarão vocês por serem meus seguidores. Mas quem ficar firme até o fim será salvo. Quando vocês forem perseguidos numa cidade, fujam para outra. Eu afirmo a vocês que isto é verdade: vocês não acabarão o seu trabalho em todas as cidades de Israel antes que venha o Filho do Homem. (Mateus 10, 21 a 23)

Cristo está mostrando nesse texto o que acabamos de dizer: não existe verdade absoluta a ser ensinada, não existe verdade salvadora, não existe trabalho que salve todos.

Não pensem vocês que por acharem interessante o que conversamos, todo mundo vai achar a mesma coisa. Não, não vai achar. Sempre haverá aqueles que não vão gostar. Nesse momento, simplesmente saia daquele lugar e vá para outro.

Sabe, ninguém pode ensinar nada a ninguém, ninguém pode ajudar ninguém que não queira ser ajudado ou aceite o que você tenha para ensinar. Isso é real. Por isso, não ache que por saber até a letra ‘c’ do abecedário é melhor do que quem sabe só até a letra ‘a’. Não é! Cada um, independente do que saiba, se acha o melhor, o com mais conhecimento.

Participante: podemos ser atacados.

Podemos, não, serão. Quantos são atacados por tentar ajudar os outros? Não estou falando de ataque físico, mas moral e de outras formas. O ataque vai existir sempre, ou você acha que todos pensam que os nossos ensinamentos são a oitava maravilha do mundo, o ápice da cultura?

Participante: quando Cristo cita aqui pais, filhos e irmãos, também está querendo dizer que santo de casa não faz milagres, não é?

Não!

Ele está querendo dizer que não há vínculos de relacionamentos que faça o outro lhe adorar. Se contrariar o outro, aquilo que ele pensa, não importa se é seu filho ou pai, com certeza vai lhe atacar. Não ache que por serem amigos as pessoas vão adorar aquilo que trouxer para elas.

O que ele está querendo dizer nesse trecho sobre esse assunto é que não há vínculos que façam o outro acreditar no que você transmite.

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O mais importante

Nenhum aluno é mais importante do que o seu professor, e nenhum empregado é mais importante do que o seu patrão. (Mateus 10, 24)

Então, quem é mais importante?

Participante: a mensagem que está sendo trazida.

Não, Deus, a força superior, a vida, aquilo que é superior a tudo. Isso é a coisa mais importante.

Por mais que você ajude os outros não é o mais importante. O mais importante é Aquele que está acima de você.

Participante: se tudo parte de Deus, é óbvio, não?

Sim, mas há muitos que trabalham nos mais diversos trabalhos de auxílio ao próximo que acha que ele é o mais importante na história. Imagina que ele ajuda e que sem ele não haveria o socorro. Acha que é ele que faz, resolve e ajuda.

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A responsabilidade do missionário

Portanto, o aluno deve ficar satisfeito em ser como o seu professor, e o empregado, em ser como o seu patrão. Se o chefe da família é chamado de Belzebu, então as pessoas dessa família serão xingadas de nomes piores ainda. (Mateus 10, 25)

Estamos falando de um ditado popular humano: você se torna responsável por aquilo que cativa. Todo missionário torna-se um exemplo para aquele que é ajudado.

Participante: um exemplo? O senhor sempre disse que não precisamos nos preocupar em fazer o certo?

Não falo em ser um exemplo de perfeição. O que digo é que o missionário serve como exemplo do grupo que o segue. Por exemplo: se alguém vê algum erro no missionário, certamente acreditará que todos que estão com ele possuem o mesmo.

Isso é algo que um missionário, aquele que se sente tocado em servir ao próximo o ajudando, precisa atentar. Não é apenas o nome dele que está em jogo; todos que caminham junto com ele serão afetados. É isso que Cristo está falando.

Esse aviso é importante porque muitos se colocam numa posição superior ao invés de seguir o mestre ou guru, como já vimos. Esses não imaginam que ao agir assim não estão apenas amealhando uma má visão apenas a si, mas está arrastando muitos junto.

A crítica de alguns sempre carrega consigo uma carga energética, isso sabemos. Sabe para quem vai a carga dessa crítica? Para o responsável, o missionário. Isso acontece porque os outros estão apenas seguindo o missionário.

Esse é o grande carma que vivencia alguém que assume uma missão de ajuda ao próximo: tudo que acontece com a coletividade que o segue é sua responsabilidade pessoal.

Participante: carma pesado, não?

Acha? Eu não. Basta apenas seguir os ensinamentos de Cristo que não haverá o carma!

Mas, mesmo que seja, há algo a se lamentar, se queixar? Claro que não. Se agora durante a vida tem esse trabalho, é sinal que você mesmo o pediu antes da encarnação. Pediu porque tinha certeza que daria conta. Agora seja fiel a si mesmo!

Participante: esse texto está me lembrando de seres que se auto intitulam mestres, orientadores e acabam conduzindo todo um rebanho para alguma coisa que não é reflexo do amor ensinado por Cristo.

Perfeito!

Participante: ele, então, é mais responsável que o rebanho que conduz?

Sim.

Se alguém é acusado por durante o trabalho missionário buscar o bem material (o prazer, a glória, o elogio, etc.) todo grupo que está com ele também é atingido pela crítica. No entanto, apenas ele recebe o carma pela intenção daquele grupo.

Participante: então ele vai ter que voltar para pagar o carma de todos que estavam com ele?

O carma não é pago como se fosse uma conta de bar. Não são itens especificados; pode ser pago como conjunto.

Participante: ele falhou?

Sim, falhou na missão dele. A missão nunca falhará, pois Deus está sempre dando a cada um segundo as suas obras, mas aquele ser que assumiu a missão falhou individualmente.

Participante: fica tudo na contabilidade dele?

Sim e é isso que Cristo quer deixar bem claro nesse texto.

Ser um missionário, assumir um trabalho de socorro a outros seres não é brincadeira. É um trabalho que precisa ser exercido sem individualismo, mas sentindo-se apenas intermediário de Deus. Por isso deve ser realizado sempre dando-se toda glória ao Pai.

Participante: não dá para ser leviano com isso porque há responsabilidades em jogo.

Isso.

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De quem devemos ter medo?

Portanto, não tenham medo de ninguém. Tudo o que está coberto vai ser descoberto; e tudo o que está escondido será conhecido. O que estou dizendo a vocês na escuridão repitam na luz do dia. E o que vocês ouviram em segredo anunciem abertamente. (Mateus 10, 26 a 27)

Uma vez me disseram assim: Joaquim seria muito mais fácil transmitir o seu ensinamento se não tivesse a informação que Deus é a Causa Primaria de todas as coisas. Seria muito mais fácil se não falássemos que as coisas acontecem porque Deus faz acontecer. Sim, seria, mas se eu fizesse isso estaria demonstrando medo. Medo do quê? Da recepção dos ensinamentos.

Quantas vezes as pessoas disseram que esse ensinamento é o maior entrave para crer no que ensino? Sim, sei que é um entrave, mas não adianta querer agradar quem me ouve afirmando que poderá ter uma vida boa apenas desejando ter. De nada adianta dizer que se pedir com vontade recebe. Se fizesse isso estaria falando mentira, pois todos sabemos que alguns conseguem as coisas por esse caminho, mas outros que percorrem o mesmo não conseguem.

Pio:: estaria falando mentira por medo de vocês. Não medo de ser atacado fisicamente. Aliás, isso é impossível, não é mesmo? Se viessem me atacar eu desincorporaria e quem ia apanhar era o médium. O medo que me refiro é o da receptividade ao que falo.

Não tenho medo da receptividade de vocês, porque não vi aqui para ser adorado, mas para mostrar o caminho para a felicidade. Esse caminho passa pela consciência de que Deus é Causa Primária de todas as coisas. Quantos lutaram contra mim no início sobre esse aspecto e hoje dizem: ‘é mesmo, a coisa acontece no momento que tem que acontecer. De nada adianta nossa intenção de fazer ou ter’.

Essa análise é para dizer o seguinte: não tenham medo de dizer nada; se entreguem completamente àquilo que acreditam. É isso que Cristo está ensinando nesse texto, mas nem precisava, não é mesmo? Se Deus é Causa Primária de todas as coisas, tudo que falar não é seu.

Podemos dizer que Deus é a Causa Primária, mas que cada um tem que fazer a sua parte?

Sim, tem que fazer a sua parte. Qual é? Amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Isso vocês precisam fazer sempre.

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Não tenha medo de tomar decisões

Participante: estou falando isso porque tem situações que é difícil se falar isso. Minha filha, por exemplo estava para fazer o vestibular e estudava muito. Ela sempre foi muito dedicada. Ficava observando e sempre me lembrava que Deus é Causa Primária, ou seja, se Ele não fizesse ela passar de nada adiantaria o esforço.

Sim.

Participante: só que não falava isso para ela com medo de a desestimular.

Está certo. Vamos entender o que aconteceu?

Você disse que não falaria porque ela poderia se desestimular pensando que não adiantava estudar. Sim, isso podia acontecer. Quando? Quando Deus a fizesse pensar assim. Se Ele não fizesse, ela jamais pensaria assim. Continuaria, como continuou a estudar com o mesmo afinco.

Agora, será que esse estudo a levou a entrar para a faculdade? Conheço muitos que estudaram muito, talvez mais que sua filha, e não entraram. Porque isso acontece?

Participante: no caso ela passou.

Se eu acreditasse nisso, diria que foi apenas coincidência e não resultado. Se o passar fosse resultado do estudar, muitos que não estudaram não estariam na faculdade hoje.

O que está falando é algo que já conversamos algumas vezes. Vocês ficam sempre correndo entre dois caminhos diferentes: uma hora estão em um, noutra em outro. É preciso escolher um caminho e segui-lo em linha reta.

Que caminho pretende seguir? Vai acreditar que Deus é Causa Primária de Todas as coisas ou ainda vai creditar a realização de algumas coisas a algumas pessoas?

Participante: seguirei o caminho que estiver programado para seguir.

Não é essa a consciência. Pense assim: seguirei o caminho que seguir, aquele que estiver seguindo durante a vida.

Saiba de uma coisa: pouco importa o caminho que seguir, ele será sempre aquele que foi pré-programado. Pouco importa o que decidir para a sua vida: aquilo estava decidido antes de você nascer.

Vocês, quando possuem a informação de que Deus é Causa Primária de todas as coisas têm medo de tomar decisões. Não vejo porque: tudo o que decidir será decidido pelo Pai primariamente. Portanto, tome suas decisões e siga em frente. O problema é que ao invés de decidirem, querem saber o que está pré-programado para realizar uma escolha.

Por isso, vou lhe dar um conselho: viva a sua vida independente de haver um Deus que causa tudo primariamente. Escolha o que quer fazer, pois não importa o que fizer, aquilo foi causado originalmente pelo Pai. Só mais um detalhe: quando fizer alguma escolha não gere esperanças de conseguir algumas coisa, não se imagine certo ou errado. Diga apenas para si: eu não fiz, cumpri uma programação e o resultado também já está pronto.

Participante: viver assim é fácil, não é? Aliás, Cristo diz: venha para mim que meu fardo é leve.

Deixe-me dizer uma coisa: viver é fácil; vocês é que complicam a vida. Complicam achando que há culpados e vítimas. Ninguém é vítima nem culpado, nem vocês nem ninguém.

Concentrem-se nisso e não tenham medo de dizer nada. Por mais que possa parecer sem sentido o que estiverem falando, digam. Nunca tenham medo do que os outros vão pensar.

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O ensinamento e o medo

Participante: falar em Deus como Causa Primária realmente é muito difícil de se encontrar. Aliás, pelo menos no centro que eu frequentava, raramente se falava no Pai. Falava-se muito nos espíritos, nos encarnados e Cristo, mas pouco se falava em Deus. Uma das coisas que me chamou a atenção nos seus ensinamentos é que você fala Dele, porque fala muito Dele. Isso faz sentido para mim, porque acho que não dá para se falar em espiritualidade sem falar no Pai. Acho que em outros locais não se fala muito Nele porque é um assunto polêmico, um assunto que não atraia tanto o rebanho dos espíritas.

É desse medo que Cristo está falando.

Não tenham medo, porque ele nunca teve. Aliás, se tivesse, não teria transmitido nenhum ensinamento, porque tudo que ele disse foi contrário ao que as pessoas acreditavam naquela época.

Uma vez está presente durante uma palestra em um centro espírita. O tema da conversa seria o amor. Pois bem, o palestrante falou duras horas sobre esse tema, mas não falou nenhuma vez em Deus.

Pergunto: como pode falar de amor um minuto sequer sem falar de Deus? Impossível, pois Ele é o amor!

Participante: Joaquim eu vou ao centro todas as terças e quintas feiras e penso em colocar alguma coisa que você ensina. Não coloco porque eles vão me olhar meio estranho.

Se não colocar alguma coisa, não é por causa disso ou daquilo, é porque não tinha que ser colocado. Lembre-se: você só pode fazer para alguém o que o outro precise e mereça. Portanto, se não colocou, esse é o real motivo. Agora, se eles precisarem e conseguir colocar, não tenha medo de estar fazendo isso. É só isso.

Há muitos que não conseguem segurar uma informação; acabam falando, mesmo sem ter essa intenção. Isso não tem problema; o problemático é sentir medo por falar. É esse medo que precisa ser combatido.

Falar é ato e por isso será feito independente da vontade de cada um. Como se fala, o medo, é o que precisa ser combatido, pois indica falta de fé.

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Mantenha-se fiel ao que acredita

Não tenham medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Porém tenham medo de Deus, que pode destruir no inferno tanto a alma como o corpo. Por acaso não é verdade que dois passarinhos são vendidos por algumas moedinhas? Porém nenhum deles cai no chão se o Pai de vocês não deixar que isso aconteça. (Mateus 10. 28 e 29)

Aqui se fala claramente que Deus é a Causa Primária de todas as coisas.

 Quanto a vocês, até os fios dos seus cabelos estão todos contados. (Mateus 10, 30)

Aqui é dito que tudo está pré-programado.

Portanto, não tenham medo, pois vocês valem mais do que muitos passarinhos. (Mateus 10, 31)

Só quero fazer um comentário a respeito desse aspecto: não tenham medo daqueles que matam o corpo.

Hoje a perseguição religiosa com danos físicos, está muito diminuída. Por isso, vocês já não correm o risco de serem crucificados fisicamente. No entanto, ainda existe a perseguição religiosa moral. Os discípulos de hoje são agredidos através das críticas, acusações, das palavras que machucam. Não tenham medo disso: é preferível ser atacado por esses do que por Deus.

Se você acredita – e não importa no que crê – siga o que acredita. Não queira agradar os outros adaptando suas crenças e o seu linguajar ao que o outro quer ouvir, ao que ele acha certo.

Participante: dourar a pílula.

Não estou falando só em dourar a pílula. Estou falando de querer ser simpático a todos. Jamais conseguirá isso.

É isso que está escrito nesse trecho e que estamos lendo esse tempo todo.

Siga aquilo que você acredita. Se o outro não aceitar e não quiser ouvir, o problema é dele. Ninguém pode ensinar nada a outra pessoa. Portanto, não queira se adaptar.

Há um aspecto nos ensinamentos de Cristo que ainda vamos ver. Nele o mestre fala: é preciso ser fiel a si, as suas crenças, àquilo que você acredita. Seja fiel a si e se o outro acredita em outras coisas, louvado seja Deus: continuamos amigos e vamos caminhar juntos.

Não mude a sua fé, a sua religiosidade, a doutrina que acredita para satisfazer os outros. É isso que está dentro das passagens que falam que dois passarinhos vão ser vendidos, mas só cairá aquele que Deus quiser. Também que vocês não conseguem fazer um fio de cabelo na cabeça ficar branco.

Participante: ser fiel as minhas crenças e se em algum momento elas mudarem, ser fiel as mudanças que vierem.

Sempre ser fiel a você.

Isso se aplica inclusive a fingir na crença do outro para salvar uma relação: ‘eu gosto tanto dele. Agora estou acreditando numa coisa e ele em outra. Por isso vou fingir que acredito na crença dele só para continuarmos juntos’.

Isso é hipocrisia.

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Confessar e negar Cristo

Se uma pessoa afirmar publicamente que pertence a mim, eu também, no Dia do Juízo, afirmarei diante do meu Pai, que está no céu, que ela pertence a mim. Mas, se uma pessoa disser publicamente que não pertence a mim, eu também, no Dia do Juízo, direi diante do meu Pai, que está no céu, que ela não pertence a mim. (Mateus 10. 32 a 33)

Como é que você mostra que pertence a Cristo? Mais: como diz que não pertence?

Participante: sendo fiel aos ensinamentos.

Praticando os ensinamentos. ‘Por aquele que praticar, falarei a Deus por ele; por aquele que não praticar, não falarei’. Esse texto nos remete a passagem Senhor Senhor: nem todos que me chamarem Senhor Senhor, falarei por eles no reino do céu.

De nada adianta a idolatria: é preciso falar publicamente que pertence a Cristo. Falar isso publicamente é assumir os ensinamentos de Cristo como doutrina de vida.

Participante: isso é uma coisa muito renegada pela humanidade.

Quando?

Veja bem o que falou: assumir publicamente que pertence a Cristo é uma coisa muito renegada pela humanidade. Quando a humanidade renega pertencer a Cristo? Quando não leva nenhuma vantagem com a prática do ensinamento.

Quando leva vantagem, a humanidade prova que pertence a Cristo; quando isso não acontece, declara publicamente que não pertence ao mestre. Ou seja, age contrariamente ao ensinamento.

Ah, mais um momento onde a humanidade usa os ensinamentos: quando quer julgar o outro. Vocês são mestres em usar o ensinamento para julgar o outro.

Participante: mas, isso também já está pré-programado não é?

O ato sim. Estou falando em vivenciar essa crítica internamente.

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Espada ao invés de paz

Não pensem que eu vim trazer paz ao mundo. Não vim trazer a paz, mas a espada. Eu vim para pôr os filhos contra os pais, as filhas contra as mães e as noras contra as sogras. E assim os piores inimigos de uma pessoa serão os seus próprios parentes. (Mateus 10. 34 a 36)

Por incrível que pareça, o arauto do amor não veio trazer a paz, mas a discórdia. Por quê?

Participante: porque na discórdia você pode levar o amor.

Porque só havendo discórdia você pode alcançar a paz.

Quando não há discórdia, não há paz, aceitação. A similitude de pensamentos não é paz; apenas mostra que as armas (as posses, paixões e desejos) são as mesmas. Por isso não há paz.

Paz é não ter arma. Isso só pode acontecer quando houver discórdia e você não usar o que pensa para atacar o outro. Aí a paz existe.

‘Eu não vou com a sua, mas lhe dou o direito de ter a cara que tem. Por isso, jamais vou criticar a sua cara’. Nesse momento estamos em paz. Agora, se começo a dizer o que está errado na sua cara, não vou ter paz. Também se gosto dela, não tenho paz: me mantenho em êxtase por ter conseguido achar alguém com a cara que gosta.

É isso que vocês precisam entender A discórdia, diferença de opinião é necessária para o trabalho da felicidade. Mas para que a paz, surja, além de haver a discórdia, é preciso que o ser se negue a usar as armas que tem.

Sabe, vocês ficam procurando pessoas iguais, que têm a mesma opinião, achando que com isso encontram a paz. Isso é ilusão! As armas estão prontas, engatilhadas sem que tenham consciência disso, pois estão adormecidos pelo prazer de ter encontrado alguém que pensa igual. Assim, na hora que aparecer alguém pensando diferente, vão atirar.

É por isso que Cristo diz: eu não vim trazer a paz! Não vim para fazer vocês todos iguais. Vim para fazer cada um diferente do outro. Vim também para criar o mandamento do amor, pois quando todos se amarem haverá respeito pelas diferenças. Nesse momento a paz acontecerá em todos os cantos.

Participante: escutei essa semana um diplomata. Nesse momento político meio tenso ele disse: não tem que ter discordância. Só assim poderemos chegar a uma nova visão com mais valor.

Essa questão aí não entra dentro do que estamos falando. Estamos afirmando a necessidade de superar suas verdades e não abrir mão delas.

É preciso superar você mesmo, respeitar o próximo. Estamos falando em dar ao outro o direito de ser, estar e fazer o que quiser. É disso que o Cristo está falando.

Participante: entendi, mas também acho que devemos abrir mão de algumas coisas para um bem comum.

Você não está agindo amorosamente. Está procurando um meio termo que agrade a todos. Não é disso que estou falando.

Participante: não se pode chegar a um meio termo?

Volto a repetir: não estou falando em chegar a um meio termo que agrade a todos. Não é disso que estou falando. Estamos afirmando que não há necessidade de combater o outro para um bem maior e não em buscar uma composição que não satisfaça ninguém.

O que estou falando é em compreender que você não gosta do que o outro faz ou acredita, mas não o critica pelo que faz ou crê. Isso nada tem a ver com meio termo. Estou falando em você continuar com sua verdade e dar ao outro o direito de ter a dele. Estou falando de não atacá-lo de forma alguma por causa da verdade que ele tem.

Participante: a discórdia não envolve necessariamente a omissão, não é mesmo? Posso opinar, falar o que penso a respeito daquilo, mas sem criticar.

Não, você não pode falar. Lembre-se: Deus é Causa Primária de todas as coisas. Por isso, se falar falou se não falar, não falou.

Participante: sim, mas não estou falando em atos. Se aconteceu posso sentir a discordância não como uma crítica, mas como uma constatação dela.

Pode.

Você pode envolver-se emocionalmente com a sua opinião e dar ao outro o direito de ter a dele. Só isso. O que não deve é pensar que ele é burro e não sabe o que está fazendo. Aí virou critica.

O importante é compreender que Cristo veio trazer a discórdia. Por quê? Porque o amor e a paz só nascem da discórdia. É como a flor de lótus que nasce do lodo.

Por que é importante saber isso? Porque vocês sonham com uma sociedade totalmente harmônica. Utopia! Não existe. E, se existisse, a nada levaria no sentido da elevação espiritual, pois numa sociedade completamente harmônica não há paz: existe apenas ideias iguais.

É isso que quero que vocês entendam. A paz está muito além de dar beijinhos no outro. A paz está muito acima de um querer o que o outro quer. Acima de comungar ideias e conceitos. A paz só existe como resultado de um trabalho em si durante a guerra, a discórdia.

BEM AVENTURADO - MATEUS - CONVERSA 04

A busca do bom

Participante: quando amarmos haverá a harmonia entre as pessoas?

Não. O que existirá é uma comunidade de seres universais que aprendem a viver sem se desarmonizar. Quem estará em harmonia é o ser e não o mundo.

Portanto, continuarão havendo os que agem e pensam diferente de você. Você é que vai desenvolver em si mesmo a capacidade de conviver com eles harmonicamente.

Participante: então, não vai chegar um dia que todos vão ficar bem?

Não, não vai chegar. Isso é utopia! Se existisse, seria um mundo pronto, um mundo perfeito No Universo esse mundo existe, mas aqui nesse planeta nunca existirá.

Participante: aqui nesse planeta de provas e expiação?

Não apenas. Muito depois ainda não haverá a perfeição.

Entender que não haverá o bom jamais nesse planeta é um ponto especialíssimo para aquele quer ajudar o outro. Digo isso porque quando alguém pede ajuda, o que espera?

Participante: a solução do problema dele.

Não.

Por exemplo: uma esposa que tem um problema com o marido. O que ela espera de quem lhe ajuda?

Participante: que resolva o problema dela.

Não.

Participante: que dê razão a ela.

Não! Quer que ajude a mudar o marido. Quer uma fórmula mágica que possa usar e com isso causar uma mudança no marido de tal forma que ele seja o que ela quer. Por exemplo: que ele passe a arrumar a casa.

A busca da felicidade é diferente. Para viver em paz a mulher tem que aprender a conviver com o marido que tem. Tem que viver respeitando o jeito do marido ser para que tenha paz.

É para haver a oportunidade de se fazer esse trabalho que Cristo veio para jogar um contra o outro. Fez isso porque sabe que só na hora que um tiver contra o outro e trabalhar poderá haver a paz.

Quem encontrará a paz com esse trabalho? Aquele que aprender a conviver harmonicamente com as diferenças do outro. Quem não aprender, viverá em guerra.

A compreensão disso é fundamental para quem quer ser útil ao próximo: não importa qual seja o problema para o qual vierem pedir ajuda, aquela pessoa está pensando em receber uma solução mágica para mudar o outro para o que ela acha bom. Ajudar dessa forma, não é o trabalho do mensageiro de Cristo. Para seguir o ensinamento do seu mestre, deve dizer: ‘olha, a discórdia existe e precisa existir. Por isso não posso mudar ajudar a mudar a situação ou o outro. Agora, posso ajudar você a aprender a viver em paz com a discórdia, com o que é discordante. Quer ajuda nesse sentido’?

Participante: comumente ela espera que você faça a situação mudar sem que precise mudar a si mesma.

Sim.

Por exemplo: uma pessoa me pediu para ajudar no relacionamento com a filha, pois a adora e a filha não liga para ela. O que espera de mim? Que dê uma solução mágica onde a filha passe a gostar, a se interessar por ela. Quer que essa fórmula mude o que a filha pensa sem que a mãe precise mudar nada em si mesmo.

Isso nem eu nem ninguém pode fazer. Por quê?

Participante: porque você não é Deus.

Não! Porque ninguém pode mudar o livre arbítrio do outro.

A filha não quer se relacionar com a mãe: isso é livre arbítrio do ser. Ninguém pode mudar o que ela escolheu, antes ou durante a vida, para si somente para satisfazer a vontade de outra pessoa.

É isso que tenho que deixar bem claro para quem pede ajuda: ‘mudar a sua filha para o que você quer, é muito bom, mas se fizesse isso estaria interferindo no livre arbítrio dela. Você gostaria que alguém mudasse que pensa ou sente sem que quisesse isso? Portanto, não posso fazer. Mas, isso não quer dizer que tenha que viver longe da sua filha. Já pensou em mudar a si mesmo para que entre em harmonia com sua filha? Acho que não. Já parou para pensar que esse afastamento é por causa do que você acha/pensa da sua filha? Acho que se mudar isso em você mesmo talvez ela se reaproxime’. Essa é a ajuda que um seguidor de Cristo deveria dar.

Participante: quem tem que ser trabalhado nesse caso é a pessoa, a mãe?

É isso que estou querendo deixar bem claro.

Porque é a mãe que precisa ser tratada? Porque o Cristo não veio trazer a paz, mas a discórdia. Para quê? Para que todos desenvolvam a concórdia. Para que aqueles que se dizem cristãos, que declaram publicamente ser seguidor de Cristo, vivam em concórdia com os diferentes.

Participante: para usar o ensinamento que ele trouxe.

Usar em si mesmo.

BEM AVENTURADO - MATEUS - CONVERSA 04

Discordâncias em família

Participante: vou falar do meu caso. Você sempre me ajudou em relação aos filhos quando fala com relação a vidas passadas. Aí consegui entender porque nessa vida algumas coisas aconteceram. Sei que não é o caso do assunto de agora.

Não é o caso, mas com certeza, como vimos antes, todas as palavras que falar são mandadas pelo espírito de Deus. Por isso, não se critique por ter falado. Saiba que tudo que diz vai gerar um nexo que faz cair fichas, como o que disse anteriormente caiu para você.

Participante: agora a pouco você falou em mudar internamente. Devemos falar isso para as pessoas mesmo sabendo que ela vai mudar se mudar, ou seja, se Deus a fizer mudar?.

Digo que deve mudar internamente, não externamente.

Mudar internamente qualquer um pode. Não pode mudar a razão, mas a emoção sim. Mudar a emoção é não aceitar a emoção que a mente criar.

Participante: podemos dizer assim, mudar a motivação?

Exato.

Participante: a mudança de cada um não vai garantir que as coisas mudem, ou seja, se mudar a si não há garantia de que a filha volte, não é mesmo?

Não, não vai garantir a vota da filha.

Participante: acho que aqui entra a questão de não criar expectativa.

Isso.

Mudar não esperando que vá ganhar a filha de volta, mas para estar em paz, mesmo vivendo longe dela.

Participante: quando você pega uma pessoa difícil e diz para não criar expectativas, ela fala: ora, se eu não tiver expectativa, não tenho esperança. Sem esperança não vivo.

 É o que vimos agora a pouco na bíblia: se entrar em uma casa e a pessoa não quiser lhe ouvir, vá embora. Limpe as sandálias e não fique nem com um grão de poeira de lá. É dizer: ‘está certo, se você não acha que é esse o caminho, siga outro. Eu só posso lhe ajudar dessa forma’.

Participante: isso se a pessoa vier pedir. Já estou falando de outro caso familiar. Família é difícil.

Sim, é.

Como fala o espiritismo? Ele diz que o núcleo familiar é o maior campo de prova, não é? Sim, os seres já vêm junto para isso mesmo.

É por isso que Cristo fala: vou jogar pai contra filho, filha contra mãe. O núcleo familiar é onde acontecem as maiores provas. Os espíritos são colocados juntos para isso. Além da proximidade, os membros desse núcleo são diferentes entre si.

Aliás, quanto mais diferente melhor, pois podem haver mais atrito para que os seres trabalhem a si mesmo.

Participante: ou seja, a mudança interna vai gerar um merecimento. Não necessariamente o merecimento que a pessoa quer. Por exemplo: a filha voltar. O merecimento que será gerado é o que Cristo prometeu: a bem aventurança, a paz e a felicidade.

Perfeito. Exatamente.

Na hora que estiver em paz consigo e com o mundo, para que vai querer uma filha? Quem tem a paz e a felicidade não quer ter mais nada.

Aliás, na verdade o ser não quer a filha junto. O que quer realmente é a conquista de ter a filha do seu lado. Quer uma paz falsa, pois na verdade é o prazer de ter dobrado a filha, ter feito ela aceitar a sua verdade e vontade.

Saiba de uma coisa: ninguém liga para ninguém; ninguém se preocupa com alguém. Não se impressione com frases como ‘estou apaixonado por você’, ‘quero estar sempre ao seu lado’. Isso só continuará existindo enquanto for de interesse daquela pessoa. Na hora que não for mais, tudo isso acaba.

Participante: mas, amor de mãe e filha é diferente, não?

Deixa a filha pisar bem no calo do seu dedinho para ver se não bota ela para correr.

Participante: tem aquelas mães que vão até na penitenciaria.

É porque pisaram no pé delas e não no dedinho que tem aquele calo que dói muito. Na hora que pisar no dedinho com calo, ou seja, que ferir a individualidade, a pessoa não quer saber se é mãe ou pai: a porta da rua é serventia da casa.

BEM AVENTURADO - MATEUS - CONVERSA 04

O preço da felicidade

Quem ama o seu pai ou a sua mãe mais do que ama a mim não merece ser meu seguidor. Quem ama o seu filho ou a sua filha mais do que ama a mim não merece ser meu seguidor. Não serve para ser meu seguidor quem não estiver pronto para morrer como eu vou morrer e me acompanhar. Quem procura os seus próprios interesses nunca terá a vida verdadeira; mas quem esquece a si mesmo, porque é meu seguidor, terá a vida verdadeira. (Mateus 10. 37 a 39)

Não conseguirá a felicidade qualquer um que não esteja disposto a pagar o preço por ela. Esse ensinamento é o ponto final de um estudo que fizemos – Construindo a felicidade: a felicidade tem um custo.

Qual é o custo dela? A libertação do ter que atender os seus interesses individuais. Esse é o preço da felicidade, porque ela só acontece quando o ser se libertar de ter atendido seus interesses individuais. Enquanto esperar atendimento a um interesse, sempre haverá sofrimento.

Participante: porque você coloca o interesse em detrimento a felicidade.

Acima da felicidade. Na verdade não é o interesse que coloca acima da felicidade, mas a satisfação do interesse.

Esse é o ponto que poucos falam: o custo da felicidade. Se não souber desse custo, se não estiver disposto a paga-lo, nem comece esse trabalho, porque vai se frustrar. Se acha que a felicidade vai existir ao mesmo tempo em que a satisfação do seu interesse, vai se frustrar, pois isso é impossível, pois para um ganhar, outro tem que perder.

Participante; para ser feliz terá que abrir mão do que gosta?

Não é abrir mão do que gosta, mas de exigir que o que gosta exista ou seja adorado pelos outros.

Você pode gostar do que quiser e ser feliz, desde que diga assim a si mesmo: ‘eu gosto daquilo, se tiver, tive; se não tiver, não tive’. Tem que ser equânime entre o conseguir e o não conseguir aquilo que gosta.

Então, pode gostar. Pode ter preferências e ser feliz. Só que para isso precisa abrir mão da exigência de que o que gosta suplante o que não gosta. Nesse momento vai encontrar a felicidade, a paz.

Enquanto continuar exigindo que o que gosta suplante o que não gosta, não vai ser feliz e estar em paz. Só será realmente feliz quando o seu gostar suplantar o seu desgostar.

Participante: não é possível servir a Deus e a Mamon ao mesmo tempo?

Não se serve a Deus e a matéria ao mesmo tempo. Não se serve a Deus e ao ego ao mesmo tempo.

Participante: é isso que queria falar. Isso é libertar-se do ego?

Libertar-se do que o ego produz.

Quantos pensam que libertar-se do ego é tornar-se outra pessoa, ser diferente do que é hoje. Não, não é isso! É libertar-se do que a mente produz.

Ela produz a necessidade de ser atendido para ser feliz. Você se liberta dessa necessidade e continua sendo a mesma pessoa, só que agora feliz e em paz.

Participante: não é mudar o ego, é não se identificar com ele?

Perfeito. É observar, ser o observador do ego, sem se identificar com ele. Assistir o filme tendo a consciência que a razão é o narrador do filme.

BEM AVENTURADO - MATEUS - CONVERSA 04

As recompensas

Quem recebe vocês está recebendo a mim; e quem me recebe está recebendo aquele que me enviou. Quem receber um profeta, porque este é profeta, terá uma parte da recompensa dele; e quem receber uma pessoa boa, porque ela é boa, terá uma parte da recompensa dela. Eu afirmo a vocês que isto é verdade: quem, apenas por ser meu seguidor, der ainda que seja um copo de água fria ao menor dos meus seguidores, certamente receberá a sua recompensa. (Mateus 10. 40 a 42)

Tudo tem sua recompensa. Ela é do mesmo tamanho da libertação que o ser faz das coisas desse mundo. Então, quanto mais você conseguir amar o próximo, mais respeitá-lo, mais conseguir superar as discórdias, receberá alguma coisa.

Participante: o que quer dizer quando se fala que o profeta terá parte da recompensa?

Profeta é todo aquele que, vamos dizer assim, fala em nome de Deus. Aquele que vem ajudar. Por exemplo, eu.

Você acha que eu sou um espirito falando, acha que tenho ascensão moral e por isso me ouve. Você está recebendo o profeta, a palavra dele. Isso lhe confere receber uma parte da recompensa.

Não garante a recompensa inteira, mas uma parte. Por quê? Porque você respeita o profeta.

Participante: ele fala em um profeta como uma pessoa boa.

O profeta é uma pessoa boa. Uma pessoa boa para ser seu amigo. Por isso deve ouvir o que ele tem pra me dizer. Se fizer isso, receberá uma parte da recompensa.

Participante: isso serve para nós...

Serve para todo mundo.

Participante: ou seja, na passagem anterior ele falou de custo, agora está falando de recompensa. Quer dizer que tudo tem um custo e uma recompensa?

Sim.

Participante: no caso a recompensa seria a bem aventurança e o custo a libertação do ego?

O custo é a não satisfação humana.

Participante: e a recompensa é de acordo com o recebedor?

De acordo do porque você recebe o profeta.

Se recebe porque aquela pessoa tem uma ascensão moral, vai receber uma coisa. Agora, se recebe esperando ganhar alguma coisa com isso ou por causa da importância humana do profeta, receberá outra coisa.

Participante: ou seja, se está mais interessado no mensageiro que na mensagem? Há pessoas que valorizam mais o mensageiro que a mensagem.

Exatamente! Esse recebe diferente do outro.

BEM AVENTURADO - MATEUS - CONVERSA 04

Os mensageiros de João Batista

Quando acabou de dar essas ordens aos seus doze discípulos, Jesus saiu daquele lugar e foi ensinar e anunciar a sua mensagem nas cidades que ficavam perto dali. (Mateus 11. 1)

Reparou na sequência da Bíblia? Jesus juntou todo mundo e fez o Sermão do Monte. Depois só os apóstolos e deu as orientações a eles. Continue.

João Batista estava na cadeia e, quando ouviu falar do que Cristo fazia, mandou que alguns dos seus discípulos fossem perguntar a ele: O senhor é aquele que ia chegar ou devemos esperar outro?

Jesus respondeu: Voltem e contem a João o que vocês estão ouvindo e vendo. Digam a ele que os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e os pobres recebem o evangelho. E felizes são aqueles que não abandonam a sua fé em mim! (Mateus 11. 2 a 6)

O que dará credibilidade a Cristo?

Veja, João Batista está na cadeia e quer saber se Jesus é realmente o intermediário para o testamento. Aí Cristo diz: vá lá e conte o que viram. Diga que as pessoas estão mudando, que as coisas estão acontecendo.

Portanto, o que dá credibilidade a Cristo? O resultado do trabalho. É isso que pede que relatem a João Batista: o resultado do que Cristo faz.

Há uma questão que é muito levantada durante o período que o ser está buscando a felicidade seguindo os ensinamentos: será que estou no caminho certo? Será que é isso mesmo que tenho que fazer? Será que essa história que Joaquim fala sobre não precisar dar comida e cobertor para os pobres é verdade? Será que a única coisa que tenho que fazer é só me libertar do meu ego? Será esse realmente o caminho para se aproximar de Deus?

Só uma única forma de descobrir a resposta para essas questões: vejam o resultado do trabalho. Observe como se desenrola a sua vida quando consegue colocar em prática o ensinamento. Veja se realmente há paz e felicidade. Somente essa observação pode responder se está no caminho certo.

Não estou falando em ter paz o tempo inteiro, em ser feliz o tempo inteiro. Estou falando em conseguir ter paz em alguns momentos, de conseguir ser feliz em alguns momentos.

Há diversas pessoas que estão conosco que falam: hoje eu passo mais tranquilo por situações que antigamente passaria com a cabeça explodindo. Observar isso acontecer é a prova que se está no caminho certo.

É esse o ponto que Cristo toca aqui, antes de voltar as parábolas. Se você quer saber se está no caminho certo, seja ele qual for, observe a sua vivência da vida. Veja se quando há a prática do que é ensinado você consegue ter paz mesmo na discórdia, se consegue ser feliz mesmo nos contratempos. Em alguns momentos, não o tempo inteiro.

Se isso acontece, continue praticando, pois sabe que está no caminho certo. O que falta agora é ampliar o tempo de prática. Hoje consegue ter paz em alguns segundos; com a prática, amanhã conseguirá por mais tempo. Faça isso com uma única certeza: a perfeição nunca será alcançada.

Participante: ou seja, verifique está no caminho.

Isso.

Pode fazer sua pergunta.

Participante: é mais uma curiosidade: João batista já tinha uma noção de que Jesus ...

Parábolas, parábolas, parábolas...

Pouco importa João Batista ou seus seguidores. O importante é ter consciência de que se não tivesse essa passagem, não haveria essa mensagem, que é uma espécie de prova dos nove para ver se você está no caminho certo.

BEM AVENTURADO - MATEUS - CONVERSA 04

O importante é a mensagem

Quando os discípulos de João foram embora, Jesus começou a dizer ao povo o seguinte a respeito de João: O que vocês foram ver no deserto? Um caniço sacudido pelo vento? O que foram ver? Um homem bem-vestido? Ora, os que se vestem bem moram nos palácios! Então me digam: o que esperavam ver? Um profeta? Sim. E eu afirmo que vocês viram muito mais do que um profeta. Porque João é aquele a respeito de quem as Escrituras Sagradas dizem: “Aqui está o meu mensageiro, disse Deus. Eu o enviarei adiante de você para preparar o seu caminho.” Eu afirmo a vocês que isto é verdade: de todos os homens que já nasceram, João Batista é o maior. Porém quem é menor no Reino do Céu é maior do que ele. Desde os dias em que João anunciava a sua mensagem, até hoje, o Reino do Céu tem sido atacado com violência, e as pessoas violentas tentam conquistá-lo. Até o tempo de João, todos os Profetas e a Lei de Moisés falaram a respeito do Reino. E, se vocês querem crer na mensagem deles, João é Elias, que estava para vir. Se vocês têm ouvidos para ouvir, então ouçam. (Mateus 11. 7 a 15)

Fácil de interpretar...

Participante: claro que sim... Ainda mais dizendo que Elias estava para vir. Ele já não tinha vindo antes?

Sim.

Participante: dizem que Joao é a encarnação de Elias? E não que está para vir.

Sim, ele reencarnou como João.

Mas, espera: vocês estão preocupados com comprovações de reencarnações? Não tem nada uma coisa com a outra. Vamos com calma.

Cristo está falando de João. Aí pergunta: o que que vocês encontraram no deserto? Ou seja, quer saber de quem foi até João o que encontrou?

Participante; entre aspas, um homem mal vestido,

Em farrapos, de cabelo grande e sujo.

Participante: que poderia ser confundido com um mendigo.

Isso.

Sabe um problema grande desse nosso trabalho? O médium não é doutor em nada, não possui diploma universitário. Sabe porque isso é problema? Porque vocês julgam a mensagem pelo mensageiro.

‘Ah não! Aquele fez três faculdades. Ele deve saber muita coisa, o que fala deve ter grande valor’. Isso fica claro quando Cristo diz: ‘os que vivem em palácios são cercados de uma austeridade. Mas, eu afirmo a vocês que João entre os que nasceram é o maior homem’.

Não se julga o mensageiro por ele mesmo, mas pela mensagem que ele traz. Esse é o ensinamento do mestre, é a consciência que leva à bem aventurança.

Vocês gostam muito de livro de autor famoso, escrito por pessoas que tenham reconhecimento de muitos. A esse dão uma grande credibilidade, mas será que realmente possuem caminhos elevados?

Uma pessoa que já experimentou o nosso ensinamento, acha ele interessante, já auferiu resultados com eles, veio aqui me falar de um livro que estava lendo. Comentou alguma coisa que o autor tinha afirmado nele. Com uma intervenção destruí toda credibilidade que estava dando àquele livro. Sabe qual foi? Deus é a Causa Primária de todas as coisas.

A análise do que estava no livro não interessa. O interessante é ver que uma pessoa que já conseguiu resultados pelo nosso caminho deu credibilidade a algo que é completamente oposto ao que falamos. Por quê? Porque o autor é conhecido, reconhecido, possui fama.

BEM AVENTURADO - MATEUS - CONVERSA 04

O mensageiro

A mensagem que Cristo está passando aqui é exatamente essa: não julguem a mensagem pelo mensageiro, mas julgue o mensageiro pela mensagem que ele traz.

Mas, em que base devemos julgar a mensagem que o mensageiro traz? Aquela que leve você a seguir os ensinamentos que acredita. A que leve a colocar em pratica tudo isso que crê como real.

Participante: é o que você falou antes do resultado?

Que resultado?

Participante: o resultado da prática do ensinamento. No meu caso, resolvi seguir o que deu resultado para mim.

Exato

Participante: então, não é só a mensagem em si que conta para julgador o mensageiro, mas também o resultado?

Sim.

São duas coisas sim. Veja o que é importante para você, o que está trazendo resultado, mas, ao mesmo tempo, não se deixe influenciar nunca pela posição do mensageiro.

Julgue a mensagem e não o mensageiro. Julgue a mensagem pelo o está nela frente ao que você acredita.

Outro ponto importante dentro do mesmo tema. Cristo dala que apesar de João ser o mais importante, ainda é menor do que o menor no reino do céu. Que mensagem há aí? Não idolatre o mensageiro.

Mesmo que seja um andarilho, mesmo que fale exatamente o que o Cristo trouxe, mesmo que ensine como Cristo ensinou, mesmo que a mensagem seja perfeita, esse mensageiro ainda é menor do que o menor no reino do céu.

Quem é o menor no Reino do Céu? Deus.

Claro que estou usando de uma figura. Deus é o menor no sentido daquele que menos tem e mais dá.

Já cansei de dizer isso: Deus não tem querer. Ele tem que fazer o que você dá origem para receber. Ele é seu escravo. Deus não pode fazer o que quer: precisa dar a cada um exatamente de acordo com as obras.

Então, no trecho há duas mensagens. A primeira: não se deixe levar pelo mensageiro, observe a mensagem. Nem sempre o mensageiro que traz a mensagem mais profunda vive em palácio. Segundo: mesmo que concorde plenamente com o que é trazido, mesmo que ache que aquele mensageiro traz a mensagem perfeita, não o idolatre, pois ainda há alguém melhor que ele no reino do céu.

A reencarnação de Elias, na verdade não é a reencarnação da pessoa física Elias, da mensagem do Elias. Se você for ler o livro do Elias, ele já é o primeiro apóstolo que começa a colocar o amor acima do temor a Deus. É a mensagem do Elias, a reencarnação da mensagem do Elias.

Compreendeu?

Participante: sim, mas queria que você comentasse uma passagem aqui.

Pode falar.

Desde os dias em que João anunciava a sua mensagem, até hoje, o Reino do Céu tem sido atacado com violência, e as pessoas violentas tentam conquistá-lo. (Mateus 11. 12)

João foi perseguido; Cristo foi perseguido. Aliás, todo mensageiro que não propõe o lucro individual humano nas mensagens espirituais, que não promete vantagens no mundo humano com elas é atacado, não é mesmo?

Desde aquele tempo, todos os que ensinaram que o ser precisa libertar-se dos seus desejos humanos , é atacado. Todos que ensinaram que Deus não pode dar o que o ser não faz por merecer, foi atacado. É isso que está ai.

BEM AVENTURADO - MATEUS - CONVERSA 04

Seguir rituais

Mas com quem posso comparar as pessoas de hoje? São como crianças sentadas na praça. Um grupo grita para o outro: 17 “Nós tocamos músicas de casamento, mas vocês não dançaram! Cantamos músicas de sepultamento, mas vocês não choraram!”. João Batista jejua e não bebe vinho, e todos dizem: “Ele está dominado por um demônio.” O Filho do Homem come e bebe, e todos dizem: “Vejam! Este homem é comilão e beberrão! É amigo dos cobradores de impostos e de outras pessoas de má fama.” Porém é pelos seus resultados que a sabedoria de Deus mostra que é verdadeira. (Mateus 11. 16 a 19)

Nós cantamos música de casamento e vocês não dançaram! Nós cantamos música de enterro e vocês não choraram! O que isso quer dizer?

Participante: que eles não seguem a regra humana.

Não.

Os rituais! A música de casamento é um ritual para o casamento. A música do sepultamento é o ritual do choro. Sabendo disso, entendemos: nós propusemos todos os rituais e João não seguiu nenhum! Como ele pode ser o enviado de Deus se não se submete aos rituais?

Participante: rituais judaicos?

Sim, da época.

É isso que Cristo está dizendo. O mensageiro de Deus come, bebe, ou seja, vive como qualquer ser humano. Isso não o leva a não ser mais enviado do Pai, mas vocês acham que quem age como um humano não pode falar em nome de Deus. Avaliam o mensageiro pelo que ele faz e não pelo que ensina.

Já falei estuprador, já falei de bandido, já falei de matar. Disse que essas coisas não devem ser condenadas. Ao fazer isso não cumpri o ritual de hoje que é condenar esses atos.

Sim, atacar quem vai contra um anseio humano é um ritual dos espiritualistas de hoje. Esse ritual não cumprimos. A mensagem que trazemos é de paz entre todos, independente do que tenham feito. Com isso estamos cumprindo um ensinamento do mestre que os que seguem esses rituais esquecem: é muito fácil abraçar o amigo; quero ver cumprimentar o inimigo.

É muito fácil amar e estar em paz com quem cumpre com todos os rituais que você crê que deve ser seguido, mas isso não é o amor ensinado por Cristo. Isso qualquer pagão faz. Cumprimentar o inimigo sem ataques, é alcançar a paz ensinada pelo mestre. Ou, como já vimos, é a maneira de proclamar pertencer a Cristo.

A mensagem da paz e harmonia entre todos faz parte dos ensinamentos cristão, não a obrigação de cumprir rituais. Os que se prendem apenas a fazer o que é declaradamente certo, não mostram pertencer a Cristo.

Isso é importante para vocês conversarem com os outros na hora do socorro: ‘posso não mandar acender vela para o seu guia e nem falar exatamente o que você esperava ouvir, como condenar aquele que lhe contraria, mas tente praticar e observe o resultado do que falo. Observe que mesmo não tendo encontrado a solução que procurava, conseguirá um pouco de paz e felicidade’.

BEM AVENTURADO - MATEUS - CONVERSA 04

As cidades que não creram

Então Jesus começou a acusar as cidades onde tinha feito muitos milagres. Ele fez isso porque os seus moradores não haviam se arrependido dos seus pecados. Jesus disse: Ai de você, cidade de Corazim! Ai de você, cidade de Betsaida! Porque, se os milagres que foram feitos em vocês tivessem sido feitos nas cidades de Tiro e de Sidom, os seus moradores já teriam abandonado os seus pecados há muito tempo. E, para mostrarem que estavam arrependidos, teriam vestido roupa feita de pano grosseiro e teriam jogado cinzas na cabeça! Pois eu afirmo a vocês que, no Dia do Juízo, Deus terá mais pena de Tiro e de Sidom do que de vocês, Corazim e Betsaida. E você, cidade de Cafarnaum, acha que vai subir até o céu? Pois será jogada no mundo dos mortos! Porque, se os milagres que foram feitos aí tivessem sido feitos na cidade de Sodoma, ela existiria até hoje. Pois eu afirmo a vocês que, no Dia do Juízo, Deus terá mais pena de Sodoma do que de você, Cafarnaum. (Mateus 11. 20 a 24)

Participante: esse trecho me lembra o ensinamento a quem muito foi dado, muito será pedido, cobrado.

Não é sobre isso.

No Novo Testamente se fala muitas vezes sobre milagres. O que é um milagre?

Participante: algo sobre natural.

Algo que não tem explicação humana, mas que satisfaz vontades.

Sim, isso existe. Existem coisas que não possuem explicação humana plausível e que quando ocorrem provocam satisfação de vontades. Não era só no tempo de Cristo: isso acontece diariamente até hoje.

Diariamente ocorrem coisas que vocês não conseguem explicar mas que causam satisfação, que lhes faz ficar mais tranquilos, traz prazer. Essas coisas vocês querem que aconteça, mas fazer a mudança interna, que é o motivo de estar vivo, vocês não querem fazer, não é mesmo?

É sobre isso que Cristo está falando: vocês judeus só querem o milagre. Só querem o que lhes satisfaz. Diz mais: aquele que recebeu o milagre, ou seja, que recebeu algo que não sabe explicar como aconteceu, mas que trouxe uma sensação boa, e não fez o trabalho em si da reforma, é muito mais, entre aspas, culpado do que aquele que não teve um milagre e não fez.

Não é só sobre a quem muito foi dado será cobrado que está sendo falado aqui. Está sendo dito que é preciso entender que se recebe alguma coisa e por causa disso sente agradecido por quem fez, precisa doar alguma coisa em troca. Essa alguma coisa é posses, paixões e desejos. Aquele que recebe um milagre deve em troca abrir mão de alguma coisa humana.

Não confundam uma coisa: o que está sendo falado não tem nada a ver com cobrança. Está se falando em reciprocidade. Em ter reciprocidade com quem lhe dá alguma coisa.

Na verdade, o que o mestre está mostrando é que vocês querem ganhar sempre; não querem nunca abrir mão de nada. Na hora que é para perder, não aceitam, mesmo tendo recebido antes alguma coisas sem explicar. É isso que ele está alertando.

BEM AVENTURADO - MATEUS - CONVERSA 04

O maior milagre recebido

Sei que muitos podem dizer que nunca aconteceu um milagre a eles, mas isso é falso: todos já receberam um milagre. Que milagre é esse? A oportunidade da encarnação.

Existe coisa mais sobrenatural do que a encarnação? Existe incógnita maior do que a oportunidade de estar vivo?

Esse é o milagre que todos já receberam: o fato de estar vivo.

Participante: mas se Deus inventou esse negócio de encarnar, tem a obrigação de nos dar a vida. Não faz mais que a sua obrigação em nos dar a orientação para aprendermos e sair daqui.

Ele dá toda a orientação que precisa. A Bíblia é um exemplo disso. Os ensinamentos de Buda, Krishna, Espírito da Verdade e Maomé também. Tudo está disponível para que você possa obter a orientação para sair daqui. Como dá a contra partida ao que ele dispôs?

Participante: você falou que a vida é um milagre.

Sim.

Todos que receberam o milagre da vida já ganharam alguma coisa. O quê? A oportunidade da encarnação, o fato de estarem vivos. Só que vocês não se contentam só com o fato de estarem vivos; querem a satisfação aqui, ali, acolá, do outro lado. Além de não agradecerem a oportunidade que receberam, vocês não abrem mão de continuar ganhando sempre.

É isso que Cristo está dizendo: vocês já receberam o milagre, a vida. Diz mais: quem recebe o milagre e ouve o ensinamento deve entender que essa oportunidade não é para satisfazer com bens mundanos, mas para buscar a evolução.

A vida humana é um milagre que se transforma numa oportunidade para o ser colocar em pratica tudo o que aprendeu antes de encarnar. Ele deveria dizer: ‘já que recebi essa oportunidade, devo me dedicar a colocar em prática o que já aprendi. Só que a maioria recebe o milagre, mas querem mais: quer o prazer, a vitória, a fama, o elogio. Esses são muito mais culpados do que aqueles que não receberam essa oportunidade.

Participante; uma pergunta que me veio à cabeça: reencarnação é raridade? Encarnar é uma raridade espiritual?

Não, não é uma raridade. É, dentro do ponto de vista humano, algo místico, algo que vocês não conseguem explicar.

Diga-me uma coisa: Por que você é você, humanamente falando?

Participante: eu sou eu por causa dos conceitos herdados...

Não é isso que estou perguntando. O que quero saber é porque tem cabelo preto, porque pensa da forma que pensa, porque vive de uma determinada forma?

Participante: por causa das circunstâncias da minha vida?

Não! É porque foi um determinado espermatozoide que entrou no óvulo. Se fosse outro, seria outra pessoa.

Carga genética: física e emocional. Se fosse outro espermatozoide você não seria o que é.

Agora me explica: por que aquele espermatozoide ganhou a corrida e não outro? Isso não tem explicação; isso é um milagre! É por isso que disse que humanamente falando a encarnação é algo místico.

Sabe, você é fruto de um espermatozoide, humanamente falando, que correu mais que os outros. Por que aquele e não outro? Se fosse outro você seria outra pessoa. Poderia até ser mulher.

Veja como a encarnação, a vida, é algo completamente místico e por isso milagrosa. É o milagre de ter sido aquele espermatozoide que ganhou a corrida e você foi definido como é. Entendeu agora?

BEM AVENTURADO - MATEUS - CONVERSA 04

A oportunidade da encarnação

Participante: uma vez você disse que tinha uma fila de não sei quantos pra reencarnar.

Dez para cada espirito encarnado.

Participante: então veja. A mãe que quer por um filho na escola briga por uma vaga. Por querer que o filho aprenda, o põe na escola. Porque Deus não age assim também não? Somos os filhos Dele. Ele não quer que a gente aprenda, por que não nos põe na escola? Porque tem que ter essa fila?

Digamos que você tenha pouco dinheiro e tem que escolher entre os filhos qual vai a escolha. Qual escolheria? O mais capacitado.

Portanto, é preciso merecer a vaga. Não adianta querer colocar o filho na escola se ele não tem capacidade para aprender.

Participante: capacidade emocional?

Sim, ele não está emocionalmente preparado para aquilo.

Por Ele, o Pai poria todo mundo. Mas, para que vai colocar um que ainda não sabe aproveitar os ensinamentos da escola? Esse filho pode acabar aprendendo alguma coisa que não deveria na escola.

Participante: então não justifica dizer o milagre da vida. Você está aqui e tem uma fila de dez mil esperando! São dez mil que não têm capacidade?

O milagre da vida que falo não é no sentido que costumam usar para isso: algo humanamente falando bom. Falo em milagre como algo muito importante, mas que não possuem condição de mensurar a sua importância e finalidade.

Não. Estou usando o termo milagre para a vida simplesmente para mostrar para que é algo místico, algo que vocês não conseguem entender.

Tudo que vocês não conseguem entender chamam de milagre. Tudo que a ciência não explica é milagre. É nesse sentido que estou usando a palavra milagre.

Participante: você falou uma vez que essa fila está diminuindo. Esse não é o momento da última oportunidade?

Pois é justamente por conta de ser a última oportunidade que a fila está diminuindo. Nos dias de hoje já está separando os que não vão mais reencarnar aqui. Esses não estão mais voltando para a fila.

Participante: mas os que não vão mais encarnar aqui não teriam uma última oportunidade?

Já tiveram. A última oportunidade começou com o evento de Fátima.

Participante: muitos já encarnaram e desencarnaram nesse período, não é?

Sim.

Participante: Esses que não têm mais a oportunidade já não estão mais na camada espiritual do planeta?

Não. Já foram para o outro planeta escola. Já estão na camada espiritual do outro planeta.

Participante: como eles vão?

De bonde.

Falo assim porque ninguém sabe o que é bonde hoje em dia. Eles vão de algo que vocês não sabem o que é.

Participante é o aerobus dos espíritas?

Pode ser, porque apesar de falarem tanto nele, os espíritas não sabem o que é.

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Um convite de Jesus

Naquela ocasião Jesus disse: Ó Pai, Senhor do céu e da terra, eu te agradeço porque tens mostrado às pessoas sem instrução aquilo que escondeste dos sábios e dos instruídos! Sim, ó Pai, tu tiveste prazer em fazer isso.

O meu Pai me deu todas as coisas. Ninguém sabe quem é o Filho, a não ser o Pai; e ninguém sabe quem é o Pai, a não ser o Filho e também aqueles a quem o Filho quiser mostrar quem o Pai é.

Venham a mim todos vocês que estão cansados de carregar as suas pesadas cargas e eu lhes darei descanso. Sejam meus seguidores e aprendam comigo porque sou bondoso e tenho um coração humilde; e vocês encontrarão descanso. Os deveres que eu exijo de vocês são fáceis e a carga que eu ponho sobre vocês é leve. (Mateus 11. 25 a 30)

Deus dá aos simples o que esconde dos sábios. O que quer dizer isso?

Participante: aquele que julga conhecer na verdade não a conhece.

Não alcança. Quem julga conhecer a verdade não a alcança.

Qual o resultado de nosso trabalho?

Participante: obter a paz.

Você já viu algum sábio, alguém que sabe alguma coisa, em paz? Já viu alguém que tem um acúmulo de informações em paz?

Participante: não, jeito nenhum.

Por quê?

Participante: porque a informação nunca tem fim. Sempre haverá algo a ser sabido. Por isso, o sábio, aquele que quer saber, está sempre procurando.

Sim. Primeiro vai estar sempre buscando mais informação para ser mais sábio. Mas, tem mais um motivo: precisa estar sempre atento ao que os outros acham para defender o seu ponto de vista. Ele não tem paz porque está sempre buscando informações novas para ampliar o seu conhecimento e porque está sempre atento ao que os outros dizem para combater a verdade deles e provar a sua sabedoria.

Participante: ele sempre tem que provar o que acredita.

Mais do que aprovar: defender. Ele precisa defender seus conhecimentos, o que acredita. Na verdade não quer provar que está certo: quer defender isso.

É por isso que não existe sábio feliz. Só aquele que não quer nada saber, não precisa se defender de ninguém para poder mostrar a sua importância consegue ser feliz.

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Só o filho sabe quem é o Pai

Só o filho sabe quem é o Pai. O que quer dizer isso? Só aquele que se entrega ao caminho encontra a felicidade, sabe quem é Deus.

Só conhece Deus aquele que entra em comunhão com o Pai. Cristo não está falando de conhecer, está falando em reconhecer. Só reconhece Deus, o Universo, a Vida Universal aquele que põe em prática os ensinamentos. Aquele que não entre em comunhão possui apenas uma teoria do que são essas coisas, tem uma ideia individualizada que acha que é a realidade.

Quem acredita na teoria do que são essas coisas tornam-se sábios. Quando isso acontece se afastam mais ainda da Verdade, pois não sabem quem é o Pai.

Então, veja, o caminho para a felicidade não é pelo conhecimento sobre Deus, mas através da entrega ao próprio caminho. É preciso entregar-se ao próprio caminho para colher resultados, pois só a realização do caminho (a prática dos ensinamentos) vai torna-lo apto a entender essas coisas.

Apenas um detalhe: entender sem entender, ter um entendimento sem ter uma razão que entenda. Se não for assim, torna-se sábio e nesse caso não caminha mais.

É isso que Cristo está dizendo aí: não queira tornar-se sábio, mas praticante. Quanto mais você pratica o caminho, mais conhece do Universo sem saber nada.

Não é exatamente o que está escrito aí?

Participante: colocando em outras palavras, posso tecer mil teses a respeito do amor, mas só saberei o que é o amor amando?

Perfeito.

Participante: quando amar, toda a tese que criei sobre o amor acabará. Verei que não era nada daquilo que sabia.

Não, é o contrário. Quando amar vai entender que suas teses sobre o amor, são apenas as suas teses sobre amor e não ele mesmo.

Participante: são teses e não o amor.

Sendo assim, aquele que caminha formando teses sobre o amor, jamais ama. E aquele que ama jamais forma teses sobre o amor.

Lembro de uma vez que uma moça disse assim: ‘estou tentando amar como o senhor ensina’. Eu disse: pare de tentar e ame. Quem tenta amar é aquele que tem conceitos sobre como amor. Por isso usa os seus conceitos para julgar se está amando. Esse não ama: apenas vive os seus conceitos sobre amar.

Participante: aí cai na projeção do ego. Digamos assim: atende a sugestão do ego, atende a projeção, mas não está amando.

Perfeito.

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Amar

Participante: achei meio filosófico, assim até bonito, mas, na pratica, isso quer dizer que você não sabe o que sente, não sabe se está amando? É isso?

Só o filho sabe quem é o Pai.

Você me pergunta como, na pratica, vai saber que está amando? É isso?

Participante: é.

Só o filho sabe do Pai, ou seja, você só vai saber se está amando quando estiver amando. Como é amar?

Amar é viver livre de tudo e de todos. Quando você está liberto de tudo e de todos, ou seja, não exige nem espera nada do mundo, está amando. Amar é viver a sensação de liberdade, que não é um prazer (‘ah graças a Deus agora estou livre de tudo’ ). Amar é simplesmente amar, sem saber o que é o amor.

Amar, só pra colocar de uma forma mais prática, é aquilo que sempre falamos: aprender a conviver em paz e harmonia com tudo e com todos. Na hora que consegue isso surge uma sensação inexplicável. Essa sensação é o amor.

Participante: uma criança pequena não tem conceitos do que é amar. Ela ama verdadeiramente?

Por isso Cristo disse que é mais fácil a criança entrar no Reino do Céu do que você que possui conceitos.

Participante: então, uma criança ama verdadeiramente?

A criança não está nem aí para nada. Ela não quer saber se corre risco ou não, não quer saber se o amiguinho é branco ou preto, rico ou pobre, bom e mal. Acho que isso é amar, não?

Participante: a criança ama enquanto ainda não tenha a idade onde se adquire conceitos, não é?

Perfeito.

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Caminhar é preciso

Participante: a questão do adquirir conceitos é a armadilha da chamada busca espiritual, não é? O ser humanizado está sempre buscando para acrescentar um saber para que um dia aprender que tudo o que tem que fazer é desaprender o que acumulou. Então, para de buscar e passa a vivenciar os ensinamentos.

Vamos juntar o que acabou de dizer com o falamos nesse trecho?

Quantas vezes disse para vocês: parem de ler; ler cansa os olhos. Agora estão vendo que Cristo ensina a mesma coisa, não é?

No período em que estamos juntos vocês ouviram muitas teorias de mim. Quando as ouviram foram buscar em outras fontes informações que servissem de comprovação para elas. Com isso não tiveram a oportunidade de amar. Por causa da busca constante de comprovações nunca colocaram em pratica nem o que eu ou outros falam.

Qual a solução para isso? Já falamos aqui: não importa quem seja o mensageiro, não importa qual seja a mensagem, se acreditou nela, siga e fique atento ao resultado. Se der certo, esqueça o resto. Pouco interessa se alguém mais acredita ou não naquilo: para você deu certo.

Não estou falando em seguir Joaquim ou ao Espiritualismo Ecumênico Universal. Quando falo sobre abandonar o resto, vocês pensam: ‘ele está querendo que o sigamos, que sejamos fieis só a ele’. Não, não é isso! Quero que sejam fiéis a vocês mesmos, àquilo que acreditam.

É àquilo que acreditam. Na hora que acreditar em alguma mensagem, na hora que um ensinamento soar lógico, esqueça o resto e siga aquele caminho. Só que ao invés de fazerem isso, estão sempre buscando mais informações, fazendo verificações que comprovem que aquilo é verdade.

Nunca irão ter essa confirmação. Porquê? Porque como não houve entrega, nada lhe será revelado.

Então não importa se é nosso ensinamento, desse ou daquele: siga aquilo que tornar verdade para si mesmo. ‘Esse é o caminho que vejo como interessante, como bom. Vou esquecer todos os outros e caminhar por aqui’. Nesse momento vai conseguir.

Participante: você já chamou o fato de estar sempre buscando de ‘andar de lado’.

Isso.

Enquanto quiser juntar mais informação a que já tem, vai estar andando de lado. Falo assim, porque está sempre trocando de aminho e nunca indo para frente.

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O medo e o amor

Participante: só para compartilhar algo que para mim foi bastante revelador. Eu tinha muito conceitos de que precisava superar os meus medos, para alcançar o amor. Um dia me veio um pensamento de que não: alcançando o amor não teria medo. Praticando o amor não teria medo. Isso me prova que não é preciso raciocinar para alcançar: o caminho surge.

Nessa sua construção filosófica só há uma coisa que não se encaixa com Cristo ensina e que nós propomos: superando os medos você alcança o amor. Não é isso. Quando você ama, tem medo e ama. Enquanto tiver medo e achar que precisa superá-lo para amar, pode até superar, mas não ama nunca.

Veja, estamos falando em viver em harmonia com tudo. Sendo assim, estamos falando em viver harmonicamente com seu medo e não em supera-lo. Amar é ter medo de amar, mas mesmo assim amar.

Sabe qual é a diferença do covarde para o herói? É que o herói faz com medo o que o covarde não faz de jeito nenhum.

Então, não é para superar o medo. Se tem, ele faz parte de você. Se não houvesse o medo, essa pessoa não seria você, pois você tem medo. É preciso se amar, ou seja, conviver com você, sendo quem é, em paz e harmonia com você.

Ao invés de tentar vencer o medo que tem, ame-o.

Participante: certo, mas há um medo especifico: o de não alcançar o amar.

‘Eu tenho medo de não alcançar o amor. Que bom. Vou amar a todos com o medo de não alcançar, inclusive o meu de alcançar’. É preciso amar a tudo, inclusive o seu medo de não alcançar o amor. É isso que precisa ser feito.

Agora se quiser superar o medo de não alcançar o amor, dou um conselho: nem comece a tentar a amar. Dedique-se apenas a superar o medo de não amar.

Participante: tem uma frase que diz mais ou menos assim: se escolher um caminho, então vá. Se tiver medo, vá com medo mesmo. Parece uma frase boba, mas tem um sentido.

É isso mesmo.

Se está com medo de ir, vá com medo mesmo. Vá! Não adianta ficar parado no mesmo lugar ou esperar conhecer o caminho todo para começar a caminhar.

O que é um caminho? Uma sucessão de lugares desconhecidos. Quem começa a caminhar não sabe o que vai acontecer amanhã, depois de amanhã. Só sabe o que está acontecendo hoje, naquele lugar do caminho que está. Se ficar parado no mesmo lugar esperando o amanhã para descobrir o que haverá, ficará sempre no mesmo lugar. Nunca vai sair do hoje, nunca vai andar.

Então, vá andando e deixe o caminho se desenrolar. Como já estudamos: deixe que cada dia traga os seus próprios problemas. Todos os dias haverá problemas, mas caminhe sempre!

Já estudamos aqui a passagem onde Cristo aconselha a deixar que cada dia traga seus próprios problemas. Esse é o pensamento para continuar caminhando: ‘Eu estou aqui, não sei se o caminho é esse, não sei se estou certo, não sei se vou entrar ou sair, mas vou caminhar porque mais lá na frente saberei se é o caminho ou não. Preciso continuar caminhado, porque se não sair daqui nunca vou descobrir se o caminho é esse’.

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A tese sobre amar

 Participante: dentro da tese do amor que já falamos, quando de fato você ama, tem a consciência de que aquilo foi uma tese. Então, a tese pode até continuar existindo, mas muda o sentido. Antes era o amor, mas quando você ama de fato, vê que sempre aquilo foi uma tese, não o amor.

Sim, exatamente.

Participante: mudou o sentido.

Não é que mudou o sentido. A tese continua existindo. Onde você viu que é tese é tese. O amor é amor.

Participante: mas, antes eu considerava a tese como o amor?

Sim

Participante: por isso continuava correndo atrás da tese. Isso é um exemplo. Você fica correndo atrás da tese, mas quando ama compreende que aquilo sempre foi uma tese.

Deixa-me falar uma coisa.

Há muitos anos atrás dissemos o seguinte: você tem um chacra no meio da cabeça que emite e recebe energias iguais. Lembram disso? A mesma vibração, a mesma emoção, o mesmo sentimento que o ser humanizado manda para o mundo, capta dele. Por isso, se quer receber amor, somente o amar vai multiplicar o amor dentro de você.

É exatamente dentro do que você está dizendo. Se não começa a amar, se não anda no amor, apesar de querer saber o que é essa emoção, apesar de querer saber se está amando, apesar de ter tese sobre o que é o amor, apesar de ter medo de amar, apesar de tudo isso, se não ama, nunca vai amar e nunca vai receber amor.

Portanto, não importa se tem alguma tese sobre o amor, se tem medo ou quer saber o que é amar, digo: nada disso importa; a única coisa importante é amar.

Ame com aquilo que acha ou sabe o que é amar. Saiba que quanto mais ama, mais vive o amor, mais está pleno de amor e mais começa a reconhecer o que é o amar. Aí poderá ver que amar não tem nada a ver com a tese que montou.

Participante: descobre que era apenas uma filosofia.

Sabe qual a diferença entre o filosofo e o amante? O filosofo cria tese sobre o amor; o amante ama. Tem uma historia interessante sobre isso.

Um monge está passando de barco e ouviu um canto vindo de uma ilha. Lá havia pessoas cantando um mantra. O monge reparou que o mantra estava errado. Por isso mandou parar o barco na margem e foi conversar com as pessoas que estavam cantando.

O monge disse: ‘vocês estão cantando o mantra errado! Se continuarem cantando desse jeito, não vai adiantar nada. Vocês não vão conseguir iluminação nenhuma, não vão conseguir evolução nenhuma’.

Aí os que estavam cantando disseram: ‘desculpa, nós não sabíamos! Nos ensine a cantar o mantra de uma forma certa, por favor’. O monge do alto de toda sua sabedoria, ensinou o mantra certo. As pessoas ficaram felizes: ‘ah, agora sabemos! Obrigado’.

O monge, então, entrou no barco e foi embora. Quando estava retornando da viagem é surpreendido por uma das pessoas que cantavam o mantra errado. Ela vinha na direção do barco. Um detalhe deixou o monge de boca aberta: ela vinha andando sobre a água. Quando chegou perto disse ao monge: ‘nós esquecemos como é o mantra certo. Com isso não podemos nos elevar. Pode nos ensinar de novo’?

Nesse momento o monge compreender que aquelas pessoas já eram elevadas, mesmo cantando o mantra errado. Descobriu, também, que a sabedoria dele, que era fundamentada na decoreba de mantras e ensinamentos, não valia de nada. O importante era a entrega que as pessoas faziam.

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Ensinar a amar

É a mesma coisa que estamos falando. Se sentir-se compelido a ensinar pessoas a amar, cuidado: pode ser que elas já saibam o que é amar e você tenha apenas uma filosofia sobre isso.

Entendeu?

Participante: sim.

Que bom! Então, se concentre apenas em amar. Esqueça a ideia de ensinar alguém a amar.

O que é concentrar-se em amar? É ser feliz com o que a vida lhe traz. Na hora que você está em paz e harmonia com tudo, não importa o que acredite estar fazendo, está amando.

Participante: isso diz respeito a parte do texto que fala que a carga posta por Cristo é leve?

Sim. É leve porque não há nenhuma obrigação, nada a ser aprendido, nenhum ritual a ser feito: basta apenas amar.

Participante: mas, há o custo para se libertar do ego, não?

O custo para libertar-se do ego...

Quanto vale um real? O valor que você der a ele. Um real pode não valer nada para quem tem outros, mas para alguém pode valer um pão que mata a fome.

Portanto, o custo de alguma coisa é relativo. Muitos acham que o preço a pagar pela libertação do ego é doloroso, pesado, mas para quem ama, não satisfazer o ego não é custo algum.

Participante: verdade... Entendi.

Portanto, a carga não é leve por si. Você pode senti-la leve e outros podem considerá-la pesada.

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Jesus e o sábado

Poucos dias depois, num sábado, Jesus estava atravessando uma plantação de trigo. Os seus discípulos estavam com fome e por isso começaram a colher espigas e a comer os grãos de trigo. Quando alguns fariseus viram aquilo, disseram a Jesus: Veja! Os seus discípulos estão fazendo uma coisa que a nossa Lei proíbe fazer no sábado!

Então Jesus respondeu: Vocês não leram o que Davi fez, quando ele e os seus companheiros estavam com fome? Davi entrou na casa de Deus, e ele e os seus companheiros comeram os pães oferecidos a Deus, embora isso fosse contra a Lei pois somente os sacerdotes tinham o direito de comer esses pães. Ou vocês não leram na Lei de Moisés que, nos sábados, os sacerdotes quebram a Lei, no Templo, e não são culpados? Eu afirmo a vocês que o que está aqui é mais importante do que o Templo. Se vocês soubessem o que as Escrituras Sagradas querem dizer quando afirmam: “Eu quero que as pessoas sejam bondosas e não que me ofereçam sacrifícios de animais”, vocês não condenariam os que não têm culpa. Pois o Filho do Homem tem autoridade sobre o sábado. (Mateus 12. 1 a 8)

O amor tem autoridade sobre o sábado. O que isso quer dizer?

Participante: autoridade sobre os rituais.

Sobre os rituais?

Participante: sim, pois não comer no sábado era um ritual.

Era um ritual, mas um ritual considerado como?

Participante: sagrado.

Obrigatório.

O amor ultrapassa qualquer limite de certo e errado. Ele tem autoridade para determinar o certo. Não há padrões a serem seguidos para se amar. Não há necessidade de se cumprir rituais, obrigações, hábitos e costumes, suprir necessidades para amar. É o já disse: pode se matar por amor.

Não estou falando desse amor besta que os humanos vivem: ‘eu a amo, ela está me traindo, por isso vou mata-la’. Não é disso que eu estou falando. Estou falando de missionários que vêm com a missão de matar. Isso vocês não aceitam que pode haver.

Já disse que se pode xingar o outro com amor. Isso pode existir e nem ser percebido, pois o amor é algo que está dentro de cada um e não fora, no ato.

É isso que está sendo dito nessa passagem. Muito além, muito mais que cumprir obrigações religiosas, morais, societárias de padrões, está o amar. A sua presença não pode ser constatada por cumprir uma obrigação religiosa, ética ou moral. Afirmo isso porque muitos que cumprem a obrigação, não estão amando.

É isso que o Cristo está dizendo. Por isso, para ajudar alguém é preciso deixar bem claro que a ajuda não se espelha em fazer o certo, em cumprir algo que é esperado. Aliás, não existe nem a obrigação de se ajudar alguém.

Quantas pessoas sofrem porque não conseguem ajudar essa ou aquela pessoa? Seja bem claro com elas: você não tem a obrigação de ajudar a ninguém, não tem obrigação de fazer nada por ninguém. Ame o não fazer e com isso descobrirá que não há porque se sentir culpado e não há porque culpar o deixar de fazer o que esperava realizar.

Esse é um grande elemento e algo extremamente necessário de se entender, pois vocês que são presos no ter que ser para ter, no ter que ter para ser, criam padrões de realizações e dizem que quem cumpre com esses está amando; quem não cumpre, não está. Isso é hipocrisia.

Vocês não sabem o que quer dizer as sagradas escrituras quando Deus afirma: Eu quero que vocês sejam bondosos e não que queimem oferendas em Meu nome. Isso quer dizer que se doa comida para o pobre porque é socialmente, religiosamente, falando certo, de nada adianta. Cumprindo um mandamento ou uma obrigação apenas para agradar a Deus, isso não possui valor algum, espiritualmente falando.

Participante: se alguém mata com amor ou não, nós não temos que descobrir. O que precisamos é só ver que fez o que tinha que fazer. O julgamento da sua intenção, emoção interna, é com Deus.

Quando age assim, mesmo que a pessoa que matou não tenha sentido amor no momento do ato, você colocou amor. Você amou e irradiou essa emoção. Cada um tem que se preocupar com o seu amar, não com o dos outros.

BEM AVENTURADO - MATEUS - CONVERSA 04

Assassino e assassinado

Deixe me falar uma coisa e com isso vamos acabar a conversa de hoje.

Deus deu uma vida a cada um, para que cada um cuide da sua. O acordo onde Cristo é o procurador (Novo Testamento) é entre você e Deus. É uma relação unilateral entre você e Deus. Ele não envolve mais nada, mais ninguém.

Quando falo em assassinato, em matar alguém, vocês se preocupam com quem matou e com quem morreu. Essa preocupação não deve existir, pois quem matou e quem morreu tem a sua relação unilateral com Deus. Será nessa relação que se estabelecerá o retorno do que cada um viveu. Você não tem nada a ver com isso.

O que é importante para você é a sua relação com Deus. O que importa é como você se relaciona com o que está acontecendo. Por isso, pare de julgar quem matou ou quem morreu. Não importa o que esteja acontecendo com alguém, é preciso estar preocupado consigo mesmo. Preocupado com a sua capacidade de amar.

Quando falo em um assassinato, vocês se preocupam em julgar quem matou: será que ele está amando, será que não está? Com isso não vê que nesse momento você está descumprindo o seu acordo. Por quê? Porque querendo encontrar motivos para amar o assassino.

É isso que vocês precisam entender. Quando falo, como acabamos de falar, em não seguir padrões para amar, amar independente do que é feito, vocês se preocupam com o que os outros fazendo. Preocupam-se com o que estão recebendo, com o que está sendo feito, como cada um está naquele momento, mas não está vendo você. Não está vendo que está deixando de seguir o acordo que fez.

A vida humana, para o Espírito, é algo extremamente individual. É algo onde precisa o tempo inteiro focar na relação dele com Deus e esquecer o resto do mundo. Por isso, não se preocupe se o outro matou com amor ou não, pois na hora que você ama esse acontecimento, cumpriu a sua parte no acordo. Isso é o que importa.

Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo é isso: ‘matou? Morreu? E daí? Os envolvidos e Deus sabem como cada um participou daquele momento. Eu não ganhei procuração de Deus para julgar quem matou ou quem morreu. Por isso, vou amar o assassino, o assassinado e o assassinato’.

Tem detalhes que vocês não se atentam, mas que acabam interferindo na sua relação com Deus. Por exemplo: quando falo em morrer como decorrência da lei do carma, merecer morrer, vocês usam esse merecimento como um demérito. Dizem: ele mereceu morrer. Isso é culpar alguém. Sabem lá se esse quem morreu não está vivendo a situação como uma missão? Têm certeza de que esse carma é o pagamento de algo anterior?

Por isso afirmo que não dá pra julgar quem morreu nem quem matou. Também não dá para justificar a atitude nem de um nem de outro. Trata-se apenas de praticar a aceitação: ‘morreu? Morreu... Atirou? Atirou... Não sei de mais nada’.

Essa deve ser a sua conduta no momento. Quando acontecem situações que extrapolam o padrão onde se deve amar, o padrão de certo, esqueça os envolvidos e concentre-se em amar a tudo e a todos, pois foi para isso que aquela situação chegou ao seu conhecimento.

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Despersonalize a vida

Em virtude do que acabamos de falar é que aconselho: despersonalize a vida.

Retire todas as pessoas da sua vida. Entenda que tudo é apenas um filme passando. Não há ninguém agindo ou sofrendo a ação: existem apenas imagens sendo projetadas. Ao invés de se fixar no externo, ao mesmo tempo em que vê o filme, volte-se para dentro e analise a sua relação com o que está sendo projetado.

É preciso despersonalizar a vida, pois a vida personalizada gera conceitos que muitas vezes são falácias e por isso não deixam vocês viverem a verdade. Vou dar um exemplo.

Assistem um filme onde determinado ator vive o papel de mocinho. Depois assistem outros onde ele também faz o papel de bom na trama. Com isso acreditam que aquele ator é um mocinho na vida real. Acham que ele é bonzinho, que gosta de todo mundo. No entanto, pode ser o maior cafajeste. Só o personagem é bonzinho.

É isso que estou querendo mostrar. Vocês assistem o filme ‘sua vida’ julgando os personagens que aparecem nele. Declaram que alguns são bonzinhos e os amam. Outros taxam de maus e os criticam. Acham que porque amam os bonzinhos vão aproveitar a encarnação. Isso é irreal: a realização da encarnação, o ser feliz com o filme, não é alcançado por julgar os personagens, mas em conseguir assistir de forma equânime o filme.

Por isso aconselho: esqueça todos. Esqueça aquela pessoa, ele, ela, quem viveu, quem morreu, etc. Esquece quem matou, quem roubou, quem fez a caridade: ame a todos de uma forma igual. Esse é o caminho.

Esqueça todas as pessoas que conhece, esqueça tudo o que acha delas. Se não fizer isso, ainda viverá a partir de conceitos pré-fabricados e não conseguirá amar a tudo e a todos sempre.

Participante; usamos dois termos diferentes como se fossem diferentes, mas não são: amor e liberdade. Eles seriam a mesma coisa porque amar é ser livre de todos os padrões. Posso falar assim?

Não.

O amor não é a liberdade. O amor é o fruto da liberdade. Eles não são iguais porque o amor é maior que a liberdade. Para amar é preciso a liberdade, mas só ter liberdade não leva a amar.

Para amar é preciso três coisas: desejar amar, libertar-se dos conceitos e despersonalizar a vida.

É preciso mais que liberdade. Ela é uma das condições para amar, mas precisa mais do que isso. Precisa querer amar. Você pode até se libertar dos conceitos, mas se não quiser amar, não irá conseguir amar. Pela libertação pode até ser considerado um anarquista, mas será alguém que segue uma ordem: a ordem anárquica.

BEM AVENTURADO - MATEUS - CONVERSA 04

Levar felicidade não é agradar

Aproveitando que estamos falando de amar ao próximo, deixe-me dizer uma coisa.

Espero que do dia de hoje vocês levem uma coisa: ajudar o outro nem sempre é levar felicidade. Isso é uma coisa que precisam compreender porque quando se fala em ajudar o outro, em levar a felicidade, nós pensamos em agradá-lo, satisfazê-lo. Levar felicidade não é agradar. Como foi dito, eu vim trazer a discórdia e não a paz. Por isso, levar a discórdia muitas vezes é levar a felicidade.

Participante: foi o que você fez esses anos todos.

Sim. Exatamente isso!

Eu nunca concordei com vocês. Sempre que falavam uma coisa, mesmo que eu já tivesse dito aquilo, falava diferente. Aí vocês diziam: ‘não tem jeito não acerto nunca’!

Discórdia, sempre levava discórdia. Por quê? Porque se não levar a discórdia, não haverá paz, não haverá felicidade.

Você acabou de me perguntar se precisa apenas a liberdade e eu disse que a liberdade é um caminho, é um dos ingredientes. Mas, para chegar a essa liberdade, é preciso levar a discórdia.

Participante: por que está falando isso agora para gente?

Porque está dentro do tema que falamos. Além disso, quando começarmos a estudar as parábolas, verá que em todas elas só há discórdia com o conhecimento de então. Aliás, Cristo só traz discórdia.

Há uma passagem, que vamos ver, que é sobre o pagamentos de empregados. Ali se diz que o senhor contratou empregados no início do dia pagando um real de salário. No meio do dia contratou mais. Salário? Um real. Quase no final do dia voltou a contratar e também pagou um real pelo trabalho.

Essa história não nos leva à discórdia? Será que quem trabalhou menos merece o mesmo salário de quem trabalhou mais? Quando chegarmos lá vamos entender a mensagem, mas por agora me respondam: não há discórdia nesse texto? Pois é, e foi contado por Cristo.

Por isso digo: não tenham medo de discordar das pessoas na hora de ajuda-las. Não tenham medo de não fazer o que esperam do que vocês façam.

Quantas vezes discordei de você. Discordei do mínimo do mínimo de limpeza que acha importante ser feita? Porque fiz isso? Porque só provocando a discórdia posso lhe ajudar a vencer a si mesmo. Se aceito a ideia de que existe um mínimo do mínimo em matéria de limpeza, hoje não lutaria mais contra esse padrão e continuaria brigando com aqueles que vivem na sua casa.

Estou falando principalmente com você, mas a consciência da necessidade de haver discórdia serve a todos na sua luta diária. Serve, também, para todos que querem ajudar alguém.

Aquele que quer ajudar alguém deve entender que não pode ter medo de discordar do outro. Pelo contrario: entenda que precisa discordar. Precisa entrar na casa da pessoa (mente) e mostrar o que no seu íntimo causa a dor, o problema, invés de ficar passando a mãozinha na cabeça.

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Ajudando uma 'vítima' de infidelidade

Participante: do contrario, estaria adaptando os ensinamentos?

Caso contrário estaria adaptando o ensinamento para atender o desejo da pessoa.

Não tenham medo de provocar a discórdia. ‘O errado é meu marido que arrumou outra’ Responda: ‘não, a errada é você em não aceitar que ele arrume outra. Se aceitar, acaba com o seu sofrimento e poderá ser feliz com outro’.

Estou falando de forma chocante para a humanidade, não estou? Mas, é para entenderem que precisa haver a fidelidade com o que Cristo ensinou! Entenderem que não devem agir apenas para agradar: ‘é mesmo, o seu marido é um safado’.

Ao invés de falarem de tal forma que prenda a pessoa no sofrimento, precisa ajuda-la a começar a se libertar do marido. ‘Sim ele fez isso. E agora, o que você vai fazer? Pode se libertar dele deixando-o viver a sua vida, pode se separar legalmente, pode fazer o que quiser. A única coisa não pode é prender-se a ele pelo laço da culpa. Presa a ideia da culpa dele, irá sofrer. Por isso, não para inocentá-lo, mas para não sofrer, dê a ele o direito de viver a vida em paz’.

É isso que estou querendo mostrar: só se ajuda alguém a superar as suas contrariedades levando a pessoa a ultrapassar a reação emocional padrão do mundo humano. Se não fizer isso, não se ajuda ninguém. Vai dourar a pílula, criar um monte de coisas bonitas, mas na próxima infidelidade de um parceiro, ela vai sofrer do mesmo jeito.

Parei nosso estudo justamente nesse texto para deixar essa mensagem: não existe certo nem errado, não existem obrigações, nada é obrigatório. É isso que precisa ser trabalhado dentro de cada um.

Isso é necessário porque vocês, como escravos do sistema humano de vida, estão criando obrigações para o próximo. Colocam, também, naquele que não as segue, a pecha de causador do sofrimento, quando o verdadeiro causador é aquele que gerou a obrigação.

Por isso, para levar felicidade é preciso levar a discórdia, o discordar de si mesmo.

Participante: vou trazer um elemento de um ensinamento que você já passou: preciso superar em mim a necessidade do elogio e o medo da critica.

Sim, é por isso estou alertando. Por isso falamos: não espere que alguém vai lhe colocar em um pedestal porque o ajudou.

Sim é preciso superar isso. Para isso é preciso fazer por fazer e não fazer esperando que o outro diga: ‘graças a Deus apareceu esse santo na minha vida que veio me salvar’. Esse é o motivo pelo qual estou deixando bem claro que levar felicidade ao outro é levar discórdia. É fazer o outro pensar além da sua lógica humana. É fazê-lo ver a situação por outro ângulo, abandonando aquele em que está preso.