A SALVAÇÃO POR MEIO DA FÉ

romanosMas agora Deus já mostrou a maneira como aceita as pessoas e esta aceitação não tem nada a ver com a Lei. (Capítulo 3 – versículo 21).

Vamos entender esta afirmação de Paulo (“Deus já mostrou a maneira como aceita as pessoas e esta aceitação não tem nada a ver com a Lei”). Ou seja, vamos ver como Deus faz para compreender que os objetivos da encarnação (promover a reforma íntima alcançando a elevação espiritual) foram alcançados…

Como Deus mostrou dá o aval às provações que o espírito realiza? Pela ressurreição de Jesus Cristo…

Depois da encarnação Jesus Cristo, incluindo aí a ressurreição como prova da aceitação, Deus mostrou que não avalia as pessoas pelo cumprimento da lei. Isto porque os atos desta vida em nada seguiram os mandamentos do Velho Testamento.

Como vimos no início deste estudo, a ressurreição é a prova da vitória sobre a carne. Se a encarnação Jesus Cristo conseguiu esse resultado e, durante ela, as leis judaicas foram quebradas, a prova de que Deus aceita a volta de seus filhos a casa não está subjugada ao cumprimento da lei.

Então veja, o que Paulo está nos dizendo é que Deus aceita, ou seja, reintegra o ser ao Universo espiritual, não pelo simples cumprimento da lei, mas pela vida em louvação a Ele. É a mesma coisa que Cristo ensina aos fariseus: vocês nunca entenderam as escrituras sagradas quando dizem que Eu não quero que queimem sacrifício a Mim, mas que sejam bondosos…

É isso mesmo que Paulo está dizendo. É o amor e a bondade, que Cristo provou, mesmo de chicote em punho, que leva o espírito a reintegra-se ao Universo. É a busca do bem no céu, que ele teve no momento que expulsou os mercadores do templo, que leva o espírito a reintegrar-se e não o simples cumprimento de lei: fazer o que acha que está certo.

Participante: Cristo transpôs a morte. É isso?

Não, ele venceu o mundo.

Vocês estão se apegando na ressurreição (retorno à consciência espiritual) como um elemento que só ocorre após a morte física: isso não é real. A consciência espiritual pode ser alcançada mesmo ainda se ligado a um ego.

Cristo amou sempre e nunca se preocupou em seguir as leis vigentes. Mesmo após o desencarne ele continuou quebrando os códigos judaicos, pois apareceu aos seus apóstolos e a outros seres quando a lei dizia que não devia sem fazer contatos com os mortos.

Aceitar o fato da ressurreição, ou seja, que existe uma condição especial para ser aceito por Deus, é aceitar que os códigos de princípios que administram as ações não servem para este julgamento, mas apenas a capacidade de amar a cada momento. Isto porque a encarnação Jesus Cristo foi pontilhada de atos de rebeldia ao conjunto de normas religiosas de então e mesmo assim, terminou com a elevação espiritual.

Isso seria entender o que Paulo está dizendo (agora Deus já mostrou como ele aceita os espíritos) na linguagem de hoje. Ele aceita não pelo cumprimento da lei à risca, mas por ter vivenciado as situações da vida com amor: passando o sofrimento sem sofrer.

Paulo está nos dizendo que, com esta forma de agir, Deus já comprovou como reintegra o ser ao mundo espiritual. Ele faz isso quando o espírito vivencia a vida sem sofrimentos ou prazer, mas louvando a Deus por todas as coisas que acontecem. Agora quando ele vivencia os acontecimentos da vida sofrendo ou tendo prazer, Deus não o reintegra.

Participante: Como virar espírito?

Virar você não pode, pois já é e nunca deixou de ser… Estou falando em ter a consciência de ser.

Participante: Mas o que queria dizer isso para eles na época?

A mesma coisa, pois assim como até hoje vocês se consideram humanos que um dia voltarão a serem espíritos, eles também pensavam igual.

De qualquer maneira, não importa o que eles pensavam. Precisamos estudar os textos sagrados não com a cabeça (conhecimento) deles, mas com os seus.

O que você precisa compreender é que quando sair da carne sem realizar o amor universal continuará se vendo como o José que imagina ser agora e não se reintegrará ao mundo espiritual. Continuará vivendo o José: vivendo seus filhos, procurando o neto, indo ao seu emprego…

Agora, quando você alcançar o estado de viver a vida com equanimidade, aí sai da carne e pergunta: ‘José, quem é este? Filhos, eu não tenho filhos… Todos são filhos de Deus, eu nunca gerei nenhum filho’

É esta a diferença. A ressurreição acontece quando você sai da carne, ou mesmo ainda ligada a ela, quanto está em perfeito entrosamento com a Realidade e a não ressurreição, ou seja, o desencarne sem alcançar a elevação espiritual lhe transformará em ser humano sem carne…Aqueles que são chamados de fantasmas: sem carne ainda vivenciam a personalidade que tiveram quando encarnados.

 

A Lei de Moisés e também os profetas dão testemunho disto: Deus aceita as pessoas por meio da fé que elas têmem Jesus Cristo.(Capítulo 3 – versículos 21 e 22).

Na ressurreição, na vida Jesus Cristo, incluindo a volta à consciência universal e não no espírito Jesus Cristo…

Não se está falando aqui de idolatria a um mestre. Estamos falando na vivência da encanação com o mesmo padrão sentimental que este mestre teve: a fé inabalável de que se veio à carne não para se satisfazer, mas para vivenciar tudo com o amor universal. Esta premissa não vale apenas para o que você gosta, mas mesmo quando o seu querer é contestado, deve dizer: Pai afasta de mim este cálice, mas se não for possível, que seja feita a vossa vontade…

Portanto, a fé que Paulo cita não é propriamente em Cristo, mas que viver uma existência carnal com o mesmo padrão sentimental deste mestre nos leva a sermos aceito por Deus. Aliás, este ensinamento é universal e está presente nas palavras de todos os mestres.

 

Ele faz isso a todos os que crêem, pois não há nenhuma diferença entre as pessoas. Pois todos pecaram e estão afastados da presença gloriosa de Deus. (Capítulo 3 – versículos 22 e 23).

Sendo religioso ou não, pertencendo a que seita pertencer: todos estão afastados da gloriosa presença do Senhor porque não dão a honra que Deus merece, como vimos no quarto capítulo.

 

Mas Deus, pela sua graça e sem exigir nada, os aceita por meio de Cristo Jesus, que os salva. Deus ofereceu Cristo como sacrifício para que, pela sua morte na cruz, Cristo se tornasse o meio de as pessoas receberem o perdão dos pecados, pela fé nele. (capítulo 3 – versículos 24 e 25).

Vamos entender este trecho para não pairar dúvidas.

“Deus ofereceu Cristo como sacrifício”. Não está se falando aqui do espírito, mas de uma existência pré-programada.

Se os espíritos programam suas existências antes da encarnação, como está em O Livro dos Espíritos (pergunta 258), a encarnação Jesus Cristo também teve todos os seus momentos pré-programados. Por isso é que o mestre sempre dizia que acabaria sendo crucificado.

Participante: E o que quer dizer oferecê-la em sacrifício?

A existência Jesus Cristo é a prova do sacrifício, pois durante ela, a história, desde o nascimento até a morte, foi vivenciada na pobreza. Apesar do espírito que a vivenciou ter condições de ser o Rei dos Reis, o desencarne deste ser foi vivenciado dentro de padrões que eram vergonhosos para os judeus de então…

O fato da encarnação de um espírito desse porte, ao contrário do que imaginam os seres humanizados, não gerar alguém com poder de julgar o mundo, mas a vida de um simples carpinteiro que foi julgado pelos seus iguais, prova o sacrifício.

Mas não foi só o desencarne que foi considerado como vergonhoso pelos judeus. Mesmo enquanto ainda estava pregando, o desdém a Jesus Cristo já existia. Há inclusive uma passagem na Bíblia que fala: ele vem de Nazaré, então não pode ser profeta, pois de lá não vem nada que presta…

Todos diziam: quem é ele? Não é um profeta, um professor da lei, então quem é ele para ensinar? É esse o sacrifício ao qual Paulo se refere: Cristo não veio como sábio ou como rico, nem para ser querido pela população de seu tempo…

Além do mais, usando-se aqui a lógica humana, foi por causa destes julgamentos que ele foi crucificado. Se tivesse dinheiro, fosse rico, ou houvesse estudado e se transformado em um homem do Sinédrio, ninguém iria colocá-lo na cruz. Puseram porque imaginaram que ele fosse um qualquer.

Este é o sacrifício ao qual Paulo se refere. O que o apóstolo nos fala é que o fato de Cristo ter passado pelas situações de sofrimento de sua encarnação sem jamais perder a fé (confiança e entrega a Deus) e, por isso, ter alcançado a ressurreição, esta forma de viver transformou-se, então no meio das pessoas receberem o perdão dos pecados (da intenção individualista, egoísmo).

Cristo ensina: a fé do tamanho de um grão de mostarda apaga a multidão dos pecados. Quando se fala em pecado se fala em viver afastado de Deus (eu acho, sei, quero, faço), o que gera um carma. Quando, ao invés disso, o ser humanizado utiliza a fé (Deus acha, sabe, faz), um carma é apagado…

Participante: Então, quando se fala em apagar o pecado está se dizendo apagar o carma?

Isso: apagar o resultado da sua ação individualista. Pecado é a ação praticada com intenção individualista.

Para entender isso, temos que lembrar a história do filho pródigo (aquele que saiu de casa e gastou tudo o que tinha), pois esta parábola narrada por Cristo mostra com exatidão a forma de proceder de Deus.

Quando o filho voltou, sabe o que o pai fez? Mandou fazer uma festa. Aí o filho que ficou em casa revoltou-se, pois nunca tinha recebido uma comemoração por sua dedicação. O pai diz então: meu filho voltou, não há motivo maior para festejar.

Esta é forma de agir de Deus: ele não guarda rancores. Julga cada um ao seu momento e felicita-se com a ovelha desgarrada que retorna ao rebanho, sem mágoas.

 

Deus fez isso para mostrar que ele é justo. No passado ele teve paciência e não levou em conta os pecados das pessoas; mas agora, para mostrar que é justo, ele ofereceu Cristo. Assim Deus é justo e aceita os que crêem em Jesus. (Capítulo 3 – versículos 25 e 26).

Ou seja, o espírito mais puro deste orbe passou por situações que, para a humanidade, seriam de contrariedade. Por que você não quer passar pelas suas?

Mais: este espírito vivenciou-as com fé e, por isso, manteve sempre a sua equanimidade. Por que você pede a Deus para satisfazê-lo?

 

Devemos, então, nos orgulhar por isso? De jeito nenhum! E por que não? Será que é porque desobedecemos à Lei? Não; não é. É porque cremosem Cristo. Assimvemos que a pessoa é aceita por Deus pela fé e não por fazer o que a Lei manda. Ou será que Deus é somente Deus dos judeus? Será que não é também Deus dos não judeus?

Participante: Será que os católicos que julgam os demais religiosos nunca leram isso?

Acho que não…

 

Claro que é! Deus é um só e aceitará os judeus e os não judeus por meio da fé que eles têm. Será que isso quer dizer que anulamos a Lei por causa da fé? Não, de jeito nenhum; ao contrário, mantemos a Lei. (Capítulo 3 – versículos de27 a31).

Esse ponto é importante… Paulo diz que apesar de tudo o que foi ensinado, a lei deve ser mantida.

Da lei não se tira uma vírgula nem um ponto, mas é preciso uma nova visão para aplicação dos códigos legislativos. A lei deve ser exercida através da fé (pelo amor) e não pela obrigação. A sua aplica ação não se dá pelo simples julgamento do ato, mas pela intenção com a qual cada um participa da ação…  É isso que Paulo está dizendo…

Estou citando diversas passagens de Cristo para reforçar uma posição: Paulo inventou o cristianismo, como, aliás, se afirma nos dias de hoje, e o inventou totalmente fundamentado nos ensinamentos de Cristo.

Isso é muito mais importante ser ressaltado porque ele interpretou o que Cristo lhe ensinou em espírito sem conhecer o ensinamento (o Novo Testamento) ou sem conhecer o mestreem carne. Paulonunca se banhou nos olhos do mestre, por exemplo. Pedro e outros apóstolos se banharam nesta visão divina, mas mesmo assim, como vimos, era contra o alimentar-se com os não judeus.

Pedro sempre esteve em cima do muro; Tiago queria mudar os ensinamentos da religião judaica, queria manter as tradições daquele povo; Paulo foi o único que traduziu os ensinamentos de Cristo de uma forma universal.

Então, Paulo inventou o cristianismo sim porque se deixasse pelos outros apóstolos nós teríamos um judaísmo diferente hoje e não um cristianismo.

A lei e a fé