Guerreiros da paz - Textos - Livro II

É preciso se libertar da paixão

O que é o amor? Não estou falando de amor universal, de amor fraterno, mas de sentimento de uma pessoa por outra, que para distinguir, vou chamar de paixão.

Para nós que somos espiritualistas, o que é essa paixão? O que é esse amor para nós que acreditamos que éramos antes de ser, para nós que acreditamos que estamos encarnados para viver provas e cumprir missões ao invés de nascermos para viver uma vida? Eu diria que ela é exatamente o gatilho da prova da posse.

Sabe, quando você diz que é apaixonado por alguém, me desculpe, mas isso é irreal. Na realidade possui aquela paixão para que o gatilho das suas provas de posse sejam usados. Ou seja, você não é apaixonado: a realidade é que a sua natureza humana possui uma posse por aquela pessoa para que você, espírito, viva a sua provação.

Portanto, o trabalho pela paz precisa mais do que agir na própria relação, mas também atingir a ideia de estar apaixonado, de achar que ama alguém. Isso é irreal. Já disse: o espírito não ama ninguém, porque amar é um verbo intransitivo. Ele ama, ponto final. É a partir dessa concepção que aquele que busca a sua paz não deve se deixar envolver pela ideia de estar apaixonado.

‘Ah Joaquim, mas aí a vida fica sem graça. É o calor dessa relação que me faz ter dias maravilhosos’. Sim, isso pode até acontecer, mas o que é vivido nestes dias é o prazer e não a felicidade. Além do mais, tenho certeza que também há dias onde existe muito sofrimento.

Você pode ter até esse pensamento, mas saiba que se libertar desta paixão faz parte do custo que falei anteriormente para aqueles que querem conseguir sua paz. Não dá para se viver humanamente e espiritualmente ao mesmo tempo. Não dá para se servir dois senhores ao mesmo tempo. Não dá para se buscar a Deus e ao mesmo tempo querer viver uma paixão humana.

Se você aceita a ideia da paixão, do estar apaixonado, e se vive num país onde ela é sinônimo de posse, irá sempre querer possuir o outro e ele sempre irá querer lhe possuir. A partir daí, os desejos de cada um tem que ser cumpridos. Só que eles muitas vezes são contrários aos desejos dos outros.

Quantas vezes você já quis tomar uma cerveja e a sua namorada ou esposa queria ir para um lugar. Como é que acabou essa história? Um querendo convencer o outro e depois de muito embate os dois ficaram de cara feia um com o outro, pouco importando se foram tomar a cerveja ou se foram onde ela queria.

Se não houver companheirismo, se a paixão, que é o gatilho que detona a posse, não for superada, na hora que cada um tiver uma vontade haverá a perda de paz, pois começará uma batalha, uma disputa entre vocês para que o outro lhe sirva. É isso que vocês precisam entender.

O trabalho para a paz, que é o trabalho para espiritualização, já que como definimos na semana passada a paz leva à felicidade, tem um custo. Ele não é só conseguir se libertar daquilo que você acha ruim, mas também se libertar do que acha bom.

Numa conversa que tivemos em outro lugar, quis deixar esta questão bem clara, já que estávamos falando de natureza humana. Eu perguntei as pessoas que estavam presentes lá o que gostavam de comer. Um respondeu feião com arroz, outro que gostava de comer pimenta, e algumas pessoas disseram que gostavam de comer macarrão.

Eu respondi a essas pessoas que aquilo era ilusão. Que eles não gostavam daquilo. Na verdade quem tem esses gostos é a natureza humana do espírito. Eles existem porque são as paixões das quais o espírito possa se libertar. O gostar existe para que você aceite a posse e exija que os seus desejos sejam satisfeitos.

Quem tem a paixão por uma mulher ou por um homem não é você. Ela faz parte da natureza humana, do ser humano que foi gerado para as suas provas. Portanto é a sua provação.

Esse é o custo de ser espiritualista. Não adianta nada ficar procurando frases bonitas que falem do caminho para a elevação espiritual se você não tem a disposição de pagar o preço por aquele ensinamento.

Lembro que já disse: tem muita gente procurando a elevação espiritual que se soubesse o que encontrará do outro lado não iria mais procurar. Já disse: tem muita gente que gosta de música que se por acaso saísse da carne espiritualizado se decepcionaria porque lá não tem música. Tem muita gente que gosta de tomar sua cerveja; se chegasse do outro lado ia sofrer, porque lá não tem isso.

O custo da espiritualização não é só se libertar do que não gosta, mas também do que gosta. Neste caso é se libertar pela paixão pelo outro, que é gerada pela mente e não tem nada a ver com o espírito, a não se no mundo dos devas. Se quiserem ir para lá, continuem nutrindo-a.

Portanto, se não quer nascer novamente, está aí um bom motivo para libertar-se agora da paixão que nutre pelas pessoas.