Guerreiros da paz - Textos

Guerreiros da paz - Textos

Transcrição dos arquivos de áudio do estudo Guerreiros da paz

Guerreiros da paz - Textos

A paz

Iremos falar nesta conversa sobre o tornar-se um guerreiro da paz. Só que, como sempre digo, é importante definir o que se vai buscar em um trabalho. Este é o primeiro passo em qualquer estudo. Não há como se buscar compreensão sobre alguma coisa sem definir o que será buscado. Por isso, vamos começar definindo paz.

Paz é um estado de espírito, é uma forma de vivenciar acontecimentos. É uma forma interna, emocional, sentimental de vivenciar acontecimentos do mundo humano. Paz não tem nada a ver com situações de vida.

Quero deixar isso bem claro, porque, para vocês, a paz é uma situação de vida. A paz é, para vocês, uma série determinada de acontecimentos, mas isso não é real. Ao longo desta conversa entenderemos o por que não.

Paz é algo que existe internamente, dentro do ser, e não fora. Esta é a primeira coisa que o guerreiro da paz sabe. Ele sabe que estar em paz, ter a paz, é vivenciar acontecimentos do mundo dentro de um determinado estado de espírito. Mas, que estado de espírito é esse? Vamos falar disso agora.

A paz, ou seja, o estado de espírito de paz, existe quando há harmonia entre o mundo interno do ser e os acontecimentos externos que ele vivencia. Isso é paz: quando há uma harmonia entre o mundo externo e o interno, aquele ser está vivendo em paz.

Agora, reparem que falei em harmonia e não em igualdade, similitude. A paz não é vivenciada com igualdade entre o mundo interno e o externo, mas quando há harmonia entre as duas coisas. Ora, se isso é verdade, precisamos conversar um pouco sobre o que é harmonia, pois é deste entendimento que depende a paz.

A harmonia existe quando não há contrariedade. Viver em harmonia é, internamente, não estar em contrariedade com o que está acontecendo mundo externo. Sempre que houver uma diferença, uma contrariedade, entre o mundo externo e o interno, acaba a paz, pois para que ela exista é preciso que haja a harmonia entre os dois mundos.

Com esta compreensão começamos a descobrir uma coisa com relação ao trabalho do guerreiro da paz: ele se consiste em harmonizar o seu mundo interno, o seu mundo emocional, com a vida que ele vivencia, com os acontecimentos da vida. Não se trata de rebaixar-se, de passar a achar certo o que achava errado, de concordar com o que acontece externamente, mas sim de não ser contra ao que é vivenciado. Na verdade, o trabalho do guerreiro da paz é acabar com a desarmonia ou seja, acabar com a contrariedade entre o seu mundo interno e o acontecimento da vida.

Esse é o trabalho de um guerreiro da paz: ele luta para extinguir a desarmonia, ou seja, a contrariedade, que existe entre o mundo interno e o externo. Acho que isso deu para ficar bem claro, não?

Agora, se esse é o trabalho, pergunto: onde deve agir o guerreiro da paz? No mundo interno ou no externo?

Acho que vocês já viveram bastante tempo para saber que a vida não se sujeita aos seus desejos, às suas vontades, aos seu comando. A vida vive a vida, independente do que você quer. É por causa deste conhecimento que a única resposta possível à minha pergunta é ‘mundo interno’.

O guerreiro da paz é aquele que age dentro de si para harmonizar o seu mundo interno com o externo. Esse é o trabalho do guerreiro da paz. Ele age dentro de si mesmo e não fora; age no sentido de harmonizar o seu mundo interno com o externo.

Isso é muito diferente do que vocês estão acostumados. Para vocês a paz é uma resultante de uma ação no mundo externo, de uma ação junto ás coisas ou outras pessoas do mundo. Só que se age no mundo externo, se age sobre outras pessoas, o que se consegue não é paz, mas sim dominação.

Se para acabar com contrariedade é preciso mudar alguém, o que o outro é, sabe ou quer, é preciso mudar algum acontecimento, não é a paz que se busca, mas sim impor a sua verdade, a sua vontade. O que se consegue como resultado de uma ação desse tipo não é a paz, mas a dominação. Portanto, agir no mundo externo tentando mudar os outros ou as coisas, não é um trabalho de alguém que lute pela paz, mas daquele que quer dominar o mundo.

Esses são os primeiros detalhes deste estudo. A paz é um estado de espírito que existe quando há uma harmonia entre o mundo interno e o externo e o trabalho do guerreiro da paz é enfrentar o seu mundo interno, para que ele se harmonize com o externo.

Este é, em resumo, o trabalho que faz um guerreiro da paz: ele está sempre atento ao seu mundo interno, tentando localizar as contrariedades ou desarmonias que possam existir durante a vivência dos acontecimentos, para poder agir sobre elas eliminando-as e assim alcançar a harmonia com o mundo externo.

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Ninguém rouba a sua paz

Vamos falar dos inimigos do guerreiro da paz. Esta parte é a mais longa desta introdução. Também é a mais interessante e mais difícil de se compreender. Só que antes de entrarmos definitivamente neste assunto, há uma coisa que quero dizer.

Quando se fala em inimigo da paz, há uma pergunta que se deve fazer: quem no seu mundo interno gera a desarmonia? Tenho que perguntar assim, porque já definimos que a luta é no mundo interno. Por isso, é lá que tenho que procurar quem me causa desarmonia.

Neste aspecto há outro grande problema para aqueles que querem buscar a paz. Vocês estão acostumados a procurem o inimigo da sua paz fora de si. Estão acostumados a procurarem externamente aquilo que está causando a desavença, a desarmonia, entre o mundo interno e o externo. Por isso, acham, externamente, culpados da sua ausência de paz. Só que se a luta se trava no mundo interno, não podem existir externamente culpados da ausência de paz.

Quero aproveitar este momento para falar uma frase que gostaria que escrevessem e guardassem para sempre. Ninguém rouba a sua paz; é você que a perde.

É muito comum neste mudo se dizer que alguém ou algo roubou a paz. Alguém ou algo, com a sua ação, tirou a paz. Isso é impossível, porque o inimigo da paz não está no mundo externo. O que existe ali é apenas vida. Aquele que causa a desarmonia, que acaba com a harmonia, está no mundo interno e não fora dele.

Portanto, não há ninguém que possa lhe roubar a paz. Quando a paz não é alcançada, é porque você a perdeu na batalha contra os seus inimigos internos. A paz é perdida quando não se luta para harmonizar o mundo interno com o externo. Você a perde quando se deixa levar pelos inimigos e vive a desarmonia.

Portanto, não há como se roubar a sua paz. Não há como alguém ou alguma coisa tirar a sua paz. Se isso aconteceu, foi você quem perdeu uma batalha para os seus inimigos internos.

Eis aí o segundo aspecto interessante e importante dessa conversa: a paz é um estado de espírito que se caracteriza pela harmonia entre o mundo interno e externo e, quando ela não existe, não é o externo que é culpado pela sua não existência, mas foi o guerreiro, ou ser humano, humanizado, isso não importa, que não lutou dentro do seu mundo interno contra os seus inimigos para poder viver em paz, para viver em harmonia, para estar harmonizado com a vida.

Diante disso, acho que fica muito importante se falar dos inimigos, pois perder a paz é algo que acontece diariamente muitas vezes. Portanto, é importante se conhecer os inimigos.

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O alto comando dos inimigos da paz

Como estamos falando de batalhas, vou falar dos inimigos da paz utilizando-me da formação de um exército. Na verdade é assim mesmo. Assim como num exército, entre os inimigos da paz existem diversos níveis de combatentes. Como vocês só veem o primeiro, aquele que está mais próximo de vocês, não conhecem a ação dos demais. Vamos lá, então.

O general do exército dos inimigos da paz chama-se individualismo. Ele é a base de tudo. É o topo da pirâmide que acaba influenciando todo o resto.

Ao falar deste inimigo da paz, não vou falar em egoísmo, pois existem muitas pessoas que acreditam quando a mente lhes diz que não são egoístas. Por isso, essas pessoas não compreenderiam a ação do general do exército inimigo. Por isso, vou falar em individualismo.

Ser individualista é pensar a partir de um eu buscando que este obtenha uma vitória, uma vantagem. Isso é ser individualista.

Quando você está conversando com uma pessoa e essa fala que gosta do amarelo e você quer mostrar que o verde é mais bonito, está sendo individualista. Por que? Porque está pensando a partir do eu, da cor que gosta e querendo influenciar o outro para que goste da cor que você gosta.

Isso é ser individualista. Chamo ele de general porque está escondido no momento da vivência de um acontecimento. Ou seja, na hora que diz para o outro que o verde é a cor mais bonita, nunca pensa que está sendo individualista. Pelo contrário: a mente maquia e diz que está sendo bonzinho, que está amando o próximo, que quer trazer o bem.

Por isso o individualismo é o general: ele está escondido, não aparece, mas influencia toda a ação que consciente. Influencia toda a vida externa dos guerreiros, que é o que lhe é apresentado como vida.

Por exemplo: uma pessoa que reclama que o outro não lhe ama, não liga para ele. Esta cobrança parece algo amoroso, carinhoso, mas quem vive esta realidade não vê que está sendo egoísta, individualista. Não vê que está exigindo, cobrando coisas, para benefício próprio.

A cobrança por algo tira a paz. Ela é um dos soldados utilizados pelo exército dos inimigos. Digamos que o guerreiro saiba disso e a combata. Só que mesmo que o guerreiro da paz a derrote nesta vivência, não vai ter paz. Por que? Porque o individualismo, que está por trás dela, vai agir em outro assunto, em outro aspecto da vida. Como o guerreiro não descobriu a presença do individualismo neste momento e não o combateu, a paz será perdida em outras oportunidades onde ele agirá.

Portanto, este é o general do exército inimigo. É ele que distribui os soldados do exército e os influencia.

Abaixo do general encontramos os tenentes, ou seja, aqueles que também não aparecem na hora da formação do pensamento, do causar a desarmonia entre o mundo interno e o externo, mas que influenciam nas desavenças.

O primeiro tenente que vamos estudar é a intencionalidade. Se individualismo é pensar a partir do eu e querer para si, o que é querido é conhecido através da intencionalidade. É a intenção que determina o que é querido para si.

Veja o que está acontecendo na hora inimiga: o individualismo age por trás gerando um querer para si e a intencionalidade, que muitas vezes não aparece no pensamento, ou quando o faz, está maquiada, florida, criando algo para usar como instrumento da vitória. É essa ação que você que quer viver em paz não consegue enxergar e por isso é derrotado diversas vezes ao longo do dia.

Para poder lhe enganar, a intencionalidade muitas vezes é maquiada, floreada, como disse. ‘Não, a minha intencionalidade é a melhor possível. O que quero é protege-lo’. Protegê-lo do que: do que não quer para você? Quem disse que ele não quer isso? Protegê-lo do que: do que você acha ruim? Mas, será que isso não é bom para o outro?

É essa ação da intencionalidade, do querer para si, do querer viver o que é querido para si, que acaba com a harmonia e por isso com a paz.

O segundo tenente é a posse. Possessão não é ter, mas querer administrar a vida do outro. É querer determinar o que o outro vai fazer, o que será ou como estará. É isso que é possessão. Possessão não é ter uma televisão, mas exigir que cada vez que aperte o botão ela funcione.

A possessão é necessária ao individualismo. Isso porque se o individualismo é querer a ganhar para si, a possibilidade do ganhar vem através da direção da vida, dos acontecimentos, do que o outro é ou faz. Se você não direciona o outro, não diz o que ele tem que ser, como ganhará?

Só que o outro também tem uma intencionalidade, uma individualidade, e quando quer que ele seja diferente do que quer ser, o que surge? A desarmonia, a desavença, ou seja, o fim da paz.

Então, fica bem claro que a posse é um tenente do exército dos inimigos da paz. Só que ela muitas vezes não é pressentida como inimiga. Isso acontece porque a realidade da possessão é maquiada, é florida pelo pensamento para que a sua presença como inimiga da paz não seja sentida.

Isso acontece, por exemplo com aqueles que dizem assim: ‘eu lhe perdoo, mas nunca mais faça isso’. Esse tipo de pensamento é exatamente o instrumento dos seus inimigos lhe roubando a paz.

Acreditando neles, viverá com a expectativa de que o outro vai atender o seu pedido, mas isso muitas vezes não acontece, não é mesmo? Ele pode até se subordinar por algum tempo, mas em algum momento a insurgência reaparecerá.

Primeiro tenente: intencionalidade. Segundo tenente: posse. Terceiro tenente: paixão.

Paixão é gostar, só que não se trata apenas de um gostar positivo, de um querer. Não querer algo é um paixão. Não achar algo bom, não achar algo certo, é uma paixão.

Portanto, ser apaixonado é ter opiniões individuais sobre qualquer coisa. Ter opinião sobre as coisas, é ter, dentro de si, um inimigo que vai lhe roubar a paz. Isso porque não existem dois seres humanos que, em gênero, número e grau, tenham a mesma paixão.

Por isso, o choque será inevitável. Um gostará do amarelo, outro do verde, um gostará de maçã e o outro de manga. Sempre, haverá desarmonia com o mundo externo que será causada pelo que você gosta ou desgosta.

Só que esta paixão não é real: ela é apenas um tenente do exército dos inimigos da paz. Já repararam que existem pessoas que gostam muito de uma coisa, mas, de repente, quando aparece alguém igual, já começa a gostar de outra?

Porque isso acontece? Porque a paixão está a serviço do individualismo, a serviço da vontade de satisfazer o próprio eu. Ela não é real. É por isso que o ser humano é tão volúvel.

A paixão é apenas um inimigo que está aí para gerar desarmonia entre o mundo interno de um ser e o externo. Ela existe para servir ao individualismo e não para ser lógica, para ter algum nexo. Ela está aí só para causar desavenças, porque serve ao individualismo e não ao próprio ser. Como todos são individualistas, querem ganhar, a paixão serve como instrumento desta pretensão de ganhar e não ao que realmente se gosta ou se quer.

Este é o terceiro tenente: a paixão. Ela existe para que o individualismo possa ser contemplado, para que a satisfação pessoal seja buscada.

Fazendo um parênteses, deixe-me falar uma coisa: os três tenentes que falamos até agora estão presentes em todos os pensamentos humanos. O exército dos inimigos da paz não luta só com soldados. O soldado é o que você vê, mas a força do general e dos tenentes estão presentes em todo processo mental.

Não há um pensamento que não esteja fundamentado no individualismo, que não seja construído com uma intencionalidade, uma posse e uma paixão. Não existe. Esses elementos sempre estarão presentes.

Isso é algo que o guerreiro da paz precisa saber. Porque? Porque na hora que não procurar estes inimigos, perde a paz. Na hora que não tentar descobrir a verdadeira intenção a verdadeira busca de satisfação do eu, não tentar descobrir como está querendo comandar a vida e qual a paixão que está dirigindo aquele pensamento, o fim da paz será inevitável.

Mas, existem mais tenentes e quem já me ouviu antes está vendo que não estamos falando nada novo. Por isso, sabem que depois da posse e da paixão sempre falamos do desejo. Esse talvez seja o tenente mais forte, mais presente. Não há pensamento que não contenha um desejo. Mesmo que não seja explícito, ele está presente.

Desejo é vontade e tudo que é pensado é expresso através de uma vontade. Vocês não fazem nada sem que haja uma vontade, sem que haja um resultado esperado.

Isso é vontade, isso é desejo: ter um resultado esperado. Não se prega prego sem estopa, diz o ditado popular, vocês não conseguem viver sem ter um raciocínio, um pensamento, sem que haja embutido nele uma vontade. Por isso, a atenção à presença desse tenente e a localização da sua ação, é fundamental para o guerreiro da paz. Deixando-se levar pelo soldado à disposição desse tenente, terá uma vontade, mas a vida terá outra, os outros terão outras, e aí o fim da harmonia é líquido e certo.

Mas, há mais tenentes: as famosas quatro âncoras. A vontade de vencer, o medo de perder; a vontade de ter o prazer, ou seja, de ser contentado, e o medo do desprazer; a vontade da fama, que como digo sempre que não é aparecer na capa da revista, mas o reconhecimento, e o medo da infâmia; a vontade de ser elogiado e o medo de ser criticado.

Aí está todo o comando o estado maior do exército dos inimigos da paz. São esses que trabalhando, apresentando soldados através do pensamento buscam para si e com isso acabam lhe fazendo perder a paz. Aquele que se submete a esses tenentes e ao general não conseguem a paz. Vivem a perdendo.

Sempre, sistematicamente perdendo a paz.

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Os soldados dos inimigos da paz

Agora, vamos falar dos soldados. Eles são os pontos de desavença nas situações. Portanto, são múltiplos, são muitos.

Por exemplo, alguém me pediu para falar de relações familiares. Vamos conversar sobre esse assunto da próxima vez, mas quando falamos em perder a paz por conta de uma relação familiar, falamos em esperar que haja alguma coisa nesta relação que não está havendo. Isso que é esperado – por exemplo respeito, amor, solidariedade, carinho, atenção – não importa o que, são os soldados usados pelos tenentes e pelo general para trazer o fim da paz.

Quando perde a paz porque o dinheiro não deu no final do mês, o fato de faltar dinheiro não é razão da sua perda de paz. Na verdade, isso é um soldado que está sendo usado pelos tenentes e pelo general para atacar a sua paz, para acabar com o estado de harmonia com a vida. Se você não tivesse individualismo, intencionalidade, posse, paixão, desejo e vivesse as quatro âncoras, não perderia a sua paz.

Portanto, falar de soldados neste momento é difícil, pois eles são muitos. Toda situação de vida que lhe contraria é um soldado a serviços dos tenentes e do general do exército contra a paz. A única coisa que podemos falar agora, é que eles não são a verdadeira causa de você não ter paz. Isso quero deixar bem claro.

Não é porque o dinheiro não deu, porque sua mãe não lhe ama, porque ela não lhe dá carinho ou porque é possessiva, que você vai perder a paz. Não, a perderá porque cedeu a intencionalidade, a posse, a paixão, ao desejo, a vontade ganhar e ao medo de perder e a todos os outros tenentes. Cedeu, principalmente, ao individualismo, ao querer ser satisfeito, ao achar que o que quer todos tem que querer. Cedeu ao pensar a partir do eu e, por isso, exigir que o mundo supra o que quer.

É isso que quero deixar bem claro neste momento.

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O estudo das batalhas

Agora, depois de vermos tudo isso, fica fácil de entendermos o trabalho. O trabalho ‘Guerreiros da paz’ consiste em enfrentar os soldados e descobrir a expressão dos tenentes e do general que estão, não no mundo externo, mas dentro de você. Consiste em descobrir o que eles estão querendo para aí libertar-se da ação desses inimigos. Com isso se consegue viver a vida em harmonia, se ter paz.

O trabalho do guerreiro da paz, no caso de querer que a mãe seja mais carinhosa, é entender que ela não é a mesma mãe dos outros. Compreender que, por isso, pode ser mais ou menos carinhosa. Entender que ela sempre terá que ser aquilo que acha que deve ser e não o que você espera que ela seja.

A partir desta compreensões, o guerreiro da paz deve entender que o problema não está na sua mãe ser diferente, mas sim nele viver o desejo de querer ter mais carinho, ter mais amor. Deve alcançar à consciência de que é esse desejo que acaba com a paz e não a forma como a mãe é.

O problema está naquele que quer governar as ações da sua mãe, naquele que é apaixonado por receber carinho. O problema está naquele que, por ceder ao que é pensado, busca impor ao outro o que quer para que seja satisfeito. É essa busca e o fato de não conseguir que lhe tira a paz, que lhe rouba a paz.

O fim da paz acontece quedo você cede aos seus inimigos, quando não guerreia pela paz, quando não reconhece a presença do seu inimigo dentro de si para poder se libertar da influência deles.

Esse será o trabalho que faremos. Por isso pedi que me tragam exemplos de vida. O que queremos é, através dos soldados inimigos que vocês apresentarem, mostrar a ação que está por trás.

Queremos fala das ações dos tenentes e do general. Queremos aprender a combater não o soldado, mas sim o comando deste exército. Isso porque os seres humanos vivem a vida inteira tentando lutar contra soldados.

Nessa luta, quando ganham uma batalha, acham que ganharam a guerra. Com isso, não continuam a luta contra o alto comando do exército inimigo e por isso, perderão a paz mais na frente.

Em outras ocasiões, perdem batalhas. Quando isso acontece, ao invés de combater os verdadeiros inimigos, se entregam de vez, não a um soldado, mas ao general e aos tenentes. Por não verem esta entrega, continuarão sendo individualista em todas as situações e pouca paz encontrarão.

Por isso é importante que repassem essas situações. O que estou pedindo é que relatem o que vivem, o que passam, os soldados que combatem todo dia na busca de viver em paz. Essa é uma oportunidade de juntos enfrentarmos cara a cara o alto comando do exército inimigo que lhe ataca diariamente. É uma oportunidade de olharmos o soldado e acharmos além deles a influência dos verdadeiros inimigos da sua paz.

Acho que deu para ficar bem claro qual o trabalho que queremos fazer e o que iremos estudar. Portanto, se quiserem, coloquem as questões para continuarmos a conversa.

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A convivência com os inimigos

Participante: Como conviver com estes inimigos dentro de nós, se o ego está sempre criando verdades?

Não aceitando as verdades que ele cria. Para isso, é preciso que você identifique o que está por trás das verdades que ele cria.

Se o seu ego, por exemplo, afirma que comer feijão com arroz é bom, não acredite nisso. Saiba que ele está apenas gerando um elementos, um soldado, para posteriormente usá-lo para lhe tirar a paz. Isso acontecerá no dia em que não houver feijão com arroz disponível para comer.

Este é o trabalho. Deixe a mente criar o que ela quiser à vontade, mas não deixe os inimigos usarem estas verdades como soldados para lhe tirar a paz, para lhe trazer desarmonia. É isso que precisa ser feito. Já disse por diversas vezes que ninguém vence a mente silenciando-a. Isso é impossível.

A luta pela paz ou pela felicidade não está fundamentada em uma mudança do que é pensado ou do funcionamento da mente. Ela está fundamentada na libertação dos inimigos da paz.

Tem uma pergunta se não sei se ainda foi feita, mas tenho certeza que quem já me ouve à algum tempo gostaria de fazer: ‘tudo o que o senhor falou é basicamente a mesa coisa que falou no em busca da felicidade. Então, paz e felicidade é a mesma coisa’? Não posso dizer que seja, mas para vocês que têm consciências através de uma mente humana, é. Até porque, quando conversamos sobre felicidade, definimos que ela é o estado de espírito onde existe paz e harmonia. Ora, se paz está dentro da felicidade, ela é o caminho para ser feliz.

Portanto, não estamos falando nada novo. O que estamos fazendo neste estudo é trabalhar o ter paz para poder ser feliz. Esse processo é oriundo da segunda missão que venho dizendo que recebemos há pouco tempo.

Até bem pouco tempo atrás, nossa missão era passar os ensinamentos para que cada um fizesse a sua reforma. Isso foi feito. Com o início do novo mundo, que começou no dia 21 de dezembro de 2012, recebemos a missão adicional de ajudar as pessoas nesta realização.

O que estamos fazendo hoje, além de servir como instrumento para que você faça a sua reforma, serve, também, para que ajude o próximo à fazer a dele. Não quando ele discute alguma coisa com você, mas quando ele chega e diz: ‘estou sofrendo tanto, perdi minha paz por este motivo’. Neste momento, ao invés de viver como um humano – lamentando-se, sofrendo o sofrimento do outro, querendo resolver o problema material – você tem a condição de ajuda-lo de verdade. Para isso, deve mostrar à quem está sofrendo que ele não perdeu a paz por aquele motivo que imagina, mas sim pela ação do seu individualismo, da sua vontade de possuir, da paixão e dos demais tenentes.

Esse é o resultado esperado deste trabalho. É por isso que o estamos realizando. Ele está sendo realizado principalmente para aqueles que convivem com as comunidades que chamamos de sangha.

Outro dia conversei com uma pessoa e disse que vocês estão completamente perdidos com relação à ação destas comunidades. Um dos pontos que toquei com esta pessoa foi exatamente este: o de querer ajudar os outros resolvendo os problemas deles.

Não, não se ajuda ninguém ensinando-o a resolver fisicamente seus problemas. A única ajuda que você pode dar a qualquer um é ensiná-lo a combater os inimigos da paz dentro de si mesmo.

Essa pessoa veio me procurar para conversarmos especificamente sobre um problema que ela vivencia na vida humana. Depois que ele me relatou o problema, passamos mais de quatro horas conversando e em nenhum momento eu voltei a falar do problema pelo seu lado humano. Apenas conversei sobre a ação dos seus inimigos internos na prática.

Não é preciso se conversar com alguém à respeito da história que compõe o problema que ele vivencia. O auxílio que pode ser dado não passa pela solução deste problema. A orientação que realmente pode ajudar o próximo é ensiná-lo a não ter mais problemas na vida.

Uma coisa que até agora vocês não entenderam, é que ter problemas durante a vivência dos acontecimentos, é estar em desarmonia com a vida. Todo e qualquer problema que tenha, é uma desarmonia: é o querer uma coisa e não tê-la. Se não quisesse nada, não teria problemas.

Na verdade você tem um problema porque quer ter alguma coisa que não tem. Mas, quem diz que quer ter? O seu individualismo. Agindo através da posse, da paixão e do desejo, da intencionalidade e das quatro âncoras, o individualismo quer ter o que não tem. Colocando soldados de chumbo, ou seja, de baixo valor, como o precisar ter uma televisão, um celular, a presença da pessoa amada ou um prato de comida, o general do exército inimigo da paz lhe leva à perda da felicidade.

Usando estes soldados rasos o individualismo joga à sua frente os problemas e você fica cego tentado resolver o problema, mas não consegue resolvê-lo. Com isso, não consegue resolver um problema e está sempre colecionando outros que os inimigos da sua paz vão estar criando. Com isso estão criando as suas contrariedades, os seus problemas.

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Combatendo os desejos

Participante: como se libertar do desejo que a mente sugere?

Sabendo que ele é um desejo. Sabendo que ele está sendo usado por um individualismo, por uma vontade de querer ganhar individualmente. Sabendo que você não está desejando, mas que isso é um soldado que os inimigos da sua paz estão lançando contra.

Com relação aos soldados, além do desejo específico por alguma coisa existem outros que precisaremos conversar fortemente ao longo de nossas conversas. Por exemplo: critérios de justiça e injustiça, o bem e o mal, certo e errado, bonito e feio, limpo e sujo. Esses critérios, que você pensa que é opinião sua, são lhe dados e servem para justificar a presença do general e dos tenentes.

Por exemplo: um desejo que esteja justificado por você achar que merece receber alguma coisa. A presença desse soldado junto ao desejo lhe faz entender que ter aquele desejo é certo, é bom. Lhe faz imaginar que deve ter aquele desejo porque merecer ter aquilo. Merecimento e não merecimento são soldados usados pelos inimigos da paz.

Esses critérios são usados pelo auto comando do exército inimigo para justificar que você tenha o desejo, para justificar o desejar. Por exemplo: o auto comando diz que todo mundo tem o direito de ter sua casa própria. Mais: diz que cada um ter a sua casa própria é um algo justo. Você já parou para pensar que se todos tivessem sua casa própria, aquele que vive de receber aluguéis, que construiu a casa com o seu suor e agora vive de receber os rendimentos deste trabalho, vai morrer de fome. Você acha isso justo?

Portanto, será justo com essas pessoas que todos tenham a sua casa própria? Claro que não. Só que para você é. Por que? Porque você está usando o seu critério de justiça: um critério que lhe beneficie individualmente.

É isso que precisa ser pensado na hora que vem o desejo. Será que ele é realmente tão inocente? Será que não está apenas buscando a minha própria satisfação sem me importar o que ele resultará para os outros? Será que o meu desejo realmente é justo, é legítimo?

Lembro uma vez que uma pessoa me disse: ‘ah, Joaquim! Trabalhei muito numa empresa, mas na hora da promoção outra pessoa foi promovida no meu lugar. Isso é injustiça’. Eu respondi que realmente no critério individual dessa pessoa aquilo era uma injustiça, mas no de quem promoveu, promover outra pessoa foi algo justo.

Sei que quando se fala isso vocês vão logo buscar elementos para acabar com a justiça que o outro fez. Não importa qual seja o motivo que o chefe tenha para promover uma ou outra pessoa – pode até ser o fato do promovido ser um puxa-saco – para ele aquilo era motivo justo para a promoção daquela pessoa. Portanto, mesmo que você não ache que o acontecimento tenha sido justo, ele foi, porque quem o praticou estava fundamentado no seu próprio critério de justiça.

É através dessa análise dos acontecimentos da vida que se liberta do desejo. É avaliando, estudando, se dentro do que é desejado não está uma intencionalidade, não está um individualismo. Descobrindo isso, é necessário se combater essa ação.

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Convivendo com um usuário de drogas

Participante: o usuário de droga acaba desarmonizando a família inteira. Como proceder na vivência com ele?

Você diz que o usuário de droga desarmoniza uma família, mas no início desta conversa disse que o que desarmoniza alguma pessoa não é o mundo externo, mas o interno. Então, não há nenhum usuário de droga que desarmoniza família, mas famílias que se desarmonizam por ter um usuário de droga em seu seio.

Este é o primeiro aspecto e ele é importante de se prestar atenção, pois se não assumir que foi você que se desarmonizou com o mundo, ou seja, que foi você que perdeu sua paz por conta de seus inimigos internos, ficará chorando e dizendo que não tem jeito, que você é uma pobre coitada, que terá que sofrer a vida inteira. Esse é o problema.

Esqueça o outro, esqueça o mundo, esqueça as coisas e comece a se voltar para dentro e veja no seu interior o que está lhe causando a desarmonia. Neste caso, é não querer que o outro seja viciado. Mas, ele é, não tem jeito. Tem que aprender a conviver com ele do jeito que é.

Não estou falando de atos, mas de mundo interno. Interiormente tem que saber se harmonizar com o fato de na sua família haver alguém viciado em drogas.

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Ter depressão sem perder a paz

Participante: e, quando simplesmente vem o sofrimento, por exemplo uma crise depressiva sem nenhuma motivo aparente. Como ficar em paz dentro dessa dor?

Deixe lhe dizer algo. A depressão causa dor? Eu diria que não. Sabe o que causa dor? Não querer ter depressão.

Tendo este estado de espírito e se harmonizando com ela, você dirá: ‘estou depressiva? Estou. E daí? Estou chorando? Estou. E daí? Não queria ter depressão, mas tenho. E daí?’ Fazendo isso, você, mesmo em estado de depressão, não sentirá dor.

O problema não está na depressão, mesmo que aparentemente ela não tenha uma causa. É o que já falei antes: os inimigos está sempre escondido. Quem sofre por estar com uma depressão ou quem se contraria por estar em depressão é aquele que não queria estar, que acha melhor não tê-la, que quer controlar como está, que tem paixão por não estar e que deseja não estar. Compreendeu?

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Sapato apertado

Participante: como não acreditar nas sensações que a mente nos sugere? Hoje meu sapato machucava muito meu pé. Pensei nos seus ensinamentos e tentei imaginar que não era o corpo e que só sentia a dor porque tinha o desejo de não senti-la. Só que continuou doendo e eu continuei incomodada. Como é ter paz nestas situações?

Como você esperava obter a paz se estava trabalhando para não ter mais dor?

Esse é que é o problema. Você não trabalhou junto a sua mente para alcançar a paz, mas sim para não se sentir incomodada e para não ter mais dor. Melhor: trabalhou para ter uma dor sem sofrer. Não é disso que estou falando.

O que estou dizendo para ser feito é a busca da harmonização com o mundo interno, ou seja, se harmonizar com a própria dor. ‘Meu sapato está apertando, está doendo meu calo. Isso está acontecendo. Aqui não tenho outro sapato para colocar. Portanto, tenho que continuar usando este sapato e sentindo a dor’.

É o que já disse: a ação dos comandantes está sempre escondida. A ação deles neste caso é através da intenção de não sentir dor ou de sentir dor, sem sentir dor. Só que para você, naquele momento, isso era impossível.

Você só tinha aquele sapato disponível, porque estava na rua. Uma opção que seria possível era entrar numa loja e comprar outro sapato. Porque não fez isso? Isso acabaria com a dor.

‘Eu não tinha dinheiro’, você poderia me responder. Então, não tem jeito: o único caminho teria sido aprender a se harmonizar com a dor e não realizar qualquer trabalho que extinguisse a dor.

Deixe tonar algo bem claro: o trabalho do guerreiro da paz só traz paz, harmonia com a vida. Ele não muda a vida. Não muda de ‘a’ para ‘b’, ou de ‘c’ para ‘d’. Não se trata do desempregado arrumar um emprego ou de eliminar uma dor que está acontecendo. O trabalho se consiste em viver o que se tem e não em mudar o que está se vivendo.

Lembro que durante muito tempo falei assim: se a vida lhe der um limão... Ao ouvir isso as pessoas completavam: ‘faz uma limonada’. Durante muito tempo aceitei este complemento calado, mas um dia reagi. Eu disse: ‘para, não falei que a vida lhe deu água e açúcar. Disse que ela lhe deu apenas limão. Como você vai fazer uma limonada se não tem água e açúcar’?

Se a vida lhe dá só um limão, não como fazer limonada. Por isso, a única coisa que pode fazer quando isso acontecer é aprender a chupar um limão, com todo o seu gosto ruim, com toda a sua ardência, sem reclamar do gosto, sem fazer cara feia. Este é o trabalho do guerreiro da paz: ele aprende a chupar os limões que a vida lhe dá.

Guerreiros da paz - Textos

Situação política do Brasil

Participante: o que você diz cabe perfeitamente nas questões recentes do cenário brasileiro, nas manifestações recentes contra a corrupção. Poderia fazer algum comentário à respeito? Como podemos conviver com a mente que insiste em criticar quem tem uma determinada e que propõe medo de alguns acontecimentos.

Quem tem medo de algum acontecimento futuro? Aquele que não quer o acontecimento, ou seja, que tem uma intencionalidade.

Como lidar com as desavenças que estão acontecendo neste momento? Sabendo que há desavenças, que elas não poderão deixar de existir e se harmonizar com elas. Ponto.

O problema não é haver desavenças, mas você querer que não aja. O problema querer um sistema político, outro presidente ou outro regime. O problema não é esse: é querer que qualquer um exista, é achar que o que existe agora está errado. Isso porque quando quer outro diferente ou acha que o que existe está errado, está desarmonizado com a realidade que vive.

Agora, com relação a isso, quero aproveitar a sua pergunta – e agradeço por ela – para dizer uma coisa. Harmonizo-me com todos os que acham que o governo atual é bom ou mal. Dou a cada um o direito de ter a sua opinião. Agora, por favor, depois não venham dizer que o que eu falo é muito bonito. Depois não venham falar de amar ou de busca de Deus e que estão colocando em prática os ensinamentos de qualquer mestre em prática.

Agir dessa forma é ser hipócrita. Até hoje nunca defendi nenhum ponto de vista de ninguém ou de qualquer assunto. Como, então, você pode dizer que está buscando colocar em prática o que ensino? Pior: ainda usam o que falo para defender um determinado ponto de vista.

Será que não dá para reparar que estão usando o amor universal como um instrumento do seu egoísmo? Aqueles que dizem que estão defendendo esta ou aquela posição por ser o melhor para o futuro, não veem que estão pensando apenas no seu próprio umbigo?

Sei que tem muita gente que vai se chocar com o que estou dizendo e pode até me abandonar. Isso não tem problema, mas não posso me silenciar frente às coisas que estão acontecendo. Tem muita gente acendendo uma vela para Deus e outra para o diabo.

Respeito a opinião de cada um, mas se você se diz buscador, se acha que é importante aprender a amar, ainda cai nesta armadilha da vida? Ainda é derrotado por este pequeno soldado dos seus inimigos? Sim, são derrotados pelo exército contrário à paz, porque essas situações todas que estão vivendo (inflação, desemprego, corrupção), nada mais é do que soldados usados pelo seu individualismo, pelo egoísmo.

É a esses que estão perdendo esta batalha que quero me dirigir. Não para criticá-los, mas para alertá-los. Vocês acham que estão fazendo algo maravilhoso, amoroso, do bem, mas não reparam que estão sendo conduzidos como bois para o matadouro. Não porque esse ou aquele regime será matador, não é isso que estou me referindo. Estão sendo conduzidos para o matadouro da paz, da felicidade, do amor e, consequentemente, da elevação espiritual.

É isso que quero dizer: o custo pela sua participação dentro da atual situação política do Brasil, seja de um lado ou do outro, é o afastamento de Deus, a perda da sua oportunidade de elevação espiritual.

Em nome do que vocês estão agindo? Em nome de uma satisfação pessoal, de um prazer? Em nome de conquistar mais benefícios? Me desculpe, mas não vi ninguém que recebesse benefícios deste governo e que falasse mal dele.

Já reparam nisso? Só os que não ganharam nada deste governo é que estão reclamando. Aqueles que ganharam, o estão apoiando. Agora, se será que estão reclamando porque o governo é ruim ou estão apoiando porque ele é bom? Claro que não. Os que estão reclamando estão agindo deste jeito porque não ganharam nada e os que estão apoiando fazem isso porque tiveram um lucro individual.

É essa reflexão que aquele que quer aprender a ser feliz, que quer ter paz, precisa fazer. Agora, se você escreve, fala, participa de manifestações e grita contra o governo, isso é vida, é ato. Por isso não posso lhe criticar pelo que faz. O que estou falando é do mundo interior. O que estou falando é sobre nutrir por dentro o sentimento de ódio, de rancor, de mágoa ou de satisfação.

Você não vê que a pior coisa que poderia lhe acontecer e que é muito pior do que a inflação, a corrupção ou o desemprego, está lhe acontecendo neste momento. O pior não é ter um governo um governo corrupto, que não ligue para a educação ou para a saúde, mas você perder a sua paz, a sua felicidade e por conta disso afastar-se de Deus.

Tudo o que hoje acusa o governo de não lhe dar, pode ser que amanhã, com este ou com outro governo, possa ter, mas a paz e a felicidade que perdeu neste momento, essa foi perdida definitiva, já que o momento presente não volta.

Este país já teve tudo o que vocês hoje reivindicam. Neste país já houve uma época onde o hospital público funcionava, já teve escola que ensinavam bem aos alunos. Em um passado não muito distante, estudar em escola pública era o sonho de todos. Isso mudou, mas isso aconteceu antes do atual governante assumir.

Portanto, tudo pode voltar, com este ou com outro governo, mas a paz que não viveu agora jamais será vivida, pois o agora vai embora para o passado e leva com ele a paz. O agora acaba e enquanto ele esteve presente você não viveu a paz. Em troca do que fez isso? De encher sua barriga, de ter um carro, de ter mais móveis ou eletrodomésticos em sua casa?

Parem e pensem: o que está acontecendo por aqueles que reclamam ou apoiam o governo é uma ação egoísta que se utiliza de um soldado do exército inimigo da paz, que é fundamentado em critérios de justiça e merecimento que atendem apenas o seu egoísmo e não o bem coletivo. Você não param para raciocinar e compreender que estão pensando apenas do seu eu e querendo que esse eu ganhe. Isso é egoísmo, é individualismo.

Se você não está interessado na paz, na felicidade e na vida depois da vida, não tenho nada contra viver isso. Agora, se está interessado pare e pense que não há governo que possa lhe trazer a paz. Isso porque o mesmo governo que estão querendo colocar no lugar desse que está, foi escorraçado há alguns anos atrás pelo mesmo motivo.

Portanto, lutem pela sua paz acima de qualquer coisa e deixem o mundo, aqueles que não estão preocupados com a paz se digladiarem entre si.

Obrigado mais uma vez, moça, por ter me dado esta oportunidade de abordar este tema. Aliás, já tinha falado sobre isso, mas parece que as paixões dominam as pessoas e elas esquecem o que já ouviram.

Guerreiros da paz - Textos

Sobre a harmonia

Participante: quem causa a desarmonia? É a mente, como prova?

Não, quem causa desarmonia são os inimigos que falamos: o individualismo e os tenentes. São eles que causam a desarmonia. A mente é apenas o transporte da ação do inimigo.

A história do pensamento não causa desarmonia. O que vai causar é o seu individualismo. É ele que vai causar a desarmonia, pois você poderia ter o mesmo pensamento, mas se não cedesse ao individualismo, ou seja, se não cedesse a pensar à partir do eu e querendo que este eu sempre ganhe, não haveria desarmonia.

Participante: querer e desejar são coisas semelhantes?

Sim, são.

Participante: se afastar do que nos tira harmonia é errado?

Não é errado, mas vida. Sendo assim, você, por experiências de situações já vividas, sabe que ao se afastar de alguma coisa, logo aparece outra situação que lhe desarmoniza.

Portanto, afastar-se do que lhe causa desarmonia não é um outro que certamente lhe dará certeza de vitória. O único que pode garantir isso é a agir dentro de si mesmo. Quando fizer isso silenciando a ação dos inimigos da paz, sabe o que acontecerá, estará harmonizado, esteja onde estiver, vivendo a ação que estiver vivendo.

Participante: a desarmonia seria uma ferramenta para nos mostrar que a paz que tanto buscamos está relacionada ao estado espiritual?

A desarmonia só serve para lhe mostrar uma coisa: você não está amando a Deus acima de todas as coisas e nem ao próximo como a si mesmo. Amando a todos e a tudo, está em harmonia com qualquer coisa. Portanto, é um instrumento para lhe mostrar que apesar de dizer que ama, você não ama.

Já reparou nas pessoas que dizem que ensinam os outros a seres a ser, estar e fazer as coisas de alguma forma e dizem que agem desta forma por amor? Esses vivem em desarmonia, porque estão sempre tentando mudar o outro. Que amor é esse que provoca desarmonia? Que amor é esse que cobra alguma coisa dos outros? Que amor é esse que exige mudanças?

A desarmonia ou a perda da paz só lhe faz entender que apesar de dizer que está participando com amor, amando, está apenas sendo egoísta, individualista.

Participante: incesto na família causando desarmonia. Como lidar com isso usando as armas para adquirir a paz?

Libertando-se da ideia de que não pode haver incesto.

Houve, aconteceu? Aconteceu. O que você pode fazer? Já passou, aconteceu ou está acontecendo e você não pode fazer nada para evitar.

Desculpe, mas falei errado: você pode fazer alguma coisa sim. O que? Pode ir à polícia, pode denunciar os incestuosos, pode quebrar os dois de pancada, pode expulsá-los de casa, se morar sob a sua tutela, etc. Tudo isso você pode fazer, mas o que faz? Apenas sofre.

‘Ah, Joaquim, é meu parente, não posso denunciá-los’, você diria. Está certo, eles são seus parentes, mas não estão infringindo a lei e você não se diz justa? Então, tem que denunciá-los.

Repare: o problema nunca está no lado de fora, mas sim dentro de cada um. Sempre será você aprender a se harmonizar com o que ocorre do lado de fora e nunca ao contrário.

Participante: como podemos saber que estamos harmonizados se nem sabemos o que é isso, se tudo o que pensamos sobre harmonia são ideias que a mente cria.

Você está harmonizado quando não há contrariedade com o que está acontecendo no mundo. Quando não ache estranho uma pessoa decapitar outra, um político roubar, um hospital não curar ninguém.

A paz advém de estar em harmonia com os acontecimentos do mundo. Cada pergunta dessas que me fizeram sobre as coisas deste mundo, mostrou uma desarmonia. Não ache essas coisas erradas ou estranhas que conseguirá alcançar a harmonia com o mundo.

Quando me perguntaram sobre ter um drogado na família dando a conotação que isso acontecer é algo ruim, a pessoa que me questionou mostrou a sua desarmonia com a vida. Quando me perguntaram sobre o incesto na família, mostrou a desarmonia com a vida. Digo isso porque drogado e incestuoso sempre existiu e vai continuar existindo enquanto houver vida neste planeta.

Se não houvesse o radical islâmico, o político corrupto, o hospital que não atende com dignidade e presteza, o drogado e o incestuoso, como você poderia vencer o seu individualismo para poder conquistar a sua elevação?

Participante: muitas vezes procuro me harmonizar com as situações buscando sentir a presença de Deus na minha vida, mas muitas vezes me sinto distante dele, muito provavelmente por minha causa. O que fazer nessas situações?

A distância entre você e Deus existe quando se desarmoniza com Ele, com o tudo que existe.

É esta a distância entre você e Deus: a sua desarmonia com as coisas deste mundo. Quando está harmonizado com elas, está ao lado dele; quando não está, está longe.

Participante: é impressão minha ou a nossa desarmonia está se tornando mais frequente, ou seja, hoje em dia existem mais coisas que me fazem me desarmonizar do que no passado.

Veja a palestra intitulada 21 de dezembro de 2012. Nela falei exatamente disso: afirmei que a desarmonia iria aumentar.

Guerreiros da paz - Textos

Sobre a paz

Participante: apertar o botão do controle remoto sem a expectativa que ele mude o canal da TV. Isso é automático? Como estar atento minuto a minuto para não cair nesta armadilha? É complicado.

Não, este trabalho não é automático. Ele não vai acontecer vinte e quatro horas por dia, pode até chegar a isso, mas no início não. Neste momento você precisa caminhar passo a passo.

Deve usar este trabalho nos momentos em que sente que perdeu a paz. Na hora que sente que desarmonizou-se com o mundo, pare e faça a reflexão. Pare e pense no que, dentro de você, causou a desarmonia e tente se libertar daquilo.

Então, pode ser que um dia alcance o piloto automático e coloque tudo o que estamos conversando em prática vinte e quatro horas por dia, mas, neste momento, o importante é você perceber que se desarmonizou e falar para si mesmo da sua disposição de viver em paz. Para isso, perceba dentro de si mesmo o que está causando a desarmonia para libertar-se daquilo.

Participante: vejo muitos casos de pessoas que se dizem apaixonada por outras e, por isso, não conseguem esquecê-las e nem relacionar-se com outras pessoas. Elas dizem que tentam esquecer as outras pessoas, mas não conseguem e vivem sempre presos à elas. O que pode ser feito para a libertação à prisão ao outro?

Saber que está sofrendo não porque a outra pessoa foi embora, mas porque queria que ela continuasse junto de si.

Mostrar a ela que amor vai e vem, que saudade dá e passa. Levar esta pessoa à viver, convidá-la para sair, para passear, para se divertir. Você me diria: ‘mas, é muito difícil conseguir fazer isso quando se está sofrendo’. Sim, é muito difícil, mas com certeza a vida será muito mais difícil enquanto esta pessoa estiver cedendo ao inimigo dela, o individualismo, que está lhe cegando. Que está lhe levando a achar que somente aquela determinada pessoa é importante, que pode leva-la à viver a felicidade.

Este é um tema que podermos tratar com mais profundidade ao longo deste estudo.

Participante: quando cedo aos meus inimigos, quero impor minha vontade aos outros. Estou amando egoisticamente. Por favor, explique mais.

Sim, quando você quer obrigar à sua mãe a arrumar do seu jeito a cozinha que é dela, está sendo egoísta.

Aí vem o que eu falei. São aqueles inimigos agindo dentro de um pensamento que é considerado como bom. Isso acontece porque eles floreiam os pensamentos. Você acredita que está pensando no que é melhor para ela: ‘se ela guardar o copo neste lugar, será melhor para ela’.

Veja, é no momento que você quer que ela guarde o copo num lugar e ela não guarda, que tem uma desarmonia que tem que parar e pensar dentro de si mesmo o que realmente está causando esta desarmonia, ao invés de ficar lutando contra o mundo externo para estabelecer a paz. Desculpe, mas até hoje tenha conseguido mudar o mundo externo para ter a sua paz. Conseguiram sim, dominação, mas como sempre, isso leva a uma revolta que fica no dominado e mais cedo ou mais tarde explodirá. Quando esta revolta explodir, você perderá a paz.

Portanto, mudar o mundo não é garantia de paz para ninguém.

Participante: essa batalha só pode ser realizada comigo mesmo ou pode ser feita pelos outros?

A batalha não é realizada contra você mesmo, mas contra o seu inimigo. É você contra o seu individualismo, sua posse, paixão e desejo, sua intencionalidade, contra suas quatro âncoras.

Estou dizendo que a batalha é contra si mesmo porque os seus inimigos estão dentro, mas não são você. Eles são coisas que estão dentro, no seu íntimo, mas não são você. Reconhecer isso, é o primeiro passo para se libertar.

Achando que você é individualista, que tem que pensar à partir do eu e para favorecer este eu, não conseguirá vencer nada. Por isso, o primeiro passo é dizer a si mesmo que existe algo no seu íntimo que gera pensamentos e lhe faz ser individualista, querer ter posses, paixões e desejos. É contra esse outro algo que tem que lutar; não contra você.

O problema para realizar este trabalho é que vocês imaginam que pensam, mas os pensamentos lhe são dados. Por isso, é preciso saber que aquilo que é conscientizado não foi gerado por você mesmo, mas lhe foi dado por alguma coisa. Esta alguma coisa são os seus inimigos internos contra os quais precisa lutar. Aliás, isso está de acordo com algo que sempre disse: a mente não é egoísta. Ela propõe egoísmo e você se torna um quando aceita o que ela propõe.

Portanto, não lute contra você mesmo, mas contra esse algo que está no seu íntimo, mas que não é você.

Participante: querer obter a paz não é egoísmo?

Querer obter a paz é egoísmo. Quando? Quando a paz alcançada causa desarmonia ao outro.

O egoísmo se caracteriza pelo desequilíbrio. Quando você quer ter a paz, mas não leva esse ensejo para a vida, ou seja, não afeta outros com a sua paz, que dano causou? Nenhum. Não havendo dano ao outro, não desavença, não há desarmonia.

Então, sim, a busca da paz pode ser classificada como um ato egoísta, mas diria que é um egoísmo do bem, vamos dizer assim.

Participante: como lidar com as diferenças na vida permanecendo em paz?

Sabendo que tudo nesta vida é diferente entre si. Respeitando as diferenças. Dando a cada um o direito de ser, estar e fazer o que quiser. É assim que se lida com as diferenças.

Dentro do mundo humano, vocês estão vivendo um processo forte de acabar com o preconceito com relação à cor da pele, contra a opção sexual de cada um. Como está sendo feita esta luta? Com respeito às diferenças entre as pessoas.

Para acabar com o preconceito contra os que são diferentes, é preciso que cada um tenha a sua própria opção, mas que respeite a opção do outro. É preciso que aqueles que gostam de ter relações sexuais com pessoas do sexo diferente tenham respeito por aqueles que gostam de ter com as pessoas do mesmo sexo. É assim que se lida com as diferenças.

Mas, para poder lutar eficazmente contra as diferenças, é preciso entender que as opiniões que tem sobre o assunto não são suas. As ideias sobre as diferenças que aparecem no seu íntimo, são os soldados que os inimigos da paz usam.

Gostando do amarelo, tenha a certeza que não é você que tem este gosto. Essa ideia é apenas um soldado que é usado pelo alto comando dos inimigos da paz. Esta separação é imprescindível, pois enquanto imaginar que é você que gosta, defenderá este ponto de vista e não atacará o seu preconceito.

É assim que se vence as diferenças entre as pessoas.

Participante: a minha dificuldade é que ao deixar de ter verdades e crenças, vou viver as daqueles com quem estou. Não me vem agora nenhum evento para servir de exemplo, mas esta situação tem sido uma constante na minha vida quando estou com outras pessoas. Hoje vou vivendo uma vida tentando estar com as pessoas por conta disso. Poderia falar algo sobre isso?

Posso.

Já falei muito de verdades e sempre disse que é preciso libertar-se delas. Nunca disse que não deve tê-las. Você deve se libertar à força de verdade que é dada às declarações geradas pela mente. Esse é o primeiro ponto.

Segundo: ter verdades não é problema algum para o guerreiro da paz. Isso porque a verdade surge na mente. Não é você que cria ou tem, ela surge na sua mente. Por isso, ter verdade não é problema algum. O problema é querer que os outros tenham a sua verdade.

O problema é querer que o outro abandone a verdade dele e aceite a sua. Esse é o problema, porque nesta forma de proceder está presente o individualismo, a posse, a intenção, a paixão, e com tudo isso presente, você perde a paz.

Portanto, se tem verdades, continue com elas, caminhe com elas, mas retire delas a ação dos inimigos da paz. Fazendo isso, você será uma pessoa com verdades, mas em paz.

Participante: se a própria mente é o exército contrário à paz, quem age pela paz?

Eu não disse que a mente é o exército inimigo da paz. Ela é gerada com essências dos inimigos.

Não é o pensamento – falo assim porque sempre digo que a mente é o próprio pensamento, já que não há uma mente que pense – que é individualista. Ele contém o individualismo embutido nas ideias que expões. Todo pensamento tem uma intencionalidade individualista embutida.

Portanto, a luta pela paz não tem nada a ver com mente, com raciocínio, mas sim com a libertação da intencionalidade individualista que está embutida nas ideias apresentadas pelos pensamentos. Isso porque quando se liberta desta intenção, você tem um pensamento que traz esta intencionalidade embutida, mas você não a usa, porque o pensamento não mais lhe comanda.

É a mesma história que tenho falado sobre egoísmo: a mente não é egoísta, mas propõe egoísmo através de um pensamento e você aceita o egoísmo e o pensamento, a história da ideia. Neste momento, você se torna egoísta e perde a paz.

Por isso, volto a falar: o problema não é o que é pensado, criado, mas sim o individualismo que está embutido junto com o que é criado. Tirando o individualismo, a posse, as paixões e os desejos do que é pensado, sobra apenas o pensamento e ele sem estes elementos não têm força alguma.

Participante: diante do exército inimigo da paz, quais as armas que podemos usar contra eles?

Será isso que estudaremos durante todo esse tempo. Através de cada soldado falaremos das armas para combater.

O guerreiro da paz não tem uma única arma, mas milhares. Praticamente ele tem uma arma para cada soldado que enfrenta.

Participante: nós seres humanos sempre aprendemos a ganhar desde pequeno. Sempre foi essa a nossa educação. É necessário nos reeducarmos?

Em O Livro dos Espíritos, tem uma pergunta sobre infância, muito interessante. Kardec pergunta se em outros mundos existe infância. O Espírito da Verdade responde que sim, mas só que os infantes dos outros mundos não são tão obtusos quanto os da Terra.

Quando comentei essa afirmação, acho que é a pergunta 184, disse que estava se falando de obtuso no sentido da elevação espiritual, no sentido de amar o próximo como a si mesmo, de amar a Deus acima de todas as coisas. É neste sentido que a criança humana pode ser considerada obtusa, porque no resto, não é.

Uma criança de quatro anos neste planeta, já é uma mãe. Ela brinca de casinha com suas bonecas coo se fosse mãe. Já possui responsabilidades de adultos como educar e fazer comida para as suas bonecas. Isso prova que elas não são obtusas.

Agora, isso vocês humanos sabem ensinar às crianças, mas tirá-la da obtusidade espiritual, ou seja, inclui-la em assuntos como amor ao próximo como a si mesmo e a Deus acima de todas as coisas, vocês não fazem. Arrumam a menina e o menino como adultos para irem passear no shopping, mas não arrumam eles interiormente para enfrenta a vida. Para enfrenta a desarmonia que certamente acontecerá ao longo da vida. É por isso que há muito tempo venho propondo uma faculdade de vida.

Essa faculdade tem algumas cadeiras muito importantes. Por exemplo: o aprendizado de perder sem desarmonia. Outras? Ensinar a ter o desprazer, a viver a infâmia e a crítica, sem que isso provoque desarmonia. Enfim, ensinar ao ser humano a libertar-se do seu individualismo que quer sempre ganhar.

Voltando ao que você afirmou na pergunta, digo que vocês foram criados da forma que foram, porque este é o nível evolutivo do planeta. Só que agora está na hora de fazer a sua reforma íntima, a sua mudança interior. Isso acontece em um aspecto: passar a aprender a amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Quando aprender a não ter mais desarmonia com o mundo, você estará praticando estes dois aspectos, pode ter certeza.

Participante: todo ensinamento tem que ser praticado. Devemos dar atenção ao que nos dá prazer e não no que nos dá dor?

Você deve ter atenção no que lhe dá prazer e no que lhe dá dor. Deve ter atenção a tudo. Agora, atenção como? Esse é que é o problema.

Deve ter atenção no seu prazer para descobrir o quanto ele lhe desarmoniza com o mundo. Digo isso, porque para que você tenha prazer, alguém está sofrendo. Não existe alguém que tenha tido um prazer sem que outra pessoa tenha sofrido dentro do mesmo processo. Tudo que acontece neste mundo, ocorre de uma forma dual. Por isso quando alguém está num lado da moeda, há sempre alguém vivendo o outro lado. É isso que você precisa pensar.

Por isso lhe digo: tenha atenção no seu prazer, mas veja que ele está causando uma desarmonia. Aí lute para não se deixar levar pelo prazer, pois assim se harmonizará com o não ter.

Participante: como estar atento para não se deixar surpreender pelos inimigos da paz?

Praticando o que já falei. Cada vez que tiver uma contrariedade, saiba que foi atingido por um inimigo.

Comece o trabalho prestando atenção a esta questão nos momentos de contrariedade que conseguirá fazer alguma coisa.

Participante: a técnica básica da busca da felicidade é dizer à mente que não sabe de nada, ou seja, não acreditando nas histórias propostas. Agora parece que a busca da paz é um pouco diferente. Parece que agora o não sei não se aplica muito bem, ou seja, temos que investigar, perguntar, para saber onde estão os soldados, tenentes e o general que estão nos tirando a paz, achar a raiz do problema. Existe mesmo esta diferença entre a busca da paz e da felicidade, ou entendi errado?

Existe e por isso disse que a paz parece com a felicidade, mas não é.

Encontrar a paz é cum caminho para se viver a felicidade. Isso porque o caminho da paz leva o ser a aprender a viver com harmonia e quando isso é alcançado, a soma deste fator mais a paz leva à felicidade.

Portanto, a felicidade não depende somente de dizer não sei, mas também de se libertar da influência que está junto do pensamento. Aí consegue a paz. Com ela vem a harmonia e aí pode dizer não sei.

Hoje o não sei que vocês usam ainda contém um saber alguma coisa. Por isso estamos completando com este estudo.

Participante: percebo esse algo que me faz querer ganhar. Como combate-lo?

Praticando tudo isso que estamos conversando. Se quiser casos específicos, é só pedir que a partir da próxima semana começaremos a conversar a partir da próxima conversa.

Só mais um detalhe: por favor, sejam mais específicos ao propor os temas. É preciso reconhecer a verdadeira desarmonia. Por exemplo, alguém me pediu para falar sobre problemas com familiares. Desculpe, mas existem milhares de problemas com familiares, diversos tipos, ou seja, diversos soldados que se encaixam neste tema.

É preciso, na hora que pedir para abordar um tema, ser muito específico para que possamos identificar o soldado e após isso falarmos da arma para podermos ataca-lo.

Participante: é possível lutar por outros?

Jamais. Se a paz é algo íntimo, só existe dentro de cada um, você só pode lutar pela sua. Quem quer lutar pela paz do outro, perderá a sua paz, pois entrará em desarmonia quando o outro não estiver em paz.

Aliás, só o fato de achar que o outro não está em harmonia, já se caracteriza numa desarmonia sua.

Participante: exemplo prático: um pessoa entende que você falou com grosseria, mas quem falou não teve esta intenção. Acontece que esta pessoa para de falar com você. Neste caso, simplesmente não liga pelo outro sumir ou tenta uma conversa?

Repare que está falando de atos, ações. Meu problema não é se você vai voltar a procurar esta pessoa ou não, mas sim como vive o fato dela não lhe procurar.

Como está vivendo isso? Está harmonizado com esta situação, está achando ruim, queria que ela falasse, quer mudar a situação? É nestas intencionalidades que estão o problema e não no conversar ou não com ela.

Falar ou não falar é vida e por isso acontecerá como acontecer. Por isso, não se preocupe com estas coisas. Volte para dentro, esqueça o outro. Veja como você está vivenciando o fato do outro falar ou não.

Participante: viver em paz quer dizer viver indiferente com relação às coisas?

Viver em paz é viver em harmonia com as coisas. Se chama esta harmonia como indiferença, essa é a sua forma individual de se referir à ela. Agora, se acha que é estar indiferente, ainda terá uma situação certa, ser indiferente, e com isso não conseguirá harmonizar quando não for indiferente.

Então, cuidado, estar em paz é estar harmonizado com a sua indiferença ou estar harmonizado quando não for indiferente.

Participante: acho que o suposto mal que nos fazem pode nos auxiliar no sentido de não querer repetir com o outro o que nos fizeram, já que entendi que aquilo pode causar dor. Isso é individualismo?

Não, não seria individualismo, pois está pensando no outro. Agora, será que você tem esse pensamento? Será que se preocupa com a dor que pode causar ao outro quando alguém faz você sentir dor? Mais: será que terá esta mesma preocupação com todos, inclusive com aqueles que não gosta?

Desculpa, mas não. A primeira coisa que você se preocupa é em acusar, em criticar, ou em colocar em prática apenas com quem você tem carinho. Aí está egoísmo. Além disso, só por você dizer que alguém lhe fez sentir dor, já está sendo egoísta.

O que você falou parece um ato sublime, mas o que não vê é que por trás deste pensamento não vê que a sua mente está escondendo o egoísmo, o individualismo, um desejo, um querer para o outro, que na verdade é um amor a si mesmo. Sabe porquê? Se não fizer ao outro o mesmo que lhe fizeram, a sua mente vai dizer que você é boazinha. Apareceu a vitória, pois acabou de ser elogiado por si mesmo.

Então, esqueça, olhe apenas para o que a sua mente está falando. Repare apenas no que é dito pelo pensamento e liberte-se de ter aquilo que ele está propondo, pois seja o que for, terá a intencionalidade de alcançar um ganho individual.

 Participante: os inimigos da paz atuam somente quando você está vivendo uma encarnação ou também após o desencarne?

Os inimigos da paz comandados pelo individualismo existe enquanto houver um mundo de provas e expiações.

Por que? Porque esse mundo existe para vencer o individualismo.

Participante: mas, você não respondeu minha pergunta.

Quando o espírito que está vivendo neste plano de encarnações desencarnar acabará o mundo de provas e expiações? Não. Isso só acabará quando este ser conseguir a elevação.

Sendo assim, continua existindo.

Participante: como lidar emocionalmente com a ação dos radicais islâmicos que praticam coisas como decapitação daqueles que não seguem a sua religião, ou pelo menos que não seguem a suas ideias, já que os valores essenciais do islamismo foram distorcidos.

Os valores essências do islamismo foram distorcidos por estes radicais? Não sei. Você sabe? Por causa disso vai sofrer.

Como lidar com eles? Sabendo que eles são assim, que você não pode fazer nada. Melhor, pode sim: se engaje num exército que luta contra eles. Vá lutar no campo de batalha, vá colocar seu corpo no campo de batalha.

Vai fazer isso? Claro que não. No entanto, quer falar contra eles, fazer discursos contrários. Em que o seu discurso vai servir para acabar com estes atos? Em nada. A sua fala contra eles só serve para uma pessoa: você mesmo. Só serve para que os outros lhe elogie, diga que você é uma pessoa engajada na luta pelo bem. Ou seja, só serve para sustentar o seu individualismo.

O que não vê é que você está preso à ideia de que eles precisam deixar de ser como são, mas nenhum discurso de quem quer que seja no mundo inteiro será incapaz de mudar o que eles pensam ou fazem. Aliás, muitos que estão engajados neste radicalismo são seres missionários para gerar a prova dos espíritos encarnados neste planeta.

Participante: dá para dar uma aula sobre hospital espiritual aqui na Terra?

Não. Por que? Porque não existe hospital espiritual aqui na Terra que vocês conheçam que não seja movido pela intencionalidade de curar. Portanto, são hospitais onde o individualismo é muito grande.

Participante: se a minha paz e harmonia incomoda outra pessoa, devo ficar indiferente. Sendo mais específico. Minha harmonia frente aos problemas do dia a dia incomoda pessoas próximas a mim que passam a me julgar como irresponsável e diferente.

Qual a sua contrariedade? Querer que pessoas próximas a você não fossem do jeito que são. Qual a sua desarmonia? Querer que elas fossem diferentes.

Se você diz que busca a harmonia, veja que neste caso específico ainda não está harmonizado. Você, ao invés de se preocupar com a forma como elas recebem a sua vivência, deveria harmonizar-se com elas, ou seja, não querer nem se preocupar com que elas sejam diferentes.

Se a sua harmonia faz com que outras pessoas se desarmonizem, eu preciso me harmonizar com isso. Deixe elas se desarmonizarem-se e nem se preocupe com isso.

Portanto, repare que a sua aparente harmonia ainda contém uma desarmonia: o querer que os outros não se desarmonizem com ela.

Participante: já que concorda que existe uma diferença entre a técnica da busca da felicidade e da paz, será que o que vou propor agora é um bom caminho? Exemplo: começo a perguntar a minha o que gerou aquele conflito que tirou minha paz. Vamos supor que a mente chegou à conclusão que foi uma determinada paixão. Minha mente jura que o problema de ter me desarmonizado foi esse, ou seja, encontrei os malditos militares. A partir de agora tenho que me desapegar dessa ideia de tê-los encontrado?

Não, não tem que se desapegar da ideia de ter encontrado eles. Tem que se desapegar da ação deles.

Participante: Aí não entraria, então, a fala ‘não sei mente’. Você está me propondo que o motivo de eu ter perdido minha paz foi por causa disso, mas eu não sei se isso é real.

Não. Não misture os dois trabalhos.

Liberte-se da desarmonia. Qual é ela? É achar que o mulçumano decapitar o outro está errado. Liberte-se dessa desarmonia, ou seja, desse errado. Decapitar alguém não é certo nem errado. É não sei.

O não sei que já indiquei como caminho para a felicidade anteriormente não deve ser dito ao que é pensado, mas para o soldado que o pensamento está trazendo. Não sei se é certo ou errado; não é não sei se eles fazem isso ou não.

Você sabe que eles decapitam as pessoas. Você viu o filme. Disso não pode duvidar. Agora, precisa não saber se aquele acontecimento é certo ou errado, bonito ou feio, bom ou mal. É esse o trabalho.

O trabalho não é não saber se eles fizeram ou não alguma coisa. Nunca disse que era para mudar a mente.

Participante: esses soldados também são usados para a desconstrução do velho mundo, ou seja, ainda assim eles têm uma função?

Sim, muito do que você descontrói do velho mundo aqui, o mesmo mundo é novamente construído ali na frente. Isso porque o seu mundo sempre está sob a influência do general e dos tenentes do exército inimigo da paz.

Participante: infelizmente esquecemos a fé em Deus e na estrita justiça divina, que são armas poderosas para nossa paz e harmonia interna. Você poderia comentar esse nosso esquecimento?

Posso, não é você que esquece, mas a sua mente que não lhe lembra. Você, como não é lembrado e só exerce a fé quando é lembrado, e, neste caso, não é a verdadeira fé, acaba adquirindo o que o alto comando propõe.

Participante: uma coisa que me faz perder a paz é quando combino algo com alguém ou um grupo de pessoas e a seguir acontece de se abandonar a combinação. A pessoa que faz isso simplesmente dá uma de desentendida, de ignorância com relação a tudo que tínhamos acertado. No fim das contas, o que pega mesmo é a pessoa se fingir de besta com fatos que acontecem no serviço. Pode comentar?

Pois é, isso lhe desarmoniza, mas faz parte da vida. Portanto, não está desarmonizado com isso especificamente, mas com a vida como um todo.

O que precisa é saber que existe gente que marca e depois desmarca e que se faz de desentendida com relação a isso. Isso faz parte da vida, do mundo. Isso é realidade. Você não é o único que passa por esta situação.

Porque alguns que também vivem isso e se harmonizam, ou melhor, essas coisas não afetam tão profundamente, e você não consegue, se desarmoniza sempre? Porque você quer que os outros cumpram as suas palavras. Em linguagem que estamos usando neste estudo, repare que ainda quer ditar o que eles têm que fazer. Você está sendo um déspota, alguém que quer comandar a vida.

É esse o trabalho: buscar dentro de você o que lhe faz cobrar dos outros. O que não vê é que quando cobra dos outros que mantenham o que foi compromissado, não lembra que também está esquecendo o que se comprometeu: o amor a todos e a tudo.

 Participante: se estiver errado, gostaria da sua correção. Em todos os ensinamentos seus que tive acesso, o senhor nos fala simplesmente em amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Se nos universalizarmos veremos a vida inteira como uma teia e em cada acontecimento um ponto dessa teia. Tudo funcionando como um relógio que não atrasa e nem adianta. Nesta teia não há pontas soltas e nossa dificuldade está em encontrar estas pontas.

O problema é exatamente esse. A vida é do jeito que você descreveu, mas como vocês não veem ela dessa forma, vivem em desarmonia.

Tudo é harmonizado no universo. Tudo está na perfeita ordem. O mulçumano não decapitou ninguém que não precisava e merecia essa morte. Quem faz o incesto em família, não o fez com ninguém que precisava e merecia esse ato.

A desarmonia que vivem é exatamente porque não veem o universo organizado, harmonizado, dentro da lei da justiça de Deus, a Causa Primária de todas as coisas.

Participante: uma vez ouvi do senhor que a prática dos ensinamentos não permitirá o fim do sofrimento por causa das vicissitudes. Se fosse possível, gostaria de ouvir do senhor como passar por este sofrimento com maior dignidade.

Diga a si mesmo: ‘estou sofrendo, e daí? O que posso fazer? Chorar, me descabelar, fazer pirraça? De que vai adiantar isso? Eu tenho que passar por isso de qualquer maneira. Pelo menos vou passar com dignidade’. Só isso.

Participante: provar que amamos a Deus acima de todas as coisas; explique isso, por gentileza.

Quem ama Deus acima de todas as coisas ama tudo, pois Deus é tudo e tudo é Ele. Quando você ama as coisas dependendo do que você quer, entre em desarmonia com o mundo, que é o próprio Deus. Como pode amar, se está desarmonizado.

Portanto, a harmonia com a vida, com o mundo, é a prova de que está amando a Deus.

Participante: se alcançasse a paz por não achar certo ou errado o que acontece, não estaria sendo omissa? Devemos sempre nos omitir?

Não, não deve se omitir. Ao contrário, deve ter sempre uma posição sobre as coisas: a de harmonia com o que está acontecendo, pouco importando se você gosta ou acha certo. Para isso é preciso abandonar o que acha certo e errado.

Certo e errado são soldados que vamos estar falando neste trabalho.

Participante: abandonei tantos rótulos, mas eles ainda rondam a minha vida me perturbando.

Porque na verdade não abandonou nenhum: trocou por outros.

Na verdade, ainda hoje você vive a vida a partir de rótulos. Por exemplo, se abanou o rótulo de que é bonito rezar, entrou numa de que não é preciso rezar. Com isso criou um novo rótulo para a oração.

A harmonia não está no rezar ou não, mas em harmonizar-se com a sua reza, quando ela acontecer, e com a não reza, quando esse for o seu agora.

Participante: no fim das contas, qual a diferença entre sofrer sem sofrer e sofrer se descabelando? De qualquer maneira não estaremos sofrendo?

Não, o sofrer se descabelando tem embutido em si uma intencionalidade: a de não sofrer.

Sempre que há uma intencionalidade, há um individualismo, um egoísmo, uma vontade individual. Por causa desta intencionalidade há um afastamento de Deus. Por isso não há evolução espiritual.

Quando você se harmoniza com as coisas ou diz que está sofrendo mesmo, mas que se dane o mundo, está em harmonia com a vontade universal. Neste caso, não é individualista e por isso pode ser considerada perto de Deus.

Participante: como poderia estar certo decapitar outro ser humano? Um dos mandamentos não é não matarás?

Sim, mas Cristo veio não para mudar a lei, mas para dar a ela um novo sentido. Este sentido é o amar. Portanto, a lei existe e diz que não deve se matar, mas Cristo complementou com um novo sentido o que nos leva a amar aquele que ama.

Este é o ensinamento de Cristo. O problema é que há os que servem a lei ao pé da letra e acabam não seguindo o mandamento de Cristo. Digo isso porque amam quem não mata, mas não amam quem matam. Quando vivem assim, quebraram o primeiro e o maior mandamento ao qual devem se entregar de corpo, alma e espírito, segundo o mestre.

 Participante: se a mediunidade não traz a elevação nem a paz, devemos exercê-la mesmo assim?

Quem disse que a mediunidade não traz a elevação nem a paz? O que acaba com a sua paz e a elevação é o desejo de ter ou não atividade mediúnica e não ela própria.

Por isso não sei se você deve exercê-la ou não. Se achar que deve, quando não tiver, se desarmonizará; quando fizer, estará desarmonizado também, porque estará em glória individual. Portanto, mesmo achando que a mediunidade não traz, faça, quando fizer a atividade. Harmonize-se com a mediunidade que tem quando usá-la e da mesma forma harmonize-se com ela quando não usar.

Por isso afirmo que não sou eu que devo responder se deve utilizá-la ou não. Só digo que sim ou não, sofrerá e perderá a paz em algum momento.

Guerreiros da paz - Textos

Um esclarecimento

Vamos falar sobre este tema, mas antes quero falar algo que ainda não tinha dito. Quando se combate em prol da paz, quanto mais específico for com relação a batalha que for travar, mais fácil é de vencer. Quanto mais especificamente puder detalhar um acontecimento da vida para ser enfrentado, mais facilmente obterá a vitória.

Por exemplo, neste momento me pedem para falar sobre as relações familiares. Esse é um tema abrangente porque família é algo muito abrangente. A questão família pode ser interpretada de diversas formas, sob diversos ângulos e aspectos. Pode ser diferenciada na questão de quem participa dela e em que aspecto da relação quer se analisar. Quando estas questões não são trazidas à luz antes da análise, fica mais difícil se conseguir dominar os inimigos.

Por isso, lhes oriento: na hora do dia a dia quando forem tentar guerrear pela sua paz, é preciso pormenorizar o acontecimento que está sendo alvo da análise. Se não fizer isso, o seu inimigo pode estar agindo de uma forma que você não esteja observando e com isso não estará enfrentando o verdadeiro perigo.

Agora podemos começar a falar do tema relações familiares.

Guerreiros da paz - Textos

Obrigações e compromissos familiares

Como disse no início, o tema está muito abrangente. Por isso precisamos começar definindo o que iremos falar sobre relações familiares.

É preciso que definamos o que vamos tratar como famílias, porque este assunto é muito complexo. Para alguns família remonta aos ancestrais, mesmo aqueles que não foram conhecidos, enquanto que outros não consideram aqueles que não tiveram contato como pertencente ao grupo familiar. Para outros, a família engloba tios, tias, primos, sobrinhos. Para outros estes elementos são só agregados e não membros do seio familiar.

Tanto um quanto o outro grupo para nós é prejudicial neste trabalho. Se considerarmos a família com muitos elementos, a estenderemos e com isso fica difícil se enfrentar os inimigos para se ter a paz. Para fazer este trabalho é preciso pormenorizar os acontecimentos.

Por isso, vou falar hoje da família como apenas o núcleo familiar: par, mãe e filhos. Este núcleo é que constitui para este nosso estudo uma família.

Vamos, então, falar das relações entre pais e filhos e vice versa, mas mesmo reduzindo como fizemos, ainda não vou poder entrar em detalhes, pois cada uma destas relações e cada momento delas precisa ser analisada separadamente para que se consiga vencer os inimigos da paz.

O que é uma família, o que é o núcleo familiar. Este é o primeiro ponto que você precisa pensar para poder manter-se em paz nas relações familiares. Será que são pessoas que se aproximam e criam uma família? É só olhar os conhecimentos trazidos pela biologia que verá que não é bem isso.

Me diga uma coisa: você pediu para nascer na família que nasceu? Tenho certeza que não. Você, pelo conhecimento científico, é o resultado do encontro de um espermatozoide determinado com um óvulo. Se fosse outro, não seria você que nasceria nesta família.

Por isso, para fins de se alcançar a paz, a primeira coisa que precisamos entender é que a família não é constituída por um vínculo material. As pessoas não escolheram fazer parte do núcleo familiar que fazem. Elas foram mais ou menos jogadas neste núcleo.

Ninguém pediu para nascer na família que nasceu, por isso o vínculo familiar, pelo aspecto humano, é algo fictício. Este é o primeiro elemento que você precisa trazer para a sua realidade para poder combater os inimigos da paz quando eles se utilizarem da posse, da paixão, dos desejos, das quatro âncoras e do individualismo durante as relações com os membros desta família.

Porque estou dizendo isso? Porque tem muita gente que imagina que deve – não vou falar favores – mas obrigações para os demais membros do núcleo familiar. Acha que deve satisfação, que tem compromissos com aquelas pessoa, mas o ser humano não tem compromisso nenhum com qualquer membro da sua família, porque não escolheu nascer lá.

A sua família foi constituída, mesmo humanamente falando, a partir de acasos, se eles houvessem. Porque, então, você teria obrigações ou compromissos com essas pessoas?

Compreender isso é importante porque a maioria das perturbações nas relações familiares surgem justamente porque vocês acham que têm responsabilidades, compromissos e obrigações com os demais membros deste núcleo. Este é o primeiro aspecto que quero abordar.

Vocês sabem, por exemplo porque uma pessoa cobra que uma mãe seja mais carinhosa? Porque ela acha que toda mãe tem obrigação de dar carinho e não tem. Sabem porque uma mãe sofre por causa de um filho ou filha? Porque acha que eles têm obrigações com ela e não têm.

Se você mantém a ideia deste núcleo familiar como uma relação onde há responsabilidades, obrigações e compromissos, não terá paz. Porque? Porque a mesma coisa que quer obrigar o outro a ter, você não tem. Mais: vai se obrigar a algumas coisas que não quer dar ou fazer.

Toda guerra – e volto a repetir que estou falando a nível humano - entre membros familiares surge porque as pessoas imaginam que por constituírem um núcleo familiar têm obrigações. Digo isso porque o individualismo de cada ser humano se aproveita disso e não faz o que o outro quer. Surge da ideia que possui de que os membros da família são obrigados a agir do jeito que você quer.

Esse é o primeiro aspecto. Portanto, se você sofre numa relação familiar, se perde a sua paz por causa de uma relação neste núcleo, é preciso que fale para si mesmo: ‘eu não tenho obrigação com este núcleo e nem ele tem comigo. Se a minha mãe me dá carinho, ótimo; se ela não faz isso, eu não posso exigir, em nome da maternidade, que ela me dê. Se a minha mãe é uma pessoa ditatorial, eu não posso, em nome dos conceitos do núcleo familiar, exigir que ela seja diferente’.

Aprender a viver em paz com os outros é aprender a se harmonizar com eles. Essa harmonia, como já conversamos, surge quando você mata dentro de si alguma coisa e não através da mudança dos outros.

Guerreiros da paz - Textos

Vida familiar do espiritualista

Há mais um detalhe que queria falar neste momento. Ele é específico para os espiritualistas.

Deixe-me dizer uma coisa: tudo na vida tem um custo. Na vida, em tudo, é preciso que você faça alguma coisa em troca de outra. Isso é algo que tenho repetido e agora vou falar novamente.

Todos que estão aqui dizem – e se não dissessem não estariam – que estão buscando o espiritualismo, a espiritualidade, a elevação espiritual. Essa busca tem um custo. Qual é? Viver de acordo com o padrão de quem busca a felicidade, a elevação espiritual, a espiritualidade.

O que mais se vê hoje, e o que mais se viu sempre, são espiritualistas que leem, ouvem, assistem filmes, com informações sobre o trabalho do espiritualismo e quando acabam de entrar em contato com aquela informação viram para o lado e continuam vivendo do mesmo jeito. Isso não dá certo.

Como Cristo ensinou, não se serve dois senhores ao mesmo tempo. Não há como você querer viver na roda espiritualista e depois querer viver a vida material como aqueles que não fazem esta busca. Tudo o que se ensina a partir da visão espiritualista deve passar a fazer parte do dia do espiritualista. Deve passar a fazer parte da compreensão que ele tem sobre as coisas deste mundo.

Ah, esqueci, vocês têm uma boa desculpa para isso: a mente não faz. Só que ela nunca fará; é preciso que você faça. A mente sabe das informações que vocês já receberam, mas elas não as usará nos acontecimentos da vida. É preciso que você a lembre constantemente disso.

Estou falando isso porque é exatamente esta falta do colocar em prática o que foi aprendido, de mudar a compreensão das coisas da vida, que leva as pessoas espiritualistas a terem problemas com relações familiares. São pessoas que dizem que estão buscando a elevação espiritual, mas querem viver a vida do núcleo familiar pelos valores humanos e não se atentam a nenhuma das informações do mundo espiritual neste momento.

Aquele que sabe que era antes de ser, aquele que antes de encarnar era um espírito e que veio para esta vida para fazer provas, não tem como viver as relações de um núcleo familiar da mesma forma que vive aquele que não sabe disso. Quem sabe que era antes de ser, sabe que está em provas e que todos os seus companheiros diretos de jornada estão ali para lhe proporcionar a oportunidade de fazê-las.

Aplique agora esta visão que foi ensinada pelos mestres ao seu núcleo familiar. Se fizer isso, descobre que as pessoas com as quais se relaciona dentro deste núcleo são companheiros de encarnação e não pai, mãe ou irmão. Saberá que ele está ali para exercer uma atividade, que é uma missão, para através dela lhe gerar a oportunidade de gerar as suas provações.

Veja como as coisas mudaram. Não é a sua mãe que não lhe dá carinho ou que é autoritária. É um espírito que é desse jeito para que cale em si mesmo o seu individualismo, aquilo que quer que ela seja ou faça.

É isso que você precisa conversar com sua mente na hora que ela vem e lhe diz que não tem paz porque a sua mãe é do jeito que é, porque ela não lhe dá paz. Você precisa dizer a ela que a sua mãe não está ali para lhe dar a paz, mas para trazer a espada para que você mate dentro de si algo e com isso possa conquistar a elevação espiritual.

Precisa dizer à sua mente que aquela pessoa com a qual se relaciona no núcleo familiar é um espírito em missão que está provocando em você uma determinada posse, paixão e desejo, para que possa fazer o seu trabalho de reforma. É isso que eu diria que está faltando na maioria de todos os conflitos que vivem: colocar a verdade espiritual, já que diz que acredita nela.

Vocês passam o dia inteiro lendo sobre despossuir, sobre o mundo terrestre ser uma fantasia criada pelos seus cinco agregados, mas chega na hora que um membro do seu núcleo familiar briga, você faz beicinho.

Você reclama dessas pessoas. Onde, então, foi parar a sua ideia de despossuir? Onde foi parar a sua ideia de que este mundo é maya?

Este é o trabalho pela paz. Primeiramente trata-se de observar dentro dos seus pensamentos a presença da posse, o desejo de controlar a todos e a tudo, a paixão, as coisas que gosta e não gosta, e os desejos, a vontade de que o mundo seja de acordo com suas verdades. Depois disso deve argumentar com a mente que você acredita que deve silenciar essas coisas dentro de si mesmo. Como fazer isso? Usando os diversos argumentos que aprendeu nos livros.

Os ensinamentos são muitos porque para cada caso, para cada situação específica da sua vida, é necessário haver argumentos diferentes. Apesar disso, a certeza de que é espírito e está buscando aproveitar esta vida para a promoção da elevação espiritual, é um argumento que vale para todos os momentos, seja em família, amizade, trabalho ou qualquer outro do mundo humano.

Quando a mente cria as suas realidades e os argumentos, é a hora que deve usar aquilo que diz que acredita, que diz que é muito bonita. Sim, os ensinamentos são bonitos, mas se eles não chegam à prática da vida, se não chegam onde devem chegar, se não atacam o que devem atacar, de que adianta tê-los?

É isso que é o trabalho da paz e será o que faremos nesta série de conversas. Conversaremos dando motivo para que você possa conversar com a sua mente e possa, assim, libertar-se da posse, da paixão, do desejo, do individualismo e das quatro âncoras.

Guerreiros da paz - Textos

O incômodo causado pela ação do outro

Participante: quem propôs o tema fui eu. O que queria era falar sobre os limites da relação entre os membros de uma família. Embora eu saiba que tudo é Deus, ou melhor, procuro saber, no meu caso as fronteiras da relação são um tanto frágeis no sentido de que, por exemplo, uma mãe acredita que tem e deve ter controle sobre todos os membros da família. Isso me incomoda bastante e creio que as minhas maiores provas estejam relacionadas a este tema. Não consigo ficar em paz quando isso acontece. Sinto-me presa emocionalmente.

O incômodo é exatamente o detalhamento que estava falando. Isso porque este incômodo vai lhe mostrar a sua posse.

O que lhe incomoda? A sua mãe querer estabelecer limites para todos, não só para você. Está certo, isso lhe incomoda, mas porque faz isso? Porque acha que ela não deveria ser assim.

Ora, você acabou de achar o seu inimigo. O soldado que lhe tira a paz é a sua paixão e a posse pela forma contrária a que sua mãe age. É aí que precisa trabalhar. É a isso que precisa responder.

Como fazer isso? Primeiro sabendo que não é a sua mãe que quer ser assim. Não é ela que escolheu ser assim. Ela é desse jeito porque o núcleo familiar ao qual pertence precisa dessa prova. Porque? Porque os seus membros são espíritos que têm essa possessão dentro de si.

O caminho é sempre esse: encontrar o que lhe incomoda, o que lhe tira a paz. Para que? Para encontrar o que queria. Para que? Para usar argumentos que destruam aquela pretensão.

A sua mãe, para você que é espiritualista, deve ter todo o direito de ser do jeito que é, porque você acredita em encarnação, em provas e, como está na pergunta 132 de O Livros dos espíritos, acredita que um espírito toma um corpo para aqui, sob as ordens de Deus, contribuir para a obra geral.

Por causa dessa crença, você tem que dar a ele todo o direito de ser do jeito que é. Mais: você deve entender que ela tem obrigação de ser assim. Se ela não fosse, você não teria a oportunidade de libertar-se dessa paixão, posse e desejo. Não se libertaria do seu individualismo.

É esse o trabalho que precisa ter com a mente. É essa discussão que lhe leva a paz. É por causa dela que o nome desta conversa é ser um guerreiro da paz.

Aquele que quer viver em paz precisa guerrear com a mente. Não para derrota-la, não pra matá-la, porque isso é impossível, mas para vencer batalhas. Essa guerra é exatamente o que estamos conversando: expor a si mesmo a realidade do mundo e conversar com a mente para retirar a paixão, a posse, o desejo, o individualismo que está presente nas formações mentais.

É isso que você precisa fazer. Agora, não pense que por causa dessa sua disposição para lutar essas batalhas conseguirá silenciar a mente para sempre. Tenha a certeza que amanhã ela voltará ao ataque, novamente usará os soldados do inimigo da paz. Neste momento há uma nova batalha a ser vivida. É uma nova hora onde deve silenciar o que a mente diz com este ou com outro argumento.

Este é o trabalho pela paz. Ter paz dá trabalho. Estar em paz é resultado do fruto de um trabalho. É isso que vocês precisam entender. Portanto, é sempre necessário encontrar argumentos que destruam aqueles que estão sendo usados para lhe causar incômodo.

No seu caso específico, a mente está usando o argumento que ela não devia ser do jeito que é. Para combate-lo é preciso que você diga a ela que sua mãe deveria, que tem todo o direito e obrigação de ser, porque se não fosse assim, você não teria a sua prova.

É desta forma que você precisa lutar para poder alcançar a sua paz.

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Traumas

Participante: A resposta é tão clara e tão simples: a gente só precisa amar. Mas, no momento do embate e mesmo depois dele, os ensinamentos parecem evaporar. Não sei o que o senhor acha, mas creio que no meu caso há mágoas aparentemente bobas carregadas desde a primeira infância, enraizadas e escondidas atrás do general e do tenente deste exército que luta contra a paz. São armas da mente. A resposta é sempre amar, mas como amar sempre?

A resposta não é amar. Como já disse diversas vezes. Vocês não sabem amar, não sabem o que é amar.

Apesar disso, tenho a certeza que sabe o que é não amor. Então, ao invés de buscar amar, combata o não amar. Quando fizer isso o amor surgirá espontaneamente.

Você me diz que a resposta é amar, mas é impossível ao ser humano amar de verdade. Por isso é impossível que você ame a sua mãe, pois não sabe o que é o amor.

Sendo assim, tem que combater o que não é amor no relacionamento com ela. É sobre isso que estamos falando.

Para amá-la tem que destruir tudo que é não amor dentro de você com relação a ela. Não uma destruição eterna, mas a cada batalha.

Segundo detalhe. Você fala em traumas. Este é um ponto fundamental na busca da paz. O trauma não está escondido atrás do general nem do tente, mas é a arma que eles usam contra a sua paz.

Eles dizem assim: veja o que ela já fez. Repare no quanto lhe custou a forma dela agir. Veja tudo de mal que ela já lhe causou. Os traumas são, portanto, uma arma que eles usam para que você entre em conluio com eles. Para que aceite a ideia de que ela está errada, que deve se mudar, que tudo está errado.

Esses traumas ou informações de coisas que passaram existem exatamente para lhe dar razões para que aceite a perda da paz. Quem nunca passou por determinadas situações com uma pessoa no passado e hoje, quando a situação está ficando boa e parece que todo o passado foi apagado, que tudo foi esquecido, vem a mente e traz tudo de volta acabando com a paz e a tranquilidade daquele momento?

Isso acontece exatamente porque o trabalho da mente é lhe propor algo que faça com que perca a paz. Ela consegue isso quando você se prende aos traumas, a lembrança de acontecimentos passados, que ela lhe dá hoje.

Como disse, ninguém lhe rouba a paz; é você que as perde. As perde porque aceita os argumentos que a mente gera.

Portanto, não se preocupe com a questão dos traumas. Saiba que eles são criações mentais para lhe roubar a paz. Até porque, neste período de convivência com ela, certamente você também a feriu e deixou marcas indeléveis. Além disso, você já estudou, já recebeu a informação de que o passado já passou, não existe mais. Esse é um grande argumento que pode usar quando a sua mente usar a questão dos traumas de acontecimentos passados.

Tem outro, quer? Quando ela vier lhe mostrando o que perdeu no passado por conta da ação de sua mãe, diga: ‘não sei se perdi alguma coisa. Eu estou em busca da elevação espiritual, de viver feliz realmente, por isso não quero ganhar nada. Se não quero ganhar nada, nada tenho e dessa forma nada posso perder’.

Veja nesta ação mental, que acontece com muitas pessoas em muitos casos, as quatro âncoras agindo: a vontade de ganhar e o medo de perder. Como você sabe que apegar-se a elas não lhe deixa chegar à felicidade, reconheça que a sua mente as está usando e não aceite o que ela diz a partir desta utilização.

São estas coisas que você precisa ver, mas para fazer isso precisa sair do personagem, ou seja, precisa se separar em dois, alcançar a dupla personalidade. Só fazendo isso pode saber que tudo o que a mente cria pertence ao personagem humano que hoje está ligado.

Quando você se separa em dois pode compreender uma coisa: os argumentos que a mente usa para lhe roubar a paz pertencem à sua natureza humana. Todos os traumas que imagina possui não são seus, mas da sua natureza humana. E, como Paulo diz, seguir a natureza humana é ir contra Deus.

Porque o apóstolo fala isso? Porque a natureza humana é contrária à natureza de Deus.

Assumir a dupla personalidade: esse é o trabalho fundamental que precisa ser feito antes de se jogar na batalha pela paz. Você só vai conseguir se libertar dos seus inimigos na hora que separar o você humano do espiritual. Não tem como fazer este trabalho sem isso.

Porque não dá para fazer nada sem esta separação? Porque na pergunta que você me fez estavam presentes a vontade de ganhar e o medo de perder, a vontade do prazer e o medo do desprazer, a vontade da fama e o mesmo da infâmia, a vontade do elogio e o medo da crítica embutido e você não vê essas coisas lá. Imagina que seu raciocínio foi perfeito.

Porque não vê a presença das quatro âncoras no seu pensamento? Porque ainda acha que tudo o que a sua mente lhe diz aconteceu com você, que tudo aquilo pertence a você, o espírito. Como não separou o que é humano do que é espiritual, a mente usa do argumento que tudo aquilo aconteceu com você e lhe incita a reagir agora para não acontecer novamente.

Então, é preciso o trabalho de separar-se da natureza humana, senão a mente usará armas, que você chamou de traumas, lembranças de coisas que passaram, para fazer com que perca a sua paz.

Participante: como lidar com os filhos frente a dificuldade de lidar com a separação dos pais?

Não há como lidar com isso.

Deixe-me dizer uma coisa. Traumas precisam ser criados. Foi o que disse a quem me falou dos traumas que agem nos momentos da vida.

Por que os traumas precisam ser criados? Para que num determinado momento cada um tenha a sua prova e ela será gerada a partir do trauma.

Por isso não há muito como lidar com os filhos nessa hora. O que é preciso saber é que se os pais se separaram e se esse evento de alguma forma traumatizou os filhos – com certeza a grande maioria destes eventos causam traumas – isso foi necessário para que estes espíritos, no futuro, tenham as suas provas.

Sendo assim, eu diria que em atos, se vive essa situação, tentasse suprir as carências deles, ao invés de querer acabar com os traumas deles. Supra carências e deixe cada um ter seus traumas, porque jamais conseguirá acabar com eles.

Guerreiros da paz - Textos

Obrigação

Participante: meu pai passou para os meus irmãos a ideia de que por ter sido o mais bem sucedido entre eles tenho a obrigação de ajuda-los financeiramente. O que posso fazer para me harmonizar com eles se temos um negócio em comum e a ideia transferida para eles é irrevogável?

Primeira coisa que tem que fazer para estar em paz: não culpar seu pai de nada.

Veja que você está jogando uma culpa no seu pai que ele não tem. Como disse ele é um espírito gerando suas provas. Portanto, não fez nada errado. Ele gerou a sua prova. Este é o primeiro detalhe.

Segundo: não se sinta obrigado a nada. Não é porque o seu pai disse que é o responsável por eles ou porque eles acham isso, que você seja o responsável, que você seja obrigado a assumir essa responsabilidade.

Dar ajuda, prestar a ajuda a eles ou não, isso é ato, é material, isso pouco importa aqui. O importante é estar em paz com qualquer ação que aconteça.

Se você se sente obrigado quando dá está cumprindo uma obrigação. Por isso, não tem paz, pois tudo que se faz obrigatoriamente não traz esta sensação. Se não dá, se cobrará, porque eles acham e seu pai disse que era obrigado.

Portanto, o problema não é dar ou não o auxílio, mas sim como você vive o dar ou não. Pelo que vejo, a sua vivência tem sido sem paz. Você só conseguirá acabar com esta vivência quando eliminar de dentro de si mesmo a obrigação que acha que tem.

‘Ah, Joaquim, se eu não ajudar eles podem passar necessidade’. E daí? Isso faz parte da vida; uns passam necessidade e outros não. Por causa disso lhe afirmo: você pode ajudar, mas não pode achar que deve, mesmo que ao fazer isso os leve a passar necessidades.

Sendo assim, o seu trabalho tem que ser no sentido de parar de culpar o seu pai e achar que seus irmãos são assim porque o seu pai disse qualquer coisa. Não, tudo isso foi montado para a sua provação. Qual é ela? A questão da obrigação, do sentir-se obrigado.

Você não é obrigado a nada. Aliás, nada neste mundo é universal, ou seja, nada é sempre obrigatório e por isso terá que acontecer sempre.

Portanto, esqueça a questão da obrigação e viva a vida que tiver. Quando ajudar, ajudou, quando não ajudar, não ajudou. Neste momento terá paz.

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A atitude dos outros

Participante: se não gosto de atitudes de minha mãe, pai, sogro ou sogra é porque elas são necessárias acontecer comigo para saber amá-los? Só o fato de me manter neutro não deixando a atitude deles atingir meu coração estou amando?

 Se você não gosta de uma atitude de seus familiares, é porque ainda acha que eles deveriam ter outra.

Veja, se eu tenho uma mãe dominadora e não gosto das atitudes dela de dominar é sinal de que queria que ela não dominasse. A ação de alguém só nos causará alguma coisa se formos contrários a ela.

Por isso, não gostar do que qualquer pessoa faça é sinal de que quer que ela seja diferente. O que é isso? Individualismo. O que é isso? Possessão, você quer dominar os outros.

Para esta forma de ser temos uma saída muito interessante. Vou falar dela.

Vocês acreditam que todos os seres humanos possuem o livre arbítrio. Mais: que esse livre arbítrio é concedido por Deus. O que quer dizer ter o livre arbítrio? É ter a liberdade de escolha, de opção.

Quando você diz que alguém está agindo errado, está querendo castrar o livre arbítrio dele. Veja, Deus deu a ele a liberdade de ser, estar e fazer, mas você quer castrá-lo. Quer que ele aja do jeito que quer. Acha que isso é uma atitude amorosa?

‘Ah, mas Joaquim, se fizer do meu jeito será melhor para ele’. Tem certeza de você possui a capacidade de dizer o que é melhor para os outros? Isso para mim não é amor, mas prepotência. Cada um gosta de uma coisa. Como você pode imaginar que tem o poder de dizer o que é melhor para o outro?

Então, não importa qual seja a atitude, ela é fruto de um livre arbítrio – estou falando pelo lado humano, se for pelo espiritual é fruto de uma programação de vida do espírito – e você precisa dizer isso para si mesmo quando os inimigos vierem atacar a sua paz acusando os outros de terem feito errado. Precisa dizer a si mesmo: ‘ora bolas, eles têm o livre arbítrio, têm o direito de fazer, ser e estarem do jeito que quiserem. Quem sou eu para julgar a livre opção de cada um’?

São esses argumentos, essa conversa que é preciso ter com a mente para se conseguir a paz.

Guerreiros da paz - Textos

Libertar-se dos ensinamentos

Participante: o sofrimento vivenciado em relações familiares é proposto pela mente. Você disse que para nos libertarmos desse sofrimento é fundamental sabermos que ele ocorre porque acreditamos nos pensamentos e que devemos estar consciente de sermos espíritos.

Antes que você continue a sua pergunta ...

Não é porque acredite no pensamento, mas porque você acredita no enredo dele. ou seja, se o pensamento diz que algo está errado, não que acredite que aquilo está errado, mas porque acredita que possa existir alguma coisa errada. É isso que digo.

Participante: continuando. Devemos estar conscientes de que somos espíritos, que a vida humana é passageira, que encarnamos para fazer provas, que existe um Deus que é Amor Sublime, Justiça Perfeita e Causa Primária de todas as coisas, etc. Contudo, usando esse método de me libertar de pensamentos também me ocorre às vezes que preciso me libertar dessas ideias espiritualistas que me sustentam na busca espiritual. Pode não existir Deus, vida após a morte, coisa nenhuma. É como se o método de libertação pudesse destruir a si próprio.

Sim, mas não só isso.

Saiba que todo argumento que um dia usar contra a mente, futuramente será usado contra você. O que estou querendo dizer é que a mente sempre transformará o que você ouvir e falar numa verdade. Para que? Para dar mais força de real a uma ideia.

Então, sim, um dia terá que se libertar também dos argumentos que está usando agora, mas, por favor, vamos caminhar devagar. Se hoje conseguir se relacionar com seu pai, sua mãe e seus irmãos de uma forma harmônica usando esses argumentos, alguma coisa já melhorou. Deixe para depois os questionamentos a respeito dos argumentos que utiliza agora.

Vamos com calma. Você tem sete mil anos para retirar tudo o que falou.

Guerreiros da paz - Textos

Relações com os filhos

Participante: por mais que tenhamos este conhecimento, quando se trata de filho é muito mais difícil. Não deixamos de cobrar deles como de nós mesmos. Temos que estar sempre atentos. Assim acabamos por não deixa fluir a vida naturalmente com espontaneidade.

Não, o problema não quando você tem filhos. O problema é quando você se torna mãe.

Esse é que é o problema. Quando isso acontecer, não conseguirá se sentir diferente de todas as mães. Irá querer ter toda atenção e dedicação que todas elas têm, porque se considera uma.

É este trabalho que precisa começar a fazer: o de não ser mãe. Precisa compreender que você foi apenas uma parideira, apenas colocou aquela massa no mundo. Apesar disso, aquilo não é seu filho e você não é mãe.

Como disse antes, não dá para servir dois senhores ao mesmo tempo; não dá para querer ser espiritualista, querer a elevação espiritual, a felicidade e a paz e ao mesmo tempo querer ser mãe. Sempre uma coisa entrará em combate com a outra.

Portanto, o trabalho para se ter a paz nesse caso específico é trabalhar a sua postura frente a vida. Você ainda está deixando a sua natureza humana, ou seja, o fato de achar que é mãe, que gerou, que deu a vida e por isso é obrigada a cuidar e criar, lhe dominar. Aí haverá conflito sempre, porque desde que o mundo é mundo, o filho é sempre um rebelde com relação aos pais.

Por isso, digo que o trabalho quando você está desempenhando o papel de mãe ou de pai ou de guardador, protetor, é se libertar dessa posição. É o que já disse: libertar-se da ideia da obrigação.

Para você, mãe é obrigada a fazer isso, aquilo e aquilo outro. Não, mãe não é obrigada a fazer nada. A vida fará.

Só mais um detalhe que você me lembrou. Um dia uma moça me disse: como faço para criar minha filha que é adolescente? Eu disse a ela: lembra tudo o que queria ter no tempo em que era adolescente e sua mãe não lhe deixava fazer? Pois então, deixe sua filha fazer hoje. Ela me respondeu: não posso, agora sou mãe.

Eu disse, então: esse é que é o problema. Quando era jovem brigava com sua mãe querendo algo que era o melhor para si. Hoje você é mãe e briga coma a sua filha castrando o que é melhor para ela. Faz isso buscando o que hoje é melhor para você.

Melhor para você sempre: não acha que isso é individualismo?

Participante: fale um pouco como viver em paz na relação com os filhos.

Aceitando que eles são seus filhos e não você. Aceitando que são personalidades diferentes da sua e que possuem desejos e vontades diferentes. E aceitando que você mesmo tendo dado luz, não é dona deles.

Aceitando que mesmo estando na posição de mãe eles não são seus, não são suas propriedades que faz o que quer. Respeitar o direito deles, respeitar o livre arbítrio deles.

Essa é a única forma que uma mãe pode ter paz com seus filhos. Todo momento que você cobrar alguma coisa deles, quem perderá a paz é você.

Participante: um filho menor que não quer ir mais para a escola. Como conviver em paz com isso?

Sabendo que esse é o futuro dele. Deixe ele não ir. Mas, mais do que isso: retire dele tudo que não terá porque não vai a escola?

Está disposta a fazer esse sacrifício ou irá tirá-lo da escola e lhe dará tudo de bom e bonito?

Participante: vou falar de uma experiência ocorrida comigo. Minha filha quis fazer uma tatuagem e de início fui contra. Depois raciocinei que era o corpo dela e seria de responsabilidade dela fazer isso. Só poderia apontar as consequências de tal atitude e que seria de inteira responsabilidade dela as consequências. Estou certo?

Sim. Você contra argumentou contra um argumento da sua mente. Este é o caminho.

Apesar de ter dito sim, não posso dizer que você está certo. O que fez não é certo nem errado, mas apenas um caminho que lhe trouxe a paz.

Tudo o que se faz não é certo nem errado, mas caminho para algum lugar. Se o que foi feito trouxe a paz, foi caminho para ela. Agora, pode ser que depois a mente venha a cobrar de outro jeito.

Pode ser que no futuro, por exemplo, sua filha tenha problemas em arranjar emprego por causa das tatuagens que fez. Pode ser que ela, então, lhe dê a culpa pelo que ela está passando. Este é outro momento onde deve agir.

Não aceite a culpa pelo que aconteceu. Como você mesmo disse, exerceu a sua função de pai alertando-a sobre as possíveis consequências daquele ato, mas mesmo assim ela quis fazer. Que culpa tem você?

Saiba que não existem soluções prontas. A cada momento da sua existência você tem que travar uma batalha para poder manter a paz. Em cada uma delas é preciso que tenha suas armas para lutar especificamente contra o acontecimento.

Eu conheço uma pessoa que foi contra o filho fazer tatuagens. Hoje ele tem três.

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Amar para ter paz

Participante: Mas, como controle minha mente para treinar a amar? Digo para mim mesmo que essa atitude dele ou dela é fruto do livre arbítrio deles. Essas atitudes não posso julgar se são certas ou erradas. É mais ou menos isso? Preciso criar frases para quebrar o primeiro pensamento que aparece. É difícil fazer isso. Parece que nunca amaremos.

Vocês estão preocupados em amar e acabei de dizer o que digo há dez anos: vocês nãos abem amar. Por isso, não queira amar ninguém.

Você não sabe amar. O amor que você conhece é egoísta. O que chama de amor é egoísmo, pois ele existe como, quando e porquê.

A busca da paz não é por aí. Ao invés de tentar amar, tente destruir dentro de si o que não é amor. Já dei esta resposta hoje.

Se você acha que ensinar alguma coisa a uma pessoa é amor, tenha a certeza de que não é. É egoísmo, é quere ser dono dela. Por isso, destrua esse desejo dentro de si. Se você quer que o outro faça o que quer, isso não é amor, mas autoritarismo. Portanto, destrua essa vontade dentro de si mesmo.

O caminho é esse. Já que não sabem amar, ao invés de se preocuparem em fazer isso, se ocupem em destruir tudo que não é amor.

Participante: ontem comecei a imaginar como posso amar a Deus e ao próximo se não sei exatamente o que é amar.

Eu já disse: retirando tudo o que sabe que não é amor. Se sabe que querer mandar nos outros, obriga-los a fazer alguma coisa não é amor, não os obrigue a isso.

Fazendo isso, estará amando.

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O caminho do respeito

Participante: um bom relacionamento familiar pode se encontrar no respeito entre os membros da família?

Pode se encontrar no respeito entre eles, mas para que haja esse respeito você não deve cobrá-lo de ninguém. Esse é que é o problema.

Vocês querem que haja uma harmonia formada a partir do respeito, mas querem exigir serem respeitado. Não, isso não leva a paz. Para consegui-la é preciso que cada um dos membros de um núcleo familiar trabalhe dentro de si mesmo o respeito aos outros e dar ao próximo o direito de, se quiser, não lhe respeitar.

Se você quer respeito a si, precisa respeitar o direito do outro não lhe respeitar. Ficou muito respeito na resposta? Mas, é isso mesmo. Para ter paz é preciso ter muito respeito pelos outros e não cobrar nenhum com você. Isso vale não só para relação familiar, mas também para qualquer relação.

Participante: não gosto e não convivo bem com pessoas que gritam e xingam. Tenho vivido essas situações a vida toda. Quando as pessoas começam a gritar, sinto bastante mal-estar. Como me livrar ou conviver com esse mal-estar que é gerado?

Você vive a vida inteira mal com pessoas que gritam e brigam e continuará a viver dessa forma. Porque? Porque não quer que ninguém aja assim. Só que como estamos dentro do assunto vou usar alguns argumentos que já usei.

As pessoas gritarem e xingarem é fruto do livre arbítrio deles. Você não respeita esta livre vontade deles, como quer, então, que eles respeitem o seu de não querer?

É a questão do respeito que falamos. É muito bonito se falar em respeito entre as pessoas, mas será que vocês estão realmente querendo respeito ou querem que lhe respeite? Essa é uma pergunta que cada um deve fazer a si mesmo, pois a grande maioria exige respeito do outro, mas não respeita ao outro.

Lembro que uma das vezes que falei sobre respeito, disse assim: há uma ideia com relação a respeito. Vocês dizem que o respeito pelo outro termina onde começa o por você. Isso é irreal, porque é você mesmo que marca onde o outro tem que lhe respeitar. Querer ser o determinante dos limites da ação do próximo é egoísmo.

Esse não é o caminho para a paz. Ele se consiste na ideia de que o respeito a si começa onde termina aquele que você tem que ter pelos outros. Não importa até onde o outro leve a marca do que precisa ser respeitado nele, você precisa respeitá-lo.

Eis aí um caminho para que você possa conviver com as brigas, gritos e xingamentos dos outros: respeitá-los. Dar a todos o direito de agirem dessa forma com você. Lhe garanto que na hora que der esse direito, ou seja, não perder a sua paz porque os outros gritam, a briga dele4s não causará nenhuma sensação em você.

Não estou dizendo que acontecimentos onde ocorram essas coisas acabarão na sua vida. Estou falando que essas atitudes não mais farão você perder a sua paz.

Esse é o caminho: o do respeito. Isso é uma coisa que vocês precisam trabalhar dentro de si mesmo.

O guerreiro da paz trabalha muito o respeito ao próximo, o respeitar o direito do outro ser, estar e fazer o que quiser. Isso porque só o respeito ao próximo o ser pode calar a contrariedade dentro de si mesmo.

Se você exige respeito a si, quer impor o limite do direito do outro. Neste momento, dois querendo ter direitos, a contrariedade, a perda da paz, é inevitável.

Participante: como lidar com pais preconceituosos que não aceitam a sexualidade do filho?

Dando a eles o direito de não aceitarem.

Deixe-me falar uma coisa para vocês. Seu pai, sua mãe foram criados num mundo diferente do de vocês.

Alguém hoje me falou em traumas, eu falo em conceitos. Seu pai e sua mãe receberam uma série de conceitos, dos quais não são obrigados a se libertarem porque não querem se espiritualizar, que vocês não receberam. Esses conceitos, assim como o que vocês chamam de trauma, trabalham inconscientemente dentro do seu pai e da sua mãe. Por isso, eles não são obrigados a aceitar a sexualidade do filho.

Só que vocês de hoje não possuem mais estes preconceitos. Ao contrário, dizem que não se deve ser preconceituoso. Por isso afirmo que vocês é que devem aceitar a forma deles serem para não demonstrarem preconceito contra quem pensa dessa forma.

Sim, é isso mesmo: não são os seus pais que têm que respeitar a opção sexual dos filhos, mas sim ao contrário, se são os filhos que querem se espiritualizar. Eles não querem se espiritualizar por isso podem estar apegados àquilo que desejam. E, o que eles desejam? Que o filho mude, que o filho tenha outra orientação sexual.

O que eles querem é isso – e têm todo o direito de quererem – e não a paz. Quem quer tê-la é você, por isso neste caso, é você que tem que respeitar as escolhas deles e não ao contrário. Por isso é preciso que trabalhe dentro de si mesmo.

Este é o primeiro aspecto que poderia lhe falar sobre o assunto, mas há mais um que quero abordar e sobre o qual já fiz citação nesta resposta. Vocês podem me falar que os pais não podem ser desse jeito porque senão serão preconceituosos. Certo, é um conceito formado anteriormente. Agora, o filho que não aceita a ideia do pai não aceitar a sua opção sexual também não é um preconceituoso?

É, a questão do preconceito é mais ampla do que vocês imaginam. Ele não se restringem apenas àqueles que vocês consideram como preconceito, mas atinge a todas as ideias formadas anteriormente sobre um assunto.

Por isso, o homossexual que exige que seja respeitado e que não haja preconceito é um preconceituoso. Ele está cobrando de outro o que não use ideias preconcebidas, mas ele mesmo está tendo ideias deste tipo, pois parte da verdade que todos devem aceitar a posição sexual escolhida.

É isso que a mente de vocês não lhes fala. Porque? Porque o não entender esta questão dentro do aspecto que levantei é um individualismo, de uma das armas que os combatentes da paz usam. Ela não levanta esta hipótese por quer que você exija que os outros façam o que você acha certo.

Portanto, aceite seus pais se você tem a orientação homossexual e eles não aceitam isso. Os aceite do jeito que são, sejam de que jeito forem, e não queira muda-los, porque isso é ser preconceituoso.

Participante: no caso da pergunta sobre pais que não aceitam a sexualidade dos filhos, você comentou que ele é que precisa aceita-los se quiser se espiritualizar.

Se quiser ter paz.

Participante: esta aceitação, contudo, não significa que eles vão se dar bem no ato, não é mesmo?

Sim, no ato podem não se dar bem, mas este filho estará em paz com os pais dele. Agora, se não fizer este trabalho em si mesmo, continuará não se dando bem no ato e interiormente não terá paz.

Participante: é possível que o menino quebre o pau dentro de casa, brigue com os pais e mesmo assim esteja em paz por dentro?

Sim. Isso é possível. Sei que não veem dessa forma, mas isso é porque nunca tentaram.

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Conversando sobre relações familiares

Participante: o que estou entendendo que você está sugestionando que devemos usar argumentos contra a proposição da mente.

Não estou sugestionando nada. Estou dizendo que este é o único caminho para encontrar a paz.

Se você já a tem com o que a sua mente diz hoje, não precisa fazer nada.

Participante: mas, muitas vezes argumentar contra a mente é arrumar uma briga com ela e percebo que fazer isso é fria, pois a mente inventa mil contra argumentos. É uma luta sem fim. Então, a minha pergunta é essa: quando é uma boa argumentar contra mente e quando a melhor estratégia é ignorá-la e a melhor estratégia é dizer não sei?

Ignorá-la é o que todos que me ouvem vêm tentado e não estão conseguindo.

Participante: primeiro: não sofro pelo que vou perguntar. Sei que o ato é Deus fazendo. O que quero é saber a sua opinião. Meu pai tem alzheimer há três anos. Minha mãe essa semana também foi diagnosticada com uma demência. Ela não aceita isso. Se usar da espiritologia vou mostra-la o sofrer do sofrimento dela. Seria válido fazer isso para ela?

Não, se ela tem uma demência, possui uma incapacidade de trabalhar mentalmente. Por isso não tem como ajuda-la.

Aliás, ninguém tem como ajudar ninguém. Faça por você mesmo, que já está muito bom.

É você que tem que trabalhar o seu sofrimento pela situação dela e não ela mesmo. Sua mãe está feliz dentro da demência dela.

Participante: como fazer depois que nos irritamos com os filhos e passamos dois ou três dias com esses pensamentos e de repente lembra do ensinamento. Olha, irmão, a tristeza é maior e o sofrimento também.

Sim, porque neste caso entra na culpa: ‘estou aqui ouvindo Joaquim e na hora h acabo fazendo tudo errado’.

Não caia nessa. O que você fez era o necessário a ser feito, tinha que ser feito e seus filhos precisavam e mereciam. Pronto, acabou o sofrimento. Aí comece tudo novamente.

Nunca entre na culpa. Se o pai e a mãe tem a obrigação de fazer alguma coisa para o filho que ele não gosta, no sentido da encarnação, terá que ser assim no seu relacionamento com seus filhos. Só isso.

Participante: um dia entrei numa discussão com a minha irmã e comecei a sentir que estava começando a ficar com raiva. Naquele momento comecei a investigar que pensamentos estavam me fazendo perder a paz. Procurei saber se estava querendo ganhar dela na discussão e por não estar estava tendo raiva. Por isso, no meio da discussão comecei um processo mental de investigação. Me deu uma preguiça enorme de fazer este trabalho investigativo. Aí pensei que Deus é Causa Primária de todas as coisas. Em seguida mandei que ela se calasse e desliguei o telefone na cara dela. Afinal, não teria problema algum fazer aquilo, pois não seria eu que estaria agindo, mas Deus que estaria fazendo. Desliguei o telefone e fiquei de boa. Será que usei mal os seus ensinamentos?

Não. Se foi isso que fez, era isso que tinha que fazer. Afinal de contas, seja de que forma for, você precisa procurar um meio de estar em paz e foi isso que fez.

Agora, a partir do momento que desligou o telefone, comece a investigar o que lhe fez discutir com sua irmã, ou seja, que ideia estava defendendo. Isso é o importante de ser feito para se conseguir a paz.

O que é uma discussão? São duas pessoas defendo cada um a sua ideia. Por isso, precisa investigar em si mesmo qual ideia estava defendendo para tentar se libertar dela e com isso amanhã não brigue novamente, já que ela é sua irmã e pelo resto da vida vocês terão que conviver.

É este o trabalho. Para se ter paz não é preciso que você pareça boazinha na frente dos outros, não é conversar com ela na boa. Se gritou, se brigou, se bateu o telefone na cara dela, era isso que tinha que acontecer e você precisa alcançar a paz consigo mesmo por ter agido da forma que agiu.

Agora, depois que as coisas acontecem, é preciso investigar quais armas estavam sendo usadas naquele momento. Assim, posteriormente você terá mais facilmente um argumento para mais facilmente se libertar do sofrimento e da perda de paz nestes momentos.

Participante: desconsiderando os sentimentos e emoções, existe algum tipo de relação primordial entre determinados seres ou que compartilhem de alguma característica específica, caracterizando uma família na espiritualidade?

Sim, no mundo dos devas. Só lá existe isso.

No universo universal existe uma única família à qual todos pertencem e não existem núcleos familiares distintos. Isso só existe no mundo dos devas, no mundo dos humanos sem carne.

Justamente por saber disso é que você, que quer se espiritualizar-se é que deve começar hoje a viver esta realidade.

Participante: como lidar com pais preconceituosos que não aceitam a sexualidade do filho?

Dando a eles o direito de não aceitarem.

Deixe-me falar uma coisa para vocês. Seu pai, sua mãe foram criados num mundo diferente do de vocês.

Alguém hoje me falou em traumas, eu falo em conceitos. Seu pai e sua mãe receberam uma série de conceitos, dos quais não são obrigados a se libertarem porque não querem se espiritualizar, que vocês não receberam. Esses conceitos, assim como o que vocês chamam de trauma, trabalham inconscientemente dentro do seu pai e da sua mãe. Por isso, eles não são obrigados a aceitar a sexualidade do filho.

Só que vocês de hoje não possuem mais estes preconceitos. Ao contrário, dizem que não se deve ser preconceituoso. Por isso afirmo que vocês é que devem aceitar a forma deles serem para não demonstrarem preconceito contra quem pensa dessa forma.

Sim, é isso mesmo: não são os seus pais que têm que respeitar a opção sexual dos filhos, mas sim ao contrário, se são os filhos que querem se espiritualizar. Eles não querem se espiritualizar por isso podem estar apegados àquilo que desejam. E, o que eles desejam? Que o filho mude, que o filho tenha outra orientação sexual.

O que eles querem é isso – e têm todo o direito de quererem – e não a paz. Quem quer tê-la é você, por isso neste caso, é você que tem que respeitar as escolhas deles e não ao contrário. Por isso é preciso que trabalhe dentro de si mesmo.

Este é o primeiro aspecto que poderia lhe falar sobre o assunto, mas há mais um que quero abordar e sobre o qual já fiz citação nesta resposta. Vocês podem me falar que os pais não podem ser desse jeito porque senão serão preconceituosos. Certo, é um conceito formado anteriormente. Agora, o filho que não aceita a ideia do pai não aceitar a sua opção sexual também não é um preconceituoso?

É, a questão do preconceito é mais ampla do que vocês imaginam. Ele não se restringem apenas àqueles que vocês consideram como preconceito, mas atinge a todas as ideias formadas anteriormente sobre um assunto.

Por isso, o homossexual que exige que seja respeitado e que não haja preconceito é um preconceituoso. Ele está cobrando de outro o que não use ideias preconcebidas, mas ele mesmo está tendo ideias deste tipo, pois parte da verdade que todos devem aceitar a posição sexual escolhida.

É isso que a mente de vocês não lhes fala. Porque? Porque o não entender esta questão dentro do aspecto que levantei é um individualismo, de uma das armas que os combatentes da paz usam. Ela não levanta esta hipótese por quer que você exija que os outros façam o que você acha certo.

Portanto, aceite seus pais se você tem a orientação homossexual e eles não aceitam isso. Os aceite do jeito que são, sejam de que jeito forem, e não queira muda-los, porque isso é ser preconceituoso.

Participante: uma pessoa idosa e doente na família causa às vezes uma situação desconfortável porque as pessoas são materialistas e não querem se espiritualizar não encontram respostas para o motivo de estar perdendo as suas vidas cuidando de alguém que não tem mais recuperação. É possível ajudar os indivíduos que lidam com esses episódios?

Você está abordando a questão de ajudar os outros e não estamos tocando neste ponto neste trabalho. Estamos conversando no sentido de que ajude a si mesmo a ter a paz. Apesar disso, vou lhe dar uma resposta curta sobre o assunto.

Há sim. Pergunte a eles se há outro jeito de viver. Pergunte para eles se podem abandonar a pessoa doente à própria sorte.

Não há outro jeito. A pessoa está no hospital ou no asilo e precisa de cuidados. Tem outro jeito senão cuidar dela? Tem sim: matá-la.

Diga isso para estas pessoas. Convide-as a matar a pessoa que está doente para poder acabar com o problema que ela está gerando.

Faça isso. Se fizer, é claro que elas não aceitarão. Quando isso acontecer diga: se não aceitam a única solução, plausível, vejam que o que podem fazer é cuidar dela. Aceitem isso.

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O amado não é propriedade privada sua

Como é vivido pelo ser humano, pela natureza humana, qualquer relacionamento amoroso? Com posse. É meu namorado, meu marido, meu amor, minha mulher, minha esposa, minha namorada. Esse pronome colocado antes da posição do outro na relação amorosa mostra claramente como as relações amorosas humanas são vividas. Cada um se acha dono do outro.

Este é o primeiro aspecto que precisa ser trabalhado. Um namorado, um marido, uma namorada, uma esposa, não são propriedades do parceiro. São companheiros. Todos que participam de um relacionamento precisam viver um processo de tornarem-se companheiros uns dos outros para que a relação não termine em possessão e assim acabe com a paz entre eles.

A ideia de que o outro é propriedade particular, terreno cercado com arame farpado é que leva a todo sofrimento dentro da relação amorosa. Porque? Por causa da vontade de ganhar e do medo de perder.

‘Como eu vou deixar alguém encostar no que é meu? Como algo que é meu vai fazer alguma coisa diferente do que quero’? É assim que a mente funciona quando a relação amorosa é vivida com propriedade.

Por isso, o primeiro trabalho que se faz dentro de uma relação amorosa para se ter paz é acabar com a posse. Isso se alcança vivendo a existência conjunta com companheirismo, como duas pessoas autônomas que dividem momentos. Como duas pessoas autônomas que se amparam uma na outra para enfrentar a vida.

Quando existe esta visão sobre o amado, a vida muda. A outra pessoa passa a ser uma pessoa e não mais uma propriedade particular. Não mais alguém que é obrigado a fazer aquilo que o outro quer.

Quando não existe a obrigação do outro ser, estar e fazer o que você quer, não há contrariedade. Quanto não há contrariedade, há paz.

Este é, portanto, o primeiro aspecto que queria abordar dentro do tema relação amorosa. Mas, há outro que precisamos abordar de uma forma genérica.

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É preciso se libertar da paixão

O que é o amor? Não estou falando de amor universal, de amor fraterno, mas de sentimento de uma pessoa por outra, que para distinguir, vou chamar de paixão.

Para nós que somos espiritualistas, o que é essa paixão? O que é esse amor para nós que acreditamos que éramos antes de ser, para nós que acreditamos que estamos encarnados para viver provas e cumprir missões ao invés de nascermos para viver uma vida? Eu diria que ela é exatamente o gatilho da prova da posse.

Sabe, quando você diz que é apaixonado por alguém, me desculpe, mas isso é irreal. Na realidade possui aquela paixão para que o gatilho das suas provas de posse sejam usados. Ou seja, você não é apaixonado: a realidade é que a sua natureza humana possui uma posse por aquela pessoa para que você, espírito, viva a sua provação.

Portanto, o trabalho pela paz precisa mais do que agir na própria relação, mas também atingir a ideia de estar apaixonado, de achar que ama alguém. Isso é irreal. Já disse: o espírito não ama ninguém, porque amar é um verbo intransitivo. Ele ama, ponto final. É a partir dessa concepção que aquele que busca a sua paz não deve se deixar envolver pela ideia de estar apaixonado.

‘Ah Joaquim, mas aí a vida fica sem graça. É o calor dessa relação que me faz ter dias maravilhosos’. Sim, isso pode até acontecer, mas o que é vivido nestes dias é o prazer e não a felicidade. Além do mais, tenho certeza que também há dias onde existe muito sofrimento.

Você pode ter até esse pensamento, mas saiba que se libertar desta paixão faz parte do custo que falei anteriormente para aqueles que querem conseguir sua paz. Não dá para se viver humanamente e espiritualmente ao mesmo tempo. Não dá para se servir dois senhores ao mesmo tempo. Não dá para se buscar a Deus e ao mesmo tempo querer viver uma paixão humana.

Se você aceita a ideia da paixão, do estar apaixonado, e se vive num país onde ela é sinônimo de posse, irá sempre querer possuir o outro e ele sempre irá querer lhe possuir. A partir daí, os desejos de cada um tem que ser cumpridos. Só que eles muitas vezes são contrários aos desejos dos outros.

Quantas vezes você já quis tomar uma cerveja e a sua namorada ou esposa queria ir para um lugar. Como é que acabou essa história? Um querendo convencer o outro e depois de muito embate os dois ficaram de cara feia um com o outro, pouco importando se foram tomar a cerveja ou se foram onde ela queria.

Se não houver companheirismo, se a paixão, que é o gatilho que detona a posse, não for superada, na hora que cada um tiver uma vontade haverá a perda de paz, pois começará uma batalha, uma disputa entre vocês para que o outro lhe sirva. É isso que vocês precisam entender.

O trabalho para a paz, que é o trabalho para espiritualização, já que como definimos na semana passada a paz leva à felicidade, tem um custo. Ele não é só conseguir se libertar daquilo que você acha ruim, mas também se libertar do que acha bom.

Numa conversa que tivemos em outro lugar, quis deixar esta questão bem clara, já que estávamos falando de natureza humana. Eu perguntei as pessoas que estavam presentes lá o que gostavam de comer. Um respondeu feião com arroz, outro que gostava de comer pimenta, e algumas pessoas disseram que gostavam de comer macarrão.

Eu respondi a essas pessoas que aquilo era ilusão. Que eles não gostavam daquilo. Na verdade quem tem esses gostos é a natureza humana do espírito. Eles existem porque são as paixões das quais o espírito possa se libertar. O gostar existe para que você aceite a posse e exija que os seus desejos sejam satisfeitos.

Quem tem a paixão por uma mulher ou por um homem não é você. Ela faz parte da natureza humana, do ser humano que foi gerado para as suas provas. Portanto é a sua provação.

Esse é o custo de ser espiritualista. Não adianta nada ficar procurando frases bonitas que falem do caminho para a elevação espiritual se você não tem a disposição de pagar o preço por aquele ensinamento.

Lembro que já disse: tem muita gente procurando a elevação espiritual que se soubesse o que encontrará do outro lado não iria mais procurar. Já disse: tem muita gente que gosta de música que se por acaso saísse da carne espiritualizado se decepcionaria porque lá não tem música. Tem muita gente que gosta de tomar sua cerveja; se chegasse do outro lado ia sofrer, porque lá não tem isso.

O custo da espiritualização não é só se libertar do que não gosta, mas também do que gosta. Neste caso é se libertar pela paixão pelo outro, que é gerada pela mente e não tem nada a ver com o espírito, a não se no mundo dos devas. Se quiserem ir para lá, continuem nutrindo-a.

Portanto, se não quer nascer novamente, está aí um bom motivo para libertar-se agora da paixão que nutre pelas pessoas.

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Companheirismo

Participante: sou casado há quarenta anos e as vezes é como se fosse a primeira vez. Quando estou irritado ela me faz lembrar de você e vice versa. Somos companheiros em vários carmas. Nunca brigamos ou discutimos assuntos familiares. Um dos dois sempre cede defendendo sempre um e outro.

Perfeito. É desse companheirismo que estou falando. Amar o outro é um ser o suporte do outro.

Me lembro de uma história antiga onde uma mulher queria ir à praia e o marido ao futebol. Eu disse a ela que se o amava deveria ir ao futebol com ele. Ela, então, me perguntou se na outra semana acontecesse tudo de novo o que deveria fazer. Disse para ela novamente ir com o marido ao futebol. Finalmente ela me perguntou: ‘quando eu vou à praia’?

Essa é uma questão que precisa ficar muito clara na relação. O companheirismo jamais pode buscar lucro individual, mas sim servir ao outro. Fazer pelo outro sem esperar retorno. Se acontecer, ótimo, se não ótimo também.

Companheiros são duas pessoas que estão sempre disponíveis um para o outro. Para se tornar disponível para alguém, é preciso superar o individualismo, a posse, a paixão e o desejo individual. Se não se supera tudo isso, jamais se serve ao outro: sempre irá querer ser servido.

O companheirismo existe quando um, como você disse, está mal, mesmo que você também esteja engole o que está sentindo para ajudar o outro. Essa deveria ser a base da relação entre todos os seres humanos, mas não é. No entanto, se pelo menos no núcleo familiar, que é a coisa que conversamos, conseguir colocar em prática, conseguirá um pouco de paz.

Quando falei em respeitar o direito do outro até lhe desrespeitar, falei exatamente neste serviço: no apoio ao próximo, no estar sempre lado a lado do outro, sem esperar que um dia ele esteja ao seu lado. Isso deveria ser o amor, mas não é o que vivem.

Obrigado pelo exemplo.

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Falando de relacionamentos amorosos

Participante: minha filha diz que quando estou perdendo uma discussão com minha esposa, uso o Pai Joaquim. Neste caso lembro que não tenho que ser professor da lei com as pessoas. Sei que quando estou com familiares próximos é a hora mais difícil de não querer que todos sigam seus ensinamentos. Como não buscar ensiná-los, mas respeitá-los nestes momentos?

Respeitar que eles não gostem de Joaquim. Eu não sou um sábio. Por isso respeite-o.

O que você diz é a mesma coisa que já me falaram hoje a respeito das armas que estamos passando ao longo de muitos anos. Elas serão usadas pela mente contra você, ou seja, irá querer falar para a sua esposa que sabe o certo, porque ouviu de mim.

Isso é uma armada mente. Por isso lhe aconselho a ir se libertando delas também, se essa prova já está fazendo parte da sua existência.

Participante: tive um debate no trabalho sobre amor e me lembrei que em uma de suas palestras foi falado que nós não sabemos o que é o amor e o que mais assemelharia seria o sentimento por um filho que para alguns pais é incondicional. Perguntei que se eles fossem traídos pelas mulheres se continuariam com elas. Responderam que perdoariam, mas não ficariam com elas. Aí perguntei onde estava o amor por elas, se era incondicional.

Exatamente. Isso reforça a minha tese que o amor entre um cônjuge e outro não é incondicional porque é paixão e não amor. Como é paixão vira posse.

Saiba que este perdão seria da boca para fora. Se perdoassem realmente, estariam juntos.

Ainda vamos falar mais profundamente sobre o tema, porque ele está mais ligado a adultério do que a relações amorosas. Por isso vou lhe dar uma resposta mais completa outro dia.

Por hoje digo apenas que a questão da possessão leva à proibição da traição sexual. Eu gostaria de falar disso em outro momento para que abordássemos questões como machismo e outras coisas.

É por isso que este trabalho será longo. No caso da sua pergunta, por exemplo, não podemos responde-la porque precisamos de mais tempo para conversar. Para se falar de adultério é impossível se não falarmos também de machismo, pois senão os conceitos machistas que estão em vocês homens e os feministas, que estão nas mulheres, tirarão a paz ao me ouvir.

Participante: poderia identificar os soldados usados pelo tenente e general nos dois temas abordados hoje?

É tudo o que falamos.

O soldado que lhe ataca é achar que sua mãe tem que ser diferente, de que não deve ser dominadora. É aquele que lhe dá a ideia de que seu pai tem que aceitar a sua homossexualidade. É aquele que lhe dá a ideia de que seu cônjuge é sua posse, tem que fazer o que você quer, lhe satisfazer.

Essas afirmações, essas verdades que normalmente não estão visíveis no pensamento, mas estão por trás dele é que são os soldados. Eu diria que o soldado é a ideia que lhe vem à mente.

Quando disse hoje a uma pessoa que a contrariedade dela era causada pela consciência da mãe não ser aquilo que quer, o soldado dela é o que quer que a mãe seja. É esse o soldado. Ele está preso a um individualismo, a uma paixão, a uma posse, a um desejo, as quatro âncoras. Está ligado a estas coisas.

Só que você não vê a presença dele e por isso disse que o tenente e o general trabalham por trás da realidade. Eles, na verdade, influenciam as ideias. Eles estão presentes na ideia, apesar de não poderem ser vistos.

A ideia é o soldado, mas também a arma que os comandantes usam.

Participante: justamente por viver a maior parte do dia próximo a minha esposa é mais provavelmente que meus carmas surjam na relação com ela? Se sim, o companheirismo seria justamente a ferramenta para que cada um vencesse a sua prova?

Sim, quanto mais tempo de contato, maior a chance de haver embate entre dois seres humanos.

Se você tem o carma de estar ao lado dela bastante tempo, os dois têm compromisso não um com outro, mas de servir um ao outro muito grande.

Participante: de acordo com suas informações para atingir a elevação espiritual o indivíduo deve ficar na passividade. Se for questionado devo ficar calado e não responder?

Não, segundo minhas informações, que não são minhas, mas do Espírito da Verdade, o ser quando alcança a perfeição vive a felicidade de Deus. Esta é, segundo o mentor do espiritismo a característica daquele que consegue a elevação espiritual.

Portanto, a passividade não é a realização, mas trata-se de um caminho para se viver esta felicidade. Se você não for passivo nos acontecimentos desta vida, jamais conseguirá viver esta felicidade.

Se for ativo, irá chocar-se com a atividade do outro e aí não viverá a paz.

Participante: e quando uma pessoa quer se separar de outra e não consegue. Isso é sinal de que a prova não terminou?

É porque ainda não acabou, e pode nem acabar, aquela prova para a qual aquela pessoa é instrumento.

Agora, neste caso, para poder manter a sua paz, se quer se separar e não consegue, o conselho que lhe dou é ir empurrando com a barriga da melhor maneira possível. Entregando-se ao desejo de separar, irá sofrer.

Guerreiros da paz - Textos

Paixão exacrebada

No mundo humano existe um ditado que diz assim: mulher, política e time de futebol não se discute. Isso é até valor aceito pela humanidade: política não se discute. Mas, por que isso? Porque não se discute times de futebol ou gosto por mulheres ou homens, dependendo de quem está falando? Porque lidam com esses assuntos com uma paixão exacerbada. Uma paixão muito forte, muito profunda.

Sempre as discussões políticas são realizadas por aqueles que são apaixonados por este assunto – porque os que não são nem discutem este tema – de uma forma a querer vencer o outro a qualquer custo, a quere provar para o outro que está certo a qualquer custo.

Por isso, aquele quer ter a paz e que respeita o próximo, não se mete em discussões políticas. Ele pode até ter suas próprias convicções. Isso não traz problema algum para a paz. O problema é querer defender essas convicções ou provar ao outro que a sua é a verdadeira.

Portanto, quando se trata de política, a primeira coisa que o guerreiro da paz faz é não entrar em discussões sobre este assunto. Ele respeita o outro, deixa-o falar o que quiser, pensar o que quiser, ter a opinião que tiver. Deixa, inclusive o outro defender o seu ponto de vista da forma que fizer, pois sabe que aquele assunto envolve uma paixão muito grande e quando isso acontece, o ser humano se desnorteia, se transforma.

O guerreiro da paz tem suas convicções, mas não as defende, pois sabe que a paixão exacerbada que envolve o assunto no momento de uma discussão sempre leva à perda da paz.

Claro que não deveriam discutir assunto algum, tivesse ou não uma paixão por aquilo, pois qualquer embate de ideias sempre leva a perda da paz. Só que no caso da exacerbação da paixão, é preciso muito mais atenção, pois como ela é muito forte, o anseio de provar que você está certo, de provar que o que acha bom é o melhor, é muito forte.

Então, estes são três assuntos que o guerreiro da paz deve evitar. O melhor seria que não se conversasse sobre eles, mas se isso acontecer, ele deve estar com redobrada atenção em si mesmo para não deixar a paixão lhe dominar e com isso perder a paz.

Este seria o primeiro aspecto que gostaria de levantar com relação à política, mas tem mais um que quero abordar hoje.

Guerreiros da paz - Textos

Crítica aos políticos

Quero conversar este novo aspecto para que possamos entender como a paixão e o próprio individualismo interferem na vida do ser humano.

Política é o sistema que faz a gestão da coisa pública. São os políticos que administram a coisa pública, ou seja o bem comum a todos que pertencem a uma determinada pátria. Se olharmos por este ângulo e se pensamos na democracia, que é um sistema político, temos que imaginar que o político deveria governar para o povo.

O que seria governar para o povo se a população de um país é extremamente diferente entre si? Cada pessoa, grupo de pessoas, cada nível social possui necessidades e anseios diferentes e aquele que administra a coisa pública deveria suprir as necessidades de todos os grupos e não apenas especificamente deste ou daquele. Só que não é isso que acontece.

O político sempre administra a coisa pública guiado pelas suas convicções. Guiado pelas suas posses, pelas suas paixões e desejos individuais. É sempre esse trio que move o administrador público, assim como todo e qualquer ser humano, e com isso acaba sempre privilegiando um grupo ou outro.

Vocês me diriam agora que estamos numa conversa espiritual e por isso este tipo de assunto não caberia. Diriam que não estão compreendendo porque se fazer estas observações. Eu vou explicar.

Estou abordando este assunto porque vocês precisam entender uma coisa: o administrador público é um ser humano. O político é um ser humano igual a todos os outros. Não há como se conseguir uma pessoa que assuma a questão da coisa pública e trabalhe para todos igualmente.

O ser humano é guiado por paixões, por verdades e por posses, em todos os níveis. Por isso, eu afirmo que não jeito do político ser diferente. Acreditar que possa existir um que seja, é viver na utopia.

Ter esta consciência para o guerreiro da paz é fundamental. Porque? Para que se conscientize de que não adianta reclamar de político. Eles são seres humanos iguais a você. Por isso agem tendenciosamente como você.

A mesma administração do bem público que ele faz de forma tendenciosa para este ou para aquele grupo, você faz na administração da sua vida. Isso porque você é um ser humano, é guiado por paixões, pelo individualismo e posses. Como ele também é guiado por estas mesmas coisas, age da mesma forma que você.

Ora, se você e ele guiam as suas ações seguindo o mesmo padrão, como, então, reclama da forma que eles agem? Porque não reclama de si mesmo quando dirige a sua vida de forma tendenciosa, privilegiando uns em detrimento de outros?

O problema é que vocês ainda acreditam que cada um faz o que quer. Vocês reclamam dos políticos, apesar deles terem as mesmas tendências que você, com a finalidade de governar as suas ações, ou seja, para que eles façam o que você quer, o que acha certo ser feito. Desculpe, mas as críticas feitas a qualquer político a qualquer tempo jamais o levou a mudar a sua forma de ser

Acho que nunca, não é mesmo? O que acho é que vocês se enganam ao criticar determinado político ou a um segmento pela política que faz nunca levou ninguém a mudar a sua forma de ser.

A verdade é que nunca mudou nada. Ao longo dos tempos, por mais que um político tenha sido criticado ou acusado de alguma coisa, nada disso influenciou na sua forma de ser, já que elas sempre serão guiadas pelas posses, paixões e desejos dos políticos.

Portanto, quando se fala de política é preciso entender o que é um político. Entender que o político é tendencioso por natureza e que a crítica a ele só vai causar a perda da sua paz. Mais nada ...

Ela não mudará em nada a situação do país. A sua crítica só levará a viver em sofrimento o mesmo período, com as mesmas situações, que viveria em paz.

Não adianta se criticar nada nem ninguém. A crítica por ela mesmo não leva a lugar algum. Se acha que pode fazer melhor, entre para a política, concorra a um cargo público, se esforce para ser eleito e quando chegar lá faça aquilo que acha melhor.

Outra solução: se você acha que determinado político não é bom, espere a próxima eleição e vote em outro. Ao fazer isso, no entanto, tenha em mente mais um detalhe: você precisa respeitar a decisão da maioria.

Dentro de um sistema político que possui governantes que falam em nome do povo, o poder da maioria tem que ser respeitado. Se a maioria toma uma decisão, aquele que é minoria deve silenciar-se e acatar o que foi decidido por ela.

Ainda vamos falar sobre este tema hoje ...

Guerreiros da paz - Textos

Aceitar a decisão da maioria

Portanto vimos o primeiro detalhe: nenhum político consegue administrar a coisa pública pensando no povo. Todos eles possuem uma tendência de priorizar este ou aquele grupo na sua ação política porque são seres humanos que têm paixões, verdades que acham certo. Quanto a você, nunca conseguirá enfiar na cabeça deles que estão errados.

Vou falar agora da questão da eleição. Disse que se você não concorda com o modo de agir de um político, na próxima eleição vote em outro. Estamos, portanto, falando de votações.

As pessoas que votam em políticos que não conseguem se eleger imaginam que perderam as eleições. Isso é ilusório. No resultado de uma eleição não há perdedores, mas apenas a vitória da maioria.

Esta é a ideia que o ser humano que guerreia pela sua paz tem. Ele não se sente perdedor com o resultado de uma eleição, mas tem a consciência de que a maioria da população ganhou. Isso quer dizer que aquele será o político que governará para a população como um todo, inclusive você. Por isso, é o seu político, mesmo que tenha votado e goste de outro.

Como vocês dizem, a voz do povo é a voz de Deus. Isso quer dizer que a maioria o colocou naquela situação e por isso, nada pode ser feito para tirá-lo de lá. Por mais que você se rebele contra a eleição deste ou daquele político, precisa compreender que a posição que ele ocupará foi determinada pela maioria da população e a partir daí ele será o governante de todos.

Ora se a maioria, grande ou pequena, decidiu por um nome, é preciso que você compreenda que de nada adianta ficar criticando esta decisão, quem foi a favor daquele político. Ele foi apoiado pela maioria, por isso a minoria, como reconhece que esta decisão é tomada em nome do todo, precisa aceitar a sua eleição.

Sei que a maioria que se rebela contra um político é porque diz que eles estão fazendo coisas erradas para a população. Isso faz parte: ninguém pode acertar o tempo inteiro. O fato é que ele foi eleito pela maioria e você, como minoria, não pode fazer nada, a não ser acatar o que foi decidido.

Desculpe, pode sim. Pode deixar que o político eleito pela maioria faça as suas besteiras que prejudicam o povo para que a maioria na próxima eleição veja o que ele fez e não vote mais nele.

O que estou querendo mostrar nas três situações que falei é que a crítica não leva a lugar nenhum, seja ela feita somente de você para si ou que faça publicamente. Vivendo-a só consegue uma coisa: viver sem paz.

Só quem sofre com suas críticas é você. A maioria que votou naquele político, se continua gostando da sua ação, não tem reclamações a fazer e por isso não sofre com as suas críticas. Estes estão muito bem, obrigado, e só você está sofrendo.

Sofrendo porquê? Porque quer mudar uma coisa que não tem – não estou usando este termo como ataque, mas no seu real sentido – competência para mudar. Não estou dizendo que você é incompetente, mas sim que não possui competência legal para mudar o que está feito. O único amparo legal para que você promova esta mudança é com seu voto. Por isso, ao invés de ficar criticando o político, aguarde o momento da nova votação e aí exerça a sua competência.

Este é o segundo detalhe sobre este tema.

Guerreiros da paz - Textos

Corrupção

Há ainda, um terceiro detalhe que quando se fala em política precisamos abordar para aqueles que querem manter sua paz: a corrupção. Os políticos que se aproveitam do bem público para ganharem individualmente.

Sei que vocês falam muito mal daqueles que roubam o bem público, mas quero fazer uma pergunta: quem fala mal do governo; aqueles que não ganham anda do governo ou os que ganharam. Será que os que falam mal de um político são aqueles que não foram premiados com uma estrada nova, com um posto de saúde ou com uma escola perto de sua casa, que não ganhou bolsa de estudos, ou os que tiveram algum benefício com ele? Acho que é o primeiro, não?

Aqueles que agora dispõe agora de uma estrada, de um posto de saúde ou escola novo, com certeza não fala mal do governo. Porque? Porque tiveram uma vantagem individual. Porque ganharam benefícios para usar. Se eles tivessem sido feitos em outro lugar ou se não houvessem sido feitos, com certeza essa pessoa que hoje fala bem, falaria mal.

Estou falando disso para que vocês entendam uma coisa. Todo lucro de uma ação política movido por uma paixão, por um ganhar individual, é corrupção, porque se trata de auferir um lucro individual a partir do bem público.

Agora me digam uma coisa. Você que não recebeu o bem público se acha no direito de criticar o corrupto. Mas, se tivesse recebido, criticaria? Tenho certeza que não. Portanto, você pode não ter levado vantagem individual, mas se tivesse tido oportunidade, levaria. Isso faz de você também um corrupto. Pior: um corrupto que não conseguiu ganhar nada com a sua corrupção.

Portanto, o político pode ser corrupto, mas os que o apoiam por que tiveram benefícios individuais também o são. Já aqueles que criticam e o acusam de corrupto, também são, pois se são movidos pela intenção de ganhar alguma coisa.

É por isso que tanto quem recebeu como não, não deveriam falar mal dos políticos corruptos. Deveriam entender que praticam a mesma coisa que eles e por isso não têm moral para falar daqueles que buscam a mesma vantagem.

Além do mais, da mesma forma que vimos até agora, de nada adianta falar mal do político corrupto. A crítica a eles nunca acabou com a corrupção. Desde que o mundo é mundo os políticos levam benefícios individuais a partir do bem público e a simples crítica nunca levou a deixá-los de roubar. Você pode chamar a polícia, pode apresentar provas contra eles para que sejam julgados pelos tribunais, mas criticar, de nada adianta.

Nem instituir a pena de morte para os corruptos adianta, pois se tira um e entra outro igual. Isso porque todo ser humano é movido pela sua individualidade e quer para si, quer ganhar individualmente. Por isso em qualquer tempo ou lugar onde haja um governo e um político, sempre haverá a corrupção. Os três, corrupção, político e governo sempre estarão juntos por causa do egoísmo que é característica primária do ser humano.

Vejam que nem estou entrando na questão espiritualista. Não estou falando de provas, missões e carmas. Sobre isso já falamos muito. Hoje estou querendo apenas que você entenda a futilidade da reclamação. Por isso estou tentando lhes dar uma nova visão.

Estou tentando mostrar que o que vocês fazem como reação aos acontecimentos deste mundo é inutilidade. Não resolve nada. Só serve para uma coisa: lhe tirar a paz.

Sei que estou chocando vocês, mas quero deixar uma coisa bem clara. Eu não sou contra nem a favor de nenhum de vocês. Sei que cada um cumpre a sua missão e vive as suas provas. Meu trabalho não é defender ninguém, mas mostrar aos seres encarnados a realidade da vida humana.

No caso da política, a vida humana é vivenciada dentro do que acabei de dizer: onde houver governo, política, político e a paixão e o individualismo do ser humano, haverá sempre a busca do bem individual. Haverá, também sempre alguém que não estará satisfeito com a ação do outro e o criticará, mas não vê que esta crítica também está aprisionada no seu próprio egoísmo.

Também haverá sempre pessoas que por não terem sido privilegiadas com ganhos individuais vai querer a mudança do político ou do seu grupo. Esses não veem que isso de nada adiantará para o povo como um todo, pois ele também só buscará favorecer aqueles que são a favor dele. Ou seja, no final das contas sempre haverá alguém levando vantagem individual através do bem público. Tudo isso porque qualquer grupo e a totalidade do povo de um país é constituído por seres humanos, que são egoístas por natureza.

É a inutilidade, quando o fim da ação é gerar um bem melhor para a população, que eu quero que vocês compreendam. Cada grupo que entrar sempre colocará o seu sistema de governo pensando em um determinado grupo de pessoas e com isso a corrupção jamais se extinguirá.

‘Ah, Joaquim, então isso vai durar eternamente’, vocês poderiam me perguntar. Não, essa forma de vida faz parte do sistema humano de vida, que está falido, e, por isso, mudará logo. Agora que estamos num mundo de regeneração, paulatinamente o egoísmo será abandonado e tudo o que falamos aqui não mais existirá.

‘Neste caso, então, como seria a prova de gerir a coisa pública’, seria a pergunta seguinte e por isso me adianto na resposta. Não sei. Como já falei a um a pessoa, a minha bola de cristal está quebrada. Por isso não sei. Agora, que tudo isso vai mudar, eu tenho certeza. Que sim, pois o planeta como um todo evoluirá. Só que isso não acontecerá nem hoje nem amanhã, mas levará um período de sete mil anos para acontecer.

Outra pergunta que certamente vocês me fariam: ‘porque em alguns lugares isso não acontece’? Eu diria que acontece, mas não é tratado como corrupção. Em todos os lugares desta planeta os políticos sempre fazem o que é melhor para o grupo que o elegeu e por isso a vantagem individual com o bem público, que é a corrupção, existe.

Portanto, diante de tudo o que falamos hoje, meu conselho é que você, se quer conquistar a sua paz, deve concentrar todos seus esforços em aprender a viver a vida que tem e evitar deixar-se levar pela razão humana. Aliás, como Paulo ensina, devemos respeitar os governantes porque eles foram escolhidos por Deus para nos governarem.

Guerreiros da paz - Textos

Falando de corruptos

Participante: então, se soubermos de alguma coisa à respeito de corrupção devemos ficar quietos?

Eu não falo de atos ...

Acabei de dizer que se quiser, você pode chamar a polícia, pode denunciar o corrupto. Pode fazer qualquer coisa. O que não pode é achar que precisa fazer algo e que pode acabar com a corrupção.

Tendo alguma força política ou policial, a acione e prenda os corruptos. Com isso acabará com aquela corrupção agora. Não tendo, se você é uma das pessoas que é comandada pela força política – e saiba que noventa e nove por cento das pessoas comandadas por esta força, deve dizer a si mesmo: não tenho o que fazer.

Enfim, você pode fazer o que quiser, mas imaginar que qualquer coisa que faça acabará com a corrupção, que, como vimos, é filha do sistema humano de vida, só lhe fará sofrer. Imaginar que pode acabar com os corruptos trocando os políticos é ilusão, pois os que entrarem serão iguais aos outros, já que são humanos também.

Sendo assim, por causa dessa crença, você sempre acabará sofrendo.

Deixe-me completar a resposta dizendo algo que falei rapidamente agora a pouco. Quem pensa que corrupção só que existe no Brasil não conhece nada do mundo inteiro. Corruptos existem em todos os cantos.

Se pegarmos sistemas políticos de povos mais avançados do que o do país de vocês, como o Japão, por exemplo, onde havia o respeito pelos ancestrais e pelos outros – falo que este sistema é mais avançado por causa deste respeito e não pelo avanço tecnológico – mesmo lá já tivemos notícias de políticos corruptos. Se num país onde o respeito era mola mestra da sociedade aconteceu, imagina se é possível acabar com ela no seu país, onde não se respeita nada nem ninguém.

Participante: pode se atuar, atos, causando uma ação corruptora sem envolvimento emocional? Em outras palavras, pode se praticar um ato corrupto sem intencionalidades?

Pode haver ato corrupto, sem pensamento corrupto. Pode haver ato corrupto praticado por seres que estão vivendo este papel neste mundo, sem que querem ou aceitarem esse benefício. Só um detalhe: falo isso internamente. Não estou falando o pensamento ou da ação física.

Só que isso acontece internamente e não pode ser visível externamente. Portanto, vocês nunca vão saber como internamente aquele ser está vivendo aquela ação, esqueça. Simplesmente não julgue ninguém.

Participante: então um político corrupto não pode alcançar a reforma íntima a menos que deixe de ser o que é?

Não, esse seu pensamento não está correto.

Acabei de dizer que o corrupto pode muito bem praticar externamente o ato e por dentro não estar em conluio com este ato. O que conta para a reforma é o mundo interno, não tem nada a ver com a ação.

Ele pode estar roubando, mas interiormente estar tranquilo. Nem tendo o prazer nem a dor.

Participante: os sistemas políticos mudam de acordo com nossa mudança interior? É a espiritualidade que escolhe o governante e não o voto?

Isso todos os mestres disseram. Desde Krisna até o Espírito da Verdade, todos disseram que os governantes são escolhidos por Deus.

Quanto à mudança do sistema político, eu diria que ele não muda de acordo com a sua mudança interior, mas sim de acordo com a necessidade de provação dos espíritos que encarnarão naquele orbe. Ele não é resultado da sua evolução, mas aquilo que precisa, o que tem que passar.

Vocês reclamam da corrupção dos políticos, mas saem correndo para dar dinheiro para o guarda para não serem multados. Reclamam do desvio de dinheiro público, mas sonegam impostos. Reclamam de quem leva vantagem individual com o bem público, mas se puderem ter alguma vantagem dada pelo governo ficam todos felizes.

Veja, você merece o que tem, merece os políticos que governam o seu país, pois também é corrupto. Deixe-me dizer uma coisa: sabe aquele pai que promete uma bala ou um chocolate para o filho se ele se comportar bem ou aquele pai que promete dar o desejo de consumo ao filho se ele passar de ano, ele é um corrupto. Ele está corrompendo aquele filho.

É estas coisas que você não veem. Quando se fala em corrupto, vocês só pensam no político que leva o dinheiro, mas não é só esse que é. Corrupto é aquele que busca vantagens indevidas com o bem de outro. Quando você oferece alguma coisa para que seu filho faça o que quer, está buscando uma vantagem indevida. Corrompe ela com bala, chocolate, a realização do desejo ou até mesmo com a autorização para ficar vendo televisão até mais tarde.

É por causa desses modos dos habitantes do país é que ali existe corrupção. Ela só existe para aqueles que precisam sofrer seus efeitos para ver se abrem mão de serem corruptores.

Por isso, mudar a corrupção dos políticos só não adianta: é preciso que cada um mude a sua. Enquanto a população achar normal corromper os outros para ganhar alguma coisa, enquanto achar normal se deixar corromper pelos outros para obter alguma forma de lucro, vocês serão alvo de outros corruptos que causarão carências a vocês.

Quem numa firma nunca ganhou um presentinho de natal de outra empresa? ‘Ah, isso é normal, ele está apenas me dando um presente’. Acha que ele não está esperando receber nada no ano seguinte?

Por favor, acordem e olhem para os seus próprios umbigos ao invés de ficarem olhando para os outros. Ao invés de assumir publicamente que é contra o político corrupto, olhe as suas próprias corrupções. Não ache certo ou normal levar alguma vantagem indevida, não ache que você pode e os outros não.

Aproveitando a sua pergunta quero falar uma coisa para vocês que são espiritualistas. Diante do que falamos me lembrei de dois ensinamentos de Cristo. Quando você acusa o outro está de olho na trave que está nos olhos dos outros ao invés de ver a que está no seu olho. Neste momento, também, você fere outro ensinamento, pois atira a primeira pedra, mesmo tendo pecado.

Participante: podemos dizer que se o país afundar no caos político por conta da corrupção pode estar do ponto de vista espiritual dando um grande passo no sentido de gerar carmas e ajudar os encarnados a evoluírem?

Pode não, estará. Se o país se afundar por causa de uma crise política gerada pela corrupção ou por qualquer outra causa, isso foi gerado por Deus para que os espíritos encarnados aqui tivessem o carma que precisam para a sua evolução.

Participante: sendo assim, quanto pior, melhor?

Não é bem assim. Você está trabalhando com conceitos humanos ...

Se o país entrar num crise política por qualquer motivo, isso não é melhor nem pior. Isso é o justo, o necessário. A questão de esta ou aquela situação ser a melhor ou a pior é coisa humana e não espiritual.

Deus não dá o melhor ou o pior, mas dá a cada um segundo suas próprias obras. Não obras humanas, atos, mas espirituais. A sua união com o individualismo, com as posses, as paixões e desejos que estão na mente ou não, é a obra do espírito. É essa ação que gera determinados carmas.

Por isso, você pode ter certeza que se esse for o destino do Brasil, ou melhor, o destino dos espíritos que estão vivendo sua encarnação neste país, isso acontecerá. Agora, se esse não for o seu destino, mesmo tendo nascido aqui, não mais irá permanecer. Se já tiver merecimento pode ser trazida de volta para o mundo espiritual, se não tiver, poderá ir viver em outro país.

Agora, se for morar em outro país, pode ter certeza que irá para um onde existirão carmas que você precisa passar.

Participante: como devemos proceder com a corrupção? Assistir a vida?

Como você vai proceder, ou seja, como a sua vida vai viver, eu não me importo. O que me importa é que esteja em paz consigo mesmo. Não deixe a corrupção dos outros entrar em você como uma carga negativa.

Quando se bloqueia esta carga? Quando não se aceita a ideia de erro criada pela mente. Para isso, quando a sua mente disser que determinada pessoa é corrupta, aceite esta ideia. Mas, se a mente for mais longe, ou seja, começar a acusar, a dizer que aquela pessoa não presta, que é um safado, não aceite esta ideia. Se aceitar, perde a sua paz.

Tem mais: toda esta carga negativa não lhe levará a lugar algum. Ela não mudará o corrupto fazendo-o ter uma crise de consciência e deixando de ser. Ela também não levará a trocar aquele político, mas mesmo que levasse, qual a diferença. O novo seria mais um ser humano agindo em benefício próprio sempre.

Deixe eu lhe dizer uma coisa. Se você somar a quantidade de corruptos que foram tirados de cargo, não atingirá nem meio por cento dos corruptos que existem neste e em outros países. Então, não resolve de nada.

Portanto, não é apenas assistir a vida, mas ter a consciência de que não escapatória. Como vocês dizem, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Quando entender isso verá que a única coisa que pode fazer e que lhe trará realmente algum resultado é manter-se em paz com a vida que tem.

Participante: perdi a minha vaga num evento porque esqueci de fazer o pagamento até a data limite. Um parente meu que podia conseguir que eu entrasse mesmo sem haver vaga, não apareceu para fazer isso. Fiquei chateado, mas logo me veio na cabeça sobre isso de corrupção.

Não importa se você não aceitou ou não, não importa se conseguiu ou não. O importante é saber que não pode criticar os outros porque quando apareceu uma chance você aceitou levar uma vantagem indevida.

Participante: se tirarmos da mente a ideia da felicidade neste mundo e do sucesso material, a corrupção perde sentido, pois o que importa se o político roubou e não temos hospital. O que importa se no país há pobres e desiguais sofrendo na pobreza. Essa vida não é nada frente a existência espiritual. Se colocarmos na mente que ela é um nada passageiro, a tendência seria que tudo que a sociedade humana considera criminosa perderia a importância.

Isso. Exatamente. Perfeita colocação.

O problema de você se sentir mal com a corrupção, o assassinato, o estupro e qualquer outra situação que seja chamada de mal pelos humanos é porque quem passa por isso está perdendo. É o seu individualismo eu foi ferido que está criticando o individualismo do outro.

Você já viu um corrupto dizer que não quer ganhar dinheiro? Isso não existe. Você só é contra alguma coisa neste mundo porque aquilo lhe faz perder alguma coisa.

Aí é que vem o grande problema: o que você quer perder? Qual o valor que dá para as coisas. Digo isso porque aquele que não quer perder nesta vida, acaba perdendo na outra. Por isso posso dizer que o ataque ao corrupto acarreta uma perda em outra vida.

Quando se observa aqueles que acham certos julgar os corruptos, constata-se que eles querem a felicidade neste mundo. Estão premiando o bem material ao espiritual. Digo isso porque o julgamento e a crítica, por qualquer motivo, são elementos que segundo Cristo afasta o ser do Pai.

Quem critica não ama e o mestre nazareno ensinou que devemos amar a todos. Não se trata de amar apenas aquele que você considera certo ou aquele que faz alguma coisa em seu benefício. Não foi isso que Cristo ensinou. Ele amou e ajudou os próprios romanos, que por fim o crucificaram, ele abandonou os senhores do Sinédrio e foi jantar com gente de má fama. Ele amou até Judas, que o traiu.

Esse é o problema. Onde está o seu bem é o que você é. Quando seu bem está na Terra, qualquer acontecimento que não lhe leve a ganhar alguma coisa nessa vida, será contra.

Falando disso me lembrei de uma resposta que já dei nesse trabalho a respeito de um árabe que disse que tudo é ilusão. Todo espiritualista, não importa de que religião seja, tem que achar esta vida uma ilusão, pois sabe que era antes de existir e que voltará a ser o que era antes. Por causa desta consciência, o espiritualista não perde tempo defendendo coisas materiais.

Espiritualista é aquele que sabe haver em si algo além da matéria e que vive para esse algo mais. Quem vive para esse algo mais, que vocês chamam de espírito, não se preocupa com dinheiro roubado, não se preocupa se alguém está levando vantagem indevida, se tem uma saúde boa ou má. Ele está voltado para cima, está de olho na sua existência eterna.

Perfeita a sua colocação.

Participante: os políticos corruptos também são filhos de Deus e tudo que façam de bom ou mau é entre eles e Deus?

Sempre. Tudo o que qualquer um fizer no final das contas é entre esse ser e o Pai.

Sobre isso tem uma história da Madre Teresa de Calcutá que fala exatamente assim. Lá ela diz: não importa o que aconteça, no final é tudo entre você e Deus. Portanto esteja em paz com Deus e para isso não se pode ser guiado pela mente, pois como ensina Paulo, a natureza humana é contrária a de Deus.

Ele fala mais: o que a natureza humana quer é contrário ao que a de Deus quer.

Guerreiros da paz - Textos

Conversando sobre a busca da paz

Participante: se acharmos algo errado ou constatarmos que alguma coisa não é para o bem público, podemos tentar mudar, mas se mudar, mudou, se não, não mudou. É isso?

Sim, tente mudar a si mesmo e não aquilo que vê como errado.

A mudança que precisa ser feita não é dar o valor de certo para algo que chama de errado. Ela se consiste em dizer: ‘eu não concordo, mas ele está agindo daquela maneira, o que eu posso fazer’? Fazendo isso, mudando-se, ótimo, pois terá paz; se não se mudar o mundo continuará igual ao que iria ser, mas você perderá a paz.

Lembre-se que a paz é o objetivo da sua vida, pois, como disse no início de nossas conversas, ela é o caminho para felicidade. Por isso, se quer ser feliz, saiba que tem que lutar pela paz.

Saiba de uma coisa: quem luta pela paz não pode lutar por nada mais, porque qualquer coisa pela qual se lute, se perde a paz

Participante: as tribulações da vida que marcarão a transformação do mundo de provas e expiações para o de regeneração estão relacionadas com crises políticas? A política fará parte das tribulações?

Sim, ela fará parte, pois as tribulações que acontecerão serão contra o sistema humano de vida, a forma humana de viver a vida. Esse sistema que é fundamentado no eu e que busca viver para que esse eu seja sempre atendido é o que será combatido no novo mundo e ele acabará.

Portanto todas as coisas que dizem respeito ao seu eu, o que gosta, o que quer, o que acha melhor, o que acha certo, serão questionados neste momento de tribulações. Esse questionamento se consistirá nas tribulações.

Aqueles que mantiverem a paz durante este período estarão prontos para o novo mundo. Os que não tiverem a paz, não terão como viver neste novo mundo, pois estarão em luta por alguma coisa.

Saiba que no mundo de regeneração não se luta por nada. Vive-se apenas o que Deus dá

Participante: você nos traz estes questionamentos, mas o resto do mundo que não lhe ouve, como questionará o seu sistema de valores? Quem os ajudará a fazer estes questionamentos?

Como ensina o Espírito da Verdade, tem ainda mais uma missão na encarnação: a de tomar um corpo de acordo com o mundo onde viverá para aqui, sob as ordens de Deus, contribuir para a obra geral. A partir disso, posso dizer que aqueles que ajudarão os outros serão espíritos dentro de corpos humanos que agirão sob as ordens de Deus.

Mais do que isso eu não saberia dizer. Não conheço plano de programação da vida de todos os encarnados.

Participante: realmente parece que o senhor ouviu minhas críticas hoje aos governantes. Seus ganhos, suas consciências sempre querendo ganhar alguma coisa. O pensamento surge, mas se tudo é Deus, o que fazer. Explique mais esta questão, por favor.

Eu não ouvi sua crítica, suas palavras, mas vi a sua perda de paz.

O problema não é o que você fala, ou como cristo disse, o problema não é o que sai pela boca, mas o que vem do coração. Internamente perdeu sua paz naquele momento. Poderia ter feito as mesmas críticas que fez, sem perde-la.

Assisti a sua perda de paz e não a sua crítica.

Participante: o senhor está falando do não julgueis para não ser julgado?

Este ensinamento também se encaixa no que estamos falando.

Participante: como perceber quando o ego está encobrindo a verdadeira intenção quando estamos levando vantagem? Por exemplo, sou convidado para ir trabalhar num lugar onde sei que há desvios, mas mesmo assim vou.

Você não tem que se preocupar com o lugar onde vai trabalhar, mas como o seu mundo interno. Se no lugar há desvios e você vai trabalhar lá, vá. Pode ser que você nunca desvie nada ou pode ser até que acabe entrando no esquema. Nada disso tem problema. O que não pode é achar normal que haja desvios ou atacar aqueles que desviam. Não pode achar certo você desviar, pois lá todos desviam.

É a comunhão com o que é pensado, não o ato, a ação. É o trabalhar com ideias de coisas certas, perfeitas, como devem ser. É isso que lhe faz sofrer e não a vantagem que pode levar.

Outra coisa que pode lhe levar ao sofrimento é se achar tão certo que pode criticar os outros. Tem uma história na Bíblia que acabei de citar. A mulher é pega em flagrante delito, ou seja, não restava a menor dúvida que ela agiu contra a lei. Por causa disso, o povo quer apedrejá-la. Cristo se aproxima e diz assim: porque querem jogar pedra nela, que atire a primeira pedra aquele que não tem pecado.

Esse é que é o problema. Todo ser humano é corrupto por natureza, porque é guiado por uma intencionalidade egoísta, por um eu que quer ganhar. Não importa se alguns querem perder para poder sentirem que ganharam. Estes também estão buscando o buscando o benefício individual. Portanto, a mente estará sempre criando críticas aos outros e você precisa estar atento para não se deixar levar por ela, não importa o que seja criado.

Para lhe ajudar a não tacar pedras nos outros, que acabo a história dizendo o seguinte. Quando Cristo falou isso todos os que estavam com pedras na mão desistiram de apedrejá-la por causa das suas consciências de se saberem pecadores. Aí o mestre falou à mulher: cadê aqueles que lhe acusavam, foram embora. Se eles não vão lhe acusa, quem sou eu parta fazer isso?

Pois é, esta é a máxima. O próprio Cristo, aquele que era um missionário sobre o planeta, se achou sem condições de julgar alguém. Como é que vocês se acham em condições de jugar a todos e a todas as situações?

Estamos falando de corrupção, de dinheiro, de levar vantagem sobre o bem público, mas podemos ir mais além. Normalmente vocês julgam os seus vizinhos, quem anda por uma determinada rua. Julgam todos por tudo sempre. Essa ação de julgamento é justamente o reflexo do individualismo, pois só acha alguma coisa errada aquele que sabe o certo.

Este é o problema. Todos os seres humanos possuem telhado de vidro. Por isso, não julguem ninguém.

Participante: o senhor já explicou muitas vezes que tudo é perfeito. De onde vem a dificuldade de muitos em aceitar isso?

Vem do fato de serem humanos. Como querem levar vantagem, ouvem os ensinamentos, mas na hora que sentem que podem estar perdendo os esquecem e agem como humanos.

Como costumo dizer, há uma pessoa que aceita e busca seguir nossos ensinamentos. Só que essa pessoa quer ser um escritor famoso. Por isso, ele não aceita a ideia de que Deus é Causa Primária de todas as coisas. Se aceitasse, quem seria o escritor era Deus e não ele ...

Quer exemplo maior de individualismo? É por isso que não fixam o ensinamento.

Participante: o melhor seria cantar o mantra dane-se ...

Sim.

Participante: Aliás, Cristo disse para amar os seus inimigos. Ou seja, tudo é diferente do que imaginamos que é o certo.

Não, você está equivocado. Cristo não disse só parta amar o inimigo. Existe sim na Bíblia algumas parábolas que chama os crentes a amarem os inimigos, mas tem uma passagem onde o mestre vai além. É a parábola do bom samaritano. Vou falar dela um pouco porque se encaixa na nossa conversa.

Cristo estava conversando com os fariseus e alguns disseram para ele: o senhor disse que temos que amar o próximo, mas quem é este? Então, o mestre conta a parábola do bom samaritano.

Essa parábola perdeu o seu sentido original. Hoje o termo samaritano está ligado à ideia de pessoa que pratica o bem, mas naquele tempo não era essa a compreensão do vocábulo. Samaritano era o nome que se dava ao povo que morava na Samaria, uma região do oriente médio. Retirada esta diferença, podemos agora falar da história.

Cristo conta uma história onde um judeu, um homem do povo da Judéia, caiu do cavalo e se machucou. Ele ficou prostrado no chão e passaram dois de sua tribo e não lhe prestaram socorro. Só que o terceiro que passa pelo local acaba ajudando o judeu. Quem é esse? O samaritano.

Acontece que naquele tempo o povo da Judéia e o da Samaria eram inimigos. Viviam em luta constante por territórios.

Eis aí a moral da história. Dois amigos, do mesmo povo, passaram e não socorreram o judeu, mas o inimigo fez isso. Com esta história Cristo está dizendo que o próximo que deve ser amado é o inimigo.

Em outra parábola o mestre ainda pergunta: de que adianta você abraçar o seu amigo? Isso qualquer ateu faz. Quero ver é cumprimentar o inimigo. Esse cumprimento a que se refere o mestre não é apertar a mão, ato físico, mas o respeito ao próximo. Com isso ele está ensinado que aquele quer ser feliz precisa aprender a respeitar o seu inimigo.

Mas, para respeitar o inimigo, temos que levar em consideração aquilo que me foi perguntado anteriormente: é preciso dar mais valor às coisas celestes do que às humanas. Isso porque quem dá mais valor às coisas materiais, não conseguirá respeitar inimigo nenhum, pois o seu individualismo não respeitará o dos outros.

Participante: ocorre que o mundo humano nunca será perfeito para que os encarnados não estacionem?

Quem disse isso?

Esta mesma pergunta foi feita pelo Espírito da Verdade para Kardec. ‘Quer dizer que existem mundos onde não há sofrimentos’? A resposta é sim, existem. Só que o Espírito da Verdade continua:’ agora você vai ficar se lamentando por que lá é perfeito e aqui não? Ao invés disso, trate de agir para que aqui também se torne perfeito’.

A ação a que se refere o mento do espiritismo é a do amor a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Só quando vocês se amarem uns aos outros como o Pai lhes ama, como ensinou Cristo, poderão fazer deste mundo a perfeição.

De qualquer maneira eu diria que isso para vocês ainda é utópico. Fazer com que toda a população do planeta ame incondicionalmente é um trabalho árduo que não se consegue resultados do dia para noite. Sendo assim, o melhor é desistirmos?

Não. Esqueça os outros e busque você a pratica deste ensinamento. Lhe garanto que quando amar desta forma a todos e a tudo, o seu mundo será perfeito, você viverá na perfeição. Digo isso porque o mundo é aquilo que você vive interiormente. O resto, as outras pessoas e as ações, são apenas o resto.

Participante: tudo o que o senhor fala tem a ver com a imensa teia que foi falada na palestra passada, teia esta que ficamos achando as pontas. É nisso que acabamos nos enroscando na teia. O natural do ser humano é tentar achar as pontas desta teia e a prova do espírito é ver que tudo está ligado sem pontas soltas.

Usando a figura que você fez, eu diria que o achar a ponta desta teia, que é o grande problema do ser humano, é quere entender como, quando, onde, porque e para que. Como você colocou tentando encontrar este entendimento, que não pode ser alcançado enquanto encarnado, o ser humano se perde na sua caminhada rumo ao mundo espiritual.

Por isso, pare de querer ter respostas. Saiba apenas que tudo o que acontece, não importa o que seja, faz parte de um plano, que segundo Paulo é secreto, de Deus para a sua encarnação. Este plano tem por finalidade leva-lo a abrir mão das múltiplas respostas que podem ser dadas (certo e errado, bom e mau, bonito e feio) e apenas amar. Amar é a única resposta que deve ser dada a qualquer momento em qualquer acontecimento durante a vida.

Como vocês não sabem o que é amar, não conseguem amar, porque são guiados por uma mente individualista, egoísta, eu diria que o que precisa ser feito é não compactuar com nada que não seja amor. A crítica é amor? Não. Então não a viva.

Então, esta busca de ponta que você utilizou na sua figura é o uso das perguntas como, porque, para que, quando e onde. É querer entender as coisas.

Todas as vezes que se entende alguma coisa, aquilo é transformado em saber. Quando isso corre, existe o pecado original.

Participante: tentar deixar de ser e passar a ser?

Depende do que você esteja se referindo ...

Deixar de ser humano e passar a ser espírito? Sim, mas isso é impossível para você que está encarnado. Por isso, contente-se apenas em deixar de ser humano.

Participante: sou um mortal e esse mundo é passageiro. Por isso vou tentar passar o meu tempo aqui da melhor maneira possível

Essa seria uma boa motivação para viver essa vida. Só que a sua mente jamais pensará dentro deste padrão. Você tem que lembrar-se disso quando ela pensar diferente.

Participante: em que sentido o senhor entende o respeito? É no sentido de amar a Deus e ao próximo?

Uso o respeito no sentido de respeitar o direito do outro ser, estar e fazer o que quiser, mesmo que o uso do direito dele lhe fira. Esse é o meu critério de utilização do respeito.

Participante: não sou de ficar abraçando, conversando ou agradando o inimigo. No entanto, não sinto raiva nem ódio. Isso caracteriza em não amar o inimigo?

Sim, porque ainda tem um inimigo. Ainda tem alguma coisa contra ele. Se não tivesse não o classificaria como inimigo.

Cristo não quer que você o abrace e agrade. O que ele quer é que o respeite. Quando você faz isso, ele deixa de ser inimigo. Pode não se tornar amigo, mas não é mais um inimigo.

Você não pode tratar aquele que não concorda com você como inimigo, porque tem que dar a ele o direito de ser, estar e fazer o que quiser. Pode dizer que não compactua com o que ele pensa, mas chama-lo de inimigo ainda está embutida uma pecha de errado.

Participante: quando Cristo pediu para o Pai afastar o cálice, ele estava em paz com Deus?

Já expliquei esta passagem. É o lado humano de Jesus Cristo se pronunciando. É para vocês entenderem que o sentir-se mal é normal e natural, mas que precisa ser vencido com o amor.

Mesmo pronunciando estas palavras, Cristo estava em ligação amorosa com Deus. Tanto assim que ele continua? Mas, se não for possível, que seja feita a Vossa Vontade.

O problema é que vocês só pedem para afastar o cálice, mas não aceitam a vontade de Deus, mesmo quando não se quer o que está acontecendo.

Participante: imposto de renda. Esse tema está certinho: o ego vai usar de todos os argumentos para não ter que pagar.

Exatamente, para não perder.

A sua mente acha que pagar impostos é perder. Mas, como o governo pode administrar uma coisa pública sem impostos. Nunca existiu um que tivesse conseguido, nem nunca existirá.

‘Ah, poderia cobrar menos’. Poderia, mas não cobra. E aí, o que você vai fazer? Vai se revoltar, criticar o governo ... Adianta alguma coisa? Eles ficam com o seu dinheiro do mesmo jeito e você perde a sua paz.

Guerreiros da paz - Textos

Caminhando na corda bamba

Este tema também é muito importante.

O que é ter uma expectativa sobre alguma coisa? É ter uma esperança. Quem tem expectativa sobre algo está gerando uma esperança de que algo aconteça do jeito que quer. Aí me desculpem, mas acho que estão cansados de saber que a vida não é governada pelas suas expectativas. Não é governada pelas suas certezas, que dirá pelas expectativas.

A vida corre frouxa, solta, ou seja, a vida vive a vida. Ela cria as coisas de uma forma que não é presa a expectativa de ninguém. Nem poderia ser diferente.

Me lembro de uma vez que estávamos numa conversa que todos ficaram estupefatos. Eles ficaram incrédulos com relação ao que eu estava falando. Só que isso é real. O que disse foi: para alguém ganhar alguma coisa, alguém perdeu algo.

Não tem jeito, não tem como fazer todos ganharem, porque todos são seres humanos diferentes entre si e por isso possuem paixões, posses e desejos diferentes. Se a vida existisse apenas para suprir as expectativas de vocês, estaria sido injusta, porque não estaria dando a outros a oportunidade de receber.

Ter expectativas é gerar uma esperança, um desejo que pode não ser correspondido. Se não for, você sofre, perde a paz, acusa alguém ou alguma coisa de ser o responsável por não ter conseguido o que esperava.

Portanto, a expectativa por alguma coisa – e coloco neste grupo a esperança, porque é a mesma coisa – é uma das armas ou soldadinhos que são usados pelo individualismo, pela posse, pela paixão, pelo desejo e pelas quatro âncoras para que perca a sua paz.

Quem vive esperando alguma coisa está sempre caminhando numa corda bamba, prestes a cair, a sofrer. Este é o primeiro aspecto que queria abordar a respeito de expectativa.

Guerreiros da paz - Textos

Justiça, merecimento, direito

Só que a mente para que caia na dela, ou seja, para que viva a expectativa, usa de alguns argumentos que nós precisamos conversar.

Que argumentos são esses? É justo que o que espera aconteça. Você tem o direito de receber tal coisa. Você merece para receber tal coisa. Esses são três argumentos que a mente cria para que aceite as expectativas que ela cria. Não são realidades. Vamos tentar analisar uma por uma.

O que é ser justo? O que é ser justo você receber algo? É uma análise que a sua mente faz de determinada situação. Só que a ela, como eu disse, é egoísta por natureza. Sendo assim, nunca irá aplicar uma justiça que seja verdadeiramente justa. Tudo que ela for trabalhar para descobrir justiça e injustiça será falso, porque estará guiado pela intencionalidade de ganhar individualmente.

Agora pergunto uma coisa: quem governa este mundo? Deus. Qual um dos seus atributos? Ser a Justiça. Deus não é justo, não analisa e aplica a justiça. Ele é a própria justiça, ou seja tudo que Ele faz é justo.

Sendo assim se você cria uma expectativa e não consegue alcançar o que esperava, era justo que isso acontecesse. Se merecesse, com certeza Deus lhe daria.

Já que falamos em merecer, quem sabe o que cada um merece? Deus. Só Ele sabe, pois dá a cada um segundo suas obras, ou seja, o que merece. Por isso, se não conquistou, não mereceu. Porque a Justiça Suprema analisou que você não merecia receber.

Esses são argumentos que o espiritualista, aquele que guerreia pela sua paz, pois vive para o ser, usa para escapar das armas que a intencionalidade, a posse, a paixão, o desejo e as quatro âncoras lançam através do pensamento. Ele diz: ‘eu posso até achar justo receber algo, mas se não recebi é porque a Justiça que não era justo nem merecido. Que o justo era o outro ganhar e não eu’.

Essa deveria ser a reação daquele que conhece a máxima do dar de acordo com suas obras, mas não é isso que acontece. Sempre que a Justiça encontra outro merecedor que não você, existe o sofrimento. Porque isso? Por causa de algo que já falamos: o desejo de saber.

Sempre que não é você o premiado com a sorte, vocês querem saber porque não foi o escolhido, porque a Justiça lhe premiou com o que recebeu. Isso só leva ao sofrimento, pois além de não se conseguir respostas, a mente aproveita desta brecha e cria conjecturas. Nelas acaba denegrindo a imagem do outro ou falando mal de alguém.

Saibam que no universo ninguém questiona Deus. Sabem porquê? Porque se tem fé Nele. Se tem confiança no Pai. Quando você aceita o desejo de ganhar, a expectativa de merecer receber e a crítica por não ter ganho, demonstra a sua falta de confiança Nele, a sua falta de fé.

Guerreiros da paz - Textos

Viver em paz

É o que já foi falado hoje: o que importa é onde está o norte da sua vida. Aquele que vive para o que era antes de ser não se preocupa em ganhar nesta vida. Por isso não cria expectativa nenhuma, porque sabe que tê-la acionará o desejo de ganhar. Ele se entrega à vida: ‘eu queria que isso acontecesse, mas se acontecer, bom, se não acontecer, bom também’.

Quem tem expectativas não consegue viver assim. Está sempre ansioso esperando receber aquilo que sonha. Será que alguém que tem ansiedade em receber alguma coisa consegue manter a paz durante a espera?

‘Eu vou ter uma casa própria, Deus vai me ajudar’. ‘Amanhã eu vou acordar bem cedo e fazer determinada coisa’. ‘Vou a casa de Fulano e tenho a certeza de que ele estará lá me esperando’. Esses pensamentos são ter expectativas.

‘Vou sair de viagem amanhã à tal hora, quando for x horas estarei em tal lugar e chego ao destino no final da tarde’. Quem nunca desenvolveu este simples pensamento? Acha que isso não tem nada demais, mas tem: gera expectativa. Quantas coisas podem acontecer ao longo desta viagem que pode lhe atrasar. Se isso acontecer, o que vem? A frustração. Ela é a filha da expectativa não alcançada.

Portanto, é preciso trabalhar em si muito a questão da expectativa porque ela é uma geradora de perda de paz. Como disse, ela às vezes aparece através de pensamentos simples, que parecem não trazer nenhuma ameaça à paz, mas não é bem assim que acontece, como vimos.

Ter expectativa é trabalhar pela perda da paz. Aceitar a expectativa que a vida cria para as coisas mais simples ou complexas é colocar a sua paz em segundo plano.

Só peço que se atentam para um detalhe. Não estou falando de evolução espiritual, de buscar o divino, mas em alcançar aquilo que vocês dizem sonhar: viver em paz. Para isso é preciso combater as expectativas que a mente gera, pois se não fizer isso, a angústia, ansiedade, preocupação é outras emoções que vocês conhecem tomam o lugar da paz.

Guerreiros da paz - Textos

Expectativas com o mundo espiritual

Participante: tenho a expectativa de ao final desta encarnação acordar no mundo espiritual me sentindo bem por saber que a missão foi cumprida. Isso é mais uma expectativa humana?

Sim.

Você ainda está projetando um destino e esperando que ele aconteça. No entanto, não pode ter certeza alguma do que acontecerá. Não sabe como é o mundo espiritual? Como já disse, tem muitos que buscam a reforma íntima para evoluírem e se chegarem ao seu destino podem não gostar do que encontrarão.

Por isso não crie expectativa. Até porque, em que ela influencia no seu destino? Em nada. Faça o seu melhor agora e deixe a hora da colheita para quando ela chegar.

Estou falando de fé: de entrega com confiança em alguma coisa. Quem tem fé no seu trabalho se entrega a ele com confiança e por isso não gera expectativas com relação ao futuro. A expectativa que você está me falando é a mesma daqueles que doam cestas básicas para os carentes para poder ter o seu terreninho reservado no céu.

Não importa o que seja, se há a projeção de algo para a outra vida, ainda se está preso ao egoísmo, ao individualismo. Deixe-me lhe dizer algo: a outra vida não é melhor nem pior do que essa. Ela é diferente. O atributo melhor ou pior das coisas é você quem determina. Portanto, se chegar lá e achar melhor, será, se achar pior, também será.

Se o futuro depende só de você, para que ter expectativas? Declare desde já que ela será melhor que com certeza viverá isso.

Participante: vivemos tentando fazer a elevação espiritual para termos acesso a um mundo melhor. Jesus, que já estava elevado, veio para o nosso mundo. Então, esta expectativa que temos é balela. Temos que viver e ponto. Sem expectativas de nada.

Perfeito. Mesmo a expectativa que a outra vida seja melhor do que essa pode existir.

Já falei diversas vezes que quem está apegado a coisas deste mundo (a natureza, uma bebida, uma música, etc.) sofre quando chega no mundo espiritual, pois lá não tem nada disso. Por isso, quando há a expectativa de uma vida melhor no outro mundo é porque se coloca nela tudo o que se gosta daqui, principalmente as coisas que não consegue ter aqui.

Já repararam que pessoas querem morrer para poder encontrar a paz? Porque têm esta esperança? Porque não a possuem aqui. Mas, encontra-la lá, neste caso, é impossível. Se como determinamos no início deste trabalho a paz é o resultado do trabalho por ela, não trabalhando aqui, não a encontrará lá.

De nada adianta ter esperanças de encontrar algo melhor no outro mundo. Como já disse, o motor que move a existência eterna, encarnado ou não, é o carma. Por isso, quem ainda não aprendeu a viver o que tem aqui hoje como o melhor para si mesmo, dificilmente encontrará o melhor lá.

Participante: então lá não é melhor?

Não. É diferente daqui. Não é bom porque não contém aquilo que você espera encontrar, aquilo pelo qual anseia.

Poderá ser bom para você quando estiver adaptado ao que lá existe, mas isso só acontecerá depois da frustração de não encontrar o que esperava. Além do mais, se a boa vida depende da adaptação ao que se tem, esta também pode: basta aprender a conviver com a existência humana como ela se apresenta.

Participante: desde que nasci sinto que vim para uma missão específica. Fico esperando os acontecimentos que desencadearão o início dessa missão. Essa expectativa é a mesma que estamos falando, mais uma viagem da encarnação que vivo?

Exatamente. É a mesma expectativa que estávamos falando quando usamos o exemplo de comprar uma casa ou um carro.

Lembro de uma pessoa que disse que tinha feito um retrocesso à vidas passadas. Lá descobriu que ela e alguém que conhecia tinham vivido muito e se amavam profundamente. Como essa pessoa era profundamente simpática, ela imaginou que o amava nesta vida e que era correspondida. Por isso começou a trabalhar para ter essa relação. Criou um monte de expectativas, mas nada deu certo. Acabou se decepcionando ...

Não acredite em nada que seja criado pela mente, seja sobre esta vida, outras ou sobre a existência eterna. São apenas histórias que servem como provações para esta vida.

Missão, todos têm. Sendo assim, pode já estar exercendo a sua missão sem ter conhecimento deste fato. Nesse caso, essa expectativa que vive é vã.

O problema é que pensam que executar uma missão é ter um grupo de seguidores aos quais você orientará. Missão não é só isso. Dizer a outra pessoa que não deve entregar-se a expectativa para não sofrer já é cumprir uma pessoa. Orientar uma pessoa em qualquer sentido já é cumprir uma missão.

Não espere que sua missão comece. Não tenha esta expectativa. Viva tudo o que tem como parte da sua missão.

Guerreiros da paz - Textos

Conversando sobre as expectativas

Participante: ter expectativa é ser infantil?

Com certeza. Quem tem expectativa com acontecimentos deste mundo é como a criança que espera o retorno do pai à casa com bala, é como a espera pelo presente de aniversário ou natal.

Aliás, a forma de viver do ser humano maduro, se visto pelo prisma de conseguir felicidade e paz, é bem infantil. Ele troca aquilo que diz que mais quer por qualquer novidade ou coisas sem valor real para a existência.

Participante: a expectativa no caso é deixar de viver o hoje e viver no futuro?

Também, pois vive a expectativa de alcançar o que quer.

Sim estará vivendo um futuro, mas não nele. Estará vivendo num presente futuro. Falo assim porque ninguém pode viver no futuro, pois ele não existe. O que você chama de futuro é a expectativa de agora com relações a coisas por vir. Sendo assim, está vivendo num presente futuro.

Participante: como podemos tirar esta expectativa da nossa mente? A mente sempre criará expectativa? Essa é a função dela, ou pode ser programada ou educada para não ser assim?

A mente é programada para gerar expectativas. Ela não pode ser diferente, pois é o diabo, o tentador. Ela precisa lhe propor expectativas e você, que diz que preza a paz, não pode aceita-las. Por isso, ela não pode ser programada ou educada para ser diferente.

A melhor forma de lidar com a mente para não se viver a expectativa gerada pela mente é concentrar-se em viver o hoje. Libertar-se da expectativa acontece quando a mente propõe a possibilidade de trocar o carro por um mais novo e você não se deixa levar por isso e anda calmamente no seu velho. É quando se está desempregado e depois de uma entrevista há a possibilidade de ser chamado, não ficar o dia inteiro olhando para o telefone. Ao invés disso, leve a sua vida normal e se ele tocar, tocou.

O problema é que a pessoa que está desempregada ou com o seu carro velho, quando tem expectativas, vive a certeza de que poderá conseguir o que sonha. Quantas vezes algum negócio ou a oportunidade de um emprego já não deram para trás? Depois que a expectativa se instala e isso acontece, a perda da paz é inevitável.

Essa, então, é a forma para se lidar com a expectativa. É dizendo a si mesmo que o desejo que a gera é só uma criação da sua mente e não uma realidade. A oportunidade que está sendo antevista pela mente é apenas uma interpretação que ela está fazendo para lhe levar aos píncaros, mas que a vida pode pôr tudo por água baixa num piscar de olhos.

É por causa da consciência de que isso pode acontecer é que você deve viver o seu agora, o que tem neste momento. Aliás, isso é a única coisa que você tem certeza que terá para viver.

Participante está havendo um mal estar no centro em que frequento e já estão pedindo para eu maneirar e outras coisas mais. Entretanto, uma entidade diz que estou criando expectativas dentro do centro quando falo de um mundo que eles não conhecem e que não existe. Como proceder: ficar calado? Essa expectativa é medo?

Sim, você está gerando expectativa porque está exigindo que eles ajam da forma que imagina que se deve agir.

O que pode fazer sobre isso? Dizer a eles que essa expectativa pode fazê-los sofrer. Só isso. A partir do momento que disser isso e as pessoas continuarem a ter, não é mais problema seu. Elas gostam de sofrer, querem sofrer.

Você deve transmitir a elas que a expectativa leva ao sofrimento, mas não deve cobrar dos outros que eles não as tenham. Vivendo esta ideia, você também terá uma expectativa.

Participante: obrigado pela instrução Joaquim. Deixar os outros se virarem é tudo o que precisava ouvir.

Agora, precisava eu falar isso?

Me diga uma coisa: quantas pessoas você já´ salvou neste mundo? Nenhuma. Talvez possa ter ajudado aquele que quis ser ajudado. Mas, quem não quer ser, já conseguiu ajudar algum?

Se você continua insistindo, é porque é cabeça dura. Brincadeira: é porque sua mente quer a vitória. Só que o único que sofre com este processo é você mesmo.

Só que você faz tudo isso em nome do que? Em nome de um amor humano. Insiste em ajudar os outros porque acha que amá-los e ensinar o que é certo e bom para eles, aquilo que acha que ele deve aprender. Desculpe, mas isso não é amor, mas sim egoísmo.

Amor é respeitar o outro e isso passa pelo direito dele se ferrar, se quiser. Me lembro que numa conversa uma pessoa me perguntou o que eu faria se visse uma pessoa com um revolver apontando para si mesmo. Minha resposta: vá em paz, boa morte.

Claro que este ser humano, ligado às coisas materiais, se chocou. Ele imaginou que eu iria querer salvar esta pessoa. Mas, se ele quer morrer, quem sou eu para dizer que não tem que morrer naquela hora? Quem sou para dizer a alguém que ele tem que continuar vivo?

Vou fazer isso para uma pessoa que não quer permanecer viva? Em nome do que? De amor? Isso não é amor, mas ditadura, é querer comandar o destino do outro. Se ele quer morrer, que se mate.

O bom de ter muitos anos de trabalho é que temos muitos exemplos do que já foi falado.

Participante: o senhor disse que a Justiça é um dos atributos de Deus e que por isso, Ele não pode ser justo ou injusto. Para que não se torne um jogo de palavras, pode esclarecer se Ele é a injustiça também?

Ele não é a injustiça, porque isso não existe. O universo é único, uno e estável. Ele não é bipolar. Não possui dois lados.

Por isso não existe justiça e injustiça. Seria a mesma coisa que você acreditar que existe Deus e o Diabo.

Então, no universo, só existe Justiça. Agora, para você, existe o justo e o injusto. Ou seja, estes valores tratam-se apenas de uma interpretação humana da Justiça. Tudo que você chama de justo e injusto é a Justiça acontecendo e a mente humana gerando uma qualificação para ela a partir do seu egoísmo. Justo, para você, é a Justiça que lhe agrada; injusto, o que lhe desagrada, que lhe traz algum prejuízo.

Portanto, Deus é a Justiça. É você que O chama de injusto quando o que está acontecendo não lhe agrada, não lhe leva a ganhar algo.

Participante: tenho que manter uma guerra com a mente cinte e quatro horas por dia para alcançar a harmonia e a paz com Deus?

Você nasceu para isso. Não há outro motivo para estar encarnado. Ou será que imagina que Deus lhe mandou aqui para comer bem, para tomar banho de sol, ouvir os cantos dos pássaros, para fazer ato sexual, para ganhar dinheiro ...

Nada disso faz parte do objetivo do espírito ao encarnar. A única coisa que ele almeja quando encarna é vivenciar provas e responder a ela mantendo-se em unidade com Deus.

Agora, a questão da guerra na sua pergunta denota algo desagradável, forçado, que traz a necessidade de despender muito esforço. Sim, isso pode acontecer agora, porque você não está acostumado a essa vivência. No entanto, quando se tornar um hábito, nada mais terá de desagradável.

Participante: sem esperanças não nos faltaria vontade para colocar os ensinamentos em prática?

Olha o seu lado humano, o egoísta, se pronunciando ... Quer dizer que você só coloca o ensinamento em prática se houver a certeza de algum ganho futuro?

Esse é o grande problema. Como já me disseram inúmeras vezes, vocês ouvem tantas vezes o que eu e outros emissários ensinam, mas não conseguem praticar, não conseguem dedicar-se à prática. Sabe porque isso acontece? Porque ainda não anteviram na prática deles alguma vantagem individual.

Vocês julgam todo ensinamento que recebem pelo seu próprio interesse. Se o que alguém diz mostra uma luz no fim do túnel, mostra a possibilidade de ganhar algo, vocês se entregam a ele. Agora, se esse ganho não estiver bem claro, falta vontade para entregar-se à prática daquilo que se diz acreditar.

Como me disseram hoje, a pessoa coloca os ensinamentos em prática com a esperança de acordar do outro lado em paz. Veja a presença da esperança, a vontade de ganhar alguma coisa regendo esta busca e não a verdadeira busca de evolução.

Por isso, saiba que se tiver alguma esperança com relação ao resultado do trabalho, você nunca estará colocando em prática realmente os ensinamentos, pois tudo que os mestres ensinaram é para aprender a conviver com o aqui e agora sem querer ganhar nada hoje nem no futuro. Eles existem para que aprendam a aceitar a vontade de Deus, para conseguir uma união amorosa com o Pai. Quando esta busca ainda é realizada na esperança de um retorno por esta união, o que move não é o amor a Ele, mas sim a busca do lucro individual.

Então, veja, retire qualquer esperança e pode ser que você faça alguma coisa.

Participante: eu vivo sem criar expectativas. Vou decidindo minhas coisas como elas se apresentam. As outras pessoas ainda assim esperam que eu tenha expectativas. Isso é bastante chato porque acho entediante e repetitivo, mas pelo que ouvi você falar hoje, imagino que estou criando um tipo de expectativa. Estou pensando certo?

Sim, você está vivendo a expectativa que eles não sejam do jeito que são. Ainda tem a esperança que eles parem de cobrar que você não tenha expectativas.

Sempre a mente humana trabalha com expectativas, porque essa é a forma dela existir. Não há outro jeito. Se ao me ouvir você não quiser ter expectativas, pode ter certeza de que manete gerará a esperança disso acontecer, porque ela não sabe viver de outra forma.

Portanto, com esses ensinamentos você não de se concentrar em acabar com elas, mas buscar dentro de si as expectativas que existem e aprender a conviver com elas. A sua, por exemplo, é a de que os outros mudem. Só que eles nunca mudarão.

Deixar de ter esta expectativa, como disse, você não pode deixar de ter, mas não precisa vive-la. Para isso, ao invés de cobrar mudanças nos outros, aprenda a conviver com eles como são.

Tem uma frase de para-choque de caminhão que diz assim: Deus deu a vida a cada um, para cada um cuidar da sua. Por isso lhe digo para esquecer os outros e tomar conta da sua vida, da vivência das expectativas que a sua mente possui para que não sofra. Deixe o resto viver a vida deles.

Não existe como mudar os outros.

Participante: a única chance de escapar das expectativas que a mente propõe é observá-la. Ver seus vícios e seus costumes. Essa vigilância constante é o preço a se pagar pela paz?

Perfeitamente. É o preço que você tem que pagar. Aliás, foi o que já disse: tudo tem um preço. O preço da paz é a vigilância constante do que é criado pela mente para a sua vida e não deixar estas criações serem usadas para acabar com a sua paz.

Essa vigilância é constante e precisa ser feita vinte e quatro horas por dia. Quando não estiver, também não perca a paz porque não fez.

Participante: certa vez uma entidade, um preto velho, me disse que sou muito auto destrutiva. Pode falar algo a respeito? Será que isso sugere criar expectativas negativas da vida?

Expectativas não falamos, mas é o mesmo processo. Quando você não quer que aconteça alguma coisa, o processo é o mesmo de querer que algo aconteça. Porque isso? Porque tanto o querer como o não são desejos.

O desejo não se consiste apenas em querer ganhar. Ele às vezes é o querer ganhar a derrota.

Viver dessa forma realmente é algo auto destrutivo, mas é algo que para você é a felicidade. Sei que estou complicando, mas vou tentar explicar.

Já ouviu falar de pessoas pessimistas? Quem são? São aquelas que possuem expectativas negativas para o futuro. O que acontece quando a previsão deles dá certo? Eles têm o prazer. ‘Viu, como eu tinha previsto, isso não ia dar certo’ ...

Portanto, pouco importa se tem expectativas quanto à realização ou quanto à destruição, você está tendo uma expectativa. Mesmo que o que deseja que não aconteça realmente não ocorra, existirá a expectativa antes, a espera pelo acontecimento e o prazer quando tudo sair como previsto.

Aliás, falei um apalavra agora que precisamos trazer para est conversa. Quem tem expectativas é aquele que quer prever o futuro, positiva ou negativamente. Aquele que se imagina capaz de saber o que acontecerá no futuro. Como não existe ninguém que consiga fazer esta previsão, o sofrimento pela expectativa é vão.

Participante: quando nos dizem que é para termos esperança, é o mesmo que criar e ter expectativas?

Sim, é a mesma coisa. Mas, deixe-me aproveitar a sua pergunta e falar sobre uma coisa.

Você me fala que as pessoas dizem que deve ter esperanças. Eu pergunto: esperança do que? Do que é bom para você? De que se realize aquilo que quer, ou seja, que ganhe algo? Sim, toda esperança de coisas futuras é fundamentada no querer ganhar.

Repare: sempre que se cria uma esperança, ela é fundamentada naquilo que se quer. Ninguém tem esperanças de ocorrer o que não quer. Mesmo os pessimistas, como provei agora pouco, querem que a previsão negativa para o futuro dê certo.

Portanto, só não tenha esperanças de nada. Se viver estará preso ao egoísmo, ao querer ganhar. Quem vive assim está preso ao prazer e a dor e nunca consegue paz.

Agora, quem diz para que você tenha esperanças? Um mentor, uma entidade, o padre, um determinado autor. Quem são todos eles? Instrumento de Deus para a obra geral. Por isso, quando eles lhe falam para manter a esperança, não fazem isso para indicar um caminho, mas sim porque são espíritos que vestiram um corpo de acordo com este mundo e aqui, sob as ordens de Deus, contribuam para a obra geral, ou seja, fazem isso para que tenha a sua prova.

Eles não estão certos nem errados; estão perfeitos. É o que eles precisam fazer. Por isso sempre digo: quando falo destes temas, não estou dizendo para não tê-los, mas sim para que aprendam a conviver com essas coisas.

Não estou falando que não deve ter esperanças, mas sim que não crie a que é criada pela mente.

Participante: maior do que o preço da vigilância constante, também não seria o preço da renúncia da vida humana, a troca da lógica humana pela espiritual? Podemos estar vigilantes, mas isso não significa que implantaremos mudanças no nosso modo de vivenciar os acontecimentos da vida do ponto de vista sentimental.

Sim, isso também já falamos.

A paz tem um preço, ou melhor, alguns. A primeira coisa que precisa fazer para tê-la é a libertação das coisas humanas, que você chamou de renúncia. É preciso se libertar delas.

Este custo é alto, mas só para aquele que quer ser humano. Para aquele que quer viver as coisas humanas, ter o prazer da conquista, o custo de se transformar num espírito é alto.

Participante: a depressão que certas pessoas têm pode ser excesso de expectativas?

Normalmente é.

Depressivo é aquele quer as coisas de determinado jeito e que não consegue que isso aconteça. Por isso entra numa tristeza profunda.

Só entra numa tristeza profunda aqueles que têm muita expectativa sobre as coisas deste mundo, pois aí sofrem mais.

Participante: eu noto que durante o trabalho a mente fica mais ocupada com as tarefas e sugerindo menos coisas. Isso é um ponto positivo do trabalho ou negativo, porque me tira o tempo de aprender a educar a mente?

Isso é simplesmente a forma como ela trabalha. Nem melhor nem pior.

 Participante: você tem alguma dica para não se enredar nas historinhas da mente e assim não criar expectativa, ou pelo menos minimizá-la?

Sabendo que nada depende de você. Essa é a dica.

Saiba que nada depende de você neste mundo. Quando a sua mente lhe disser que seria muito bom se tivesse um carro do ano, ao invés de viver a expectativa e ansiedade de arrumar condições para ter, lembre-se de que depende de dinheiro para isso. Com esta lembrança, tente fazer tudo o que foi possível para arrumá-lo sem a expectativa de conseguir. Desse jeito você não sobre a ansiedade e nem uma possível decepção por não conseguir.

Você só consegue vencer as expectativas quando cede o controle da vida para ela. Cede o seu suposto controle de realizar as coisas à vida.

Aliás, disse uma vez: você só será capaz de viver esta vida quando se declarar incapaz de vive-la.

Participante: a fé é oposta à expectativa?

Não. A fé não é oposta, porque é entrega. Tendo uma expectativa, ou seja vivendo uma esperança criada pela mente, tem fé. Mas, fé em quem? Em você mesmo, na sua mente.

A fé em Deus é o oposto da expectativa, mas, mesmo assim, é exercício de fé. Isso porque é exercida através de uma entrega com confiança, mas a si mesmo.

Participante: a crença em um eu que age na matéria, no mundo, é a causa original da expectativa? Na prática, como seria ter ciência de que não se tem controle sobre nada? Pergunto isso porque as religiões institucionalizadas pregam que você pode e deve agir materialmente.

Vamos uma por vez.

‘A crença em um eu que age na matéria, no mundo, é a causa original da expectativa’?

Sim, porque esse eu é individualista, ou seja, ainda quer para si mesmo. Por isso a crença de que existe um eu que age leva à expectativa de conseguir ganhar.

‘Na prática, como seria ter ciência de que não se tem controle sobre nada’?

Como pode saber que não pode ter controle na vida? Observando-a. Me responda: tudo que você quer acontece? Tudo que age para ir para um lugar vai para lá? Tudo que faz é recebido como imaginou que seria? Claro que não. Então, não tem controle de nada.

O problema não é agir, mas sim achar que tem controle, ou seja, achar que vai conseguir chegar ao destino que quer. Isso é a expectativa.

‘As religiões institucionalizadas pregam que você pode e deve agir materialmente’.

Então haja, mas faça isso sem se deixar levar pelas expectativas que a mente cria, ou seja sem imaginar que a sua ação gerará determinado resultado. Se fizer só isso, já estará em paz.

Participante: a ignorância é melhor do que a busca? Tem pessoas que não tem a menor ideia de nada disso, mas vivem em paz.

Sim, não tem a menor ideia de nada disso, mas não aceitam a expectativa que a mente cria. Não nos ouve nunca, mas ouve o próximo sem criticar, sem acusar. Como diria Cristo: eles são simples de coração.

Participante: sobreviver sem expectativa. Sinto que a vida é como se fosse uma onda do mar e eu uma prancha deslizando sobre ela e apenas observando os acontecimentos. É mais ou menos dessa forma que devemos viver?

É maios ou menos assim que precisam viver para ter paz. Viver sabendo que a onda lhes leva e traz a hora que quiser.

Participante: libertar-se da expectativa é o mesmo que viver como planta sem questionarmos porque não somos um peixe?

Não. Fico com a figura da prancha deslizando no mar. Libertar-se da expectativa é deixar a vida lhe levar para frente e para trás sem que tenha objetivo a chegar ou medo do retrocesso.

Guerreiros da paz - Textos

Dependência

Participante: como podemos amar de verdade, sem apego, sem insegurança com o futuro e o medo de perder. O que causa tanto sofrimento e atraso?

Sei que nós já conversamos sobre relações amorosas, mas como disse naquela época, quanto mais detalhado for o assunto para estudo, mais fácil se consegue argumentos para poder ficar em paz. Neste momento uma pessoa me faz uma pergunta sobre relação amorosa específica: a que contenha apego.

Será, então sobre o apego nas relações amorosas. Este tema é importante, porque o que vamos dizer hoje vale para o apego por qualquer coisa neste mundo.

A primeira coisa que temos que entender quando se fala de um tema desses é o próprio termo. Há mais de dezesseis anos falamos de apego. Vocês já me ouviram falar centenas de vezes sobre isso e lutam pelo desapego, mas se eu perguntar o que é apego, não sabem. Confundem apego com gostar, com querer, com amar.

Apego não tem anda a ver com isso. Trata-se de uma característica diferente. Trata-se de um gostar, mas de um gostar, amar e querer especial. Quando se ama com apego se dá uma característica diferente ao amor, ao gostar.

Que característica é essa? O apego dá ao apego a característica de dependência. Quem ama de forma apegada, quem tem apego a quem ama, tem uma dependência daquela pessoa que se ama, da coisa com o qual se convive.

O amor dependente é aquele onde existe uma incapacidade de se viver sem aquilo que se é apegado. Essa é a característica do apego: ele gera uma dependência. Por isso, o tempo inteiro em que falamos sobre apego nos últimos anos, estávamos falando de uma independência. Estávamos falando de se viver independente de pessoas ou objetos.

Será sobre isso, então, que falaremos agora. Iremos abordar as relações amorosas onde além do amor existe uma dependência física ou emocional.

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Todos procuram a sua paz

Porque a dependência física ou emocional de alguém ou de alguma coisa é danosa para a sua paz, para a sua felicidade? Sim, eu posso dizer que é porque todos os mestres ensinaram que devemos nos libertar da posse, que temos que nos desapegar. Então, porque ela é danosa?

Porque todo ser humano é individualista, egoísta, por natureza. Todo ser humano pensa a partir de um eu visando com que esse eu ganhe alguma vantagem. Isso não muda, não importa a pessoa. Todos vivem dessa forma.

Ora, isso quer dizer que a pessoa que você ama, a coisa que quer, prioriza a si mesmo e não a você. Ela não vive para você, mas para ela mesma.

Quando você se torna dependente da outra pessoa, física ou emocionalmente, espera que ela viva para você. A marca do apego é exatamente essa. Quem é apegado a alguém ou a alguma coisa espera que aquele a quem é apegado viva para ele.

Então, veja, o apego é uma armadilha. Isso porque vive dependente dos outros, vive querendo, precisando que os outros vivam para você, mas cada um vive para si mesmo.

‘Ah, Joaquim, o que você está falando não é verdade. Meu irmão, meu marido, meu pai e minha mãe vivem para mim, fazem tudo por mim, abnegam deles para me satisfazer’. Digamos que eles façam isso. Porque fazem? Porque querem, porque gostam, porque acham certo. Ou seja, eles continuam vivendo para eles mesmos. Se não gostassem, não faziam. Por isso quando fazem para você, estão fazendo para eles mesmos

Portanto, não caiam na ilusão de que o outro vive para você de uma forma apaixonada, sem esperar nada. Ele espera sim: que você aceite o que ele faz. Quando não aceita, quando reclama, ele mostra o quanto se sacrifica por você.

Portanto, o apego é uma armadilha que tira a paz porque é preciso que o outro lhe de paz para que tenha. Como o outro não está preocupado em lhe dar paz, mas em tê-la, apegar-se a alguém ou a alguma coisa é porta aberta para o fim da felicidade.

Este é o primeiro detalhe. Vamos adiante.

Guerreiros da paz - Textos

A saída é amar a si mesmo

Disse que todo ser humano é individualista, egoísta, por natureza. Ele pensa a partir do eu para que esse eu ganhe. Depois, disse que a sua mente cria para uma relação amorosa com apego, ou seja, cria uma armadilha para você sofrer. Não tem nada errado aí? Acho que sim.

Não acha estranho, você, a sua mente, diz que quer ser feliz, que quer ter paz mas ao mesmo tempo cria uma armadilha que levará ao sofrimento. Olha que coisa louca: você, sua mente, diz que quer ser feliz, mas ao mesmo tempo cria situações para que possa sofrer.

Esse um detalhe que você precisa estar consciente para poder não aceitar o apego. Pode até aceitar que ame alguém, mas não pode se tornar depende disso, senão certamente vai perder a sua felicidade. Portanto, libertar-se do apego nas relações amorosas não é não deixar de amar alguém.

Aliás, quando falei de relações amorosas não disse para deixar de amar alguém. Isso não é preciso. O que estou dizendo é que não pode deixar esta este amor se transformar num apego. Deixando, cairá numa armadilha. É sobre esta questão que quero falar hoje.

Como é que se faz para não se deixar levar pela armadilha do apego? Você só se livra da armadilha do apego amando a si mesmo acima do outro. Você está apegado a alguma pessoa porque a ama acima de si mesmo, porque depende dela para poder ser feliz e estar em paz.

Quando descobre isso, o guerreiro da paz trabalha neste sentido. Quando detecta que está vivendo uma dependência por outra pessoa, ou seja, um apego, trabalha para amar a si. Faz isso porque sabe que na hora que amar a si mesmo, que bastar a si, não vai precisar de ninguém. Neste momento poderá amar a todos sem apegos;

Quem ama com apegos não gosta de si mesmo, não protege a si. Espera sempre que o outro seja o instrumento da sua paz e da sua felicidade.

Eis, aí, então, a resposta. Como amar sem apego? Amando a si mesmo. Só que amar a si mesmo não se trata de dizer que você é o melhor, que está acima dos outros. Não é isso. Você pode ser a pior criatura do mundo em qualquer aspecto, mas quando se ama, é o melhor pior.

‘Isso é um jogo de palavras’, Sim, é um jogo de palavras, mas fazer isso é amar a si mesmo. Quem ama a si mesmo considerando-se, por exemplo, um chato, se considerado melhor chato. Quem ama a sai mesmo e gosta de fazer fofoca, acha que é o melhor fofoqueiro. Ele se ama como é e por isso não se acusa do que faz.

Quem é inseguro ao tomar decisões, mas ama si mesmo, ama a sua insegurança. Se por causa dela precisa ter alguém ao seu lado, esta pessoa não se sente dependente: apenas usa quem está próximo.

 Este é o trabalho que o guerreiro da paz faz com relação a apegos. Ele não luta para acabar com um amor que sente. A sua luta é para não depender de ninguém, para não se apegar a ninguém. Por isso luta para se amar se amar do jeito que é.

Lutar para amar a si mesmo do jeito que é: esse é o único caminho para se viver uma relação amorosa sem apegos. Não importa se essa relação é com pessoas ou coisas. Para se livrar dos apegos e por isso não estar exposto as armadilhas da mente que lhe acabará com a paz e levará ao sofrimento adiante, o único caminho é o amor a si mesmo.

Guerreiros da paz - Textos

Apego ao sexo

Participante: alguém que se cobra por gostar de sexo deve mudar? O prazer não afasta da perfeição?

O prazer sexual não afasta. O que faz isso é ter o prazer de ter prazer.

O prazer sexual é ato. Ele é fruto da ação de um membro masculino penetrando o corpo de uma mulher. Portanto, como ação que é, ele não interfere no processo de elevação espiritual.

O que interfere é o seu mundo interno. O que interfere é quando acha que o prazer sexual é a coisa mais importante do mundo, que você precisar ter relações, que o seu parceiro(a) tem que estar sempre disposto. Isso lhe afasta, lhe tida a paz.

Se gosta e quer ter, tenha, só não cobre que os outros tenham o mesmo desejo que você

Participante: quando a pessoa gosta de fazer sexo com várias pessoas, independente do seu estado civil?

Qual o problema? Vocês mesmos dizem: lavou está novo ...

Sabe para quem é qual problema uma pessoa fazer sexo com muitos? Para aquele que é carente, que é dependente daquela pessoa, aquele que precisa que aquela pessoa viva só para ele.

Só tem problema nesse sentido quem tem apego a outra pessoa. Eu não vejo problema nenhum em fazer sexo com quantas pessoas você quiser. Sexo é humano e você não vai levar nada daqui. Já com relação ao seu apego, eu tenho a ver, pois ele pode a perda da paz. Tenho essa preocupação, porque quem espera alguma coisa neste mundo, isso terá reflexos na outra vida

Guerreiros da paz - Textos

Falar de atos

Participante: tenho relações com duas pessoas. Vivo bem com elas, faço bem às duas ao mesmo tempo, mas uma não sabe da outra. Há algo errado nisso? Há algo errado em amar duas pessoas ao mesmo tempo e se relacionar com elas?

Não há nada errado nisso. O que seria não amoroso é a mentira, o adultério.

Adulterar não se trata de ter duas, mas se perguntado, não contar a verdade. Se uma das duas lhe perguntar se há outra, você não deve enrolar e dizer que não. Tendo duas pessoas e elas aceitando a existência uma da outra, não há nada errado.

Participante: mas porque o senhor nos diz que devemos falar a verdade, isso é um ato programado. Sendo assim, acontecerá se tiver que acontecer.

Deixe me colocar uma coisa. Quando eu estou aqui conversando com vocês preciso falar de atos. Isso porque vocês só entendem a ação. Só que por trás do que se faz, existe algo: uma intencionalidade, um objetivo a ser alcançado.

Estas duas coisas são o que importa para a elevação espiritual. Por isso, mesmo falando de atos, é sobre elas que eu falo.

Quando digo que deve falar de tal jeito a uma pessoa, não estou querendo lhe dizer que deva falar com as palavras que uso, porque não falo de atos. As palavras que coloco se referem a intencionalidade e o objetivo que deve ter naquele momento.

No entanto, como é difícil se falar de coisas subjetivas, preciso me referir a ações para que entenda o funcionamento do mundo interno. Falo, por exemplo, para que não viva a intenção de esconder de outra pessoa que existe outra. O que quero dizer é que internamente você não deve acreditar que não precisa contar e que pode mentir. Agora, como isso vai acontecer, que palavras vai usar, isso está programado.

O que vocês não entendem é que preciso falar de atos. Vocês não compreendem que estou me referindo ao seu mundo interno. Estou falando daquilo que está por trás da ação. Sempre que me refiro a uma ação, estou abordando aquilo que está acontecendo internamente.

Tivemos recentemente um caso muito semelhante ao assunto que você se embasou na sua questão: ter duas pessoas ao mesmo tempo. O trabalho que fiz com esta pessoa não foi dizer que ele não podia ficar com as duas. Quem sou eu para dizer o que ele precisa o deve fazer a vida dele. Ele faz o que quiser. O que tive que fazer foi mostrar o que estava vivendo internamente.

A pessoa me disse que aquela situação para ele estava sendo vivida no amor universal. Imaginava que estava sendo muito elevado e espiritualizado naquele assunto. O que não entendeu é que essa ideia não era real. Na verdade, internamente, a mente, egoísta como é, queria ter as duas ao mesmo tempo. O ter é ato e por isso não podia falar disso, mas tinha que alertá-lo que no seu mundo interno não havia amor universal como ele imaginava.

O que fiz para mostrar isso? Usei atos ... Ele me disse, por exemplo, que havia descoberto que a moça da relação era fruto de um amor de outras vidas e que aos poucos foi se envolvendo até o ponto de imaginar que não podia mais viver sem ela. Foi isso que usei para mostrar a hipocrisia da mente. Disse que se ele amasse realmente desse jeito, já teria abandonado a outra, o que não tinha acontecido.

Atos, me referi a acontecimentos para mostrar o mundo interno. Usando os atos mostrei que a real intenção era ficar com as duas, pois ainda estava com a esposa e falando apenas de estar com a outra por algum tempo.

O ato reflete o que está no mundo interno, o que vai por dentro. Internamente a intenção desta pessoa mesmo querer ter as duas à sua disposição ao mesmo tempo. Mas para poder mostrar isso, tive que me referir às ações.

Esta a minha função. Não falo de atos, mas preciso abordá-los para poder falar do que existe internamente.

Participante: você acabou de falar que não se pode adulterar no caso do rapaz que não deve mentir para duas pessoas que vive. Isso não é ato?

Sim, mas é um ato oriundo do desejo de ganhar. O problema que essa pessoa terá é porque está vivendo com o desejo de querer levar vantagem. Além disso, tem o medo de perder, pois pode adulterar com a intenção de manter os dois relacionamentos, já que se contar, poderá perder ambas.

Estas duas coisas são os problemas, no tocante a manutenção da paz, deste ser humanizado. O problema não está em contar ou deixar de contar, mas sim achar que não tem que fazer isso, que não deve fazer para não perder as duas.

Essa intencionalidade que existe no mundo interno enquanto o ato está acontecendo é que vai contar para a elevação espiritual. Como Cristo ensina: Deus julga a cada um segundo a sua intencionalidade. Ele não faz isso pela ação, mas pela intenção.

Portanto, se não contar, é porque não contou. Tudo bem. Agora, se isso acontecer e for vivido com a intenção de levar alguma vantagem, terá problemas.

Participante: se eu não vibrar nem no prazer nem na dor, mesmo adulterando, está tudo bem?

Sim, se não vibrar no prazer nem na dor, no sentido da manutenção da paz, da elevação espiritual, não há problemas. Agora, é preciso estar muito atento às criações mentais sobre isso, porque ela pode dizer que você não está vivendo esta dualidade e está.

Como se pode saber se está tendo o prazer ou não? Observando o pensamento. Veja o que ele fala sobre o relacionamento ou sobre a possibilidade de contar. Se o que é pensado embute a sensação de se sentir poderoso porque tem duas, há prazer. Se ele mostra alguma reserva com relação a se expor à elas, há prazer. Nestes casos, é preciso não se deixar levar por aquilo que é pensando, não acreditar nas coisas que a mente fala, pois senão a paz não será alcançada.

Portanto, quando eu dou um conselho com relação a atos, estou tentando me fazer entender no tocante ao mundo interno. Preciso fazer isso porque se você não tomar a consciência que deve se libertar da intenção pode se prejudicar.

Não falo para que você saia correndo e conte. Se vai ou não falar, Isso não me interessa. Isso é a vida de cada um e eu não me meto na vida dos outros. O que me interessa é que você, mesmo inconscientemente, não se sinta o todo poderoso porque tem relações com duas mulheres ao mesmo tempo.

Guerreiros da paz - Textos

O apego e o trabalho da evolução espiritual

Participante compreendo, ainda que só a nível mental, os ensinamentos passados. No entanto sinto a prática deles tão distante. Me parece que eles são utópicos, pelo menos durante essa encarnação. Até desanimo de tentar colocar em prática. Claro que isso me parece também uma característica da mente, que quer ver resultados. Ainda tenho muitos apegos nas relações mais diversas e sinto que não conseguirei resolver isso nessa vida. Poderia comentar alguma coisa a respeito?

Vou lhe responder.

Quando vai sair com uma pessoa, um amigo, um namorado ou uma colega de trabalho, você se arruma, coloca maquiagem, escolhe roupa?

Participante: sim ...

Porque faz isso?

Participante: não sei ...

Para o outro lhe elogiar, para gostar de você e querer estar ao seu lado;

Você não se arruma para si, mas para os outros. Se arruma para causar impressão neles, para continuarem junto a você. É a partir dessa realidade que vou lhe dar a prática do ensinamento.

Na hora que for se arrumar, não faça isso para os outros, mas para você mesmo. Escolha a roupa, a maquiagem que acha, que você mais gosta. Depois que estiver pronta para sair, elogie você mesmo, Assim não dependerá do elogio dos outros. Veja como é simples, como é fácil.

Já reparou que mulher não faz compras sozinha? Porque isso? Porque precisa que o outro aprove o que vai ser comprado. Essa dependência é falta de amor a si mesmo. É você que vai usar roupa e por isso é quem sentir se bem dentro dela. Se isso é verdade, porque precisar que o outro aprove?

O que estou querendo lhe mostrar é que a coisa é muito simples Basta apenas se libertar da dependência, basta apenas parar de esperar que o outro lhe elogie. Para fazer isso não precisa ter um corpo de modelo: mesmo sendo gorda, declare a si mesmo que tem o corpo mais bonito do mundo.

É isso que estou falando. O que estou dizendo é que par acabar com os apegos é preciso amar a si mesmo sem condições. Amar a si de verdade. Amar a si porque é exatamente aquilo e não porque conseguiu ser desta ou daquela forma.

Então, não me venha falar em dificuldades para colocar em prática os ensinamentos, porque isso não existe. Isso acontece apenas para aqueles que realmente não querem vencer o apego. Para aqueles que acham muito bonito o outro lhes elogiar, mesmo sabendo que isso é individualismo.

Saiba de uma coisa: em algum momento a pessoa com quem está junto, vai se afastar. Neste momento só terá a si mesmo.

Não importa se é namorado, marido ou amigo, todos um dia se afastarão de você. Não estou falando apenas de separar-se momentaneamente: estou falando de perder de vista, de não mais ver. Isso já aconteceu na sua e na de todos muitas vezes, com certeza.

Neste momento, terá que viver consigo mesmo. Quando isso acontecer, será que conseguirá deitar a cabeça no travesseiro e dormir em paz? Será que conseguirá conviver apenas condigo mesmo? Se não se amar, se não se bastar, não.

É no momento que não tiver ninguém ao seu lado naquele momento para lhe amar que verá as consequências do apego de hoje. Por isso, desde hoje comece a se libertar dos outros e o caminho para isso é prender a si mesmo.

Medidas precisam ser tomadas para isso. Não adianta simplesmente dizer que é difícil, você terá que fazer se quiser ter paz. Aliás, não é difícil colocar em prática. Essa dificuldade existe apenas para quem pra quem não quer fazer. Para aquele que quer, que antevê a necessidade, isso é fácil.

Para quem antevê a necessidade e por isso acha que é mais importante fazer esse tipo de trabalho do que ficar de mãos postas rezando, ouvindo música de meditação ficar lendo ensinamentos ou procurando frases de efeito para mostrar o quanto sabe, o trabalho para elevação, para a felicidade, para a paz, simples e prático.

É isso que vocês ainda não entenderam: reforma Íntima é prática e não simplesmente conhecimento. Aquele que busca a realização amealhando conhecimentos sofrerá certamente.

Participante: podemos nos bastar a nós mesmos libertando-se de mãe, pai, irmãos, marido, etc. sem ter a menor ideia do que há por vir? Como abandonar tudo, entregar-se ao nada? Seguindo minimamente os ensinamentos do espiritualismo, todos os meus familiares acham que estou ficando muito doente e que preciso buscar ajuda.

 Você me pergunta como se entregar a isso sem saber o que vai acontecer e eu respondo. Aquele que precisa saber o resultado da entrega para poder fazer não se entregou a nada. Este ficou dependente de uma resposta do destino para poder fazer alguma coisa.

Você já me disse que meus ensinamentos tocaram o seu coração. Se você acha que eles são caminhos que levam a um estar um pouquinho melhor, entregue-se a eles, mesmo sem saber como será o amanhã. Entregue-se para ver o que vai acontecer sem precisar saber o que vai acontecer

 Na Terra tem um ditado: é melhor só do que mal acompanhado. Para aquele que quer se espiritualizar, aquele que quer se materializar é uma má companhia.

Participante: eu não me sinto bem nunca, não me sinto bem com nada. Não ligo pra nada na vida, nem tenho vontade de fazer nada. Isso é sinal de evolução?

Não, dizer que não se sente bem é uma dependência.

Se você não se sente bem, esse estado de espírito tem algum motivo para existir. Os motivos para não se sentir bem é que mostram a sua dependência.

Simplesmente não ligar para nada, não leva ninguém a sentir se mal, a não ser que esteja apegado a alguma coisa. Digo isso porque existe gente que não liga pra nada e não se sente mal. Por isso, quando me diz que não se sente bem por algum motivo, eu pergunto: o que nessa forma de existir não lhe faz sentir-se bem?

Esta é a pergunta que deve se fazer. Você precisa estudar a si mesmo e se libertar daquilo que acha que não está bom, que não lhe deixa ficar bem. Não estou falando de se sentir bem por conseguir algo nem por ter um sentido para a vida, mas de sentir se bem por estar bem consigo mesmo, estando como estiver.

Vou dar um exemplo. Você me diz que não liga para nada. Digamos que alguém lhe diga que isso é errado, que precisa reagir, sair dessa inércia. Tendo convicção de quem é e amando a si mesmo, não ligará para isso. Dessa forma, o que você é não lhe causará efeito. Agora se depende da aprovação dos outros, do que os outros falam e se o fato de alguém lhe chamar atenção por causa do seu não ligar lhe faz sentir se mal, nesse caso a sua dependência é da aprovação das pessoas.

Outros exemplos? Você não faz nada, vive a toa e não quer fazer nada. Esse estado de espírito por si só não deve lhe causar sofrimento quando se ama. Agora se você não liga pra nada e ser desse jeito lhe causa sofrimento, é sinal de que você ainda é dependente de ligar para alguma coisa.

Esta é a forma que nós temos para conhecer nossos apegos: descobrir a causa real do sofrimento. Ela não é o que está acontecendo, mas sim aquilo que nós achamos que deveríamos estar fazendo.

Participante: não é que eu ache tudo bom ou mal. Acho tudo um saco. Não vejo a hora do mundo acabar logo pra eu ir embora.

Achar que as coisas são um saco é ver alguma coisa errada, cansativa, nojenta, chata. Por isso, precisa combater o que acha das coisas da vida. É ele que mostra o seu apego.

Você só vai achar alguma coisa cansativa enquanto estiver apegado a algo que não considera assim. Só achará alguma coisa chata quando souber o que é interessante. Só considerará algo nojento quando souber o que é o não nojento. As coisas que você usa pra poder chegar às conclusões são o seu apego.

Agora quanto a querer ir embora, deixe-me dizer algo. Se quer a evolução espiritual tem que ter tesão pela vida. Não a vida que sonha, mas a que está acontecendo.

Participante: queria viver como se o outro não existisse para me ajudar na minha necessidade. Ser apegado emocionalmente é ser materialista ...

Não se trata de viver como se o outro não existisse, mas sim de viver sem depender do outro para existir.

Quem é apegado a uma pessoa ou alguma coisa precisa que o outro exista para que ele também exista. Precisa do outro ao seu lado para sentir-se vivo. Veja só que coisa interessante. Você recebe de Deus o dom da vida, da felicidade, e entrega este bem precioso na mão de qualquer um.

Portanto não se trata de viver como se o outro não existisse. Ele existe e está ao seu lado. Mesmo assim, você escolherá a roupa para vestir de acordo apenas com a sua vontade e bem estar. Só não terá a necessidade da aprovação dele para saber que está bem vestida.

Você pode conviver com muitos, mas não precisa que ninguém aprove o que vestiu para que se sinta bem. Vista-se para si mesmo. Não faça isso para afrontar os outros, mas porque sabe que depender de alguém não terá vida, felicidade.

Quanto à questão que levanta – se estiver apegada serei mais materialista – eu diria que sim, pois todo apego que vive só existe com relação as coisas materiais: pessoas, objetos e acontecimentos. Não importa qual seja o seu apego, ele existe só por coisas materiais. Por isso podemos dizer que o apegado é materialista.

Participante: a mediunidade pode nos ajudar a trabalhar os apegos mundanos?

A mediunidade não pode lhe ajudar de forma alguma neste trabalho, porque este é trata-se de reforma íntima.

Caos um ser precisasse dela para fazer este o trabalho para o qual nasceram, Deus seria injusto, pois existem seres que nem em espírito acreditam. Isso quer dizer que Deus teria colocado seres para fazer provas neste planeta com a certeza de que eles não iriam passar. Pior: não iriam porque o próprio Deus não os dotou de tudo que precisavam para isso.

Portanto, não, a mediunidade não pode ajudar na reforma íntima. Só o seu trabalho junto a si mesmo pode lhe garantir a paz e a felicidade, ou seja, a elevação espiritual

Participante: tudo que o senhor fala me parece familiar. É como se minha memória estivesse voltando. O meu Coração fica em paz.

É por isso que você está aqui e por isso também que todos estão. Aqui estão aqueles que quando me ouviram o que foi dito soou como familiar. Apesar disso, como já foi dito hoje, é difícil colocar em prática, pois é difícil abrir mão do outro lado

Participante: emoções tipo raiva e ciúme são mais difíceis de trabalhar na reforma Íntima?

São, porque? Porque você acha que tem raiva. Acha que foi atacado, que o outro está fazendo contra você. Quando isso acontece, fica mais difícil, pois não vê uma ação mental acontecendo e imagina que é você que está tendo raiva. Isso é irreal. A raiva é lançada pelo general pelos tenentes do exército inimigo como soldado para atacar a sua paz.

Portanto, se acredita que é você quem tem a raiva e não que está sofrendo um ataque, é muito difícil fazer a elevação.

Participante: o apego nasce da natureza humana a qual estamos condicionados neste momento passageiro. Nossa existência espiritual é eterna. Como é possível viver um relacionamento amoroso sem esse apego?

Sabendo que ele pertence apenas a natureza humana.

Quando você tem a consciência de saber que é espírito, não aceita o apego justamente por saber que ele é da natureza humana. Essa, segundo os ensinamentos, é contrária a de Deus é o inimigo de Deus. Informações de Paulo

O problema é que apesar desse seu discurso, que pode ser considerado bonito, você não vive a partir da verdade de ter uma existência eterna e uma natureza diferente. Ainda acha muito bonito ser humano, adora a sua situação humana, adora as coisas que acontece ao seu redor. Assim não se liberta do apego nunca.

Guerreiros da paz - Textos

Apegos diversos

Participante: você disse que isso acontece com objetos. Então, seria preciso esperar que um computador lhe agrade em jogos de diversão ou um livro na leitura?

Certamente vocês esperavam que o nosso computador funcionasse ontem para que a palestra acontecesse. Ele não funcionou. Como esperavam isso, sofreram. Sofreram por causa do computador que não funcionou e sofreram por que não ouviram.

Este sofrimento que sentiram é sinal de que estão apegados à internet, a Joaquim, ao dia específico da palestra e ela mesmo. Quem não tem este apego, não sofre. Ele vive o que tem para viver. Se hoje o computador do Joaquim não funcionou, esse vai ler um livro, vai ver televisão, conversar com pessoas, sem sofrimentos, sem lamentar o que aconteceu.

Você me falou sobre precisar de um computador para jogar. Viver isso como realidade é um perigo. Certamente sofrerá se não tiver onde jogar. Agora, esse sofrimento vai valer de alguma coisa? Tenho certeza que não.

Se você tem computador e quer jogar, mas ele está quebrado, pode leva-lo para consertar. Se não tem, pode sair e comprar um. Estas coisas podem lhe fazer feliz, ou seja, jogar, mas sofrer não vai resolver nada.

Agora digamos que queira jogar e não tem dinheiro nem para comprar nem para consertar o computador. O que fazer para não sofrer? A única saída é a sua situação de não poder jogar. Isso pode lhe fazer feliz, mas atacar a si ou a outro por não ter o dinheiro não vai resolver nada.

É por isso que eu digo que só o amar a si dentro do que é pode lhe ajudar a manter a paz.

Participante: existem dois lados que são muito recorrentes dentro de mim: o que é apegado constantemente por determinadas pessoas e outro que não está nem aí. Qual deles sou eu realmente?

 Aquele que você disser que é, aquele que aceitar como sendo você.

Na verdade, você é os dois. Quando aceita a dependência, a necessidade e o apego a outro como parte sua, torna-se um apegado. Quando não aceita, não é essa pessoa, mas outra.

É você que escolhe quem quer ser. Ninguém pode fazer essa escolha por você. A decisão está no seu íntimo e só você pode escolher.

Agora, para poder escolher melhor aquilo que quer ser, é preciso que saiba o que cada um desses eus lhe traz. Não aceitando o apegado, terá paz e felicidade; aceitando-o, viverá dependente. Quando esta última condição existir, vai sofrer e perder a paz.

Agora que sabe o resultado da escolha, fique à vontade para decidir quem é você.

Participante: você diz para amarmos a nós mesmos, mas mãe, namorado e amigo são figuras muito forte dentro de nós. Ainda achamos que estar apegado a estas figuras é importante. Pode falar sobre isso?

Estas figuras são fortes porque você ainda acha que é humano.

Nesta conversa falamos recentemente sobre a natureza humana. Você acredita em espírito, em reencarnação? Acho que sim. Por isso, mês responda é que acredita em mãe, amigo ou namorado? As duas crianças são antagônicas ...

Se acredita em reencarnação, sabe que os mesmos espíritos podem viver papéis diferentes a cada vida. Sendo assim, a sua mãe de hoje pode ter sido sua esposa em outra vida, o seu amigo, um inimigo. Só este conhecimento deveria lhe mostrar que não deve dar tanto valor a estas figuras. Mesmo assim, continua dando. Porque?

 O problema não é que o apelo pelo apego por seres que estão vivendo esses papéis seja forte dentro de você, mas sim que o seu lado espiritual é fraco. Digo isso porque quem acredita encarnação mas ainda acredita na força das relações familiares Tem o seu lado espiritual mais fraco que o humano. Trata-se de uma criança espiritual. Falo assim porque trata-se de alguém não coloca em prática aquilo que ele mesmo diz que acredita.

 Volto, então, a dizer o que acabei de falar: o problema não é o ensinamento, mas quem vai utiliza-lo. O problema é saber até que ponto você está disposto a abrir mão da sua natureza humana, até onde está disposto a enfrentar o mundo para vencê-lo e com isso conseguir sua paz, sua felicidade e sua elevação espiritual.

Essas são perguntas que deixo pra todos que se dizem espiritualistas. Não adianta sonhar em colocar em prática o que eu ou qualquer mentor ensina, ou mesmos o que os mestres ensinaram, se você não responder a si mesmo estas questões.

Participante: numa relação conjugal onde cada um dos cônjuges possui uma visão diferente da vida, por exemplo um espiritualista e outros ético materialista, como manter a paz? Como conviver em paz numa relação entre pessoas tão antagônicas que não conseguem se separar?

Precisamos antes de qualquer coisa o apego nesta situação para poder aprender a conviver com ele. Neste caso, continuar vivendo mesmo estando mal mostra que um depende do outro. Mostra que mesmo sofrendo, um ainda imagina que depende do outro. Eis o seu apego.

Agora, como viver bem quando os dois são antagônicos? Deve-se colocar em prática um ensinamento que chamamos de a razão

Me diga uma coisa: se você é espiritualista, para que precisa ficar discutindo espiritualidade com quem não acredita nela? Só para mostrar que é melhor, que sabe mais? Para que precisa ficar impingindo aos outros a sua verdade?

O problema não está na convivência de um espiritualista com um cético, mas sim em um querer ganhar do outro. Está na ideia de quem deve doutrinar o outro para que pense igual a ele.

Na verdade, o seu casamento apresenta problemas porque você não está disposto a ter paz. O que quer é dominar, conquistar o outro, fazendo-o aceitar sua verdade.

O que você falou e está vivendo é uma grande prova de que a vida está escrita. Ninguém consegue se separar do cônjuge na hora que quer, por mais motivos que tenha para isso. Só se separa na hora que tiver que separar. Por isso, separação não pode resolver seu problema. Além do mais, não adianta separar, porque por conta desse apego a dependência continua e por isso ainda irão discutir sobre algum assunto, mesmo não morando mais juntos.

Vou repetir porque acho que ainda não entendeu seu apego: você precisa desta mulher que pensa diferente de você porque está apegado em ter que vencer alguém, tem que ganhar de alguém, tem que dominar uma pessoa para mudar na verdade. Seu apego não é ela, mas sim ao que imagina que sabe e à necessidade de ensinar os outros.

Me desculpe pela resposta, mas não passo mão na de ninguém. Não estou aqui para florear, nem para falar coisas bonitas. O que o que eu preciso fazer é mostrar o carnegão da infecção que vocês têm

Participante: essa questão de querer ser independente não passa de uma postura de orgulho?

Sim pode ser feito com orgulho. Eu diria melhor, com soberba.

Ter orgulho é a coisa mais importante do mundo. O orgulho é aquilo que lhe empurra para cima. Ele existe quando você diz para si mesmo: ‘eu fiz e posso fazer mais’. A soberba existe quando se diz: ‘eu fiz e por isso sou melhor do que você que não fez’.

Por causa disso. O que estamos falando é para fazer com orgulho. Agora, se faz com soberba, faz para ganhar do outro não fez nada. Se tivesse falado em soberba, aí eu lhe daria razão.

Fazer com qualquer coisa no sentido da elevação espiritual com soberba não adianta nada, não leva a lugar nenhum. É preciso fazer não para ser melhor do que os outros mas, para estar melhor, para viver melhor.

 Participante: como amar a nós mesmos sem nos tornarmos egoístas?

Amar a si mesmo é amar aquilo que é, o que vive e o que tem. Isso jamais lhe fará egoísta. O que pode fazer é esperar que o que tem, é e faz lhe traga algum lucro individual.

Cito como exemplo o caso que conversamos, onde me foi perguntado como abandonar tudo sem saber o que vai acontecer. Por trás desta pergunta há um egoísmo. Quem me fez esta pergunta ainda possui a necessidade de saber o que vai acontecer para julgar, verificar e analisar se conseguirá algo melhor para si do que se não fizer.

O que digo é que devem amar a si e ao que tem e é com um amor incondicional, um amor sem esperar nada em troca. Vou lhe dizer uma coisa: o grande problema é que as pessoas ouvem o que eu falo e querem colocar em prática os ensinamentos esperando ganhar alguma coisa. Por isso não conseguem nada

Participante: mas são tantos condicionamentos ... Desde a infância fazemos tudo para agradar os outros, para que eles nos ame ...

É claro que é assim. Até agora vocês foram guiados pela humanidade. Não se lamente por isso, apenas comece a combater agora.

Eu sei que você vai dizer que são muitos condicionamentos, mas combata um de cada vez. Vá destruindo cada condicionamento por vez. Se quiser atacar todos de hoje para amanhã, virar santo, não fará nada e assim não terá paz.

Participante: você falou que devemos colocar a maquiagem que goste, a roupa que ache melhor, mas isso não são atos. Como fica isso se não somos nós que decidimos as ações? Essas frases sempre me confundem ...

Botar a roupa é ato, mas só que há outra coisa envolvida neste momento, a intencionalidade que é emoção, sentimento.

Quando falo sobre o que disse, não estou me referindo a colocar uma determinada roupa ou se irá sair pelado no meio da rua. Estou falando que já que todos se vestem exteriormente, internamente você precisa estar satisfeito com o que está vestindo. Estou falando que internamente deve se aprovar e não precisar de alguém para fazer isso.

Colocar a roupa é ato. Agora, colocar a roupa para alguém o elogie ou para que você se sinta bem, isso é mundo interno.

Participante: poderia exemplificar o ensinamento ‘não transigir da sua verdade’ ensinado alguns anos atrás? Numa relação amorosa, como viver em harmonia com os outros e com os ensinamentos sem se apegar?

O que é não transigir da sua verdade? É não ir contra ela. Só que quando digo isso, não estou falando que você precisa expô-la aos outros. O que estou dizendo é que, internamente, de você com você, não deve ir contra aquilo que acredita. Digo que não deve transigir da sua verdade consigo mesmo.

Quando você quer ensinar ao outro o que é o certo, acabou de ter transigido a ela. Digo isso porque a sua verdade diz que é preciso amar e respeitar a todos.

Não transigir da sua verdade não é transformar-se numa rocha, no defensor ferrenho da sua verdade e por isso querer impô-la a todo mundo. Isso não é não transigir a verdade, mas usá-la como arma para um golpe com a finalidade de deter o poder. É querer dominar o próximo.

Não é isso que é não transigir da sua verdade. Além do mais, você que é espiritualista, ao agir dessa formar, está transigindo dela. Isso a sua verdade diz que não existe certo ou errado. Porque, então, quer dizer a outros que ele está errado e você está certo? Neste momento acabou de transigir dela

 Quanto a viver em paz com ensinamento e com uma pessoa que é diferente, o caminho para fazer isso é não transigir da sua verdade dentro da forma que nós acabamos de falar. É dar ao outro o direito de ser estar fazer e achar o que quiser. Para isso, a primeira providência é não se achar o mais sábio do mundo, aquele que precisa e deve ensinar tudo a todo mundo.

Quem não transige da sua verdade a tem para si. A considera importante, não abre mão de pratica-la, deixa ela dirigir a sua vida, mas isso com ele mesmo e não com os outros. Com relação ao outro, aquele que não transige da sua verdade lhe dá o direito de querer e acreditar no que quiser.

Deixe me falar uma coisa sobre o que conversamos recentemente em outro lugar. Vocês já me ouviram falar sobre livre arbítrio. Isso quer dizer liberdade de opção, liberdade de optar, de querer fazer. Vocês acreditam que tem o livre arbítrio, não têm, mas acreditam que têm. A partir disso, repare o que você está fazendo com a pessoa com quem convive e que pensa diferente: está caçando o livre arbítrio dela. Está querendo dominá-la e fazer com que não tenha liberdade de crença.

Olha que coisa: você defende o seu livre arbítrio, atacando o do outro. Falo isso porque não dá a ele o direito de ter a mesma coisa que quer pra si. Por isso, se você é espiritualista, se acredita nos nossos ensinamentos, querer impor aos outros o que acredita é transigir da sua verdade.

Esta questão vocês precisam analisar se querem para ser espiritualista e se querem viver universalmente: precisam deixar o outro querer o que ele quer.

Participante: em que momento o amar a si mesmo transforma-se num apego?

Ele torna se um apego quando você depende de si mesmo para estar em paz.

Quando depende, por exemplo, de uma determinada roupa para se sentir bem, quando precisa que o outro compartilhe as suas ideias para você viver bem com ele. Esse é o apego a si mesmo.

Uma vez perguntei a uma pessoa se já tinha me ouvido falar que tudo está certo, que tudo é bonito, que tudo pode ser. A pessoa me respondeu que sim. Aí perguntei: se é assim, porque hoje ficou escolhendo roupas durante uma hora para poder vir aqui? Poderia ter vindo com qualquer uma.

Quem tem apego quer escolher o melhor para si. Quem não tem, veste uma roupa qualquer e ama a si mesmo com aquela roupa. Quem tem quer escolher uma determinada roupa para se amar mais

Participante: e quando não conseguimos evitar o sentimento? Tem momentos que parece que não dá para se distanciar da situação. Na raiva, por exemplo, para haver desapego devemos deixar ela vir e sentir? Desapegar-se é não precisar da raiva?

O problema é que vocês precisam sentir raiva para se sentirem vivos.

Vocês precisam e dependem de pessoas que fazem coisas erradas. Porque? Porque querem mostrar que sabem mais, que conhecem a razão, que sabem o certo. Por isso precisam da raiva.

O desapego é o não precisar dela e não deixar de tê-la. Ter a raiva sempre terão, pois ela é gerada pela mente não por você. Por isso, quando ela vier, lhe dou um conselho: fique quieto e deixa ela ir embora. Na hora em que ela está presente, você não conseguirá fazer nada

Participantes: como posso auxiliar a alguém que está apegado?

Auxiliar a quem está apegado? Desapegue-se antes dos seus.

Em atos, em ações, se for necessária sua interferência para que o outro seja ajudado, isso acontecerá, pode ter certeza. No entanto, quando está se programando em como ajudar, está se apegando a isso.

Me desculpe, mas você não consegue fazer por si mesmo, quer fazer pelos outros? Não consegue se desapegar dos seus apegos, será que consegue ajudar quem está apegado?

Participante: não temos livre arbítrio. Sempre desconfiei que a evolução espiritual estava programada. A libertação do apego pela matéria e elevação do espírito são caminhos obrigatórios ...

Sim, não existe livre arbítrio. Sim, você não tem o livre arbítrio de fazer.

Só que você tem um livre arbítrio. Como explica o Espírito da Verdade, depois que o ser pede o seu gênero de provas, forma-se uma espécie de destino, que será Inexoravelmente vivido. Contudo, o mentor do espiritismo continua: falo isso com relação as coisas materiais, pois com relação às coisas morais, você é livre para optar entre o bem e o mal.

Portanto, você não pode mudar a sua vida, não pode praticar atos; para isso realmente não tem livre arbítrio. Agora, você tem a liberdade de opção de escolher como vivenciar emocionalmente aquilo que aparece na sua frente Pode escolher se vai viver achando tudo um saco ou convive com as coisas mesmo sem gostar mantendo-se em paz

Participante: como lidar com o tédio?

Tendo objetivos. Só sofre de tédio quem não tem objetivos.

Mas, isso é outro tema, podemos conversar algum outro dia.

Participante: já que falamos de vestimentas, quero abordar outro assunto. Existe lugares que temos que usar roupas adequadas. Por exemplo, gosto da cor preta, mas no terreiro tenho que usar branco.

Se você pensa desse jeito, lhe convido para ir a um terreiro onde nós atuamos. Lá, cada médium usa a roupa que quer. As meninas, inclusive, usam shorts curtos, o que em qualquer lugar seria considerado como um pecado. Só que dentro de nossa visão do mundo, não há problema algum.

 Voltando ao seu caso, quer lhe dizer uma coisa: você vai de branco por obrigação. Se essa obrigação lhe faz sofrer, qual seria a solução? Deixar de ir ao terreiro acho que não é solução, porque você gosta de lá. Ir com a roupa que quer também acho que não, porque se colocar uma roupa da cor preta e for, estará enfrentando quem lá está e que tem o hábito de usar roupa branca.

A solução, portanto, é usar a roupa branca, mesmo que não goste dela, mas fazer isso por respeito ao lugar e as pessoas que lá estão. Usar esta cor por amor aos outros, por respeito ao lugar e as pessoas que acreditam que lá não se pode usar roupa dessa cor.

Mesmo gostando do preto, vá de branco. Não para impor-se, para enfrentar os conceitos do terreiro, para ganhar, para exibir a sua liberdade das coisas deste mundo, mas para manter a sua paz a sua tranquilidade.

Sim, manter a sua paz, porque se for com a roupa preta, vai perder a paz. Viverá o prazer, que não tem nada a ver com paz. Saiba de uma coisa: quem quer enfrentar os outros, que ser melhor que eles, quer ser mais livre que os outros, perde a paz. Este só pode conquistar o prazer ou a dor.

Participante: de onde vêm nossos apegos?

Do general e dos tenentes, do seu individualismo, do seu desejo de possuir, da paixão, de desejo, das quatro âncoras, da sua vontade de vencer e do seu medo de perder. É dessas coisas que que surgem o apego. Elas existem porque a natureza humana a qual se ligou as possui, justamente para vencê-las.

Participante: tenho apego admiração por um artista e acho que o que ele faz é bom artisticamente.

Não tenha, pois vai sofrer um dia.

No futuro ele pode fazer alguma coisa que você não vai gostar. Também pode acontecer de fazer algo que alguém que não tenha apego por ele não goste. Sempre que uma contrariedade acontecer, por causa do seu apego, sofrerá.

Participante: tem sido um padrão nesta vida me relacionar com pessoas que vivem longe ou que acabam indo viver em outras cidades. Nesses relacionamentos à distância tenho tido uma oportunidade para desenvolver o amor a mim mesmo. Vivo isso sabendo que a vida vai acontecer como pedi antes de encarnar e que preciso aproveitar esta oportunidade. Mesmo assim a mente me sugere que preciso ter uma pessoa por perto e sofro por ter esse apego. Como argumentar com a mente nesse caso?

Deixando as pessoas ir embora em paz. Ninguém é insubstituível. Diga para si mesmo: foi muito bom enquanto durou. Esses dois argumentos são armas para vencer o que está na sua mente.

Apesar de lhe propor um caminho, volto a repetir o que já falei nessas conversas: não posso ensinar o caminho. É preciso que o descubra pessoalmente

O que faço é mostrar o que mente, faz mas quem vai arrumar os argumentos para vencê-la é você mesmo. Só lhe alerto que qualquer argumento deve ser no sentido de não depender de ninguém nem de nada.

Participante: pode falar sobre o apego as informações que vêm do plano espiritual, como por exemplo quando um espírito diz que você tem compromisso com uma casa, mesmo quando não concorda com o que acontece lá dentro, principalmente quando tem afinidade com os ensinamentos que o senhor traz?

O apego que vocês têm as coisas espirituais é o que mais lhe faz sofrer.

Está achando estranho? Isso é verdade. Acontece desse jeito porque tudo o que vem de um espírito é tratado pela mente humana como revestido por uma santidade, por uma espiritualização que não existe. Por causa dessa aura criada pela razão, as informações são tratadas de forma submissa e como elas às vezes ou falham ou não expõe o que você quer, existe o sofrimento.

 Além do mais, nem todos acreditam na existência da espiritualidade que se comunica com os humanos. Por isso, quando você gosta dessas coisas está exposto ao perigo, pois existem pessoas que não gostam. No momento em que tiver contato com elas sofrerá, pois vai tentar provar que é real, que existe.

Portanto, caminhe para não ter apego a nada, nem mesmo às informações espirituais. Você não deve depender de nenhum ensinamento, pois senão terá dependência deles.

Participante: tenho vontade de trabalhar em determinadas profissões. Estou trabalhando para isso. Posso continuar a seguir essa vontade sem me apegar a ela, sem depender de conseguir?

Não se apegue ao resultado da sua busca.

Você tem o desejo de trabalhar em determinadas coisas, está caminhando para isso? Ótimo, se faça isso, porque é vida, é a sua vida que está acontecendo. Agora, não espere porque está realizando este trabalho, acontecerá o que quer.

Esta esperança é o apego, é a dependência. Depender de alguma coisa é imaginar que por trabalhar com alguma finalidade, vá atingir o seu objetivo.

Por isso, faça o que fizer, mas controle a sua mente que certamente criará dependência de resultados.

Participante: não gosto do meu trabalho, mas vou sem me lastimar, porque preciso dele para sobreviver.

Esse argumento pode lhe ajudar mas há outro que pode também ajudar: observar as coisas que se compra, se conquista, com o dinheiro que vem do trabalho.

Para quem quer se libertar do sofrimento de ir a um emprego que não gosta é muito importante ter a consciência de que aquele dinheiro que põe a comida na sua mesa. Que é com ele que você vai passear, comprar roupa, viver momentos bons.

Você não gosta de quem lhe paga, não gosta de onde trabalha, mas são sai de lá, não pede demissão. Dizem que não podem fazer isso porque senão não teriam dinheiro para comprar o que querem, para subsistir. Portanto, o fruto do trabalho é algo importante, é um argumento importante no combate da perda da paz por se fazer o que não se gosta.

Guerreiros da paz - Textos

O condicionamento do amor

Participante: como abrir nosso coração para o amor incondicional a todos os seres e não apenas aos familiares e amigos? Este é, para mim, o maior dos desafios do ser humano.

O tema agora proposto não tem nada a ver com paz, mas é muito importante para quem a busca.

Como ter um amor incondicional? Não tendo o amor condicionado. A resposta é simples. Como posso amar a todos? Não amando ninguém especificamente. Não amando a nada de uma forma específica.

Ninguém consegue um amor universal enquanto ainda tem um condicionado. Um amor a alguém, porque, como e quando.

Sendo assim, o trabalho que precisa ser feito não se consiste em alcançar a incondicionalidade, mas não viver o amor condicional, retirar as condicionalidades ao amar. Aí que surge o problema. O ser humano apegado à realização quer gerar um amor incondicional, querem gerar um amor que seja universal, mas isso é impossível, pois enquanto houver condicionalidade no seu amor, ele será sempre condicional.

Amor é amor. O problema não é gerar um sentimento, mas como usá-lo. Eu diria que vocês já amam, mas não sabem amar. Isso porque o fazem de um modo condicionado. Se retirarem isso do amor, ele existirá de uma forma incondicionada.

Esta é a resposta à sua pergunta, mas tem mais coisas que quero complementar.

Guerreiros da paz - Textos

Ame amar

Como na prática amar incondicionalmente? Vou lhes explicar, mas isso não faz parte do mundo de vocês, não é para vocês. Amando o amar.

Só ama incondicionalmente quem ama amar. Quem ama o amor e não alguma coisa.

Veja a vida de Cristo. Ele não amou ninguém especificamente, nem a mãe nem os irmãos – quem são minha mãe e meus irmãos – ele amou o amar. Quem ama amar, ama a todos.

Este seria o trabalho que poderia dizer para fazer para amarem universalmente. Trata-se de aprender a amar o próprio amor. Isso porque na hora que ama o próprio amor, não importa para quem, como, porque ou quando ele exista.

Só que vocês, por estarem humanizados, não possuem esta capacidade. Isso porque estão presos à natureza humana e ela não quer amar. O que quer é usar o amor para ganhar alguma coisa.

O que vocês chamam de amor, o condicional, o humano, é aquilo que é usado pela individualidade, pela posse, pela paixão e pelo desejo além das quatro âncoras com a finalidade de ganhar, de ter alguma retribuição por amar. Tanto é assim que quando alguém faz algo contra vocês, deixam de amá-lo.

Portanto, o amor condicional é um instrumento do egoísmo e por isso precisa ser renegado. Quem não o renega está sendo egoísta. Só que como disse, a natureza humana nunca fará isso, por isso precisa trabalhar em si mesmo a questão de não amar ninguém especificamente.

‘Isso é difícil’, vocês me diriam e eu respondo: é. É duro para quem ainda quer ganhar, para quem tem paixão, desejo e apego.

Não estou dizendo que é fácil. Quando fizerem algo contra vocês ainda continuarão a sentir dor e acabarão com o amor. Isso continuará desse jeito porque quem ama o amar é tratado como bobo, como Cristo foi. É um idiota que não leva vantagem alguma e deixa placidamente os outros pisarem. É por causa disso que não conseguirão.

Eis, então a grande verdade: amar universalmente é amar o amor, e não a esse, aquele e a outro.

Só que vocês não sabem o que é o amor nem como amar, como ficou provado com o que acabei de falar, o seu trabalho para ter paz neste momento é começar a destruir a condicionalidade do amor gerado pela mente. Se não fizer isso, perderá a paz.

Que alguém me mostre um amor condicionado que trouxe paz inteira. Nem o de mãe para filho nem vice versa. Quantas vezes mães e filhos brigam e sofrem cada um para o seu lado. Porque isso? Porque vivem um amor condicionado, aquele que ainda espera que a mãe ou o filho faça determinadas coisas para que ele exista.

Guerreiros da paz - Textos

Conversando sobre o amar

Participante: quando não amamos a nada especificamente, não acabamos entrando num nada, num vazio ao invés de amarmos incondicionalmente?

Pelas perguntas que você tem me feito, posso dizer que está muito preocupada com o que acontecerá depois que realizar algum trabalho. Eu não posso lhe dizer o que acontecerá, pois a impressão sobre alguma coisa é sempre uma sensação individual. Por isso, vá, tente.

Deixe-me dizer algo. Se você está em busca de algo diferente na sua vida, e por isso veio parar aqui, é sinal de que as coisas não estão boas. Se você estivesse bem consigo mesmo, não estaria procurando nada novo. Por isso, lhe digo: tente. Pior do que está não vai ficar, mas pode ser que melhore. Espere ver o que vai acontecer.

Mas, tem mais uma coisa que quero lhe falar. Preste atenção e a cada assunto que conversamos a sua mente está lhe colocando argumentos para que nem tente. Esses argumentos estão dentro de um tema que ainda conversaremos aqui: previsão de futuro.

Repare que na sua pergunta há uma previsão de futuro. Quando diz que ficará no vazio com o fim do amor condicional, está fazendo uma previsão do que acontecerá caso coloque em prática. Mas, nem você nem ninguém sabe o que acontecerá amanhã. Por isso não deixe a mente plantar sementes ligadas a coisas futuras.

Viva o hoje, o agora. Viva o não condicionar o amor hoje e espere para ver em que dará isso.

Participante: o amor condicionado está ligado aos apegos?

Sempre. O amor condicionado sempre está ligado àquilo que se está apegado.

Participante: dessa forma, amar incondicionalmente pode significar dentro da visão humana o desapego completo, o amar o amar?

Não necessariamente o desapego completo, porque você ainda se apegará a ter que amar.

Quem ama o amor, ama a ele, mesmo que não esteja amando. Quando é preciso amar para poder amar, está vivendo uma condicionalidade.

O problema é que vocês não me ouvem apenas, mas querem entender, quererem um criar um sistema para colocar em prática o que falo. Querem saber o que é, como é, o que pode ser. Por isso se perdem, porque a mente humana não tem capacidade para entender essas coisas.

Ela faz este jogo como, por exemplo, a afirmação de que amar incondicionalmente então é o desapego completo, para que você se apegue a uma forma de amar. Aquele que não está desperto, que não está consciente da existência sua e da mente e do funcionamento desta, acaba caindo.

Neste momento começa a ter um apego: o de ter que amar.

Participante: parece que amar universalmente é só deixar de fazer as coisas humanas, deixar de amar humanamente, mas esse amar também tem a ver com um sentir algo, mesmo que não conheçamos esse algo?

Amar não é sentimento. Vocês tratam o amor como algo a mais, mas não se trata de nada diferente de qualquer outra coisa deste mundo. Amar não é aquele calor que dá no peito, não é estar se sentindo bem, estar em paz. Amar não é nada disso, mas apenas amar.

A partir desta afirmação, você me perguntaria: o que é amar? Eu diria que só tem condições de saber o que afirmei, mais nada. Isso porque amar está além do mundo humano.

Aqui, enquanto guiados por uma razão humana e viverem consciências criadas por ela, não terão consciência que amaram. Se tiverem, podem ter a certeza que esse amor é condicionado, já que tudo que é gerado pela mente é condicional.

‘Ah, Joaquim, do jeito que você fala fica difícil’. Sim, fica impossível, mas não pelo que eu falo, mas sim por conta de vocês. O problema é que ainda insistem em amar, em ter um sentimento, mas não foi isso que falei que deveriam fazer. O que disse é que deveriam se libertar das condições do amor gerado pela razão. Isso vocês entendem. Sabem o que é condicionalidade, imaginam que sabem quem é a mente e podem ver a condicionalidade presente. Portanto, se pararem por aqui, não ficará difícil.

Por isso, pare de querer saber o que é amar e como fazê-lo. Trabalhe suas condicionalidades.

Lembra-se quando me disse que as coisas humanas são um saco? Isso, além de apego a algumas coisas, é o fruto de um amor material, pois para achar alguma coisa um saco, é sinal de que ama condicionalmente outras. Quando me diz que a prática do ensinamento lhe levará a um vazio, acabou de colocar uma condicionalidade no seu amar.

Por isso, lhe digo, e sei que pode compreender: destrua essas coisas. Para isso diga para si mesmo: ‘aquilo é chato, mas é o que eu tenho. Não tenho o que queria, então vivo o que aparece’. ‘Estou ouvindo um caminho e ele toca meu coração. Por isso vou tentar praticá-lo, mesmo não sabendo onde vai dar. Aliás, no que vai dar não me importa, porque o importante é o caminhar e não o chegar’.

Isso são coisas que você compreender quando digo e possui condições de fazer. Só que ao invés de realizar o que precisa, fica se aprendendo a detalhes que é incapaz de compreender e que mesmo que compreendesse, não levaria a lugar algum. Falo isso da sua mente e não de você.

Aí está o problema. A mente trabalha de tal forma que os mantenha presos ao individualismo, à posse, a paixão, aos desejos. Por isso gera necessidades. Uma delas é a de entender o que é ouvido, a esmiuçar as coisas que são incompreensíveis para ela.

Saibam que esse é o trabalho da mente e que não conseguirão se libertar dele a tal ponto de não ter o fruto dele. Por isso, precisam trabalhar a liberdade do que é criado e não mudar a produção dela.

Participante: se o senhor já parte do pressuposto que não conseguiremos, porque nos fala disso? Porque aborda este tema?

Para que tentem. Este é um mundo de provar que quer e não de realizar.

Este é um mundo para começar a lutar contra as suas condicionalidades. É um mundo que existe para que prove que quer lutar, mesmo sabendo que não conseguirá se libertar de tudo.

Portanto, volto a dizer, não conseguirão chegar ao amar, mas provará que quer chegar a isso. Fazendo isso, está apto para ir para outro grua, que chamam de mundo de regeneração, e lá executarem o amar incondicional.

Agora não é momento disso. Para vocês que estão encarnados esse é o mundo de provas e expiação e por isso a regeneração não é cobrada.

Participante: viver o presente, no presente, pelo presente. Seria isso o mais próximo que poderíamos chegar do amor universal.

Isso não tem anda a ver com amor universal. Você pode viver tudo isso amando condicionalmente.

Viver o presente, no presente por ele mesmo é ter um campo para trabalhar contra as condicionalidades, mas não é o trabalho necessário. Esse é o de libertar-se da condicionalidade do amor no presente. Se ela diz que ama determinada pessoa porque é boa, bonita, lhe faz bem, liberte-se disso.

Não do amor a ela, mas da condicionalidade do seu amar. Se o vive, terá momentos onde essa pessoa não será aquilo que se condicionou que ela é. Neste momento, perde a paz.

Participante: qual outra personalidade encarnada amou sem apego?

Muitas. Mas, o que é que cite? Nomes extremamente conhecidos? É mais difícil deles amarem dessa forma.

No entanto, sabe aquelas pessoas que moram na favela e tudo está bom, que não reclamam da vida que têm? Sabe aquelas pessoas que passam fome nas suas casas e assim mesmo se alguém deixar um recém-nascido na porta ele cria ao invés de levar para a vara da Infância? Esses amam incondicionalmente.

O detalhe é que são figuras anônimas que vocês não querem seguir. Preferem elogiar e seguir Gandhi, Madre Teresa, Chico Xavier, etc. Aliás era estes nomes que você esperava que eu respondesse, não?

Porque esperava que desse estas respostas? Porque querem seguir eles? Porque isso é um símbolo de status perante a sociedade. Eu diria que adorar a Madre Tereza e Chico transmite para os outros a condição de ser uma pessoa muito boa. Olhe a busca da fama, do reconhecimento, do elogio com as quais a sua mente está trabalhando.

Como cristo diz: se você abraça o seu amigo, mas não cumprimenta o seu inimigo, não faz nada demais, pois até um ateu faz isso. É muito simples amar estas pessoas: isso até quem está totalmente preso ao egoísmo humano faz. Quero ver é você amar um bandido que mata e estupra. Aí sim você estaria fazendo alguma coisa.

Amando a ele, pode ser que consiga chegar ao amor universal. Agora, enquanto amar somente seguindo as condições que acredita, duvido que que chegue ao amor universal. Aliás, sem isso acho que nunca nem entenderá o que é amor.

Participante: a maior barreira para provarmos que queremos amar sem condições, é a distinção que fazemos das pessoas do nosso núcleo familiar das que não são?

 A maior barreira que tem para não amar universalmente é o apego, a dependência de alguma pessoa. Cada condicionalidade que existe no seu amor está ligada a um apego.

Ama a sua mãe, porque ela é sua mãe. Se aquela pessoa não ocupasse esse papel na sua vida, não a amaria. Essa condicionalidade no seu amor é fruto da dependência que tem da figura materna.

Ama sua mulher, porque é sua mulher, porque deita com você na cama, faz a comida, trabalha para lhe ajudar a sustentar. Se ela não fosse sua esposa ou se não fizesse algumas dessas coisas, mesmo sendo sua mulher, você não a amaria. Essa condicionalidade lhe faz se apegar àquela mulher e chama este apego de amor.

Então, o que faz você não conseguir amar universalmente não é o fato de pertencerem ou não a este núcleo. Amar universalmente é amar acima do que espera, do que gosta ou da sua dependência de quem se ama.

Participante: espíritos encarnados possuem condições de chegarem perto do amor universal?

Não. Espíritos encarnados hoje no planeta Terra tem condições de provar que não querem condicionar o amor. Como? Vencendo algumas condicionalidades. Só isso.

Falo isso do mundo de provas e expiações. Em outros mundos é outra coisa.

Participante: será que posso dizer que o amor incondicional é igual a ser feliz de forma incondicional?

Claro, quem ama incondicionalmente tem a felicidade incondicional. Porque? Porque não tem dependência de nada, não tem condições de ser feliz.

Só sofre aquele que está apegado, que tem necessidades, que precisa de alguma coisa para ser feliz.

Participante: quando fiz a pergunta a respeito de personalidades que vivem o amor sem apegos, queria saber se fora Cristo outro tinha conseguido e não para encontrar um ídolo para seguir.

Mas, eu lhe respondi: há muitos que conseguiram. Agora, não posso lhe dizer quem foi. Foi a Maria, o José, que são pessoas que você não faz a mínima ideia quem seja.

Então sim, tem gente que consegue, mesmo sem sabe que conseguiu. Outros acham que conseguiram e alguns nem tem ideia do que estamos falando.

Participante: a mente usa a intenção de acabar com as condições para amar como uma nova condição para se chegar ao amor universal. Como escapar dessa armadilha?

Não dependendo de amar para ter paz, de amar para se sentir bem, para ser feliz. Ou seja, escapando da condicionalidade que ela gerou.

Participante: se outros conseguiram amar universalmente, eu posso conseguir.

Com relação a isso, tenho certeza absoluta que você e todos podem. Não amar totalmente, mas conseguir vencer diversos condicionamentos.

Sabe porque tenho essa certeza? Porque estão encarnados. Se não tivesse condição de obter essa vitória, Deus não deixaria vocês encarnarem, viver isso. A encarnação passa pelo crivo de Deus e aquilo que Ele sabe que o espírito não tem a menor condição de fazer, retira.

Portanto, se estão encarnados, se estão tendo a oportunidade de ouvir aqui ou em qualquer ugar sobre esse trabalho, é sinal que possuem condições de fazer.

Agora, o que vai determinar se fará ou não? O apego que a mente criar e você aceitar.

Participante: sem amor condicional terminam os casais?

Não. Os casais continuam existindo só que vivendo dentro da universalidade do amor: sem condicionalidade. Um cônjuge não amará o outro por alguma motivo, mas apenas amará.

Guerreiros da paz - Textos

Temas gerais

Participante: animais têm apego?

E como ... Não o animal, mas a natureza animal. O animal humano e não o espiritual.

Participante: veja se estou certo. Me parece que a mente humana não entende que tudo que acontece em atos está programado porque precisamos e merecemos. Tenho a impressão que todos pensam que o que acontece na vida são casualidades fortuitas.

Sim, a grande maioria acha que quem comanda esse mundo é o acaso, a sorte e o azar.

Mas, porque a mente humana pensa assim? Porque é a sua prova. Se ela entendesse tudo, você não teria provas, não teria a condicionalidade do amor para poder lutar contra isso.

Então, sim, ela jamais acabará com os condicionamentos, mas você pode se libertar da condição que é criada por ela.

Participante: se esse apego fosse tão grande, quando a pessoa amada morresse pularia na cova com ela.

Não chega a esse ponto. Mas, já viu mãe que perde filho? Para ela a vida acabou. Já viu marido e mulher que viveram muito tempo junto e o cônjuge morre? Para quem ficou a vida acabou.

Então, esse apego não leva ao ponto de se enterrar junto, mas acaba com a vida. Acaba com sua alegria, felicidade e paz. É como se ela tivesse morrido.

Então, sim, não pula junto, mas morrer junto.

Participante: o animal cachorro sofre com o apego?

Sim, na sua cabeça. O sofrimento do animal é dado pela mente humana. Ele não sofre.

Porque isso? Porque são espíritos que não estão em prova moral. Quem não está nessa prova não tem nem prazer nem dor. Agora, você diz que o seu animal sofre porque você não está ao seu lado.

Na verdade, está usando ele com apego e diz que o ama muito.

Participante: minha vida se tornou outra depois que lhe conheci. Vivia em profunda crise de insegurança. Hoje tenho mais paz na minha alma. Obrigado irmão por me ajudar me aproximar de Deus. Espero um dia conversar com você pessoalmente.

Por favor, não me agradeça. Não posso fazer nada por você. Se não aceitar o que digo, não posso fazer nada por você. Portanto, se o ensinamento que trago lhe ajudou, agradeça a si mesmo por tê-lo aceito e colocado em prática.

Segundo detalhe. Não me agradeça por ter contato comigo. Falo isso porque se não fosse o seu carma, o seu planejamento de vida e o seu merecimento, nunca poderia lhe trazer para cá. Portanto, agradeça novamente a si mesmo por ter merecido estar aqui, já que diz que estas conversas lhe fazem bem.

Participante: se não podemos saber o que é essa tal de felicidade, dá para perceber que o se libertar do apego às pessoas nessa vida traz uma grande liberdade no curto prazo. Não importa o que aconteça, não sofrer já é alguma coisa.

Diga ais mesmo: não sei se isso é real.

Repare que ainda continua projetando o futuro, querendo saber o que acontecerá. Neste momento, condicionou. Você não sabe se dará muita felicidade.

Pare de condicionar o futuro. Isso é apenas a sua mente criando para lhe fazer sofrer lá na frente. Digo isso porque quem fará o trabalho é ela e no futuro pode colocar uma situação onde você não consegue realizar nada e lhe dá sofrimento. Aí o que agora é esperança vira decepção.

Por isso, novamente lhe digo: pare de querer saber onde vai dar qualquer coisa. Pare de querer fazer previsão de futuro. Você não tem bola de cristal nem baralho de cigana para isso.

Participante: tem como nós, espíritos encarnados, sabermos se estamos tendo os sentimentos corretos, vencendo nossas provas?

Não. Porque você precisa trabalhar vinte e quatro horas por dia. Porque qualquer situação da sua vida é prova. Sendo assim, se a mente disse que agora fez certo, isso não é verdade, mas uma nova prova.

Você só vive com consciências criadas pela mente. Pessoalmente, não sabe nada, não vê nada e nem certeza de alguma coisa. Tudo é somente uma criação mental.

Participante: ontem, quando tivemos problemas para nos comunicar, cheguei a pensar que se atacaram a sua palestra, imagina a mim.

Não se preocupe com esta questão. Os ataques só acontecem se Deus permitir e se isso acontecer, é porque quem é atacado precisa dele. Se não precisar, nunca será.

Participante: ouvi de um espírito que o ensinou que o plano de encarnação tem diversas possibilidades. Então, quando escolhemos entre o bem e o mal com relação aos acontecimentos, nosso psiquismo como tudo mais vai mudando para que possamos viver as provas de uma forma diferente, mais leve. Talvez seja o que Cristo diz quando fala que o fardo é leve.

Isso é uma condicionalidade. Veja como a sua mente está propondo uma questão ainda querendo ganhar: o fardo mais leve. Por isso, esqueça.

Sim, a encarnação, o livro da vida é montado como se fosse um tronco de árvore de onde saem diversos caminhos, galhos. Eles se encontram em outros pontos. Só tem um detalhe: essas mudanças de caminho não alteram os atos, mas as emoções que a mente gera para os momentos da vida. Lembre-se que vocês não estão em provações físicas, mas morais. Sendo assim, a prova não é o ato em si, mas a emoção criada mentalmente.

Sendo assim, digamos que esteja trilhando um caminho onde haverá fisicamente um assalto. Não importa qual seja as emoções vividas antes, esse assalto irá ocorrer. Agora, você pode viver esse acontecimento como se fosse algo horrível, péssimo, pode viver com resignação por ter sido assaltado ou pode louvar a Deus neste momento.

É essa mudança que pode acontecer se tiver vencido outras provas. Ela é decorrência de vivências anteriores. Mas, deixar de ser assaltado, jamais deixará de ser. Isso porque o seu assalto não está ligado só a você. Está ligado ao assaltante, a família dele, a polícia, para quem tiver notícia dele.

Todas as encarnações que precisam daquele assalto têm que ser realizadas. Por isso, o assalto não pode deixar de ser cometido.

Participante: penso que o que nos travou onde foi apenas parte física. Se começar a pensar que foram forças ocultas do além, fica muito místico, exotérico. Penso que essa forma de ver as coisas atrapalha em muito a busca da felicidade. O que tem a dizer sobre isso?

Que você não pensa nada. Quem está pensando estas coisas são sua mente. Acreditando nisso, gerará uma dependência que o fará à frente.

Veja, o que estou ensinando não é para pensar isso ou aquilo sobre as coisas, não é para ter uma visão humana ou espiritual delas, mas sim para se libertar de qualquer coisa que lhe venha à consciência. Como não sabe se foi espírito ou se foi parte material que gerou o problema, não se deixe levar por esta razão.

Aliás, não importa quem foi. O importante é saber que não houve a conversa programada. Porque, para que, como, quando e onde, isso são coisa que deve se afastar.

Participante: apesar da complexidade do assunto e dos inúmeros estudos que existem, parece que a reforma é mais simples do que se apresenta à primeira vista. Quem estuda parece que escolheu um caminho mais difícil de provação.

Perfeita sua colocação. Porque isso é assim? Porque quem estuda quer saber alguma coisa.

Me digam uma coisa? Quem de vocês que me ouve e lê, não procura outros mentores e outras fontes para ouvir ou ler? Quem de vocês não procura outro trabalho para realizar na busca da elevação espiritual? Quem esqueceu o mundo e se concentra apenas num ensinamento, que não é de Joaquim, mas seu, pois você acreditou nele? Ninguém.

Porque isso acontece? Porque a mente de vocês não quer fazer trabalho algum. Ela não tem esse anseio. Ela quer saber, conhecer. Não para realizar alguma coisa, mas para dizer que está fazendo alguma coisa.

Por isso, a vida de vocês é a seguinte: me ouvem hoje, amanhã recebem informações de outro mentor, à noite se expõe a ensinamentos de outra corrente. Estão sempre em busca do que? Do saber e não de fazer alguma coisa. Quem está em busca de fazer alguma coisa não procura o que ser feito: apenas faz o que lhe é apresentado.

É isso que acaba transformando em dificuldade o trabalho da reforma íntima: ninguém pega o ensinamento de um guru, seja ele qual for, e coloca em prática. Todos querem apenas adquirir conhecimentos, saber.

Não estou brigando, exigindo exclusividade ou dizendo que abandonem outras vertentes. O que estou querendo é lhes mostrar que não fazem porque não querem fazer. Quando ouço alguém dizer que é muito difícil fazer o que proponho, diria que fico estarrecido, pois como você disse, é muito fácil, simples. Só que o que falo não tem cultura envolvida, não demonstra a sua capacidade de saber das coisas que ninguém mais sabe. Aí a mente corre para outros cantos onde haja mais sapiência e presa a essa busca, não faz nada. Para justificar que não faz, diz que é difícil.

Portanto, o que você colocou é perfeito. A reforma íntima é simples e se resume numa frase de Cristo: vencer o mundo, a natureza humana, libertar-se dela. Ponto final. Será que isso é tão difícil?

Você poderia dizer que sim, pois não sabe o que é natureza humana. Eu lhe digo: é tudo. Tudo que você pensa, mesmo que o pensamento aparentemente seja sublime, é gerado pela natureza humana. É difícil entender isso? Diria que não, que é simples.

Outro detalhe que os leva a não fazer. ‘Ouvi Joaquim, o que ele falou calou no meu coração, decidi fazer, mas vou esperar a próxima palestra, ler o livro de outro autor, para saber se está certo o que estou pensando’. Indo por este caminho, não fará nada. Se quiser fazer alguma coisa, faça agora.

Só mais um detalhe: eu não pretendo construir um séquito me adorando. Não estou falando isso para me idolatrarem. Estou falando para que não transijam da sua própria verdade. Se ela não está nos nossos ensinamentos, onde vem por mera curiosidade, mas sim em outro lugar, vá para lá, pare de buscar outras coisas e faça o que lá é dito. O que não veem é que enquanto saem na busca desesperada aqui ou acolá, está transigindo da sua própria verdade, daquilo que acredita.

Quando acabarmos aqui a maioria de vocês dirá que foi muito bom, que aprendeu muita coisa interessante. Digo isso porque até agradecimentos houve. Mas e amanhã, o que fará. E quando sair daqui, o que fará?

Não estou falando do meu ensinamento, mas daquilo que você acredita.

Participante: porque a reforma é simples e não conseguimos. Aliás, se ela é simples, porque não conseguimos? Ora, vencer o mundo: faço com o pé nas costas e lixando a unha ...

Pois é, me diga como pode imaginar que não consegue vencer o mundo se é capaz de fazer coisa mais difícil do que isso que é lixar a unha?

Participante: simples para o senhor ...

Na verdade é mais fácil do que lixar unha realmente... Para fazer isso você teve até que construir uma unha, pois ela não existe. Mais, para tê-la, teve que construir um corpo todo. Para que ele existisse teve que criar coisas para servi-lo. Olha como é complicado lixar unha, veja quanta coisa é necessária fazer para lixar uma unha.

Veja, você ainda acredita em tudo que a sua mente diz que existe. Ainda crê que no final encontrará um vazio. Realmente fica difícil se fazer alguma coisa.

O que não veem é que só querem se libertar daquilo que não gostam de estar presos. Do que não querem, nem tentam se libertar. Aí realmente fica difícil.

Guerreiros da paz - Textos

Introdução ao tema religiosidade

Participante: pode falar sobre meu ódio com as testemunhas de Jeová, suas técnicas de incomodar a gente.

Nosso trabalho é um estudo para obter a paz. Sendo assim, sobre as perguntas não falarei dos atos, mas da perda da paz.

Você me diz que chega a ter ódio porque os evangélicos lhe chateia. Isso quer dizer que você perde a paz neste momento, pois isso é viver qualquer outra coisa que não seja própria paz. Quando gosta, não está em paz, quando quer, não está em paz, quando tem raiva e desejo, não está em paz. Paz é um determinado estado de espírito e ele não é vivido dentro de nenhum outro.

Por isso, nossa conversa hoje, então, será sobreo ódio, a perda da paz chamada ódio, porque os evangélicos lhe chateia. Vamos começar por aqui.

Como já disse, quando vamos estudar a perda da paz temos que ser muito específico porque para cada soldado enviado pelos inimigos há um arma. De nada adianta se estudar a raiva que sente por alguma coisa. Isso não lhe levará a lugar algum. O que precisa é o motivo pelo qual sente raiva.

Nesse caso, seria pela abordagem dos evangélicos, mas isso ainda é genérico. A minha pergunta seria: o que na abordagem dos evangélicos lhe chateia, lhe faz ter ódio. É essa pergunta que precisam fazer a si mesmo. Dentro da razão, da lógica racional qual a motivação da perda da paz?

‘Ah, o evangélico vem na minha casa falar’. Isso não é uma chateação. O que poderia ser é o fato de não querer que os evangélicos vão à sua casa para falar, porque não quer ouvir os assuntos deles, porque não acha que tem tempo para perder com isso, porque acha que a visita deles lhe distrai e deixa de fazer outras coisas. É isso que precisa ser analisado: o que em você lhe contraria com algum acontecimento, o que dentro de si lhe faz perder a paz.

Sempre abordamos, no início de cada conversa este aspecto, pois com isso estamos lhes orientando na análise que precisa ser feita. Não adianta apenas tratar esta questão de forma genérica, pois assim não se acaba com inimigo algum. Se o motivo real pelo qual chega à raiva e chateação pelo fato dos evangélicos virem falar com você, esse mesmo motivo amanhã poderá ser explorado pela visita de um parente, de um amigo ou de um conhecido.

Quando esta questão for vivenciada com outros personagens, dificilmente conseguirá escapar da perda da paz, pois só tratou a questão com relação aos evangélicos e não a contrariedade em si.

Este é o primeiro grande detalhe. Por causa dele, nossa análise fica um pouco prejudicada, mas acho que conseguiremos ter uma boa conversa.

Guerreiros da paz - Textos

Religião

A partir do que foi perguntado, quero tratar hoje da perda da paz com a religiosidade dos outros. Vamos falar de quando a religiosidade dos outros lhe causa incômodo, lhe tira a paz. Não vamos só falar da questão dos evangélicos, mas de alguém que pratique qualquer religiosidade e essa prática lhe contraria. Por exemplo, alguém pode achar ridículo ir a uma missa, cumprir o ritual da confissão e da comunhão. Pode achar chata o apego que alguns religiosos tem pela doutrina que seguem, os umbandistas de seguirem seus ritos, etc.

Portanto, hoje vamos tratar das contrariedades geradas pela religiosidade dos outros.

Para falar disso, temos que começar entendendo o que é religião. A palavra religião quer dizer religar-se a Deus, ligar-se novamente ao Pai.

Toda religiosidade, toda religião, deveria ter como princípio servir como caminho para essa religação. Isso é religião. Ela é alguma coisa que serve como caminho para chegar a Deus.

Esse caminho, a caminhada religiosa, em qualquer das suas expressões é sempre feita através de dois elementos: um conjunto doutrinário e um ou mais rituais. Isso é uma religião, é um caminho que é realizado através de um caminho doutrinário com determinados rituais. Religião não é nada mais do que isso.

Religioso é aquele que professa um caminho que é realizado através de um conjunto doutrinário e uma série de rituais.

A partir disso, pergunto: será que existe religião melhor que outra, mais certa? Será que existe um corpo doutrinário e uma coletânea de ritos que seja mais certa ou mais errada que outra?

Se durante a transmissão dos ensinamentos, seguindo o que os mestres ensinaram, uma ideia de que não existe certo ou errado, não posso dizer isso. Não posso dizer que determinado conjunto doutrinário é melhor ou pior que outro. Não posso dizer que determinado rito é melhor ou pior do que outro.

Foi o que disse outro dia quando respondi a uma pessoa que queria ensinar a sua esposa o que eu falo: você não pode transigir da sua verdade e ela se consiste em dizer que não existe certo nem errado. Sendo assim, como posso escolher uma religião certa ou errada?

Não existindo uma certa e outra errada, posso dizer que todas são perfeitas. Esse é o primeiro detalhe sobre religião que quero deixar: todo conjunto doutrinário e os ritos são perfeitos na sua essência.

Para quem? Para quem as frequenta. Cada religião é um caminho específico para determinadas encarnações. A religião não é para o espírito, mas para a encarnação, para a prova de cada ser. Cada encarnação possui uma religiosidade fundamentada num conjunto doutrinário e determinados ritos porque aquele é o caminho da sua encarnação, das suas provas.

Este é o segundo detalhe do dia de hoje: todas as religiões são perfeitas e todos os religiosos são perfeitos, pois estão na religião que leva o espírito a viver as suas provas que precisa e merece.

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Ecumenismo

Esse é todo o raciocínio que precisa ser desenvolvido o fato da religiosidade de alguém lhe causar algum constrangimento ou contrariedade. Por que? Porque se tem uma verdade fundamentada no amar indiscriminadamente, incondicionalmente, como aceita qualquer constrangimento ou contrariedade oriundo da expressão da religiosidade de cada um? Repare que interessante: diz que deve amar a todos, acredita nisso, acha importante fazer isso, mas não ama os evangélicos.

É por isso que digo que é importante o motivo pelo qual existe contrariedade com qualquer ato. Se você diz que quer amar a todos, mas se sente ainda chateado com a ação dos evangélicos, não está amando. O motivo pelo qual não ama é que lhe causa a contrariedade e ele precisa ser conhecido para poder se atacar o verdadeiro inimigo. Mas, na ausência dele, vamos continuar nosso assunto.

Para a nossa conversa de agora, então, fica a questão: perde a paz aquele que aceita o seu individualismo e por isso imagina que a sua religião, que o seu corpo doutrinário e seus ritos, são melhores ou mais importantes do que os dos outros. Aquele que considera a sua religiosidade mais certa do que a dos outros.

Lembro que quando falamos sobre ecumenismo no início de nossa missão dissemos que a visão humana sobre esse tema, é a fusão de todas as religiões numa só. Mas, isso é impossível. Exatamente pela questão dos corpos doutrinários e pelos ritos conterem informações e formas diferentes, é impossível se fundir todas as religiões numa só.

Ainda disse mais: ecumenismo não é a fusão das religiões, mas a fusão dos ensinamentos de todos os mestres. Ecumênico é aquele que se diz cristão, crê nos ensinamentos de Cristo e na Bíblia, mas que também sabe que não pode ter posse, paixão e desejo, ensinamento de Buda, que não pode ter intencionalidade, ensinamento de Krishna, que vive encarnações, ensinamento do Espírito da Verdade e que sabe que Deus é Causa Primária de todas as coisas, ensinamento do Anjo Gabriel a Maomé.

Esse é o ecumênico. Para ser, não é preciso que ele frequente os diversos templos das religiões. Precisa sim é fundir no seu conjunto doutrinário os ensinamentos de todos os mestres.

Se ele é um caminho que acaba com a contrariedade, porque abrange tudo o que existe, é também o caminho da paz. Fundindo em si os ensinamentos dos mestres e praticando-os, se respeita a religiosidade de cada um. Pondo em prática o seu conjunto doutrinário e, por isso, respeitando a religiosidade de cada um, mesmo que leve o religioso a bater na sua porta ou querer lhe mostrar que ele está certo em algum detalhe do corpo doutrinário, estará em paz.

Quando se respeita a religiosidade de cada um, não se respeita apenas o corpo doutrinário, mas também o rito dela. Falando especificamente dos evangélicos, dentro do rito de algumas seitas desta religiosidade há o caminho de fazer a propaganda da sua fé. Sendo um ecumênico praticante, ou seja, respeitando ao próximo, deve recebe-los, ouvir o que têm para dizer, agradece a visita. Tudo isso sem contrariedades.

A informação que eles trouxeram? Você faz o que quiser com ela depois que forem embora.

Este é o caminho para se viver em paz. Esperar que o evangélico aja de uma forma contrária à sua religiosidade só porque você não gosta que eles batam na sua porta, desculpa, mas está querendo ser ditador do mundo. Querendo que o mundo siga a sua religiosidade.

Acho que deu para dar uma espiada sobre o tema e ter alguma análise sobre o assunto. Como disse, ela ficou prejudicada porque não temos o real motivo. Por isso fizemos um painel sobre a sua convivência com a religiosidade dos outros.

Guerreiros da paz - Textos

Problema com os evangélicos

Participante: o problema é quando os evangélicos se tratam como superiores e dizem coisas como ‘você é do mundo e não de Deus’. Tenho esse exemplo em minha própria família.

Pois é, olha que grande problema: eles se tratam melhor do que você. Estamos chegando no detalhamento que falei.

Qual o problema disso? Não querer ser tratado como menor. Não querer que eles se vangloriem. Não, isso não é problema. Na verdade, o problema é você ceder ao seu egoísmo, ao seu medo de perder, à sua posse.

Veja bem a prática dos ensinamentos. A sua pergunta foi muito interessante porque expôs um dos motivos pelo qual alguém não gosta dos evangélicos. Quando uma razão real é exposta, podemos, então, fazer uma análise melhor do tema.

Não é o evangélico que se considera melhor que tira a paz. Digo isso porque, por exemplo, no seu trabalho, ou em qualquer outra sociedade que participe, alguém se vangloria e o trata como menor, sente a mesma coisa. Por isso afirmo que o problema não está com os evangélicos, mas sim dentro de você mesmo.

O seu problema não se consiste nos outros se colocarem como melhor, mas no fato de não querer ser colocado como inferior. Veja o caminho para trabalhar para não perder a sua paz quando uma ação desse tipo, que é fato corriqueiro na vida, acontecer.

Tenho que responder a uma pessoa que está se sentindo a última do mundo. Porque isso? Porque ela se mede pelo que os outros acham dela. Se mede pelo que os outros pensam. Você está fazendo a mesma coisa: está se medindo, se sentindo menor, porque os outros acham isso de você.

Querendo se medir, se meça por si mesmo. Use apenas você para se avaliar. Como o resultado dessa medição será sempre zero, já que você é sempre igual a si, ficará na equanimidade no caminho do meio. Só que vocês sempre se comparam a outros. Por isso, quando usam alguém que consideram menor, entram no prazer; quando o modelo é considerado maior, sofrem.

Não importa o que você seja, tem que amar a si mesmo do jeito que é para poder estar em paz. Sendo um safado, considere-se o melhor, sendo mentiroso, sinta-se o melhor entre todos.

Jamais se acuse de nada jamais aceite se sentir rebaixado. É contra sentir-se menor que tem que lutar para poder estar em paz.

Como quer ter paz se está aceitando a sua mente lhe dizer que é menor que os outros? Não são as pessoas que estão falando isso. Elas poderiam até dizer, mas se você não aceitasse, não se consideraria e aí não teria contrariedade. Você não é menor do que ninguém. É tanto filho de Deus quanto qualquer outro que se sinta superior.

Só um detalhe: não precisa dizer isso aos outros. Se for dizer, entrará numa discussão e perderá novamente a paz. Não fale a eles para evitar isso e por respeito à crença deles, a doutrina que eles professam. É ela que diz que eles são o povo escolhido, que são melhores do que os outros.

Para você, que não professa a crença deles, deve dizer isso. Aliás, pelo mesmo motivo: por respeito a si mesmo. Como você professa uma doutrina que diz que é preciso amar aos outros como a si mesmo, pro respeito a este ensinamento, não consinta em sentir-se rebaixado, seja por que motivo for.

Também não queira ensiná-los a professar a sua crença. Não fique espalhando ensinamentos para quem não quer. Para você eu posso falar assim, pois está aqui e pelo que sinto está buscando o caminho que mostro. Agora, se um evangélico vier falar comigo, terei que falar dentro da crença deles.

Lembro de uma história interessante. Havia um grupo de médiuns que buscava os descrentes da sua doutrina no mundo espiritual para convertê-los. Um dia souberam de um pastor que tinha milhares de seguidores no astral. Conseguiram trazê-lo e começaram a doutrina-lo. No início o pastor resistiu e manteve-se fiel à sua doutrina, mas depois de muitas sessões cedeu e acreditou no que lhe era dito. Neste momento um dos médiuns perguntou se agora que ele tinha mudado de fé, será que ele ia converter seus seguidores? A resposta do pastor é o exemplo que devemos usar: ‘para que, eles estão felizes do jeito que são’.

Essa é uma história real. Claro que tudo aconteceu da forma que Deus fez acontecer, mas a moral que ela nos deixa é muito importante. Todo trabalho deve ser feito em si mesmo e não nos outros. Eles, estão felizes do jeito que estão.

Você está falando como a pessoa que me falou recentemente que precisava ensinar a esposa as verdades que transmito. Você está querendo ensinar aos evangélicos como eles devem se sentir. Se fizer isso, vai acabar com a felicidade deles e com a sua.

Além do mais, pergunto: quem lhe deu a prerrogativa de ensinar o certo? Quem lhe deu procuração para agir em defesa de um ensinamento? O seu ego, que é egoísta, que quer vencer os outros.

Participante: tem também a situação dos dízimos. Pastores vendem na televisão um pedaço de papel ungido, terreno no céu, tijolo abençoado. Sei que o dinheiro é deles e podem fazer o que quiserem com ele, mas o caso é que chega a ser revoltante ver este tipo de exploração, pois nestes cultos existem pessoas com pouco ou nenhum grau de instrução. Vemos que eles estão lá por medo. Enchem a cabeça delas com mentiras, põem medo, falam em castigo, em inferno e assim retiram o dinheiro delas. Ouço muitos comentários das pessoas a esse respeito e muitas se revoltam.

Começo a minha resposta lhe pedindo para observar um detalhe que não expôs. Diz que ouve muitos comentários com revoltas por causa da forma dos pastores agirem. Agora, lhe garanto que nenhum desses é de pessoas evangélicas. Porque será? Talvez porque elas aceitem isso por fazer parte da fé delas. Quem é você para dizer que elas estão erradas?

Outra pergunta que lhe faço. Você não age da mesma maneira que os pastores, não é mesmo? Não estou falando em tirar dinheiro dos outros, mas querer impôs a sua vontade a alguém. Com certeza você não ameaça a ninguém impondo medo para que as pessoas sigam o que você acredita como certo, não é mesmo?

Você não conversa com os outros criando histórias que colocam o medo de um resultado desastroso para que eles possam pensar como você? Claro que sim. Todos quando querem impor a sua verdade a primeira coisa que fazem é inventar um destino sofredor para o que o outro quer fazer. ‘Isso vai dar errado, você vai se machucar’.

Desculpe, está criticando os pastores, mas você faz a mesma coisa. Como, então critica eles? Como leva as pessoas na boa fé a acreditarem nas suas verdades, no que imagina que sabe? Você pode, eles não ...

É essa hipocrisia da mente, não é sua, que precisam estar atento. Quando é para ela levar vantagem, diz que é certo agir daquela forma, mas quando quem lucrar não for você, ela dirá que é uma ação errada, que se trata de enganar os outros.

Tenho certeza de que se fosse pastor, faria a mesma coisa. Tenho certeza de que se fosse evangélico iria dar o seu dízimo, mesmo que lhe faltassem coisa por conta disso, com um sorriso no rosto. Porque? Porque sua mente diria que isso era o certo de ser feito.

É o que acabei de responder: nunca vou encontrar um fator externo quando se trata de perder a paz. Tudo está no seu mundo interior, pois a causa da perda da paz sempre surge do trabalho que a razão humana faz. Tudo que você descreveu e tudo que qualquer um descrever como errado nas religiões ou em qualquer outro assunto, são ideias que ela critica porque não está levando vantagem individual. Se levasse, não criticaria. Tudo em que haja um ganho individual aparentemente não é considerado errado pela mente humana, mesmo que outras considerem dessa forma.

Portanto, a preocupação que fala que tem, é hipocrisia. Volto a dizer: não estou lhe chamando de hipócrita. É a sua mente que é. É ela que trabalha com hipocrisia.

A sua pergunta está vinculada ao caso da corrupção que já conversamos. O ser humanizado facilmente aponta o político corrupto, mas ela mesmo é corrupta, pois busca levar vantagens indevidas com um bem público. Eu acho que deveriam bater palmas para os políticos, pois com a corrupção deles roubam muito dinheiro, enquanto que você se vendem por quaisquer dez tostões.

É isso que estou falando. Precisamos para com a ideia de que existem argumentos que mereçam que percamos a paz por eles. Isso não existe. O mesmo argumento que é usado para acusar os outros é usado para defender as ideias são a respeito de algo que lhe traga benefício.

Então, deve trabalhar o que acabou de afirmar em si mesmo ao invés de compactuar com a ideia de sentir alguma revolta por este fato. Não é claro se aceitar a revolta. Ela é antinatural, não faz parte do amor universal.

Mais uma coisa. Essa mesma pergunta me foi feita há quinze anos atrás. Falaram do evangélico e do pastor e eu respondi que era o carma de cada um. A pessoa então me perguntou como ficava o pastor que roubava o dinheiro. Eu disse: isso é entre ele e Deus. O Pai não deu procuração a ninguém para julgá-los.

Um último detalhe. Saiba que existem pessoas que vão a esses cultos e dão o seu último tostão, mas tem mais fé do que a maioria dos espiritualistas. Tem mais confiança e entrega a Deus do que aquele que acredita que conhece os segredos do universo.

Quem que está aproveitando mais a encarnação? Ele que ficou sem tostão ou você que viveu a revolta por conta do que sabe? É isso que precisam pensar. Se não mudarem a forma de ver o mundo, se não mudarem o seu mundo interior, não há trabalho pela paz que resista. Viverá em sofrimento eterno.

Não estou falando em sofrer só nesta vida, pois no mundo espiritual também existem evangélicos que pagam o dízimo. Sendo assim, continuará sofrendo. Além disso, essa sua questão de ser justo, de aplicar a justiça, também continuará quando sair da carne. Por este motivo, irá para o mundo dos devas para caçar pastores e tentar convertê-los.

Guerreiros da paz - Textos

Conversando sobre religiosidade

Participante: você diz que religião é religar-se a Deus. Quando é que nos desligamos para precisar religar-se?

Quando, após o nascimento foram criados como humanos. Quando uma mamãezinha colocou uma roupinha bonitinha para que desfilasse no shopping. Quando papai e a mamãe ensinaram para o garoto que a coisa mais importante na vida é que seja doutor.

Nesses momentos foram desligados do Pai. Quando chega a maturidade, você, livre desse impulso, mas agora presa por si mesmo a materialidade, recebe, então, a informação que precisa se religar no Pai.

Participante: relacionado a pergunta sobre o desligamento, não foi Deus quem fez o afastamento ou humanização?

Sim, foi ele que fez isso acontecer na mente humana. Para que? Para que o espírito possa ter a sua prova, para que durante a encarnação possa se desligar de tudo o que o afasta Dele.

Você nasceu para fazer provas. Para provar a si que é capaz de amar a Deus acima de todas as coisas.

Participante: o ser humanizado foi criado desta forma para esta prova?

Exatamente. É isso que acebei de dizer. O desligamento de Deus no ser humano servirá como prova para o espírito.

Participante: como devemos criar nossos filhos religando-os a Deus no dia a dia?

Ensinando a amar a todos e a tudo, a aceitar a vida como se apresenta, ao invés de querer ser o melhor, ganhar mais dinheiro, compre casa própria e tenha carro do ano. Esse já é um bom começo.

Participante: porque hoje quando falamos que somos espíritas ou espiritualistas, somos tão discriminados?

Não sei. Eu não me sinto assim, você se sente?

Cuidado, analise essa sua ideia porque não existe nada no mundo externo. Tudo é interno. Por isso a discriminação que imagina estarem lhe fazendo, é feita por si mesmo. Você está se discriminando.

Sentir-se discriminado é perda de paz. Por isso tem um trabalho a ser feito em si. Ao invés de ficar buscando o porquê alguém lhe discrimina, busque no seu interior o que está lhe gerando a ideia disso estar acontecendo.

Jamais lhes falarei para buscarem respostas no mundo interno. Jamais aceitarei a ideia de que existem culpados pelo que você passa. Se existe um, ele é sempre você, é o seu mundo interno.

É preciso buscar dentro de si, pois é a sua mente que está criando a discriminação.

Participante: li uma vez que cada religião tem a sua importância para a sociedade. Cada pessoa precisa de determinada crença. As religiões evoluem no modo de agir como nós? Tenho como exemplo o catolicismo e até mesmo a umbanda que modificaram muito ao longo do tempo.

Não, as religiões não são criadas para o mundo humano. Elas existem para o mundo espiritual. São provas.

Se elas se mudam, não vou dizer se essa mudança é evolução ou não, é porque os espíritos que ali estão precisam da nova forma da religião como prova. O sentido que você quis dar à esta mudança, evolução para melhor, não existe.

Participante: para rebater as acusações e críticas do ego, procuro argumentos dentro do meu sistema de crenças.

É exatamente o que estou fazendo aqui: dando argumentos para que cada um possa combater a sua paz. Eles devem ser usados para ver a hipocrisia que está na mente, o dizer que algo é errado quando não há vantagem individual, mas errado quando não há, e ter a consciência de que nenhum ser possui procuração de Deus para julga nada deste ou de qualquer mundo.

Participante: as diversas formas que se pode interpretar as palavras dos mestres existem para amarmos o irmão mesmo pensando diferente?

Sim, para ver se amará o irmão pensando diferente. É como Cristo diz: quero ver é você cumprimentar o seu inimigo, pois abraçar o seu amigo é muito fácil. Abraçar os que pensam igual é muito fácil, quero ver é respeitar aquele que pensa diferente.

Por isso, as diversas interpretações dos ensinamentos dos mestres é uma prova.

Participante: falando em religiosidade, poderia falar em misticismo? Mais especificamente gostaria que comentasse a respeito do uso da ayahuasca, chá do Santo Daime. Falo isso porque vejo pessoas do Espiritualismo ecumênico Universal criticando massivamente isso, como se o fato de estar caminhando à luz dos ensinamentos automaticamente eliminasse esse tipo de prática na espiritualidade. Às veze me vejo perdendo a paz, mesmo que seja só um pouquinho, por conta disso. Sinto que o fato de eu usar o chá seria errado para uma vida espiritualista ecumênica.

Primeiro: não aceite o rótulo de ser nada. Você é um ser universal e não uma espiritualista, uma evangélica ou espírita.

Segundo: vou falar sobre o chá individualmente para você. Não falarei agora sobre ele abertamente, mas sim sobre a crítica que recebe por isso. Esse é outro assunto.

Qual o problema de alguém lhe criticar? Não querer ser criticado. Aquele que não tem problemas em ser criticado recebe o que os outros falam sem sofrimento. Aquele que não quer ser o certo, que não quer ser o dono da razão, deter a verdade, não se sente criticado por ninguém.

Por isso volto a repetir: o problema nunca está no mundo externo, mas no interno. Não é o que os outros falam nem o de tomar o chá, mas não querer que os outros digam que não deveria tomar. Você toma, e daí? Acha bom, e daí?

Deixe-me lhe dizer uma coisa: querer que os outros respeitem o seu direito de tomar o chá é uma fala de respeito ao direito deles falarem que não deveria tomar. É egoísmo puro, individualismo, é ceder a mente. É o querer governar o mundo, é a sua paixão, o seu desejo de toma-lo. É a vontade de ganhar, de ter o prazer, de conquistar a fama e ser elogiada.

É isso que precisa reconhecer neste momento e não esperar uma explicação pública do que é o chá, para que ele serve, se é bom ou ruim, objetivando que isso provoque alguma mudança nos outros e assim eles parem de falar o que dizem. Não posso fazer isso, sem desrespeitar as pessoas. O que posso lhe dizer é que temos diversos amigos que participam deste mesmo ritual e nunca os condenei por isso. Existe um específico que está inclusive abrindo uma casa de chá onde serão seguidos os ensinamentos que trago. Se fosse contra, diria para abrir uma casa onde não se servisse o chá.

O que importa não é o que se faz, mas a intenção com que se vive o que é feito. Bebendo para conseguir algo melhor para si mesmo, danou-se, perderá a paz. Se usa o chá e quer que todo mundo respeite, danou-se novamente, pois isso não acontecerá. Sempre haverá alguém criticando.

Portanto, é um trabalho de você consigo mesmo. Esqueça os outros.

Participante: o tempo todo tenho me vigiado e hoje muitas vezes já está sendo automático o não julgamento. Mas, o trabalho me dá muito cansaço mental. Isso é normal?

Como sabe que não julgou alguma coisa? Quando julga a si mesmo. Julga que julgou ou não. Portanto, não desista do trabalho. O faça novamente.

Sim, ele cansa, mas isso é dado pela mente para ver se você para de fazer. Entregando-se ao cansaço não conseguirá a paz. A mente o dominará. Por isso, na hora que ele vier, lembre-se do que ganhará como fruto do seu trabalho.

Outro dia me falaram de cansaço por trabalho físico. Eu disse: para que isso não pese, lembre-se do dinheiro que receberá no final do mês. É a mesma coisa. Lembre-se do que ganhará com o seu trabalho pela paz. Use o que ganhará como uma motivação para continuar trabalhando.

O que receberá? A paz, a felicidade.

Participante: sobre religião, existem cruzamentos de correntes que atrapalhem o membro frequentador? Exemplo, um católico frequentar umbanda.

Não. A pessoa não precisa frequentar apenas um lugar. O que deve fazer é respeitar qualquer lugar que frequente ou não.

Esta história de energia é coisa espiritual e você como humano não ode entender. Por isso, esqueça esse assunto.

Participante: como viver sem perder a paz praticando atos religiosos sejam de qualquer religião for?

Praticando o ato religioso de qualquer religião em paz.

Como se pratica um ato religioso em paz. Sem querer saber se ele está certo, se é bom, no que dará, o que ganhará com a prática, se é melhor que outro ato, se está perdendo ou ganhando tempo. São essas coisas que lhe tira a paz e não o próprio ato. É a preocupação com o ato e não ele mesmo.

Participante: a mim parece particularmente que quanto mais tento não julgar nada especificamente, mais difícil fica conseguir isso. Parece que quanto mais tento me policiar, o ego pega mais pesado.

Isso também já disse por diversas vezes: não espere ajuda do ego. Ele pegará no seu pé porque é o gerador da sua prova.

Portanto, não adianta dizer que ao conseguir não julgar alguma coisa já fez tudo que tinha a ser feito. É preciso ter diversas vezes o não julgamento para poder chegar a vitória final. Não é vencendo uma batalha que se consegue, mas sim a guerra.

Participante: o movimento da física quântica tentar integração com a religião é uma forma de tentar explicar logicamente a religião? A física quântica pode nos ajudar na evolução espiritual?

A união dessa ciência com a religião, bem como qualquer outra, cria uma nova religião. Sendo seguidor dela, a siga.

O que resolve não é religiosidade. Aliás, sempre disse que a sua religiosidade pode atrapalhar a sua espiritualização. O que pode resolver alguma coisa é a sua espiritualização.

Participante: as obrigações de oferendas que algumas religiões pedem, devem ser feitas por fazer e não porque é obrigado?

Se você é religioso daquela região, segue o rito dela, é sua obrigação fazer.

O problema é seguir uma religião mas ao mesmo tempo querer contestar o corpo doutrinário ou os ritos dela. Sendo um seguidor dela, precisa aceitar tanto o corpo doutrinário como os ritos. Ao aceitar não fez como obrigação, mas como um ato de fé.

Portanto, se é religioso e encara o ato ritualístico como uma obrigação, se repense, pois não segue aquela religião com tanto fervor como pensa. Pode ser que a sua mente esteja usando dela para algum objetivo individual. Neste caso é outro detalhe, é algo que precisa ser analisado cuidadosamente pelo guerreiro da paz.

Participante: se a mente foi criada para julgar, esse é o trabalho dela. O nosso é lutar contra ela?

Não contra, mas para se libertar. Ela cria o julgamento e você não aceita o julgar. É liberdade e não guerra mental. Se entrar nesta batalha, sucumbirá, pois não sabe separar-se da mente.

Participante: você disse que não é vencendo uma batalha que se consegue, mas sim a guerra. Sobre isso falei um pouco da última vez. Me vejo muito me casando muito das batalhas por mim julgadas como mais difíceis. Sou tão guiada pela mente que acho que não conseguirei dela me libertar. São muitas batalhas perdidas.

Com relação ao cansaço já me referi. Quem está se sentindo cansado é a mente. Por isso deve se lembrar do que ganhará com a vitória para poder se motivar a continuar com ela, mesmo cansada dela.

Agora, com relação a batalhas mais difíceis, deixe-me dizer uma coisa. Uma vez me perguntaram se existe ego muito forte. Eu disse que não, o que há são seres fracos.

Guerreiros da paz - Textos

Ter uma causa primária na vida

Participante: um acontecimento que marcou o início da nova era em 2012 já é da nossa consciência? Falo isso porque já estamos tendo notícias de perseguições e sofrimentos de muitos cristãos no Oriente. Como se relacionar com essas notícias de assassinatos bárbaros?

Apesar de estar no texto da pergunta, ela não tem nada a ver com 2012, pois assassinatos bárbaros, de cristãos, de mulçumanos, de evangélicos ou de qualquer segmento religioso sempre aconteceram e irão continuar ocorrendo. Assassinatos bárbaros, disputas entre religiões sempre aconteceram e continuarão a ocorrer.

Os que falam hoje dos assassinatos bárbaros dos cristãos pelos mulçumanos que estão acontecendo hoje na África, se esquecem das cruzadas. Naquela época os cristãos saíram da Europa e foram em Jerusalém para matar os mulçumanos que lá vivam. É a mesma coisa.

Por isso, não vamos ligar a nossa resposta a nada de 2012, mas falaremos de assassinatos bárbaros por motivos religiosos. Isso é precisa ficar bem claro, pois existem outros tipos de assassinatos, mas como já disse, precisamos ser bem específico. Vamos lá, então.

Qual o problema de se matar uma pessoa, mil, cem mil ou um milhão? Nenhuma, não há diferença. Se vocês acham que o assassinato não deveria acontecer, que é errado, pecado, contra a lei do amor, matar um ou um milhão não tem diferença alguma.

Nossa análise começa por aqui. O assassinato bárbaro de um grande número de pessoas tem que ser tratado da mesma forma que trataríamos o de um mendigo na esquina. Não pode haver excepcionalidade nessa questão apenas porque abrange um número maior de pessoas.

Como consigo me libertar do sofrimento oriundo de qualquer assassinato? Aceitando Deus na sua vida. Aceitando um Pai que lhe protege, que lhe ama. Aceitando o Senhor do universo, aquele que comanda tudo que pode existir. Aceitando a existência de uma Causa Primária.

Guerreiros da paz - Textos

O exemplo dos judeus

É assim que se combate este sofrimento. Quando se aceita que existe um Senhor e que ele possui uma programação para o mundo e que esses atos fazem parte da lei de Deus. Veja que coisa: o assassinato bárbaro de uma multidão de pessoas faz parte da lei de Deus. A morte dos cristãos de hoje, assim como a dos judeus nas câmaras de gás durante a Segunda Guerra mundial, fazem parte do plano secreto que o Pai tem para seus filhos. Sei que isso é difícil de aceitar, mas provo.

Os judeus são os detentores da informação de que mortes violentas acontecem por determinação do Pai. Por favor, alguém aqui já leu o Antigo Testamento? Ele é formado além de alguns livros de profetas, da história da relação de Deus com o povo escolhido, os judeus. Naquele livro é contada, por exemplo, a história de Moisés, que é parte deste relacionamento.

A história diz mais ou menos o seguinte. Deus aparece para Moisés e diz que quer que ele organize e liberte todo os judeus da escravidão no Egito. Saíram deste país, lhe conduzirei pelo deserto até chegarem à terra prometida. Isso acontece, os judeus fazem o êxodo junto com Moisés. O exército do faraó vem contra eles, mas Deus os protege com diversas ações, entre elas a abertura do Mar Vermelho. Essas histórias vocês conhecem, mas há outras que acho que não têm conhecimento.

Durante a caminhada de quarenta anos pelo deserto, os judeus enfrentaram muitas batalhas, pois toda a região era ocupada por tribos que eram os países daquele tempo. Havia uma tribo que dominava uma região, em outra, era outra tribo que mandava. Como essas tribos não eram seguidoras do Deus Único e não pretendiam entregar a sua região de mão beijada aos judeus, é justo se imaginar que essas batalhas fossem ganhas sempre pelos judeus. Só que não foi isso que ocorreu.

O antes, o durante e o depois dessas batalhas são narradas no Antigo Testamento. Na narração, antes de começarem os confrontos, Deus se dirigia a Moisés. Ele orientava o povo de Israel no seu próximo enfrentamento. Dizia que deveriam lutar, que deveriam ocupar a terra daquele povo e orientava para que se matassem todos os que moravam no lugar, inclusive mulheres e crianças. A orientação era para que não deixassem nenhum vivo.

Essa era a ordem de Deus. Não entrava em guerra nem matava a todos depois da conquista por querer, mas porque tinha recebido uma orientação do Senhor. Neste caso, pergunto: quem matou, forma os judeus? Claro que não. Quem fez isso foi o Senhor, pois Ele traçou o destino da batalha.

Só que nem sempre aconteceu desse modo. Ao longo desses quarenta anos de caminhada, muitas vezes o povo judeu perdeu a sua fé no Deus Único. Quando isso acontecia, o Senhor dizia a Moisés: ‘agora vão enfrentar aquela tribo. Irão lutar, guerrear, mas perderão a batalha e serão mortos por eles. Faço isso porque o meu povo não tem mais fé em Mim’. Segundo o Velho Testamento, não foi uma nem duas vezes que isso aconteceu. Eles foram, lutaram e morreram.

Portanto, tanto a morte dos inimigos como a dos próprios judeus era gerada por Deus. O Senhor deixava bem claro que fazia isso como castigo por causa de uma falta de fé.

É por isso que disse que os judeus não poderiam se revoltar pelo holocausto ou por qualquer assassinato bárbaro que tenha sofrido ao longo dos anos. Se isso aconteceu durante o Velho Testamente e este povo aceita estes fatos como parte da religiosidade deles, como atacar os que agora provocam mortes?

Guerreiros da paz - Textos

Falta de fé

Quis citar esse exemplo para deixar bem claro a existência de uma Causa Primária que causa tudo, inclusive a barbárie. Atos dessa natureza não podem ser encaradas como excepcionalidade ou como movido por ódio ou qualquer outro sentimento humano. São batalhas religiosas comandadas por um Senhor do universo que dá o resultado da batalha de acordo com a fé de cada povo.

Só que não se trata de algo ruim ou mal. Estamos falando de encarnações, portanto são novas provações que os espíritos precisam passar. É a essa conclusão que você que me fez esta pergunta precisa chegar.

Esqueça qualquer relação dos eventos deste tipo com a chegada da nova era. Sim, tudo o que aconteceu desde aquele dia tem a ver com o novo tempo, mas tem muito mais a ver com a sua provação. Prendendo-se a questão de um destino planetário, não terá interpretado corretamente os acontecimentos para poder lutar pela sua paz.

O que está lhe causando realmente a perda da paz é a questão da existência dos massacres, a questão de pessoas serem mortas por motivos religiosos. Só que como fica claro no Velho Testamento, esses massacres existiram mesmo antes da chegada de Cristo. Estamos falando de coisas de cinco a seis mil anos atrás, mas podemos descer mais na história, pois eles também aconteciam no Egito antigo.

Durante toda a história do planeta esses massacres aconteceram. Muitas vezes eles foram feitos, inclusive, sob a luz do cristianismo, aqueles que se dizem detentores da mensagem do amor de Cristo. Não importa quem fez ou quantas vezes foram feitos, o importante é ouvir o ensinamento da Bíblia: eles foram feitos, preparados e organizados pelo Senhor, porque não houve fé.

Aceitando essa informação, posso, então lhe dizer o que falta para que mantenha a sua paz é uma Causa Primária que age sempre motivada por valores espirituais, que age sempre em favor do espírito, para que esse possa realizar o trabalho da encarnação e conseguir a elevação espiritual. Se fizer isso, se trouxer essas informações para a sua existência, pode, então, trabalhar a verdadeira causa da perda da sua paz: a sua falta de fé.

O sofrimento causado pelos assassinatos bárbaros que estão ocorrendo, a revolta geral contra essa situação, a acusação àqueles que estão praticando essas ações, são a prova de que você não possui uma Causa Primária na sua vida e não tem fé em Deus. É disso que precisa cuidar e não da preocupação com o novo mundo.

O novo tempo que começou em 2012 se prolongará por mais sete mil anos. Com certeza você não verá nada dele. Por isso, retire da sua mente qualquer preocupação nesse sentido e viva o seu hoje, pois é nele ter novamente paz.

Lhe garanto que se estivesse em relação amorosa com o Pai, amando e sentindo-se amado por Ele, com certeza teria a consciência de que não cai uma folha da árvore sem que o meu Pai faça cair. Mais: saberia que Deus é a Justiça Perfeita e o Amor Sublime, por isso tudo que acontece é justo e amoroso. Quando tiver esses valores agregados ao seu dia a dia, conseguirá a paz sempre.

Guerreiros da paz - Textos

A arma adequada

Um último detalhe que quero comentar rapidamente. Sei que quando ouviram o tema, muitas pessoas imaginaram que eu ia falar que ninguém morre antes da hora, como está escrito em O Livro dos Espíritos. Poderia suar este argumento, mas não quis fazê-lo de propósito.

Na busca da paz há algo que precisamos observar. A mente decora um ensinamento e o usa constantemente. Com isso, lhe vicia nele.

Sim, poderia ter feito todo meu comentário sob a luz da questão da questão 853a de O Livro dos Espíritos que fala que ninguém morre antes da hora e que Deus sabe a hora e a forma como cada um perecerá. Poderia, também, ter usado as questões deste mesmo livro que estão no tema ‘Influência dos espíritos nos acontecimentos da vida’, onde é dito que se alguém tiver que morrer por causa da queda de uma escada, os espíritos o encaminhará para uma que saiba que quebrará. Neste mesmo assunto, se diz também, e eu poderia ter usado como o fiz muitas vezes, que se uma bala não deve atingir mortalmente uma pessoa, os seres incorpóreos chamam a atenção do encarnado para que se desvie do trajeto do projetil.

Enfim, poderia ter utilizado de centenas de ensinamentos que já usei antes, como a questão 744 deste livro quando o Espírito da Verdade diz que a intenção de Deus com a guerra é trazer a liberdade e o progresso, do espírito, claro. No entanto, fui usar um exemplo que dificilmente utilizei nos últimos dezesseis anos. Porque fiz isso? Para que você não se deixasse enrolar pela mente.

Como afirmei, a mente lhe atrapalha muitas vezes usando o mesmo ensinamento. Todos esses que não usei você sabe, mas eles não atacam frontalmente a causa do seu sofrimento. Você não está perdendo a sua paz só porque pessoas estão sendo mortas, mas porque isso está acontecendo por motivos religiosos. Por isso, esse ponto não pode ficar de fora da sua análise para buscar um argumento para vencer os inimigos da paz.

Foi por isso que usei a informação do Velho Testamento. Ele se encaixa perfeitamente para servir como arma para derrotar aquilo que a sua mente está gerando a partir dos acontecimentos que lhe tira a paz.

Isso também complementa uma outra informação que já conversamos e que deve servir também como arma no seu combate: não existe religião certa ou errada, melhor ou pior. Ele destina a morte ou qualquer outro acontecimento da vida a qualquer membro de qualquer religião.

Cristo tem uma frase que você pode usar como argumento para vencer os inimigos da sua paz: ‘você já reparou que o sol nasce para todos, sejam eles bons ou maus e que a chuva fertiliza os campos dos bons e dos maus’? Só essa observação lhe levaria a entender que aqueles que chama de mau também é beneficiado por Deus, que vence batalhas. Também são filhos amados do Pai que receberão o que precisa e merece e o que ganharão não tem nada a ver com o julgamento de vocês, com o que acham que deveriam receber. É do julgamento do Pai que lhes sai o merecimento.

Fica, então, a observação. Na hora da escolha dos argumentos, procure aqueles que estão mais afetos à totalidade da causa da sua perda da paz e não utilize como forma decorada um único ensinamento, pois ele pode não contemplar tudo o que precisa para vencer a batalha. Tentem ter uma visão mais abrangente possível de todo os ensinamentos dos mestres para poderem ter armas corretas para lutar contra os inimigos da mente.

Para isso lhe dou uma orientação que já passei diversas vezes. Sempre que possível, leia Bíblia, o Bhagavad Gita, os sutras de Buda, O Livro dos espíritos. Não uma leitura sistematizada, mas apenas pequenos trechos diários. Faça isso para poder conhecer as armas que dispõe para atacar mortalmente os argumentos que a mente cria para que perca a sua paz.

Quando dou esta sugestão, as pessoas me dizem que não têm tempo para isso. Só que ler um trecho pequeno de um livro sagrado não leva mais do que cinco minutos. Se você não tem este tempo para trabalhar para a sua paz, o que espera viver?

Guerreiros da paz - Textos

Terrorismo islâmico

Participante: fale dos homens bombas, por favor.

Participante 2: sei que isso não ajuda em nada a minha evolução espiritual, mas por favor, fale dos extremistas islâmicos que praticam atentados contra o Ocidente?

Já falei sobre este tema logo no início dessa série de conversas. A resposta está na introdução.

Agora, além do que foi dito lá, se a morte faz parte do plano de Deus, é preciso uma instrumento que a afaça acontecer. Eles têm que agir dentro do gênero de morte que o Pai sabia que ia acontecer.

Portanto, quem são os homens bombas e os milicianos? Aqueles que foram designados pelo Pai para cumprir a lei de Deus na Terra dentro da teatralização prevista. Eles portanto, não fazem nada de extraordinário.

O problema é você aceitar que morrer é natural, que ser assassinado, com barbárie ou não, faz parte da lei de Deus. Para isso precisa ter uma mudança interna: ao invés de ter um Papai do Céu, tenha um Senhor que é Justo e Amoroso e dá a cada um segundo as suas obras. Enquanto quiser ter um papai do céu que lhe proteja, não conseguirá viver em paz com estes acontecimentos.

Participante: os extremistas por executarem as suas ações por amor a Deus estarão passando em suas provas?

Não sei. A aprovação ou reprovação depende do mundo interno de cada um e não do externo. Não posso conhecer o mundo interno deles, por isso não posso falar que sim ou que não.

Mas, mesmo que conhecesse, não faço fofoca da vida dos outros.

Participante: mesmo que não passem, são instrumentos das provas dos outros?

Sim, são instrumentos das provas dos outros, mas eu não sei como ao viver este papel eles estão vivenciando aquele momento. Aí é outro detalhe e eu não sei.

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Conversando sobre matar

Participante: não era para termos melhorado nesta parte de mortandade por intolerância religiosa, pois desde que a humanidade existe, nós somos os antepassados de nós mesmos? Será que ainda não aprendemos?

Era para isso ter melhorado. Era para ter melhorado no amor ao próximo e em muitas outras coisas. Mas, vocês não se melhoraram, por isso tudo continua a mesma coisa.

Ainda hoje ao invés de amarem quem mata, ainda continuam julgamento e acusando o outro. Cristo ensinou: se alguma pessoa tem algo contra você, antes de ir ao tribunal vá lá e faça as pazes com ela. Só que ao invés de aprender a ceder para poder ter a paz, vocês cada vez mais querem para si e por isso as batalhas, tanto armadas quanto não, continuam existindo. É por isso que essas coisas continuam existindo, já que não fizeram nada de verdade para acabarem com este carma.

Veja, não é criar leis humanas que faz alguma coisa melhorar. É preciso haver uma reforma íntima, é preciso que se pratique a lei. Há duas leis no código penal de todos os países que regem esse assunto. A primeira proíbe matar e a outra diz que todo país independente é soberano. Além disso, muitos estados possuem ainda a lei que diz respeito à liberdade do credo. Alguém parou de matar por causa dela? Alguém parou de invadir o país dos outros? Alguém deixou de impor a sua crença como a melhor para o outro?

Então veja, a existência de leis, que você trata como evolução, não garante isso de maneira alguma. O que pode garantir é a prática da lei, seja ela dos homens ou de Deus. Quando se diz que todos são iguais perante a lei o que quer se dizer é que todos têm o direito de ser, estar e fazer o que quiser, desde que não fira o código. Mesmo havendo esse preceito, até hoje a humanidade usa a lei para defender seus interesses e não para dar o direito ao outro.

O problema, então, não é ter lei, mas coloca-las em prática. Quantas vezes já não vimos ataques a religiosidades de alguns grupos justificadas pelas próprias ideias humanas formadas a partir de interpretações da lei? Dentro da questão religiosa especificamente, aqui mesmo ouvimos acusações a pastores que roubam, a evangélicos que perturbam, etc. Como vocês querem que tudo acabe se interiormente para defenderem o seu bem estar ainda roubam o direito do outro expressar a sua religiosidade?

Para que o mundo melhore é preciso que você se melhore, é necessário que cada um se melhore. Ela começa exatamente neste ponto: no respeito à religiosidade dos outros. Porque o mulçumano ataca o cristão? Porque ele defende Israel na apropriação de terras dos árabes. Os judeus invadiram a palestina, atacaram os árabes, mataram e se apropriaram de seus bens. Isso não aconteceu há muito tempo, mas continua acontecendo todo dia atualmente. Já eles fizeram isso porque foram atacados pelos próprios cristãos na Europa. Ou seja, é um atacando o outro em defesa de seus interesses próprios.

Por isso lhe digo: o que falta é amor universal. Neste ponto, vocês não evoluíram nada nas encarnações desde que o mundo é mundo. Enquanto não amarem universalmente não há solução.

Por isso, afirmo uma coisa: daqui a cem anos ou mais as pessoas se farão a mesma pergunta que você me fez, mas continuarão educando seus filhos para seres humanos de sucesso e esquecendo de falar na universalização do amor ao próximo.

Participante: como pode haver um mandamento que diga não matarás, se Deus usa o próprio ser humano como instrumento da morte de outro?

Como prova para ver se usará a força da lei para julgar o próximo.

Há uma questão na lei que não entenderam. Acham que ela é coercitiva, ou seja, que ela causa uma coerção, uma obrigação de ser seguida. Isso é irreal. Ela não cria obrigação. Você a seguirá se quiser. O que ela pode fazer é colocar os limites e penalizar aquele que os ultrapassarem, mas gerar a obrigação de ser seguida, isso não. Qualquer um pode ir contra ela. Só que depois terá que pagar o custo por isso.

Portanto, a força da lei, inclusive a de Moisés, não possui o sentido coercitivo. Ela pode prever o que deveria ser feito, mas não pode obrigar ninguém a cumprir os seus ditames.

Agora, será que não cumpri-la é pecado. Essa questão nos é trazida pelo apóstolo Paulo. Ele ensina que Deus nos aceita não pelo cumprimento da lei, mas pela fé, pela entrega e confiança no Pai.

Para isso, o apóstolo cita o exemplo de Abraão. Ele tinha um único filho que só foi gerado quando já era bem idoso. Era o seu único descendente, aquele no qual depositava todo o seu amor e esperança de continuação da tribo. Apesar disso, Deus deu a ele ordem de entregar o filho em sacrifício no altar.

Ora, esse mesmo Deus é que futuramente dirá a Moisés os dez mandamentos, onde está a ordem de não matar. Será que ele não sabia disso naquela época ou se esqueceu? Acho que nem uma coisa nem outra. Ele, como Onisciente já sabia que não se poderia matar.

Se alguém fala isso para qualquer ser humano, esse jamais cumpriria o que foi pedido. Mas, o patriarca como tinha fé, como tinha confiança em Deus e como sabia que tudo faz parte de um plano de Deus, pegou seu filho, levou ao altar, tirou a adaga e quando já ia matar, Deus lhe disse para parar, porque já tinha provado a sua fé.

Abraão ia sacrificar o seu filho, mas vocês não querem que outras pessoas que nem sabem quem são sejam sacrificadas para testar a sua fé.

Participante: ser indiferente às guerras, é o caminho? Aliás, toda caminhada consiste em não ligar para nada externo, mas apenas com o seu mundo interno?

Sim, o único caminho se consiste em viver neste mundo com apatia ao mundo humano. Para realizar isso tenho uma frase: meu reino não é deste mundo. Quem ainda está preocupado em acabar com as guerras, ainda acha que esse mundo faz parte de si, que esse mundo é para si.

Deixe-me fazer um comentário. O que falei aqui sobre guerra é exatamente em O Livro dos Espíritos nesse tema. Coincidência? Acho que não ...

Participante: nos últimos meses ouvi muito os seus ensinamentos. Tomava doses diárias gigantescas deles até chegar o momento que tudo que fala me pareceu repetitivo. Parece que está sempre batendo na mesma tecla. Assim comecei a sentir uma espécie de falta de vontade, cansaço de estudar os ensinamentos. Será que existe um momento que esgota a preparação e automaticamente é empurrado para provas mais duras. Digo isso porque além de tudo estou sentindo que esse esgotamento do estudo dos ensinamentos coincide com agravo com as tribulações da minha vida.

Na verdade não existe cansaço de estudar que lhe leve a abandonar a busca. O que existe é um apelo para que você pare de estudar e comece a praticar.

Não adianta me ouvir o dia inteiro ou tudo o que disse até hoje. Não adianta ler a Bíblia, o Baghavad Gita, O Livro dos Espíritos. Sem prática tudo o que surgir dessas leituras vira apenas apego a letra fria.

Portanto, comece a ouvir um pouco de cada vez e quando um assunto for encerrado, parta em busca da prática do que ouviu. Depois, se quiser, volte para ouvir mais. Isso talvez facilite o seu cansaço pela busca.