Guerreiros da paz - Textos - Livro II

O amado não é propriedade privada sua

Como é vivido pelo ser humano, pela natureza humana, qualquer relacionamento amoroso? Com posse. É meu namorado, meu marido, meu amor, minha mulher, minha esposa, minha namorada. Esse pronome colocado antes da posição do outro na relação amorosa mostra claramente como as relações amorosas humanas são vividas. Cada um se acha dono do outro.

Este é o primeiro aspecto que precisa ser trabalhado. Um namorado, um marido, uma namorada, uma esposa, não são propriedades do parceiro. São companheiros. Todos que participam de um relacionamento precisam viver um processo de tornarem-se companheiros uns dos outros para que a relação não termine em possessão e assim acabe com a paz entre eles.

A ideia de que o outro é propriedade particular, terreno cercado com arame farpado é que leva a todo sofrimento dentro da relação amorosa. Porque? Por causa da vontade de ganhar e do medo de perder.

‘Como eu vou deixar alguém encostar no que é meu? Como algo que é meu vai fazer alguma coisa diferente do que quero’? É assim que a mente funciona quando a relação amorosa é vivida com propriedade.

Por isso, o primeiro trabalho que se faz dentro de uma relação amorosa para se ter paz é acabar com a posse. Isso se alcança vivendo a existência conjunta com companheirismo, como duas pessoas autônomas que dividem momentos. Como duas pessoas autônomas que se amparam uma na outra para enfrentar a vida.

Quando existe esta visão sobre o amado, a vida muda. A outra pessoa passa a ser uma pessoa e não mais uma propriedade particular. Não mais alguém que é obrigado a fazer aquilo que o outro quer.

Quando não existe a obrigação do outro ser, estar e fazer o que você quer, não há contrariedade. Quanto não há contrariedade, há paz.

Este é, portanto, o primeiro aspecto que queria abordar dentro do tema relação amorosa. Mas, há outro que precisamos abordar de uma forma genérica.