O evangelho segundo Tomé

O evangelho segundo Tomé

O estudo do evangelho apócrifo de Tomé foi o primeiro realizado pelo EEU. Ele contém a base de tudo o que foi ensinado pelos amigos espirituais, incluindo as cinco verdades universais. O conhecimento delas foi tão fundamental que naquele momento, segundo Joaquim de Aruanda, encerramos um movimento de busca, pois já havíamos alcançado tudo o que podíamos encontrar. 

OBSERVAÇÃO:

O texto desse estudo foi transmitido por psicografia ao longo de mais de um ano. Por esse motivo os textos não coincidem com os áudios disponibilizados. 

O evangelho segundo Tomé

Palavras de amor

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Introdução

Este livro que vocês vão ler agora contém o segredo da melhoria espiritual. Contém todas as informações que vocês precisam para passar no dia do “julgamento”.

Procurem ler com toda atenção isto que está escrito aqui, porque tem todas as informações para o espírito chegar no dia de aparecer na frente do Pai e poder dizer com toda tranqüilidade: “Eu estou no caminho certo Pai e tentei fazer as coisas da melhor forma”.

Todo ensinamento que vocês precisam para poder crescer espiritualmente está aqui, está neste livro. As outras coisas que vocês ainda terão notícias, nada mais são do que curiosidade. É para aqueles que querem se especializar em algo. Mas, este livro que aqui está é que traz o ensinamento para o seu crescimento espiritual.

Este livro fala, sem falar, o tempo todo, nas quatro letras que são a coisa que vocês têm que fazer na vida: o AMOR.

Sem isso nada se consegue neste universo de Deus. Sem ter amor no coração, sem ter vida no coração, pois amor é vida, nada se consegue na verdade.

Todos aqueles que vivem por objetivo outro que não seja de ter o amor dentro de si, um amor sem fronteiras, um amor sem barreiras, um amor sem sexo diferente, um amor sem nível social diferente, um amor sem cor diferente, todos que vivem sem esse amor, com certeza no dia do juízo terão alguma coisa apontada contra si.

A vida do espírito é a coletividade, é a busca de que todo mundo é igual um ao outro e que ninguém é melhor ou pior nas leis de Deus.

As coisas que nós sempre dizemos não têm nada mais no fundo do que o amor. Sem essa energia, sem esse sentimento, não há vida. Há vegetação, pois a vida é esse amor, é essa procura de ser igual a todo mundo.

Cumprindo suas missões é que vocês demonstram esse amor pelo seu irmão. É colocando em ação aquilo que levou tanto tempo no plano espiritual para aprender, que vocês trazem o amor para dentro de vocês. É principalmente pagando até o último dízimo, até o último centavo, a dívida de cada um, que vocês conseguem recuperar o amor que perderam ao ofender.

Sem essas três coisas, não há vida. Passa-se pelo tempo. Prorroga-se o processo de encarnação e leva-se mais tempo para resolver seus problemas. Não é para isso que o espírito vem na carne. Não é para as coisas materiais, não é para as tentações materiais que ele vem na carne. Ele vem para provar que ama os seus irmãos e principalmente para provar que se ama, porque só consegue se amar quem ama seu irmão.

Não é a aparência física que diz se uma pessoa é bonita ou feia: o que diz é o amor que essa pessoa passa nos atos que faz. O ato do amor quase nunca é o ato que a gente esperava ou queria. Quando estamos na carne queremos a coisa da carne, enquanto que o ato do amor é espiritual.

Viver nada mais é do que amar. Passar por esta vida é cada dia estar aumentando o seu amor pelos outros e recebendo mais amor. Mas só recebe amor quem dá o amor.

“Quem semeia vento, colhe tempestade”. Quem semeia amor, recebe amor e isto é a única coisa que vale a pena nesta vida. É a única coisa importante que existe.

Mas, este velho não está falando do amor do homem pela mulher: está falando do amor do espírito pelo espírito, seja ele do sexo que for, classe social, nível de escolaridade, cor ou que religião pratique.

É o amor de um pelo outro. Não o amor de cobrar, o amor de exigir, mas um amor de buscar a compreensão. Um amor de provocar a trégua. Um amor de buscar a junção de duas pessoas para fazer algo e não o amor de um só para provar que é melhor.

O amor não pode nascer porque foi exigido que tivesse amor. O amor tem que brotar tem que vir de dentro de cada um. Entretanto, este amor só vai brotar, só vai nascer dentro de vocês, na hora que as suas vidas forem entregues totalmente nas mãos de Deus. Só Ele pode ser o amor colocado dentro de vocês.

Enquanto o espírito procura, ele mesmo ser sempre o senhor de todo o Universo, não consegue. Na hora que diz: “Senhor do Universo, sou uma partícula do Senhor”, o amor brota e surge dentro do coração.

Neste livro vocês aprenderão a parte técnica de como alcançar este amor. Aqui está para vocês compreenderem como se alcança o amor.

Porém, não adianta nada, como já foi dito, se o baú cheio de moedas de outro ficar no fundo do mar. Se estes ensinamentos não forem resgatados, estudados e colocados na prática, de nada adianta ter este livro na sua prateleira. Ele sozinho não vai se abrir para mudar a vida de vocês. Toda informação é para ser dividida com o irmão, mas é, principalmente, para ser o conhecimento e prática de vocês mesmos.

Quero finalizar com uma história deste velho.

A vida de vocês é um eterno caminhar. Vocês caminham levando uma cruz nas costas. Uma cruz que, para cada um, sempre é mais pesada que a do outro.

Aí se conta que existiu um moço que era muito esperto e um dia disse:

“Eu vou ficar andando com esta cruz grande e pesada? Eu vou fazer uma coisa: vou cortar um pedacinho da cruz e ninguém vai ver. Quer ver só?”

Ele cortou um pedaço da cruz e continuou caminhando. Engraçado, ninguém falou nada como ele. Ninguém cobrou dele aquele pedacinho da cruz. Aí ele disse:

“Está vendo como sou esperto? Já que agora eu cortei um pedacinho e ninguém reclamou, vou cortar mais um pedacinho”.

Continuou andando e ninguém veio dizer para ele que não podia cortar pedaços da cruz. Ele continuou caminhando confiando, porque a cruz tinha ficado mais leve sem os dois pedaços.

Assim foi ele fazendo a sua caminhada, cortando pedaços da cruz, até que a cruz ficou pequenina e ele a carregou nos ombros sem sentir muito peso, sem muito problema.

Uma multidão caminhava junto dele, cada um com a sua cruz pesada e ele, o grande homem, o homem que tinha descoberto o sentido da vida que era cortar a cruz, caminha tranqüilo, sem esforço, sem sofrimento e sem cansaço.

Mas, como todos os homens que caminhavam pela planície da vida, um dia ele chegou no desfiladeiro onde tinha um buraco muito grande para passar para o outro lado. Ele então pensou:

“E agora, como eu vou fazer para passar?”

Aí um anjo apareceu para todos que estavam à beira do precipício e disse:

“Do outro lado está a terra prometida. Do outro lado está a vida que vocês sempre quiseram. Se vocês perceberem, a cruz que cada um carrega é do tamanho exato do buraco por onde vocês têm que passar. Joguem a cruz que ela vai servir de ponte e vocês atravessam”.

Nosso amigo estava lá com o seu cotoco de cruz e ela não alcançava o outro lado do buraco. Os outros passaram pela cruz e no momento que chegaram do outro lado, a cruz sumiu. Mas o homem que carregava o cotoco teve que voltar pela mesma estrada para recolher as partes que ele tinha cortado, para juntar tudo e poder passar.

Esta história mostra bem tudo o que está escrito neste livro. Mostra bem todas as técnicas que serão passadas. Não adianta fugir das suas lições, não adianta dizer que não precisa provar o que aprendeu e não adianta muito menos fugir dos pagamentos que deve.

Na hora de atravessar o desfiladeiro se a sua cruz estiver muito pequena, você terá que voltar com seus próprios passos para achar os pedaços da cruz abandonados.

Com as graças de Nosso Senhor Jesus Cristo, nosso grande Governador Geral e com o Amor do Pai Eterno e Supremo, nós ficamos muito gratos de poder trazer esta humilde cooperação do plano espiritual para a evolução de vocês.

PAI JOAQUIM

Espírito de Luz - Falange Africana - Preto Velho

O evangelho segundo Tomé

Logia 19 - Doutrina Espiritualista Ecumênica

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Logia 19 - 1
Logia 19 - 2

“019. Jesus disse: “Bendito aquele que era antes de existir. Se vos tornardes meus discípulos e ouvirdes minha palavra, estas pedras vos servirão. Há, pois, cinco árvores no paraíso que não se movem no verão nem no inverno, e suas folhas não caem. Aquele que as conhecer não provará da morte”.

“Bendito aquele que era antes de existir”

Bendito é aquele que é bem falado, no caso por Deus, ou seja, aquele a quem Deus diz que está certo. Esta pessoa é feliz, pois pratica as coisas da maneira que o Pai ensina. Portanto, os benditos são os felizes.

“Aquele que era antes de existir”, nos leva a entender aquele que sabe que existiu antes deste momento. A partir do momento que “existimos”, nos tornamos “seres humanos” e esquecemos que somos alguma outra coisa. Esta outra coisa é o espírito.

Desta forma podemos afirmar que:

Felizes são aqueles que se reconhecem como espírito, apesar de estarem na carne.

“Se vos tornardes meus discípulos e ouvirdes minha palavra, estas pedras vos servirão”.

Os discípulos de Jesus são aqueles que praticam o seu ensinamento: vivem o amor universal. Para nos tornarmos discípulos de Jesus é necessário que pratiquemos o amor que Ele nos ensinou.

Para isto é preciso entender os Seus ensinamentos, ou seja, ouvir as Suas palavras.

Quem isto fizer não precisará de posses materiais e o mais simples dos elementos da natureza (a pedra) lhe bastará. Aquele que conjugar o amor universal não precisará de ouro ou de qualquer outro metal nobre: apenas uma pedra servirá.

“Há, pois, cinco árvores no paraíso que não se movem no verão nem no inverno e suas folhas não caem”.

A árvore possui um sentido bíblico de fonte da vida, ou do conhecimento necessário para a vida na carne. É isto que também simboliza a história de Adão e Eva, quando a mulher aceita o fruto da árvore para comer. Os frutos da árvore do conhecimento são os ensinamentos necessários para esta vida.

A árvore que conhecemos possui raízes fixas que não a deixa mover-se, mas se entendermos que a sombra projetada por ela é uma extensão do seu corpo físico, podemos afirmar que a árvore se move de acordo com a posição da luz que cria esta sombra.

É este o motivo da colocação das estações do ano: de acordo com cada estação, o sol faz um caminho diferente e com isso a sombra muda de posição.

Entretanto, as árvores citadas por Jesus não se movem, ou seja, a fonte de energia onde estas árvores se banham (Deus), está sempre na mesma posição. No Universo só existe uma coisa imutável: Deus.

Deus é imutável porque é a causa primária de todas as coisas e porque é a justiça perfeita do Universo. Se Ele se alterasse, as coisas seriam diferentes e isto provocaria a injustiça, pois o que já foi justo não mais o seria.

Portanto, a fonte que abastece estas árvores é o próprio Deus. Com isto, Jesus afirma que os ensinamentos provenientes destas cinco árvores do conhecimento são perfeitos e inalteráveis, pois têm Deus como sua fonte.

O conhecimento sempre foi e sempre será exatamente o mesmo, pois a sua fonte (Deus) nunca foi alterada e por isso as folhas da árvore do conhecimento não caem. Desta forma, podemos afirmar que o conhecimento destas árvores é completo em toda a sua essência, mesmo que não tenhamos até agora conseguido entender todo ele.

“Aquele que as conhecer não provará da morte”.

Os ensinamentos destas árvores do conhecimento levam o ser humano a entender que ele não precisa passar por uma morte.

Até agora entendemos que a morte é um processo de transformação de vida que o ser humano sofre. Por esse processo o ser humano se “transforma” em alguma outra coisa, que irá viver em outro local. Dentro da concepção geral, com a morte o ser humano se transforma em alma ou espírito, de acordo com cada crença e vai habitar o céu ou o inferno, de acordo com o seu merecimento.

Não podemos afirmar que o ser humano não mais passará por este processo, pois o corpo (carne) perecerá. Portanto a afirmação de Jesus só poderia ser:

Aquele que conhecer os ensinamentos das cinco árvores terá apenas uma vida em apenas um local de existência.

OS ENSINAMENTOS

Compreendido o significado das palavras de Jesus, podemos iniciar o estudo do texto.

O destinatário dele é claro logo no início: o espírito. Jesus está dirigindo-se àquele que sabia ser antes de existir e afirma que ele será feliz quando reconhecer isto. Esta felicidade nada tem a ver com o estado que o ser humano consegue alcançar por momentos.

Jesus está falando da felicidade universal, aquela que os santos alcançam, aquela que cria uma felicidade coletiva e não aquela que apenas premia desejos próprios. Para Deus só existe felicidade quando todos os seus filhos estão felizes e não quando apenas um ou um grupo está. A felicidade hoje conhecida no planeta é assim.

Para que um ser humano sinta-se feliz é necessário que as suas “vontades” sejam satisfeitas. Quando todas as coisas acontecem da forma que ele quer, ele encontra a felicidade. Entretanto, para se ter esta felicidade, alguém tem que ficar infeliz, contrariado, fazendo o que não deseja.

Desta forma, Jesus inicia convocando os espíritos para alcançarem esta felicidade universal de ser espírito e viver na glória de Deus. Para isto diz que o espírito deve tornar-se seu discípulo, ou seja, praticar o que Ele pratica.

Como vimos, esta prática diz respeito ao Amor Universal. Este amor leva o espírito a enxergar o mundo com outros olhos, passa ver as coisas com uma visão universal e não a sua visão individual que leva à posse das coisas. Quando o ser humano alcança a sua felicidade necessita possuir o objeto desta felicidade pensando, assim, manter este estado por mais tempo.

O espírito não precisa disto, pois sabe que esta felicidade não está na coisa, mas dentro dele mesmo e em todo o Universo. O espírito, aquele que possui a visão universalista, entende que não precisa de coisas para ser feliz, pois a felicidade está dentro dele mesmo e não nas coisas.

Mas, para alcançar este estado, é necessário que o “ser humano” primeiramente se reconheça como espírito que é e conheça os cinco ensinamentos básicos da vida: as CINCO VERDADES UNIVERSAIS.

Estes ensinamentos são eternos e por isso nunca sofreram alterações. Desde o início dos tempos estiveram presentes em todas as transmissões de Deus aos espíritos na carne, mas não foram compreendidos porque o homem não deixou de ser o que era naquele momento (SER HUMANO) para ser o que era antes (ESPÍRITO).

Vamos ver cada um destes ensinamentos.

PRIMEIRA VERDADE UNIVERSAL

Não existe o ser humano: eu sou um espírito.

Se o ser humano reconhece que existia antes de ser, é necessário que ele entenda-se como espírito.

O espírito é gerado por Deus, por isso é Seu filho. Se formos buscar definição do espírito nas transmissões dos enviados de Deus, encontraremos em Allan Kardec, no seu “Livro dos Espíritos” a informação de que o espírito “é o princípio inteligente do Universo”.

Apesar desta definição clara, mais adiante a espiritualidade afirma no mesmo livro sobre a forma do espírito:

“88 – Os espíritos têm uma forma determinada, limitada e constante? Para vós, não; para nós sim. O espírito é, se quiserdes, uma chama, um clarão ou uma centelha etérea”.

Fica então o aviso: não podemos reconhecer o espírito por sua forma, pois ainda não a entendemos. Portanto, se queremos saber quem somos nós, os espíritos que habitam uma carne, temos que procurar a nossa ação e não a nossa forma.

Por princípio inteligente do Universo, podemos entender a própria inteligência, da forma como a conhecemos. Por isto, se queremos nos procurar nas ações que praticamos, temos que entender que somos a inteligência que habita o corpo.

Esta parte do ser humano que até hoje a ciência não conseguiu entender e nem mostrar fisicamente é o que somos nós, mais nada: o resto é “acessório” para a vida carnal.

Não temos braços, pernas, coração e pulmão, pois a inteligência não precisa disso para sobreviver, mas sim o corpo. Estas partes apenas servem para fazer o corpo funcionar e conviver com o mundo em que habitamos.

Por isso Kardec comentou no Livro dos Espíritos depois da resposta da espiritualidade à pergunta 88:

“Representam-se ordinariamente os gênios com uma flama ou estrela sobre a fronte; é uma alegoria que lembra a natureza essencial dos espíritos. Colocam-na na altura da cabeça porque aí está a sede da inteligência”.

Devemos nos lembrar que se hoje pouco conhecemos da inteligência, por volta de 1880, quando Kardec escreveu o Livro dos Espíritos, a psicologia, ciência que estuda a inteligência, ainda engatinhava e por isso o codificador não pode traçar informações mais precisas.

Hoje podemos conhecer a inteligência como a capacidade de receber informações e sentimentos, analisar, tomar decisões e comandar a prática de atos. Esta é a função do espírito dentro do corpo.

A visão “ser humano” aconteceu por dois motivos: o primeiro é físico. O homem desconhecia esta informação e, ao contemplar a sua imagem, o que via era apenas o corpo físico. Nem os órgãos internos ele conhecia e por isso nasceu nele o sentimento de que ele era tudo. Este sentimento foi sendo passado pelas gerações, apagando a memória espiritual.

Por reconhecer-se como corpo e sabendo que este termina com a morte, foi preciso o homem criar outra coisa diferente para depois que morresse: surgiu o espírito ou alma. Desta forma, o ser humano formou a imagem que ele sempre foi um ser humano, pois já nasceu assim, mas que ao morrer se transformaria em alma ou espírito, um outro ser...

O segundo motivo tem mais a ver com a missão do espírito na carne. Segundo a Bíblia Sagrada o homem foi expulso do paraíso, veio habitar o planeta Terra por um motivo: o fato de Adão e Eva ter comido o fruto da árvore proibida. Entretanto isto é um simbolismo como tudo que vem escrito sobre as informações para o espírito.

Como vimos neste texto, a árvore representa a fonte do saber, do conhecimento e o fruto o ensinamento. O espírito foi expulso do mundo espiritual e teve que habitar uma carne porque quis possuir um conhecimento (quis ser Deus) que não lhe era permitido (árvore proibida).

Neste texto, a primeira árvore e seus frutos representam os ensinamentos que, quando ingeridos, nos dirão que:

“Os habitantes do planeta Terra são as inteligências que se encontram dentro de corpos físicos”.

Este conhecimento leva o espírito a alterar sua visão do Universo para as verdades espirituais, pois não mais deve se reconhecer como ser humano, mas sim como espírito que é.

SEGUNDA VERDADE UNIVERSAL

O planeta Terra é um mundo espiritual.

Assim como o espírito criou a figura “ser humano” para se auto designar enquanto estivesse na carne, ele também criou um local para esta figura viver: o mundo material.

Por não se reconhecer como espírito, mas sim como ser humano, foi preciso que ele criasse outros lugares para viver quando se transformasse em espírito: o mundo espiritual.

Estes dois “locais” precisavam, dentro da concepção humana, ocupar espaços distintos, por isso inventou o “céu”, a “Terra” e o “inferno”. Entretanto, tudo isto foi criação do ser humano para explicar o que não entendia, pois não se via como espírito.

Na verdade existe apenas um Universo, onde habitam todos os espíritos. A divisão só existe para aqueles que não conseguem compreender as outras coisas.

Se não existe mais “ser humano”, não há mais necessidade de se separar o Universo em locais. Por isto, o ensinamento da segunda árvore nos diz que tudo no Universo é um mundo espiritual. O que diferencia as coisas não é o espaço físico, mas sim a densidade da matéria que o espírito ocupa ou convive.

Quanto mais o espírito avança dentro do conhecimento e da prática das leis de Deus, mais ele se desmagnetiza, podendo, então, habitar matérias menos densas, as quais não podem ser percebidas por aqueles que se encontram ainda em matérias mais densas.

Por este motivo o espírito que habita a matéria mais densa do Universo, o corpo físico, não consegue ver os outros irmãos que estão dentro de matérias menos densas. Entretanto eles estão ao seu lado, no mesmo local físico. E não apenas um, mas diversos. São diversas as densidades de matéria que prendem os espíritos que habitam o planeta Terra de acordo com os diversos os graus de conhecimento e prática das leis de Deus.

Com isto podemos reescrever uma lei conhecida no planeta: dois corpos de mesma densidade, não podem ocupar o mesmo lugar no espaço.

A separação do Universo em mundos diferenciados também contribuiu para a prova que o espírito vem fazer na carne. Ao se sentir isolado do mundo de Deus, o ser humano achou necessário criar um “administrador” para este mundo e elegeu a si mesmo como tal.

Cada um dos seres humanos imagina-se como dono do mundo, de todas as coisas materiais ou não do planeta. O espírito tem que saber que neste mundo só existe um dono: Deus.

Quando deseja administrar as coisas do planeta, o espírito que se vê como ser humano quer obter o poder para ser um “deus”. Esta é uma das batalhas que o espírito tem que vencer para poder entrar na plenitude do gozo da vida espiritual, mesmo na carne.

Este novo ensinamento transforma o mundo: de professor, o espírito passa a aluno, de rei a vassalo e de comandante a comandado.

Conhecendo esta verdade universal que traz o fruto da segunda árvore, o espírito pode então buscar mais facilmente a reforma íntima que lhe fará voltar a sentir-se como espírito que era antes de “existir”.

TERCEIRA VERDADE UNIVERSAL

O espírito vem à carne fazer provas.

O espírito não encarna porque quer, mas sim porque a lei universal assim o exige. Mesmo que a encarnação seja feita com consentimento próprio, o espírito o faz porque não tem outra opção a não ser esta durante o processo evolucionário.

A vinda do espírito à carne acontece por três motivos.

Durante a sua vida antes da matéria, o espírito aprende a lei de Deus e depois, como um aluno de escola do planeta Terra, vem executar provas dos ensinamentos que recebeu. A vida na carne, então, é uma prova que o espírito faz da compreensão dos ensinamentos que recebeu na sua vida espiritual.

Esta prova é feita através do relacionamento entre os espíritos na carne, pois interfere na vida de cada um que se envolve com este espírito. Desta forma, a prova individual de cada espírito também é uma missão para ajudar a prova dos outros espíritos.

Entretanto, quando está fazendo esta prova, cumprindo a sua missão, o espírito pode falhar e acabar produzindo sofrimentos em outro espírito. Quando isto acontece, o espírito tem então que expiar estas faltas.

A prova, a missão e a expiação são, portanto, a razão da vinda do espírito para a carne.

Desta forma, fica bem claro que o espírito não está na carne a passeio ou de férias. Ele não vem aqui para divertir-se, mas para trabalhar. Alguns, não compreendendo bem esta função do espírito na carne, acreditam que estão neste planeta para fazer o que bem entendem, mas isto não é verdade.

O espírito não está aqui para fazer o que quer, mas para fazer o que não quer: provar os ensinamentos. Não há lugar para descanso, pois esta vida é sempre uma questão após outra para que, depois que acabem as provas, o espírito possa retornar ao mundo espiritual menos denso, enfrentar mais um ano de estudos para posteriormente retornar a este planeta mais denso e fazer novas provas.

Se a vida é uma prova de relacionamento com outros espíritos na carne, podemos dizer que cada fato que acontece, em cada segundo, é uma questão desta prova. Esta deve ser a forma do espírito encarar a vida.

Não existe uma vida construída pelo ser humano, mas questões de uma prova que Deus coloca ao espírito a cada segundo. Em cada instante da vida do espírito fatos estarão acontecendo para que ele, com o poder que tem de raciocínio, responda corretamente ou não as questões.

Quando responde errado, Deus coloca questões mais difíceis para que o espírito esforce-se mais ainda na sua aprovação.

Portanto, a vida no planeta Terra nunca será aquilo que o espírito sonha. Ele não está aqui para ter uma vida tranqüila, mas sim para responder corretamente as questões da prova.

QUARTA VERDADE UNIVERSAL

A prova é de conhecimento e prática do Amor Universal.

Todas as questões que Deus coloca na prova que os espíritos vêm fazer no planeta Terra versam sobre uma matéria: o amor universal.

Portanto, o espírito tem que, a cada momento, responder aos fatos que se sucedem em sua vida, utilizando amor universal. A aprovação final depende desta utilização constante.

A resposta errada do espírito a cada questão é a utilização de qualquer outro sentimento sem ser o amor universal.

Podemos definir o amor universal como a soma de todos os sentimentos positivos do universo. Entretanto, o amor universal possui três pilastras básicas, ou sentimentos básicos que o compõem:

Alegria

Não existe amor que premie a tristeza. O amor universal tem que ser vivido na alegria plena para que possa ser assim caracterizado. A alegria plena não é aquela obtida pela satisfação pessoal, mas um sentimento que provoque o prazer coletivo.

A alegria plena é aquela que é alcançada com a consciência do mundo universal ou de Deus, com as Suas maravilhas, com a Sua justiça, com a sublimidade do Seu amor. Somente esta alegria deve permear o amor universal.

Compaixão

Este sentimento ou estado de espírito é mal conhecido entre os seres humanos. Eles acreditam que ter compaixão por uma pessoa é sofrer a tristeza que a pessoa está sentindo.

Esta forma de agir extingue o amor, uma vez que acaba com a alegria, primeiro pilar do amor universal. Também não auxilia o próximo, pois a função de um espírito é auxiliar o próximo a encontrar a alegria e o amor universal.

A compaixão, componente do amor universal, pode ser definida como a consciência do sofrimento que pode causar a si ou ao outro. Quando um espírito utiliza a compaixão ele evita de provocar sofrimento ao próximo, pois tem a perfeita consciência do sofrimento que pode causar.

Portanto, para se ter o amor universal o espírito precisa aprender que a compaixão não é sofrer o sofrimento, mas repassar alegria para auxiliar o irmão.

Igualdade

Qualquer forma de amor que se baseie em superioridade exprime um domínio; qualquer que se baseie em inferioridade, exprime a submissão. O amor não pode dominar nem se sentir dominado.

Portanto, para se ter o amor universal é necessário sentir-se igual às outras pessoas do Universo, independente do grau de cultura, social, monetário, espiritual, etc. Todos os espíritos são iguais perante o Pai e devem se portar desta forma para poder auxiliar os irmãos.

Este amor universal é a base do ensinamento maior de Jesus Cristo quando afirma: Amar a Deus, a si e aos outros. Não existe outro amor que possa atingir este grau proposto pelo Mestre.

Este entendimento do amor explica a colocação de Jesus quando afirmou que não veio para alterar as leis Mosaicas, mas sim dar o verdadeiro sentido a elas.

Quem nutre o amor universal dentro de si é incapaz de matar, roubar, cobiçar, adulterar, etc., porque sabe que terá uma atitude de superioridade, que trará um sofrimento e acabará com a alegria.

Juntando-se todos os conhecimentos até agora, podemos dizer que somos espíritos vivendo uma vida espiritual. Esta vida compõe-se de provas que Deus coloca para que respondamos às questões com o amor universal, ou com qualquer outro sentimento.

 QUINTA VERDADE UNIVERSAL

Todo ato do ser humano é comandado por Deus na sua forma, de acordo com a essência que o espírito nutre no momento.

Se não somos seres humanos, se não existe uma vida material e as coisas não são o que pensamos ser, o que serão então estas coisas?

Afirmamos em nossas verdades universais que a vida do “ser humano” é uma prova para o espírito que habita a carne e, portanto, todas as coisas que acontecem materialmente não passam de questões desta prova. Por isto, o ser humano não tem condições de nelas interferir, pois seria o aluno determinando a questão da prova. Somente o Autor Intelectual da prova pode escrever as questões.

Desta forma, Deus escreve a cada segundo na vida do ser humano as questões que o espírito terá de responder com amor ou sem amor. Fica mais fácil compreender esta verdade universal compreendendo o “ciclo da vida”.

Ciclo da vida: sentir / pensar / agir

Sempre que alguma percepção penetra pelos sentidos do corpo físico (visão, audição, olfato, sabor e tato), o espírito escolhe um sentimento para reagir a ela. Por exemplo: quando a visão forma a imagem de uma pessoa que um dia nos causou algum problema, certamente escolheremos a desconfiança para servir de base para o pensamento. Diferente será o sentimento se a pessoa sempre houver sido nossa amiga: neste caso sentiremos carinho, amizade, etc.

Com base neste sentimento Deus comanda, através de seus auxiliares espirituais, uma história que é o pensamento do “ser humano”. No primeiro caso do nosso exemplo, o ser humano dirá para si: mesmo: “cuidado, esta pessoa já o magoou”. Este pensamento, entretanto, não é do espírito, mas sim uma intuição que Deus manda a ele.

Mas Deus não manda este pensamento porque quer que o ser humano não goste da outra pessoa, mas porque ele reflete o sentimento que o espírito sentiu. Portanto, se a prova é sentir o amor, este ser humano foi reprovado naquela questão e nova questão terá que ser “respondida”.

Podemos então afirmar que o pensamento é uma materialização do sentimento que o espírito nutre pela coisa ou pessoa.

É este pensamento que servirá de base para o ato que será praticado, que também será intuído por Deus ao espírito. Isto fica bem claro com este texto do Livro dos Espíritos de Allan Kardec.

“526 - Por exemplo, um homem deve perecer: ele sobe em uma escada, a escada se quebra e o homem se mata; são os espíritos que fazem a escada quebrar para cumprir o destino do homem?”

“É bem verdade que os espíritos têm uma ação sobre a matéria, mas para o cumprimento das leis da Natureza e não para as derrogar, fazendo surgir no momento oportuno um acontecimento inesperado e contrário a essas leis. No exemplo que citas, a escada se rompe porque ela estava carcomida ou não bastante forte para suportar o peso do homem. Se estava no destino desse homem perecer dessa maneira, eles lhe inspirarão o pensamento de subir por essa escada que deverá se romper sob seu peso, e sua morte terá lugar por um efeito natural sem que seja necessário um milagre para isso.”

As perguntas 527 e 528 expressam ainda melhor este pensamento, através do qual podemos então afirmar que o espírito tem todos os seus passos conduzidos por outros espíritos enviados de Deus, para que se cumpra o destino de cada um.

Este destino nada mais é do que o merecimento do espírito, ou seja, a resposta a questões anteriores na prova chamada vida. Portanto, as questões são escritas a cada momento pelo espírito, de acordo com as respostas às perguntas anteriores, não na sua forma, mas na sua essência.

Estas CINCO VERDADES UNIVERSAIS compõem a base da DOUTRINA ESPIRITUALISTA ECUMÊNICA, trazida agora aos espíritos na carne com a intenção de prepara-los para o novo sentido de vida sobre o planeta que está se iniciando e que premiará esta forma de proceder.

A DOUTRINA ESPIRITUALISTA ECUMÊNICA é representada nesta passagem de Tomé, pelas palavras de Jesus, como as cinco árvores que existem no paraíso e das quais o espírito necessita comer seus frutos (colocar em prática) para não mais conhecer a morte, ou seja, para não mais necessitar transformar-se em outra coisa para poder viver.

Esta é uma doutrina de VIDA e não de morte porque diz respeito à vida na carne e não a uma preparação para uma vida posterior. Enquanto todas as religiões brindam a existência de um local diferente deste planeta para que se alcance a vida espiritual e, portanto, preparam o ser humano para ir para lá, a Doutrina Espiritualista Ecumênica ensina ao espírito a já viver em um mundo espiritual dentro da matéria física.

Encerramos esta lição com um ensinamento de Jesus divulgado pelo mesmo Evangelho de Tomé que explica isto de forma definitiva:

“3. Jesus disse: Se aqueles que vos guiam disserem: Vê, o Reino está no céu, então os pássaros vos precederão. Se vos disserem: Ele está no mar, então os peixes vos precederão. Mas o reino está dentro de vós e está fora de vós. Se vos reconhecerdes, então sereis reconhecidos e sabereis que sois filhos do Pai Vivo.”

O evangelho segundo Tomé

Histórico

Extraído do Livro “Apócrifo – Os Proscritos da Bíblia”

Compilação de Maria Helena de Oliveira Tricca

Editora Mercuryo

Em 1945, no Alto Egito, na região de Nag Hammadi, deu-se uma descoberta extraordinária. Um camponês árabe encontrou em uma das cento e cinqüenta cavernas existentes em certa montanha pergaminhos extremamente valiosos.

Essas grutas eram usadas como sepulcros desde a VI Dinastia, há uns 4.300 anos. Os pergaminhos estavam encerrados em um jarro de barro de quase um metro de altura.

Essa história guarda muitas semelhanças com o achado dos Manuscritos do Mar Morto, em Qumran, ocorrido dois anos depois, em 1947. Em ambos os casos, por total ignorância, muitos dos textos foram queimados como “lenha”, outros viraram sapatos, outros ainda reverteram ao pó ao serem desenrolados sem os cuidados técnicos que exigiam.

Os manuscritos de Nag Hammadi fazem parte, hoje, do acervo do Museu Copta do Cairo. Entre estas maravilhas encontrou-se o Evangelho Segundo Tomé, o Dídimo, que o autor qualifica de secreto.

O Evangelho Segundo Tomé, o Dídimo, é uma coletânea de logias – frases ou palavras atribuídas a Jesus Cristo – e parábolas evangélicas. Este texto era muito citado como Evangelho de Tomé, que não se deve confundir com o Evangelho Pseudo-Tomé. Juntamente com o de Felipe, foi muito usado pelos maniqueus.

O interessante é que muito se lia nos escritos dos doutores da Igreja a respeito deste Evangelho, mas não se lhe conhecia o texto. Uma vez encontrado, uma surpresa: das cento e quatorze logias, dezessete já eram conhecidas nos fragmentos papiráceos de Oxyrhynchus, papiro do século III descoberto em Bechnesa, antiga Oxyrhynchus, em 1907.

É nitidamente um Evangelho gnóstico, com alguns textos de difícil entendimento, muitas vezes devido à distorção da tradução do grego para o copta. Além disso, há dúvidas quanto à língua do original, se o semita ou o siríaco. Mas o texto em questão parece não passar mesmo de uma tradução.

O evangelho segundo Tomé

Introdução

Transmitida pela espiritualidade.

Tomé, o autor deste evangelho, é filho de José, de um casamento anterior à sua vida com Maria e, portanto, irmão de Jesus. Entretanto, não era o único, pois da primeira união José teve outros filhos.

Esses irmãos participaram com Jesus de todas as suas peregrinações, porém dois deles foram muito importantes: Tiago e Tomé (Felipe era irmão gêmeo de Tomé).

Depois do desencarne de Jesus na cruz, os doze que ficaram como apóstolos, dentre eles os irmãos de Jesus, começaram a escrever o que o Mestre havia dito durante a sua vida. Porque O conheciam, eles não descreveram Jesus como homem, mas procuraram transmitir o que o Mestre havia ensinado.

Muito tempo depois da morte de Jesus, começaram a perguntar como tinha sido a Sua vida. Foi neste momento que Marcos, Mateus, Lucas e João escreveram as histórias que estão na Bíblia. O objetivo destes evangelistas era transmitir como tinha sido a vida de Jesus.

 Então, as histórias do Mestre, escritas pelos quatro evangelistas, foram aquelas que os apóstolos lhes contaram e não as que eles próprios tinham vivido.

Assim, os autores dos textos constantes da Bíblia apenas escreveram sobre Jesus, sem que tenham sentido a força do Seu olhar ao transmiti-las. Escreveram com uma visão para seres humanos os ensinamentos. Porém os doze apóstolos, que conviveram com Jesus, puderam sentir Sua "força", ou seja, o sentido dos Seus ensinamentos e, por isso, escreveram as mensagens para espíritos.

Entre estes autores que conviveram com Jesus, quem melhor relatou Seus ensinamentos, quer em veracidade, quer em entendimento ou quantidade, foi Tomé que, além de ter cuidado de Jesus desde seu nascimento, tornou-se seu melhor amigo.

É o que nós vamos começar a estudar: o Evangelho de Tomé.

Neste evangelho estão os ensinamentos de Jesus que os escritores dos evangelhos canônicos ou não conseguiram entender ou não tiveram acesso.

A intenção destes ensinamentos, como veremos, é transmitir ao ser humano como se sentir espírito na carne e orientar a sua vida na matéria como tal.

Como muitos não conseguiram alcançar esta visão, as religiões abandonaram este evangelho dizendo que ele não havia sido “intuído pelo alto”.

Este Evangelho é composto de 114 logias ou ensinamentos que Jesus transmitiu a Tomé quando estavam a sós. Alguns foram depois até comentados pelos evangelistas, mas a sua grande maioria não é comentada em nenhuma religião.

O evangelho segundo Tomé

Apresentação

“Eis as palavras secretas que Jesus, o Vivo, disse e que Dídimo Judas Tomé, escreveu”.

NOTA: DÍDIMO = gêmeo.

Tomé inicia o seu Evangelho afirmando que Jesus era o Vivo porque ele continuava "vivo" na carne.

A vida e a morte possuem significados diferentes para os que se sabem espíritos e os que ainda se acham “seres humanos”. Para estes, estar vivo significa ter ações materiais, praticar atos. Para os espíritos, estar vivo é viver na glória de Deus.

Não importa que densidade de matéria o espírito ocupe, ele poderá estar vivo se estiver vivendo na glória de Deus, ou seja, dentro do mundo espiritual positivo. Para que isto aconteça é necessário que ele conheça e pratique as Cinco Verdades Universais:

Sou um espírito.

Moro em um mundo espiritual.

Venho a esta densidade de matéria fazer prova.

Minha prova é a utilização do amor universal.

Deus é quem escreve as questões desta prova, pois Ele é a Causa Primária das coisas.

Aquele que compreende estas verdades e as coloca em prática, vive; quem se vê de forma diferente ou responde às questões da prova com outro sentimento, morre.

Tomé afirma que Jesus estava vivo, ou seja, que Ele conhecia e praticava estas Verdades.

Portanto, a primeira afirmação de Tomé é que Jesus nunca teve como base as coisas materiais, ou a vida material, mas sempre viveu para o espírito, para as coisas espirituais.

O Mestre não viveu com sentido de matéria; todos os seus atos e mensagens dirigiram-se à vida espiritual. Por isso Ele estava vivo e continua vivo mesmo depois de seu desencarne.

Todos os espíritos, quando encarnam, vivem apenas para a matéria e, por isso, estão mortos para o mundo espiritual. Isto ocorre porque eles não conhecem nem praticam as Cinco Verdades Universais.

O objetivo de Jesus era, portanto, ensinar estas verdades aos espíritos na carne e, desta forma, trazer a “vida” para todos. Será sob este prisma que iremos analisar os ensinamentos constantes do Evangelho Segundo Tomé, o Dídimo.

O evangelho segundo Tomé

Logia 1 - Morte e vida

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Logia 0001

“001 - E ele disse: - Aquele que descobrir a interpretação destas palavras não experimentará a morte”.

Jesus disse: aquele que entender o que Ele falar não vai morrer. Para compreendermos melhor, vamos buscar o significado de “morrer”.

MORTE - 1. O fim da vida animal ou vegetal. 2. Termo, fim. 3. Destruição, ruína (Dicionário Aurélio).

Para aqueles que não acreditam em religiões, a morte se torna o fim completo, ou a cessação da vida. Entretanto, como a própria ciência vem comprovando, nada acaba, tudo se transforma.

A planta não morre e sim se transforma em adubo, ou seja, vida para novas plantas. Quando as células da folha que caiu penetram no solo e são absorvidas pelas raízes de outras plantas, continuam existindo dentro destas.

Então a morte é, na verdade, uma transformação que vai gerar nova vida. Não existe fim para nada. Aqueles que acreditam na "morte" como o fim da vida é porque desconhecem a transformação que acontece. Nada acaba, tudo se transforma.

Nem mesmo os sentimentos, coisas imateriais, acabam: eles se transformam. O amor vira ódio, a alegria passa a ser tristeza. Nada no planeta acaba: transforma-se. Nada tem fim: passa por transformações.

Este conhecimento, que já é praticado por aqueles que acreditam em religiões, é importante para que o ser humano que não acredita nelas, saiba que ele também não acabará, mas se transformará.

Baseadas neste princípio, todas as religiões ensinaram até hoje que a morte transformará o ser humano em algo diferente do que é: o católico acredita que vai se transformar de "acordado" em "dormindo" e voltará a "acordar" no dia do juízo; os protestantes acham que se transformarão em anjos na glória do Senhor. Mesmo aqueles que se aprofundaram mais neste assunto (espíritas kardecistas), acreditam que se transformarão de "alma" para espírito.

Todas as religiões promovem a transformação, ou seja, a mudança de uma coisa para outra. Entretanto Jesus afirma que, quem entender suas palavras, não vai conhecer a morte, ou seja, não vai passar por transformações.

Quem entender as palavras que Jesus confiou ao seu irmão mais querido, já vai se ver e se sentir como espírito, mesmo estando na carne. Não vai ser preciso morrer para se transformar em espírito e, por isso, não haverá um processo de transformação.

Podemos então entender as palavras de Jesus, escritas por Tomé, da seguinte forma:

Aquele que entender o que eu digo se verá agora como espírito e por isso não precisará passar por um processo de transformação.

Esta é a explicação para "não experimentará a morte", ou seja, não passará por transformação.

Quem compreender as Cinco Verdades Universais e conseguir colocá-las em prática, não precisará se transformar em nada mais, pois já será. O espírito está preso a uma carne, habita um mundo espiritual e não material e, portanto, já é um espírito e não uma "alma".

As religiões separam a vida em dois mundos: o mundo da matéria e o fora dela. Não existe esta separação e por isto, não existe morte, transformação. Mas para se viver uma vida espiritual, mesmo estando retido na carne, é necessário se entender as palavras de Jesus. Isto é o que transmite Tomé.

Este estado foi alcançado por todos aqueles que entenderam as palavras de Jesus. Como um ser humano poderia entrar em uma arena com leões famintos, sabendo que ia morrer, sem sentir medo? Como poderia um ser humano enfrentar exércitos, ser crucificado, queimado, com alegria e felicidade? A resposta é só uma: já sendo espírito e sabendo que não haveria transformação ou mudanças.

Aqueles cristãos que entraram nas arenas, os santos que foram para as fogueiras já conheciam esta verdade e, por isso, não precisavam ter medo porque já sabiam que eram espíritos e conheciam a verdade da não transformação.

Esta compreensão não se alcança com mágica ou apertando um botão, mas sim com o próprio esforço: estudo, dedicação e, acima de tudo, a prática. É isto que faz alcançar a consciência de já ser espírito.

Ninguém pode fazer nada por você, a não ser você mesmo. Como ensinou Buda Gautama: se você quiser saber porque você é assim hoje, veja o que fez ontem; se quiser saber o que será amanhã, veja o que está fazendo hoje.

Se você quiser ser um espírito ao abandonar a carne, é necessário que você desde hoje saiba que já o é e viva como um espírito. Não existe processo instantâneo de transformação. Não é o desencarne que vai lhe trazer, automaticamente, este conhecimento: você precisará estudar no plano espiritual menos denso para alcançá-lo.

Assim, a missão de Jesus foi ensinar como ser espírito hoje e nós não devemos adiar esta visão para depois.

Esta é, então, uma das intenções do evangelho de Tomé: trazer os ensinamentos para se viver como espírito, o que acabará com a visão de “transformação”, chamada morte.

O evangelho segundo Tomé

Logia 2 - Reforma íntima

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Logia 0002

“002 - Jesus disse: Aquele que procura, não cesse de procurar até quando encontrar; e quando encontrar ficará perturbado; e ao perturbar-se, ficará maravilhado e reinará sobre o Todo”.

“Aquele que procura, não cesse de procurar até quando encontrar”

O primeiro recado de Jesus é que os espíritos na carne não devem parar de procurar a vida espiritual, a Verdade Universal.

Será que as pessoas estão realmente procurando a vida espiritual ou estão cedendo às tentações que Jesus enumerou para o planeta? Hoje os seres humanos enumeram diversas necessidades antes de procurar as suas verdades universais.

Todos precisam “fazer a sua vida”, necessitam estudar, trabalhar, para que possam conquistar coisas materiais. Esforçam-se em progredir materialmente, mas esquecem que estes valores materiais terminam com o fim da encarnação.

É preciso que o ser humano altere seus objetivos, premiando a vida espiritual em primeiro lugar, pois esta é consistente e eterna enquanto que a primeira é efêmera e curta.

Para evoluir espiritualmente e alcançar a visão espírito, o Mestre deixou como primeiro ensinamento a necessidade da procura incessante.

Para fazer isto, há a necessidade de que o ser humano esteja vigilante o tempo inteiro nos seus valores espirituais e tenha persistência para não ceder às tentações materiais. Entre estas tentações está a da omissão ("eu não consigo...").

Todo espírito tem que “brigar” consigo mesmo e verificar que a forma que está pensando nada mais é do que hábito. Tem que mostrar claramente a si mesmo que os pensamentos nada mais são do que conceitos enraizados dentro de si, voltados à satisfação material e não espiritual.

O “ser humano” não sabe a realidade das coisas que acontecem, apenas "acha" que elas são de uma determinada forma. Como então pode se pronunciar sobre ela? Utilizar o “achar” e confundi-lo com o “saber” é cessar de procurar a vida espiritual: pára de procurar a Verdade Universal para utilizar o poder de “mandar” nas coisas.

Os “seres humanos” querem comandar a sua vida e a vida dos outros, mas não possuem base para tanto, pois possuem uma visão limitada dos sentimentos com os quais os atos são praticados. Quantas vezes acham que estão sendo amados e na verdade são alvos de outros sentimentos? Ao contrário, muitas vezes identificam ataques onde está havendo compaixão.

Assim, a procura do entender-se como espírito, que encerrará com o processo de transformação “morte”, começa pelo fim do "achar" as coisas, ou seja, utilizar parâmetros próprios para julgar o que está acontecendo. Isto só é conseguido vigiando constantemente a si mesmo.

É necessário estar vigilante para saber se o que se está fazendo está trazendo alegria para todos ("será que deixei alguém triste com este meu pensamento?", "será que eu fiquei triste com ele?"). É também preciso verificar se está sempre presente a compaixão ("será que o meu pensamento está ferindo ou magoando alguém?").

É importante esta consciência, pois ninguém tem o direito de ferir ou magoar outra pessoa, sem que com isso esteja ferindo ou magoando a Deus, que é o Pai, não só seu, mas de todos.

Ninguém tem o direito de dizer aos outros o que quer, o que "acha", obrigando-o a ouvir o que quer dizer. Seu direito acaba onde começa o dos outros.

Enquanto o espírito se vir como “ser humano”, ou seja, o centro de um universo que ele chama de "minha vida", não há como se conscientizar de que é parte de uma coletividade que vive para o Pai.

Além dos sentimentos alegria e compaixão, tem que haver a igualdade. Não há condições de se obrigar as pessoas a fazer as coisas de determinada forma e nem podemos submetê-las às nossas vontades. Cada uma tem o direito de fazer o que quiser, na forma que achar melhor, desde que não fira e nem tire a alegria de ninguém.

A vigilância constante destes três sentimentos traz o mundo de Deus para cada um e, portanto, leva a alcançar a visão de espírito.

 Não pode haver a cessação da vigilância e da procura da vida espiritual, pois se houver a interrupção, o espírito certamente cairá no "pecado", ou seja, nos sentimentos contrários ao amor universal. Quando isto ocorre, o espírito começa a merecer que Deus lhe dê situações negativas e aí, no sofrimento, é muito mais difícil manter este amor.

Não pare nunca de procurar o amor universal

“e quando encontrar, ficará perturbado”

Quem encontrar este amor universal, esta vida espiritual, vai ficar, inicialmente, perturbado, pois a sua vida se alterará completamente. Todas as coisas que estão à sua frente mudarão completamente: deixarão de ser o que eram e terão outro sentido...

A vida mudará completamente porque a vida material, vivida pelos “seres humanos”, nada tem a ver com a espiritual. A vida material é ilusão, não existe.

Os seres humanos, para se sentirem felizes, necessitam que os seus conceitos sejam atendidos para que eles alcancem a “felicidade”. Isto não é felicidade, mas sim satisfação que cessa quando cessam os motivos.

O espírito, por não ter conceitos, vive a felicidade universal, aquela na qual apenas participar das maravilhas do mundo de Deus já satisfaz.

Por não conhecer esta vida, o espírito quando sai da carne pelo processo “morte” fica preso a este planeta, procurando alcançar seus conceitos e a felicidade.

Não está sendo dito que em outros mundos menos densos não existam coisas materiais, mas o que está sendo afirmado é que o espírito vê essas coisas de forma diferente. O ser humano vê as coisas materiais por sua forma, mas o espírito entende o "sentido" de cada uma delas, ou seja, a sua essência.

Tomemos como exemplo uma cadeira. Para o ser humano, ela nada mais é do que pedaços de madeira, espumas e panos reunidos sob uma determinada forma. Para os espíritos que se reconhecem como tal e vivem no mundo espiritual, essas informações são sem importância. Para eles, o que importa é o sentido da existência da cadeira, ou seja, a sua essência.

À cadeira podem ser atribuídos diversos sentidos ou essências: conforto, segurança, descanso, beleza, luxo, orgulho etc. Entretanto, para o espírito pouco importa de que é feita a cadeira, mas sim o sentido para o que ela existe. É a escolha entre estas essências que é a prova que o espírito vem fazer na carne.

Para o mundo espiritual a forma das coisas não tem importância, pois qualquer que seja ela, o sentido ou a essência será sempre a mesma. Não importa se a cadeira é feita de ouro ou de tábua de caixote, ela sempre poderá proporcionar uma essência positiva.

“e ao perturbar-se, ficará maravilhado”

Quando o espírito entender que as coisas valem por sua essência, encontrará o mundo espiritual mesmo nesta densidade de matéria que vive hoje. Ao descobrir este mundo, encontrará o mundo de Deus. Ao ver-se nele, maravilhar-se-á com a sua justiça, beleza e amor!

O mundo de Deus é perfeito pela Perfeição que o criou. No mundo de Deus não existe lugar para injustiça, pois Deus é a Justiça Suprema; não existe lugar para erros, pois Deus é Inteligência Suprema do Universo. No mundo de Deus não existe lugar para tristeza ou infelicidade, pois Deus é o Amor Sublime.

Quando o “ser humano” se transformar em espírito penetrará neste mundo e maravilhar-se-á com todas estas coisas.

O “ser humano” não consegue entender a justiça, pois entende o mundo apenas pelas suas verdades pessoais (“achar”) e não pelas Verdades Universais das coisas. Encontra a injustiça porque acha que ele é que está certo; sofre porque suas verdades não são contentadas e vê o erro, porque não conhece a essência das coisas.

Todo o Universo é regido pela lei da ação e reação: tudo o que ocorre é uma reação a uma ação. Como o “ser humano” imagina-se sempre certo, espera que a reação seja sempre ao seu contento. Quando isto não ocorre, não procura a reação em alguma ação sua, mas acusa Deus de estar cometendo uma injustiça.

O espírito não possui “verdades” individuais e por isso aceita as Verdades Universais. Para ele, tudo o que ocorre é porque ele merecia, ou seja, procura cada ação que originou uma reação dentro de si mesmo e não externamente.

Entendendo a ação de Deus sobre as coisas (Deus Causa Primária), o espírito se maravilha com a perfeição da vida universal e alegra-se por participar dela.

“e reinará sobre o Todo”.

O espírito que conhece as Cinco Verdades Universais não tem verdades individuais que possam ser menosprezadas e por isso não se fere nem se sente injustiçado.

Aceita tudo que lhe acontece como ato de uma Inteligência Suprema, ou seja, não encontra erro; vê sempre a Justiça Suprema em ação e por isso não encontra injustiça; entende que em todos os momentos está presente o Amor Sublime, que busca a igualdade entre todos e a manutenção da alegria universal.

Quando alcançar esta visão, o espírito não mais perderá sua alegria, pois ela não dependerá da satisfação de verdades individuais, não causará sofrimento aos outros, não precisará defender a “sua verdade” e verá como todos são iguais, apesar das diferenças físicas.

Aquele que se considerar espírito, estará apto a conduzir o seu irmão nesta mesma busca, pois aceitará que cada um tenha o seu próprio patamar de evolução e não buscará impor suas verdades aos outros.

O evangelho segundo Tomé

Logia 3 - Reino do céu

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Logia 3

“003. Jesus disse: Se aqueles que vos guiam vos disserem: vê, o Reino está no céu, então os pássaros vos precederão. Se vos disserem: ele está no mar, então os peixes vos precederão. Mas o reino está dentro de vós e está fora de vós. Se vos reconhecerdes, então sereis reconhecidos e sabereis que sois filhos do Pai Vivo. Mas se vos não reconhecerdes, então estareis na pobreza, sereis a pobreza.”

“Se aqueles que vos guiam vos disserem: vê, o Reino está no céu, então os pássaros vos precederão. Se vos disserem: ele está no mar, então os peixes vos precederão”

O início deste ensinamento trata do que se conhece até então como a localização do reino de Deus: o mundo espiritual fora da carne.

O Mestre afirma que este reino não se encontra acima ou abaixo do planeta Terra, pois se assim fosse, os seus habitantes já o teriam alcançado.

Assim, Jesus só deixa uma opção: o reino está no mesmo espaço físico onde também existe o planeta Terra.

Existe um único Universo, independente da matéria mais densa ou menos densa que o espírito ocupe. Na verdade, o que distingue o plano espiritual do que chamamos plano material não é um lugar físico, mas a densidade das coisas materiais.

Todas as coisas e espíritos em todas as dimensões coexistem em um mesmo espaço físico. Só não podem ser percebidos porque os espíritos que vivem em matérias de densidades maiores não conseguem “ver” as coisas e espíritos que vivem em densidades menores.

Portanto, todos aqueles que o espírito na carne acredita que estejam no “céu”, estão, na verdade, ao seu lado, mas em matéria menos densa, o que dificulta a esse espírito tomar conhecimento da existência deles.

Esta informação é de suma importância para que os habitantes do planeta se reconheçam como espíritos já. A densidade das matérias existentes no planeta Terra é uma das causas da visão “ser humano” que o espírito na carne possui.

 Como não consegue ver as outras densidades, o ser humano criou um local diferente para a existência delas e separou o universo em planos e locais diferentes. Como o ser humano acredita que existe uma “transformação” para que se torne espírito, criou, também, um local diferenciado para a vida deste “novo ser” em que se transformará. Assim, o ser humano dividiu o Universo em dois mundos distintos: o material e o espiritual. Ao menos denso, ele atribuiu a Deus o comando das coisas, mas para o material, assumiu a posição de Deus já que Ele se encontra em “outro lugar”.

Por este motivo, o ser humano é dominador por natureza. Como não consegue ver Deus na Terra e acha que Ele habita outro lugar, quer dominar o planeta e agir livremente. Porém, o espírito sabendo que este é um mundo espiritual onde a matéria possui várias densidades, consegue enxergar a ação do Pai sobre as coisas, inclusive sobre a sua vida.

Para os momentos onde não conseguem dominar as coisas, os “seres humanos” criaram locais que servem de interligação entre o mundo material e o espiritual: os centros, igrejas, templos etc. Nestes locais buscam alcançar Deus e pedir a Sua intervenção em determinados assuntos, ou seja, prenderam-No dentro destes locais e só O libertam quando Dele necessitam...

Por isto Jesus faz menção “àqueles que vos guiam”. Os clérigos de todas as religiões devem entender que para se religar a Deus não há necessidade de se recorrer a igrejas ou templos. Como morador do mundo de Deus, o espírito pode se religar ao Pai em qualquer local.

“mas o reino está dentro de vós e está fora de vós”

Deus não está confinado dentro de paredes de templos e sim dentro de cada espírito, pois age diretamente sobre seus filhos, buscando auxiliá-los na elevação espiritual.

O espírito tem que compreender esta ação de Deus sobre ele para que O encontre em todos os momentos de sua vida. Necessita entender que Deus comanda os seus passos, momento a momento, com a finalidade de manter o equilíbrio universal através da Justiça Perfeita. Sem entender que nada consegue praticar sem a ação de Deus, o espírito transforma-se em um ser humano que se julga independente de Deus para a realização de atos. Portanto, o espírito precisa encontrar dentro de si mesmo o Reino de Deus, ou seja, a morada do Senhor.

A única ação do espírito é sentir e, por isso, seus atos físicos não passam de materialização de seus sentimentos. Deus comanda estes atos de acordo com o sentimento do espírito, ou seja, para cada ação espiritual, uma reação. Se o espírito sente raiva, Deus comandará para que este espírito pratique um ato de raiva contra outra pessoa; se o espírito sente bondade, seus atos irão condizer com este sentimento. Portanto, o ato do espírito é comandado, na forma, por Deus, de acordo com os sentimentos que ele nutre.

Por isto Jesus resumiu as leis de Deus em apenas uma: AMAR.

Quem ama não pratica atos para ferir outros espíritos. Para amar é necessário ter alegria; para mantê-la é necessário nunca ver injustiça. Só Deus, a Justiça Suprema, pode nos garantir a justiça de tudo o que acontece.

O espírito deve procurar esta morada também externamente, ou seja, tem que entender que os fatos e atos que acontecem em qualquer lugar também pertencem ao Reino de Deus, ou seja, também são guiados por Deus.

Se um espírito se sentir ferido por outro, deve entender que ali existe uma ação de Deus. Acusar o ofensor de ter praticado espontaneamente o ato é negar a existência de Deus no planeta. Sendo um ato de Deus, então ali existiu justiça e foi praticado da maneira que deveria ser, pois foi obra da Inteligência Suprema do Universo. Assim sendo, o espírito que recebe o ato não deve sentir-se ofendido, mas acreditar que Deus, pelo Seu amor, só trará a ele o que o auxilie na sua evolução.

Todo espírito é comandado por Deus porque habita o Seu mundo. Desta forma, tudo o que acontece a um espírito é obra do Criador como reação a um sentimento que ele tenha emitido. Se alguém consegue ofender um espírito é porque este também já ofendeu alguém.

“Se vos reconhecerdes, então sereis reconhecidos e sabereis que sois filhos do Pai Vivo”

Aquele que encontrar Deus dentro de si e no mundo que habita, se reconhecerá como espírito e buscará sempre o amor para se nutrir. Estes espíritos serão reconhecidos por Deus e verão que Ele está Vivo, ou seja, que age dentro de cada um. Assim, não mais emitirão sentimentos negativos sobre o planeta e então receberão as bênçãos de Deus.

 “mas se vos não reconhecerdes, então estareis na pobreza, sereis a pobreza”

Aqueles que ainda se entenderem seres humanos, capazes de criar atos e fatos, permanecerão fora das bênçãos de Deus e, portanto, serão pobres.

Jesus, em diversas outras passagens avisou que o espírito deve procurar juntar riquezas no mundo espiritual e não no material. As riquezas do mundo material geram o sentimento posse, que é contrário ao amor universal e afasta o espírito de sua real riqueza. Portanto, quanto mais bens materiais possuir o espírito, mais pobre ele será e mais a pobreza representará.

Quando falamos em bens materiais, não devem ser entendidas apenas as coisas materiais, mas também os bens morais e sentimentais. O ser humano quer possuir tudo que existe: seus parentes, seus cônjuges, os amigos, os inimigos (bens sentimentais) e a razão das coisas, o estar certo sempre (bens morais).

Jesus não recrimina os bens materiais em si, mas a busca de sua posse. O espírito pode ter bens materiais desde que compreenda que eles pertencem a um mundo espiritual e não a um mundo material: no mundo material as coisas valem por sua forma, enquanto que no mundo espiritual as coisas valem por sua essência. Na sua essência uma casa é um abrigo, mas para o mundo material a casa vale pela riqueza que tenha.

O espírito que compreende o mundo espiritual em que vive, não se importa com detalhes. Para ele, a casa será sempre um abrigo, independente dos adornos que tenha e ele será sempre feliz, pois se sentirá abrigado. Por isto, para um espírito, tanto faz morar em um palácio ou em um caixote: qualquer lugar que o abrigue, ali ele morará e será feliz.

O ser humano que não compreende esta essência fica sempre à procura de formas materiais mais ricas para poder possuir mais bens. Por isto vive na pobreza espiritual, e será ela própria...

O evangelho segundo Tomé

Logia 4 - Nascimento

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Logia 4

“004. Jesus disse: o homem carregado em anos não hesitará em perguntar a uma criança de sete dias a respeito de onde está a Vida, e ele viverá. Pois muitos que estão em primeiro lugar ficarão em último e se tornarão um só.”

“o homem carregado em anos não hesitará em perguntar a uma criança de sete dias a respeito de onde está a Vida, e ele viverá”.

Se não existe o processo “morte” para transformação do ser humano em espírito, também não existe o processo “nascimento” para que o espírito altere-se para ser humano. O espírito é um só durante a sua vida carnal e pode, desde o seu início, praticar atos espirituais. Aliás, nesta etapa da vida de recém-nascido, ele é mais capaz de executar atos espirituais do que quando estiver mais avançado na vida carnal.

O processo de crescimento do “ser humano” é balizado pelos pais, parentes e amigos que lhe transmitem todos os conceitos adquiridos durante toda uma existência como “seres humanos”. São eles os responsáveis por gerar a imagem “ser humano” no espírito que encarna.

A sociedade ensina o modo de viver, vestir, andar, comer, o que gostar e o que não gostar, o que fazer e o que não fazer, de acordo com as suas normas. Seu interesse é formar mais um “ser humano” com sucesso material em primeiro lugar, mesmo que este sucesso seja alcançado com o cumprimento de normas divinas. Mãe e pai sabem obrigar o filho a estudar para “ser gente”, mas não lhe transmitem o amor necessário para que ele se entenda como filho de Deus. Isto, porque eles também estão preocupados em “ser” alguém.

É a visão “ser humano” que estabelece as prioridades do novo ser: primeiro, os responsáveis pela criança preocupam-se em assegurar-lhe o seu sucesso material ou a sua subsistência, em segundo lugar, ocupam-se em mostrar-lhe a verdadeira trilha a ser seguida.

Por isto, Jesus afirmou que um homem cheio de conceitos para alcançar a sua vida, não deve hesitar em perguntar a um recém-nascido sobre como são as coisas no mundo espiritual menos denso. O espírito recém encarnado possui a lembrança completa destas coisas para ensinar àqueles que esqueceram.

Claro que uma criança não saberá falar para explicar tudo, mas o espírito também não se utiliza desta forma arcaica de comunicação. A “linguagem dos anjos” é formada por emissão de sentimentos. Olhe no olho de um bebê e encontre o amor, veja o seu sorriso e entenda a alegria, sinta seu toque e veja o que é carinho. São estes sentimentos que mostram como é a Vida e onde ela está.

Além disto, deve o “homem carregado em anos” observar o comportamento das crianças, pois eles são oriundos de um ser sem conceitos formados. A criança come quando quer, porque o estômago não tem relógio para determinar “horário para comer”. Este horário é fruto de um conceito, uma convenção para facilitar a vida, mas este conceito altera-se nos diferentes lugares do planeta, portanto não é verdade universal.

A criança dorme quando tem sono e não porque “está na hora”; a criança não se preocupa com o amanhã, pois sabe que ele será “como Deus quiser”; a criança é incapaz de guardar raiva, porque tem mais facilidade de achar dentro de si o amor.

A hora de dormir, por exemplo, é um conceito que o espírito cria: cada um tem a sua. A preocupação com o dia de amanhã provém do desejo de dominar a vida. O “homem envelhecido” preocupa-se com o futuro, pois quer que ele seja como ele deseja, ou seja, como ele acha (conceitua) que deve ser.

O “homem velho” se fere e guarda raiva e rancor das pessoas, pois estas foram capazes de fazer coisas que ele não acredita como certas, ou seja, feriram seus conceitos.

Para que o “ser humano” consiga transformar-se em espírito é necessário que ele abandone todos os seus conceitos, ou seja, as suas verdades pessoais. No Universo existe apenas uma verdade: amar a Deus, a si e aos outros. Apenas o amor é a verdade.

Para conseguir isto, o “ser humano” necessita ver-se como espírito participante de um mundo espiritual, onde Deus é o Comandante de todas as coisas que acontecem. Enquanto o espírito permanecer “ser humano” e quiser dominar a “sua vida” precisará ter verdades ou posses morais.

Muito já foi falado sobre isso, mas pouco foi entendido. Buda avisou que o ser humano deve jogar fora tudo o que ele acha que é, para que se reconheça como o espírito. O que deve ser atirado fora são os conceitos que os seres humanos utilizam para agir, ou seja, para “ser”.

Jesus disse: “... juntem posses no céu, onde as traças e a ferrugem não as comem”. As únicas posses de um espírito são seus sentimentos.

Além disso, Jesus afirmou e foi trazido pelo Evangelho de Maria Mágdala:

“O apego à matéria gera uma paixão contra a natureza. É então que nasce a perturbação em todo o corpo; é por isso que eu vos digo: Estejais em harmonia...”

“Se sois desregrados inspirai-vos em representações de vossa verdadeira natureza. Que aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça”.

“Após ter dito aquilo, o Bem-Aventurado saudou-os dizendo: Paz a vós – que minha paz seja gerada e se complete em vós! Velai para que ninguém vos engane dizendo: Ei-lo aqui, ei-lo lá Porque é em vosso interior que está o Filho do Homem; ide a Ele: aqueles que o procuram o encontram”.

“Em marcha! Anunciai o Evangelho do Reino. Não imponhais nenhuma regra, além da qual fui o Testemunho. Não ajunteis leis às dadas por Aquele que vos deu a Tora, a fim de não vos tornardes seus escravos”. (O EVANGELHO DE MARIA MÍRIAM DE MÁGDALA – pág. 8 e 9)

O espírito que busca transformar outro que se encontra em um corpo de bebê, contribui para a desarmonia do Universo, pois gera uma paixão à carne, que é contra a natureza espiritual do Universo.

O único Evangelho do Reino é o amor universal, no qual Jesus resumiu toda a lei mosaica. Portanto, não devem os espíritos acrescentar a este texto mais nenhuma lei, pois só o amor pode ser o regulador das relações dos espíritos.

Quando o homem junta outras leis (códigos de etiqueta, bom gosto, leis religiosas, leis materiais) à lei do amor universal ele se transforma em escravo delas e afasta-se desse amor.

Aquele que ama não pratica nenhum ato errado aos olhos de Deus. Portanto, basta amar e não será preciso mais nenhuma outra atitude de um espírito.

“Pois muitos que estão em primeiro lugar ficarão em último e se tornarão um só”.

Os que se encontram em primeiro lugar (os mais velhos) na imaginada “lista de entrada no Reino do Céu”, certamente terão que esperar para lá entrar. Isto porque não é a morte que determina a entrada neste Reino, mas a prática do amor universal.

O espírito é sempre o mesmo. Tudo o que um “ser humano” pensa, acha e faz, continuará a pensar, fazer e agir após deixar a vestimenta carnal; se hoje o espírito na carne busca se transformar em um “ser humano” de muitas posses, logo após o seu desencarne continuará buscando a mesma coisa e agindo para isso.

É importante ao espírito entender esta visão. Não existe “compreensão instantânea” das coisas espirituais porque saiu da carne: se hoje ele não sabe, amanhã também continuará a não saber. É necessário que o espírito se veja como tal, para poder entender o desencarne.

A literatura espírita moderna mostra que muitos espíritos são atendidos após o desencarne, permanecendo desacordados e sendo levados a hospitais para tratamento. Na verdade, esta forma de proceder não é uma ciência para o corpo espiritual, mas para o próprio espírito. Durante o processo de “atendimento” no “hospital”, o espírito é levado a relembrar-se das coisas espirituais. Entretanto, isto só acontece a poucos que têm o merecimento, ou seja, aos que buscaram a reforma íntima, mesmo ainda não se reconhecendo como espíritos.

A grande maioria, aqueles que colocam os desejos e necessidades materiais acima da busca espiritual, não encontrará este conforto e continuará a viver a “vida” de “ser humano”, apesar de já estarem fora da matéria carnal. É muito comum encontrar-se espírito sem carne que continua “acordando” quando o sol nasce, alimentando-se, pegando ônibus ou carro e passando o dia inteiro no mesmo trabalho que tinha antes de desencarnar. Ao fim do dia, retorna para casa, assiste à televisão com a família e depois vai dormir. Este espírito, apesar de fora da matéria carnal, vê o perispírito que continua revestindo-o e, como este é semelhante ao corpo físico que possuía, acha que o perispírito é ele.

Com esta visão do espírito, podemos afirmar que aqueles que ficarem por último para entrar no Reino do Céu farão um só do seu corpo espiritual e de seu corpo físico.

O evangelho segundo Tomé

Logia 5 - Visão espiritual

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“005. Jesus disse: Reconhece o que é visível para ti, e o que é oculto te será desvelado. Pois que nada há de oculto que não seja manifestado”.

“Reconhece o que é visível para ti”

Esta afirmativa de Jesus precisa ser profundamente estudada para que se alcance o entendimento do ensinamento.

O espírito possui um processo interno que lhe permite reconhecer, analisar e tomar decisões em face de acontecimentos externos. Chamamos a este processo de raciocínio.

Sempre que alguma coisa é captada pelos órgãos sensores do corpo humano, é encaminhada ao espírito que procederá a um raciocínio.

Este processo possui três partes distintas:

a) análise da percepção;

b) tomada de decisão;

c) comando para a ação.

O reconhecimento das coisas que foram percebidas é a decisão a que o raciocínio chega, depois da análise das percepções. Desta forma, podemos dizer que o que nos é visível é fruto desta análise.

Para fazer esta análise, o espírito na carne utiliza-se de informações anteriores sobre o assunto. Por exemplo, quando ele vê uma cor amarela, vai buscar dentro de si todas as informações que tem sobre esta cor para decidir se comanda a uma apreciação positiva ou não da cor percebida.

A estas informações anteriores existentes dentro do espírito, chamamos de conceitos. Os conceitos são formados por decisões de processos de raciocínios anteriores que ficam arquivados na memória dos espíritos. Assim sendo, dentro do nosso exemplo, a apreciação ou não da cor amarela dependerá de informações anteriores que o espírito tenha do contato com esta cor. Caso tenha “boas” lembranças, apreciará positivamente; caso não tenha, desgostará.

Ampliando o ensinamento e colocando-o no texto de Tomé, podemos afirmar que o reconhecimento de alguma coisa depende do conceito que se tenha sobre ela. Se gostamos anteriormente, reconheceremos a coisa como boa; se não gostamos, o reconhecimento será de coisa ruim.

Entretanto, cada espírito possui um conceito diferenciado sobre a mesma percepção, o que determina a individualidade de cada um. Como saber, então, quem está certo ou errado: quem gosta ou quem não gosta do amarelo?

Podemos chamar o conceito de “verdade pessoal” ou aquilo que é verdade só para uma pessoa. Esta “verdade” dificilmente será a mesma “verdade universal” das coisas, pois o espírito na carne possui uma visão muito limitada sobre as coisas e o Universo.

Continuando ainda no nosso exemplo, todas as cores foram criadas por Deus e por esta origem têm que ser perfeitas, pois Ele é a Perfeição Absoluta. Portanto, não pode haver cor “boa” ou “ruim”...

Aplicando este ensinamento para todas as coisas, podemos afirmar que nada pode estar sujeito a um binômio (feio/bonito, alto/baixo, gordo/magro, primeiro/último), porque todas as coisas foram criadas por Deus que, por ser a Justiça Perfeita, não pode premiar ou desmerecer nada.

Estes binômios surgem do ponto de vista de cada um, ou seja, dos conceitos que cada um possui. Imaginemos um valor em dinheiro: qualquer que seja ele será muito para quem tem menos e pouco para quem tem mais.

Assim, não existe um real reconhecimento das coisas que estão sendo percebidas pelo espírito, mas sim um “reconhecimento pessoal” de cada uma delas. O espírito reconhece as coisas da forma que quer, ou seja, de acordo com os conceitos que norteiam seu raciocínio.

Por isto Jesus avisa: “...reconhece o que é visível para ti”. Quando afirma isto, o Mestre nos ensina que o único reconhecimento que podemos ter é a simples constatação da existência da coisa. Os espíritos nada podem reconhecer além disso, pois estão impregnados de conceitos que deturpam a sua visão.

Foi o que Jesus disse ao abordar a cegueira espiritual:

“Se vocês fossem cegos não seriam culpados – respondeu Jesus. Mas como dizem que podem ver, então ainda são culpados”. (João – 9,35)

Enquanto o espírito achar que tem a capacidade de reconhecer as coisas à sua volta, ainda não estará praticando o AMOR UNIVERSAL.

Quando uma pessoa pratica um ato, quem vê organiza toda uma história para explicar a si mesmo o que está vendo (pensamento). Imagina todos os motivos que levaram a pessoa a praticá-lo, de acordo com os conceitos pré-existentes sobre essa pessoa. Se o espírito “gosta” dela, busca embasamento positivo para o pensamento, mas se não gosta, “monta” toda uma acusação sobre o ato praticado.

Isto é um julgamento; uma corte sem advogados, testemunhas e possibilidades de defesa, pois o “réu” muitas vezes nem sabe que está sofrendo este processo. Por isto, o espírito que se imagina capaz de reconhecer as coisas que estão acontecendo à sua volta, estará sempre julgando através de conceitos anteriores sobre a pessoa, a coisa ou o ato.

“e o que é oculto te será desvelado”

Para aquele espírito que abdicar de reconhecer as coisas e as pessoas, Deus revelará a “verdade universal” sobre elas. A cor será uma obra de Deus para sua ajuda; a outra pessoa, um espírito amigo em processo de evolução que necessita de sua ajuda e não de seu julgamento.

Como ver na agressão um pedido de ajuda, se ainda existe o conceito de que a agressão é para ferir? Aquele que agride está pedindo socorro para ele mesmo, pois possui sentimentos negativos que levaram Deus a dar-lhe a prática daquele ato.

Como não sentir a injustiça em uma agressão, entendendo-a como uma lição? Não reconhecendo um agressor, mas entendendo que a pessoa que lhe agride, apesar de estar usando um sentimento negativo, está auxiliando Deus na sua obra ao dirigir a você (que precisava e merecia passar por isto) este ato e sentimento (Deus estará lhe mandando um recado...).

Estas duas visões sobre agressão não são conceitos, pois não são verdades particulares, mas sim verdades universais. Todo gesto de desafeição entre dois espíritos na carne é o pedido do agressor para que o agredido lhe remeta sentimentos positivos. É também é um aviso de Deus ao agredido de que muitas vezes ele também agrediu alguém.

Jesus afirmou que toda dívida deve ser paga até a última moeda. Se você um dia agrediu alguém, Deus não pode simplesmente perdoá-lo sem que você tenha consciência do sofrimento que causou a alguém. Assim, Ele utiliza outro espírito que tenha, naquele momento, os mesmos sentimentos que você já teve para com outro espírito, para lhe trazer o ensinamento.

Ele assim procede, não por penalidade ou vingança, mas porque precisa ensinar a cada um que, no momento que agrediu, não reconheceu corretamente o que estava vendo.

Só haverá este reconhecimento quando o espírito expulsar os conceitos de dentro de si e reconhecer que nada pode ver.

“Pois que nada há de oculto que não seja manifestado”

Deus não seria Perfeito nem Justiça Suprema se escondesse toda a Sua intenção daqueles que recebem as Suas ações. Ele sempre está revelando aos espíritos a verdade das coisas. Porém, para enxergar estas verdades, o espírito necessita alcançar a cegueira material, ou seja, deixar de reconhecer as coisas pelos seus conceitos e alcançar a visão espiritual, aquela que só é revelada por Deus para quem não enxerga conceitualmente.

O evangelho segundo Tomé

Logia 6 - Atos

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Logia 6

“006. Seus discípulos perguntaram-lhe e disseram: Queres que jejuemos? Como deveremos rezar, e deveremos dar esmolas? E que dieta deveremos seguir? Jesus disse: Não mintais, não façais aquilo que odiais, pois todas as coisas são manifestadas ante a verdade. Nada há de oculto que não venha a ser desvelado, e nada há de coberto que permaneça sem ser descoberto”.

“Queres que jejuemos? Como deveremos rezar, e deveremos dar esmolas? E que dieta deveremos seguir?”

Os discípulos de Jesus, face ao iminente desencarne do Mestre, preocupavam-se com os ritos e posturas que deveriam seguir depois disto. Iniciava-se a preocupação em estabelecer uma religião a partir dos ensinamentos de Jesus, que servisse para divulgá-los.

Como todos eram praticantes da religião judaica, preocupavam-se com que ritos deveriam seguir para poder louvar o Rabino que haviam seguido, criando uma religião de Cristo.

Os ritos de uma religião são os atos que aqueles que professam a fé em determinada doutrina praticam. Por isto os discípulos de Jesus lhe perguntam sobre o jejum, a oração, o amparo aos mais necessitados e as limitações de alimento que deveriam ter. Era comum aos judeus religiosos a prática destes atos como prova de sua religiosidade.

Praticavam o jejum em ocasiões predeterminadas e com finalidades específicas, oravam nas sinagogas, eram obrigados pelas leis mosaicas a amparar aqueles que viviam em piores condições materiais e tinham restrições quanto a tipos de alimentos que podiam ingerir. Agora que Jesus alterara muitos dos ensinamentos até então conhecidos, a dúvida deles era como “viver” com os novos ensinamentos.

“Não mintais, não façais aquilo que odiais, pois todas as coisas são manifestadas ante a verdade”.

Em resposta, Jesus afirma que não eles devem se preocupar com os atos em si, mas com a essência com a qual os atos são praticados, ou seja, com qual sentimento são movidos para a prática destes atos. Por isto, Jesus não confirma os atos citados, nem lhes acrescenta mais nenhum, mas diz que devem preocupar-se com o sentimento. O Mestre afirma que todos os atos podem ser praticados, mas eles não devem ser feitos com sentimentos negativos.

O primeiro destes sentimentos é a mentira para si mesmo. Muitos praticam o jejum dizendo que o fazem para louvar a Deus, mas o real motivo da prática (sentimento), fica muito longe disto. Alguns o praticam por auto-penitência, ou seja, para aumentar o seu sofrimento de tal forma que Deus deles se compadeça e lhes dê o que desejam. Alcançam o sofrimento máximo com a intenção de “barganhar” ou, ainda, de fazer chantagem com Deus para alcançar o que querem. O jejum praticado por amor, para louvar a Deus não pode conter sofrimentos, mas sim alegria; não pode conter pedidos de vantagens próprias, mas sim ser bendito por Deus.

Apenas desejar fazer algo proibido, já significa tê-lo feito. De nada adianta o ser humano não ingerir determinados alimentos ou bebidas, porque a doutrina não permite, se existe o desejo, a vontade. Seguir a doutrina é não ter este desejo.

O ser humano reza, mas não ora: discursa palavras bonitas afirmando que está “falando com Deus”, mas o seu pensamento está muito longe Dele. Enquanto ora, está preocupado com as coisas de sua vida, reparando em outras pessoas, fazendo pedidos. Ele não ora com amor para falar com Deus, mas para cumprir obrigações.

A caridade praticada pelo ser humano, na maioria das vezes, esquece da afirmação de Jesus de que a mão esquerda não pode saber o que a direita está fazendo. Nos dias de hoje, o ser humano está preocupado em doar para receber “abatimento no imposto de renda”.

A preocupação do ser humano em praticar a caridade é saber o que ele vai ganhar em troca por aquele ato. Muitos não se preocupam com retorno material, mas ainda querem obter vantagens espirituais. Grande parte pratica a caridade com a intenção de “reservar o seu lugar no céu” e não para auxiliar o irmão necessitado.

Praticar a caridade não é dar esmolas, ou sobras, e sim “dar de si”. O ser humano doa roupas velhas que estão no armário, sem uso, com a intenção de sobrar espaço para poder comprar outras roupas novas para si mesmo. Compra dezenas de cobertores que não cobrem o frio de ninguém, apenas para poder dizer que ajudou muitas pessoas.

Doar é comprar uma roupa nova para si e outra igual para dar; é comprar apenas um cobertor, mas que seja igual ao que tem em casa. Desta forma o ser humano estará tirando de si e dando aos outros: estará praticando a verdadeira caridade.

Qualquer ato praticado deve conter os três componentes do amor universal: igualdade, alegria e compaixão. Por isso Jesus afirma que nada deve ser feito sobre a base do ódio. De que adianta você jejuar se está sofrendo por isso, orar sem estar alegre, dar esmolas sem sentir igualdade e impor a si mesmo restrições se elas lhe causam dor?

Todo ato tem que ser praticado com alegria, compaixão e igualdade. Somente o jejum sem sentir fome, a oração com alegria, a esmola com igualdade entre as pessoas e a abstinência sem sofrimento, são válidas.

Jesus afirma que não devemos nos preocupar com os atos que temos que praticar, mas sim com o sentimento que estamos utilizando durante a prática destes.

Se a base que nos leva à prática do ato for o amor universal, todos os atos podem ser praticados. Não existindo esse amor, não adianta fazê-los por obrigação. Deus não vê nossos atos, mas “enxerga” os sentimentos que nos levam a fazê-los, pois estes sentimentos emanam de nosso corpo carnal durante a prática do ato. Por isso, toda a base que utilizamos para praticar os atos é manifestada frente à Verdade que é Deus.

“Nada há de oculto que não venha a ser desvelado, e nada há de coberto que permaneça sem ser descoberto”

O ser humano pensa que “ninguém” está vendo os atos errados que pratica, mas se esquece que Deus está em todos os lugares e a tudo “vê” (Onipresente e Onisciente). Mesmo que mais ninguém possa enxergar o sentimento que você escolheu na hora que praticar o ato, Deus estará vendo e, quando achar necessário, revelará a verdadeira motivação desse ato.

Por mais que um ser humano tente “esconder” dos outros as suas motivações (sentimentos), Deus sempre acabará revelando-as, para que todos compreendam os verdadeiros sentimentos que levaram à prática desse ato.

Qualquer ato praticado sem o amor universal, mesmo que, aparentemente outras pessoas vejam você como alguém muito devotado, Deus providenciará para que você pratique outros atos que mostrarão seus verdadeiros sentimentos ou intenções.

É claro que Deus aproveitará o seu ato, mesmo feito sem o sentimento adequado, para auxiliar o espírito que se encontra necessitado, como nos casos de caridade material.

Enquanto o ser humano não utilizar o amor para atingir a consciência de que não deve praticar determinados atos, nenhuma lei o fará deixar de praticá-los.

O ser humano submete-se às leis, enquanto que o espírito não necessita delas, pois tem a consciência da prática do amor universal.

Lembremo-nos mais uma vez das palavras de Jesus:

“Em marcha! Anunciai o Evangelho do Reino. Não imponhais nenhuma regra além daquela da qual fui o Testemunho. Não ajunteis leis às dadas por Aquele que vos deu a Tora a fim de não vos tornardes seus escravos”. (O Evangelho de Maria – Miriam de Mágdala – Pág. 8 – linha 23)

A única lei que Jesus testemunhou foi o amor universal. Quando fez milagres e alimentou seus discípulos no “sabath”, Jesus estava colocando em prática a compaixão, ou seja, a consciência do sofrimento das outras pessoas, colocando-a acima das leis escritas.

Portanto, espíritos, anunciem, com seus atos, o amor universal, mas sem tentar impô-lo, para que vocês mesmos não alterem seus sentimentos, sendo causa de infelicidade para os outros.

Pela compaixão do próprio amor universal, não se pode criar leis que “obriguem” os outros a segui-lo, pois isto acabaria com a alegria. É preciso praticar todos os atos com a consciência do amor universal para que Deus o revele às outras pessoas. Não é preciso criar leis para ensiná-lo.

O evangelho segundo Tomé

Logia 7 - Poder

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“007. Jesus disse: Bendito o leão que for comido pelo homem, pois que o leão tornar-se-á homem; e maldito o homem que for comido pelo leão, pois que o leão tornar-se-á homem”.

O leão

O leão é o animal tido como o rei da floresta. Todo rei detém o poder sobre as coisas e é desta forma que devemos entender a palavra leão no texto: o poder sobre as coisas.

 “Bendito o leão que for comido pelo homem, pois que o leão tornar-se-á homem”.

O poder é uma das provas que Deus coloca na vida do espírito na carne. Dependendo do sentimento que se utiliza para exercê-lo, o poder pode ser uma fonte de progresso ou retrocesso para o espírito.

O poder com ódio gera genocídios; com ganância, corrupção; com inveja, perseguição. Entretanto, se exercido com amor, levará à felicidade universal, à ausência de sofrimentos e à igualdade entre todos.

Compete ao espírito na carne escolher com quais sentimentos irá exercer o “poder” que receber. É uma missão que o espírito recebe para auxiliar Deus em sua obra. É através dele que o espírito pode transformar-se no “sal para a humanidade”, ou seja, ser o “tempero” da vida dos outros espíritos.

O espírito que detém o poder deve viver de acordo com as leis de Deus (amar a Deus, a si e aos outros) para que cumpra sua missão positivamente. Esta forma de agir é submeter o poder transitório ao Todo Poderoso do Universo. Entretanto, muitos colocam o poder, a missão, na busca da satisfação individual ou de grupos pequenos, em detrimento da coletividade espiritual ou da felicidade universal. Esta forma de proceder acarreta negatividade muito grande para o espírito que a pratica.

Portanto, para que o espírito na carne possa ser bendito, ou seja, ser “elogiado” por Deus, é necessário que ele acabe com esta sensação de poder e pratique a igualdade entre todos, transmitindo, assim, o amor universal.

Esta é a missão de todos aqueles que exercem o poder: utilizá-lo com igualdade para que não traga sofrimento e promova a felicidade universal.

Entretanto, não podemos esquecer do “poder” não declarado. O ser humano possui “verdades individuais” (conceitos) e por isso se imagina com o poder de obrigar os outros a fazerem as coisas exatamente dentro de suas verdades. Quando isto não acontece, usa a acusação e a crítica. Este poder é extremamente destrutivo, pois estas “verdades” são fruto exclusivo da visão limitada que o espírito tem sobre as coisas. Na verdade trata-se de um “achar” e não de uma verdade.

Enquanto o espírito possuir estes conceitos, tentará exercer poder sobre a vida dos demais.

Jesus disse que o espírito é o “sal para humanidade”, ou seja, que ele deve ser o tempero da vida dos outros. Esta posição, porém, deve ser exercida para colocar o tempero certo: o amor universal.

Este amor não aceita conceitos, regras ou leis. Ele se baseia unicamente na igualdade que todos devem ter de achar que estão certos. Quando o ser humano imagina-se superior, ou seja, detentor da verdade e utiliza o poder de “temperar” a vida dos outros, acaba trazendo sofrimento a eles.

Para ser bendito o poder de “temperar” a vida dos outros, deve o espírito abandonar suas próprias verdades, ou seja, o poder que imagina ter de corrigir as outras pessoas. Deve exercer esse poder apenas para transmitir felicidade, aceitando todos os outros espíritos da forma que são. Para que isto aconteça é necessário que o espírito respeite a individualidade de cada um, as divergências de opiniões, sem procurar ver o “certo” ou o “errado”.

Não existem dois espíritos na carne que possuam conceitos completamente iguais. Para que o espírito realmente possa auxiliar o seu irmão que se encontra em processo de evolução, ele não pode “achar” nada “certo” ou “errado”, mas apenas buscar a prática do amor universal.

Esta é uma verdade universal que pode ser entendida a partir da observação da atividade dos espíritos sem carne que são enviados ao planeta para auxiliar os que estão encarnados. Estes espíritos jamais buscam saber se o irmão encarnado está certo ou errado, mas praticam o auxílio necessário sem maiores análises.

Esta deve ser a forma de agir do espírito na carne também. O espírito deve exercer o poder informal que Deus concede a cada um sobre os outros (sal da humanidade), para que possa auxiliar seu irmão, transmitindo-lhe fé e amor, deixando de censurá-lo, acusá-lo. Nem com base no código Supremo, o espírito pode apontar erros, pois Deus não nomeou espírito algum seu procurador ou xerife da humanidade. Para poder colocar o “sal” na vida dos outros, o espírito deve buscar apenas transmitir o amor e nunca a crítica.

Portanto, o poder informal deve ser exercido apenas com função de orientação e não de fiscalização.

“e maldito o homem que for comido pelo leão, pois que o leão tornar-se-á homem”

A má utilização do poder sempre gera sofrimento a quem recebe os atos oriundos de sentimentos negativos a eles agregados. O espírito quando criticado, agredido em sua individualidade, sofre.

Este sofrimento não é representado apenas pelos atos materiais que acontecem contra ele, mas pela transmissão dos sentimentos negativos utilizados no processo de raciocínio pelo espírito que detém o poder.

O espírito agredido recebe os sentimentos que irão embasar seus próximos atos. Assim, o espírito fica mais vulnerável e acaba utilizando-se destes sentimentos negativos para praticar outros atos negativos contra outros espíritos. Com isto, também contrai “dívidas” perante a lei de Deus.

Desta forma, aquele que exerce mal o poder recebido (missão) não só acumula débitos pelos sentimentos utilizados por si mesmo, bem como por aqueles retransmitidos. Isto acarreta débitos grandes ao espírito que detém o poder e por isso a importância da missão.

Por isto Jesus afirma que será “maldito” aquele que se deixar levar pela tentação do poder, ou seja, pela tentação de lucrar com o exercício dele.

Todo poder tem que ser exercido para o bem da comunidade espiritual e não para lucro próprio.

O evangelho segundo Tomé

Logia 8 - Alimentação espiritual

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Logia 8

“008. Ele disse: o homem é como o pescador sábio que joga sua rede no mar, e a puxa cheia de pequenos peixes; no meio deles, acha um peixe tão grande e bom que o pescador sábio devolve todos os pequenos peixes, escolhe o peixe grande sem remorsos. Quem tem ouvidos que ouça”.

O peixe

Jesus utiliza-se de mais um simbolismo para nos trazer o ensinamento.

O peixe para os seres humanos é um alimento e é neste sentido que Jesus utiliza esta palavra neste ensinamento. Porém, Jesus não poderia estar falando de alimento material, pois como já vimos, este evangelho é dirigido para espíritos e não para “seres humanos”.

O alimento do espírito é o sentimento que ele utiliza para viver espiritualmente. Portanto, Jesus está orientando aos espíritos como devem se “alimentar” durante a sua vida na carne.

 “o homem é como o pescador sábio que joga sua rede no mar, e a puxa cheia de pequenos peixes; no meio deles, acha um peixe tão grande e bom...”

Jesus inicia o ensinamento explicando que existem dois tipos de “alimentos” para os espíritos: os pequenos e os grandes, que são os bons. Apesar de não dito explicitamente, a afirmação de que o grande é bom nos leva a deduzir que o pequeno não é bom. Aplicando-se o sentido da palavra “bom”, podemos dizer que existem dois tipos de sentimentos que o espírito pode utilizar como alimentação: os que fazem “bem” e os que não fazem.

Outro detalhe no ensinamento de Jesus, diz respeito ao tamanho do peixe. Quando o ser humano alimenta-se de grande quantidade de alimentos (peixe grande) ele se satisfaz, sacia a sua fome e não tem necessidade de se alimentar de mais nada.

Destas duas explicações, podemos depreender que Jesus afirma que um dos peixes faz bem à “saúde” do espírito e o satisfaz completamente, enquanto que o outro não, pois exige que o espírito se alimente constantemente para se satisfazer.

“que o pescador sábio devolve todos os pequenos peixes, escolhe o peixe grande sem remorsos”

O peixe grande e bom que Jesus se refere é o amor. Este alimento espiritual faz bem à “saúde” do espírito e o satisfaz completamente, enquanto que o peixe pequeno representa os sentimentos negativos, que se contrapõem ao amor universal. Este último alimento faz mal à saúde porque é contrário às leis de Deus. Quando um espírito nutre algum tipo de sentimento negativo, ele está infringindo a lei do amor (amar a Deus, a si e ao próximo) e com isso, atrapalhando a evolução de si mesmo e de outros espíritos.

A “alimentação” espiritual se dá quando alguma percepção é alcançada pelos sentidos do corpo físico que o espírito ocupa. Quando estas percepções chegam até o espírito, ele faz a análise através do processo raciocínio.

O primeiro passo para este processo é a escolha, pelo espírito, do sentimento com o qual irá analisar a percepção. Desta forma, se uma outra pessoa é percebida pelo espírito através da visão, ele escolherá um sentimento que se encontra dentro dele mesmo para iniciar um raciocínio sobre esta pessoa e a situação que ocorrerá com a presença dela.

Sempre que o espírito escolhe um sentimento para embasar seu raciocínio, ele o envia ao universo através de um “chacra” situado no centro da testa, chamado chacra diretor. Quando isto ocorre, o espírito emite também uma onda eletromagnética (onda cerebral) que buscará no universo o mesmo sentimento que acabou de ser enviado. Este é o processo de “alimentação” do espírito: a partir de sentimentos seus, internos, ele recebe outros iguais, quando raciocina.

Aquele que, depois de perceber outro espírito sentir raiva, enviará esta raiva ao universo e se nutrirá de mais raiva ainda. Se utilizar o sentimento de inveja, receberá mais inveja. Sempre retornará a ele uma quantidade maior do mesmo sentimento que emitiu. Como os sentimentos negativos não satisfazem ao espírito, é necessário que ele os sinta em maior quantidade para que possa sentir-se satisfeito (peixe pequeno...).

Por isto, sempre o ser humano aumenta o sentimento negativo que tem por determinada pessoa ou coisa. O início, geralmente é só uma mágoa, mas como ela não satisfaz o espírito, ele passa para a ofensa, nutre mais a raiva e termina buscando o ódio para raciocinar. Quando nem isso mais o satisfaz, o espírito começa a escolher este sentimento para raciocinar sobre as pessoas e coisas ligadas à fonte original do sentimento. Sempre estará aumentando a intensidade e o raio de ação de seus sentimentos para que possa utilizá-los no raciocínio e assim buscar mais dele no universo.

Com o amor a situação é inversa. O espírito não necessita de estar sempre buscando este sentimento, pois ele o satisfaz e nutre (peixe grande). Por isto, não precisa ficar inventando “histórias” (pensamentos) sobre uma pessoa para poder amá-la: ama sem motivos.

O espírito que gasta os sentimentos negativos estará sempre “achando” alguma coisa da pessoa alvo do seu sentimento, para que possa prosseguir no raciocínio e assim continuar a “alimentar-se” de energia negativa. Aquele que tem amor dentro de si, ama sem precisar raciocinar para isso. Não precisa buscar respostas (onde, quando, por que) para amar outra pessoa.

Quando o amor é verdadeiro (alegria, compaixão e igualdade), o espírito nunca encontrará “erros”.

O amor satisfaz e não cria a dependência da “alimentação” constante para que exista.

Os sentimentos negativos viciam e levam o espírito a estar pronto para reagir com eles a qualquer outra situação.

Quando o espírito nutre o sentimento negativo por outro espírito, mesmo longe dele, utilizará este sentimento em outras situações: é o chamado “mau-humor”. Isto acontece porque o espírito precisa daquele sentimento para se alimentar sempre.

Quem ama, reagirá sempre com o amor, em qualquer situação, pois estará bem “alimentado” e não precisará de outros sentimentos.

Aquele que se alimenta de amor não possui verdades individuais, pois ama a tudo e a todos.

Por isto Jesus afirma que o homem sábio deve abandonar estes sentimentos menores que não fazem bem e ficar apenas com o amor, que satisfaz e faz bem ao espírito. E afirma que ele fará isso sem remorsos, ou seja, sem sentir que houve “perda” para ele.

Quem nutre sentimentos negativos precisa possuir as coisas para se satisfazer e só quando detém a posse das coisas materiais, realiza-se.

De nada adianta ao espírito aceitar as coisas sem utilizar-se do amor, pois esta forma de proceder gerará o remorso, que é um sentimento negativo. A resignação não permite que o espírito evolua.

A evolução só acontecerá quando o espírito reagir com alegria, compaixão e igualdade a todos e a tudo, com o que se sentirá satisfeito.

“Quem tem ouvidos que ouça”

Esta é uma frase tradicional de Jesus. Ele conclama os espíritos a se abrirem para a visão espiritual das coisas, abandonando a visão material.

Todos os ensinamentos do Mestre encontram-se além das palavras escritas: estão no significado do ensinamento alcançado através da sua análise. Este é o trabalho desta obra: transformar as palavras escritas nos ensinamentos necessários para que o espírito busque a sua evolução.

Kardec disse que não devemos nos prender “à letra fria que mata”. Foi por procurar o sentido restrito dado pela língua de cada raça que os espíritos na carne se transformaram em seres humanos...

Todos os enviados de Deus trouxeram a mesma informação, com uma linguagem adequada aos seus discípulos. Portanto, não devem ser analisadas ou estudadas separadamente, mas sim de forma conjunta, buscando-se a essência dos ensinamentos que sempre será comum, dada a fonte única da qual provieram.

Para analisarmos este tópico, utilizamos ensinamentos trazidos por Buda Guautama, por Jesus e por Allan Kardec. Se nos fixarmos apenas a um conjunto de informações, ficaremos presos à “letra fria”.

Isso é “ter ouvidos de ouvir e olhos de ver”.

O evangelho segundo Tomé

Logia 9 - Campo para semeadura

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Logia 9

“009. Jesus disse: Vede, o semeador saiu, encheu suas mãos e semeou. Algumas sementes caíram no caminho; os pássaros vieram e as recolheram. Outras caíram na pedra e não puderam enraizar-se na terra, e não germinaram. E outras caíram em solo fértil; e germinaram e deram bons frutos; nasceram na proporção de 60 por unidade e 120 por unidade”

Deixemos que o próprio Jesus decifre este ensinamento:

“Então escutem e aprendam o que a comparação do semeador quer dizer. Aqueles que ouvem a mensagem do Reino, mas não entendem são como a semente que caiu na beira do caminho. Satanás vem e tira o que foi semeado neles. A semente que cai no meio de muita pedra são os que ouvem a mensagem e a aceitam logo com alegria, porém duram pouco porque não têm raiz. Quando, por causa da mensagem, chegam os sofrimentos e as perseguições, eles logo desistem. Outros se parecem com a semente que cai entre espinhos. Eles ouvem a mensagem, mas quando aparecem as preocupações deste mundo e a ilusão das riquezas, elas sufocam a mensagem, e eles não produzem fruto. E as sementes lançadas em terra boa são aqueles que ouvem e entendem a mensagem e produzem frutos; uns cem, outros sessenta e ainda outros trinta vezes mais”. (Mateus – 13, 18).

A importância desta parábola é tão grande que foi transmitida nos quatro evangelhos canônicos e é a única que contém a explicação de Jesus decifrando-a. Trata da recepção, por parte dos espíritos, dos ensinamentos trazidos pelos enviados de Deus.

Jesus compara todos os enviados a semeadores que vêm espalhar sementes sobre a face do planeta; compara cada um com o terreno que irá recebê-las e sobre a forma que cada um recebe os ensinamentos.

Existem pessoas que transformam a religião em um compromisso social: freqüentam os locais de culto apenas para dar uma satisfação à sociedade e serem chamados de religiosos.

Estes são os que ficam à “beira do caminho”. Por não buscarem realmente Deus, os ensinamentos não penetram em seu coração, deixando-os imunes a eles. Apenas comparecem aos cultos com o corpo, mas seus sentimentos estão voltados à sua vida material, preocupados com os compromissos assumidos em suas vidas. O comportamento é alterado e, por isso, os ensinamentos não se fixam, em virtude dos sentimentos negativos existentes.

Por não se encontrarem sentimentalmente envolvidos com os ensinamentos, nada se altera em sua base de raciocínio (sentimentos).

Aqueles que comparecem nos cultos e procuram ouvir as mensagens dos enviados de Deus, apenas na busca da realização de seus desejos e não para sua transformação íntima, Jesus os compara a um terreno cheio de pedras, onde a semente não consegue criar raízes.

Para estes, os ensinamentos só serão aceitos enquanto satisfizerem seus próprios conceitos e trouxerem o resultado de suas vontades. Sua busca é a da satisfação pessoal e não a do aprendizado que pode trazer a mudança interna.

Quando esta satisfação não é mais alcançada, mudam de religião (ensinamento). Na verdade não estão à procura de Deus, mas de realização pessoal. Sempre que podem “lucrar” com determinado ensinamento, ele é considerado “certo”. Estes seres humanos, na verdade, em momento algum aceitaram o ensinamento. Por isto, Jesus afirma que, para estes, os ensinamentos não possuem raízes, pois eles dependerão sempre de uma raiz mais profunda: o querer de cada um.

Um ensinamento, para ser posto em prática, necessita que o espírito abra mão de sua individualidade e de suas “posses” (sejam materiais, morais ou sentimentais).

O terceiro tipo, que não foi citado originalmente por Jesus, mas acrescentado posteriormente pelos “revisores” dos evangelhos canônicos, parece-se muito com o segundo. São espíritos que estão presos aos avanços materiais e não aos avanços espirituais.

Para estes, o ensinamento deve ser sempre uma fonte capaz de gerar o bem material. Enquanto ele for auxiliado a atingir este objetivo, o ensinamento será “certo”, mas quando não premiá-lo mais, passará a ser “errado” e por isso não mais existirá a necessidade de segui-lo...

Deus não está preocupado com a vida material do espírito na carne, pois sua existência é curta em face da eternidade da vida espiritual.

A vida na carne é entendida pela espiritualidade como uma etapa da vida espiritual. Ela deve ter como objetivo o avanço moral do espírito e não premiar a posse material.

Para a espiritualidade, a única posse que um espírito adquire são os sentimentos que nutre e, por isso, direcionam todos os seus esforços para que ele se enriqueça com o sentimento mais valioso: o amor universal. Este amor tem de passar necessariamente pela felicidade universal, ou seja, aquela que é sentida por todos sem a necessidade da satisfação de “vontades” para acontecer.

Portanto, para ser um terreno fértil, o espírito tem de abolir seus conceitos, suas verdades, para poder penetrar na “Verdade Universal” e alcançar a felicidade através da felicidade dos outros e não por prazeres pessoais.

As verdades individuais são como espinhos que não permitem que o ensinamento se fixe e altere a base de raciocínio (sentimentos) para que possa alcançar a Verdade Universal. São as verdades individuais (ou posses) que sufocam os ensinamentos não permitindo ao espírito germinar a semente do amor.

Enquanto o espírito estiver preso a sentimentos que lhe tragam lucro pessoal de qualquer espécie, não conseguirá produzir os frutos que lhe auxiliarão na evolução espiritual.

Para poder colocar em prática os ensinamentos, os espíritos precisam livrar-se da vontade de ganhar ou do medo de perder; necessitam esquecer o prazer e não mais ter medo do desprazer; devem deixar de procurar o elogio e deixar de sentir preocupação com a crítica e não devem buscar a fama nem sentir a infâmia.

Todos estes sentimentos levam ao sentimento de posse. O espírito quer ganhar para poder possuir. Isto lhe causará prazer, pois ele será elogiado e ficará famoso entre os seus iguais. São estes quatro sentimentos básicos que sufocam os ensinamentos enviados por Deus e transformam o espírito em ser humano, o possuidor.

Para poder possuir coisas materiais o espírito cria o mundo material, para poder possuir “verdades”, cria os conceitos e para possuir os outros espíritos cria o “certo” e o “errado”.

Todas estas bases são geradas com o intuito de obter posses e assim alcançar o comando das coisas.

O espírito não precisa possuir nada, pois ele já tem tudo o que necessita para viver, dado sempre por Deus. Somente quando o espírito eliminar os espinhos que sufocam a Verdade Universal, poderá praticar os ensinamentos que o levarão a evoluir na verdadeira vida: a espiritual.

Por isto Jesus avisa:

“Não ajuntem riquezas neste mundo, onde as traças e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e roubam. Ao contrário, ajuntem riquezas no céu, onde as traças e a ferrugem não podem destruí-las, e os ladrões não podem arrombar e roubá-las. Pois onde estiverem as suas riquezas, aí está o coração de vocês”. (Mateus – 6,19)

É de acordo com a “posse” do espírito, que ele terá os sentimentos. Enquanto der valor às coisas materiais, seus sentimentos serão voltados à materialidade e serão negativos, pois esta se contrapõe ao mundo de Deus.

Quando o espírito voltar-se apenas para os “bens” espirituais, aceitará os ensinamentos como um “terreno limpo” e, aí sim, estes conseguirão germinar e produzir os frutos necessários para a evolução espiritual.

Como afirmou Jesus, estes ensinamentos produzirão o amor universal dentro de cada um e se reproduzirá em grandes proporções. Mas, para tanto, é necessário que cada um promova a limpeza de seu próprio “terreno”.

Deus não alterará nunca os sentimentos que existem dentro de um espírito, a fim de que ele alcance o amor universal. É necessário que o próprio espírito busque amor para poder receber amor. Como já avisado, a cada um será dado de acordo com as suas obras. Um terreno limpo é aquele que não possui pedras nem espinhos, ou seja, onde não existem conceitos ou “verdades individuais”.

Para que o ensinamento o conduza ao amor universal, o espírito necessita abolir todos os seus conceitos. Para que estes acabem, o espírito tem de acabar com a análise de suas “percepções”.

Por isso Buda Guautama afirmou que “onde existe uma percepção, existe ilusão”. Cada vez que o espírito analisa alguém, utiliza conceitos e busca contemplá-los, fugindo à “Verdade Universal”. Para Buda, a percepção é o resultado da análise de alguma informação recebida pelo espírito através dos sentidos do corpo humano. Eliminar a percepção é aprender a ver uma pessoa sem que ela seja analisada. Toda análise é um julgamento que se faz com base nos sentimentos atuais e nos anteriores guardados nos conceitos.

Para que os ensinamentos gerem o amor universal, o espírito precisa extinguir a análise de qualquer pessoa ou situação, pois Deus lhe revelará a verdade de cada coisa, como já transmitido na logia cinco deste Evangelho.

O evangelho segundo Tomé

Logia 10 - Amor universal

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Logia 10

“010. Jesus disse: vim para atear fogo ao mundo e, vede, eis que estarei vigiando até que ele arda”.

“vim para atear fogo ao mundo”

Este ensinamento assemelha-se muito a outro ensinamento do Evangelho de Mateus.

“Não pensem que eu vim trazer a paz ao mundo. Não vim trazer paz, mas a espada”. (Mateus – 10,34)

Os dois ensinamentos são mal compreendidos e muitas vezes criticados por algumas doutrinas, mas talvez sejam dos mais importantes trazidos por Jesus e que mais podem auxiliar os espíritos na busca da sua evolução.

A missão de Jesus (Boa Nova) foi trazer o amor universal para o planeta. Todos os seus atos exemplificaram esta forma de amar e devem ser como um “guia” para que se coloque em prática o amor universal, este sentimento que é, na verdade, a prova que o espírito veio fazer na carne.

Este amor é a “espada” e o “fogo” citados pelo Mestre nos dois ensinamentos aqui comentados. Jesus veio ao planeta para implantar o amor universal, transformando este amor em uma “arma” para que o espírito use para alcançar a sua própria evolução. O “fogo” não é para queimar os outros, mas para que o espírito queime a si mesmo; a espada não é para ferir os outros, mas para “matar” a si próprio...

Jesus nos traz o amor universal para que ele queime o “ser humano” e deixe nascer de dentro dele o espírito que ali mora. Este é o objetivo da espada: “matar” o ser humano para que renasça, em vida, o espírito que habita o corpo humano. Para que aconteça esta transformação é necessário que o espírito coloque em prática os três componentes do amor universal: alegria, compaixão e igualdade.

O “fogo” trazido por Jesus deve “queimar” todas as tristezas e infelicidades para que a felicidade universal seja o guia do espírito.

As tristezas e infelicidades são geradas quando o ser humano não consegue contemplar os seus conceitos ou verdades individuais. Sempre que alguma coisa acontece e ele não concorda, por não achar “certo” ou “bom”, ele se entristece. Como o ser humano acha que os seus conceitos são sempre “certos” e “justos”, sempre que são contrariados, ele afirma que houve uma injustiça.

Para se alcançar a felicidade universal é preciso entender Deus como causa primária das coisas, ou seja, gerador de todas as situações que ocorrem. Quando se alcançar esta consciência, as injustiças se acabarão, pois compreenderemos que Deus é a Justiça Suprema do Universo.

Como uma causa justa pode gerar uma injustiça? Entendendo-se que todos os fatos são justos por natureza, mesmo contrariando o que cada um acha, pode o espírito anular o sentimento de injustiça que gera a infelicidade e a tristeza.

A felicidade universal só será alcançada quando o espírito abdicar de seus conceitos, ou seja, de seus valores para “certo” ou “errado”, entendendo que não é ele a causa primária das coisas, mas Deus, quem possui o conhecimento necessário para aplicar a Justiça Suprema.

O espírito que vive o amor universal não tem conceitos e por isso não acha nada “errado” ou “mau”, pois sabe que Deus não poderia praticar injustiças. Entretanto também não acha “bom”, pois este conhecimento depende de que ele conheça o “mau”...

Para o espírito que vive o amor universal existe apenas a Perfeição, pois além de ser a Justiça Perfeita, Deus também é a Inteligência Suprema e o Amor Sublime. Por isso, o espírito que nutre o amor universal encontra em cada situação a justiça, a forma e a bondade perfeita do Universo.

Assim, para alcançar a felicidade universal, o espírito precisa eliminar os seus conceitos e alterá-los pela real visão da ação de Deus em sua vida: causa primária de todas as coisas.

O espírito que não possui conceitos não vê “erros” nos outros e, portanto, aceita o modo de proceder de cada um.

Como os espíritos vivem em sociedade e, portanto, interagindo uns com os outros, quando procuram impor os seus conceitos, sempre trazem a infelicidade. Ter o amor universal é vigiar-se para não querer impor suas vontades aos outros, levando a infelicidade e a tristeza para eles.

É esta consciência que o amor universal traz. O espírito que nutre este sentimento tem a consciência de que fere os outros ao procurar sempre ganhar para alcançar o prazer, ou ao impor seus conceitos.

O espírito deve alcançar a consciência de que todos têm o direito de “achar” e fazer o que quiserem e estarão sempre “certos” dentro de seus conceitos. Por esta consciência, o espírito que nutre o amor universal não busca impor nada, nem mesmo que os outros espíritos não tenham mais conceitos...

Aquele que tem o amor universal entende que Deus não concede o livre arbítrio apenas para ele, mas que o dá a todos, gerando em cada um o “direito” de pensar, achar e fazer o que bem quiser.

Isto leva ao terceiro sentimento básico do amor universal: a igualdade entre todos. Apenas o espírito que não possui conceitos pode entender a igualdade entre todos.

Esta igualdade não deve se basear apenas em posses, mas no uso que cada um faz do seu livre arbítrio.

Quando se fala em igualdade, o ser humano pensa apenas no direito de todos possuírem as mesmas coisas materiais.

A igualdade é o direito a todas as posses, inclusive a posse moral, ou seja, a posse da verdade. O espírito que nutre o amor universal concede esta posse aos irmãos para que exista realmente uma igualdade entre todos. Ele não limita esta posse e aceita que cada um possua verdades distintas.

Enquanto o espírito possuir “verdades” ele não será igual, mas superior aos demais. Por sentir-se superior não conseguirá alcançar a consciência de que está ferindo os irmãos, espalhando, assim, a infelicidade e a tristeza que acabam com a felicidade universal.

 “vede, eis que estarei vigiando até que ele arda”

Jesus trouxe o amor universal, mas vigia para que ele seja compreendido e colocado em prática pelos espíritos na carne. A vida na carne é considerada uma prova para o espírito, na qual ele tem que responder a todas as questões com o amor universal. Desta forma, podemos entender a afirmativa acima como a informação de que Jesus está presente em cada momento da vida do espírito conclamando-o a responder corretamente a questão.

Jesus é um integrante da comunidade espiritual fora da carne que dá suporte aos espíritos durante a sua provação na vida carnal. Assim sendo, esta afirmação nos mostra que sempre o espírito está recebendo auxílio para poder responder com o amor universal. Este auxílio se dá através das situações que acontecem no dia a dia da vida carnal: são os acontecimentos diários da vida do ser humano que compõem as questões da prova que ele faz. Estes acontecimentos são provocados pela comunidade espiritual para que o espírito encontre neles a alegria, a compaixão e a igualdade entre todos.

Por este motivo deve o ser humano, a cada situação de sua vida carnal, responder sempre com estes três sentimentos a tudo que acontece. Cada vez que o espírito reage a uma situação com tristeza, sofrimento ou injustiça, está utilizando outro sentimento e não este amor universal.

É nesse momento que é providenciado mais um acontecimento, como uma nova chance, para que o espírito busque mais uma vez utilizar-se do amor universal e não de outros sentimentos. Todo este processo é comandado no planeta por Jesus, em nome de Deus, como vigilância para que o amor “queime” o ser humano e para que o espírito renasça.

Somente quando o espírito reagir de forma a manter a igualdade entre todos, tomando cuidado para não ferir ninguém e mantendo a alegria geral, o fogo do amor universal terá “ardido” no ser humano que existe, fazendo renascer o espírito.

A vigilância que Jesus exerce é constante e nada fica oculto, pois Ele conhece os sentimentos que serviram como base para o raciocínio que comandou o ato. Portanto, apenas quando o amor universal arder como fogo, poderá o espírito alcançar a sua evolução.

O evangelho segundo Tomé

Logia 11 - Mundo espiritual

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Logia 11 - 1
Logia 11 - 2

“011. Jesus disse: o céu passará e também passará aquele que estiver acima dele, e os mortos não estão vivos e os vivos não morrerão. Nos tempos que comíeis o que era morto, vós os tornáveis vivos; quando vierdes à luz, que havereis de fazer? No dia em que éreis um, vós vos tornastes dois. Mas, quando vos tornastes dois, que fizestes?”.

“o céu passará e também passará aquele que estiver acima dele”

Hoje podemos entender que Jesus não se referia ao céu físico, mas ao chamado “paraíso” ou “mundo espiritual”. O Mestre inicia afirmando que existem dois modos de se entender esse lugar, mas que estes entendimentos acabarão.

O primeiro “céu” é o entendimento dado pelos cristãos não espíritas. Segundo eles, o paraíso é um local onde os espíritos, após saírem da carne, irão para “dormir”, aguardando o dia do juízo final. Este é o primeiro “céu”, que acabou quando Kardec nos trouxe o entendimento da existência de uma “vida” espiritual após o desencarne.

Enquanto os antigos cristãos entendiam o “céu” como um lugar de sono profundo, o plano espiritual, através de Kardec, nos ensinou que existe uma atividade constante neste lugar para auxiliar os espíritos na carne e também como forma de evolução espiritual. Entretanto este novo “céu” ensinado por Kardec e pelos espíritos que trouxeram a literatura espírita depois dele, se assemelha à vida na matéria mais densa, onde, ainda se contempla a forma das coisas. Neste céu ainda existem casas, museus, departamentos, hospitais, escolas, etc, como formas físicas.

Como Jesus afirma, também este céu (de formas físicas) passará, ou seja, este foi um conhecimento necessário como intermediário entre o primeiro “céu” e o que viria depois dele. Isto aconteceu porque as transmissões da espiritualidade não podem dar “saltos”, ou seja, não podem ir além do conhecimento que o espírito na carne pode alcançar e precisa em determinados momentos de sua evolução.

Kardec já nos ensinou que as informações espirituais recebidas em seu tempo foram apenas para aquele tempo e que, quando o conhecimento da humanidade aumentasse, poderiam ser revistas.

O século XX marcou a maior época de evolução dos conhecimentos científicos da humanidade e a preparou para entender melhor as coisas existentes em densidades menores. Por isto está na hora de se acabar com o céu de formas físicas e conhecer mais uma versão, que ainda continuará sendo apenas a que o espírito na carne consegue alcançar e não a verdade definitiva.

Como explicado na “Segunda Verdade Universal”, o mundo dos espíritos não se compõe de forma, mas de essência. No céu, local de vida espiritual em qualquer densidade de matéria, os valores são determinados pela essência que o espírito atribui às coisas materiais e não pela forma destas.

Uma escola não precisa ter paredes, salas, carteiras, mas deve ser um lugar onde se concentram ensinamentos, porque a sua essência é o ensino. Enquanto o espírito estiver preso às formas das coisas, precisará de um lugar específico para estudar onde existam as formas que ele acha necessárias; quando entender a essência, encontrará o ensinamento em qualquer lugar.

No novo céu o espírito não necessitará de uma escola para aprender, mas onde estiver alcançará os ensinamentos que estão espalhados pelo Universo. Por isto, neste céu não existe a necessidade de paredes, quadro negro, carteiras...

Esta é a diferença entre o céu atualmente conhecido (de Kardec) e o novo céu. As construções, as cidades, não mais serão necessárias. Estes locais, como descrito, foram plasmados, ou seja, criados pela espiritualidade superior porque o espírito que ali vivia desconhecia a verdade da essência e ainda precisava de formas.

Quando Jesus afirma que este céu acabará, está dizendo que os espíritos aprenderão a conhecer a essência das coisas e que não mais necessitarão de forma para poder executar atos.

Após esta descoberta, o espírito poderá então alterar as essências que coloca nas coisas para atender aos ditames de Deus: amá-Lo, amar a si e aos outros. Apenas uma essência pode ser colocada em todas as coisas: o amor.

“e os mortos não estão vivos e os vivos não morrerão”

Mas este céu não poderá ser alcançado superficialmente: é necessário que o espírito pratique esta busca para alcançá-lo. É isto que nos ensina Jesus neste trecho.

Não é porque desencarnou, que o espírito conseguirá colocar a essência do amor nas coisas: é necessário já ter este amor para poder agir desta forma. Morto é todo aquele que não utiliza o amor como essência das coisas e não aquele que desencarna.

Os mortos não estarão vivos, ou seja, aqueles que não conhecerem o amor universal não conseguirão entrar neste novo céu. É preciso praticar os atos que Jesus praticou utilizando-se do amor universal, para poder entrar neste novo céu.

A vida na carne é uma prova, onde o espírito deve aprender a nutrir-se apenas do amor universal. A reforma íntima, ou seja, a alteração dos sentimentos que o espírito nutre, deve ser feita durante a vida carnal e não esperar para mudar-se depois do desencarne.

Somente alimentando-se do amor universal durante a vida carnal (estando vivo), o espírito conseguirá penetrar nesse céu (não morrer). Não existe transformação com a morte física: o espírito continua sendo o mesmo. Enquanto ele não alterar a essência que atribui às coisas durante a vida carnal, não conseguirá evoluir.

“Nos tempos que comíeis o que era morto, vós os tornáveis vivos; quando vierdes à luz, que havereis de fazer?”

A informação da existência da vida espiritual após a morte física acabou com a morte ou sono eterno do primeiro céu, tornando o espírito vivo depois da morte. Mas, como será que o espírito que não se reconhece como tal, ou seja, não entende que as coisas dependem da essência que cada um dá a elas e se vê como ser humano, preso à sua forma, reagirá quando se encontrar no céu? Naturalmente projetará uma vida material (o que sabe, está acostumado) para este lugar.

Ao criar as cidades espirituais, as casas, as ruas, os espíritos desencarnados agem como seres humanos em novo “lugar” de habitação, mas com todos os costumes da vida carnal. Entretanto, se analisarmos o comportamento dos espíritos superiores nestes locais conforme transcritos pela literatura espírita, estes se comportam de forma diferente. Eles não se sentem presos às formas das coisas, mas em tudo buscam essências ligadas ao amor universal.

É esta forma de agir que todo espírito tem que alcançar para poder encontrar-se no novo “céu”, pois se tudo depende da forma que se vê (essência das coisas), o “céu” será sempre igual àquilo que o espírito imaginar. Se um espírito imaginar que quando desencarnar irá adormecer, é justamente isso que irá encontrar: o sono profundo. Se ele imaginar que existem cidades, elas serão encontradas, mas se ele entender a essência destas coisas, encontrará apenas o sentimento e não a forma.

É o que Jesus pergunta neste ensinamento: o que você quer encontrar quando desencarnar? Não existe processo de transformação alguma com a morte física e, portanto, tudo aquilo que imaginar, certamente será encontrado, pois será plasmado pelo seu querer. Entretanto, enquanto o espírito não conseguir encontrar em todas as coisas a essência de Deus, o amor universal, não alcançará a evolução.

Esta é a verdadeira reforma íntima: saber dar a tudo que existe uma essência composta unicamente pelo amor universal.

“No dia em que éreis um, vós vos tornastes dois. Mas, quando vos tornastes dois, que fizestes?”

O espírito ao encarnar transforma-se em dois: um ser humano que tem dentro dele um espírito, que ele não sabe bem o que é.

Mas quando se transforma em dois, o que acontece? Ele se imagina dono da verdade, componente da raça comandante das coisas do planeta e se julga no direito de estabelecer normas através dos seus conceitos. Esta é a descrição do ser humano. É isto que o espírito faz quando se imagina um ser humano que reside em um mundo material, isolando-se de Deus, a quem prende nas igrejas e no “céu” para que não interfira na sua vida. Enquanto o espírito não trouxer Deus para o seu lado, a Ele creditando a causa primária de todas as coisas, não conseguirá encontrá-Lo.

Como encontrar Deus em um mundo que é tão “injusto”? Sempre acontecem coisas diferentes do que o ser humano deseja e, neste momento, ele acusa os outros de estarem errados ou serem maus e a Deus de deixar aquilo acontecer: Deus se torna a fonte da injustiça...

Como viver no “céu” vendo a vida desta forma? Para viver no “céu” é necessário que se encontre a Justiça Perfeita de Deus agindo sobre todas as coisas e isto só será possível quando o espírito abrir mão dos seus conceitos e entender que tudo o que acontece é perfeito e justo, mesmo que ele não entenda desta forma.

É a este isolamento que o espírito chegou em relação a Deus que Jesus se refere na pergunta acima. É isso que faz o ser humano, mesmo o religioso: vive isolado de Deus, levando uma vida independente, na qual se imagina capaz de fazer tudo sozinho. Assim, Deus foi “preso” nas igrejas, às quais recorre quando não consegue dominar a situação. Então, ali, pede a interseção do Pai, mas apenas para que aconteça o que ele quer e não que seja feita a vontade Dele...

De que adianta orar “seja feita a vossa vontade”, se quando Deus a faz o espírito não vê a Sua ação, mas acusa todo mundo de “calúnias”, “ofensas”? É necessário que o espírito entenda como ação de Deus tudo que acontece na sua vida que será, portanto, justo, perfeito e amoroso.

Isto é trocar a essência das coisas pelo amor universal. Apenas quando o espírito aplicar esta essência ele alcançará a visão espiritual, abandonando a cegueira material que confere essências diferentes às coisas. Apenas neste momento o espírito alcançará o novo “céu”, vivendo eternamente na felicidade universal!

O evangelho segundo Tomé

Logia 12 - Justiça e livre arbítrio

“012. Os discípulos disseram a Jesus: sabemos que te apartarás de nós. Quem será aquele que nos vai chefiar? Jesus disse-lhes: No presente estágio, dirigi-vos a Tiago, o Justo para que os assuntos do céu e da terra incorporem-se no ser”.

“Os discípulos disseram a Jesus: sabemos que te apartarás de nós. Quem será aquele que nos vai chefiar?”.

Os discípulos de Jesus, após a afirmação Dele de que em breve retornaria para a pátria espiritual, estavam preocupados em saber quem iria liderar a transmissão da Boa Nova trazida por Ele.

“No presente estágio, dirigi-vos a Tiago, o Justo”.

Jesus referia-se a Tiago, também seu irmão, filho do primeiro casamento de José e pedia aos seus discípulos que seguissem as suas instruções.

Tiago deixou escrito, então, um evangelho com todas as informações que Jesus lhe transmitiu.

Infelizmente, este evangelho ainda não está disponível para que possamos compreender perfeitamente os ensinamentos do Mestre, mas o dia chegará em que toda a verdade aparecerá. Enquanto não temos esse texto podemos, pelo menos, entender nesta passagem a essência da denominação dada por Jesus ao seu irmão: o justo.

Jesus com a Boa Nova, com o amor universal, veio ao planeta ensinar a justiça aos espíritos na carne e Tiago foi quem melhor a revelou.

Os seres humanos não conhecem o que é justiça, pois ela não existe no planeta Terra. O que é conhecido como “justiça”, na verdade pode ser chamada de “reparação” ou “punição”.

Fazer justiça de verdade é não deixar acontecer o que não deve acontecer. A “justiça” terrena só entra em ação depois que um fato aconteceu, obrigando o seu causador à reparação do ato através de uma punição.

Um exemplo comum do que o ser humano chama de “justiça” é quando alguém desencarna “vítima” de uma bala “perdida”, atingido “contra a sua vontade”. A justiça, nesse caso, para o ser humano, será tentar identificar um culpado para punir e lamentar a morte “injusta” de quem não precisava morrer daquele jeito... Ninguém consegue ver nessa “bala perdida” a justiça Divina, a “morte” de alguém que precisava desencarnar nesse dia, daquele jeito!

Analisando o conceito de “justiça” terrena, encontraremos a imagem que quase todas as religiões fazem de Deus: um Pai em um mundo isolado, longe, espiritual, que a tudo assiste sem poder interferir, aguardando o ato ser cometido para julgar o infrator e lhe impor uma reparação (reencarnação) ou uma punição (vida espiritual no umbral ou inferno). Atribuir a Deus a função reparadora e punitiva é compará-lo aos seres humanos que adotam essa “justiça”, é aplicar a “justiça” terrestre ao mundo espiritual...

Entretanto, existe um conhecimento que sempre foi transmitido por todas as religiões: Deus é JUSTO.

No “Livro dos Espíritos”, Allan Kardec nos traz o seguinte texto:

“É soberanamente justo e bom. A sabedoria providencial das leis divinas se revela nas menores coisas, como nas maiores, e essa sabedoria não permite duvidar da sua justiça, nem da sua bondade”. (Livro dos Espíritos – Comentários à pergunta 13).

É preciso entender que Deus age antes da ação acontecer, ou seja, Ele causa os acontecimentos. Este é o Deus que se revela nas menores e nas maiores coisas: Ele é a Causa Primária de tudo, inclusive dos nossos atos.

Somente com Deus causando as coisas, ou seja, agindo sobre as coisas materiais e os atos dos seres humanos, podem os espíritos alcançar um mundo realmente justo, onde só acontecem coisas perfeitas, pois a fonte destas coisas é a Inteligência Suprema do Universo.

Aparentemente, sem conhecermos todos os conhecimentos transmitidos pela Doutrina Espiritualista Ecumênica, chegamos à conclusão de que o ser humano é apenas um “fantoche” nas mãos de Deus...

Na verdade, Deus é tão magnânimo que concede ao espírito o livre arbítrio, não de atos, mas de sentimentos.

Todo espírito tem o direito de sentir o que quiser, mesmo que não use o amor universal. Com base no sentimento que o espírito busca para reagir a um determinado acontecimento é que Deus lhe dará um pensamento que o levará a praticar um ato. Se um ser humano nutre raiva por outro, Deus lhe dará um pensamento para que ele pratique atos que espelhem esta raiva.

Porém, para manter esta justiça suprema, Deus fará com que os pensamentos sejam canalizados para seres humanos que, por nutrirem sentimentos iguais, mereçam receber este sentimento de raiva e o ato conseqüente dele.

Aquele que nutre raiva não conseguirá praticar atos contra quem não mereça ou não precise recebê-los não havendo, assim, a injustiça.

Assim é a ação de Deus para promover a justiça suprema em todas as coisas.

Se um espírito merece, pelos seus sentimentos, receber atos que espelhem estes sentimentos, Deus providenciará para que os espíritos se encontrem e um dê ao outro o que merecem. Isto é justiça, mas como o ser humano não vê a ação de Deus e imagina que o pensamento é seu, acredita também que pode fazer o que quer, quando quiser...

 “Imaginamos injustamente que a ação dos Espíritos não deve se manifestar senão por fenômenos extraordinários. Quiséramos que nos viessem ajudar por meio de milagres e nós os representamos sempre armados de uma varinha mágica. Não é assim; eis porque sua intervenção nos parece oculta e o que se faz com seu concurso nos parece muito natural. Assim, por exemplo, eles provocarão a reunião de duas pessoas que parecerão reencontrar por acaso; eles inspirarão a alguém o pensamento de passar por tal lugar; eles chamarão a atenção sobre tal ponto, se isso deve causar o resultado que querem obter; de tal sorte que o homem, não crendo seguir senão seu próprio impulso, conserva sempre seu livre arbítrio”. (Livro dos Espíritos – Comentários à pergunta 525).

O ensinamento é antigo, mas o ser humano ainda continua esperando que os espíritos apareçam apenas para realizar coisas “sobrenaturais”. Na verdade, os espíritos estão constantemente ao lado dos espíritos encarnados transmitindo, por ordem de Deus, um raciocínio compatível com o seu sentimento e direcionando este pensamento para praticar os atos decorrentes dele em quem precise e mereça sofrer estes atos.

“Para que os assuntos do céu e da terra incorporem-se no ser”

Os seres humanos não conseguem perceber esta ação da espiritualidade, pois apenas se preocupam em enxergar com a visão do corpo físico, que permite “ver” somente as coisas na densidade material que ocupam. Por este motivo os espíritos encarnados separam o que é do “céu” e o que é da Terra.

Para o ser humano, a espiritualidade existe apenas no mundo espiritual e não na superfície densa do planeta. Aqui no planeta acredita-se que os assuntos são só daqui e que Deus nada interfere ou tem a ver com eles. É esta distinção entre o que é da Terra e o que é do “céu” que acarreta a sensação de injustiça que o espírito encarnado nutre neste planeta.

Para que os “assuntos do céu e da Terra” incorporem-se, é necessário que o espírito quebre esta barreira que separa o mundo espiritual do mundo material. Somente compreendendo em sua profundidade as “Cinco Verdades Universais” é que ele conseguirá visualizar a ação de Deus sobre o planeta, incorporando os dois mundos em um só. Para isto é preciso que o espírito compreenda e veja a justiça suprema de Deus em ação: tudo que acontece é justo, foi executado da forma correta e poderia ser pior, pois foi amenizado pela bondade suprema de Deus.

Sem entender esta vida com estes preceitos, os espíritos não conseguem alcançar a justiça das coisas e, por isso, perdem-se em um mundo onde não permitem a entrada Deus, a não ser quando não conseguem mais ter o controle das situações.

Por isto Jesus afirma que devemos ser guiados por Tiago. Em seu Evangelho estão contidos todos os ensinamentos que levam o espírito a compreender perfeitamente as “Cinco Verdades Universais”. Somente da posse deste conhecimento o espírito poderá incorporar definitivamente os assuntos do céu e da Terra e viver em um mundo de Justiça.

Enquanto o espírito imaginar que ele pode ser capaz de ser a causa primária das coisas que acontecem, estará separando os locais de habitação espiritual, bem como seus “assuntos”.

Enquanto existirem acusações, críticas ou mágoas causadas pelos “outros”, o espírito não conseguirá ver a ação de Deus em tudo e em todas as coisas e ainda achará injustiça.

O evangelho segundo Tomé

Logia 13 - Conceitos

“013. Disse Jesus aos seus discípulos: fazei uma comparação e dizei-me com quem me pareço. Simão Pedro respondeu-lhe: és como um anjo justo. Mateus lhe disse: és como um sábio. Disse-lhe Tomé: Mestre, meus lábios são totalmente incapazes de dizer-te com quem te pareces. Jesus disse: não sou teu Mestre porque bebeste e te tornastes ébrio com a fonte borbulhante que te desvelei. E ele o tomou, levou-o à parte e lhe disse três palavras. Quando Tomé tornou para junto dos companheiros, perguntaram-lhe: que te disse Jesus? E Tomé respondeu-lhes: se vos disser uma só das palavras que ele me disse, pegareis pedras e me apedrejareis; e sairá fogo delas e sereis queimados”.

“Fazei uma comparação e dizei-me com quem me pareço. Simão Pedro respondeu-lhe: és como um anjo justo. Mateus lhe disse: és como um sábio. Disse-lhe Tomé: Mestre, meus lábios são totalmente incapazes de dizer-te com quem te pareces”.

Ao questionar sobre com quem se parecia, Jesus estava fazendo um teste com seus discípulos: queria saber se eles ainda se imaginavam com capacidade de fazer julgamentos.

O espírito, que é a inteligência, possui um sistema através do qual exterioriza seus sentimentos: o raciocínio ou pensamento. Este sistema consiste em analisar as percepções recebidas através dos órgãos do sentido do corpo físico, chegando a uma conclusão que direcionará os atos a serem praticados.

No processo de análise, os espíritos recorrem a informações anteriores que se encontram armazenadas no que é conhecido como memória. Assim, a percepção de agora será analisada com base em decisões já tomadas em raciocínios anteriores que ficaram armazenadas nesta memória. A estas conclusões anteriores chamamos “conceitos”.

Os conceitos são, portanto, decisões que o espírito já tomou sobre determinados assuntos e que ficaram à sua disposição para futuras análises. Desta forma, quando um espírito experimenta, por exemplo, pela primeira vez uma fruta, promove uma análise de sabor, forma e cheiro, chegando a uma conclusão: gosto ou não. Quando novamente esta fruta for percebida pelos órgãos dos sentidos do corpo físico, o espírito recorrerá a esta decisão para saber se comerá ou não a fruta.

Podemos, então, afirmar, que os conceitos refletem o entendimento ou juízo que cada espírito faz sobre determinada coisa. São, portanto, verdades individuais e não exprimem a verdade universal.

Quando o espírito não gosta de alguma coisa ele diz que aquilo é “ruim” ou que “não presta”. Ao tomar esta decisão, ele está apenas se baseando em conceitos seus, ou seja, se o gosto o satisfaz ou não.

Mas a fruta que é boa para uns, também pode ser ruim para quem não gostou do seu sabor, forma e cheiro. Assim sendo, quem está certo: quem achou a fruta boa ou quem a achou ruim? Nenhum dos dois. A fruta não é boa nem é ruim, é apenas um alimento. O adjetivo que o ser humano coloca nas coisas é somente fruto de seus “conceitos”, do seu “achar” e não a verdade universal.

Para que o ser humano compreenda e se veja como um espírito que habita uma carne, é necessário primeiro que ele acabe com seus conceitos, com seu “achar”, com o seu “querer”. Só assim ele conseguirá entender o mundo de Deus, ou seja, a verdade universal sobre as coisas, pois, para tanto, é necessário que o espírito não adjetive nada. Uma fruta não é boa ou ruim, mas apenas uma fruta; uma pessoa não é feia ou bonita, mas apenas uma pessoa. Quando o espírito deixar de colocar seus conceitos sobre as coisas, poderá alcançar a essência que lhe revelará a sua verdade universal.

Por isto Tomé disse que seus lábios eram totalmente incapazes de dizer com quem se parecia Jesus. Ele era apenas Jesus e nada mais. Quando os outros apóstolos o compararam a outras coisas, utilizaram seus conceitos e julgaram Jesus. Sempre que um espírito utiliza-se de um conceito, ele está praticando um julgamento. Este modo de proceder não é compatível com um espírito elevado que reconhece em tudo obra de Deus e, por isso, sabe que ele mesmo não possui condições para analisar ou julgar.

Mesmo quando o resultado de um julgamento é positivo (certo, bom, bonito), ele não estará compatível com um espírito elevado, pois ainda refletirá o resultado de uma análise anterior. Se um espírito consegue ver que algo está certo, é porque ele comparou com outra coisa que imaginou estar errada. Só existirá o bom enquanto se conhecer o mal e o bonito por causa do feio.

“Jesus disse: não sou teu Mestre porque bebeste e te tornastes ébrio com a fonte borbulhante que te desvelei”

Este é o ensinamento de Jesus sobre o amor universal: não existe nenhuma outra verdade a não ser a verdade universal das coisas.

Quem quer manter a sua alegria e a dos demais não pode deixar de entender que todas as coisas vêm de Deus e por isso são justas, corretas e bondosas. Enquanto o espírito não se afastar dos seus “conceitos”, ele estará preso a uma verdade individual que criará a injustiça, o erro, a maldade, etc.

Só quando o espírito declarar que nada sabe, poderá alcançar a verdade universal das coisas, pois como Jesus ensinou na logia o5: “nada há de oculto que não haja de ser manifestado”.

Eliminando seus conceitos, o espírito não mais sofrerá, pois não haverá desejos próprios para serem contrariados. Quando ele aceitar todas as coisas que existem como provenientes de Deus, encontrará a alegria universal de participar de um universo justo, bondoso e correto.

Enquanto o espírito souber o que é certo ou errado, agirá com base nestes conceitos que certamente não serão os mesmos dos outros. Acabará ferindo os conceitos de seus irmãos, trazendo a eles o sofrimento. Sempre que o espírito colocar seus conceitos em movimento, estará ferindo outros espíritos. Por achar que está certo, acabará se sentindo superior aos outros e dessa maneira terminará a igualdade necessária entre todos para que se possa colocar em prática o verdadeiro amor.

Esta é a fonte borbulhante que Jesus disse que Tomé bebeu e se inebriou.

“E ele o tomou, levou-o à parte e lhe disse três palavras”.

Como Tomé havia bebido desta fonte, Jesus a revelou: alegria, compaixão e igualdade. Estas são as três palavras que Jesus falou a Tomé.

“Quando Tomé tornou para junto dos companheiros, perguntaram-lhe: que te disse Jesus? E Tomé respondeu-lhes: se vos disser uma só das palavras que ele me disse, pegareis pedras e me apedrejareis; e sairá fogo delas e sereis queimados”.

Depois que Tomé ouviu as três palavras de Jesus que designam os sentimentos de quem tem o amor universal, voltou aos seus companheiros e estes quiseram saber o que o Mestre tinha dito. No entanto, eles eram espíritos que ainda possuíam conceitos e, por isso, não teriam condições de compreender este amor.

O amor universal não pode ser alcançado através de palavras, mas deve “brotar no coração” de cada um.

De nada adianta ensinar aos espíritos que devem ter alegria, se para eles este sentimento só é alcançado quando tudo está de acordo com os seus conceitos. Na verdade, os espíritos que ainda possuem conceitos não conhecem a alegria, mas, apenas a satisfação pessoal e temporária. Eles dependem de que seus conceitos (achar, querer) sejam satisfeitos para que fiquem alegres. Por isto buscam sempre alterar as coisas do mundo para que elas satisfaçam seus conceitos e não procuram alterar seus conceitos para buscar a essência da verdade universal em todas as coisas.

É preciso que o espírito se altere para encontrar Deus e não fique apenas esperando que Ele se manifeste por meio de “milagres”. É preciso encontrar Deus nas coisas para poder sentir a Sua presença em tudo, suplantando a visão individual.

Se Tomé falasse aos outros discípulos o que tinha aprendido com o Mestre, os seus companheiros não aceitariam e a negatividade criada, voltaria a eles mesmos, (as pedras) e não atingiriam Tomé.

Enquanto o espírito possuir conceitos, ele próprio se “queimará” com os adjetivos que aplicar nas coisas. Sempre que houver um julgamento, seu resultado será também aplicado contra o acusador. É necessário que o espírito abandone seus conceitos para não se “queimar” com os julgamentos emitidos por ele próprio.

Entretanto, a verdade de que não se deve ter conceitos não pode criar um novo conceito: ninguém pode ter conceitos. O espírito que alcança a verdade universal das coisas reconhece o raciocínio conceitual e não obriga o emissor a se mudar, mas se altera para não ofendê-lo. O espírito que não possui conceitos aceita que todos possam tê-los, pois aceita a verdade de todos, sabendo que para cada um existe uma verdade...

O evangelho segundo Tomé

Logia 14 - Vigiai

“014. Jesus lhes disse: se jejuardes, pecareis contra vós próprios, se orardes, sereis condenados e se derdes esmolas, levareis malefícios a vosso espírito. E quando fordes a quaisquer terras, e, ao vaguear pelas redondezas, vos receberem, comei o que puserem à vossa frente, curai os que estiverem doentes em meio deles, pois o que entrar pela vossa boca não vos corromperá, mas o que sair de vossa boca, eis o que vos corromperá”.

“o que sair de vossa boca, eis o que vos corromperá”

Para que o ensinamento acima possa ser compreendido, é preciso que iniciemos a análise da frase acima, para depois estudarmos o texto todo.

A fala, o que sai pela boca, é um ato resultante do processo raciocínio que o espírito, a inteligência que habita o corpo, utiliza para se comunicar com o mundo exterior. As palavras são escolhidas pelo espírito para que representem a decisão tomada pelo raciocínio após a análise da percepção.

Entendendo-se que o processo raciocínio depende do sentimento que o espírito escolhe para reagir à percepção, podemos afirmar que a fala é um espelho deste sentimento, que a fala materializa o sentimento que o espírito escolheu.

Por isto Jesus afirma que o que sai da boca da pessoa é o que a corrompe: quando um espírito escolhe um sentimento negativo para reagir a uma percepção, ele está negativando tudo à sua volta, espalhando o sofrimento entre os outros espíritos.

Jesus nos ensinou em outras mensagens que o espírito deve viver vigilante de seus atos. Isto acontece porque o espírito que está preso a uma matéria não consegue entender os seus próprios sentimentos. Por diversas vezes engana a si mesmo, achando que pratica determinados atos decorrentes de determinado sentimento, mas na verdade está utilizando-se de outro. Portanto, para que o espírito entenda seus sentimentos, é necessário que esteja vigilante quanto aos seus atos, uma vez que eles são materializações do sentimento. Se um espírito nutre sentimentos negativos, o ato espelhará este sentimento.

Vigiar os atos é, antes de tudo, vigiar os pensamentos, pois estes o espírito consegue “enxergar” conscientemente; é preocupar-se com as “estórias” que são criadas dentro de nós mesmos a respeito de outros espíritos e outros fatos.

Quando um espírito percebe dentro de si mesmo uma estória, onde, principalmente, acusa outros espíritos, certamente não está utilizando sentimentos positivos. Toda acusação é oriunda do “eu acho”, pensamento que o espírito recebe para materializar um sentimento.

Entretanto, muitas vezes o espírito recebe estas estórias (pensamentos) achando que o objetivo é auxiliar seus irmãos. Ele imagina que acusa com o sentido de descobrir o “erro” e, assim, poder auxiliar as outras pessoas. Porém, antes de acusar, houve um julgamento e este não foi feito com base nas verdades universais, mas apenas nos seus conceitos particulares.

Para poder vigiar seus pensamentos, o espírito deve sempre fazer uma pergunta a si mesmo: “e daí?”.

“E daí, para que eu quero saber se aquela pessoa arruma a casa?”

“E daí, para que eu quero saber por que ela agiu daquela maneira?”

Estas perguntas auxiliam o espírito a se aprofundar na real intenção do raciocínio, ou seja, o sentimento utilizado para que esse raciocínio acontecesse.

Sempre que a resposta espelhar um sentimento ligado às “Quatro Âncoras” (ganhar/perder, prazer/desprazer, elogio/crítica, fama/infâmia), o sentimento utilizado como base para o raciocínio foi negativo. Todos os sentimentos que representam estas “âncoras” estão ligados ao “eu”, ao individualismo e, portanto, espelham um sentimento de posse, poder, uma negatividade.

Porém, se a resposta encontrada for a busca da alegria de todos, a consciência de que outras pessoas ou o próprio espírito não irão sofrer e se a igualdade for mantida entre todos, estará ligada ao “Amor Universal” e, portanto, espelhará um sentimento positivo.

 Esta é a vigilância que o espírito deve ter a cada segundo de sua existência, não importando em que densidade de matéria ele esteja ocupando. Só a prática do conhecimento do sentimento que move o raciocínio pode levar o espírito a não ofender nem magoar outros espíritos.

“se jejuardes, pecareis contra vós próprios”

O jejum sem o amor universal é um pecado que o espírito infringe contra ele mesmo, pois se trata de uma auto-flagelação, que pode trazer doenças consideradas pela espiritualidade como auto-extermínio, ou suicídio.

“E daí, para que eu quero fazer jejum?” Se a resposta for para cumprir uma obrigação, para satisfazer a Deus ou ainda para o embelezamento do corpo, o espírito estará utilizando sentimentos para trazer a sensação de ganho, prazer, busca de elogios e procurando a fama. Porém, se a resposta for para que sobre mais comida para os outros, para que não haja escassez de alimentos, aí, então, o espírito estará espelhando alegria universal, preocupação com o sofrimento dos outros e igualdade entre todos. Este jejum será considerado um ato de amor e o espírito não sofrerá conseqüências pela ausência de alimento.

“se orardes, sereis condenados”

Se o espírito perguntar “e daí?” quando estiver orando e encontrar na resposta a obrigação, ele não estará orando com amor.

Esta oração não levará o espírito a conscientizar-se das palavras que estará pronunciando e de nada adiantará a ele orar por horas seguidas, por exemplo o Pai Nosso, se ele não entender que a oração deve ser uma invocação, uma ligação com Deus. Na oração, o espírito deve se comprometer a praticar atos positivos para que possa receber as bênçãos de Deus.

O espírito ora, pedindo a Deus “venha a nós o Vosso reino”, mas quando Deus lhe dá o Seu reino, ou seja, as provas pelas quais o espírito deve passar, ele se rebela acusando Deus de injustiça. Pede que “seja feita a Vossa vontade assim na Terra como no céu”, mas depois se esquece disso e se acha auto-suficiente para viver uma vida na qual Deus não seja a Causa Primária de tudo.

O espírito pede a Deus que lhe dê “o pão nosso de cada dia”, mas depois acha que foi ele conquistou o seu salário, com seu próprio sacrifício...

Quando o espírito ora sem o sentimento do amor, ele se compromete a fazer diversas coisas, mas não pratica nenhuma delas. Por isto precisa passar por mais situações de sofrimento, trabalhar mais arduamente, receber mais ofensas, para, assim, aprender a colocar o amor nestes novos atos e também aprender a orar com o amor universal.

 “se derdes esmolas, levareis malefícios a vosso espírito”

Sempre que um espírito raciocina, ele propaga no Universo o sentimento que o gerou. Quando o ato oriundo do raciocínio se dirige a coisas materiais, elas se impregnam destes sentimentos. Por isto, quando o sentimento que levar ao raciocínio para se praticar a caridade tiver como base um sentimento negativo, este se impregnará no objeto da doação.

Sendo a caridade praticada com o objetivo de haver ganho pessoal com aquele ato, trazendo o prazer de ser elogiado, alcançando a fama, o material doado estará carregado de sentimento negativo. Este sentimento poderá contaminar o espírito que o receber.

Entretanto, se quem receber a caridade, recebê-la com amor, não merecerá receber junto a carga negativa e, por isto, Deus fará estes sentimentos serem devolvidos ao emissor

Se, porém, o recebedor da caridade merecer, esta carga negativa será distribuída igualmente entre o emissor e o receptor, pois eles assim merecem.

O sistema de vida na carne é baseado na ”Lei de Ação e Reação”. Todas as coisas que acontecem durante a vida encarnada do espírito são reações a ações que foram praticadas nesta ou em outras encarnações. Portanto, não existe certo ou errado, bom ou mal, mas acontece para os espíritos aquilo que eles mesmos propagaram. Toda a vida humana tem elos que interligam cada acontecimento como reação de um acontecimento anterior, na mesma polaridade (forma) e com a mesma intensidade.

Este conhecimento pode fazer o espírito alcançar a visão da Justiça de Deus, da Sua Inteligência Suprema e imaginar o Seu Amor Sublime. Quando alcançar estas três verdades, o espírito conseguirá entender a alegria universal, alcançará a consciência do sofrimento que poderá despertar nas outras pessoas e saberá o que é igualdade plena entre todos.

“comei o que puserem à vossa frente”

Apenas uma analogia de Jesus referente a proibições de consumo de determinados alimentos entre os judeus.

“curai os que estiverem doentes em meio deles”

Jesus não fala na cura física e sim na cura espiritual. Para que o espírito realmente possa “curar” outro é necessário que ele seja um distribuidor de amor, pois apenas este sentimento pode curar. Fazer a cura é transmitir o amor que eliminará os sentimentos negativos, trazendo, então, o espírito, para o reino do céu.

O evangelho segundo Tomé

Logia 15 - Filiação

“015. Jesus disse: quando virdes aquele que não nasceu de mulher, prosternai-vos de face no chão e adorai-o: ele é vosso pai”.

“quando virdes aquele que não nasceu de mulher”

O ser humano atribui a sua individualidade à forma da matéria. O preto, branco, mulato, negro, índio, oriental, árabe, judeu etc., são distinguidos uns dos outros por traços físicos.

Esta valorização da forma faz o ser humano se entender como a forma que o corpo físico tem. Uma vez que o ser humano se considera corpo, seu nascimento é o aparecimento desta forma física. Portanto, acha que ele foi gerado por uma mulher, depois da concepção que se deu por motivos biológicos.

Já quem se vê como espírito, compreende que não é a forma física, mas que o corpo, como matéria, é “o laço que retém o espírito; é o instrumento de que ele se serve e, ao mesmo tempo, sobre o qual exerce a sua ação” (Livro dos Espíritos, perg. 22).

Se o espírito não é a forma física, não pode ter sido gerado pelo parto, mas ter outra origem.

“78 – Os espíritos tiveram princípio, ou existem como Deus, de toda a eternidade?”

“Se os espíritos não tivessem tido princípio, seriam iguais a Deus, ao passo que eles são sua criação e submetidos à sua vontade.” ...

“81 – Os espíritos se formam espontaneamente ou procedem uns dos outros?”

“Deus os cria, como a todas as outras criaturas, pela sua vontade; mas ainda uma vez a origem deles é mistério”. (Livro dos Espíritos – Allan Kardec)

Estas duas respostas dadas pela espiritualidade no século XIX a Allan Kardec já transmitiram ao mundo carnal a origem dos espíritos: Deus.

Na pergunta 81 a resposta é ainda mais clara: o espírito não procede um do outro. Por esta procedência podemos entender a figura da mãe material: nenhum espírito nasce de uma mulher, pois já existia, antes do parto, na espiritualidade menos densa.

Por isso Jesus deixou diversos ensinamentos avisando que os espíritos que o seguissem teriam de abandonar suas famílias. O próprio Jesus questionou quem eram Sua mãe ou os Seus irmãos.

Quando o espírito acredita que nasceu de uma mulher, ele dedica a este espírito (a mãe), o amor que deveria creditar a Deus. Achando que a fonte de sua vida é o espírito a quem ele chama de “sua mãe”, por causa de seu nascimento, eleva-o acima dos demais irmãos em caminhada. Esta forma de proceder quebra a igualdade necessária entre todos para que exista o amor universal.

O espírito para viver com o amor universal não pode endeusar nenhum outro acima dele, mas dedicar este amor a Deus, o Criador Supremo. Portanto, aquele que se vê como espírito reconhece como seu pai e sua mãe o Pai Celestial, fonte de sua vida.

O ser humano que acredita que foi gerado pela mãe, busca diferenciação entre os demais espíritos na carne e cria as diferenças de amor entre as pessoas.

Para se ver como espírito já, deve o ser humano buscar a sua verdadeira origem no Pai Celestial, creditando-lhe o amor sublime que devota ao pai e à mãe material.

Para facilitar esta compreensão, temos que entender que, como alertado diversas vezes no Livro dos Espíritos, os seres humanos possuem diversas palavras que podem parecer sinônimos, mas que muitas vezes alteram o sentido do ensinamento. O conhecimento geral diz que Deus “cria” o espírito, mas esta palavra traz uma interpretação errônea. A criação por parte de Deus subtende que o espírito é obra, algo externo ao Pai. Na verdade, o espírito é gerado por Deus, ou seja, é uma individualidade que faz parte Dele. Somos filhos legítimos de Deus e não uma obra Sua. Esta é a visão que o espírito deve ter de seu nascimento: um parto divino.

O ser humano é, sim, obra de Deus. O corpo físico foi criado por Deus, na sua forma, para que servisse de instrumento aos espíritos nas suas provas, penas e missões que devem executar durante a vida carnal. Cada corpo não separa uma individualidade de matéria, mas serve ao espírito para vencer sentimentos negativos: o espírito que encarna em um corpo negro, não é negro, mas tem como prova suportar o racismo existente; o espírito que encarna como um índio, não possui aqueles traços, mas tem como missão preservar a natureza para os outros.

Na verdade, todo e qualquer grupo étnico é um grupo de espíritos que possui penas, provas ou missões afins. Por isto o corpo físico é obra de Deus, ou seja, Sua criação adaptada às necessidades do espírito.

“prosternai-vos de face no chão”

Aquele que se reconhece como espírito nutre o amor universal e, portanto, deve ser seguido para que este amor contamine aqueles que não o tem.

O espírito que sabe que nasceu de Deus possui a verdadeira alegria: a universal. Para ele não existe necessidade de ter seus conceitos satisfeitos para ser alegre, pois tem a consciência do direito dos outros. Esta alegria acaba com a posse, pois o espírito que reconhece em Deus o seu Pai, sabe que ele é filho do Dono de todas as coisas e que por isso elas já são suas também. Ele não precisa possuí-las, pois reconhece que já as tem, mesmo sem estar em seu poder.

Não é preciso ter a flor dentro de casa para se alcançar a alegria, pois ela já estará dentro de todos aqueles que a olharem. O espírito, ao observá-la, guardará dentro de si o sentimento que dela emana e, assim, com ela permanecerá o todo o tempo. O ser humano, que se preocupa com a forma, necessita arrancar a flor para admirá-la sempre e para alcançar a alegria.

O espírito possui a essência das coisas dentro de si mesmo, enquanto que o ser humano necessita da forma para lhe trazer o sentimento.

Quem tem o amor universal tem uma preocupação constante: o sofrimento que pode causar a outro e a si mesmo. Não possui conceitos, pois sabe que precisará satisfaze-los para alcançar a felicidade e, com isso, certamente trará infelicidade para outros.

Aquele que se considera espírito não discorda dos outros e nem encontra certo ou errado, bom ou mal, pois sabe que na essência todos os espíritos são puros e inocentes como na sua origem. Ele sabe que a forma de proceder dos seres humanos não é por “maldade”, mas baseada na necessidade da contemplação de seus conceitos.

Todos são iguais, todos são filhos de Deus e aquele que se reconhece como espírito conhece esta verdade.

Quem já se sabe espírito, não menospreza quem ainda não alcançou esta verdade porque sabe que ela já existe dentro de cada um: falta apenas vencer os conceitos para poder exteriorizá-la. Com este raciocínio, o espírito não critica seu irmão mas procura auxiliá-lo a encontrar seu verdadeiro “eu espiritual”. Não aceita a posição de líder ou de mestre, mas de um amigo que quer caminhar de mãos dadas em direção ao Pai.

Por isto Jesus nos avisa que esse espírito deve ser seguido e acatado. Estar junto com espíritos que se reconheçam como tal facilita a missão de quem ainda não exteriorizou o conhecimento que já possui.

“ele é vosso pai”

É desta forma que Deus age na direção da vida dos espíritos: Ele está sempre preocupado em trazer a alegria aos seus filhos, não satisfazendo seus conceitos, mas dando-lhes aquilo que os faça evoluir.

Sem que o espírito tenha a consciência do sofrimento que pode causar aos outros, não consegue evoluir, por isto, Deus lhe coloca situações onde ele receba os mesmos sentimentos que emitiu para, através da própria experiência, conseguir alterar-se.

Deus trata cada filho como “filho único”. Ele dispensa a cada um uma atenção particularizada, não priorizando um face ao outro. Nunca um espírito poderá carregar a cruz de outro, ou passar o que o outro deve passar. A cada um Deus dá de acordo com as suas obras.

O evangelho segundo Tomé

Logia 16 - Paz

“016. Disse Jesus: os homens possivelmente pensam que vim para derramar a paz sobre o mundo, e o que eles não sabem é que vim para derramar a discórdia na terra, fogo, espada, guerra. Haverá pois cinco em uma casa: três estarão contra dois e dois estarão contra três, o pai contra o filho e o filho contra o pai, e eles serão solitários”.

“os homens possivelmente pensam que vim para derramar a paz sobre o mundo”

O ser humano não conhece a verdadeira paz.

“PAZ – Ausência de lutas, violências ou perturbações sociais, ou de conflito entre pessoas”. (MINI DICIONÁRIO AURÉLIO – 3a. Edição)

Para que essas ausências possam ser alcançadas, o ser humano exige que os seus conceitos sejam satisfeitos, pois só assim consegue viver em paz. Porém, sempre que um ser humano consegue ver realizados os seus conceitos, é porque outros não o conseguiram.

Desta forma, podemos dizer que para um ser humano estar em paz é necessário que outros se submetam aos seus desejos. A contrariedade oriunda desta submissão pode até ficar apenas “dormente”, mas em determinado momento voltará a crescer e, mais uma vez, a paz terminará até que haja submissão de alguém.

Por isto Jesus nos diz que Ele não veio trazer a paz. O amor universal não pode servir para submeter os outros e sim para eliminar os conceitos de cada um para, então, atingir a verdadeira paz: aquela na qual todos serão vencedores.

Jesus não veio para contentar grupos ou correntes e sim para trazer o instrumento de que todos os espíritos devem se utilizar para eliminar os seus conceitos para alcançar a paz. Quando não há conceito que exija que as coisas aconteçam da forma que o ser humano quer, ele aceita pacificamente que todos façam o que bem quiserem.

É o fim da posse da terra, da posse moral sobre os outros (certo/errado). Viver com o amor universal passa necessariamente pelo fim de qualquer posse que o ser humano possa ter. Nada mais sendo propriedade, as lutas cessarão.

A paz sempre é quebrada quando alguém quer possuir alguma coisa. Todas as beligerâncias entre povos ou pessoas, são com a intenção de manter a posse exigida pelo conceito existente. A paz real não necessita de vitória de qualquer dos lados para ser conquistada, pois não há nada a ser conquistado.

“e o que eles não sabem é que vim para derramar a discórdia na terra, fogo, espada, guerra”.

Para eliminar conceitos existentes, os espíritos precisam guerrear, não contra outros, mas consigo mesmos. Precisam estar vigilantes em seus sentimentos para que não caiam na tentação de possuir coisas. Por isto Jesus disse que veio para derramar a discórdia e trazer o fogo, a espada e a guerra.

Para sentir o amor universal é preciso que o espírito discorde dele mesmo, ou seja, do que ele “acha” que é, pois todos os conceitos são opiniões pessoais que o espírito tem que combater ferozmente para aceitar que outros pensem de forma diferente.

 Jesus não veio para trazer a discórdia entre os homens, mas sim entre o espírito e ele mesmo. É preciso que o espírito discorde de si mesmo, dos seus conceitos, para que alcance a verdade universal das coisas. Enquanto ele estiver atrelado às suas opiniões não conseguirá ver que todos estão certos, pois ele imagina que só ele está correto.

É o fogo do amor universal que deve queimar todos os sofrimentos oriundos dos conceitos que determinam o que é certo ou errado. Esta alegria deve servir de espada para ferir mortalmente todos os sofrimentos ou angústias que advêm quando o conceito não é premiado. Para isto é necessário que o espírito esteja vigilante e tenha a consciência de que aquela forma de entender as coisas não passa de um conceito.

Esta é guerra que Jesus vem trazer: a guerra íntima que levará à reforma.

A compaixão, que é um dos sentimentos básicos do amor universal, tem que servir como base para que o espírito discorde de si mesmo e assim não cause sofrimento aos outros. Esta consciência deve servir como “fogo para queimar”, ou espada para eliminar todos os conceitos que possam ferir os seus semelhantes.

Estar em guerra consigo mesmo é vigiar, não permitindo que sentimentos negativos possam servir de base para raciocínios que causem sofrimento aos outros.

Aquele que nutre o amor universal possui a visão que leva à igualdade entre todos. Esta igualdade tem que servir ao espírito para discordar quando perceber que os seus conceitos estão querendo transformá-lo em superior ou inferior aos outros. Quando isto acontecer, a igualdade deve “queimar” este sentimento, eliminando o conceito que busca ganhar algo para manter a sua satisfação pessoal, através de um elogio que o torne “famoso”, “conceituado”. Utilizando a igualdade entre todos, o espírito pode acabar, com um “golpe mortal”, com o conceito de superioridade.

Foi isto que Jesus trouxe ao planeta e seus ensinamentos não devem servir para que o espírito julgue e condene os outros, mas sim para que se vigie e promova consigo mesmo as batalhas necessárias para a sua reforma íntima. Só desta forma o espírito encontrará a paz.

O ser humano, aquele que dá vazão aos seus conceitos, necessita transformar os conceitos dos outros para que estes passem a entender e agir como ele, pois só assim ele encontrará a paz. Como isto não acontece, ele subjuga, pela força, os conceitos alheios e pensa que foram alterados. Entretanto, mais cedo ou mais tarde, a necessidade dos outros de satisfazerem seus próprios conceitos subjugados voltará e, então, nova imposição acontecerá...

Por este motivo a “guerra” não acaba entre os povos e as pessoas do planeta. Esperam que o fim seja sempre uma vitória de uma das partes, mas o amor universal não pode dar vitória a ninguém, pois sabe que assim estará causando sofrimento ao perdedor e tornando-o inferior.

“Haverá, pois cinco em uma casa: três estarão contra dois e dois estarão contra três, o pai contra o filho e o filho contra o pai.”

Só quando o espírito se cansa de nutrir os sentimentos de sofrimento é que ele procura alterar-se para parar de sofrer. Por isto é que Jesus se encarrega de aproximar pessoas com conceitos diferentes para que elas se ataquem até entender que nunca haverá vencedor ou vencido, pois não há superior ou inferior.

Sempre em um mesmo grupo serão reunidos espíritos que possuem conceitos diferentes e a reforma íntima estará em se consagrar o amor universal entre eles e não em procurar o domínio do conceito dos outros.

Esta é uma situação que o espírito tem que passar para provar que já possui o amor universal, para que alcance a evolução espiritual e possa auxiliar seus irmãos na escalada. Jesus disse que somos o sal para a humanidade, ou seja, o tempero da vida dos outros!

Compete ao espírito aprender a abrir mão de seus conceitos para poder temperar a vida dos outros com um bom sabor, mas enquanto ele quiser que a vida dos outros seja regida pelos seus conceitos, o espírito estará temperando essa vida com sabor diferente do que realmente deveria ter.

Isto ocorre em todos os grupamentos de espíritos, inclusive no familiar. Como já transmitido aos espíritos na carne, este é o maior campo de provas de um espírito. É aí que estão reunidas pessoas com conceitos opostos para que uma aprenda a aceitar a outra da maneira que ela é.

O pai deve educar o filho, mas não para o que ele acha que deve ser e sim para que esse espírito evolua sem conceitos, nutrindo o amor universal. O filho deve protestar contra os argumentos paternos baseados no conceito “eu acho que deve ser assim”. Entretanto todos os dois devem percorrer este processo sem se ferir. Para que isto aconteça é necessário que não existam conceitos pré-definidos. Tudo sempre estará “certo” desde que feito com alegria, sem “ferir” os outros e mantendo a igualdade entre todos e tudo estará sempre “errado” quando causar sofrimento e for imposto pela superioridade oriunda do exercício do poder.

“e eles serão solitários”

O espírito que nutre o amor universal é um solitário. Isto não quer dizer que ele sofra de solidão, mas sente-se desta forma porque entende que ninguém lhe acompanha nesta jornada.

A quebra dos conceitos é uma luta solitária, que o espírito tem que travar consigo mesmo. O “fogo” do amor universal deve ser colocado no que o espírito tem de mais íntimo: o seu pensamento; a “espada” do amor universal deve exterminar o pensamento que julga atos, fatos e pessoas, pois sabe que neste julgamento o código usado é formado pelos conceitos pré-existentes.

 Por tratar-se de uma luta íntima, apenas o próprio espírito poderá travá-la, pois ninguém pode alterar os seus conceitos, a não ser você mesmo...

Para esta batalha foi que Jesus nos ensinou o amor universal.

É necessário vigilância nos pensamentos para afastar todos os sentimentos que causem sofrimentos, sabendo que eles provêm de conceitos não contemplados; é necessário que se eliminem todos os pensamentos que possam provocar sofrimento aos outros, sabendo que isto acontece porque os outros não concordam com você; é preciso “queimar” os pensamentos que tragam uma visão de superioridade ou de inferioridade, uma vez que estes dois sentimentos são apenas conceitos,

Este é o amor universal que Jesus trouxe e praticou e continua vigilante para que ele continue “ardendo” e “queimando” todos os conceitos.

O evangelho segundo Tomé

Logia 17 - Vida de Jesus

“017. Disse Jesus: dar-vos-ei o que os olhos jamais viram e os ouvidos jamais ouviram e as mãos jamais tocaram, e o que nunca brotou do coração do homem”.

Jesus fala de sua missão, ou daquilo que veio ensinar aos espíritos na carne. A melhor descrição desta missão pode ser encontrada em dois trechos do Evangelho Canônico de João:

“Ele (Jesus) tinha a vida em si mesmo, e essa vida trouxe a luz para os seres humanos. A luz brilha na escuridão, e a escuridão não conseguiu apagá-la”. (1, 4-5)

“A Lei foi dada por meio de Moisés, mas o amor e a verdade nos vêm por meio de Jesus Cristo”. (1, 17)

A missão de Jesus, também chamada de Boa Nova, foi trazer a luz para o planeta. Esta luz João chama de “amor e verdade”. Podemos, então, dizer que Jesus veio trazer o amor e a verdade sobre as coisas. Entretanto, como o próprio Mestre afirma, este amor não pode quebrar as leis existentes transmitidas por Moisés. Todos os dez mandamentos continuam valendo, mas Jesus nos trouxe a verdade de como cumpri-los.

A lei mosaica é um conjunto de normas que buscam indicar caminhos para os atos praticados pelos espíritos, porém Moisés apenas relacionou as atitudes que deveriam ou não ser tomadas, não ensinou aos espíritos como fazer ou não fazer. Jesus trouxe a verdade, ou seja, o que deve ser feito para não se praticar os crimes contra as leis de Deus: AMAR.

De nada adianta criar uma lei que proíba matar, pois esta lei já existe há muito tempo e, mesmo assim, os assassinatos não acabaram. Isto acontece porque, para não matar é necessário amar e isto foi o que Jesus veio ensinar: a Boa Nova, o amor, que é a verdade de todas as coisas, ou seja, a ação verdadeira que impede que o espírito cometa erros perante as leis de Deus.

Aquele que possui o amor universal não mata, pois sabe que assim acabará com a alegria de muitos outros espíritos. Tem consciência do sofrimento que pode causar aos outros com o seu ato. Entende que este ato seria uma prova de superioridade, pois demonstraria o poder sobre o destino do outro espírito.

Só com o sentimento do amor universal o espírito pode deixar de cometer “crimes”. Enquanto existir apenas uma lei que determine que o ato não pode ser praticado, mas não leve o espírito a tomar consciência de que não pode praticá-lo, ele não entenderá. O sentimento nutrido pelo espírito é que o levará ao ato, e enquanto ele tiver qualquer outro sentimento que não o do amor universal, os atos praticados corresponderão ao seu “desejo”.

Esta é a verdadeira Boa Nova, a verdade de todas as coisas. Quem ama não adultera, não mata nem rouba, pois tem a plena consciência do sofrimento que causará. Por isto Jesus afirma:

“Não pensem que eu vim acabar com a Lei de Moisés e os ensinamentos dos profetas. Não vim acabar com eles e sim dar o verdadeiro sentido deles”. (Mateus – 5,17)

Os sentimentos básicos (alegria, compaixão e igualdade) do amor universal explicam ao espírito porque ele não deve apenas praticar os atos contidos na lei mosaica, mas entender o verdadeiro sentido dela, trazendo a verdade para o planeta. Depois de Jesus, estas leis continuaram e continuam válidas, mas o Mestre trouxe a verdade, os sentimentos necessários para que se alcance a consciência que leve à prática do amor universal.

O amor universal conscientiza o espírito a não praticar determinados atos para não ferir a alegria universal, para não disseminar a tristeza e para não impor ou submeter vontades a outros.

“dar-vos-ei o que os olhos jamais viram e os ouvidos jamais ouviram e as mãos jamais tocaram, e o que nunca brotou no coração do homem.”

Mas, Jesus não só ensinou: Ele praticou. Como disse João, Jesus é o “verbo”, ou seja, a ação. Todos os atos que Ele executou durante a sua passagem na carne foram baseados nos alicerces do amor universal.

Quando Pilatos e os membros do Sinédrio perguntaram a Jesus se Ele era o rei dos judeus, Ele respondeu: “você o está dizendo”. Isto não foi apenas humildade, mas a consciência de que não adiantaria discutir, pois o conceito já estava formado...

Ao alimentar e curar aos sábados Jesus estava provando que os homens não entenderam a lei de Deus, pois afirmou: “se vocês soubessem o que as Escrituras Sagradas querem dizer quando afirmam: - Eu quero que sejam bondosos ...”.

Os seres humanos transformam a lei em conceito, mas se esquecem que acima dela está o amor. Jesus veio exatamente para mostrar que lei alguma pode causar sofrimento para ser cumprida, mas que deve ser seguida com a consciência de praticar ou não o ato.

Na aparente negação de sua mãe e irmãos, Jesus nos ensinou a igualdade. Quando afirma que todos são seus irmãos, Ele mostra que todos somos filhos do mesmo Pai. Com isto ensina a igualdade entre todos.

Quando Jesus afirmou a Judas no momento do beijo: “amigo, o que vai fazer faça logo”, exemplificou o seu próprio ensinamento sobre o sal da humanidade, pois entendeu que estava na carne em missão e que era necessário acontecer o que estava acontecendo, para que a vida de muitos outros espíritos na carne fosse temperada com bom sabor. Isto não foi só desprendimento, mas acima de tudo, um ato de fé, de entrega a Deus. Quando Jesus entregou-se ao calvário sem resistência, submeteu-se à vontade de Deus. O espírito que luta para dominar o seu destino não possui fé, pois não se entrega ao Pai.

Ao expulsar demônios que estavam obsediando espíritos na carne, Jesus nos deu uma prova de que todos podemos expulsar o mal que aflige os outros e a nós mesmos, mas para isso é preciso ter “autoridade”. Esta autoridade, segundo Jesus, provém de Deus, do “Espírito de Deus”. Somente quando o espírito nutrir o amor universal e estiver nas graças de Deus, poderá livrar-se dos sentimentos negativos. Estes sentimentos (“demônios”) são atraídos para o espírito porque ele mesmo os possui e os utiliza.

No templo, Jesus expulsou os comerciantes e nos provou que a compaixão deve ser a consciência do sofrimento causado, mas não pode passar pela benevolência de não alertar aqueles que estão com sentimentos “errados” (negativos). Quando Jesus expulsou o “demônio”, deu um alerta, causando um sofrimento momentâneo, mas evitando, futuramente, um sofrimento maior. Sempre que um espírito conseguir perceber que outro está utilizando um sentimento negativo, deve alertá-lo.

Já na cruz Jesus pediu ao Pai que perdoasse os seres humanos que o negaram e mandaram para a crucificação e, ao afirmar que pedia isto porque eles não sabiam o que faziam, Jesus ensinou o verdadeiro perdão. Perdoar não pode ser um ato baseado na superioridade, de uma forma magnânima. Perdoar não pode ser afirmar que aconteceu um erro que será relevado, porque isto já pressupõe um julgamento (para achar um erro é preciso antes julgar o ato). Jesus disse que eles não sabiam e, assim, entendeu que os homens não haviam cometido erro algum. Este é o verdadeiro perdão: não ver erros.

Curando o filho de um oficial romano, Jesus exemplificou que o espírito não pode ser separado por raças, cor, sexo ou religião, mas que todos são filhos de Deus.

Nada disso tinha ainda sido feito sobre o planeta e por isso nenhum ser humano tinha presenciado ou ouvido. Jesus veio para transmitir e exemplificar a Boa Nova e para que o espírito passa a viver com o mesmo amor que Jesus viveu, é necessário que ele pratique as mesmas coisas e sinta o mesmo sentimento.

Por isto o Mestre afirma que Ele veio para ensinar o que jamais brotou do coração do homem. É necessário que exista o sentimento para que o espírito possa praticar a Boa Nova. Não adianta o ser humano ser um seguidor de leis se esta forma de proceder lhe traz sofrimento. De nada adianta não adulterar com a mulher do próximo, mas desejá-la, não roubar as coisas dos outros, mas ter cobiça, não matar, mas odiar.

Os sentimentos são atos espirituais assim como a fala é um ato material, pois se expandem no universo a partir do momento que são sentidos. As ciências humanas podem não alcançá-los, pois não os conhecem, mas Deus que a tudo vê, sabe que eles foram emitidos. A Boa Nova não é um conjunto de leis ou obrigações de um espírito, mas sim um sentimento. Através desse sentimento o espírito se conscientiza para a necessidade de se vigiar para não mais emitir determinados sentimentos que poderão provocar o sofrimento ou a desigualdade entre todos.

Jesus ensinou a Boa Nova, mas também a exemplificou. O que aconteceu é que até hoje os seres humanos ainda utilizam o nome de Jesus para praticar atos que ferem frontalmente seus ensinamentos. Isto acontece porque sempre entenderam a Boa Nova como um “conjunto de leis” e não buscaram a sua essência: o AMOR UNIVERSAL.

O evangelho segundo Tomé

Logia 18 - Vida espiritual

“018 – Os discípulos disseram a Jesus: diz-nos como será nosso fim. Jesus lhes disse: descobristes então o princípio para que possais perguntar sobre o fim? Bendito aquele que se mantiver no princípio, pois que não provará da morte”.

 “diz-nos como será nosso fim.”

Os apóstolos, assim como todos os seres humanos, estavam preocupados com o que aconteceria após a morte carnal e questionaram Jesus como seria a vida espiritual após esta transformação.

“descobristes então o princípio para que possais perguntar sobre o fim?”

Aquele que se entende como ser humano imagina que seu “início” se dá com o nascimento no parto. Ele não consegue ver que já existia anteriormente como espírito. Foi o que Jesus perguntou: se eles reconheciam este seu princípio.

 O ser humano, para poder entender a vida depois da carne tem que se ver como espírito e viver a vida material como tal, ou seja, com valores espirituais. Aquele que não aprender durante a vida carnal esta verdade espiritual, não conseguirá entender a vida depois da carne e por isso acabará vivendo da mesma forma que vive na matéria mais densa. O espírito que desencarnar imaginando-se ser humano, ou seja, vivendo pelos seus conceitos, continuará a aplicá-los no plano espiritual. Como não existe “mágica” de transformação com o desencarne, o espírito continuará a achar que é o mesmo, ou seja, continuará a se sentir um “ser humano”.

Como já afirmamos, o espírito é a “inteligência” que habita o corpo denso e se comunica com o mundo exterior pelo processo raciocínio. Esta “inteligência” conterá os mesmos elementos, fora ou dentro da carne. Não existe depuração de “entendimentos” porque houve alteração na matéria densa.

Por isto é necessário que o espírito se altere já, ou seja, passe a compreender a vida dentro da visão espiritual, ou seja, a busca da essência e não da forma. Enquanto o espírito estiver apegado à forma permanecerá com esta mesma visão das coisas, mesmo fora da carne. O espírito que necessita de coisas materiais (forma) irá buscá-las depois do desencarne. A literatura espírita nos mostra exemplos disto com espíritos desencarnados que permanecem dentro de suas casas para protegê-las dos assaltantes e que continuam levando uma vida “normal” como encarnados...

Este também é o motivo das obsessões. Um espírito obsedia outro quando se sente ofendido por ele. Imagina que foi cometida uma injustiça e, quando desencarna, continua com este conceito. Procura então, o “inimigo” e aplica nele sentimentos negativos, como fazia na carne, através do mesmo processo: o raciocínio. Porém, isto ocorre porque o espírito não entende que ninguém pode fazer “mal” a outro, mas que tudo que acontece tem uma origem: Deus. Assim sendo, os atos que foram praticados “contra” ele, foram determinados por Deus na sua forma e intensidade, porque ele merecia ou precisava e não pelo livre arbítrio do ofensor.

É necessário compreender que tudo que acontece conosco é ordenado pelo Pai, como um ato de justiça. Esta compreensão não se alcança apenas pelo desencarne, mas através da reforma íntima.

A reforma íntima que todos os espíritos são convocados a fazer é a troca dos seus sentimentos. Esta troca só poderá ocorrer quando os conceitos que levam ao conhecimento do certo/errado, feio/bonito, bom/mal forem eliminados. O espírito redimido não possui mais estes conceitos e consegue viver na plenitude da felicidade universal.

Mas, como se formam estes conceitos de certo/errado, feio/bonito, bom/mal, etc.?

Todas as regras que formam os conceitos são transmitidas ao espírito recém encarnado a partir do “nascimento” pelos seus pais, família, sociedade, amigos, professores, ou seja, por aqueles que os possuem. O homem é o fruto do seu “meio”, diz o conhecimento atual, ou seja, o homem é fruto dos conceitos do seu “meio”.

Quando a mãe ensina ao filho que existe “hora de comer”, está passando um conceito. A única hora certa para se alimentar é quando chega a fome. Por comodismo ou conforto, o ser humano cria uma hora certa para comer e nem se preocupa se naquela hora está com fome ou não: isto é um conceito.

Este ser humano não se alimenta, mas ingere alimentos, o que é diferente. Alimentar-se é dar ao corpo o que ele precisa na hora que ele precisa. Como o homem não espera este momento, ingere alimentos que muitas vezes sobrecarregam a digestão. Como o seu sentimento ao alimentar-se não foi fome, mas obrigação de comer por estar na hora, este sentimento irá causar problemas digestivos.

O filho aprende que tem hora para dormir, para brincar, para passear, para tudo, mas não consegue fazer isto na hora que os pais querem porque, como espírito não conceituoso, não tem o sentimento que o leve a praticar o ato. Então os pais transmitem para ele o sentimento de obrigação, que, se não cumprido, gerará uma “pena”. Neste momento o espírito recém encarnado aprende que deve possuir conceitos para não sofrer...

Crescendo, a sociedade lhes ensina que para ser homem ou mulher tem que seguir alguns conceitos. O homem tem que brincar de carro e menina de boneca, o homem deve vestir azul, a menina rosa. Desta forma ele estará recebendo os conceitos que “montarão” um mesmo ser humano conceituoso, como o que o ensinou. Com isto, os seus sentimentos vão se alterando.

Esta forma de proceder altera a compreensão que o espírito tem da essência das coisas, pois muda o sentimento que ele possui. Aquele espírito que recém encarnou, cheio de amor, passa a ter como base de raciocínio a obrigação. Aprende que apenas quando os conceitos são satisfeitos existe a felicidade. Por este motivo começa a praticá-los de forma espontânea e habitual. “Morreu” o espírito e nasceu o ser humano...

É a isto que Jesus se refere quando questiona os seus discípulos se eles “descobriram o seu princípio”. Quando o espírito se transforma em ser humano esquece da espontaneidade com a qual praticava as coisas quando era “criança” e só compreende a obrigatoriedade.

É necessário que o ser humano retome aquela forma de ser (sem conceitos), para que possa saber como viverá depois do desencarne.

O espírito quando encarna permanece ainda por um bom tempo (aproximadamente sete anos) sendo assistido diretamente por outro espírito que lhe acompanhará durante toda a jornada na matéria densa: o amigo de encarnação ou anjo da guarda. Por esta assistência, o espírito encarnado encontrará mais facilmente os sentimentos mais puros para que deles possa alimentar-se. Eis a razão pela qual a criança até esta idade, geralmente, não guarda raiva, rancor, frustrações. Ela está sempre de bem com a vida, encontrando a felicidade em todas as coisas.

A partir da idade de sete anos, o espírito começa a sua independência na vida carnal e o livre arbítrio da escolha dos sentimentos se inicia. É neste momento que todas as “regras” colocadas começam a gerar a busca dos sentimentos negativos e os conceitos são formados. Hoje esta idade já é menor, mas o processo ainda é o mesmo.

Por este motivo Jesus afirmou na logia 04 que o homem envelhecido, o ser humano, deve perguntar a um recém nascido sobre o lugar da vida.

“Bendito aquele que se mantiver no princípio, pois que não provará da morte”.

O ser humano que conseguir entender a verdade que ele é um espírito que existia antes do seu “nascimento”, será bendito por Deus. Este sim conseguirá manter-se “criança” até o fim de sua encarnação e, por isso, não passará por um processo de transformação: saberá viver como espírito agora e após o desencarne.

Este é o objetivo inconsciente do ser humano quando sonha com a “juventude eterna”. Não se trata de buscar a juventude da forma, mas a juventude da sua essência: o espírito.

O homem que se reconhece como espírito será eternamente uma criança. Para ele não existirá lugar para certo ou errado, pois compreenderá que tudo provém do Pai. Não terá obrigações, mas fará tudo de uma forma consciente. Não imporá normas nem leis, mas respeitará a individualidade de cada um. Não participará de competições porque reconhecerá a igualdade entre todos e não precisará possuir as coisas. Não buscará ter, mas fará por merecer.

Esta é a vida depois da carne: uma vida igual à do princípio.

O evangelho segundo Tomé

Logia 20 - O abrigo

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Logia 20

“020 – Os discípulos disseram a Jesus: diz-nos com que se parece o Reino dos Céus. Ele lhes disse: é como a semente da mostarda, a menor de todas as sementes. Mas quando ela cai na terra arada, produz grandes galhos e se torna um abrigo para os pássaros do céu”.

“diz-nos com que se parece o Reino dos Céus”

Na logia 03, Jesus nos ensinou que o “Reino dos Céus” não é um espaço físico, mas que a sua essência é o amor universal.

Neste ensinamento os apóstolos pedem a Jesus que compare este amor com alguma coisa existente para que eles possam compreender melhor a importância deste sentimento.

“é como a semente da mostarda, a menor de todas as sementes”

Jesus compara o amor universal com a semente da mostarda: a menor de todas. Com este menor Jesus não fala de tamanho físico, pois o sentimento não o possui, mas ensina que o amor universal é o mais simples dos sentimentos. Para se aprender sobre o amor universal não são necessárias fórmulas mágicas, leis pormenorizadas, estudos profundos, mas uma única coisa: amar. Para se encontrar o amor universal é necessário praticá-lo.

Não há estudo que ensine a um espírito o que é felicidade, enquanto ele não a sentir. É necessário que se compreenda a diferença entre satisfação e felicidade, mas enquanto o espírito não se propuser a sentir a felicidade, eliminando os conceitos que apenas o satisfazem, não conseguirá entender o que é o amor.

Nada pode ensinar um espírito a não causar sofrimento aos outros, a não ser que ele se proponha a vigiar-se constantemente. Porém, ele também não pode sofrer neste processo e, por isto, tem antes que reconhecer que nada sabe sobre as outras pessoas e nada pode “achar” ou querer entender, para que possa encontrar o amor universal. Isto ninguém ensina ou prepara: é necessário que se pratique constantemente.

A igualdade não pode vir a partir de leis que obriguem o seu cumprimento e sim da observação da ação de Deus sobre todas as coisas. Ninguém pode obrigar ou ensinar a igualdade, pois o próprio “professor” já será superior ao aluno... Por isto Jesus afirmou que Deus “ensina aos simples (aqueles que não procuram ensinar nada) o que esconde dos sábios (os professores)”.

Enquanto o ser humano for buscar ensinamentos profundos e por eles pautar a sua vida, não alcançará o amor. Enquanto estiver na procura esquecerá uma coisa: de amar. Os simples, por não conhecerem obrigações e leis a seguir e ritos a praticar, apenas sentem o amor, e por isso amam.

Todas as leis, obrigações e ritos que os seres humanos inventaram para poder se unir a Deus são frutos do sentimento do poder. A vida foi dificultada criando-se regras apenas para que alguns possam ser considerados sábios e exercerem seu poder sobre os outros.

O espírito necessita aprender que o amor é simples. O amor não impõe regras, não cobra atitudes, não necessita de nada para ser sentido. Ele sequer necessita ser correspondido para existir. Enquanto o ser humano esperar motivos para amar, ele estará necessitando que seus conceitos sejam satisfeitos, entretanto o verdadeiro amor não pode se submeter às vontades pessoais das pessoas.

Já os sentimentos negativos necessitam de uma estrutura complexa para serem sentidos. Para que um espírito acuse o outro de errado, é necessário que ele tenha leis que indiquem o que é certo e o que é errado. É necessária uma observação profunda do ato de outro espírito, uma comparação com as regras estabelecidas, um julgamento para, então, poder afirmar que uma pessoa está errada.

Como já explicado na logia 08, este sentimento só não satisfaz, não mata a “fome” espiritual. Por este motivo o espírito tem que “descobrir” novos motivos para continuar se alimentando de sentimentos negativos. O sentimento é como a “droga” do mundo material: o espírito necessita sempre aumentar a dose de ingestão. Por isso precisa de mais observações, mais raciocínios, mais acusações, para poder alimentar-se de novos sentimentos negativos.

Os sentimentos negativos são complexos porque precisam constantemente de exercícios de raciocínio que busquem captá-los no universo. Já o amor não tem esta necessidade, pois quando se instala, satisfaz o espírito. Não existe necessidade de se buscar razões para se amar, pois quem tem o amor universal, ama sem motivos.

Para se chegar ao ódio é necessário passar por outros sentimentos negativos. Tudo começa com uma ofensa, depois o espírito tem que encontrar motivos para chegar à mágoa. Mais raciocínios são necessários para que a mágoa evolua para raiva e finalmente possa chegar ao ódio.

Para tudo isto o espírito precisa de motivos, ou seja, precisa “criar” histórias (pensamentos) que sirvam de subsídios para dizer que ele está certo em pensar assim. O amor não necessita de nada disso. Quando ele se instala definitivamente se multiplica sempre, mesmo que não haja motivos para isso.

“Mas quando ela cai na terra arada, produz grandes galhos”

Quando o amor se instala em um espírito, ele se expande. Emana-se por todo o seu corpo espiritual e se propaga pelo universo. Aquele que tem o amor dentro de si espalha a felicidade para todos os outros. É uma pessoa que mantém constantemente sua alegria, não importando se está frente a um fato onde ele ganhe ou perca.

O espírito que ama não causa sofrimento a ninguém, pois o amor que sente não o deixa praticar atos desta espécie. Ele está sempre preocupado em auxiliar o próximo, em trazer a alegria onde há a tristeza, a harmonia onde existe a desarmonia.

O amor traz ao espírito o sentimento de igualdade plena entre ele e os outros. Quem ama não desrespeita, não procura comandar, não julga, não se submete. A igualdade plena que o amor universal traz não o deixa cometer nem sentir injustiça nas coisas da vida.

Quem ama não procura satisfação, mas busca sempre a felicidade coletiva. Não tem medo de ficar insatisfeito, pois se não possui conceitos, o que acontecer para ele estará perfeito. Não busca elogios, pois sabe que tudo que acontece provém de Deus e por isso o único que pode ser elogiado é o Pai. Para quem ama não existe a preocupação se os outros espíritos concordam ou não com ele, pois sabe que trabalha para Deus e que apenas Dele espera o reconhecimento.

O poder não faz parte de quem ama. O espírito que ama não busca liderar nada, ser reconhecido, pois se reconhece na sua própria humildade. Entretanto ele também não se humilha, pois sabe que ninguém é superior a ele.

Este amor do espírito contamina todos aqueles que convivem com ele.

“e se torna abrigo para os pássaros do céu”

Os pássaros do céu citados por Jesus nesta comparação são os espíritos, encarnados ou não. Assim sendo, Jesus afirma que o amor universal abriga os espíritos que chegam perto dele.

Quando um espírito exala o amor universal os outros o procuram, como fonte de novo ânimo. Não importa se estes espíritos estão na carne ou não, todos procuram aqueles que “brilham” por possuir o amor universal.

Por isto Jesus avisou que não se acende uma lamparina para se esconder debaixo do armário, mas que ela deve ser colocada no ponto mais alto para que possa servir de orientação àqueles que estão nas trevas.

Aqueles que possuem o amor universal serão sempre requisitados por Deus para auxiliar seus irmãos, tornam-se focos de luz que devem servir para guiar quem não conseguem senti-los. São sempre chamados para missões de auxílio aos irmãos. Recebem acusações, críticas, ou seja, são alvo dos sentimentos negativos dos outros, mas não perdem sua felicidade, pois reconhecem o seu papel na obra de Deus.

Os espíritos fora da carne que sofrem na escuridão dos sentimentos negativos, se aproximam dos espíritos que têm amor, não para prejudicá-los, mas com o sentido de banharem-se nas irradiações do amor. Aqueles que têm dentro de si o amor universal são emissários de Deus para ajudar a humanidade.

O evangelho segundo Tomé

Logia 21 - Discípulos de Jesus

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Logia 21 - 1
Logia 21 - 2

“021 – Disse Maria a Jesus: A que se parecem teus discípulos? Ele lhes respondeu: Eles são como crianças que se instalaram num campo que não lhes pertence. Quando os donos do campo aparecerem e lhes disser: devolvam nossos campos, eles se despojam de suas roupas e diante deles lhes devolvem os campos. Entretanto, eu digo: se o dono da casa souber que o ladrão vai vir, ficará de vigia e não o deixará entrar na sede de seu reino para levar seus haveres. Deveis, então, tomar cuidado com o mundo; cingi fortemente vossos rins para que os salteadores não encontrem uma forma porque encontrarão o proveito que imaginais. Deixai que haja entre vocês um homem compreensivo; quando a fruta amadurece, ele vem depressa, com a foice na mão e a colhe. Aquele que tem ouvidos que ouça”.

(Os discípulos de Jesus) “são como crianças que se instalaram num campo que não lhes pertence”

Jesus não está falando de todos os habitantes do planeta Terra, mas apenas de seus discípulos. Também não está se referindo apenas àqueles que se encontravam na carne junto com ele, mas a todos aqueles que aprenderam os seus ensinamentos e estão buscando viver uma vida espiritual, mesmo ainda presos à matéria carnal.

O Mestre diz que esses compreendem que o planeta Terra não lhes pertence, ou seja, que residem aqui apenas para uma etapa da sua evolução espiritual. Eles entendem que todas as coisas do universo pertencem a Deus (Senhor das terras) e que são colocadas à disposição do espírito como instrumentos de sua prova.

Esta consciência é alcançada com a compreensão e aplicação das Verdades Universais (ver “Apresentação” – “Doutrina Espiritualista Ecumênica”) na vida carnal. Discípulos de Jesus são aqueles que não se prendem à forma das coisas materiais, mas sabem que essas coisas são provas para que alterem a essência que aplicam a elas para o amor universal.

 Ser discípulo de Jesus é colocar em prática as Cinco Verdades Universais.

“Quando os donos do campo aparecerem e lhes disser: devolvam nossos campos, eles se despojam de suas roupas diante deles e lhes devolvem os campos”

O dono do campo (planeta Terra) é Deus, mas aqueles que não buscam a elevação espiritual consideram-se donos do planeta, ou seja, os detentores da verdade. É a estes que Jesus está se referindo neste texto.

Para que um espírito consiga colocar em prática as Cinco Verdades Universais (ser discípulo de Jesus) é preciso que ele não possua mais conceitos. Buscar a elevação espiritual é se despir de seus conceitos.

No entanto, esta busca não deve levar a um novo conceito: “ninguém pode ter conceito”.

Buscar a sua elevação espiritual e achar que todos também devem fazê-lo, é um novo conceito, pois Deus deu a cada um o livre arbítrio, ou seja, a opção de escolher o sentimento que quiser.

Nenhum ser é obrigado a buscar a sua elevação espiritual, apesar de isto acontecer um dia. Portanto, para ser discípulo de Jesus o espírito não pode querer impor que os outros tenham que buscar a sua elevação espiritual.

Agir desta forma é dar àqueles que se sentem dono do campo o direito de sentirem-se assim. Por isso o discípulo de Jesus não reage quando o dono do campo quer a posse deste. Quando um ser humano afirma que ele está com a verdade (contraria os conceitos do outro), o discípulo de Jesus não discute, doa a razão.

É a este despojamento que Jesus está falando nesta logia. O discípulo de Jesus não exige que o ser humano não tenha conceitos, ou seja, abdique da verdade, mas pratica ele este ato.

“Entretanto, eu digo: se o dono da casa souber que o ladrão vai vir, ficará de vigia e não o deixará entrar na sede de seu reino para levar seus haveres. Deveis, então, tomar cuidado com o mundo”.

A elevação espiritual só é alcançada quando o espírito comprova os conhecimentos que recebe e não apenas pelo fato de ter entrado nesse conhecimento. Por isto, qualquer ensinamento que o espírito receber no sentido da sua reforma íntima será posto à prova por Deus.

Se um espírito está buscando eliminar seus conceitos, Deus providenciará acontecimentos onde a existência ou não destes conceitos será colocada à prova. Se alguém tem conceito negativo a respeito da cor vermelha, por exemplo, Deus fará aparecer esta cor na sua frente para ver se o conceito ainda está ativo.

O instrumento utilizado por Deus (ser humano ou objeto) é o “ladrão” que Jesus está se referindo neste texto: ele rouba a paz do espírito, pois o levará a escolher outro sentimento que não o amor para reagir aos acontecimentos.

Quando Jesus orienta aos seus discípulos para estarem vigilantes com o mundo, fala exatamente dos ladrões, ou seja, todos os outros seres. Como ensinado, todos são o “sal da humanidade”, ou seja, instrumentos de Deus para auxiliar os outros na sua elevação.

“cingi fortemente vossos rins para que os salteadores não encontrem uma forma porque encontrarão o proveito que imaginais”.

O espírito encarnado não sabe quando a sua intenção de evoluir será colocada à prova, mas sabe que será. Os discípulos de Deus compreendem que a vida carnal é uma constante prova onde Deus coloca as situações para o espírito responder com amor ou não.

Por isto Buda nos ensinou que devemos viver com atenção plena a cada acontecimento e Jesus avisou que para se conseguir a elevação espiritual é preciso viver em vigilância e oração. Não basta apenas a intenção de evoluir mas é preciso estar sempre preparado para comprovar esta intenção.

Muitos dizem que estão procurando a sua elevação, mas vivem a vida sem atenção plena e, por isso, não conseguem colocar em prática os ensinamentos. É desta desatenção que os mensageiros de Deus tiram proveito para conseguir acabar com a paz de espírito do ser.

Os discípulos de Jesus, além de procurarem conhecer os ensinamentos e colocá-los em prática, vivem com atenção plena para ver se os atos que praticam refletem o despojamento dos conceitos.

“Deixai que haja entre vocês um homem compreensivo”

A elevação espiritual não é um jogo onde é preciso haver um vencedor. Todos chegarão na elevação, mas cada um a alcançará dentro do seu tempo, no seu ritmo.

Esta aceitação é fundamental para a formação de um grupo ou Sangha, como definiu Buda, para que se viva com consciência e harmonia. Este grupo ou coletividade que busca o mesmo ideal é importante para auxiliar o ser na sua elevação, pois o trabalho para a eliminação dos conceitos e as provas são difíceis para o ser.

Assim, dentro deste grupo não pode haver disputas sobre quem é o melhor, quem conseguiu maior grau de evolução. Entretanto, como cada um alcançará a evolução em seu tempo, alguns poderão ser mais rápidos que o outro. Este não deverá ser o “vencedor” de uma competição, mas o participante da Sangha que mais colocará em prática os ensinamentos. Se isto é verdade, deverá então este espírito ser aquele o maior doador das verdades para os outros.

No próprio grupo de apóstolos de Jesus houve uma busca pela “vitória”:

O que é que vocês estavam discutindo no caminho?

Mas eles ficaram calados porque no caminho tinham discutido sobre qual deles era o mais importante. (Marcos – 9,33)

Os discípulos disputavam entre si o direito de ser o líder depois que Jesus houvesse desencarnado. A estes o Mestre ensinou:

“Se alguém quer ser o primeiro, deve ficar em último lugar e servir a todos”. (Marcos – 9,35)

 

“quando a fruta amadurece, ele vem depressa, com a foice na mão e a colhe”

O homem compreensivo que Jesus pede que deixe existir nesta logia é aquele que mais rapidamente consegue compreender os ensinamentos e os coloca em prática. Esta “velocidade” é determinada apenas pela dedicação que cada um tem na sua busca e não por fatores como inteligência ou cultura, pois Deus dotou todos os espíritos com igual capacidade.

No entanto, aquele que evoluir mais depressa não será o comandante do grupo, mas sim o mais simples, aquele que estará sempre à disposição para servir o próximo. É isto que Jesus diz quando fala que ele deve estar sempre com a foice na mão para colher as frutas que amadurecerem.

“Aquele que tem ouvidos que ouça”

Este é o ensinamento de Jesus para aqueles que querem se tornar seu discípulo:

1o – Buscar a compreensão das Verdades Universais;

2o – Buscar a prática dos ensinamentos;

3o – Viver com atenção plena para superar as provas que Deus coloca;

4o – Buscar viver em uma coletividade que apóie este processo;

5o – Viver servindo todos.

Quem tem ouvidos que ouça, pois Jesus já avisou:

“Quem ama o seu pai ou a sua mãe mais do que a mim não serve para ser meu seguidor. Quem ama o seu filho ou a sua filha mais do que a mim não serve para ser meu seguidor. Só pode ser meu seguidor quem pega a sua cruz e me segue. Quem se esforçar para conservar a sua vida vai perdê-la. E quem perder a sua vida por minha causa vai achá-la”. (Mateus – 10, 37)

O evangelho segundo Tomé

Logia 22 - Néctar da vida

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Logia 22

“022. Jesus viu criancinhas que estavam sendo amamentadas. Disse aos seus discípulos: essas criancinhas que estão sendo amamentadas são semelhantes àqueles que entrarão no Reino. Disseram-lhe: Poderemos então, como crianças, entrar no Reino? Jesus disse-lhes: quando fizerdes de dois um e quando fizerdes o interno tal qual o externo e o externo tal qual o interno, e o de cima tal qual o de baixo, e quando tornardes o homem e a mulher em um só, de tal forma que o homem não seja homem e a mulher não seja mulher, quando dispuserdes olhos no lugar de olhos e a mão no lugar da mão, e o pé no lugar do pé, uma imagem no lugar de uma imagem, aí, então, entrareis no Reino”.

“essas criancinhas que estão sendo amamentadas são semelhantes àqueles que entrarão no Reino.”

Não é o primeiro ensinamento no qual Jesus afirma que, para o espírito entrar no reino do céu, necessita ser como uma criança. Neste mesmo Evangelho existem outros avisos de Jesus neste sentido (logias 04 e 15), mas agora o Mestre está falando de uma criança que está sendo amamentada.

Para compreender este ensinamento temos que relembrar a logia 15, onde Jesus nos afirmou que a mãe e o pai de um espírito é Deus. Todo espírito é gerado pelo Pai Supremo e não provém de uma mulher. Portanto, quem está “amamentando” este espírito que entrará no reino do céu é o próprio Deus.

A criança quando se amamenta no seio materno, retira de lá o néctar de sua vida, o alimento básico para sua sobrevivência. Quanto faz a comparação Jesus afirma que o espírito para entrar no reino do céu deverá retirar o néctar da sua vida, o alimento básico para sua sobrevivência, diretamente de Deus e não buscar o alimento externamente a Ele.

Para que o espírito na carne consiga alcançar o reino do céu é necessário que ele entenda que toda a sua vida provém de Deus e que é o Pai que provê tudo o que ele necessita para subsistir e que nada pode advir de coisas materiais.

O salário recebido pelo espírito na carne não é pago pelo patrão porque ele prestou bons serviços, mas é dado por Deus de acordo com o merecimento de cada um (merecimento positivo ou negativo). O filho não é resultado da união do espermatozóide com o óvulo, mas sim da ordem de Deus para que esta união acontecesse.

O carro que bate não foi por imperícia do outro motorista, mas Deus que colocou os dois no mesmo espaço físico no mesmo momento. O ladrão que rouba seus pertences materiais não o fez porque quer, mas porque Deus lhe mandou fazer isto (um merecia roubar ou estava em prova ou missão e o outro, o roubado, precisava, estava em missão ou merecia passar pelo roubo).

A pessoa que lhe contraria não o faz porque quer ou por quaisquer outros motivos, mas porque Deus direcionou os sentimentos negativos dela contra você. O espírito que se vicia não o faz por fraqueza ou problemas emocionais, mas porque Deus lhe conduziu ao vício, de acordo com seus sentimentos, missões ou merecimento.

O assassino que consegue tirar a vida carnal de um espírito não o faz por premeditação, mas porque Deus o fez apertar o gatilho para que o tiro fatal acontecesse ( missão, prova ou merecimento de quem matou e de quem morreu). Uma bala perdida nunca esteve perdida, mas acertou o alvo que Deus direcionou.

Todos os acontecimentos da vida de um espírito são produzidos por Deus e não podem ter causa na matéria ou nos desejos dos seres humanos. Aquele que não entende esta verdade universal tira o néctar da sua vida das coisas materiais e não de Deus.

Não importa o que Deus faça acontecer estará certo, pois Deus é a Inteligência Suprema do Universo. Não importa o que seja, o acontecimento será justo, pois Deus é a Justiça Suprema e tudo o que acontece tem como objetivo a evolução do espírito, pois Deus é o Amor Infinito.

Enquanto o espírito na carne sorver o néctar de sua vida da materialidade não encontrará estas verdades. Verá injustiças, erros e sofrerá. Por este motivo não poderá entrar no reino do céu, pois lá não existe lugar para sofrimento ou injustiças.

Entretanto, por suas características, Deus dá o néctar da vida para os espíritos de acordo com a lei da ação e reação. Conforme o sentimento que o espírito escolhe para reagir a determinado acontecimento, Deus lhe dá o próximo acontecimento.

Enquanto o espírito possuir sentimentos de posse de bens materiais, Deus estará sempre lhe enviando situações que provem que ele não tem controle nenhum sobre esses bens. Somente quando o espírito desprender-se das posses, Deus afastará os acontecimentos que possam afetar estes bens.

O desencarne pode acontecer por dois merecimentos: positivo ou negativo. No merecimento positivo, o espírito já cumpriu tudo ou boa parte do que veio fazer com sucesso e por isso é chamado a auxiliar de outra forma os seus irmãos; o negativo é quando Deus verifica que este espírito continua afastado da procura do amor universal e isto poderá prejudicá-lo ainda mais.

Em ambos os casos é Deus quem escolhe o agente causador do desencarne do espírito. Se o desencarne tem que ser violento ou traumático, para servir de prova ou pena a outros espíritos, Deus utiliza-se de quem tem muito sentimento negativo (ódio) e o penaliza, transformando-o em um assassino.

Sorver o néctar da vida de Deus é estar sempre atribuindo a Ele a causa primária de todos os acontecimentos e reagir a eles com o sentimento do amor universal: alegria, compaixão e igualdade.

Jesus, então, não poderia apenas dar o aviso, mas precisava ensinar como o espírito deveria agir para viver no reino do céu.

“quando fizerdes de dois um e quando fizerdes o interno tal qual o externo e o externo tal qual o interno”

Para se viver no reino do céu é necessário que o ser humano saiba que é um espírito vivendo em uma carne. Fazer de dois, o que está dentro (espírito) e a imagem externa (ser humano) um só: o espírito filho de Deus.

“e o de cima tal qual o de baixo”

Entender que este espírito deve viver dentro desta matéria densa como vivem os espíritos fora dela, ou seja, viver como aqueles espíritos que acreditamos que estejam acima, ou seja, reagindo a todos os acontecimentos com fé e o amor universal.

“e quando tornardes o homem e a mulher em um só, de tal forma que o homem não seja homem e a mulher não seja mulher”

A luta pela igualdade de direitos entre sexos quer transformar a mulher em homem e vice-versa, mas Jesus afirma que não é este o procedimento correto do espírito para poder viver no reino do céu. Não basta apenas atribuir direitos iguais: é preciso que não haja distinção entre eles.

O espírito que vive no reino do céu não reconhece diferença sexual, pois sabe que o espírito não possui sexo. Reconhecer que possa existir diferença, mesmo que material, é prender-se à imagem do corpo físico. Aquele que sorve o néctar de Deus não se atenta a formas, pois estas sempre trarão traços físicos diferentes. Para que o espírito entre no reino do céu ele tem que alcançar a igualdade plena: não só nos direitos, mas também na essência espiritual.

“quando dispuserdes olhos no lugar de olhos e a mão no lugar da mão, e o pé no lugar do pé”

São os sentidos do corpo físico que captam as percepções que levam o espírito a dar “valores” às coisas. Quando Jesus afirma que para entrar no reino do céu é preciso alterar a fonte de percepção, está ensinando que o espírito deve alterar os seus “valores”.

Estes “valores” ou conceitos são determinados pelo sentimento que o espírito utiliza para raciocinar. Aquele que sorve o néctar de sua vida diretamente de Deus e não da matéria sabe que a única essência que deve “enxergar” nas coisas é o amor universal.

Para se viver no reino do céu é preciso alterar a “visão” que se tem de todos os acontecimentos, buscando sempre a Justiça Perfeita, a Inteligência Suprema e o Amor Sublime como fonte de todas as coisas. Com esta visão, encontra-se sempre a alegria e a igualdade que geram a compaixão.

“uma imagem no lugar de uma imagem”

Todo ser humano é um espírito que mora dentro de uma forma constituída por uma massa carnal: esta é a imagem que deve ter aquele que quer entrar no reino do céu.

O espírito não possui forma (“é se quiserdes, uma chama, um clarão ou uma centelha etérea”. – Livro dos Espíritos – perg. 88): é apenas a massa material que ele ocupa, que tem.

Para que o espírito possa viver no reino do céu é necessário abolir toda e qualquer forma e entender que ele é apenas uma chama ou um clarão que é gerado por Deus e que vive para auxiliar este Pai na Sua obra.

O evangelho segundo Tomé

Logia 23 - Reencarnação

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Logia 23

“023. Disse Jesus: eu vos escolherei na razão de um em mil, dois em dez mil, e sereis todos como um só”.

“eu vos escolherei”

Cristo, o espírito mais elevado do sistema solar onde está a Terra, tem necessariamente que já haver conquistado a simplicidade ou pobreza espiritual (pobreza de sentimentos, ou seja, ter um só sentimento) para poder exercer a missão junto aos espíritos em evolução neste planeta. Por este motivo, podemos afirmar que para Ele todos os espíritos são iguais (igualdade plena). Ainda pelo mesmo motivo, a “escolha” que ele fizer nunca será aleatória, mas sempre terá uma base.

Jesus não escolhe quem Ele quer, mas apenas aqueles que se sabem espíritos, colocam o amor universal como essência de sua vida e esta escolha não resulta em prêmios materiais, mas sim espirituais.

Aquele que é escolhido por Jesus recebe como prêmio missões para auxiliar seus irmãos. Ele ganha a honra de glorificar o nome de Deus, auxiliando-O na Sua obra, ganha riquezas espirituais, o apoio dos seus irmãos fora da carne, que o nutrem constantemente com o amor universal.

Aquele que tiver como base de raciocínio o amor universal não procurará a satisfação no contentamento de seus conceitos, mas achará em tudo a felicidade universal. Não amealhará bens materiais, mas “ajuntará” riqueza “no céu, onde as traças e a ferrugem não podem destruí-la e os ladrões não podem arrombar e roubá-la” (Evangelho de Mateus, Cap. 6, versículo 20).

Esta é a base da escolha de Jesus e o prêmio que recebem aqueles que são escolhidos.

“na razão de um em mil, dois em dez mil”

O motivo da escolha, a utilização do amor universal, não é alguma coisa “dada” por Deus, mas conquistada pelo espírito. É esta a prova que o espírito vem fazer a cada encarnação: buscar eliminar os sentimentos negativos para alimentar-se exclusivamente do amor universal.

“Deus criou todos os espíritos simples e ignorantes, quer dizer, sem ciência. Deu a cada um determinada missão com o fim de esclarecê-los e fazê-los alcançar, progressivamente, a perfeição para o conhecimento da verdade e para aproximá-los Dele”. (O Livro dos Espíritos – perg. 115).

Todos os espíritos nascem com o amor universal dentro de si, mas ao buscarem o conhecimento das coisas espirituais, acabam trocando-o por sentimentos negativos. Desta forma, é necessário que o espírito se livre destes sentimentos e alcance assim o reino do céu.

“166 – A alma que não alcançou a perfeição na vida corpórea, como acaba de depurar-se?”

“Suportando a prova de uma nova existência”.

“Como a alma realiza essa nova existência? É por sua transformação como espírito?”

“Depurando-se, a alma sofre, sem dúvida, uma transformação; mas para isso lhe é necessária a prova da vida material.”

“A alma passa, pois, por várias existências corporais?”

“Sim, todos nós passamos por várias existências físicas”.

(Livro dos Espíritos – Allan Kardec)

Esta sucessão de passagens por existências físicas foi chamada de reencarnação. Em cada uma delas o espírito utilizou uma massa corporal com forma física diferente e possuiu conceitos diferentes. Sendo que esta é a descrição de um ser humano, podemos afirmar que um espírito durante sua evolução espiritual foi diversos seres humanos.

Esta é a base da afirmação de Jesus. “Na razão de um em mil” quer dizer que o espírito alcançará o amor universal em uma das mil encarnações, ou seres humanos, que viver.

“167 – Qual é o objetivo da reencarnação?”

“- Expiação, aprimoramento progressivo da humanidade ...”. (Idem)

Alguns afirmam que a reencarnação é a fonte da elevação espiritual, mas isto não é verdade. A reencarnação de um espírito por si só não garante a ele a evolução. Apenas a reforma íntima, ou seja, a mudança de seus sentimentos, é que garantirá esta evolução.

A reencarnação é apenas uma “chance” que Deus dá para que o espírito tenha como base de raciocínio apenas o amor universal. É necessário que o espírito reforme-se em uma delas para que alcance a sua elevação. Será nesta encarnação que Jesus escolherá o espírito para que passará a servir a Deus no auxílio dos irmãos, ganhando os bens espirituais.

Não adianta um espírito reencarnar várias vezes, pois isto não o levará à elevação. Reformando-se em uma delas é que encerrará este processo. O espírito deve aproveitar a encarnação em que se encontra, buscando esclarecimentos e nela promovendo a reforma de seus sentimentos, alterando os seus conceitos, para poder alcançar as verdades universais.

Postergar esta reforma é gerar mais trabalho para a espiritualidade que terá que “programar” toda uma nova existência para este espírito poder buscar a reforma íntima. Aqueles que crêem que apenas as reencarnações sucessivas garantem a sua elevação, estão adiando esta reforma.

A razão da existência do espírito é buscar a ciência, ou seja, o conhecimento das verdades espirituais, sem utilizar os sentimentos negativos. Não existe mais nada que ele precise fazer e por isto, esta deve ser também a sua única pretensão enquanto na carne.

O espírito não habita uma carne para realizar coisas, mas apenas para provar a Deus que é capaz de ter apenas o amor universal como sentimento.

O ser humano tem vivido para construir “sua vida”, buscando o prazer individual do crescimento material ou profissional, o reconhecimento através do elogio do seu comportamento. Entretanto, aquele que se sabe espírito, não almeja estas coisas, pois sabe que elas não são conquistas, mas ofertas que Deus dá a cada um de acordo com seus sentimentos.

Viver com o objetivo de buscar o conhecimento para realizar-se profissionalmente, construir uma família, ter posses, é viver como ser humano. O único objetivo do espírito é procurar o amor universal e praticá-lo: o resto lhe será concedido por Deus.

Esta alteração de objetivos de vida é que garante ao espírito a “escolha” de Jesus. Para isto não são necessárias diversas encarnações, apenas uma. A progressão de um espírito não tem número certo de reencarnações, mas se dá naquela em que ele decide alterar seus sentimentos, ou seja, promover a sua reforma íntima.

“e sereis todos como um só”.

Aquele que nutre o amor universal vê a igualdade plena entre todos e, por isso, não se entende como individualidade e sim como parte de um todo.O espírito não tem “querer” individual, não procura a satisfação pessoal, mas compartilha do desejo de um todo. Ele se entende como participante do todo universal e não busca individualismos.

Por isto, todos os escolhidos por Jesus formam um só: o todo espiritual. O ser humano, aquele que possui outros sentimentos, é quem divide o Universo. Ele cria sexos, raças, cores, religiões diferentes, cria desníveis entre as pessoas, gerando ascendência entre todos.

Quem se sabe espírito não possui individualismos que separe as coisas ou pessoas em grupos de certos ou errados, bons ou maus, feios ou bonitos, etc. O escolhido por Jesus não separa ou divide os outros espíritos por “tipos” de sentimentos que nutrem, mas reconhece que a essência de todos os espíritos é o amor universal e por isso sabe que este sentimento existe dentro de cada um, mesmo que não o estejam demonstrando no momento.

O escolhido de Jesus não reconhece os “bons” porque para isso teria de achar os “maus”. Não reconhece o “errado”, pois teria de conhecer o “certo” gerando, assim, uma ascendência entre os espíritos e as coisas.

O escolhido por Jesus não utiliza nem mesmo a lei de Deus (amar a Deus, a si e aos outros) para “julgar” os outros, pois sabe que ela está dentro de cada um como está dentro dele: apenas os auxilia a utilizar esta encarnação para a reforma íntima.

O evangelho segundo Tomé

Logia 24 - Morada de Deus

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Logia 24

“024. Seus discípulos disseram: mostra-nos o lugar em que estás, pois é necessário que nós te busquemos. Respondeu-lhes ele: aquele que tem ouvidos que ouça. Dentro de um homem iluminado há luz e ele ilumina o mundo todo. Quando ele não brilha, há trevas”.

 “mostra-nos o lugar em que estás, pois é necessário que nós te busquemos”

O Evangelho de Tomé não é um evangelho histórico. Os ensinamentos não seguem uma ordem cronológica, mas foram dispostos de tal modo que o entendimento das Verdades Universais seja alcançado tema a tema.

O ensinamento desta logia, por exemplo, foi passado na reunião citada pelos evangelistas após o desencarne de Jesus.

“Por fim Jesus apareceu aos onze discípulos enquanto estavam comendo. Ele os repreendeu por não terem fé e por teimarem em não acreditar no que disseram os que o tinham visto ressuscitado”. (Evangelho de Marcos – Cap. 16 – vers. 14).

Nesta reunião os discípulos aflitos, por encontrarem-se agora sem a palavra de Jesus e sua presença física, buscam o Mestre para que antes de “subir aos céus”, lhes mostre um lugar onde pudessem fazer contato. O objetivo dos discípulos era buscar uma confirmação de seus atos na divulgação da Boa Nova.

“Dentro de um homem iluminado há luz”

Entendendo-se esta “luz” como aquilo que clareia a visão, Jesus pode ser considerado a “luz” do planeta. Foi a sua missão que trouxe a Boa Nova (o amor universal) que clareou a forma de se “ver” as coisas de Deus.

Antes de Jesus, o relacionamento espírito/Deus se baseava no temor, no medo da reação divina aos atos praticados pelo espírito. Este medo gerava infelicidade, sofrimento. Deus era visto como um juiz severo, um carrasco que punia a todos aqueles que descumprissem seus mandamentos.

Jesus veio trazer o amor universal, a luz que transforma este relacionamento. O Mestre ensinou que Deus não julga nem condena os espíritos, pois compreende o patamar de evolução de cada um. Aqueles que ainda não vêem Deus desta forma e o colocam na posição de juiz é porque aplicam ao Pai a mesma forma de agirem. São aqueles que costumam procurar sempre o “certo” ou o “errado”, o “bom” ou “mau” nas atitudes de seus irmãos. Estes, não são iluminados.

O iluminado é aquele que utiliza a luz de Jesus, o amor universal. Ele tem este sentimento como base única para entender as coisas que acontecem à sua volta.

Por isto, quando os discípulos pedem para que Jesus diga onde conversar com Ele para buscar confirmações dos seus atos na divulgação da Boa Nova, pode-se entender que o Mestre lhes pede que não o procurem em um lugar físico, mas voltem-se para dentro deles mesmos.

Para que o espírito divulgue o amor universal é preciso que ele saiba que sentimentos estão sendo utilizados em todos os momentos de sua existência. Como pode um espírito falar de amor utilizando a crítica?

Enquanto o espírito tiver conceitos, conhecerá o “certo” e o “errado”, o “bom” e o “mau”. Estes conceitos são sempre formados a partir de sentimentos negativos e, portanto, para se tornar divulgador da Boa Nova, o espírito precisa encontrar dentro dele o amor que Deus lhe dá.

Abstendo-se dos conceitos, o espírito poderá utilizar o amor universal que está dentro dele e iluminar o planeta. Na verdade, a luz não será ele e sim o amor que existe dentro dele, o Jesus que existe dentro de cada um.

“ele ilumina o mundo todo”

Aquele que possui o amor universal não causa sofrimento aos outros, pois tem dentro de si a compaixão. Não condena ou absolve, porque sabe que na sua essência, cada um tem o amor universal.

Quem possui o amor só espalha alegria, não critica, não ofende, não magoa, pois entende que se assim o fizer, estará transformando a caminhada de seu irmão em trevas. O espírito que tem dentro de si o amor clareia o caminho dos irmãos, conduzindo-os para alcançar a felicidade universal, pois serve como guia para a humanidade e será conclamado pelo Mestre a servir, em nome de Deus, na evolução dos outros espíritos.

“Vocês são a luz para o mundo todo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. Ninguém acende uma lamparina para por debaixo de um cesto. Ao contrário, ela é colocada no lugar próprio para que ilumine todos os que estão na casa. Assim, também a luz de vocês deve brilhar para que todos os outros vejam as coisas boas que vocês fazem e louvem ao Pai que está no céu”. (Evangelho de Mateus – Cap. 5 – vers. 14)

Aquele que serve como luz para a humanidade é o que ensina a Justiça, a Perfeição e o Amor de Deus; é aquele que transforma o relacionamento dos espíritos com Deus em uma relação de entrega e confiança absoluta (fé) e destrói a visão do Deus autoritário, carrasco.

Quem ilumina a vida dos irmãos com o amor universal, ensina que tudo o que acontece é justo, não como punição, mas como reação a uma ação espiritual (sentimento) dele próprio. Ensina que todos os acontecimentos são perfeitos, não para punir erros, mas para que sejam compreendidos com a visão do amor universal, que transforma o descontentamento em uma graça do Pai.

É no Amor de Deus por seus filhos, que o espírito possuidor do amor universal vai buscar a origem dos acontecimentos. Ele entende e ensina que tudo o que o Pai dispõe não tem a intenção de punir, mas que deve servir como lição para a evolução do espírito e deve ser entendido como um ato de amor e não como um apenamento.

Os espíritos não necessitam procurar “imagens” de Jesus para isso, mas sim o “Jesus” que vive dentro de cada um: o amor universal. Não necessitam de um lugar físico para que encontrem este amor, pois ele está espalhado pelo Universo e está dentro de cada um.

“Quando ele não brilha, há trevas”.

Quando o espírito não nutre o amor universal espalha as trevas, a infelicidade, pois entende que a única forma de guiar os outros é impondo a obrigação, o medo.

Para isto ele criou leis que refletem os seus conceitos e gerou a obrigação de que elas fossem cumpridas. Para aqueles que não as cumprem, criou as punições, os castigos. Quando criou estas leis, o espírito dividiu o Universo nos cumpridores e nos não cumpridores, gerando a desigualdade e chamando quem recebeu o descumprimento destas leis de “vítima”. Com isto, criou a “injustiça” e para quem causa as injustiças, inventou as penas.

Esse espírito não entende que a base dos atos está no sentimento e que o espírito não é capaz de praticar ato diferente do que sente. Acha que a intimidação e o medo são sentimentos positivos, pois não conhece a alegria de participar da vida espiritual.

Aquele que tem o amor universal, não coloca lei alguma para que seja cumprida, pois reconhece apenas uma: amar a Deus, a si e aos outros. Por ela, o espírito descobre que amar o próximo não é obrigá-lo a nada (compaixão), mas dentro de uma igualdade promover a felicidade de todos. Por isto não ameaça outros espíritos com penas, mas busca conscientiza-los da prática do amor universal.

Somente quando o espírito tiver a luz dentro de si, ou seja, conscientizar-se da necessidade de amar a todos e, principalmente, a si mesmo, conseguirá amar a Deus. O medo da reação de Deus é um sentimento que afasta o espírito do amor universal.

O evangelho segundo Tomé

Logia 25 - Ação e reação

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Logia 25

“025. Disse Jesus: Ama teu irmão como tua alma, protege-o como a pupila dos teus olhos”.

Este, de acordo com os ensinamentos de Jesus, é o segundo maior mandamento da lei de Deus.

“Um professor da lei que estava ali ouviu a discussão. Viu que Jesus tinha dado uma boa resposta e por isso perguntou: Qual é o mais importante de todos os mandamentos?”

“Jesus respondeu: É este: Escute, povo de Israel! O Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor. Ame o Senhor seu Deus com todo o coração, com toda alma, com toda mente e com todas as forças. E o segundo mais importante é este: Ame os outros como você ama a você mesmo”. (Evangelho de Marcos – Cap. 12 – Vers. 28)

Nesta lei está estampada a engrenagem básica da vida na carne: os sentimentos que um espírito emana para outros é o mesmo que gostaria para si. Baseado nesta lei, que pode ser considerada parte da lei da ação e reação, Deus determina a vida dos espíritos na matéria carnal. Se um espírito deve dar a outro apenas o que gostaria para si, quando ele emana sentimentos negativos contra alguém, quer dizer que espera receber este mesmo sentimento de retorno e, como Deus é justo, faz a sua vontade.

Por este motivo, quando um espírito gosta de nutrir mágoa ou raiva contra outro, Deus conclui que ele gosta destes sentimentos e que espera recebê-los. Para que isto aconteça, Deus coloca à sua frente outros espíritos que nutram os mesmos sentimentos e dá o raciocínio para que eles os transformem em atos.

Portanto, quando alguém consegue, frente a um ser humano, praticar atos que materializem sentimentos negativos, na verdade não é este espírito que o faz por vontade própria e sim Deus que o coloca ali, diante daquele que gosta de nutrir o mesmo sentimento. Isto é Justiça, isto é Deus Onipotente.

Deus dá a cada um de acordo com o que ele pratica com o seu irmão. Aquele que não vê desta forma, não tem a consciência do sofrimento que causa aos amigos de caminhada, acha-se sempre dentro das leis e acusa Deus de injustiça.

Para alcançar a elevação espiritual e conseguir colocar o amor universal em prática, o espírito precisa compreender que todas as coisas que lhe acontecem são frutos de seus próprios sentimentos emanados contra outros espíritos e não obra do “acaso”, “sorte” ou “azar”. Deus utiliza-se daqueles que possuem sentimentos idênticos para que um mostre ao outro todo sofrimento que está causando. Quando um espírito recebe um ato proveniente de um sentimento negativo, é porque praticou esse mesmo ato (ou nutriu esse mesmo sentimento) contra outro espírito e este outro também merecia, pois também nutria os mesmos sentimentos.

Trata-se de uma “engrenagem” que faz funcionar a máquina chamada vida humana. Uma engrenagem perfeita, pois é comandada pela Inteligência Suprema do Universo.

Todos recebem conforme as suas obras e por isso sempre estará sendo alcançada a Justiça Perfeita.

Quando o ser humano se transformar em espírito e começar a vigiar seus sentimentos, não mais será merecedor de receber atos que sejam embasados em sentimentos negativos, doando, portanto amor e recebendo amor.

Enquanto o ser humano achar que alguma coisa possa estar “errada”, o “errado” será ele por acreditar apenas em seus conceitos. Deus sempre encontrará alguém que mostre a ele como está “errado”. Enquanto o ser humano gritar com outro, receberá gritos; invejar receberá inveja; magoar receberá mágoas.

Tudo começa na própria reforma íntima e não na reforma dos demais. O espírito que imaginar que não pode “ficar sem dar uma resposta à altura”, é porque ainda não aprendeu que receberá a mesma resposta que der aos outros. A vida espiritual é um eco de tudo o que se faz.

É preciso alterar a si mesmo para que o mundo se altere. Somente quando o espírito alcançar o amor universal, que lhe trará o desprendimento do “certo” ou “errado”, “bem” ou “mal”, ele conseguirá encontrar a verdadeira felicidade.

Por isto Jesus afirma que este é o segundo mais importante mandamento das leis de Deus: é preciso que o ser humano não espere sempre ser contentado para que alcance a felicidade, mas contente-se com o que receber de Deus, sabendo que foi o que plantou.

“Ama teu irmão como tua alma”

Ame o outro como você ama a si mesmo, ou seja, aceite sempre que as outras pessoas estão certas, como assim elas se imaginam.

Não julgue e Deus não o julgará; não acuse e Deus não o acusará.

Queira para seu irmão tudo aquilo que deseja para você. Se busca a fama, não o faça difamando os outros, se busca o contentamento, não o faça desagradando aos outros, se quer o elogio, não o consiga através da crítica.

O espírito ampliará qualquer sentimento, quando aplicá-lo sobre os outros. O amor só será o sentimento primaz de um espírito quando for colocado em prática com outros espíritos.

Não há espírito que consiga amar a si mesmo, sem que antes ame os outros; não existe ninguém que consiga estar “certo” sem que dê a razão aos outros. O “certo” é aquele que não possui certezas, mas admite as “certezas” alheias. Enquanto o espírito procurar manter a posse moral sobre as coisas (“ter razão”), ele “perderá” a verdade (a razão). Perdendo a verdade, poderá encontrar a única certeza: nada sabe.

Enquanto procurar achar alguma coisa, estará perdendo o amor ao próximo e a si mesmo.

Para poder amar ao próximo é necessário que ame a si mesmo. Para amar a si mesmo é necessário ver a igualdade plena em todas as coisas. Esta igualdade não permitirá que o espírito se sobreponha em momento algum.

Esta forma de proceder, porém, não pode levar à submissão. O espírito deve dar a cada um o direito de “achar” o que quiser, mas não pode fazer do “achar” de cada um o seu próprio. Deve doar a razão a estes, mas não compartilhá-la.

O não achar deve permanecer sempre. Quando um espírito estiver frente a outro que ainda imagina-se capaz de “achar” alguma coisa, deve entender esta forma de proceder e deixá-lo imaginando-se certo, mas não pode absorver esta convicção como sua para não se indispor com ele. Isto é não ter conceitos: a única forma de se alcançar o amor universal.

Não ter conceitos não pode passar pela formação de um novo conceito: “ninguém deve ter conceitos”.

O espírito que tem o amor universal aceita que todos ajam da maneira que acham “certo”, sem buscar corrigi-los. Isto é amar aos outros como a si mesmo: respeitar qualquer posição contrária, mesmo que esta não esteja de acordo com as leis de Deus. O espírito que invoca o conhecimento das leis de Deus para obrigar outros a agir como ele “acha”, está incorrendo no mesmo erro que está querendo evitar.

Aquele que se diz conhecedor de verdades superiores às dos outros, está utilizando um sentimento de superioridade, que extingue o amor. Portanto, amar os outros não é corrigi-los, mas aceitá-los como são.

“protege-o como a pupila dos teus olhos”

É a esta proteção que Jesus se refere: o espírito tem que proteger seu irmão para que “viva” da forma que bem entender, do modo que “achar” que deve e não obrigá-lo a fazer o que ele “acha”.

A pupila dos olhos é o local onde se formam as imagens, ou seja, por onde o espírito imagina que “entende” as coisas; é através das imagens captadas que o espírito imagina como as coisas são.

Portanto, para amar seu irmão, o espírito deve dar-lhe o direito de imaginar que as coisas são da forma que ele “acha” que são. Proteger as suas pupilas é proteger a sua forma de “enxergar” as coisas. Proteger o seu irmão como proteger a pupila dos olhos, é deixar que cada um “enxergue” as coisas como quiser.

Amar seu irmão é, antes de tudo, respeitar o direito que ele tem de ver as coisas dentro de seu próprio individualismo. Amar o seu irmão é desobriga-lo, conferindo-lhe a liberdade de sentimentos e conhecimentos.

Amar desta forma é colocar em prática a lei que diz que os espíritos devem se amar mutuamente, conforme Deus os ama, pois o Pai, dá a cada um o direito de sentir o que quiser.

O evangelho segundo Tomé

Logia 26 - Percepções

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Logia 26

“026. Disse Jesus: vês o cisco que está no olho... de teu irmão, mas a trava que está no teu olho, esta não vês. Quando tirares a trave de teu olho, aí poderás ver claramente para tirares o cisco do olho de teu irmão”.

 “vês o cisco que está no olho ... de teu irmão”

Esta logia complementa a anterior.

 Ver o cisco que está no olho do irmão é encontrar defeitos na visão que esse irmão tem sobre as coisas. O “cisco” que o espírito vê nos olhos dos outros é o que ele mesmo chama de “distorção” da visão das pessoas, aquilo que as impede de ver corretamente as coisas, induzindo-as ao erro...

Afirmar que um espírito está errado é o mesmo que dizer que ele não consegue enxergar direito as coisas, que não consegue entendê-las como na verdade são.

“Ver o cisco no olho do irmão” é criticar suas atitudes, seus sentimentos, sua forma de se portar e agir, sendo que estas críticas são baseadas em conceitos próprios, verdades individuais, pois quem conhece as verdades universais dá ao seu irmão o direito de entender as coisas da forma que ele quiser.

“mas a trava que está no teu olho, esta não vês”

A trava que cada espírito carrega em seu olho é a visão distorcida que ele possui das coisas, pois ainda enxerga através dos seus conceitos.

Quando um espírito percebe alguma coisa e coloca sobre ela um conceito pré-formado, não consegue chegar à sua essência, pois está atado aos conceitos, o que o impede de compreender os acontecimentos na sua essência real.

Na verdade, o espírito que assim age não analisa as coisas para poder aplicar-lhes a sua real essência, mas fixa-se em algo pré-determinado.

Os conceitos constituem-se nas diversas leis ou bases que o espírito construiu durante a sua experiência carnal.

As travas são as leis morais, de etiqueta, de sociedade, de comportamento, que o espírito recebe e constrói ao longo de sua vida para criar o balizamento do que é certo ou errado, bem ou mal, feio ou bonito, etc. Entretanto, essas leis não podem ser consideradas como perfeitas ou justas, pois são temporárias: o que hoje é certo, amanhã pode se tornar errado.

Para que uma lei possa ser considerada justa e espalhar a justiça, é necessário que ela seja eterna e imutável, pois, desta forma, sempre haverá apenas um resultado para o mesmo ato. Apenas as leis de Deus resistem a esse quesito.

As leis não são universais: cada povo determina as suas de acordo com seus hábitos e costumes. Por isto, uma pessoa condenada, hoje, em determinado lugar, poderia ser absolvida em outro.

As leis de Deus aplicam-se a todos os espíritos, encarnados ou não, em todos os locais do Universo e, por isso, apenas elas devem servir de base para o espírito compreender as coisas.

As leis de Deus se resumem em uma única: amar a Ele, a si e aos outros. Enquanto o espírito tiver o amor (alegria, compaixão e igualdade) em todos os seus atos, não importa o que ele faça, estará vivendo dentro da lei de Deus!

“Quando tirares a trave de teu olho”

Tirar a trave dos olhos é abolir todas estas leis, estes conceitos impostos em nome do sentimento de superioridade de um sobre o outro, com a intenção de comandar a vida do próximo.

Para que o espírito possa servir de luz para iluminar o caminho dos outros é necessário que siga apenas a lei de Deus e não lhe agregue nenhuma outra lei. Assim fazendo, acabará com os conceitos e poderá enxergar o mundo da forma como ele realmente é, podendo alertar (apenas alertar) seu irmão do “cisco” (conceito) que ele possui.

Retirar a trave do olho é não ter leis morais ou leis sociais, é eliminar tudo aquilo que possa sofrer alterações, quer por abrangência ou temporalidade, para poder enxergar aquilo que é eterno.

“aí poderás ver claramente para tirares o cisco do olho de teu irmão”

Quando o espírito eliminar seus conceitos, encontrará a essência verdadeira das coisas e conhecerá a verdade universal. Neste momento poderá enxergar claramente para servir de orientador a seu irmão.

Sem os conceitos, o espírito não conhecerá certo ou errado, bem ou mal, mas apenas amor e “desamor”, sentimentos positivos ou negativos. Preso às leis, o espírito estará enxergando apenas sob um prisma, o seu prisma e, por isso, não conhecerá a verdade universal das coisas.

Todo conceito é uma lei individual, é o modo determinante da ação “correta”, mas como não existem dois espíritos com conceitos perfeitamente iguais, estes apenas se constituem em uma ótica individual. Querer direcionar os outros pelo contexto próprio, pelo seu “achar”, é querer usurpar de Deus a condição de Causa Primária de Tudo.

Mostrar o cisco no olho de um irmão é ensiná-lo que apenas uma lei deve ser cumprida: o amor universal e não pode esse espírito juntar a esta lei mais nenhuma outra.

Quem reconhece a existência apenas desta lei não tem conceitos e, por isso, não encontra erros, nem mesmo naqueles que ditam o cumprimento das regras humanas.

O evangelho segundo Tomé

Logia 27 - Jejum do mundo

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Logia 27

“027. Jesus disse: se não fizerdes jejum do mundo não encontrareis o Reino; se não guardardes o Sabbath como Sabbath, não vereis o Pai”.

“se não fizerdes jejum do mundo não encontrareis o Reino”

Nesta logia, Jesus nos adverte sobre o que fazer para encontrarmos o “Reino”. Conforme já vimos na logia 03, o “Reino do Céu” não se trata de um local físico, mas sim uma condição na qual o espírito encontra-se em paz vivendo em harmonia e felicidade.

Para que isto aconteça é necessário “fazer jejum do mundo”.

JEJUM – Abster-se de algo. (Mini-Dicionário Aurélio)

Conhecendo o sentido da palavra jejum, podemos entender a mensagem do Mestre: temos que fazer abstenção das coisas do planeta Terra, ou seja, “abstenção da materialidade”. Para Jesus, a vida em harmonia e a felicidade só serão alcançadas quando não mais vivermos em função das coisas materiais.

Todas as coisas existentes possuem duas características: a forma e a essência. A primeira é a figura ou estampa de cada coisa, enquanto que a segunda é a finalidade que damos a ela, a qual chamamos de essência. Para Jesus, o importante não é a forma que as coisas possuem, mas sim a essência que aplicamos às coisas materiais.

Por exemplo, uma mesa pode ter várias utilidades: pode servir como local de refeição, apoio para escrita, estética, operações cirúrgicas, etc. Estas finalidades são a essência que damos a uma mesa.

Aplicamos estas finalidades a partir da forma que esse objeto tem, ou seja, observamos o seu desenho para depois aplicarmos uma essência. Quem assim procede é porque não se “alimenta” da essência, mas sim da forma, pois necessita de um determinado “desenho” para encontrar a finalidade da coisa. Quando este “desenho” não está presente, não consegue atingir a essência da coisa...

Quando se quer uma mesa só para embelezar um ambiente, certamente nos desfaremos da que estiver mais velha, cuja “forma”, por estar riscada ou quebrada, não mais nos satisfaz. Muitas vezes assim procedemos com sofrimento, pois, apesar de gostarmos muito daquele objeto, ele não servirá mais para a sua “finalidade” que era apenas a estética. Isto é não fazer jejum do mundo...

Para se viver em harmonia é necessário que o ser humano compreenda que as coisas possuem a “finalidade” que ele der a elas, independente da forma que tiverem. Não é o estado da coisa que determina a sua finalidade, mas ela será determinada de acordo com quem a vê e como a vê. Uma mesa riscada e quebrada pode muito bem embelezar um ambiente caso o ser humano coloque “beleza” nela. Isto é fazer “jejum” do mundo.

Quem faz jejum do mundo não se importa com a forma que as coisas têm. Para se alcançar este estado é importante que o ser humano alcance a consciência de que é ele quem deve aplicar uma essência nas coisas e não esperar pela essência aplicada por outras pessoas.

“se não guardardes o Sabbath como Sabbath, não vereis o Pai”

O Sabbath é uma tradição religiosa dos judeus,que advém das leis de Moisés: o 4o quarto mandamento.

“Guarde o sábado, que é um dia santo. Faça todo o seu trabalho durante seis dias da semana, mas o sétimo dia é o dia do descanso, dedicado a mim, o seu Deus. Não faça nenhum trabalho nesse dia, nem você, nem os seus filhos, nem os seus escravos, nem os seus animais, nem os estrangeiros que vivem na terra de vocês”. (Êxodo – 20,8)

Pelo teor desta lei, os judeus no sábado devem permanecem sem fazer trabalho algum. Esta tradição foi, inclusive, o motivo da maior acusação que os judeus fizeram contra Jesus: praticar cura no sábado. Quando questionado sobre o seu modo de proceder, o Mestre respondeu:

“Se vocês soubessem o que as escrituras sagradas querem dizer quando afirmam: “Eu quero que sejam bondosos e não que me ofereçam sacrifícios de animais”, vocês não condenariam os que não têm culpa”. (Mateus – 12,7)

Estar preso à forma da lei (suas palavras) leva ao ócio, mas entender a essência do ensinamento, leva ao cumprimento perfeito da lei. A essência de Deus é o Amor Universal, ou seja, a alegria, compaixão e igualdade.

Por isso, ao afirmar que os seres humanos desconhecem o significado da palavra de Deus que pede a bondade e não o sacrifício, Jesus ensinou que eles não entenderam a essência da lei de Deus.

Guardar o sábado para Deus nunca poderia ser cair no ócio, pois a primeira lei do Pai é a do trabalho: todos temos que trabalhar.

Guardar o dia para Deus é “viver o dia em seu nome”, ou seja, vivenciar o Amor Universal.

Devemos todos ter um dia no qual não escolheremos a tristeza para colocar como essência nos acontecimentos, onde não iremos causar sofrimento a outras pessoas e nem nos considerarmos superiores ou inferiores a qualquer coisa. Isto é guardar o Sabbath como o Sabbath e por isso Jesus fazia curas e alimentava-se nesse dia.

Claro está que deveríamos viver todos os dias desta forma, mas enquanto estivermos no processo de evolução, buscando o aprendizado, temos que praticar esta forma de viver pelo menos um dia na semana. Aquele que assim agir encontrará a essência de Deus e por isso “verá o Pai”.

Entretanto, a colocação desta informação na mesma logia onde se ensina o “jejum do mundo” tem mais um significado.

Na primeira parte, Jesus nos diz que não devemos observar as formas materiais das coisas, mas sim a essência que aplicamos a elas. Na segunda, nos mostra qual sentimento devemos utilizar como essência para todas as coisas: o Amor Universal.

Para se alcançar o “Reino” não basta entendermos que as coisas devem valer por sua essência, mas também é necessário que apliquemos a elas o Amor Universal. Não importa o fato que está acontecendo ou a coisa que se está observando, mas é necessário que sempre se encontre neles a alegria, compaixão e igualdade.

A tudo o que acontece devemos aplicar o sentimento de felicidade. Não importa a forma, as palavras ou gestos, não podemos reagir a elas com tristeza ou sofrimento, pois desta forma não alcançaremos o Reino, ou seja, a paz, harmonia e felicidade.

Para se encontrar a felicidade nos fatos é necessário que se aplique felicidade a eles...

Enquanto as pessoas perceberem apenas a forma do acontecimento, encontrarão infelicidade, injustiça e desamor, pois estes são, normalmente, os sentimentos que estão dentro de todos nós. O ser humano gosta destes sentimentos, pois acredita que esta é finalidade de sua vida, a maneira de alcançar a evolução.

Sempre que formos reagir a algum acontecimento, devemos refletir se não estamos ferindo alguém. Quando acusamos os outros de nos terem feito o mal, é porque nós escolhemos este sentimento para reagir ao acontecimento. Quando existe a acusação ao que serviu de instrumento de Deus para nos trazer um ensinamento, existe também um distanciamento do Pai e de Sua Justiça Perfeita. Por isso, para se chegar ao Reino e ver o Pai é necessário aplicar e entender sempre a igualdade e a compaixão em tudo o que acontece e não culpar ou ferir as outras pessoas. Não importa o que nos façam, temos que encontrar sempre nas ações ou coisas um “recado” de Deus.

Deus é o Amor Sublime e por isso tudo que nos acontece é fruto de Seu amor.

Viver dentro desse ensinamento é fazer jejum do mundo e descobrir o caminho para a paz, a harmonia e a felicidade: o Reino do Céu.

O evangelho segundo Tomé

Logia 28 - Vinho inebriante

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Logia 28

“028. Disse Jesus: tomei meu lugar no meio do mundo e em carne apareci a eles; encontrei-os todos ébrios e, no meio deles, ninguém encontrei sedento. E minha alma turbou-se pelos filhos dos homens porque eles são cegos em seu coração e não vêem que vazios vieram ao mundo e vazios tentam sair do mundo outra vez. Mas agora estão ébrios. Quando se livrarem do vinho, aí então arrepender-se-ão”.

“tomei meu lugar no meio do mundo e em carne apareci a eles”

“Eu preciso anunciar também em outras cidades a Boa-Notícia do Reino de Deus, pois foi para fazer isso que Deus me enviou” (Lucas – 4,43).

Jesus veio ao mundo para trazer a Boa Nova. Como disse o Mestre, a boa notícia que trazia era o verdadeiro sentido das leis de Moisés (Mateus – 5,17). A informação foi passada quando Ele resumiu todos os mandamentos em dois: amar a Deus acima de todas as coisas e amar ao seu próximo como você gostaria de ser amado.

A missão de Jesus, portanto, foi acabar com o temor a Deus, forma como os seres humanos entendiam as leis mosaicas, e criar o amor a Deus. Aceitar a vida na carne não por medo, mas por amor a Deus, acima de todas as coisas.

“encontrei-os todos ébrios”

Porém, o próprio Jesus afirmou que não conseguiu o intento, pois encontrou todos os seres humanos “inebriados”, ou seja, vivendo uma ilusão criada por eles mesmos. Isto também nos disse João:

“Ele veio para o próprio país, mas o seu povo não o recebeu”. (João – 1,11)

Isto aconteceu por causa da ilusão que o espírito adquire quando encarna: a de que se “transforma em um ser humano”.

“Alguns, porém o receberam e creram nele e ele lhes deu o direito de se tornarem filhos de Deus”. (João – 1,12)

O filho de Deus é o espírito, aquele que compreende e vive uma vida espiritual. Quando este espírito “esquece” esta sua situação e imagina-se um ser humano, ele se inebria com a ilusão de “poder” criada por esta forma e não consegue se subordinar a Deus.

Este é o “vinho” que Jesus afirma que deixou o espírito “ébrio”: o poder.

O poder de “ser”, “fazer”, “querer”, independente da vontade de Deus. Este poder inibe o conhecimento espiritual, pois o espírito passa a se imaginar como “causa primária” das coisas e se esquece que somente Deus, por sua Perfeição, pode causar alguma coisa.

Aqueles que se imaginam seres humanos não conseguem abrir mão do poder. Apegam-se a falsas verdades que criam para si mesmos com a intenção de manter esse “poder” Imaginam que o ser humano é capaz de, por sua própria vontade, ferir outro e que têm o livre arbítrio de praticar tudo o que desejam, sem dar satisfação ao Pai.

Foi assim que o ser humano criou o bem e o mal, a fim de qualificar o que concorda e o que discorda. Intitulou-se o “juiz do mundo” ao inebriar-se de “poder”...

Para ocupar esta posição, criou leis pessoais que são utilizadas para “julgar” os outros. Isto é bom e aquilo é mal, Isto é feio, mas daquela forma é bonito.Se for assim será certo, mas se fizer assim será errado...

Os parâmetros destas leis, entretanto, variam de pessoa para pessoa e cada um tem o seu “limite” para separar o bem do mal, o feio do bonito e o certo do errado.

Uma lei só pode ser considerada perfeita se tiver abrangência universal, ou seja, se for igual para todos. Como as leis pessoais variam, elas são apenas “verdades pessoais” e não leis universais. Por isto não podem servir para “julgar” outras pessoas.

Por este motivo Jesus afirma que estas leis criaram uma ilusão de “poder”, que não permitiu que houvesse o perfeito entendimento da Boa-Nova.

“e, no meio deles, ninguém encontrei sedento”

Para entender plenamente a Boa Nova trazida por Jesus, é necessário que o ser humano abdique deste poder que imagina ter e volte à realidade: DEUS.

Por isto a boa notícia começa por: AMAR A DEUS ACIMA DE TODAS AS COISAS.

“Eles se tornaram filhos de Deus não por nascimento natural, isto é, como filhos de um pai humano; foi o próprio Deus quem lhes deu a vida”. (João – 1,13)

É preciso que se abra mão do poder de “achar” qualquer coisa e nos submetamos a Deus como CAUSA PRIMÁRIA DE TODAS AS COISAS.

Deus não pode fazer o mal a alguém, pois é o Amor Sublime, mas também não pode fazer o bem porque é a Justiça Perfeita. Se privilegiasse alguém em detrimento de outro, perderia esta característica.

Amar a Deus acima de todas as coisas é pertencer e entregar a Ele o seu poder de “julgar” as coisas. É encontrar em tudo os atributos que transformam Deus em CAUSA PRIMÁRIA DAS COISAS, INTELIGÊNCIA SUPREMA DO UNIVERSO, JUSTIÇA PERFEITA E AMOR SUBLIME.

Quem entrega seu poder de julgamento das coisas a Deus vê sempre a perfeição do ato que está acontecendo, pois uma Inteligência Suprema não comete falhas; encontra sempre a justiça do acontecimento, pois a Justiça Perfeita seria incapaz de privilegiar alguém e só encontra felicidade com o sucedido, pois sabe que foi comandado por um Amor Sublime, muito acima de sua compreensão.

Quem se entrega a Deus está sedento pelas atitudes Dele em sua vida. Enquanto o ser humano permanecer inebriado com o poder de julgar os acontecimentos não terá “sede de achar” a Deus e não entenderá que suas atitudes não condizem com a lei Dele pois não seguem as Verdades Universais.

“E minha alma turbou-se pelos filhos dos homens porque eles são cegos em seu coração e não vêem que vazios vieram ao mundo e vazios tentam sair do mundo outra vez”.

Quando o espírito encarna, vem com a intenção de provar a Deus que aprendeu o Seu mandamento, praticando provas, cumprindo missões e passando por penas. Ele vem vazio da lembrança espiritual para que possa comprovar que interiorizou o Amor Universa, os mandamentos de Deus.

É com a prática da lei de Deus que o espírito recebe mais Amor Universal.

Entretanto, quando fica “ébrio”, ele busca cada vez mais o “vinho” que mantém a sua ilusão e cada vez mais ele se especializa em “criar” leis para reger o comportamento dos outros. Cria leis de sociedade, moral, ética, limpeza, arrumação, estética, para poder inebriar-se cada vez mais no poder de “julgar” e comandar os outros. Define o que é certo ou errado, bom ou mal, feio ou bonito dentro de padrões próprios para poder viver a ilusão provocada pelo “vinho”.

Estes espíritos retornarão à pátria espiritual sem acrescer nada ao Amor Universal, pois não conseguirão provar a Deus a sua submissão aos Seus mandamentos. Como ensinou Jesus na “Parábola dos Três Empregados”, quando chegar a hora da prestação de contas, “...aquele que muito tiver receberá mais, mas aquele que pouco tiver, até este pouco lhe será retirado”.

“Mas agora estão ébrios. Quando se livrarem do vinho, aí então arrepender-se-ão”

Este é o consolo de Jesus: Ele sabe que todo espírito um dia evoluirá. Não importa o grau de envolvimento alcançado pelo “poder”: todo espírito um dia amará Deus acima de todas as coisas. Quando este momento chegar, o espírito se reconhecerá como “filho de Deus” e creditará a Ele a sua vida.

Ficando “sóbrio” o espírito, então buscará o arrependimento da utilização do poder inebriante.

Entretanto, este arrependimento não pode ser alcançado como hoje os seres humanos o buscam. Não será se acusando ou flagelando-se que o espírito conseguirá enxergar Deus. Aquele que assim procede ainda está ébrio com o poder de encontrar o bem e o mal, o certo e o errado.

O arrependimento que Jesus prega é o não julgamento de si mesmo e a não auto acusação por ter agido de forma negativa. O sóbrio entenderá que procedeu daquela forma porque Deus comandou o seu ato daquela maneira, em conseqüência dos seus próprios sentimentos e buscará alterá-los para poder servir a Deus.

Por isto, tornar-se sóbrio é viver com felicidade, atribuindo alegria a tudo e ao que é praticado por ele mesmo, não encontrando em nada motivo para tristeza, infelicidade ou desconforto.

O evangelho segundo Tomé

Logia 29 - Encarnação

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Logia 29 - 1
Logia 29 - 2

“029. Disse Jesus: se a carne veio a existir por causa do espírito, isto é uma maravilha; mas se o espírito veio a existir por causa dela, é a maravilha das maravilhas. Mas o que me maravilha é como essa grande riqueza fez morada em tal pobreza”.

“se a carne veio a existir por causa do espírito, isto é uma maravilha”

O nascimento de um ser humano faz parte do processo espiritual chamado “encarnação”.

Para Jesus, este processo é uma “maravilha”. Isto porque a encarnação é uma dádiva que Deus concede aos espíritos em evolução para que consigam provar que são capazes de colocar em prática o Amor Universal, mesmo sem a lembrança espiritual. Somente com esta comprovação é que o espírito evolui.

“Deus lhes impõe a encarnação com o objetivo de fazê-los chegar à perfeição. Para alguns é uma expiação, para outros uma missão. Todavia, para alcançarem essa perfeição, devem suportar todas as vicissitudes da existência corporal; nisso é que está a expiação. A encarnação tem também outro objetivo que é o de colocar o espírito em condições de cumprir sua parte na obra da criação. Para realizá-la é que, em cada mundo, ele toma um aparelho em harmonia com a matéria essencial desse mundo, cumprindo aí, daquele ponto de vista, as ordens de Deus, de tal sorte que, concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta”. (O Livro dos Espíritos – Perg. 132)

Neste trecho transmitido a Kardec encontramos os objetivos da encarnação, que tanto maravilham o Mestre.

O primeiro objetivo é chegar à perfeição, ou seja, viver apenas com o Amor Universal. O espírito se encarna em uma matéria densa não com objetivo de ser uma pessoa famosa, rica, cortejada, mas sim para provar a Deus que é capaz de amar a todos como gostaria de ser amado.

Para que a encarnação tenha sucesso, é necessário que o espírito:

- viva a sua vida com alegria, sem procurar ou encontrar motivos para tristeza, infelicidade. Não importa o que aconteça, o espírito deve positivar o ato aplicando nele a felicidade de participar do mundo de Deus;

- não ofenda seus companheiros de jornada carnal. Para isto ele precisa utilizar-se sempre da compaixão, ou seja, da consciência do sofrimento que pode causar aos outros, abstendo-se de julgar e condenar seus irmãos por atos que pratiquem;

- nunca se sinta superior ou inferior a ninguém quer em posses materiais, sentimentais ou intelectuais. Não importa o que o outro faça ou possua, o espírito deve ver a igualdade que existe entre todos: ser filho de Deus. O Pai nos ama tanto que trata cada filho seu como se fosse o único. Aplicar o Amor Universal é agir como o pai do filho pródigo.

São estas as provas que o espírito faz durante a encarnação. Elas maravilham tanto Jesus porque somente quando o espírito está encarnado pode executá-las. É o véu do esquecimento das coisas espirituais que é aplicado à memória do espírito quando está encarnado que garante a “prova” que tem que ser feita. Quando o espírito está fora do processo encarnatório, possui toda lembrança dos ensinamentos que já recebeu e, desta forma, não pode provar que interiorizou os sentimentos.

O segundo objetivo é passar pelas expiações, ou seja, “as vicissitudes da existência corporal”, como explicou Kardec. Não existe ser humano mal feito ou em situação ruim: sua forma e os acontecimentos de sua vida fazem parte da sua missão na carne.

Por isto no Evangelho de Tomé é citado constantemente por Jesus que o espírito na carne deve abster-se de procurar bem ou mal, certo ou errado, feio ou bonito. Quando o ser humano constata que alguma coisa lhe causa mal e sofre, está reagindo negativamente a uma expiação que veio passar. Cada um é da forma que é, passa pelas situações que acontecem, tem as doenças que tem, porque merece ou necessita como expiação ou prova da sua encarnação.

Esta expiação, no entanto, não deve ser só atribuída a fatos ocorridos em encarnações anteriores, mas muitas são causadas por utilização de sentimentos negativos nesta própria existência. “Aqui se faz, aqui se paga”, diz o ditado popular.

Existem expiações que transcendem uma encarnação e necessitam de reparação em outra, mas o sentimento utilizado em um segundo servirá também como base para que Deus determine o próximo segundo de sua vida. Você se casa, tem filhos, possui amigos que vêm de outras encarnações cumprir expiações junto com você, mas se estes relacionamentos serão tormentosos ou não, depende dos sentimentos que tiver nesta vida.

Você tem como expiação casar-se com determinada pessoa (espírito na carne): isto será cumprido dentro do prazo determinado por você e por esta outra pessoa no planejamento da encarnação. Entretanto, se você passará este tempo feliz ou não, vai depender dos sentimentos que tiver nessa encarnação. O certo é que se unirá ao outro espírito no momento pré combinado e também se afastará em um momento já estabelecido de comum acordo.

Juntando-se os dois, podemos afirmar que uma encarnação serve como expiação de faltas passadas, mas também já elimina débitos da encarnação atual. Por isto Jesus se maravilha tanto com uma encarnação: é a Inteligência Suprema agindo sem “perder tempo”.

O terceiro objetivo da encarnação são as missões que o espírito assume de auxílio ao próximo. Todas as atitudes que um ser humano toma são designadas por Deus para serem direcionadas a uma determinada pessoa que merece ou precise que aquele ato lhe ocorra. Neste ponto, Deus utiliza-se de outros espíritos na carne para que possa aconselhar os seus filhos sobre seus sentimentos.

Todos nós somos enviados de Deus para trazer ensinamentos aos outros. Por isto Jesus diz que somos o “sal da humanidade”. Ele aproveita os sentimentos do espírito para comandar o ato a ser praticado por ele para quem necessite ou mereça receber aquele ato (sentimento).

É isto que maravilha Jesus: a Justiça Perfeita sendo aplicada!

Desta forma, quando alguém grita com você é porque ele tem sentimentos negativos, mas é necessário que entenda que se ele conseguiu gritar é porque você merecia ou necessitava. Este entendimento nos leva a não acusar os outros, nem a reagir com sentimentos raiva, mas a manter a nossa felicidade e agradecer a Deus por utilizado este portador para nos avisar do sentimento que também estávamos nutrindo...

“A ação dos seres corpóreos é necessária à marcha do Universo, mas Deus, em Sua sabedoria, quis que, por essa mesma ação, eles encontrassem um meio de progredir e de se aproximarem Dele. É assim que, por uma lei natural de Sua providência, tudo se encadeia, tudo é solidário na Natureza”.

“mas se o espírito veio a existir por causa dela, é a maravilha das maravilhas”

Para que tudo isto aconteça, o ser humano deve abrir mão do seu “poder” e, entendendo as coisas sob este prisma, encontrar a sua essência espiritual.

Isto para Jesus é a maravilha das maravilhas.

Enquanto o ser humano não fizer sua reforma íntima, não conseguirá compreender estas verdades universais.

Para Jesus a maravilha é tudo isto acontecer, mas a maravilha das maravilhas é o espírito aproveitar-se de todos estes mecanismos que Deus criou e evoluir espiritualmente.

“Mas o que me maravilha é como essa grande riqueza fez morada em tal pobreza”.

O espírito é um ser incorpóreo formado de matérias energéticas (energia eletromagnética) que resplandece em virtude de sua emanação de sentimentos. Quando ele se incorpora a uma matéria mais densa não consegue ver estas emanações, necessitando de luz artificial para poder “enxergar” as coisas.

“E Adão disse a Eva: olha para teus olhos e para os meus, que dantes viam anjos no céu louvando; e eles, também sem cessar. Mas agora nós não vemos como víamos; nossos olhos são de carne; não podem ver da mesma maneira como viam antes”. (Evangelho Apócrifo “Primeiro Livro de Adão e Eva – Cap. IV – Itens 8 e 9)

Estes sentimentos que emanam do espírito são a riqueza que um espírito pode ter. Por isto Jesus, que se manteve como espírito mesmo estando na carne (Ver “Apresentação” neste livro) se maravilha tanto em ver como um espírito (essa grande riqueza) consegue ocupar uma carne.

Só a Inteligência Suprema do Universo pode criar um sistema tão eficaz para que o espírito retorne à sua riqueza; só a Justiça Perfeita pode administrar todos os efeitos das reações dos relacionamentos no Universo de tal forma que a igualdade seja mantida; só o Amor Sublime pode aplicar esta providência sem acusar ou penalizar Seus filhos.

Por isto Jesus se maravilha tanto com o processo de encarnação.

O evangelho segundo Tomé

Logia 30 - Ação amorosa

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Logia 30

“030. Disse Jesus: onde há três deuses, há deuses; onde há dois ou um, estou com ele”.

Jesus explicou a seus discípulos que falava através de parábolas, ou seja, que utilizava figuras para ensinar o que precisava. Por isto, muitas vezes é preciso decifrar essas figuras para se entender o ensinamento. Esta logia é um bom exemplo disso.

Precisamos compreender o significado que Jesus deu à palavra “deus”, ao sentido de ser um “deus”, à quantidade de “deuses” existentes em cada situação e à sua própria presença junto aos “deuses”. Sem isso a logia fica incompreensível, uma vez que este é um dos textos mais controversos de todo o Evangelho de Tomé.

Deus ou “deuses”?

 “Agora vamos fazer os seres humanos que serão como nós, que se parecerão conosco”. (Cap. 1 – Vers. 26)

Entendendo-se que o espírito é um só, dentro e fora da carne, podemos entender que foi este ser universal que foi criado à imagem e semelhança de Deus e não a forma material que ele ocupa. Assim, quando Jesus se refere aos espíritos como “deuses” quer dizer, aqueles que são a imagem e semelhança de Deus.

Jesus

Jesus foi definido por João Evangelista como o “verbo”, ou seja, a ação do amor sobre o planeta. Mais do que um espírito, Jesus foi o espírito que conseguiu colocar o amor em ação.

Desta forma, quando o Mestre afirma que estará presente, podemos entender que somente dentro das condições por ele estabelecidas nesta logia haverá a ação do amor universal.

Homem

Para se compreender os ensinamentos do Mestre é preciso entender que ele falava para o povo de sua época, utilizando os conhecimentos que esse povo possuía.

O Espiritualismo Ecumênico vem quebrando essa visão, mas nos tempos de Jesus e até hoje o espírito encarnado (homem) imagina-se como a composição de dois elementos: o ser humano e uma “alma”, que ele não sabe definir corretamente o que é, mas que convive com ele dentro do corpo físico. Este conhecimento, presente nos tempos de Jesus, foi explorado pelo Mestre para passar o ensinamento desta logia.

Se o homem não sabia direito o que ele era, é justo que pensasse pela informação bíblica que tanto a “alma” como ele próprio (ser humano), houvessem sido criados à imagem e semelhança de Deus e, portanto, eram “deuses”.

Neste ensinamento Jesus trabalha com esta figura: o homem dividido em dois, os quais são “deuses” por terem sido criados à imagem de Deus.

Deuses e a ação do amor

Se a ação amor (Jesus) estará onde houver um ou dois deuses (espírito e ser humano), o fato de estarem três ou mais “deuses” (duas ou mais pessoas) nos leva à compreensão de que não há uma ação do amor.

Para haver uma ação amorosa existe a necessidade de se buscar a felicidade universal, ou seja, de se premiar a felicidade universal e não a satisfação pessoal. Entendemos como felicidade universal aquela onde a alegria é sentida independente dos acontecimentos e satisfação pessoal o sentimento que o espírito alcança quando vê os seus desejos realizados.

Como não existem dois espíritos que tenham o conjunto de conceitos (querer) iguais, para que um “ganhe” (sinta-se satisfeito), é necessário que outro “perca” (não seja satisfeito). Por este motivo é que a satisfação pessoal não pode ser entendida como um ato amoroso.

Para que alguém esteja satisfeito outro estará insatisfeito, mesmo que os dois não se relacionem. Para que um ser esteja “feliz” com alguma coisa, um outro alguém, mesmo que este ser não conheça, não teve a chance de realizar o seu “sonho” de ter essa coisa e por isto está infeliz.

Dentro deste ensinamento, podemos então compreender que “deuses” (aqueles que não provocam atos amorosos) são aqueles que necessitam que seus conceitos sejam satisfeitos, ou seja, são aqueles que querem ser a causa primária dos acontecimentos.

Esta compreensão também está de acordo com a visão Deus e “deuses”. Deus é a Causa Primária do universo e o ser, que foi criado à sua imagem e semelhança busca também para si esta função. No entanto, o ser é incapaz de causar os acontecimentos, pois possui uma inteligência restrita (em desenvolvimento), o que certamente não levará a uma Justiça Perfeita e nem a um Amor Sublime.

“onde há três deuses, há deuses”

Se o homem considera-se dois (ser humano e espírito), onde houver três “deuses” com certeza haverá pelo menos dois homens se relacionando e neste momento não acontecerá um ato amoroso, pois estarão buscando a satisfação pessoal.

O homem, por não se entender como integrante do universo, não consegue compreender que ele é um espírito que possui uma existência iniciada antes da encarnação e que continuará existindo quando sair da matéria carnal. Procura a satisfação, a felicidade momentânea e fugaz.

Foi para estes que Jesus deixou o recado que “deveriam amealhar bens no céu e não na terra”, ou seja, deveriam buscar uma felicidade universal e não a satisfação material (pessoal). Para isto é necessário que o homem compreenda que ele é um espírito que vive no universo.

Quem vive no universo não busca saber nada, pois se submete aos desígnios do Pai. Portanto, para se ver como espírito, o homem precisa eliminar os seus conceitos, ou seja, o que ele acha das coisas. A felicidade universal só será conseguida quando o espírito não mais tiver desejos (conceitos) para serem satisfeitos.

Só quando o espírito abrir mão da realização de seus desejos conseguirá colocar o amor universal em ação. Enquanto buscar apenas a realização de suas aspirações, acabará levando a infelicidade para os outros.

“onde há dois ou um, estou com ele”

Estamos aprendendo neste livro que ninguém é capaz de ferir, mas que cada um escolhe o sentimento com o qual quer reagir a fatos que os outros praticam. Assim, quando o espírito busca a satisfação pessoal ele apenas provoca uma situação onde o outro ser poderá escolher sofrimento para sentir.

O sentimento que cada um escolhe para reagir aos acontecimentos “nasce” dentro do próprio ser. A esta interiorização da “raiz do sofrimento” é que Jesus se refere na continuação deste ensinamento.

Quando afirma que há um (espírito) ou dois “deuses” (ser humano e espírito), Jesus está se referindo a um homem que aplica o amor nos acontecimentos e que, portanto, não depende dos atos dos outros (o terceiro “deus”) para ser feliz. Neste caso haverá uma ação amorosa.

Ação amorosa.

Como resultado desta análise do texto de Jesus, podemos entender o ensinamento:

O amor deve nascer dentro de cada um e não depender dos atos praticados pelos outros para ser sentido.

O ser humano é aquele que precisa que os outros contemplem seus conceitos para poder reagir com amor e amealhar bens na Terra, ou seja, sua satisfação pessoal.

O espírito é aquele que ama tudo o que acontece independente dos seus conceitos. Assim, ele está juntando bens no céu, ou seja, merecimentos positivos junto a Deus, pois cumpre a Sua lei: amar a todos como a si mesmo.

O evangelho segundo Tomé

Logia 31 - Preconceito

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Logia 31

“031. Disse Jesus: nenhum profeta é aceito em sua cidade, nenhum médico cura aqueles que o conhecem”.

Esta logia trata do preconceito, ou seja, um conceito anterior que o ser humano formou a partir de uma análise e julgamento de uma pessoa, um objeto ou ato.

Como já explicado nas logias 13 (Conceitos) e 26 (Percepções), todas as informações recebidas pelos órgãos sensoriais do corpo físico (audição, visão, tato, paladar e aroma), são repassadas ao espírito. É o conjunto destas informações que, após arquivadas, levam o espírito a reconhecer os objetos.

Por exemplo: alguma coisa com um determinado aroma, sabor, forma e cor é arquivada como uma “laranja”. Alterando-se qualquer dos seus componentes, o espírito criará um novo código ou acrescentará dados para identificar o que chamou e conheceu como “laranja”.

 Da mesma forma, se o espírito ainda não tiver tido contato com um objeto, não conseguirá imaginar o que seja. Por isto se diz que o ser humano raciocina por imagens e busca o conceito formado pelas sensações recebidas.

Este conceito é arquivado na memória do ser humano. Esta memória, então, funciona como um banco de dados onde se armazenam os conhecimentos recebidos durante a passagem carnal. A partir deste momento o ser humano diz que “conhece” o objeto.

A estas informações recebidas pelos órgãos sensoriais, o ser humano junta suas leis. No exemplo da laranja, o ser humano juntará a lei “gosto” ou “não gosto”, “satisfaz” ou “não satisfaz” ou outras ainda. Estas “leis” são arquivadas junto com as informações sensoriais criando o conceito sobre a coisa.

Podemos aplicar este mesmo raciocínio para o convívio com outras pessoas. O ser humano rotula as pessoas de acordo com as percepções que tiver tido delas, ou seja, das informações recebidas pelos órgãos do corpo físico, acrescidas da avaliação obtida pelo “julgamento” que foi feito de seus atos e de acordo com as suas “leis”.

Esta informação guardada é um conceito, ou seja, uma definição dada a determinada pessoa, fruto das percepções. É aquilo que o ser humano costuma dizer: “eu conheço tal pessoa”. Este “conhecimento” é o conceito arquivado sobre ela. Na verdade, no pensamento atual este conceito passou a ser um “pré-conceito”, pois já existia antes.

Porém, este “pré-conceito” sempre será falso, pois será formado com intervenção das leis individuais de cada espírito, ou seja, daquilo que ele acha “certo” ou “errado”, “bonito” ou “feio”etc. Como estes padrões são individuais e não universais, não refletem a verdade.

Uma verdade, para ser universal, tem que ser eterna e imutável.

As leis que o ser humano usa não seguem estes parâmetros, por isso não podem ser consideradas verdades universais, mas apenas verdades individuais.

“nenhum profeta é aceito em sua cidade”

Quando Jesus afirma que “nenhum profeta é aceito em sua cidade”, Ele quer dizer que o ser humano não aceita o que diz uma pessoa que ele “acha” que conhece. São seus conceitos formados anteriormente sobre aquela pessoa (preconceitos) que não o deixam dar crédito a ela.

Para que o ser humano acredite em uma pessoa é necessário que ainda não tenha conceitos formados sobre ela.

Isto fica melhor exemplificado quando conhecido o texto bíblico:

“Quando Jesus acabou de fazer essas comparações, saiu e voltou para a cidade de Nazaré, onde tinha morado. Ele ensinava na casa de oração, e os que o ouviam ficavam admirados e perguntavam: de onde vem a sabedoria dele? E os milagres que faz? Ele não é o filho do carpinteiro? A sua mãe não é Maria? Não é irmão de Tiago, José, Simão e Judas? As suas irmãs não moram aqui? Onde foi que ele conseguiu tudo isso?” (Mateus – 13,54)

Jesus retornou à sua terra depois de ter andado por toda a Judéia praticando a cura e levando a Boa Nova. Entretanto não pode fazer nada pelos seus patrícios, pois estes “conheciam” Jesus. Não aceitavam a sua orientação, pois o Mestre, para eles, ainda era a mesma criança que havia crescido naquele local, filho de um simples carpinteiro.

Todos os fatos da vida de Jesus antes do seu ministério, auxiliaram o povo de sua cidade a formar um “conceito” sobre Ele. O futuro de Jesus, para quem o conhecera, era certo: seria carpinteiro e trabalharia com os irmãos na carpintaria do pai. No entanto, Ele agora aparecia como o Messias, o Mensageiro enviado por Deus. Eles não podiam acreditar no que o Mestre falava, pois estavam sendo movidos pelos “pré-conceitos” que tinham sobre Ele.

Por isto Mateus afirmou:

“Jesus não pode fazer muitos milagres ali porque eles não tinham fé”. (13,58)

“nenhum médico cura aqueles que o conhecem”

Como vimos na logia 29 (Encarnação), um dos objetivos da vida do espírito na carne é auxiliar Deus na sua obra. O Pai utiliza-se dos espíritos encarnados e desencarnados para que, pela solidariedade, sirvam de mensageiros Dele, transmitindo os ensinamentos necessários para a evolução espiritual. Por isto Jesus afirmou que nós somos o “sal da humanidade”, ou seja, damos o sabor da vida dos outros.

Quando uma pessoa grita com você, fere ou magoa, não o faz porque quer ou porque está utilizando o seu livre arbítrio, mas sim porque Deus a direcionou para praticar isto frente a você. Ela é um “instrumento” de Deus para lhe mandar um recado. Foi escolhida porque possuía os sentimentos necessários (raiva, ódio, vingança) para a prática do ato, mas só conseguiu praticá-los contra você porque você merecia ou precisava receber aquele ato.

A intenção de Deus não é lhe ferir ou magoar. É mostrar o quanto sofre uma outra pessoa quando você tem sentimentos negativos, os quais serão utilizados por Deus para que você pratique determinados atos, decorrentes desses sentimentos, contra outras pessoas.

Deus está lhe dizendo, quando alguém grita com você: “altere seus sentimentos, pois você está colocando um “sabor” amargo na vida das pessoas”.

Esta é a quinta Verdade Universal:

Deus é quem escreve as questões da prova que o espírito vem fazer, pois Ele é a Causa Primária das coisas.

Portanto, todos os outros espíritos, encarnados ou não, que mantém contato com você, são como “médicos” que Deus utiliza para a sua cura.

No entanto, você não consegue enxergá-los desta forma porque possui conceitos formados sobre eles.

Para que o espírito consiga ser “curado”, é necessário que entenda a ação de Deus através dele, destruindo assim os preconceitos.

Aquele que sabe que é um espírito, entende esta verdade e por isto não julga ninguém.

Quem se vê como espírito, apenas forma o conhecimento sobre as pessoas pelas sensações recebidas através do corpo humano: reconhece a forma, o odor e os sentimentos, mas não os “qualifica”, não julga se são pessoas boas ou más, bonitas ou feias, cultas ou incultas, etc.

Quando o ser humano destrói seus preconceitos, alcança a Deus, ou seja, a Perfeição em todas as coisas. O imperfeito (“certo ou errado”) é oriundo do julgamento que o espírito faz sobre as pessoas, objetos ou atos com base em suas próprias leis, guardadas junto com seus preconceitos.

Somente sem julgar, sem preconceitos o espírito conseguirá ser ajudado. É preciso que se acabe com os “adjetivos” sobre as outras pessoas e se entenda que elas nada mais são do que emissárias dos ensinamentos de Deus.

Deus é a Inteligência Perfeita do Universo e por isso Jesus se maravilha tanto com a perfeição da encarnação. Entretanto o ser humano (espírito na carne) não se aproveita desta providência que Deus concede, pois ainda se imagina capaz de “qualificar” as coisas...

Aquele que consegue sentir raiva, ódio ou mágoa por atos alheios, não vê o Amor Sublime em ação. Quando você escolhe outro sentimento que não seja o amor para reagir a um ato está negando sua origem. Ver-se como espírito é trocar todos os seus conceitos pela presença de Deus a cada segundo de sua vida.

Quando uma pessoa consegue sentir-se magoada ou ferida com o ato de outra, julga-se injustiçada. Sente isso porque não consegue entender que ali foi aplicada a Justiça Perfeita e transforma Deus em um ser impotente, que só pode agir depois que o ato acontece. Entretanto, o Pai é Onipresente, Onipotente e Onisciente. Deus a tudo vê e de tudo sabe e se não causasse todas as coisas não seria onipotente, pois estaria se submetendo aos desejos dos espíritos.

Somente com Deus agindo como causador das coisas, ou seja, a origem, inclusive dos atos, Ele passará a ser o Pai que ajuda e orienta seus filhos e não mais um “juiz impotente” que se senta em um trono e espera os atos acontecerem para depois julgar...

O evangelho segundo Tomé

Logia 32 - MIssões

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Logia 32

“032. Disse Jesus: uma cidade que é construída no alto de uma montanha, sendo fortificada, não pode cair, porém não pode jamais ser escondida”.

Na logia anterior, falamos que todos os acontecimentos da vida e os atos praticados por terceiros contra nós são enviados por Deus como um auxílio para nossa evolução. Portanto, reagir a eles com o amor universal é conseguir provar a Deus que aprendemos este sentimento. Esta é a “prova” que foi informada como um dos objetivos da encarnação.

Entretanto, como vimos na logia 29, que trata desses objetivos, existem ainda as missões, que o espírito terá que se desincumbir durante a sua encarnação. Nesta logia, Jesus trata deste tema.

“uma cidade que é construída no alto de uma montanha, sendo fortificada”

Apesar da humanidade falar muito, atualmente, do estado de beligerância dos povos, isto não é fato novo no planeta. Desde a antiguidade os povos guerreiam entre si em busca de poder e bens materiais. Hoje, a diferença é que os conflitos são mais abrangentes, as comunicações mais rápidas e, por isso, chamam mais a atenção.

Antigamente os conflitos eram entre cidades vizinhas. Por este motivo, as cidades eram normalmente construídas sobre elevações. Permitia-se, assim, uma visão mais ampla do terreno em volta dela e podia ser vista com antecedência a presença do inimigo. Além disso, elas eram cercadas de muros altos que facilitavam a defesa e dificultavam os ataques.

É a isto que Jesus está se referindo: uma cidade construída em uma elevação e com muros altos é segura e, além disso, é constantemente guardada e vigiada (fortificada) para que não possa ser tomada pelos inimigos...

Claro que o Mestre não poderia estar ensinando como defender uma cidade, pois a sua missão era ensinar aos espíritos na carne a evoluir. Mais uma vez Ele falou por parábolas. A cidade somos nós, os espíritos que habitam o corpo físico.

“Construir sua cidade”, ou seja, sua encarnação no alto de uma montanha é viver a vida na carne seguindo as leis de Deus. Se o Pai rege nossas ações de acordo com nossas reações, devemos construir nossa cidade dentro das leis criadas por Ele. Seguir estas leis é utilizar sempre o amor universal.

Aquele que reage a todos os atos de Deus com o amor universal consegue ter uma vida segura e feliz, pois a constrói onde o inimigo, o sentimento negativo, não consegue atacar. Antes da chegada do inimigo o espírito consegue observá-lo de longe e preparar as suas defesas.

Para tanto é necessário que a cidade esteja sempre fortificada, ou seja, que mantenha a vigilância constante sobre a aproximação desse inimigo. Por isto Jesus nos ensinou: orai e vigiai. Vigiar a si mesmo, aos sentimentos pelos quais reagimos aos acontecimentos da vida, vigiar nossos pensamentos para que eles sempre reflitam a alegria universal, a compaixão e a igualdade.

Por isto o ensinamento de Buda Guautama, primeiro espírito nascido neste planeta que conseguiu grande elevação espiritual, nos convida a ter atenção plena no momento presente. O ser humano vive preocupado com o que poderá acontecer amanhã ou ainda amarrado aos conceitos (acontecimentos de ontem) e por isto não consegue viver o hoje.

O amanhã ainda não existe: ele será criado por Deus como reação aos sentimentos de agora. O ontem já passou, acabou e só serviu para gerar o hoje.

Um dos belos ensinamentos de Buda afirma:

 “Se você quer saber quem foi ontem, veja o que é hoje. Se quiser saber o que será amanhã, veja o que você é hoje”.

Aquilo que fizermos agora é uma reação do que fizemos ontem. Não adianta ficar preso a este passado tentando alterá-lo, pois ele já se encerrou e não poderá ser mudado. Não adianta querer prognosticar o que será o futuro, pois assim deixaremos de viver o “agora”. Quando não se vive com atenção plena no presente, não se consegue saber o que será o amanhã. Vivendo o agora, sabendo que sentimentos estão sendo utilizados para reagir ao momento atual, o espírito pode “programar”, de certa maneira, o seu futuro.

“não pode cair”

Aquele que vive com atenção plena no momento atual, em oração e vigiando os sentimentos que utiliza, consegue colocar em prática o amor universal. Por isto Jesus afirma que este espírito não “cairá”.

Não cair significa não ceder às tentações dos sentimentos negativos. Como todos os acontecimentos da vida são provas, eles vêm recheados por tentações para que o espírito possa escolher entre uma coisa ou outra. Estas tentações são como “respostas de múltipla escolha” que Deus coloca em cada ato. Depende do espírito escolher ou não a resposta dentro das leis de Deus.

Aquele que constrói a sua cidade no alto do morro consegue ver estas tentações que estão presentes nas respostas... Entretanto, além de construir a cidade na elevação e construir muros, é necessário fortificá-los, ou seja, manter a atenção plena sempre. O espírito que assim fizer conseguirá resistir às tentações e se manterá dentro dos princípios que regem as leis de Deus.

“porém não pode jamais ser escondida”

Reagir somente com o amor universal não quer dizer que só lhe acontecerão coisas que você deseja, ou seja, somente situações onde encontre o que hoje chama de felicidade.

Na verdade o ser humano não conhece a felicidade. Para ele, este estado de espírito só é alcançado quando lhe acontece aquilo que ele deseja. Isto não é felicidade, pois geralmente para isso acontecer, outras pessoas têm que se submeter ao seu desejo. Podemos dizer que isto é um prazer pessoal.

Felicidade é quando toda a comunidade espiritual a encontra no acontecimento, quando todos são beneficiados.

Prazer pessoal é aquele onde apenas um ou um grupo é beneficiado em detrimento de outros. Como o amor universal tem como um dos seus pilares básicos a igualdade, é necessário para que ele exista, que todos sejam afetados positivamente com o acontecimento.

Portanto, a prática do amor universal não garantirá a você que só lhe aconteçam fatos que hoje você considera como “bons”, ou que lhe dão prazer, mas continuarão acontecendo situações às quais você hoje diz que são “ruins”. É isto que Jesus afirma quando diz que a cidade construída sobre a montanha e fortificada não poderá ser escondida.

Não é porque você se utiliza apenas do amor universal que as pessoas não mais lhe caluniarão, lhe dirão palavras ofensivas: isto continuará acontecendo. Entretanto isto não mais acontecerá como prova, mas passará a ser agora uma missão para você auxiliar a Deus na Sua obra.

Quando Deus comanda um ato de uma pessoa que tem sentimentos negativos contra outra que já possui o amor universal, Ele sabe que esta última reagirá com o sentimento contrário e, desta forma, doará este sentimento positivo para quem a atacou. O doador do amor universal estará em missão de Deus para auxiliar o outro, neutralizando a negatividade de seus sentimentos através da “doação”.

Esta doação levará o sentimento positivo a penetrar, primeiro pelo corpo físico e depois pelos “chacras” (pontos de entrada e saída de energia do espírito) aumentando, desta forma, o “estoque” de sentimentos positivos daquele irmão, eliminando parte dos sentimentos negativos. Com isto ele terá à sua disposição mais sentimentos positivos para “escolher” na hora de reagir a um acontecimento. Podemos comparar esta forma de proceder com o passe aplicado pelas religiões espíritas.

Portanto, possuir o amor universal não é encontrar apenas felicidade nas situações da vida, mas sim, colocar felicidade em tudo o que acontece. É preciso que o espírito encare tudo com amor para a sua evolução espiritual.

Quando falamos que Deus comanda os atos dos seres humanos contra aqueles que merecem, não estávamos apenas nos referindo a merecimentos negativos, mas existem também os merecimentos positivos. O ser humano aprendeu a ver Deus como um “carrasco” que castiga os culpados e quando acontece uma situação onde ele reage com sentimentos de sofrimento, diz que foi ou está sendo um castigo de Deus.

Muitas vezes, entretanto, estas situações são geradas porque o espírito merece positivamente passar por aquela situação. Aquele que interiorizar o amor universal continuará merecendo receber tais atos, não mais como uma penalidade, mas sim como uma graça de Deus, para que cumpra sua missão, positivando os sentimentos negativos do outro, conforme já explicado.

Quando um espírito doa o amor universal sempre recolhe mais desse amor do universo, pois o espírito se abastece dos mesmos sentimentos que utiliza para reagir aos acontecimentos. Como dito por Jesus: aquele que tem muito a ele será dado mais, mas aquele que tem pouco, até este pouco será retirado. Portanto, a continuação dos acontecimentos considerados como sofrimento mesmo para aqueles que já aprenderam a reagir com o amor universal, passa a ser uma fonte e uma chance a mais de abastecimento deste amor.

Este é o merecimento positivo que o espírito adquire quando utiliza o amor universal. Para que isto aconteça é necessário que ele construa a sua cidade sobre um monte e que a fortaleça, ou seja, elimine as verdades individuais e os prazeres pessoais.

O evangelho segundo Tomé

Logia 33 - Transmissão de ensinamentos

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Logia 33

“033. Disse Jesus: aquilo que ouvirdes com um ouvido e com o outro, proclamai do alto de vossos telhados; pois que ninguém acende um candeeiro e põe-lhe em cima uma redoma; nem o coloca em um lugar escondido, mas prepara-lhe um pedestal para que todos que entrem e saiam possam ver a luz”.

“aquilo que ouvirdes com um ouvido e com o outro, proclamai do alto de vossos telhados”

De que vale um tesouro no fundo mar? Nada.

Para ter valor um tesouro tem que estar disponível para ser utilizado. É esta a comparação que Jesus faz. Os ensinamentos de Deus são tesouros que devem ser sempre utilizados para que possam ter valor.

O Mestre já tinha nos avisado : aquele que tem ouvidos de ouvir que ouça. Como explicado na logia 08, ter ouvidos de ouvir é compreender a essência do ensinamento. Portanto, quando Jesus nos diz que o que ouvirmos devemos proclamar, Ele está falando de tudo aquilo que compreendermos da essência do ensinamento.

Todos os ensinamentos devem ser transmitidos aos companheiros de jornada (proclamar do lugar mais alto). Aquele que recebe o ensinamento e guarda para si mesmo, está utilizando sentimentos de avareza. É a transmissão constante dos ensinamentos que pode levar o espírito a interiorizar esses ensinamentos para que possa chegar ao amor universal.

Aqueles que conviveram com Jesus aprenderam a essência dos ensinamentos como agora está sendo permitido revelar.

“A vocês Deus mostra os segredos do Reino do céu, mas, a eles, não”. (vers.11)

“É por isso que eu uso comparações para falar com eles. Porque eles olham e não enxergam; escutam e não ouvem nem entendem”. (vers. 13)

“Mas vocês, como são felizes! Pois os seus olhos vêem, e os seus ouvidos ouvem. Lembrem-se disto: muitos profetas e muitas outras pessoas do povo de Deus gostariam de ver o que vocês estão vendo, mas não puderam; e gostariam de ouvir o que vocês estão ouvindo, mas não ouviram”. (vers. 16) (Mateus – Cap. 13)

De que outra forma explicar o martírio dos primeiros cristãos? Como aceitar que se deixaram ser atirados nas arenas, onde permaneceram em oração? Estes cristãos “ouviram” de Jesus que eram espíritos, que viviam em um mundo espiritual onde a essência das coisas devia ser o alvo da atenção, que vinham a este planeta provar que aprenderam o amor universal para reagir apenas com ele. Esses cristãos aceitaram Deus como a “Causa Primária” de todos os acontecimentos.

Entretanto, aqueles que receberam a doutrina passada pelo Mestre guardaram estes segredos a “sete chaves” para que apenas eles pudessem possuí-los. Transformaram a Boa Nova, doutrina baseada exclusivamente no amor, em um código de leis, onde, atemorizando os seguidores, conseguiram manter o poder e o privilégio. Por isto Jesus disse:

“Aí de vocês, professores da Lei e fariseus, hipócritas! Pois fecham a porta do Reino do céu aos outros, mas vocês mesmos não entram nem deixam entrar os que estão querendo”. (Mateus – 23,13)

A verdadeira doutrina de Cristo não pode servir para julgar, acusar ou penalizar ninguém, pois isto denotaria um sentimento de superioridade que acaba com a igualdade necessária para que aja o amor universal. Assim, os ensinamentos recebidos devem ser retransmitidos, sem que sejam usados para julgar ou apontar “erros”.

Ao dizer que devemos transmitir os ensinamentos que recebemos, Jesus não estava passando uma procuração para julgarmos os outros mas dizendo que devemos vivenciar esses ensinamentos em todos os momento da vida, não só nos atos, mas também nas palavras. Os ensinamentos devem ser transmitidos não como códigos de leis, mas como conversação constante.

Aquele que utiliza o amor está sempre repassando aos outros, mesmo sem motivos, as bases necessárias para a compreensão dos ensinamentos. A espiritualidade tem transmitido, a mando de Jesus, diversos avisos sobre a conversa tola. O ser humano perde o seu tempo em conversações frívolas, em assuntos que nada colaboram com a edificação do espírito. Aquele que tem o amor universal procura sempre transmitir a felicidade e sabe que ela só será alcançada quando se aprender a Boa Nova de Jesus.

“ninguém acende um candeeiro e põe-lhe em cima uma redoma; nem o coloca em um lugar escondido”

Guardar um ensinamento só para si é egoísmo. O espírito vem à carne com a missão suprema de ajudar a Deus na Sua obra e para isso é preciso que ele se relacione com outros espíritos. Por isto Jesus afirma que ninguém acende um candeeiro para lhe colocar em cima uma redoma ou mantê-lo escondido. É preciso que ele esteja à vista para que a sua luz ilumine o caminho dos outros.

Aquele espírito que vivencia o amor universal, quer seja pelos seus atos como pela transmissão de ensinamentos, serve como guia para aqueles que ainda não conseguiram, transformando-se em um farol que ilumina o caminho a ser percorrido.

“mas prepara-lhe um pedestal para que todos que entrem e saiam possam ver a luz”

As situações que Deus coloca na vida de cada um existem para que aquele que tenha mais amor possa doar este amor ao seu semelhante. Elas são um pedestal para que a luz do amor possa iluminar o caminho do outro.

Quando o ser humano perde o seu tempo em discussões frívolas, em assuntos banais, fofocas, está escondendo a sua luz.

Relembrando a “Parábola dos Talentos” (Jesus e os três empregados), Deus nos confia o amor universal para que possamos multiplicá-lo enquanto estivermos longe Dele (sem memória das coisas espirituais). Aquele que conseguir multiplicar este amor receberá mais amor para trabalhar, pois provou que é capaz de multiplicar o pouco. Aquele que esconder este amor será jogado em um lugar escuro, onde existe o ranger de dentes, ou seja, a infelicidade. Este local é esta “dimensão” onde vivemos, pois só aqui existe o “sofrimento”. Está aí a razão da reencarnação.

O evangelho segundo Tomé

Logia 34 - Guia de cego

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Logia 34

“034. Disse Jesus: se um cego guia outro cego, ambos caem no abismo”.

CEGO

A definição de Jesus com relação a enxergar ou não, foi transmitida por João no seu Evangelho.

 “Eu vim a este mundo a fim de julgar, para que os cegos vejam e para que os que vêem se tornem cegos”. (9,35)

Os ensinamentos de Jesus foram trazidos com a intenção de dar a real visão das coisas àqueles que afirmam que não podem “ver” as coisas. Para compreendermos este ensinamento, temos que voltar ao tema “percepções”, já explicado neste livro.

Quando uma percepção penetra pelo órgão da visão do ser humano, ela é encaminhada ao espírito e ali é analisada com a influência dos “conceitos” pré-estabelecidos armazenados. É desta análise que sairá a compreensão sobre o que está sendo percebido. É o resultado desta análise que o ser humano chama “ver”.

Caso o ser humano tenha experimentado anteriormente uma maçã e tenha gostado, ficará arquivado em sua memória o conceito que a maçã é uma fruta gostosa. Este conceito será aplicado toda vez que o ser humano receber as informações que identifiquem uma maçã: cor, cheiro, forma e sabor. Assim, toda vez que ele vir uma maçã, não estará apenas vendo uma maçã, mas estará vendo “uma maçã gostosa”. Os sentimentos anteriores sobre determinada coisa comporão a visão que o ser humano tenha sobre ela.

Quando o espírito arquiva em sua memória conceitos sobre outras pessoas, estes conceitos serão aplicados para formar a visão que está sendo alcançada do ato atual desta pessoa. Se ela um dia teve um dos seus atos julgados como “mal” por este espírito, toda vez que a imagem dela for captada o espírito verá maldade. Esta visão independente do sentimento (intenção) que ela esteja utilizando para a prática deste determinado ato.

Aquele que se diz capaz de ver, ou seja, de compreender o que está acontecendo, na verdade está vendo aquilo que ele “acha” sobre a situação, de acordo com os conceitos anteriores já formados. Por isso “Sábio”, no livro Eclesiastes da Bíblia afirma:

“É ilusão, é ilusão. Tudo é ilusão. A gente gasta a vida trabalhando, se esforçando e afinal que vantagem leva em tudo isso? Pessoas nascem, pessoas morrem, mas o mundo continua sempre o mesmo. O sol continua a nascer e a se pôr e volta ao seu lugar para começar tudo outra vez. O vento sopra para o sul, depois para o norte, dá voltas e mais voltas e acaba no mesmo lugar. Todos os rios correm para o mar, porém o mar não fica cheio. A água volta para onde nascem os rios, e tudo começa outra vez. Todas as coisas levam a gente ao cansaço – um cansaço tão grande, que nem dá para contar. Os nossos olhos não se cansam de ver nem os nossos ouvidos de ouvir”. (1,1)

O ser humano se cansa de achar que é capaz de “ver” (saber) as verdades sobre as coisas. Entretanto, as coisas acontecem independente de seu “achar” e seguem o seu fluxo natural. Isto porque a realidade das coisas não pode ser alcançada com o “achar” do espírito, que nada mais é do que uma ilusão criada a partir dos conceitos. Como os conceitos são individuais, a “realidade” alcançada quando se “vê” alguma coisa, trata-se de uma “realidade particular”, ou seja, uma ilusão.

Para que o espírito possa realmente compreender o que está acontecendo sobre as coisas do planeta, é necessário que ele deixe de tentar compreendê-las, ou seja, de analisá-las com seus conceitos. Só desta forma ele poderá alcançar a realidade universal desta coisa. Enquanto houver a aplicação dos conceitos (“enxergar/achar”), o espírito estará preso em um mundo ilusório que só pertence a ele mesmo.

Uma calça não é bonita ou feia, pois depende do critério (conceito) anterior do espírito sobre o que é ser bonito. Uma calça é apenas uma calça, independente do gosto de cada um (realidade universal). O espírito que afirma que consegue “enxergar” as qualidades desta calça estará criando uma ilusão a partir de seus conceitos sobre a qualidade aplicada (realidade particular).

Por isto Jesus afirma que veio para trazer os ensinamentos necessários para que aquele que afirma “ver” se torne cego, ou seja, não passe mais a forma captada pelos órgãos da visão pelo crivo dos seus conceitos. O amor universal ensinado pelo Mestre não permite que o espírito qualifique as formas que percebe.

A constante análise (julgamento) de todas as formas percebidas com a utilização do conceito gera o cansaço que o Sábio falou. Este esforço acaba com a alegria de viver uma vida simples que o espírito deve ter.

Quando o espírito abrir mão deste poder de analisar todas as coisas que acontecem, encontrará a verdadeira felicidade de viver com alegria.

Por isto Jesus afirmou na logia 90: “vinde a mim, pois o meu jugo é leve e meu domínio suave e achareis repouso”.

Mesmo que o espírito conclua positivamente (elogie) o que está “vendo”, ele só pode proceder desta forma porque conhece a comparação bom/mau, feio/bonito etc. Uma calça só poderá ser bonita porque foi comparada a outra, onde o espírito “viu” feiúra.

A compaixão, característica do amor universal ensinada por Jesus, não permite que o espírito critique nada, pois desta forma estará transmitindo a reprovação, que fere.

Toda qualificação segue uma escala entre dois pontos distintos: o bom e o mal, o feio e o bonito. Esta escala necessária para se “enxergar” o objeto acaba com a igualdade necessária para que o amor universal ensinado por Jesus esteja presente.

Aquele que “vê” (acha) alguma coisa sobre qualquer ato, pessoa ou objeto, está negando os ensinamentos de Jesus. Aquele que se diz cego, ou seja, não consegue “enxergar” o que está se passando, coloca na prática os ensinamentos do Mestre.

“se um cego guia outro cego, ambos caem no abismo”

Quando um ser humano transmite para outro o seu conceito sobre determinada coisa, está afastando este outro dos ensinamentos de Jesus e, portanto, colocando pouco ou muito “sal” na vida dele. Auxiliar realmente o seu irmão na caminhada é transmitir os ensinamentos sem julgar os atos que ele estiver praticando.

Um conhecimento necessita ser vivenciado para que se transforme em base para próximos raciocínios.

Guiar alguém que ainda se imagina capaz de “enxergar” (cego) é apenas transmitir a Boa Nova de Jesus e não julgar ou analisar situações. O guia apenas ensina e permite que o seu seguidor pratique ou não, sem acusações posteriores. Aquele que faz acusações contra os que ainda conseguem “ver”, também é um cego.

O ensinamento “Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos”, já nos foi transmitido por Emmanuel. Aquele que recebe o ensinamento será capacitado por Deus para a perfeita compreensão dele. Esta capacitação pode ser alcançada através de dois caminhos: o amor ou a dor. Se o espírito que recebe a Boa Nova consegue reagir com amor aos acontecimentos subseqüentes, abrindo mão da sua capacidade de “enxergar” o que está se passando, aprenderá mais rapidamente.

Entretanto, a grande maioria não consegue reagir desta forma. Por este motivo, Deus precisa colocar situações onde fique comprovado que o que ele está vendo não é a realidade, mas uma ilusão criada pelo seu “saber” das coisas. É esta a “capacitação” que Deus dá àquele que foi escolhido (por merecimento) para receber as lições de Jesus.

Neste momento, aquele que serviu como transmissor para o ensinamento não pode jamais querer “enxergar” os acontecimentos e acusar quem reagiu com sentimentos negativos. Esta forma de proceder só comprovará que os dois são “cegos” espiritualmente.

Por isto Jesus condena os professores da Lei que acusam aqueles que estão sob sua orientação:

“Ai de vocês, professores da Lei e fariseus, hipócritas! Pois dão a Deus a décima parte até mesmo da hortelã, da erva doce e do cominho, mas deixam de obedecer aos ensinamentos mais importantes da Lei, como a justiça, a bondade e a obediência a Deus. Vocês deviam fazer estas coisas, sem desprezar aquelas. Guias cegos! Coam um mosquito, mas engolem um camelo”. (Mateus – 23,23)

Aquele que afirmam que fazem a sua parte, mas condenam aqueles que não fazem, não obedecem aos ensinamentos de Deus, pois não vêm a ação de Deus motivada pelo Amor Sublime aplicando a Justiça Perfeita.

O evangelho segundo Tomé

Logia 35 - O ladrão

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Logia 35

“035. Disse Jesus: Não é possível que alguém entre na casa de um forte e o submeta; a não ser que lhe ate as mãos; aí, então, pode pilhar-lhe a casa”.

“Não é possível que alguém entre na casa de um forte e o submeta; a não ser que lhe ate as mãos”

Alguém que tenha intenção de subtrair bens de uma casa de outra pessoa quando esta esteja presente necessita, antes de alcançar o seu intento, eliminar a possibilidade de reação do proprietário. Para isto, terá que prender as mãos do dono da casa, impedindo a sua reação.

Mais uma vez, Jesus faz uma figura para trazer um ensinamento aos espíritos. A casa onde os espíritos residem é o seu “invólucro” material (corpo material mais denso e corpo material menos denso). É dentro destes invólucros que o espírito guarda os seus bens: os sentimentos.

Os sentimentos são matérias energéticas, ou seja, ondas eletromagnéticas que se propagam em forma não retilínea e possuem determinada faixa de amplitude e de velocidade. Estas ondas penetram nos invólucros através dos “chacras”.

Estes chacras espalham estas ondas eletromagnéticas por todo o corpo físico e perispiritual (invólucros) e posteriormente, chegam ao espírito, onde ficam armazenadas à disposição deste para escolha na hora da reação a uma percepção. Todos os espíritos possuem, dentro do invólucro material (perispírito), à sua disposição, todos os tipos de sentimentos. Como nos ensinou Buda Guautama, os sentimentos existem dentro do ser humano como sementes que ele rega para reagir às percepções.

Estas são as únicas posses que o espírito tem, pois elas ficam armazenadas dentro do invólucro material menos denso (perispírito) e acompanham o espírito após o desencarne do invólucro material mais denso (corpo físico). Por isto a sabedoria popular afirma que a única coisa que se leva desta vida são os “momentos” que passamos. Na verdade não são os momentos, mas sim os sentimentos que adquirimos nesses momentos.

Um ladrão que queira assaltar a “casa” do espírito para subtrair de lá suas posses (sentimentos), precisa antes eliminar qualquer possibilidade de reação do proprietário. Como já vimos anteriormente, a única reação positiva que o espírito pode ter sem prejudicar a sua residência é a escolha dos sentimentos que compõem o amor universal. Isto ocorre porque o sentimento que o espírito escolher para reagir ‘’ é o mesmo que será absorvido por ele mesmo em maior quantidade.

Quando um espírito escolhe um sentimento de mágoa para reagir a um acontecimento, ele colherá mais deste sentimento no universo. A mágoa, por sua negatividade, poderá causar desgaste à própria matéria física. A medicina hoje já aceita esta verdade quando atribui a muitas doenças um fundo “emocional”.

Portanto, um espírito que queira “roubar” os sentimentos de outro, necessita acabar com a chance de que este utilize os sentimentos que compõem o amor universal. Se ele é composto de felicidade, compaixão e igualdade, o ladrão deverá utilizar, para neutralizá-los, os seus opostos: a infelicidade, o sofrimento e a desigualdade. Estes três sentimentos se expressam através da crítica oriunda de um julgamento.

Quando um espírito critica o outro está levando para ele a infelicidade, pois estará julgando-o por ter cometido um “erro”. Por ver ferido seus conceitos, o espírito acusado se contraria, sofre e sente-se inferiorizado, pois aquele que faz a crítica, julga-se superior com isso, trazendo ao outro também o sentimento da humilhação.

Quando o “ladrão” critica está levando o proprietário da “casa” criticada, caso não tenha conhecimento dos ensinamentos de Jesus, a escolher estes sentimentos negativos para reagir. Desta forma, o “ladrão” elimina a possibilidade da reação positiva por parte do proprietário. Este é o ensinamento de Jesus nesta logia.

“aí, então, pode pilhar-lhe a casa”

Paz de espírito é um estado que leva o espírito a entrar no gozo da felicidade universal, ou seja, a eliminar a necessidade da satisfação pessoal (prazer) para alcançar a alegria.

Para que a paz de espírito exista é necessário que se reaja às situações com o amor universal.

O fim da utilização do amor universal para reagir às situações da vida acaba com a paz de espírito.

Paz de espírito é, então, o conjunto de sentimentos positivos que um espírito possui. Ela representa o bem maior que um espírito pode conseguir.

O crítico é o ladrão que rouba este bem de outro espírito.

Nas leis de Moisés está escrito não roube, mas Jesus disse:

“Não pensem que eu vim acabar com a Lei de Moisés e os ensinamentos dos profetas. Não vim acabar com eles e sim dar o verdadeiro sentido deles”. (Mateus – 5,17)

Dar o verdadeiro sentido à lei de Moisés é ensinar que ladrão não é só aquele que subtrai posses materiais dos outros, mas entender que aquele que rouba a paz do espírito, também contraria esta lei.

Quando um ser humano condena alguém ou alguma atitude é porque teve seus conceitos contrariados. Como estes conceitos são apenas seus, terá que transferi-los para a outra pessoa para que ela “concorde” com ele. Isto se chama “convencer”.

Convencer outra pessoa dos nossos argumentos é muito difícil, pois tudo que ela ouvir passará pelos seus conceitos já formados, que são diferentes dos nossos. Não existem duas pessoas iguais, porque não existem dois conjuntos de conceitos iguais.

Uma vez que não consigo convencer, preciso “roubar” a sua paz para poder fazer com que essa pessoa aja da forma que eu “acho” certo. Para isso é preciso primeiro “amarrar as suas mãos” (negativar seus sentimento positivos) para que ela não reaja.

Como o ser humano não consegue entender desta forma, continua praticando o “assalto” à casa de seus irmãos.

Àqueles que se acham no direito de poder invadir a residência de outro e roubar a sua paz de espírito, Deus ordena que outro invada a dele e faça a mesma coisa. Aqueles que gostam de criticar, serão criticados, quem gosta de julgar, será julgado... Jesus nos disse que com o mesmo critério que julgarmos, seremos julgados.

Entretanto Deus não faz isso como castigo ou pena, mas com a intenção que o espírito alcance a consciência do que provoca no seu irmão e o objetivo da Providência ao agir desta forma é que o espírito desperte para a realidade do que ele também está promovendo.

É a maior ação do Amor Sublime. Como um pai que coloca seu filho de castigo com a intenção de que ele se corrija, Deus nos dá as situações de sofrimento. Elas não devem ser recebidas como penas, mas devem ser encaradas como a ação de Deus para que o espírito alcance a evolução.

Ë por este motivo que devemos manter sempre a nossa alegria, sob quaisquer circunstâncias, mesmo aquelas mais penosas para nós, pois sabemos que é Deus nos auxiliando em nossa evolução. Sofrer é acusar a Deus de injusto.

Para alcançar esta visão das coisas universais é preciso eliminar os nossos conceitos ou nosso “achar” sobre as coisas e, neste momento, alcançaremos a Verdade Universal da presença de Deus de forma Perfeita (Inteligente, Justa e Amorosa).

O evangelho segundo Tomé

Logia 36 - Preocupação

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Logia 36

“036. Disse Jesus: não vos preocupeis de manhã à noite, e da noite à manhã com o que haveis de vestir”.

CAUSA DAS COISAS

No Evangelho de Mateus, existe a explicação para esta afirmação de Jesus.

“E porque vocês estão preocupados com as roupas? Vejam como crescem as flores do campo: elas não trabalham nem fazem roupas para si mesmas. Mas eu afirmo que nem mesmo Salomão, sendo tão rico, usava roupas tão bonitas como essas flores. É Deus quem veste a erva do campo, que hoje floresce e amanhã desaparece, queimada no forno. Então é claro que Deus vestirá também vocês, que têm uma fé tão pequena”! (Mateus – 6,28)

Jesus nos conclama a não nos preocuparmos com as roupas que vestiremos, porque é Deus quem veste todas as coisas que existem no Universo. No texto de Mateus, existe ainda a citação de que também não devemos nos preocupar com a comida e bebida que necessitamos, pois Deus também as proverá, como provê para os animais.

Com estes exemplos, Jesus está nos dizendo: Deus provê todas as nossas necessidades.

Imaginamos que somos seres autônomos, com liberdade irrestrita de fazermos aquilo que quisermos, mas Jesus nos diz que Deus é que provê todas as coisas de nossas vidas. Afirmamos que uma pessoa passa por necessidades porque não trabalha, pois é um “vagabundo”. Mas, se Deus é quem provê o alimento, qual a influência do trabalho nisto?

No Livro dos Espíritos, a espiritualidade superior transmitiu a Allan Kardec esta resposta:

1 – Que é Deus?

Deus é a Inteligência Suprema, Causa Primária de todas as coisas.

Deus causa tudo o que acontece. Não cai uma folha de uma árvore sem que o Pai a faça cair. Todos os acontecimentos do Universo são comandados por Deus, pois tudo participa de uma interação e apenas Aquele que possui a verdadeira compreensão do sincronismo do funcionamento desta “máquina” pode comandar os acontecimentos.

Deus tem esta função porque possui a Inteligência Suprema, ou seja, a melhor capacidade de avaliar o efeito daquilo que está sucedendo para todas as coisas do Universo.

Entretanto, na pergunta 04 do mesmo livro, a resposta da espiritualidade foi a seguinte:

4 – Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?

Num axioma que aplicais às vossas ciências: não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem, e vossa razão vos responderá.

As palavras em destaque separaram as obras do homem das obras de Deus. Ficou a idéia de que Deus só causa aquilo que não é obra do homem, que passou, então, a ser o próprio causador do que faz.

Criou-se o mundo material, onde o homem causa as coisas e o mundo espiritual, onde Deus é a Causa Primeira.

Com essa idéia, explica-se por que o homem passa fome: porque é vagabundo e não porque Deus causou o seu desemprego... O inimigo mata e fere quem quiser e não Deus é quem causa ferimentos em que merece e precisa...

A separação do Universo em dois mundos distintos criou duas causas primárias!

07 - Poder-se-ia encontrar a causa primeira da formação das coisas nas propriedades íntimas da matéria?

Mas, então, qual seria a causa dessas propriedades? É preciso sempre uma causa primeira.

Na pergunta 07 do mesmo livro, a espiritualidade já começou a também deixar mensagens sobre este entendimento que já sabia que seria alcançado se o homem não abandonasse a sua soberba de querer ser causa primeira das coisas, ou seja, Deus.

No exemplo acima, o que teria causado ao homem a situação de mendicância? O que teria causado a situação de desemprego?

Poderíamos afirmar que o próprio homem é o culpado pois não estudou, entregou-se a vícios, etc. Entretanto, isto seria uma inverdade. Na situação dos dias de hoje, muitos homens que se encontram nesta situação possuem estudo avançado e não chegaram a esta situação por causa de vícios. A causa desta situação seria, então, a “atual conjuntura” do mundo?

Aplicando-se o contido na pergunta 07, que todo efeito deverá ter uma causa primeira, qual seria a causa da conjuntura atual? Diversos motivos podem ser citados, mas sempre continuaríamos a questionar: qual a causa primeira disto? Sempre, no fim de qualquer destes questionamentos, teríamos obrigatoriamente que chegar à ação de Deus sobre todas as coisas.

Foi Deus quem “escolheu” aquele determinado homem para ficar sem emprego ou cair em determinado vício. Foi Deus quem gerou a situação financeira mundial dos dias de hoje para que as pessoas passassem por determinadas situações. É Ele quem diz que efeito terá a situação sobre o destino de cada um e dos que convivem com ele!

Mas, por que Deus dá determinadas situações às pessoas?

9 – Onde se vê, na causa primeira, uma inteligência suprema e superior a todas as inteligências?

Tendes um provérbio que diz isto: pela obra se reconhece o artífice. Pois bem! Olhai a obra e procurais o artífice. É o orgulho que engendra a incredulidade. O homem orgulhoso não vê nada acima dele e é por isso que ele se chama de espírito forte. Pobre ser, que um sopro de Deus pode abater!

O ensinamento da pergunta 09 do Livro dos Espíritos é muito claro. É a soberba do homem que o leva a imaginar-se causador dos acontecimentos do planeta. Ele se imagina um “deus”, capaz de causar as coisas e por isto não consegue encontrar a ação do Pai no universo e em sua vida.

Nada que acontece pode depender do homem porque ele não possui inteligência suficiente para administrar o “destino” dos outros e das coisas. Como pode o homem imaginar que ele pode determinar o fim de alguma coisa, enquanto houver necessidade que ela ocorra? Com que direito ele pode imaginar que tem o poder de causar ferimentos em quem não merece, ou conseguir relevar o sofrimento daquele que merece e precisa sofrer?

No Universo tudo se interage: tudo gera um efeito que atinge todas as outras coisas e seres. Um homem sai para comprar uma determinada quantidade de pão e imagina que ele mesmo escolheu a quantia e onde comprar. Será que ele pode escolher a padaria e a quantidade de pães? Se todos os habitantes do planeta decidirem, ao mesmo tempo, comprar uma grande quantidade de pão, isto afetará todos os habitantes do planeta, pois será necessário derrubar florestas e mais florestas para que se plante mais trigo para fazer muito mais pão...

Quanto ao local onde comprar esses pães, “escolhendo” uma determinada padaria para comprar uma grande quantidade de pães, poderia acabar levando fortuna ao seu proprietário e aos seus familiares. Mas, será que estava no destino dessas pessoas ficarem “ricas”? Além disso, existe a questão com os impostos do governo, que, com o dinheiro dos pães, poderá ajudar, por exemplo, no financiamento de mais programas espaciais para mandar naves para outros planetas...

Será que um homem apenas pode decidir até sobre a vida dos seres que habitam em outros planetas, nos quais as naves irão chegar?

Somente Deus, que possui a capacidade suprema de analisar o que é mais justo e amoroso para cada um pode decidir sobre as coisas. Mas, que critérios Deus usa para efetuar esta análise?

851 – Há uma fatalidade nos acontecimentos da vida, segundo o sentido ligado a essa palavra, quer dizer, todos os acontecimentos são predeterminados? Nesse caso em que se torna o livre arbítrio?

A fatalidade não existe senão pela escolha que faz o espírito, em se encarnando, de suportar tal ou tal prova. Escolhendo ele faz uma espécie de destino que é a conseqüência mesma da posição em que se encontra. Falo das provas físicas, porque para o que é prova moral e tentações, o espírito conservando seu livre arbítrio sobre o bem e sobre o mal, é sempre senhor de ceder ou de resistir.

O mendigo passa fome e outras necessidades porque escolheu esta vida para ele antes de encarnar...!

Suas aspirações se concretizarão ou não se você tiver optado por esse acontecimento em sua vida carnal, antes dela acontecer. Deus dá a cada um o que ele próprio planeja para a sua encarnação a fim de que alcance a maior evolução espiritual possível durante essa vida carnal.

Porém, você possui o livre arbítrio para escolher como passará por essas situações, quais sentimentos irá escolher para suportá-las. Essa é a prova do espírito encarnado. É de acordo com estas “escolhas” de sentimentos que o espírito faz, que Deus lhe dá as situações da vida.

Um espírito planeja, por exemplo, antes da encarnação que constituirá família com outro, que também concorda com isto. No planejamento dos dois isto vem “assinalado” e eles se juntarão no momento que foi decidido e se separarão, por diversos motivos, em outro momento, que também já está predeterminado. Entretanto, durante a união, diversas provas ocorrerão: chances de infidelidade, de comando da vida do outro, de “juiz” da vida alheia, etc. Serão as vitórias ou as derrotas a estas tentações e, se elas acontecerem, o sentimento que será usado para “passar” pela situação, que dirão se os espíritos serão felizes ou não naquela união. Entretanto, a união ocorrerá no dia predeterminado, com a pessoa escolhida anteriormente e terá a duração já determinada para que cada espírito tenha a oportunidade de sua evolução!

Minha missão neste planeta é responder com amor a todas as situações que Deus cria como prova.

“não vos preocupeis de manhã à noite, e da noite à manhã com o que haveis de vestir”

Se todas as situações já se encontram predeterminadas e a felicidade dentro delas depende da escolha do sentimento que se fizer, para que preocupação?

 Preocupar-se com alguma coisa é tentar imaginar o que acontecerá, para que, por que, quando, onde.

O ser humano preocupa-se com os acontecimentos futuros porque se imagina capaz de determinar a forma com que eles ocorrerão. Quer ser o causador das situações porque não entende que não poderá alterá-las. O único poder que ele tem é não ceder às tentações em cada momento de sua vida, ou seja, reagir a todos os momentos com o amor universal. Mesmo que a situação de agora aparentemente não tenha relacionamento com a situação que se está preocupado, é a resistência à tentação de agora que dirá a Deus o futuro do espírito.

Mas, para alcançar esta consciência, o ser humano precisa ter fé: entrega e confiança completa em Deus. É necessário que ele alcance a visão de que o Pai é Inteligente, Justo e Amoroso e que, não importa o que aconteça, terá a forma que ele merece e precisa e será proporcionado com a intenção de que ele evolua na sua real vida: a espiritual.

O evangelho segundo Tomé

Logia 37 - Alcançando Jesus

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Logia 37

“037. Seus discípulos disseram: quando irás desvelar-te a nós e quando haveremos de ver-te?” Respondeu-lhes Jesus: quando vos despirdes sem sentir-vos envergonhados e puserdes vossos vestidos sob vossos pés, e como crianças pisardes neles, aí podereis ver o Filho daquele que é Vivo e não tereis medo”.

“quando irás desvelar-te a nós e quando haveremos de ver-te?”

Os discípulos questionam Jesus sobre o que precisam fazer para alcançar o amor que Ele pregava, o que deviam fazer para alcançar o estágio de felicidade absoluta que o Mestre ensinava.

“quando vos despirdes sem sentir-vos envergonhados”

Para isto ocorrer, Jesus afirmou que havia a necessidade do ser humano despir-se sem sentir vergonha de sua nudez, era preciso que retirasse as “roupas” que escondiam a sua verdadeira essência. Estas “roupas” são os conceitos que o ser humano possui e que servem como máscaras para encobrir a sua real intenção.

As leis individuais (conceitos) servem como desculpas do ser humano para não encarar a sua própria realidade. Aceitando que não existe outra lei a não ser amar a Deus e amar ao próximo como a si mesmo, o homem terá que aceitar que não pode estabelecer padrões para serem seguidos.

É mais fácil achar um culpado e acusar um assassino de ferir a lei, do que assumir que se houve um assassinato, tanto quem matou como quem desencarnou, precisava e merecia passar por aquela situação, seja por prova, missão ou pena.

Para encontrar a felicidade plena temos que retirar as máscaras que utilizamos para nos transformamos em juízes das atitudes alheias e entender que elas só acontecem desta forma porque nós merecemos e precisamos.

É preciso não ter a vergonha de assumir que todos os espíritos que estão no Universo encontram-se em evolução e, portanto, são passíveis de ter conceitos equivocados sobre as coisas.

Para chegar ao amor universal é preciso abrir mão de tudo aquilo que se imagina “saber” para alcançar a compreensão de que nada sabemos. É preciso parar de imaginar que compreendemos as coisas, pois nada se compreendemos em sua essência.

“puserdes vossos vestidos sob vossos pés”

Colocarmos todas as nossas “imaginações” frente a uma só realidade: eu merecia e precisava. O ladrão é comandado por Deus para assaltar a quem precisa ou merece. Enquanto imaginarmos que o ladrão nos causou mal ou prejuízo, não conseguiremos entender que ele só veio nos tirar o que era de Deus e estava sob nossa guarda.

 Nosso problema não deve ser com o ladrão. Não somos juízes do Universo para julgar os atos de outras pessoas, mesmo do ladrão. Tenho que buscar em todos os acontecimentos o que Deus está querendo me dizer pois só Ele comanda os atos, não como punição, mas como um aviso a cada um.

Colocar aquilo que nos veste (conceitos) aos nossos pés é justamente compreendermos que o que “achamos” dos outros deve ser buscado em nós mesmos e não no próximo. Não adianta ficar acusando todos de terem feito o que fizeram, mas é necessário que se entenda o que Deus está querendo nos dizer...

O roubo não é um crime que alguém comete contra você, mas uma forma que Deus encontra para lhe enviar um aviso. Pode ser que você seja ganancioso, pode ser que tenha gerado apegos, que “possua” ou tenha “poder” sobre os outros ou sobre bens materiais. É por isto que o ladrão se aproximou de sua residência e conseguiu subtrair alguns bens. Entretanto, ele pode ter vindo apenas socorrer você... Deus pode tê-lo mandado tirar o seu automóvel porque você precisava caminhar mais para não ter uma doença nas pernas, ou talvez porque aquele veículo estivesse impregnado de energias negativas ...

Os motivos podem ter sido vários, mas não importam quais foram. O importante e necessário é mudar a visão que acusa os outros e aproveitar o acontecimento para encontrar sua reforma íntima.

“e como crianças pisardes neles”

Nesta análise, entretanto, até o motivo que faz Deus comandar os atos não deve ser a nossa preocupação, pois o espírito imperfeito não conseguirá “despir-se” completamente para conseguir ver como é ganancioso, possessivo e apegado à suas verdades, gerando sempre “desculpas” para o seu proceder.

Por isto Jesus nos aconselha a sermos como crianças que não guardam mágoas ou rancores, quer sejam delas mesmas ou de outros. Devemos “pisar” nos acontecimentos, passando o momento com alegria seja ele qual for.

Não importa o motivo pelo qual Deus providenciou acontecimentos em nossas vidas, pois qualquer que tenha sido ele, nós só evoluiremos se aplicarmos no acontecimento o amor universal. Para nos curarmos da ganância, posse, poder, etc, só amando o próximo. Por isso Jesus resumiu todas as leis de Moisés em apenas duas: AMAR A DEUS ACIMA DE TUDO E AO PRÓXIMO COMO A SI MESMO.

Quem ama o próximo não mata, não rouba, não adultera. Quem ama a Deus não coloca nada em superioridade a Ele nem invoca o Seu nome em vão. A única estrada para alcançar Jesus é na qual se caminha com amor.

Sentimentos de culpa ou acusação não levam a Jesus, mas trazem apenas a auto-flagelação, que, por sua vez, produz sentimentos contrários ao amor. É por isso que devemos esquecer os acontecimentos passados, “pisar” neles e viver cada segundo com amor, procurando sempre a evolução.

Orai e vigiai, ensinou Jesus. Vigiar todos os segundos da vida para que eles sejam vividos em oração, ou seja, como Jesus ensinou através do Pai Nosso.

“aí podereis ver o Filho daquele que é Vivo”

Somente entendendo que tudo que acontece não é obra do acaso, da nossa vontade ou da vontade alheia, mas reflete o nosso merecimento e a nossa necessidade e que nos é dirigido, não por penalidade ou castigo, mas para que tenhamos a chance de interiorizar o amor.

O amor universal, aquele que Jesus ensinou, é alegria, compaixão e igualdade.

Quando não vemos merecimento no que recebemos, imaginamos que outros foram superiores a nós, pois tiveram a condição de nos ferir e tirar nossa alegria... Se nos imaginamos “culpados”, sentimo-nos inferiores aos outros, nos flagelamos, causando mais tristeza em nossas vidas.

Para se encontrar Deus e Jesus é necessário acabar com todas as culpas, inclusive a nossa mesmo.

“e não tereis medo”

Com isto acabar-se-ão todos os medos de errar, causar sofrimento, sofrer, de ser injustiçado. Todo medo que o ser humano possui é causado pela incerteza do amanhã, do que acontecerá no futuro.

Este medo reflete a falta de confiança em Deus. Reflete a ignorância de que Ele é o causador das coisas do Universo e que o destino está traçado e é escrito a cada segundo, de acordo como reagimos a cada acontecimento.

Esta certeza pode acabar com o medo do ser humano de viver. Acabando com o medo, encerram-se, também, as preocupações.

O espírito vem à carne apenas com uma realização a cumprir: viver.

Viver é encontrar-se em um estado de felicidade pura, de harmonia e paz. Como conciliar este estado com a incerteza? Com a certeza de que Deus comanda os atos de acordo com os sentimentos, trocando a acusação pela convicção do merecimento e a flagelação pela constatação da nova chance que Deus nos dá.

Costuma-se dizer que o “amanhã a Deus pertence”, mas ainda nos preocupamos em querer “fazer” este amanhã. Com estes ensinamentos passamos a saber o que acontecerá amanhã: o que Deus quiser, dentro do que merecemos, pela nossas ações de hoje.

Usando o amor universal hoje, amanhã encontraremos Jesus e não teremos medo.

O evangelho segundo Tomé

Logia 38 - Religiões

“038. Disse Jesus: muitas vezes desejastes ouvir estas palavras que eu vos digo, e não tivestes a quem mais recorrer para ouvi-las. Haverá dias em que me procurareis e não me achareis”.

“muitas vezes desejastes ouvir estas palavras que eu vos digo”

O ser humano tem um sentimento intuitivo que lhe afirma que existe no Universo alguma coisa mais do que aquilo que ele consegue captar com os seus sentidos.

05 – Que conseqüência se pode tirar do sentimento intuitivo que todos os homens carregam em si mesmos da existência de Deus?

Que Deus existe; porque de onde lhe viria esse sentimento se ele não repousasse sobre nada? (Livro dos Espíritos)

Esta procura dirige-se ao encontro da Causa Primária das Coisas.

Deus não é um ser que tem este nome, pois é conhecido em outras regiões do planeta com outros nomes: Jeová, Alá, etc. Na verdade, podemos entender que Deus é um “título” que se dá àquele que é a Causa Primária de todas as coisas.

A busca de Deus repousa na constatação do ser humano da sua completa impotência em causar os acontecimentos de sua vida, ou seja, de comandar o seu destino. O ser humano faz planos, preocupa-se em formar bases para um futuro planejado, mas geralmente nada do que foi planejado ocorre. Mesmo quando o futuro se encaixa nos planos do ser humano, não existe a completa adequação a estes planos, sendo necessário que ele faça concessões.

Esta impotência leva o ser humano a acreditar que deve existir algum ser superior a ele que “comande” os acontecimentos de sua vida e da vida das outras pessoas.

Desde o início da humanidade o homem busca esta Causa Primária. Primeiro atribuiu a este “ser” a forma dos elementos da natureza, que ele também não conseguia controlar. Depois, quando passou a conhecer alguns detalhes sobre estes fenômenos, procurou seres místicos que eram representados por junções de animais e seres humanos. Quando se deu conta da sua superioridade sobre os animais, passou a imaginar a Causa Primária de sua vida como um outro “ser humano super potente”.

Para poder “ligar-se” a este ser, os homens reuniram-se em grupos que passaram a se chamar “religiões” ou uma forma de se religar à Causa Primária das coisas.

O objetivo do ser humano com esta religação (religião) passou a ser mostrar uma aparente “subordinação” a Deus, mas com a real intenção de satisfazer seus desejos, como a única forma de ser “feliz”...

Para auxiliar o homem nesta religação, Deus sempre enviou a este planeta emissários especiais que transmitiram o que devia ser feito (modo de vida) por cada espírito. Estes emissários vieram sempre em nome de Deus e trouxeram sempre a mesma lição. Foi para isso que espíritos como Jesus, Buda, Maomé, Moisés, os apóstolos, os profetas, Allan Kardec e tantos outros tiveram uma existência carnal.

Das lições trazidas por estes emissários, o ser humano formou um corpo doutrinário que passou a reger o comportamento daqueles que participavam das suas religiões.

“e não tivestes a quem mais recorrer para ouvi-las”

Como braços de um rio que nasce de uma mesma fonte, todos sempre trouxeram a mesma mensagem. Entretanto, ainda como braços de um mesmo rio, cada um dos emissários de Deus teve que adaptar o seu “curso” de acordo com as “margens” que o cercava. Por este motivo, alteraram as palavras que explicavam as Verdades Universais de acordo com o entendimento de cada povo.

Porém, esta mensagem foi completamente deturpada pelo próprio ser humano que ainda não tinha vencido o seu “desejo” de ser o causador das coisas. Aqueles que não tiveram contato direto com estes emissários de Deus não conseguiram entender que a base do universo é Deus Causa Primária de todas as coisas. Somente aqueles que conseguiram “enxergar” no olhar dos enviados a sua submissão ao Pai é que puderam abrir mão do seu pretenso poder de ser o causador, para entregar novamente esse poder mãos de Deus.

Com medo de perder o “poder”, os seres humanos que assumiram a direção das religiões fundadas transformaram os ensinamentos dos enviados de Deus em um “código de leis”. Estes códigos foram elaborados visando balizar o comportamento do ser humano dentro de padrões que garantiriam causas mais agradáveis em sua vida.

Entretanto, aqueles que administraram as religiões transformaram estes códigos em ensinamentos de difícil compreensão e se auto denominaram “professores da lei”. Desta forma, conseguiram manter o poder sobre o grupo de participantes de sua religião.

A fim de não perder o comando sobre seus grupos, abominaram os ensinamentos de outros enviados, afirmando que “possuíam” a Verdade, ou seja, Deus. Com isto os grupos comandados por estes seres humanos ficaram cada vez mais presos e dependentes do poder daqueles. Na verdade, eles transformaram braços de um mesmo rio, em rios diferentes.

Por isto os evangelistas, com exceção de João, deixaram diversos ensinamentos onde o Mestre aponta o proceder dos professores da lei.

 “Os professores da Lei e os fariseus têm autoridade para explicar a Lei de Moisés. Por isso vocês devem obedecer e seguir tudo o que dizem. Porém não imitem as suas ações, pois eles não fazem o que ensinam” (Mateus – 23,1)

Para compreender os ensinamentos dos mestres enviados por Deus, o espírito deve ter como base de sua vida a intenção de servir ao Pai acima de suas “vontades pessoais”. Para isto é necessário que ele abra mão do seu pretenso poder de ser o “causador das coisas”.

Deus é o Pai e os enviados Dele são os messias, ou seja, os salvadores, aqueles que vieram transmitir o ensinamento salvador.

Todos os espíritos são mestres, pois têm o dever de auxiliar o seu irmão na caminhada. Para isto, têm que ser abrir mão do “poder” de julgar e condenar.

Mas, para colocar fim no julgamento é preciso acabar com os códigos de lei que foram criados pelas doutrinas religiosas.

Esta é a finalidade da Doutrina Espiritualista Ecumênica.

Reunindo os ensinamentos de todos os enviados de Deus e subordinando todos eles às Verdades Universais, a Doutrina Espiritualista traz a mensagem que cada um deve preocupar-se com seus próprios sentimentos. Não propaga leis de comportamento que devem ser cumpridas, mas afirma que todos têm os mesmos direitos.

Segundo os ensinamentos de Jesus, ninguém tem o direito de julgar, mesmo que seja sob os auspícios das leis divinas, pois todos nós temos um Pai que é o verdadeiro responsável por esta grande família.

Para alcançar esta plenitude de vida, no entanto, é necessário que o ser humano abra mão do seu poder de ser o “juiz” do universo.

Por isso o Espiritualismo Ecumênico Universal deixa de ser uma religião, ou seja, de determinar qual a melhor forma de se religar a Deus. A intenção deste grupo, determinada pelo Pai, é apenas formar um corpo doutrinário que restabeleça as Verdades Universais, dando a cada espírito o direito de se religar com Deus da forma que melhor lhe aprouver.

Os ensinamentos deste livro dão o perfeito entendimento dos ensinamentos dos mestres, alterados pelo corpo doutrinário das religiões, com a intenção de manter o “poder” do homem de ser o causador das coisas.

“Haverá dias em que me procurareis e não me achareis”

Por mais que o espírito estude e pratique as Verdades Universais jamais conseguirá atingir a perfeição. Isto acontece porque somente Deus possui todas os atributos elevados ao máximo. É preciso compreender que a perfeição jamais será atingida.

Por isto Jesus afirma que haverá momentos em que cairemos, ou seja, não conseguiremos praticar o amor universal. As Verdades Universais não podem ser consideradas um código de leis, mas sim um guia para orientar o espírito sobre a forma dele promover a sua reforma íntima. Porém, as Verdades Universais serão vivenciadas dentro da livre vontade do espírito.

No momento da “queda”, não deverá haver acusação de falhas, mas sim a continuidade da prática do amor. Aquele que possui o amor universal não pode condenar ninguém, nem a si mesmo.

Resumindo o ensinamento do Mestre:

“A vida é como uma estrada que se tem que caminhar. Ela está cheia de buracos e devemos ter a consciência que iremos cair em algum deles. Neste momento, devemos nos levantar rapidamente e continuar a caminhada com a uma única certeza: vamos cair novamente” (VELHO JOAQUIM – Preto Velho)

O evangelho segundo Tomé

Logia 39 - Chaves do conhecimento

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Logia 39

“039. Disse Jesus: os fariseus e os escribas receberam as chaves do Conhecimento e as esconderam. Eles não entram e não deixam entrar aqueles que querem. Mas vós, tornai-vos espertos como as serpentes e inocentes como as pombas”.

NOTA: Todas as citações deste capítulo foram retiradas do Evangelho de Mateus, capítulo 23.

“os fariseus e os escribas receberam as chaves do Conhecimento e as esconderam”

Nesta logia, Tomé continua o mesmo tema iniciado na logia anterior. Jesus fala dos professores da lei (escribas) que receberam daqueles que viveram com os enviados de Deus os ensinamentos, mas os adulteraram com a intenção de manter o poder e a posição decorrente de suas “funções”. Fala, portanto, dos códigos de leis (doutrinas) criados pelas religiões.

Nos evangelhos canônicos, encontramos algumas destas restrições que Jesus coloca no proceder dos professores da lei e nas doutrinas.

“Amarram fardos pesados e põem nas costas dos outros, mas eles mesmos não os ajudam, nem ao menos com um dedo, a carregar esses fardos”. (4)

A primeira restrição é a da “culpabilidade”: as doutrinas, por se assemelharem aos códigos de leis que regulam as relações dos seres humanos, estabelecem normas e colocam “penas” para quem não as cumpre. Deus não é um juiz do Universo, mas um Pai na verdadeira acepção da palavra. Ele não quer punir o Seu filho, mas sim dar-lhe todos os subsídios para o seu crescimento.

Por este motivo Deus não condena, mas dá ensinamentos. As situações que o ser humano encara como fontes de sofrimento (contrariam os seus interesses) não têm a finalidade de punir o espírito, mas sim de que ele aprenda que não pode ter querer. As doutrinas religiosas utilizam-se desta providência de Deus para atemorizar os fiéis.

Fazem de tudo para serem vistos. Vejam como são grandes os trechos das Escrituras Sagradas que eles copiam e amarram na testa e nos braços! E olhem os pingentes grandes das suas capas. Preferem os melhores lugares nas festas e os lugares de honra nas casas de oração. Gostam de ser cumprimentados com respeito nas praças e de ser chamados de mestres.

Uma das bases do amor universal é a igualdade entre todos. Infelizmente, aqueles que utilização a doutrina como fonte de poder, querem se tornar superiores àqueles que lhe são confiados. Para não perderem a posição de destaque, mantêm a doutrina com complexidade e dogmas que apenas eles sabem decifrar. Procuram a ostentação do poder buscando posições de destaque em todos os campos da vida humana, quando na verdade deveriam apenas buscar a evolução espiritual auxiliando o próximo.

“atravessam os mares e viajam por todas as terras para procurarem converter uma pessoa à sua religião. E, quando conseguem, tornam essa pessoa mais merecedora do inferno do que vocês mesmos”.

Estudam os ensinamentos trazidos por alguns dos enviados de Deus, não com a percepção de que partem da mesma fonte, mas com a intenção de procurar “erros” que tornem a sua doutrina a única “certa”. Buscam provar que o seu Deus é único.

Ensinam a julgar e a condenar aqueles que aceitam os ensinamentos dos outros enviados e tornam-se “juízes” da humanidade. Ensinam e adotam uma superioridade que acaba com o amor universal.

“Pois ensinam assim: se alguém jurar pelo Templo, não é obrigado a cumprir o juramento. Mas, se alguém jurar pelo ouro do Templo, então é obrigado a cumprir o que jurou”.

Fixam suas atenções nos atos que os seres humanos praticam, mas não dão menor valia aos sentimentos que levaram àquele ato. Não se importam se a caridade está sendo praticada por amor ou como um “suborno” a Deus: o importante é doar coisas materiais.

“Pois lavam o copo e o prato por fora, mas dentro estes estão cheios de coisas que vocês conseguiram pela violência e pela ganância”.

Preocupam-se em regular as atitudes e a moral dos seus fiéis apenas por sua aparência externa, mas não buscam ensinar a verdadeira essência do espírito: os sentimentos. Por isto aparentemente são fiéis a Deus, mas internamente vivem cobertos por sentimentos negativos.

 “Pois são como túmulos caiados de branco, que por fora parecem bonitos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e podridão”.

Preocupam-se com a beleza que as roupas podem dar, mas não ensinam que, por exemplo, “adulterar” é mudar alguma coisa, faltar com a verdade e não apenas adulterar no sentido sexual...

“Pois fazem túmulos bonitos para os profetas e enfeitam os monumentos dos que viveram de modo correto”.

Preocupam-se em enaltecer aqueles que trouxeram a mensagem de Deus como grandes homens, adorando-os mais que ao próprio ensinamento trazido. Enaltecem a pobreza, mas vivem na abastança, enaltecem a dedicação, mas afirmam não ter tempo para os pobres, pois precisam “dirigir” a religião.

“Eles não entram e não deixam entrar aqueles que querem”

Com este procedimento, estes “guias de cego” cerram as portas do reino do céu (a felicidade plena) para aqueles que os seguem.

Entretanto nem eles mesmos conseguem esta felicidade, pois estão em constante vigilância para que suas leis sejam seguidas. A estes, apenas as palavras de Jesus:

“Jerusalém, Jerusalém! Você mata os profetas e apedreja os mensageiros que Deus lhe manda! Quantas vezes eu quis abraçar todo o seu povo, assim como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das suas asas, mas você não quis! Agora a sua casa ficará completamente abandonada. Eu afirmo que você não me verá mais, até chegar o tempo em que dirá: Deus abençoe aquele que vem em nome do Senhor” (37)

“Mas vós, tornai-vos espertos como as serpentes e inocentes como as pombas”

Apesar do procedimento dos “professores da lei”, Deus, para a elevação dos que Nele cressem, deixou o ensinamento que segue:

“Os professores da Lei e os fariseus têm autoridade para explicar a Lei de Moisés. Por isso vocês devem obedecer e seguir tudo o que dizem. Porém não imitem as suas ações, pois eles não fazem o que ensinam” (2)

Os ensinamentos não podem ser mudados, pois Deus não permitiria que o espírito estivesse em provas, sem que tivesse os recursos necessários para vencer essas provas. Por isto, apesar de diversas tentativas de alterar os ensinamentos, este intento não foi conseguido.

Jesus nos alerta para que prestemos atenção à essência do ensinamento e não nos atos que os “professores da lei” comandam.

Para conseguir a elevação espiritual é necessário que aprendamos a não julgar. Porém este julgamento tem que ser entendido de uma forma mais ampla.

Aquele que quer buscar a sua elevação deve livrar-se de todo poder de querer analisar o procedimento de outros seres humanos, inclusive daqueles que são praticantes de outras religiões, ou quem não cumpre o código de leis de sua religião.

Ensinar que não deve haver julgamento, mas condenar ao “fogo do inferno” aquele que não segue as normas estabelecidas, é um conflito entre o que se prega e como se age.

É para este conflito que Jesus nos alertou sobre sermos “espertos como a serpente”. O espírito na carne participante de alguma religião, seguidor da doutrina imposta por ela, tem que estar sempre atento para verificar se as diretrizes baixadas por essa religião seguem as postulações de suas doutrinas.

É impossível se falar dos ensinamentos de Deus quando nos achamos detentores da verdade, proprietários de Deus.

Por isto o ser humano vem falando há muito tempo em ecumenismo, mas não consegue praticá-lo.

No ecumenismo não pode haver a convicção de que todos devem se converter para uma religião, como a única “certa”.

O verdadeiro ecumenismo deve ser aquele que considere os ensinamentos de todos os enviados de Deus como “águas da mesma fonte” e que, portanto, devem “se fundir para percorrer o caminho até o mar...”

A “serpente” está sempre atenta, vigilante para se defender de possíveis invasores. Neste momento, entretanto, devemos ser como as pombas: inocentes. A constatação da diferença entre a prática e o ensinamento não pode servir de base para ataques, acusações. O real seguidor de Jesus absorve a essência dos ensinamentos do Mestre, pratica atos que estejam de acordo com o amor universal, mas não acusa aqueles que ainda não interiorizaram este amor.

Por este motivo, este ensinamento não deve ser tomado como acusação às religiões do planeta. Todas elas são perfeitas, pois foram causadas por Deus, atento às necessidades do espírito para religar-se com Ele. Também não deve ser tomado como acusação àqueles que dirigem as religiões, pois estão usando do livre arbítrio para escolher o sentimento com que exercem a missão que receberam para esta encarnação.

A intenção do Espiritualismo Ecumênico Universal é apenas traduzir os ensinamentos de Jesus, levando o espírito a compreender a essência das Verdades Universais.

Não se trata de uma nova religião, mas o ecumenismo tão procurado pela humanidade. Entretanto, os ensinamentos do espiritualismo ecumênico não premiam os objetivos da vida carnal prometendo uma felicidade pessoal (material), mas ensinam a cumprir o determinado pelo Mestre quando Ele afirmou que devemos amealhar nossas riquezas no céu, onde a ferrugem e os vermes não as destroem.

O evangelho segundo Tomé

Logia 40 - O amanhã

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Logia 40

“040. Disse Jesus: uma videira foi plantada sem o Pai, e como não se firmou, será arrancada por suas próprias raízes e será destruída”.

Todo ato do ser humano é baseado em um raciocínio. Este raciocínio, como já explicado, inicia-se com as informações recebidas através dos órgãos do corpo físico, as quais são analisadas pelo espírito e resultam em uma decisão. O ato refletirá a decisão tomada pelo raciocínio, que é, então, a conclusão da análise feita durante o raciocínio. Daí a importância de conhecermos bem esta etapa.

A etapa análise é chamada pelo ser humano de “pensamento”. Durante esta etapa o ser humano “imagina” que conversa consigo mesmo revendo atitudes anteriores, buscando conhecimentos e tentando, ainda, deduzir o que irá suceder se ele tomar uma determinada atitude. Para o ser humano, isto é um processo inerente apenas a ele.

Entretanto, ao estudarmos os ensinamentos deixados pelos enviados de Deus, concluímos que o raciocínio não é uma atividade material, pois não é a carne que “pensa”, mas sim o espírito. Descobrimos, ainda, que o espírito tem seus atos guiados por Deus para que a Justiça Perfeita e o Amor Sublime sejam mantidos.

Face a estes ensinamentos, chega-se à conclusão que o ser humano não pode ter “pensamentos” livres, pois praticaria atos sob a sua própria decisão e, dessa maneira, este não seria um mundo com atributos do mundo de Deus. O que está sendo explicado é que, se este é um mundo de Deus, esta “conversa” que o ser humano imagina que tem consigo mesmo, é realizada com um orientador que direciona o raciocínio para que o ato a ser atingido siga as premissas necessárias.

“Imaginamos que a ação dos espíritos não deve se manifestar senão por fenômenos extraordinários. Quiséramos que nos viessem ajudar por meio de milagres e nós os representamos sempre armados de uma varinha mágica. Não é assim; eis porque sua intervenção nos parece oculta e o que se faz com o seu concurso nos parece muito natural. Assim, por exemplo, eles provocarão a reunião de duas pessoas que parecerão se reencontrar por acaso; eles inspirarão alguém o pensamento de passar por tal lugar; eles chamarão sua atenção sobre tal ponto, se isso deve causar o resultado que pretendem obter; de tal sorte que o homem, não crendo seguir senão seu próprio impulso, conserva sempre seu livre arbítrio”. (Comentários de Allan Kardec à resposta da pergunta 525 – Livro dos Espíritos)

Kardec concluiu face às explicações dadas pelos espíritos, que o “pensamento” que o homem imagina ter, nada mais é do que uma inspiração que os espíritos fora da carne dão àquele que está na carne para que ele realize o ato que deve ser feito. Por não ver este espírito se comunicando com ele, o homem imagina que está fazendo “aquilo que quer”.

Já vimos também na logia 12 que a única escolha (livre arbítrio) que um espírito pode fazer no processo raciocínio é a do sentimento com o qual reagirá aos atos.

Juntando todas estas informações, podemos chegar ao real entendimento sobre o “pensamento”: trata-se de direcionamento que os espíritos dão aos que estão na carne para que se cumpra o determinado por Deus. Esses “direcionamentos” são escritos com base nos sentimentos que o espírito na carne escolhe para se “nutrir”.

Planejamento do futuro

Uma das maiores utilizações que o ser humano dá ao pensamento é o de planejar acontecimentos que ainda estão por vir. Ele “imagina” que desenvolve raciocínios estabelecendo caminhos e objetivos que pretende alcançar para que seja mais feliz.

Como vimos, porém, estes pensamentos não são oriundos dos próprios espíritos. Por isso, aquele planejamento refletirá apenas o sentimento atual que o espírito tem. Quando alguém planeja um determinado futuro de modo a que tenha uma vida material cômoda, este pensamento reflete ganância, egoísmo, etc.

Estes sentimentos são os que servirão de base para o próximo ato que o espírito receberá. Portanto, o sentimento negativo trará um ato negativo. Quando um espírito planeja com sentimentos negativos, o planejado poderá até acontecer, mas será negativo, ou seja, não alcançará a felicidade verdadeira. Somente os acontecimentos gerados pela utilização anterior de sentimentos positivos, poderão gerar felicidade nos fatos presentes ou futuros.

 

“uma videira foi plantada sem o Pai”

Plantar um a videira sem o Pai é exatamente planejar a vida, criar objetivos para serem alcançado. Quando o espírito programa a sua encarnação ele escreve todas as situações que passará durante a vida para o cumprimento de suas provas, expiações e missões e faz isso com todo o conhecimento da eternidade da vida espiritual.

Quando vem à carne, entretanto, o espírito adota uma visão materialista do Universo e passa a nutrir-se de sentimentos negativos que lhe criam outros objetivos na vida, trocando a intenção da evolução espiritual pela evolução material, a expiação pelo conforto. Estes novos objetivos que o espírito na carne passa a possuir não mais refletem o desejo de Deus para aquela encarnação.

“e como não se firmou”

Estes novos objetivos são inconsistentes, pois existe uma única realidade: a espiritual. A vida na carne é apenas um lapso de tempo na vida espiritual. Deus não se importa com a fama ou o aplauso que o espírito possa ganhar durante este curto espaço de tempo, mas preocupa-se com a eternidade espiritual.

Como em uma escola, não devem os professores avaliar uma simples prova para saber se o aluno conhece a matéria: devem analisar todo o histórico escolar do aluno. Para Deus não é importante que o espírito seja um homem, mas sim que ele cresça e atinja a “maturidade” espiritual.

O objetivo da existência espiritual é evoluir espiritualmente purificando os seus sentimentos. Os acontecimentos da vida nada mais são do que questões para as quais os espírito devem dar sempre a mesma resposta: amor universal (alegria, compaixão e igualdade). Não importa se o espírito evoluiu ou não materialmente, pois se ele conseguir esta evolução espiritual será aprovado no seu “curso”.

“será arrancada por suas próprias raízes e será destruída”

Assim, todo objetivo material que interfira no planejamento feito pelo espírito antes da encarnação jamais poderá ser concretizado. Não adianta o espírito programar a sua vida para ser um médico ou um advogado, se o seu “destino” é se tornar um escriturário. Mesmo que Deus conceda o direito do planejamento acontecer na sua forma (tornar-se médico), o objetivo jamais será alcançado: a felicidade.

Só existe uma forma de ser feliz amanhã: sendo feliz hoje. Apenas com a prática do amor universal a cada segundo da vida, o espírito pode alcançar a felicidade universal: seu “livro da vida” continuará a reger os acontecimentos planejados para essa encarnação, mas o espírito viverá cada momento com felicidade.

Aquele que vive com o amor universal não planeja acontecimentos futuros, mas recebe tudo aquilo que Deus determina com esse sentimento. É isto que garante a felicidade no amanhã.

Por este motivo existem pobres e famintos que são felizes, enquanto existem ricos que nunca estão satisfeitos com o que possuem. Quem tem o amor universal, reage com amor a tudo o que Deus lhe dá porque confia na Sua Justiça e no Seu Amor.

O evangelho segundo Tomé

Logia 41 - Posse espiritual

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Logia 41

“041. Disse Jesus: Aquele que tem a mão cheia, a este lhe será dado; e aquele que não tem, dele será tirado até o pouco que tem”.

Neste ensinamento de Jesus voltaremos a falar do raciocínio espiritual. Como já estudado, o raciocínio que um espírito pode fazer é escolher o sentimento com o qual reagirá aos acontecimentos da vida. É de acordo com estes sentimentos que Deus nos dará o pensamento material, ou seja, aquilo que o ser humano chama de raciocinar.

Entrada de sentimentos

O espírito se alimenta de sentimentos, ou seja, de matéria energética chamada “energia”, que são ondas eletromagnéticas que se propagam dentro de uma determinada faixa de amplitude e de velocidade. Estas ondas percorrem o universo e são captadas pelo espírito através de pontos energéticos espalhados pelo corpo humano. Existem dois tipos de pontos: aqueles que acolhem qualquer tipo de sentimento existente no universo e um que “escolhe” o sentimento que irá recolher.

Estes pontos são chamados de chacras. Os chacras que acolhem qualquer tipo de sentimento situam-se na altura do coração, do umbigo e nas solas dos pés do corpo humano. Eles servem como “portais” de entrada do alimento para o espírito. Entretanto, este espírito não tem o poder de escolher o sentimento que irá captar por estes chacras. O que estiver no universo ao seu redor será recolhido e, percorrendo todo o corpo humano, chegará até o espírito e ali estará à disposição deste para reagir aos acontecimentos da vida.

Porém, existe um chacra que dá ao espírito a possibilidade de “escolher” qual o sentimento que ele quer captar no universo. Este chacra chama-se “chacra diretor” e situa-se na região do meio da testa do corpo físico. Por este chacra penetram sentimentos que irão direto ao espírito sem passar antes por todo o corpo. Por este motivo, estes sentimentos são utilizados com mais freqüência pelo espírito.

Esta escolha, no entanto, não é tão livre quanto se possa imaginar. Na verdade, o sentimento que chega ao espírito através do chacra diretor obedece à “lei da ação e da reação”. Sempre que o espírito escolhe um determinado sentimento para reagir aos fatos da vida, emite uma onda elétrica que sai para o espaço em busca de sentimentos idênticos aos que agora estão sendo utilizados. Estas ondas, conhecidas dos seres humanos como ondas cerebrais, colhem no universo o mesmo tipo de sentimento que foi utilizado naquele processo de raciocínio.

Além deste recolhimento, esta onda envia o sentimento utilizado para o universo. Desta forma, quando um espírito “raciocina” ele emite uma onda cerebral que espalha aquele sentimento no universo e recebe maior quantidade do que a emitida por ele. Por isto a literatura espírita afirma que o pensamento propaga-se no universo. Na verdade não são as “histórias” que o ser humano imagina que constrói que se propagam, mas os sentimentos que ele utiliza para reagir aos acontecimentos.

Por isto, podemos afirmar que quando o espírito “escolhe” o amor para reagir a um determinado acontecimento de sua vida, ele emitirá e receberá mais amor, ou seja, capturará mais deste sentimento no universo. Da mesma forma, quando escolhe a ofensa para reagir ao acontecimento, emite ofensa para o universo e recebe mais ofensa (o que o levará a ficar cada vez mais “ofendido” com o transcorrer do fato).

Com este proceder, o espírito estará “poluindo” o universo, pois estes sentimentos poderão ser recebidos por aqueles chacras que não escolhem o sentimento capturado. Se o espírito que recebe estes sentimentos que “poluem” o universo não estiver preparado, ou seja, se não possuir uma boa quantidade de sentimentos positivos que neutralizem esta carga negativa, terá mais chances de escolher este sentimento capturado para reagir a acontecimentos futuros.

“Aquele que tem a mão cheia, a este lhe será dado, aquele que não tem, dele será tirado até o pouco que tem”.

Este é o ensinamento que o Mestre vem nos trazer nesta logia. Aquele que utilizar o amor para reagir aos acontecimentos desta vida, cada vez receberá mais amor. No entanto, aquele que reagir com sentimentos negativos, irá receber mais sentimentos negativos.

“Para o espírito ser feliz, necessita apenas de uma coisa: ser feliz”. Esta frase reflete bem o ensinamento de Jesus: não há como um espírito alcançar a felicidade enquanto procurar sofrimento nos acontecimentos da vida. Enquanto o espírito se imaginar ferido, magoado, retendo e assimilando sentimentos negativos, terá mais desses sentimentos para reagir a acontecimentos futuros. É necessário que o espírito escolha sentimentos positivos (felicidade) para reagir aos acontecimentos para que cada dia ele tenha mais sentimento de felicidade e possa, então, sentir-se feliz.

É necessário estar cheio de felicidade para poder receber mais. Não adianta o espírito escolher mágoa para reagir aos acontecimentos desta vida e assim mesmo querer ser feliz, ou seja, não adianta estar de “mãos vazias”, sem possuir dentro de si o sentimento da felicidade para poder aplicá-lo em todos os momentos.

Nos evangelhos canônicos é narrada uma parábola que explica este ensinamento: “Um patrão vai viajar e dá a três empregados determinada quantidade de moedas para que eles guardem para ele. Dois colocam o “dinheiro” para circular e com isso conseguem dobrar a quantidade recebida. Estes são considerados pelo patrão, quando este retorna, como empregados bons e fiéis e recebem mais moedas para lidar, pois provaram que são capazes de trabalhar com pouco “capital”. Entretanto um deles, com medo do patrão, escondeu as suas moedas enterrando-as e, no retorno do patrão, devolveu-as na mesma quantidade que recebeu. Este o patrão manda que seja expulso da propriedade e remetido ao local onde existe o “sofrimento e o ranger de dentes”.”

Na parábola o patrão é Deus e nós somos os empregados a quem Ele confia as moedas. Quando um espírito se prepara para a sua encarnação, a espiritualidade que dirige este processo forma a sua “personalidade”, ou seja, abastece o espírito com determinadas quantidades de sentimentos que servirão de “capital inicial” para os trabalhos que ele terá que fazer na vida carnal. Estes sentimentos serão sempre baseados nas provas, penas e missões que o espírito tiver que executar.

Desta forma, se um espírito precisa provar que não quer mais se abastecer de “preguiça”, ele terá este sentimento realçado em sua personalidade. Isto ocorre porque ele precisa provar que é capaz de abdicar deste sentimento e utilizar o amor para executar os seus trabalhos. Para que ele possa abrir mão deste sentimento, sempre haverá uma quantidade de amor à sua disposição.

Executar a prova será, então, para o espírito, deixar de utilizar o sentimento “preguiça” e escolher o amor para reagir aos chamamentos das obrigações da vida espiritual na carne. Quando o espírito agir desta forma estará remetendo amor para o universo e colherá mais amor. Isto faz o “empregado bom e leal”: coloca suas “moedas” para “girar” no mercado e acrescenta “lucros ao capital inicial” deixado pelo patrão. Este espírito receberá mais amor para trabalhar e, portanto, por ter a “mão cheia”, receberá ainda mais.

Porém, aquele que preferir poupar o amor que recebeu, que é em menor quantidade que o sentimento que veio vencer, com medo de perdê-lo, não trará lucros ao seu “patrão”. Ao retornar à vida espiritual sem a carne, Deus lhe perguntará o que fez com o “capital inicial” que foi lhe emprestado e ele devolverá apenas aquilo que recebeu. Este empregado terá que ser expulso daquela “fazenda” e será jogado no “lugar onde existem o sofrimento e o ranger de dentes”.

Este lugar no universo nada mais é do que a vida carnal. Por isto aquele que não colocar o amor que Deus lhe emprestou para dar início à sua “empresa” para “fabricar” a evolução espiritual, terá sua “concordata” pedida. Ele terá que retornar ao mundo espiritual para refazer o seu “capital” e, posteriormente, após “quitar” suas dívidas, retornar ao “mercado” para provar que é capaz de “administrar a sua empresa”.

Aquele espírito que não consegue colocar em prática o amor universal terá que reencarnar para poder “auferir lucros” para Deus. Esta é a essência do ensinamento de Jesus. Aquele que conseguir colocar em prática este amor receberá mais auxílio para crescer, mas aquele que esconder o seu “capital”, não terá auxílio na sua empreitada. Isto é a Justiça Perfeita.

Os espíritos imaginam Deus como um ser que está sempre pronto a auxiliar os seus filhos. Esta visão é verdadeira, mas está distorcida. Deus é o Amor Sublime e por isso sempre está pronto para socorrer, mas precisa que seja merecido o socorro. Deus perdoa aquele que busca o perdão e não todos aqueles que “erram”.

“Bata que eu abrirei”, nos ensinou o Mestre, ou seja, faça para ser ajudado. Para que você receba amor é preciso que gaste amor.

O evangelho segundo Tomé

Logia 42 - Apego

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Logia 42

“042. Disse Jesus: tornai-vos transeuntes”.

“TRANSEUNTE – Que passa, ou que vai passando ou andando” (Mini Dicionário Aurélio – 3a. Edição)

Com este ensinamento Jesus nos conclama a prosseguir sempre caminhando na direção da evolução espiritual, não estancando esta caminhada em momento algum. Como já comentado na logia 02, “aquele que procura, não cesse de procurar”.

A vida carnal é apenas um lapso de tempo da vida espiritual. Nela não existe a eternidade que o espírito imagina. Tudo nesta vida é efêmero e durará apenas o tempo certo que Deus julgar necessário durar para a evolução de cada espírito. O ser humano, por não compreender esta Verdade Universal, imagina que aquele objeto, situação ou pessoa perdurarão para sempre na forma em que se encontram...

Tudo no Universo é impermanente, ou seja, transforma-se constantemente: as pessoas, amanhã, não serão as mesmas de hoje, a beleza que existe nos objetos acabará com o tempo, as situações mudam sempre. Deus providencia a mutação constante em todas as coisas.

O ser humano sabe desta característica das coisas, mas apega-se às situações porque vive com a sensação de que elas serão eternas. Imagina, por não encontrar soluções, que os problemas permanecerão eternamente iguais. Apega-se aos objetos materiais e gostaria de perpetuá-los, sofrendo quando eles se quebram... Não aceita despedidas ou partidas, pois acha que os relacionamentos também são eternos.

Não ver a impermanência das coisas é parar a sua evolução espiritual, pois traz sofrimento. Sempre que um espírito quer possuir determinada pessoa, objeto ou situação, é porque ele não consegue ver a impermanência das situações. Para continuar a sua caminhada espiritual é necessário que o espírito compreenda que tudo que existe no Universo irá se transformar um dia.

A carne vira adubo, o amigo se distancia, a beleza extingue-se. O ser humano tenta atrasar o envelhecimento da carne, mas ele sempre vem. Quer prender os entes queridos junto a si, mas eles estão sempre partindo para as suas jornadas. Todo apego gera uma posse onde o espírito imagina que consegue o comando sobre as pessoas, as situações e os objetos.

É esta consciência da perda do poder sobre as coisas e as pessoas que faz o espírito sofrer.

Por isto Jesus nos conclama neste ensinamento a sermos transeuntes, ou seja, não nos apegarmos a nada nem a ninguém. Para continuar a evolução espiritual é necessário abrir mão do poder sobre as coisas e pessoas para poder enxergar o poder de Deus sobre tudo.

Apego material

Este talvez seja o mais fácil de entender. O espírito imagina que tem o poder sobre as coisas e que elas permanecerão sempre da forma que ele quer: sua casa, seu carro, etc. Acha que suas roupas devem durar o tempo que ele acha que precisa delas e briga quando a flor de seu vaso começa a murchar...

 Entretanto, quem dá a ação das coisas é Deus e, por isso, a transformação acontecerá sempre: as casas se deteriorarão, o carro sofrerá a ação do tempo, a roupa perderá sua beleza original e a planta terá o seu ciclo de vida. É Deus agindo sobre todas as coisas.

A casa precisa se deteriorar para que novas casas sejam construídas, gerando mais empregos. Carros precisam de reparos para que outros carros sejam produzidos ou outras pessoas possam cumprir sua estadia no planeta como consertadores de veículos. A roupa se desgastará para que possa ser doada, auxiliando as pessoas que mais necessitam. A planta morrerá porque novas plantas precisam do adubo no qual ela se transformará...

Não entender isso e permanecer preso, atado à forma atual das coisas, é não aceitar a ação de Deus sobre elas. O apego material é sempre uma ofensa ao Pai, pois estaremos acusando-O de ter quebrado a nossa vontade...

Apego moral

Os seres humanos afirmam que gostam de outras pessoas, mas na verdade a intenção é de “possui-las”.

O ser humano “ama” seus pais, filhos, amigos ou parentes, desde que seja feita a sua própria vontade e seja acatada a sua “verdade”.

Na verdade o ser humano quer possuir as pessoas, ser o “dono” delas. Exige um comportamento dos pais, filhos e amigos para que possam retribuir com o amor. Esta exigência é proveniente do apego moral, ou seja, o apego às suas próprias verdades.

As pessoas não podem agir dentro da “verdade” de cada um, porque elas são filhas de Deus e suas encarnações são, também, para auxiliá-Lo em Sua obra. Por isto as pessoas não podem fazer o que outras querem que seja feito, mas praticam os atos que Deus determina que sejam praticados. Exigir das pessoas que façam aquilo que queremos, é nos transformarmos em “deus”, ou seja, o determinador das ações de cada um.

Todos vêm à carne com missões a cumprir e durante a sua vida são portadores de novas missões dadas pelo Pai. A mais comum delas é a de levar a outro espírito o recado de Deus de que Ele é a Causa Primária das Coisas. Para isto, é necessário que o portador da missão discorde do querer pessoal e aceite o querer divino.

Quando o espírito se apega às suas verdades (apego moral) ele não aceita as verdades de Deus e sofre quando alguma coisa contraria sua vida. Neste momento Deus utiliza-se de outro espírito para avisar àquele que ele não deve possuir verdades individuais. Aqueles que lhe contrariam são os enviados de Deus para auxilia-lo na evolução...

Não aceitar as pessoas que o contrariam é estancar a sua evolução espiritual, não aproveitar a orientação que Deus está lhe mandando.

Isto acontece porque o espírito se apega às suas verdades pessoais. Quando Jesus diz que devemos ser “transeuntes”, está afirmando que não podemos possuir verdade alguma para alcançarmos as Verdades Universais.

O espírito que tem apego moral transforma o mensageiro de Deus em seu inimigo. Por isso Jesus nos alertou que devemos amar os nossos inimigos: eles são os amigos que combatem os nossos apegos morais.

Apego sentimental

O ser humano que possui o apego moral gera o apego sentimental, ou seja, prende-se às pessoas que aparentemente concordam sempre com ele. Chama essas pessoas de amigos e passa a possui-las...

Entretanto, todos temos diversas missões e não podemos estancar nossa evolução apenas para satisfazer o “capricho” daqueles que se apegam a verdades pessoais. É necessário que o espírito continue a sua evolução, cumprindo missões junto a outros espíritos. Para providenciar esta chance de evolução é que Deus acaba afastando as pessoas umas das outras.

Os amigos se afastam, os filhos adquirem vida independente, os pais voltam ao mundo espiritual menos denso: tudo no universo sofre a transformação constante necessária para a sua evolução. É Deus quem preside estas transformações, mas não nos desampara.

Os seres humanos sofrem quando “partem” aqueles que amam e imaginam que estiveram pouco tempo juntos. Por possuir as pessoas os seres humanos imaginam que elas nunca se afastarão e, nesse apego, não compreendem a impermanência das coisas e pessoas.

“tornai-vos transeuntes”

É preciso aceitar a lei da impermanência das coisas para acabar com os apegos e continuar a caminhada em direção à evolução.

É preciso ter a convicção de que tudo que existe neste momento se transformará no momento seguinte, para que se possa vivê-lo sem se preocupar com o futuro. Só assim se conseguirá continuar a caminhada espiritual!

O evangelho segundo Tomé

Logia 043 - Posse intelectual

“043. Seus discípulos disseram a ele: quem és tu que dizeis tais coisas a nós? Disse Jesus a eles: pelo que eu vos falo, não sabeis quem sou? Pois vos tornastes como os judeus que amam a árvore, odeiam seu fruto, e amam o fruto mas odeiam a árvore”.

“pelo que eu vos falo, não sabeis quem sou”

Kardec nos ensinou: “um espírito se reconhece pelos seus atos”. Os discípulos estavam procurando saber a origem de Jesus para obter a credibilidade do que Ele falava. Entretanto, um espírito não deve ser reconhecido por sua origem e sim por aquilo que ele pratica.

Como disse João, Jesus era o verbo, ou seja, a ação. Sua vida foi a ação do amor universal. Em todos os seus atos Jesus sempre manteve a felicidade, a consciência do sofrimento pelo qual outras pessoas poderiam passar e todos eram tratados com igualdade. Através da análise destes atos é que os discípulos devem buscar o reconhecimento de Jesus.

No entanto o ser humano não analisa as pessoas por estas características, pois imagina que sabe quais as intenções com que os atos são praticados. Baseia sua análise apenas no seu “parecer” sobre as coisas. É esta forma de proceder que não deixa que o espírito reconheça a procedência dos ensinamentos que recebem.

“amam a árvore, odeiam seu fruto”

Na Bíblia Sagrada a árvore representa o conhecimento das coisas e a fruta a prática deste conhecimento, ou seja, o ensinamento. Neste trecho, portanto, Jesus afirmou que os seres humanos seguidores de religiões (judeus) amam o conhecimento recebido dos enviados de Deus, mas odeiam a prática dos atos baseados nestes ensinamentos.

Todas as religiões foram criadas sobre um conjunto de ensinamentos de um enviado de Deus. Porém, estes ensinamentos objetivaram criar a “felicidade” material e não levaram em conta a atividade espiritual que existe durante a encarnação.

O objetivo do ensinamento das religiões é criar códigos de leis para que sejam seguidos com a intenção de realizar os “desejos” do ser humano durante esta vida: obter a “paz”, mesmo com o sacrifício da vontade alheia; a “felicidade”, mesmo com a infelicidade dos outros; a prosperidade material, mesmo que ela retarde a evolução espiritual; o conforto, mesmo que este não traga paz espiritual.

Quando um conhecimento é transmitido pelos enviados de Deus, deve objetivar sempre a paz espiritual, a felicidade universal, a prosperidade espiritual e o conforto da elevação espiritual. Para que se consiga isso é necessário que haja uma aspiração espiritual e não material. Aquele que realmente deseja a elevação espiritual deve compreender que esta vida é apenas uma ilusão e que as coisas materiais estão aqui para serem compreendidas pela sua essência.

Por isto muitas vezes o ensinamento (ato decorrente do conhecimento) tem que trazer renúncias a valores materiais. Só com a renúncia a estas coisas o espírito pode compreender a essência das coisas que acontecem e reagir dentro das leis de Deus.

Para alcançar o conhecimento trazido por Jesus e pelos outros enviados é necessário que o espírito renuncie ao “eu”, ou seja, ao ser humano. É preciso que sacrifique o seu “querer” em prol do “querer” coletivo (de Deus).

Aqueles que vivem dentro dos preceitos de uma determinada religião, normalmente o fazem porque acreditam que só eles estão certos. Ao agirem dessa maneira, estão contrariando o ensinamento de todas as religiões que afirmam que todos são iguais e o que fazem é amar o conhecimento, mas rejeitar o ensinamento.

Um conhecimento não pode ser aplicado apenas onde o ser humano acha conveniente, mas tem que regular todas as coisas do universo.

Todos os enviados de Deus trouxeram verdades universais e para que um ensinamento seja uma verdade ele precisa ter duas características: ser universal e eterno.

Por universal temos que entender que se trata de uma verdade que se aplica a todas as pessoas e coisas. Portanto, se todos são iguais, não pode existir religião “certa” ou “errada”.

Para se amar uma religião devemos, necessariamente, ter a consciência de que as pessoas podem ter qualquer religião, a que mais se adapte a elas, sem críticas aos que professam outras doutrinas. Amar o ensinamento é ter um ato condizente com ele em tudo.

As verdades universais também têm que ser eternas, ou seja, nunca se alteram. Afirmar que uma religião é a única fonte de salvação para o ser humano, a única detentora da verdade de Deus, é afirmar que antes dela existir, os espíritos não tinham salvação... Isto é acusar Deus de privilegiar os espíritos que vivem agora na carne, em detrimento daqueles que desencarnaram antes desta “verdade” chegar...

O ser humano aplica o conhecimento (transforma-o em ato) em seu próprio benefício, como base para o seu “querer”. O “querer” dos seres humanos se alterou com o passar do tempo, mas a verdade tem sempre que permanecer a mesma. Não pode existir uma “verdade” diferente para cada religião, mas o ser humano crê na que ele professa no momento e considera todas as outras erradas. Mas ao mudar de religião, a antiga é que passará a ser a “errada”... Porém, para uma religião ou outra coisa ser “errada”, isto deveria ocorrer desde o seu início e perdurar pela eternidade para ser uma verdade universal.

Isto acontece em todos os campos da vida. Jesus nos disse que devemos amar a tudo e a todos, pois somos iguais perante Deus. Entretanto o ser humano utiliza a própria lei de Deus, o conhecimento, para quebrar este ensinamento. Criminosos, ladrões, são acusados de quebrar a lei de Deus e são julgados, condenados e tratados de forma diferenciada, como se não fossem Seus filhos também. Jesus, porém, afirmou que devemos amar a todos e não apenas aqueles que cumprem a lei de Deus! A universalidade aplicada ao conhecimento vem nos fazer entender que devemos amar indistintamente.

Quando qualquer pessoa é acusada, o espírito se transforma em “ser humano”, aquele que “ama a árvore, mas rejeita o seu fruto”. Quando gostamos de uma árvore devemos saborear o seu fruto com prazer, ou seja, quando amamos o conhecimento transmitido pelos enviados de Deus, é necessário abrirmos mão do “querer” e do “achar” para conseguir colocar esse ensinamento em prática!

“amam o fruto mas odeiam a árvore”

O ser humano gosta mesmo é do que ele faz e pensa. Tem prazer em julgar os outros, em criar o certo e o errado, o bom e o mau, o bonito e o feio e, assim, demonstra toda a sua rejeição aos ensinamentos de Deus.

Jesus mandou amar a todos, mas “eu acho” que tirar a vida de uma pessoa é um “crime” e, por isso, não amo o assassino como amo minha mãe. Os professores da Lei (doutores das religiões) ensinam o amor incondicional, mas paralelamente dizem que fora da sua religião não há salvação...! Ensinam que todos devem ser iguais, mas acabam com a igualdade quando afirmam que sua religião é melhor que as outras; vivem procurando o ecumenismo, mas na verdade o que querem é a transformação das outras religiões ao que eles chamam de “verdade única”.

Amar a árvore e o fruto é praticar o ato decorrente do ensinamento de forma universal e eterna. Se todos somos iguais, sempre seremos iguais, mesmo quando praticarmos atos diferentes dos outros e quando a religião professada também for outra.

Amar o conhecimento “amar a todos” é colocá-lo na prática sem restrições. É dar a todos o direito de praticar o que acham que devem praticar, sem que haja julgamentos.

Quando Jesus explica porque faz cura aos sábados (logia 27) nos evangelhos canônicos, afirma:

“Se vocês soubessem o que as escrituras sagradas querem dizer quando afirmam: “Eu quero que sejam bondosos e não que me ofereçam sacrifícios de animais”, vocês não condenariam os que não têm culpa”. (Mateus – 12,7)

O evangelho segundo Tomé

Logia 44 - Perdão

“044. Disse Jesus: aquele que blasfemar contra o Pai será perdoado, e aquele que blasfemar contra o Filho será perdoado; mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo, este não será perdoado nem na Terra nem no céu”.

Pecado

Aprendemos até hoje que pecado é tudo aquilo que é praticado contra a lei de Deus.

Aprendemos a julgar, porém só quem sabe o que é contrário às Suas leis é o próprio Deus e não nós seres humanos.

Quando utilizamos as leis de Deus para acusar os outros estamos blasfemando, ou seja, estamos dizendo “palavras que ultrajam a divindade, a religião, ou pessoa ou coisa respeitável” (Mini Dicionário Aurélio – 3a. Edição).

Portanto, acusar as pessoas é pecado nosso, pois estaremos na verdade acusando Deus que é o causador de tudo, inclusive dos atos das pessoas.

“aquele que blasfemar contra o Pai será perdoado”

Entretanto, Deus poderá nos perdoar por julgarmos as outras pessoas.

O perdão, para o ser humano, é a “remissão das penas”, ou seja, a não aplicação ou suspensão de uma pena a quem merecia ser penalizado. Só que este tipo de pensamento nada tem a haver com o amor universal. Quem aplica este “perdão” é porque se sente superior aos outros, ou seja, julga e acusa o “delito”, mas por “nobreza de sentimentos”, não aplica a penalidade merecida...

O perdão, para se encaixar nas bases do amor universal, tem que ter igualdade e, por isto, não pode acusar alguém de estar errando...

Perdoar verdadeiramente alguém, com amor, é dizer que não podemos julgá-lo, condená-lo ou penalizá-lo porque não encontramos erro no que ele fez.

CONCEDER O PERDÃO É, PORTANTO, ABRIR MÃO DE NOSSAS VERDADES PESSOAIS E SABER QUE TUDO ACONTECE SOB O COMANDO DE DEUS, acreditando que todos são iguais perante Ele e que devemos amar todas as pessoas como o Pai ama a todos.

Quando alguém blasfema ofende a Deus, mas Ele sabe que isto é feito porque a pessoa acredita que está “certa”, que possui razões para dizer a Deus que Ele não deveria ter agido daquela maneira.

Um caso típico desta ofensa a Deus pode ser encontrado na Bíblia Sagrada no livro de Jó.

Jó era um ser humano temente a Deus e que seguia as Suas leis. Possuía muitos bens e tinha uma família grande e harmonizada. Deus, a fim de comprovar sua fé, permitiu que o “diabo” tirasse suas propriedades, seus familiares e, por fim, desse fim à sua saúde. Jó então se revoltou contra Deus e blasfemou aos céus que ele sempre fora temente a Deus e não merecia passar por aquilo.

Para confortá-lo, amigos foram conversar com ele e tentar trazer-lhe novamente à razão. Durante o diálogo com os amigos, Jó fala o seguinte:

“Eu sei muito bem que as coisas são assim. Mas, como é que uma pessoa pode provar a Deus que ela está com razão?” (Jô – 9,1)

Todos os seres humanos são Jó, pois vivem tentando dizer a Deus o que Ele deveria fazer...

Deus, porém, não pune essas pessoas porque sabe que elas agem assim porque se consideram certas em seus atos, mesmo que com isso ofendam ao Pai.

“aquele que blasfemar contra o Filho será perdoado”

Se Jesus é a ação do amor, também Ele não poderia culpar os atos daqueles que se imaginam certos. “Pai, perdoa porque eles não sabem o que fazem”, ou seja, “Pai, não aplique pena nestes espíritos porque eles imaginam que o que fazem está certo”.

Quando Deus ou Jesus perdoam, não quer dizer que apenas não punem, mas quer dizer que Eles sabem que todos agem da maneira certa, que o que precisam alterar são os sentimentos e que são os seres humanos que encontram e apontam erros nos atos praticados.

Deus e Jesus não punem, mas também não permitem que os atos sejam praticados contra quem não merece ou não precisa deles.

Por isto DEUS É A CAUSA PRIMÁRIA DAS COISAS, ou seja, dá a quem merece o justo.

“mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo, este não será perdoado nem na Terra nem no céu”

Deus não permite que um ser humano seja criticado se ele não merecer isto. Para que esta Justiça se mantenha é que Deus causa o ato de todos os seres humanos.

Para aquele que gosta de caluniar, por exemplo, Deus não aplica uma pena, pois reconhece o seu direito de querer ser um caluniador, mas direciona o seu ato contra aquele que merece ser caluniado.

Quem calunia os outros, recebe calúnias de alguém. Deus promove estes atos para que o caluniador, agora caluniado, sinta o quanto causa sofrimento quando faz a mesma coisa. Não se trata de uma pena, mas de dar do próprio “remédio” àquele que o receitou...

Por isto, aquele que blasfemar contra o espírito santo (todos aqueles que vêm de Deus), terá que receber na mesma medida aplicada aos outros.

Deus dá a cada ser humano o direito de escolher o sentimento com o qual irá reagir às situações da vida. Depois da escolha, Deus transforma este sentimento em “pensamentos” (argumentos) para que ele pratique o ato. Desta forma, todo ato acontece da maneira perfeita, pois os argumentos para a sua execução foram dados por Deus.

Aquele que encontra erro nos atos das pessoas, na verdade está dizendo a Deus que não devia acontecer o que aconteceu. Está negando à outra pessoa o livre arbítrio de escolher o sentimento para reagir, para que Deus então lhe dê os argumentos (“pensamentos”) que se transformarão em atos.

Esta é a ação de Deus baseada na lei suprema da ação e reação.

Se você critica os outros, também receberá críticas, ou seja, tudo o que fizer contra o “espírito santo, não poderá ser perdoado nem na Terra nem no céu”.

Isto é praticar a Justiça Perfeita.

O evangelho segundo Tomé

Logia 45 - A crítica

“045. Disse Jesus: não se colhem uvas de espinheiros nem se apanham figos de cardos, pois que eles não dão frutos. Um bom homem faz sair o bem de seu tesouro, um homem mau faz sair coisas más de seu tesouro mau, que está em seu coração, e fala coisas más. Pois da abundância do coração ele faz sair coisas más”.

“não se colhem uvas de espinheiros nem se apanham figos de cardos, pois que eles não dão frutos”

Jesus começa este ensinamento mostrando-nos que as conseqüências dependem sempre das causas. As uvas não podem nascer dos espinheiros, pois são frutas que nascem da parreira, os figos não podem surgir do cardo, pois esta é uma planta espinhosa, considerada como “praga” na lavoura.

Para que possamos colher frutos como as uvas ou os figos, precisamos plantar as árvores que dão estas frutas.

“Um bom homem faz sair o bem de seu tesouro”

O tesouro que um espírito pode ter são os seus sentimentos. Assim, Jesus afirma que o homem para ser bom é necessário que possua bons sentimentos. Para se agir com amor, é necessário ter amor.

Não pode um homem querer considerar-se bom, se ele não possui bons sentimentos, pois o sentimento é a base que vai gerar o ato. Como já vimos, o espírito escolhe o sentimento que vai utilizar para reagir às situações da vida. É este sentimento que vai espelhar a sua real intenção.

Não adianta o ser humano dizer que está aconselhando o colega “para o próprio bem dele”, se a sua real intenção é subjugá-lo, ou seja, ensiná-lo como proceder. Não existe crítica construtiva, pois ela determina uma situação de superioridade de quem está criticando. Quando a igualdade acaba, encerra o amor e os atos bons não podem ser alcançados.

Praticar a bondade é reagir a tudo que acontece com o amor universal, ou seja, manter a sua felicidade universal, não causar tristezas aos outros e não quebrar a igualdade entre todos os filhos de Deus. Sem estas premissas básicas o ato é praticado com qualquer outro sentimento, mas nunca com amor.

Toda crítica nasce do julgamento do ato das outras pessoas. É a partir da avaliação do “certo” ou “errado” que surgem as críticas. Nestas avaliações (julgamentos) são levadas em consideração apenas o que o avaliador “acha” e acaba por ser um tribunal sem direito de defesa do acusado...

O homem ainda acredita na lei de Moisés pelo significado de seus termos, mas Jesus afirmou que veio para dar o real sentido a ela. Este sentido que o Mestre trouxe foi o amor. Com isto, onde se entendia “não adulterarás”, Jesus colocou o verdadeiro sentido: não se deve cometer o adultério porque se tem amor.

O homem bom troca a crítica pelo ensinamento da consciência do amor que devemos ter por todos.

“um homem mau faz sair coisas más de seu tesouro mau, que está em seu coração, e fala coisas más”

O homem mau faz sair de seu coração as coisas más: ele acusa, calunia, julga, critica. A acusação que sai da boca de um homem que critica é gerada por sentimentos “maus”, (contrários à lei de Deus), pelo egoísmo e a prepotência do ser humano de querer ser dono da verdade, pelo orgulho de achar que tem sempre a razão... São estes sentimentos que o espírito utiliza quando seu ato demonstra a crítica como consequência.

Para que se pratique o bem para as pessoas é necessário que se utilize somente o amor. A igualdade trazida por este sentimento não deixa ninguém agir “errado” (contra as leis de Deus) com o próximo. Por este motivo, para que o ato seja bom é preciso que ele dê a liberdade completa às outras pessoas.

Auxiliar o irmão é, antes de tudo, dar-lhe o direito de fazer o que ele bem quiser. O ser humano afirma que Deus lhe dá o livre arbítrio de praticar o que bem entende, mas quer tolher no seu irmão este mesmo direito.

O livre arbítrio (não do pensamento ou do ato mas do sentimento) é dado por Deus e ninguém pode tirá-lo de alguém. Criticar o outro é querer extinguir este direito que o próprio Deus deu. É querer saber melhor que Deus o que é o “certo” e o “errado”.

Deus, Supremo Administrador do Universo permite que um espírito escolha qualquer sentimento para reagir a um acontecimento e direciona para que o ato oriundo deste sentimento seja aplicado contra aquele que merece e necessita recebê-lo. Desta forma, mantém a Justiça Perfeita no Universo e age com o Amor Sublime dando a cada um o que merece e o que precisa para a sua evolução. É esta Verdade Universal que, aplicada, acaba com as críticas.

Se alguém consegue praticar algo contra você que esteja contrário ao que você considera “certo” ou “justo”, é porque Deus o escolheu para praticar isto contra você. Portanto, você merece receber este ato. Entretanto, não se trata de uma pena, um castigo, mas uma forma que Deus encontrou de fazer você “repensar” seus conceitos, ou seja, o que para você é certo ou errado. Eliminando seus conceitos e aceitando Deus como único causador das coisas universais você evoluirá espiritualmente.

Esta é a verdade universal da vida. Devemos, então, agradecer àquele irmão por ter servido ao Pai na Sua obra de nos ajudar na evolução espiritual. A crítica é feita por aquele que quer assumir o “controle” das coisas universais, achando-se o juiz supremo, capaz de dizer o que é “certo” ou “errado”.

“Pois da abundância do coração ele faz sair coisas más”

Através dos sentimentos de superioridade, da vontade de ditar o “bem” e o “mal” que o espírito é levado a praticar a crítica.

A crítica de um ato, ou seja, a acusação de que ali não houve justiça ou foi cometido um erro, denota falta de confiança em Deus, ou seja, de fé. Quando alguém acusa outro de ter lhe feito “mal” está afirmando que Deus é “fraco” e não o protegeu daquele ato...

Ter a fé em Deus é saber que todos têm livre arbítrio de sentimento, mas que Deus precisa “comandar” os atos decorrentes deste livre arbítrio para que a Justiça Perfeita mantenha-se sempre saber que Ele pratica este comando objetivando a evolução espiritual de cada um e não para espalhar sofrimento.

O evangelho segundo Tomé

Logia 46 - Maior no Reino

“046. Disse Jesus: de Adão a João Batista, não há quem, entre eles, nascido de mulher, haja sido maior que João Batista, para que seus olhos não sejam danificados. Mas eu disse que dentre vós quem se tornar criança conhecerá o Reino, e se tornará maior que João”.

“de Adão a João Batista , não há quem, entre eles, nascido de mulher, haja sido maior que João Batista”

Adão representa o “primeiro espírito que encarnou neste planeta”. Portanto, Jesus está afirmando que entre todos os espíritos que encarnaram desde o início do planeta até a chegada daquele que ficou conhecido como João Batista, este foi o “maior” para o reino dos céus. Isto se confirma com a fala “nascido de mulher”, que significa ser humano, ou seja, espírito encarnado.

Pouco nos chegou até o dia de hoje sobre João Batista. A história revela que ele era primo de Jesus e que seu nascimento também foi obra de um “milagre”, como o do seu primo. De sua infância e juventude pouco se sabe e ele só aparece posteriormente batizando os fiéis no rio Jordão. Também ficou conhecido por seu envolvimento (críticas) à família do rei pois acabou sendo decapitado.

Entretanto, a história espiritual revela muito mais sobre este elevado espírito. Ele foi o precursor de Jesus na missão da divulgação da Boa Nova.

“João afirmou com toda a clareza: Eu não sou o Messias.

Eles tornaram a perguntar: Então quem é você? Você é Elias?

Não, eu não sou! – respondeu João.

Você é o Profeta que estamos esperando?

Não! – respondeu ele.

Aí disseram a João: Diga quem é você. Precisamos saber o que diz a respeito de você mesmo, para podermos levar a resposta aos que nos enviaram.

João respondeu, citando o profeta Isaías: Eu sou aquele que grita assim no deserto: preparem o caminho para o Senhor passar.” (João – 1, 20)

João foi um enviado de Deus que preparou o campo para a semeadura de Jesus. Ele, como o Mestre, não deixou ensinamentos escritos, mas iniciou a difusão da Boa Nova. Era um espírito superior que conhecia as Verdades Universais e as praticou durante toda a sua existência.

Arrebanhou discípulos, mas entregou-os ao verdadeiro Messias quando este chegou. Praticou o despojamento e viveu para Deus. Foi um “líder religioso” de sua época, mesmo não tendo religião.

“para que seus olhos não sejam danificados”

Jesus alerta para esta condição de João, para que nossos olhos não se danifiquem, ou seja, para que vejamos em sua vida o exemplo a ser seguido. O verdadeiro líder não é aquele que se coloca no pedestal da sabedoria suprema, mas aquele que sabe que é apenas um humilde servidor de Deus.

O exemplo de João deve ser seguido por todos aqueles que tiverem, de alguma forma, a posição de líder.

“Naqueles dias, Jesus foi da Galiléia até o rio Jordão a fim de ser batizado por João Batista. Mas João tentou convence-lo a mudar de idéia, dizendo assim: Eu é que preciso ser batizado por você, e você está querendo que eu o batize?

Mas Jesus respondeu: Por enquanto deixe que seja assim, pois faremos tudo o que Deus quer” (Mateus 3,13)

João submeteu-se a Jesus para que a vontade de Deus fosse cumprida. É para que vejamos esta realidade que Jesus nos fala da posição de João no reino do céu. Não danificar os olhos, significa não interpretar, entender, ver, as coisas de forma diferente do que realmente aconteceram.

Jesus nos diz que João foi superior a qualquer outro homem nascido no planeta até então, justamente porque ele alcançou a compreensão de que sua vida era integralmente dirigida por Deus. Isso nos é mostrado para que aprendamos a não idolatrar nossos líderes e nem estes devem buscar a idolatria para si. O primeiro mandamento da lei nos afirma: amar a Deus acima de todas as coisas.

Idolatrar santos, entidades ou o próprio Jesus acima de Deus Pai, é não praticar o mandamento Dele. Toda vida de Jesus, bem como a de João no planeta foi dirigida por Deus. Eles se submeteram ao comando divino do Pai.

Quando Jesus nos mostra a real posição de João não é com a intenção de engrandecê-lo, mas nos mostrar que não devemos idolatrar outro ser no Universo que não o próprio Deus. Todos os seres humanos, não importando a função que ocupem dentro do planeta, devem ser entendidos como agentes de Deus e não como superiores uns aos outros.

Não danificar os nossos olhos é não termos esta idolatria. É amarmos Deus acima de todas as coisas e pessoas existentes. Por isto Jesus afirmou que aquele que não renegar pai e mãe não serve para ser seu discípulo. Ninguém pode receber maior dedicação do que Deus.

Todos servimos a Deus, pois o primeiro propósito da encarnação de um espírito é auxiliar Deus na Sua obra. Fazemos este trabalho quando estamos praticando nossas provas e missões e cumprindo nossas penas. A vida do espírito em coletividade é justamente para que desta forma o seu trabalho particular possa auxiliar Deus na coletividade espiritual.

Quando um espírito auxilia outro é porque Deus mandou que ele agisse daquela forma: um mereceu ser auxiliado e o outro a se tornar auxiliador. Portanto, quem recebe o auxílio não deve idolatrar o auxiliador, pois o verdadeiro determinante do auxílio foi o Pai. A quem nos auxilia devemos a gratidão e o respeito, mas o amor sublime deve ser sempre endereçado Àquele que enviou o socorro.

Creditar aos santos o auxílio recebido é imaginar que estes são superiores a Deus e agem por conta própria... Devemos agradecer aos santos o auxílio, mas saber que eles apenas foram instrumentos de Deus para que se realizasse a Sua obra. Isto é “não danificar seus olhos”.

“Mas eu disse que dentre vós quem se tornar criança conhecerá o Reino, e se tornará maior que João”

Mesmo o espírito que estiver repleto de sentimentos negativos, ainda assim auxiliará a Deus na Sua obra. Se alguém precisa receber uma agressão física como um recado de Deus para seus próprios sentimentos, o Pai utilizará quem possui tais sentimentos para dar origem ao ato necessário para que o outro o receba. Quem escolhe os caminhos é o próprio espírito quando escolhe os sentimentos para reagir aos acontecimentos.

É conhecido entre os encarnados que Deus sempre orienta seu filho, seja pelo amor ou pela dor. Deus utiliza aqueles que têm sentimento negativo para levar a outros filhos o ensinamento que possa auxiliá-los a promover a reforma íntima.

Por isto Jesus afirma que qualquer um que seja como uma criança será maior do que João, ou seja, será, entre os nascidos de mulher, o maior. Entretanto, para isso é necessário que o espírito conheça o reino, ou seja, o amor.

A comparação com as crianças já foi explicada na logia 4. Para Jesus espírito é quem não possui conceitos, ou seja, vontades próprias que possam ser impostas aos outros. Aquele que vive desta forma encontra o amor universal, pois estará em perfeita harmonia (igualdade) com todos, viverá na glória de Deus (felicidade universal) e não causará sofrimento aos outros.

Este é o maior para Deus, pois Ele pode utilizá-lo para levar ao irmão o ensinamento pelo amor.

O evangelho segundo Tomé

Logia 47 - Desejos

“047. Disse Jesus: é impossível para um homem montar dois cavalos e retezar dois arcos, e é impossível a um escravo servir a dois senhores, pois que honrará a um e ofenderá a outro. Nenhum homem bebe um vinho velho e em seguida deseja beber um vinho novo; e não se põe vinho novo em odre velho, para que não se o quebre, e não se põe vinho velho em odre novo, para que não se o estrague. Não se cose um remendo de pano velho em roupa nova, porque se tornará um buraco”.

“é impossível para um homem montar dois cavalos e retesar dois arcos, e é impossível a um escravo servir a dois senhores, pois que honrará a um e ofenderá a outro”

O tema desta logia já é conhecido nos evangelhos canônicos. Jesus nos alerta que um espírito não consegue viver tendo mais de uma causa primária para a sua vida. Chamamos de “causa primária”, aquilo que se compreende como “objetivo de vida”. Nenhum homem pode ter objetivos diversos sem que falte ao cumprimento do seu serviço a um ou a outro. Não é possível um escravo obedecer ordens de dois senhores, pois cada um terá pensamentos diferentes que certamente em algum momento entrarão em conflito.

Nenhum espírito pode ter como objetivo de vida o sucesso material e o sucesso espiritual. É preciso que ele escolha uma das duas coisas. Nos evangelhos canônicos a informação está mais detalhada: não se pode servir a Deus e ao dinheiro.

 A vida humana não pode ser compreendida como uma existência material com passagens espirituais, sem que se ponha em risco a elevação espiritual. É necessário que o espírito tenha a consciência de que ele tem uma vida espiritual com passagens materiais, para que ele consiga alcançar o sucesso na sua vida carnal (evolução espiritual). Para isso é necessário que ele abdique do sucesso material.

Não se está fazendo apologia da pobreza, do abandono das coisas materiais, mas sim daquilo que é sucesso material para o ser humano.

Este sucesso, para o ser humano, não é medido pelas realizações que ele alcança, mas pela concretização do seu “querer”. O sucesso material para o ser humano não é conseguir comprar uma casa, mas sim realizar o seu “sonho”, o seu objetivo, o seu desejo.

Servir a Deus é não ter desejos que precisem ser concretizados para que o espírito alcance a felicidade. Alcançar o sucesso espiritual é ser feliz com qualquer que seja a situação de vida do espírito.

Para servir a Deus o espírito precisa abandonar o seu “querer” e aceitar os desígnios do Pai.

Jesus afirmou:

“Nas suas orações, não fiquem repetindo o que já disseram, como fazem os pagãos. Eles pensam que Deus os ouvirá porque fazem orações cumpridas. Não sejam como eles, pois o Pai já sabe o que vocês precisam, antes de pedirem”. (Mateus – 6,7).

Quando um espírito deseja alguma coisa, ele condiciona a realização desse desejo para ser feliz. Faz isto porque se imagina capaz de saber o que é melhor para ele e, assim, está querendo se transformar na “causa primária” de seus atos, servindo a si mesmo.

Ao abrir mão dos seus desejos, o espírito não mais precisará de motivos para alcançar a felicidade e poderá receber todos os acontecimentos da vida com este sentimento, pois estará servindo a Deus e entenderá que o Pai sabe melhor do que ele mesmo o que é o preciso para a sua evolução espiritual.

Quem serve a Deus reconhece a sua incapacidade para gerir sua vida, em virtude do “véu do esquecimento” que “cobre” sua memória quando encarna. Tem fé, ou seja, confiança e entrega absoluta nas mãos de Deus e sabe que Ele o proverá de tudo o que precisar para atingir a evolução espiritual. Aquele que apenas deseja coisas materiais, sem considerar se elas são as mais adequadas para o seu avanço espiritual, deixa de servir a Deus e passa a servir apenas a si mesmo.

Portanto, servir a Deus não é escolher uma vida de carências, mas aceitá-la sem sofrimento se assim for o desejo do Pai. Isto não significa abrir mão do que Deus nos deu, mas em qualquer situação, amar o que Deus lhe nos “emprestou” e reconhecer que é aquilo que precisamos para nossa evolução espiritual.

“Nenhum homem bebe um vinho velho e em seguida deseja beber um vinho novo”

Se o espírito tem como objetivo na sua vida o prazer, ele jamais conseguirá aceitar os desígnios de Deus sem sofrimento. O espírito não vem à carne para alcançar o prazer individual, mas sim a felicidade universal, que só será alcançada quando todos sentirem a mesma felicidade que ele estiver sentindo.

Alcançar a felicidade universal é abrir mão de possuir as coisas e sentir a felicidade que o outro tem em possui-las. O vinho velho, o prazer, viciam o espírito em possuir só o “bom” para alcançar a felicidade. Mas, assim como o vinho evapora, este prazer também se desfaz rapidamente, pois após alcançar o primeiro objetivo, o espírito já começa a precisar e desejar novas coisas para ser feliz...

É preciso amar aquilo que se possui e não viver a desejar coisas novas. O espírito que serve a Deus ama as situações da sua vida, sem desejar nada mais, pois compreende que se o Pai lhe deu ou tirou alguma coisa, é exatamente aquilo que ele merece e precisa para evoluir durante sua estadia na vida carnal.

“não se põe vinho novo em odre velho, para que não se o quebre, e não se põe vinho velho em odre novo, para que não se o estrague”

Para servir a Deus o espírito necessita ter consciência da sua existência eterna e fazer de sua evolução espiritual o objetivo de vida carnal. Para isto é necessário que ele promova a sua reforma íntima, ou seja, acabe com os seus desejos, com aquilo que ele “acha certo” e “merece”.

Por isto o Pai, que é o Amor Sublime, administra a encarnação para que o espírito não deixe maiores dívidas ao longo do caminho. Muitas vezes Deus não pode prover a vida deste espírito com a carência total que ele necessita, pois sabe que assim fazendo, este espírito poderá acarretar mais débitos na sua jornada carnal. Se isto ocorrer, haverá a necessidade do espírito retornar à matéria carnal (reencarnação) para prosseguir sua jornada de evolução.

Por exemplo, um espírito vem à carne com a missão de não possuir bens materiais e esmolar para que possa colocar em prática o amor universal. Esta escolha, que foi feita pelo próprio espírito antes de encarnar, faz parte do seu livro da vida. Entretanto, ao se transformar em ser humano pode não compreender esta verdade e revoltar-se, passando a ter desejos de coisas materiais.

Deus não poderá prover a vida deste espírito com toda a carência material que ele planejou, pois sabe que assim fazendo poderá acarretar mais débitos na sua jornada. Deus então lhe dá uma vida com muitas carências, mas não todas que pediu e este espírito terá que reencarnar por outras vezes até que aceite toda a carência pelas quais precisa passar. Se esse espírito conseguir a sua reforma íntima, ou seja, deixar de servir a si mesmo (desejos) e passar a servir a Deus, o Pai poderá agir dentro do programado em seu livro da vida e o espírito alcançará a evolução. Deus não dará a ele posse alguma, mas isto não lhe causará tristeza, pois compreenderá que é daquilo que ele precisa para evoluir, agradecerá a sua condição ao Pai e servirá de instrumento para a Sua obra.

“Não se cose um remendo de pano velho em roupa nova, porque se tornará um buraco”

Todos carregam a cruz do tamanho que necessitam carregar: ela tem o peso e o formato que o “ombro” do espírito suporta carregar. Revoltar-se contra as situações da vida aumenta o débito que o espírito possui e atrasa a sua evolução espiritual.

As informações passadas pela espiritualidade depois de Kardec sempre afirmam que o espírito na hora de encarnar pede muitas provas, pois tem a consciência da importância da evolução espiritual. Entretanto, estas mesmas informações dizem que durante a vida muitas destas provas não são aplicadas para que o espírito não “piore” a sua situação.

Deus é justo e amoroso. Jamais colocaria uma situação onde um filho Seu não pudesse sustentá-la. Todas as situações que ocorrem na vida de um espírito na carne são suportáveis para ele, mesmo que não consiga vencê-las. Afirmar que a cruz é mais pesada do que se pode agüentar é dizer que Deus é injusto e cruel.

O evangelho segundo Tomé

Logia 48 - Doação da razão

“048. Disse Jesus: se dois fizerem as pazes em uma casa dirão à montanha: mova-te, e ela se moverá”.

“se dois fizerem as pazes em uma casa”

Sobre o tema paz já conversamos na logia 16. No entanto, sempre é bom revisar o ensinamento. A paz não pode ser alcançada com a subordinação de uma pessoa aos desejos de outra. Quando isto acontece, aquele que foi “sufocado” guardará a sensação e em algum momento, Deus o intuirá para tentar, novamente, impor a sua vontade. Quem age desta forma não está alcançando a paz, mas sim o domínio sobre os desejos alheios.

A verdadeira paz só é alcançada quando um espírito concede ao outro o direito de fazer aquilo que ele bem entender, sem que se encontrem erros no que foi feito. Estar em paz consigo mesmo ou com os outros é abrir mão do “poder” de querer que os fatos se desenrolem da maneira que queremos e aceitar qualquer que seja o acontecimento, sabendo que ele está perfeito.

Aquele que alcança a paz verdadeira não impõe condições para que ela exista. Não precisa ter seus conceitos atendidos para que fique feliz. Harmoniza-se com as coisas sem impor a forma que elas deveriam acontecer.

Nesta logia, quando Jesus afirma que se dois fizerem as pazes em uma casa, está ensinando a condição para que não exista o julgamento dos atos das outras pessoas. Aqueles que conseguirem conviver desta forma alcançarão o que promete Jesus no complemento do texto:

“dirão à montanha: mova-te, e ela se moverá”

Toda montanha é um obstáculo na caminhada de um espírito. Andar por vales e planícies necessita muito menos esforço do subir e descer terrenos íngremes. É neste sentido que Jesus utiliza a figura da montanha: obstáculos à caminha espiritual.

Os obstáculos que aparecem na caminhada de um ser humano são chamados de problemas. No caminho do espírito (vida material) em busca do amor universal, ele cruza diversos tipos de “terrenos”. Existem os momentos onde facilmente o espírito consegue colocar em prática este amor: são os vales e planícies. Entretanto, existem momentos onde esta prática se torna uma tarefa árdua: são as montanhas da vida.

Isto acontece porque o espírito subordina a prática do amor universal aos desejos particulares e exige que os acontecimentos sejam como ele quer para que possa reagir a eles com o amor universal. Quando isto não ocorre o espírito acha uma tarefa muito difícil escolher o sentimento do amor para reagir. Os momentos fáceis são os vales e planícies, ou seja, quando tudo se desenrola satisfazendo os conceitos do espírito. As montanhas se caracterizam por aqueles momentos onde será necessária uma doação da razão para que o amor seja colocado em prática.

Quando surge uma adversidade o espírito afirma: “estou com problemas”. Portanto, podemos definir “problema” como os acontecimentos onde o “querer” do espírito está ameaçado. O que chamamos de problema e que nos causa aflição é exatamente a possibilidade de nosso querer não ser mais forte que os desígnios de Deus...

Todos os acontecimentos da vida humana são colocados por Deus objetivando a evolução espiritual. O espírito sabe disso, mas quando se torna um ser humano, busca a felicidade material e quer coloca-la acima do real objetivo intento de sua vida: provar a cada instante a Deus que é capaz de colocar em prática o amor universal.

Para que o espírito acabe com os problemas de sua vida é necessário que ele não tenha objetivos materiais, conceitos a serem satisfeitos. Quando ele conseguir eliminar todo o seu “querer” conseguirá aceitar os acontecimentos sem questionar.

Entretanto, este é um caminho que não se alcança de imediato: é preciso passar por alguns estágios antes de alcançá-lo.

A um destes estágios chamamos de “doação da razão”. Um espírito que ainda tenha verdades individuais pode suplantar os problemas da vida, doando a razão para o causador deles. Ele ainda desejará que o acontecimento se desenrole de forma diferente, mas “aceitará” que aconteceu daquela forma. Ainda terá vontades, mas aprenderá a subordiná-las à Perfeição de Deus.

Quando um espírito tiver suas vontades próprias “ameaçadas”, deve doar a razão para quem “ameaçou” essas vontades. Ao imaginar um problema que tenha que resolver (mudar a verdade do outro), aceite o que este outro está dizendo ou fazendo, pois é Deus quem está comandando aquele ato.

O espírito que doa a razão não muda a sua verdade, mas encontra Deus por trás de todos os atos e busca a aceitação do Seu comando sobre as coisas. Ele continuará “achando” que deveria ser diferente, mas acata a decisão do Pai. Entretanto, esta forma de proceder não pode conter acusações.

Doar a razão é aceitar que outra forma de agir pode estar certa, mesmo que para você não esteja. Não se trata de aceitação momentânea e, posteriormente, dar início a um processo crítico, mas de dar ao outro o direito de praticar o que quiser, pois ele só conseguirá fazer aquilo que Deus ordenar.

Quando o espírito agir desta forma não terá que fazer maiores esforços para a sua caminhada. Estará avançando constantemente em terreno plano e não necessitará superar as íngremes montanhas que ele mesmo coloca na sua vida.

Por isto Jesus nos ensina que precisamos mover as montanhas de nossa caminhada.

A subida longa e cansativa leva ao desânimo e acabamos não fazendo a travessia. Ao invés de escalarmos os picos elevados, o melhor é aplainar o terreno. Com isto poderemos conquistar novos lugares com mais velocidade e menos cansaço. Isto só depende de nós mesmos.

Para realizar este trabalho é necessário abrir mão de nossas verdades ou ficar co elas mas doar a razão quando elas forem confrontadas. Os picos das montanhas que aparecem na nossa jornada são construídos por nós mesmos, quando estagnamos no “certo” e no “errado” das coisas. É preciso abrir mão, mesmo que momentaneamente destes conceitos, para que as montanhas se transformem em planícies.

Por isto Jesus afirma que para que as montanhas saiam de nosso caminho é preciso que antes se façam as pazes. É necessário que não se encontrem erros no proceder das outras pessoas para que os problemas não surjam. É preciso entender que Deus é a causa primária das situações, para que não julguemos os conceitos dos outros.

O evangelho segundo Tomé

Logia 49 - Solitário

“049. Disse Jesus: bem-aventurados o solitário e o eleito, pois que encontrarão o Reino; porque dele vieram e a ele retornarão”.

Os ensinamentos de Jesus trazidos em todas as logias até aqui estudadas, sempre convergem para o mesmo ponto: o Mestre nos ensina de diversas formas que devemos abrir mão dos nossos conceitos para eliminarmos a fonte dos julgamentos que emitimos sobre tudo.

Quando os conceitos acabarem, acabarão também o bem e mal, o certo e o errado, o bonito e o feio, tornando todas as coisas iguais. Neste momento iremos compartilhar da coletividade universal e encontraremos o amor universal, que traz a felicidade plena.

Entretanto, o espírito na carne nem sabe que possui estes conceitos, pois vive a vida regada por eles e nem percebe que estão presentes. É preciso que alguma coisa contrarie o espírito para que ele perceba isso. Ninguém pode afirmar que existe beleza em algo apenas pelos seus parâmetros,mas é necessário que se conheçam os parâmetros dos outros para saber que o belo pode também ser considerado feio.

Não adianta um ser humano enclausurar-se com a intenção de acabar com os seus conceitos. Enquanto ele não estiver exposto a outras medidas sobre o mesmo assunto, não reconhecerá que aquela forma de ver é exclusiva sua. Portanto, o ser humano necessita do contato com outros seres humanos para aprender a reconhecer que é movido por verdades individuais e não universais.

 “bem-aventurado o solitário”

Nesta logia, Jesus afirma que alcançará a felicidade (bem-aventurado) aquele que se tornar solitário, ou seja, isolar-se dos outros. Apesar da aparente ambigüidade deste ensinamento, ele confirma todos os demais.

O solitário é aquele que “não convive com os seus semelhantes, se situa em lugar ermo, que vive só” (Mini Dicionário Aurélio – 3a. Edição). Seguindo esta definição, podemos afirmar que o ser humano não é um solitário, mesmo que não mantenha contato físico com nenhum outro ser humano. Isto ocorre porque o pensamento do ser humano está sempre povoado de outras pessoas.

Quando um espírito “pensa” em determinada pessoa, trata-se de um pensamento que Deus lhe dá e que espelha o sentimento dele sobre a pessoa em quem está pensando. Quando alguém, sem contato físico, se lembra de outra pessoa e os momentos bons que tiveram juntos, houve uma emissão de sentimentos positivos até aquela pessoa lembrada. Para materializar esta emissão de sentimentos é que Deus dá a “lembrança dos acontecimentos”.

Da mesma forma quando alguém “pensa” sobre determinados atos de outra pessoa criticando-os, este pensamento reflete a emissão de sentimentos negativos havida naquele momento. Esta emissão alcança o seu “alvo” e conecta os dois espíritos em uma mesma “vibração”, ou seja, faixa de onda eletromagnética (sentimento). Podemos afirmar, então, que houve o contato, apesar de poderem estar a milhares de quilômetros de distância um do outro.

Este contato é tão real que pode passar do inconsciente e atingir o consciente. Quantas vezes começamos a pensar em determinada pessoa e sentimos que precisamos falar com ela. Logo depois o contato físico é providenciado. Neste momento o espírito acha que foi coincidência... Isto não ocorreu por acaso, mas porque ao emitir os sentimentos, o ser humano colocou o alerta de que precisava manter contato com ela.

Os sentimentos emitidos neste contato dependem dos conceitos que o espírito possui sobre a outra pessoa. Se eles forem “bons”, haverá um contato (emissão de sentimentos) positivo. No entanto, se os conceitos arquivados sobre aquela pessoa não forem tão bons, isto ocasionará uma emissão de sentimentos negativos.

É por este motivo que Jesus nos conclama a sermos “solitários”. O mestre nos ensina que enquanto possuirmos conceitos, não devemos pensar nas outras, devemos ser “solitários”.

Para alcançar o reino do céu, a alegria plena, é necessário que o espírito não julgue outros espíritos nem mesmo quando eles estiverem distantes.

834 – O homem é responsável pelo seu pensamento?

Ele é responsável diante de Deus. Só Deus podendo conhecê-lo, o condena ou o absolve segundo sua Justiça. (Livro dos Espíritos)

A justiça terrestre só consegue avaliar um ser humano quando ele comete um ato, pois não consegue penetrar no seu “pensamento”. Entretanto, Deus, que a tudo vê e conhece, pode avaliar a emissão de sentimentos de um espírito para outro, produzindo os atos necessários para que aqueles sentimentos se materializem, se for do merecimento de quem os receberá. Se não for, Ele o poupará de recebê-los. No entanto, para aquele que emitiu o sentimento, Deus terá que providenciar uma “reparação”.

Não devemos imaginar que, apesar do sentimento emitido não se materializar em atos, ele não será captado por Deus.

457 – Os espíritos podem conhecer nossos mais secretos pensamentos?

Freqüentemente, eles conhecem aquilo que quererieis ocultar a vós mesmos; nem atos, nem pensamentos podem lhes ser dissimulados.

Quando Jesus nos conclama a sermos solitários para alcançarmos o reino do céu, não nos pede uma vida de clausura material, mas para que vivamos apenas para cumprir nossa jornada, sem querer avaliar a jornada dos outros.

“eleito, pois que encontrarão o Reino; porque dele vieram e a ele retornarão”

Aquele que deixar de avaliar a vida dos outros, decretando o certo e o errado nos atos que praticam, serão eleitos por Deus para auxiliá-Lo mais profundamente na Sua obra. A estes serão dadas as “missões” mais difíceis, mas que trarão maior glória.

Não é porque um espírito não possui mais conceitos que ele não mais passará por situações onde exista um aparente “sofrimento”. As situações que hoje julgamos de sofrimento, continuarão acontecendo mesmo na vida de quem abrir mão do poder de julgamento das coisas. Ele espírito ainda será alvo de críticas, de atos que espelhem o sentimento de raiva, cobiça, inveja, etc.Entretanto, ele não escolherá sentimentos negativos para reagir aos acontecimentos e por isso não mais encontrará sofrimento.

Assim, aquele que não mais possuir conceitos reagirá com alegria, compaixão e igualdade em tudo. Aquele que tiver o amor universal continuará recebendo palavras de críticas, mas não “sentirá” estas palavras desta forma, constatando somente o uso de sentimentos negativos por aquele que os emitiu. É a sua “solidão” que não permite que o espírito mantenha os sentimentos negativos para reagir àqueles acontecimentos.

Quando reagir apenas com o sentimento do amor, o espírito positivará os sentimentos negativos recebidos, auxiliando aquele que ainda não conhece o “reino do céu”. Como Já explicado na logia 03, o reino do céu não é um lugar físico, mas um estado onde o espírito conhece apenas o amor e por isso vive em paz, harmonia e felicidade.

Reagindo com o amor aos acontecimentos movidos por sentimentos negativos o espírito estará doando mais deste sentimento àquele que ainda não o utiliza, aumentando o “estoque” à disposição do outro para servir como base futura de seu raciocínio.

Utilizar apenas o amor universal como base para a reação aos acontecimentos da vida é o futuro de todos os espíritos.

116 – Há espíritos que permanecerão perpetuamente nas ordens inferiores?

- Não; todos se tornarão perfeitos. Eles mudam de ordem, mas lentamente; porque como já dissemos de outra vez, um pai justo e misericordioso não pode banir eternamente seus filhos.

Aquele que já conseguiu a sua evolução se torna, portanto, um eleito de Deus para que, com a doação do amor universal, forneça “bases” para que os seus irmãos possam também alcançar a sua evolução. Assim ele estará ajudando Deus e trazer de volta os filhos pródigos que se desgarram do reino do céu.

Todos evoluirão e retornarão ao lar paterno e o eleito por Deus os auxiliará nesta evolução. Mas, para ser eleito, é preciso que o espírito se torne ”solitário”.

O evangelho segundo Tomé

Logia 50 - O ser

“050. Disse Jesus: se vocês disserem qual a vossa origem, dizei-lhes: viemos da Luz, de onde a Luz se originou dela mesma. Ela permaneceu e revelou-se a si mesmo em sua imagem. Se vos disserem quem sois vós, dizei-lhes: somos seus filhos e somos eleitos do Pai Vivo. Se vos perguntarem qual é o sinal do vosso Pai em vós, respondei-lhes: é o movimento e o repouso”.

Nesta logia, Jesus orienta os espíritos para que se reconheçam como tal e acabem com os “conceitos” que dão origem ao “ser humano”. Apesar de se encontrarem presos a uma matéria carnal, sem a visão e a lembrança das coisas espirituais, é preciso que o espírito abandone a idéia de que ele é um ser humano composto por coisas materiais não inteligentes e entenda-se apenas como a “inteligência que habita e comanda um corpo físico”.

“se vocês disserem qual a vossa origem, dizei-lhes: viemos da Luz, de onde a Luz se originou dela mesma”

O primeiro conceito que Jesus pretende acabar com este ensinamento é o de “raças”. Todos os espíritos originam-se de um só lugar (da Luz), ou seja, de onde existe o amor em sua expressão maior, a justiça perfeita e a inteligência superior. Este “local” é Deus.

Não existem terráqueos ou extraterrestres, mas apenas espíritos que se originaram do mesmo lugar: a Luz. Os espíritos habitam todos os espaços do Universo, mas isto não quer dizer que eles sejam desses lugares, mas apenas que se encontram lá. Aqueles que habitam em Plutão, Saturno ou qualquer outro planeta do Universo, são espíritos iguais aos que vivem no planeta Terra e apenas para que eles tenham uma existência corpórea em matérias mais densas, suas formas são adaptadas às necessidades de cada planeta. Um marciano pode precisar ter mais olhos, um que habite em Júpiter pode precisar ter antenas, mas todas estas formas são habitadas por espíritos iguais àqueles que habitam as formas mais densas do planeta Terra.

Neste momento em que se fala de globalização universal, onde o contato com seres de outros “mundos” é tão esperado, este ensinamento é primordial. O planeta Terra é, neste momento, o planeta no qual residem os espíritos em menor grau de evolução espiritual do Universo. É aqui que residem os espíritos que ainda não conseguiram interiorizar completamente o amor universal.

Com este conhecimento podemos afirmar que os espíritos que habitam os demais planetas e satélites do Universo são mais evoluídos, pois sabem utilizar o amor universal. Assim sendo, eles não poderiam “invadir” o planeta Terra para dominar, explorar ou escravizar os seus habitantes. Sabendo que todos nós viemos da Luz e, por isso, somos irmãos, podemos recebê-los como amigos enviados por Deus para nos auxiliar na evolução.

Diminuindo o campo de abrangência deste ensinamento do Mestre, chegaremos às raças existentes no planeta Terra. Os árabes, judeus, asiáticos, europeus, americanos, etc, são todos espíritos oriundos da Luz e não raças diferentes. O preconceito das raças umas sobre as outras não leva em conta este ensinamento de Jesus.

Todas as raças, nações ou povos são compostos por espíritos na carne que se originaram no mesmo “local”: a Luz. Elas não representam diferenças entre os espíritos, mas sim diferenças de missões, provas ou carmas de grupos de espíritos. Cada raça do planeta representa um grupo de “trabalhos” que os espíritos que ali encarnam têm que realizar. Cada uma delas é dirigida por Deus para o cumprimento do “carma coletivo”.

É isto que nos ensina o episódio da “Torre de Babel” descrito na Bíblia. Naquela construção, que objetivava chegar a Deus por meios materiais, grupos de espíritos tiveram participações diferentes. Uns ali estavam como planejadores, outros como trabalhadores, uns como meio de sobrevivência, outros por ideal. Todos contribuíram para desafiar a Deus, mas cada um teve uma “participação” diferente. É esta simbologia que mostra os diferentes carmas das raças.

As raças nasceram da confusão de línguas que Deus colocou nos seres humanos como descrito naquele episódio. Cada língua que Deus deu aos participantes da construção da Torre de Babel originou uma raça que representava o carma a que foi exposto cada grupo de espíritos pela sua “participação” na construção.

Entretanto, não deixaram de ser espíritos oriundos da Luz, irmãos entre si, que apenas tinham caminhos diferentes para alcançar a sua evolução. Esta visão acaba com o anti-semitismo, o preconceito de cor, de raça, etc. Para se chegar a esta conclusão é necessário abandonar a idéia de que as pessoas são seres humanos originados em determinadas regiões ou raças e se alcançar a visão de que todos são espíritos oriundos da Luz.

“Ela permaneceu e revelou-se a si mesmo em sua imagem”

Esta Luz, ou seja, a inteligência, a justiça e o amor são as características do espírito, mesmo que não estejam visíveis em todos.

É isto que está afirmado no livro da Gênesis quando fala que Deus criou o “homem” à sua imagem e semelhança. Não que Deus tenha pernas, olhos ou órgãos, mas que o espírito possui os mesmo atributos que Deus. É o homem que é criado à imagem e semelhança de Deus e não o Pai que tem a mesma forma física que o homem.

Ser semelhante a Deus é possuir os mesmos atributos que Ele tem. Entretanto, em Deus estes atributos são elevados ao expoente máximo.

Deus e os espíritos são inteligentes, mas o Pai é a Inteligência Suprema do Universo.

A Justiça está presente nos dois, mas em Deus ela é a Perfeição.

O espírito, por mais “maldades” que pratique, também possui o amor dentro de si, mas Deus possui o Amor Sublime.

“Se vos disserem quem sois vós, dizei-lhes: somos seus filhos e somos eleitos do Pai Vivo”

O ser humano imagina-se fruto da junção carnal de um homem e uma mulher, pois não se reconhece como o espírito que é. Todo espírito é gerado por Deus com os mesmos atributos Dele na Luz, não importando que forma de “corpo” esteja vestindo. Ele não nasce no momento do parto, mas já existia antes deste e nem morrerá com a falência dos órgãos e do corpo, mas continuará existindo por toda eternidade.

Neste Evangelho, por diversas vezes Jesus alerta para o fato de não nos vermos como “nascidos de mulher”, mas é por entender a sua origem desta forma que o ser humano cria o grupamento família e distingue aqueles que lhe deram a oportunidade da vida.

Pelas leis de Deus, é a Ele que devemos amar acima de todas as coisas porque Ele é o nosso Pai. Entretanto, quando amamos outros espíritos como nossos pais, subjugamos o amor a Deus em favor desses espíritos.

“Quem ama o seu pai ou a sua mãe mais do que a mim não serve para ser meu seguidor”. (Mateus – 10,37)

Aquele que não entende a sua “origem” a partir de Deus e, portanto, não se vê como espírito, não pratica o amor, pois não aplica a igualdade entre todos. Somente aquele que se reconhece como filho do Pai Vivo pode compreender e colocar em prática o amor universal.

Nossa encarnação (nascimento) não é originada por uma relação carnal, mas faz parte da administração de Deus sobre as coisas Universais.

Todos viemos com missões, provas e penas para cumprir e ao executá-las, estaremos alcançando nossa evolução. Entretanto, estes trabalhos do espírito terão que ser sempre feitos com a participação de outros espíritos. Por isso, em um acontecimento em um grupo, não existe aprendizado apenas para um, mas para todos os envolvidos.

Por isto, podemos afirmar que os trabalhos realizados na vida carnal por um espírito servem como fonte de ensinamento para toda a coletividade espiritual. Desta forma, Deus tem que escolher para realizar estes trabalhos aqueles que tenham as “melhores condições” de executá-los positivamente. Assim sendo, todos aqueles que “nascem” (encarnam) são filhos de Deus, eleitos para determinadas provas e missões que promovam o avanço da coletividade espiritual.

Esta forma de ver as coisas do Universo acaba com a individualidade que leva o espírito a entender-se como filho de um ser humano, que vem a este planeta para satisfazer os desejos dos seus pais físicos.

“Se vos perguntarem qual é o sinal do vosso Pai em vós, respondei-lhes: é o movimento e o repouso”

Todas estas Verdades Universais só poderão ser alcançadas quando o espírito atribuir a Deus a sua existência. Apenas quando for entendido que todos os espíritos são participantes da coletividade espiritual universal como irmãos, sem distinção de cor, raça, sexo, nacionalidade ou habitação planetária, poderemos compreender que existe uma interação universal.

É para que esta interação exista, que Deus dá o “movimento” (ação) a cada espírito. O sinal maior da existência Dele comandando todos os acontecimentos da vida de um espírito é o “movimento” que este espírito realiza para que a Sua obra seja completada.

Aquele que não atribui a Deus os seus “movimentos” busca uma existência onde sejam satisfeitos apenas os seus interesses pessoais e encontra a motivação de seus atos apenas nos seus próprios interesses ou de sua coletividade mais próxima (família, raça). Este não vive para Deus, mas apenas para si; este não é espírito filho de Deus e oriundo da Luz, mas sim ser humano, filho de mulher e oriundo do ventre desta...

O evangelho segundo Tomé

Logia 51 - Advento do novo mundo

“051. Seus discípulos disseram a ele: quando sucederá o repouso dos mortos e quando chegará o novo mundo? Respondeu-lhe ele: o que esperais já veio, mas não sabeis”.

“quando sucederá o repouso dos mortos e quando chegará o novo mundo?”

Todas as religiões falam do advento de um novo mundo sobre o planeta Terra e nesta nova situação do planeta, a vida sobre ele se tornará mais amena e agradável. Para todas as religiões, neste mundo não haverá mais guerras, ódios, violências: o planeta será como um “oásis” onde todos alcançarão a harmonia e a felicidade.

Em cada uma das religiões existe uma figura para descrever este novo mundo. Para os católicos, religião criada sobre os ensinamentos de Jesus, este mundo se caracterizará pelo “repouso dos mortos”. Por isto, neste ensinamento, é esta a figura que os discípulos de Jesus fazem.

O objetivo da pergunta é pedir ao Mestre que lhes informe em que momento este novo mundo começará. Quando a paz e a harmonia chegarão? Quando acabarão as disputas e as guerras? Em que momento o ódio e a vingança deixarão de existir?

“o que esperais já veio”

Para que este mundo chegue não serão necessárias mudanças nas coisas materiais. Não será preciso que as matérias alterem sua forma, que vidas sejam extintas, que conhecimentos sejam mudados. Por isto Jesus afirmou que o “novo mundo” já havia chegado.

O ser humano espera que as coisas se alterem para que ele possa encontrar a felicidade. Quer que a violência se encerre para que ele ache a paz, espera que o ódio e a vingança sejam extintos para que a harmonia chegue. Mas, tanto a paz, como a harmonia e a felicidade já se encontram dentro do espírito.

Para o ser humano é preciso que os acontecimentos tragam sentimentos para ele, mas o espírito entende que possui todos os sentimentos dentro de si e que é ele quem deve colocá-los nas coisas. O ser humano imagina que a flor lhe dá beleza, mas o espírito sabe que ele é que escolhe o sentimento de beleza quando vê uma flor.

As guerras materiais não acabarão, mas o espírito é que precisa aprender a entender a ação de Deus com a sua Justiça Suprema e Amor Sublime, para que continue em paz, harmonia e felicidade mesmo durante os conflitos. A violência não se extinguirá, mas o espírito não mais se sentirá violentado porque compreenderá os desígnios de Deus.

É esta alteração de escolhas de sentimentos que marcará o advento do novo mundo em cada espírito e não uma alteração coletiva dos acontecimentos universais. O novo mundo não será vivido por todos de uma só vez, mas será alcançado por cada um individualmente em momentos diferentes. Por isto Jesus afirma que o novo mundo já havia chegado, mesmo há dois mil anos atrás.

Antes do Mestre outros enviados de Deus já haviam trazido a fórmula para se penetrar no novo mundo: a submissão aos desígnios de Deus com o abandono da visão individual. Todos aqueles que alcançaram a verdadeira fé (confiança absoluta no Pai) começaram a viver um novo mundo mesmo estando nesta densidade material. Os fatos continuaram acontecendo da mesma forma, mas aqueles que já viviam no “novo mundo” conseguiam vê-los sob outros prismas: o prisma ação da Inteligência Suprema com Justiça Perfeita e motivada pelo Amor Sublime.

Como podiam aceitar, sem revolta, os primeiros cristãos os martírios e a crucificação sem estarem vivendo neste mundo? Como puderam os “santos” aceitar as humilhações e necessidades que passaram sem entender a ação de Deus em suas vidas?

O novo mundo não se trata de uma mudança física, mas de uma reforma íntima que todos têm que fazer, abandonando a visão ser humano e conhecendo-se como filho do Pai Vivo, oriundo da Luz, sabendo-se como eleito para realizar a Sua obra através dos seus movimentos em benefício da coletividade espiritual.

“mas não sabeis”

Enquanto o espírito considerar-se como ser humano, ele não atingirá o novo mundo. Para que isto aconteça é preciso que ele altere a sua visão sobre os acontecimentos do Universo.

Como disse Jesus, “eu vim ao mundo para que o cego enxergue”. Com a utilização do amor universal, aquele que não vê os acontecimentos do mundo “enxerga” a ação de Deus. Ele não vê mais ódio, mas encontra um emissário de Deus dando a quem precisa o que merece. Não enxerga mais violência, mas vê Deus pedindo a sua colaboração para transmitir um ensinamento a quem precisa. É esta visão das coisas que transforma os acontecimentos.

Entretanto, para se alcançar este estado, é necessário que o espírito se entregue completamente na mão de Deus. Isto ele não conseguirá enquanto ainda tiver vontades individuais que deverão ser satisfeitas. É necessário trocar as vontades pela submissão aos desejos do Pai, abandonando a visão de ser independente de Deus e submetendo-se a Ele.

É preciso acabar com os conceitos individuais, ou seja, com as leis que criam condições para que o sentimento possa existir. Enquanto o espírito tiver conceitos que determinem o que é ódio e o que é amor, precisa que eles sejam satisfeitos para que o sentimento floresça dentro dele.

Viver no novo mundo é não impor condições para a utilização de sentimentos, mas utilizá-los constantemente em tudo o que ocorrer. É preciso não haver condições específicas para que o amor seja utilizado. Aquele que adquire este conhecimento aprende que é ele quem determina o sentimento com o qual quer reagir aos acontecimentos. Quando o espírito junta este conhecimento à entrega completa a Deus (fé), sabe que só poderá optar pelo amor, pois uma fonte de Amor Sublime não poderá produzir o mal, que a Justiça Perfeita não será capaz de premiar um e desmerecer outro e que uma Inteligência Suprema não poderá cometer erros.

Com esta convicção e confiança, o espírito sabe que pode reagir a tudo com amor, não importando o que esteja acontecendo. Quando agir desta forma nada mais lhe causará transtornos ou desconfortos e encontrará a harmonia; nada será capaz de lhe contrariar e encontrará a paz; nada lhe causará sofrimentos e será realmente feliz.

A entrada no novo mundo não depende da “sorte” de um espírito estar ou não encarnado em determinada época do planeta, mas pode ser feita em qualquer encarnação, a qualquer momento. Depende exclusivamente de cada um promover a sua própria reforma íntima, abandonar a visão de ser humano e voltar a ser o espírito que sempre foi.

Para promover esta reforma é necessário quebrar os conceitos e para isto é preciso a fé em Deus e na sua Providência em abastecer cada um e ao próprio Universo com o amor universal. Este sentimento sempre esteve à disposição dos espíritos em qualquer densidade material que habitem e por isso Jesus afirma que o novo mundo já se encontra sobre o planeta: nós é que não sabemos.

O evangelho segundo Tomé

Logia 52 - O profeta diário

“052. Seus discípulos disseram a ele: Vinte e quatro profetas falaram em Israel e todos eles falaram de ti. Disse-lhes ele: rejeitai o vivo que está à vossa frente e falais dos mortos”.

“Vinte e quatro profetas falaram em Israel e todos eles falaram de ti”

Os profetas foram espíritos que receberam missões de transmissão de ensinamentos das verdades de Deus.

Foram eles que ao longo das épocas do planeta transmitiram os parâmetros para a vida espiritual na carne. Podemos, portanto, creditar a eles a função de “professores” dos encarnados.

O próprio Mestre, quando queria comprovar um de seus ensinamentos, recorria às transmissões feitas pelos profetas.

Podemos, portanto, afirmar que os profetas foram emissários de Deus para relembrar aos espíritos na carne os ensinamentos necessários para que conseguissem realizar o seu “trabalho” na vida carnal: alcançar a evolução espiritual.

Os profetas bíblicos recebem este título porque transmitiram os ensinamentos necessários para a formação da doutrina que Jesus, posteriormente, iria ensinar e vivenciar. No entanto, existiram profetas desconhecidos, anônimos. Baseando-se na descrição acima feita sobre o que é ser um profeta, podemos afirmar que todos aqueles que auxiliarem seus irmãos transmitindo ensinamentos de Deus são profetas.

Esta é a função descrita por Jesus no ensinamento intitulado “Sal da humanidade”:

“Vocês são o sal para a humanidade: ...” (Mateus – 5,13)

O sal é o tempero que dá o sabor à comida; cada espírito dá o tempero da vida dos outros. É através do relacionamento dos espíritos que Deus transmite a cada um a “lição” particular que ele precisa aprender. Sempre que um espírito se relaciona com outro, os dois exercem a função de transmitir ensinamentos um para o outro. É assim que os espíritos encarnados auxiliam Deus na Sua obra.

Deus comanda os atos da vida de um ser humano (Quinta Verdade Universal) também para que este ato sirva como um alerta para a forma de proceder de quem o está recebendo.

A base para o comando de Deus sobre as coisas não é a pena ou a vingança, mas o Amor Sublime. Assim, cada ato praticado de um ser humano para outro, tem como objetivo levar conhecimentos para que ambos busquem a reforma íntima.

Quando alguém grita com outra pessoa, não está gritando por que quer, mas porque Deus a faz agir desta forma. Quem sofre o grito merece e precisa receber aquele ato e quem gritou, pelos seus próprios sentimentos, merecia gritar. É Deus agindo e comandando as coisas universais para que cada espírito “tempere” a vida do outro, não por castigo ou penalidade, mas objetivando transferir ensinamentos necessários para a evolução de quem recebe e de quem pratica o ato.

O ato do grito direcionado a você não é um castigo ou uma pena de Deus, mas um ensinamento. Quando alguém grita e você sofre, Deus está lhe ensinando o que sofre aquele com o qual você também grita.

A intenção do comando de todos os atos por Deus é para que nos conscientizemos do sofrimento que causamos aos outros e, assim, possamos alcançar a consciência que não devemos “regar a sementinha” de sentimentos que façam Deus transformar-nos em praticantes de atos desta espécie.

“Porque cada um será salgado com o fogo”. (Marcos – 9,49)

Quando o espírito, apesar de todos os ensinamentos que os enviados de Deus trouxeram, não consegue colocá-los em prática espontaneamente (aprender por amor), é preciso que Deus provoque situações em que este espírito escolherá o sofrimento para reagir (aprender pela dor). Não são situações que necessitam serem recebidas com sofrimento, mas Deus sabe que este espírito, pela não prática do amor, reagirá desta forma.

Todos os espíritos encarnados passam por estas situações dentro do seu merecimento e da sua necessidade. Não se trata de criar situações para penalizar, mas sim de transmitir ensinamentos que levem o espírito a buscar a sua reforma íntima.

O pagamento de penas, como são conhecidos hoje estes acontecimentos, não deve ser recebido com sentimentos de sofrimento, mas sim com a alegria de estar recebendo um ensinamento particularizado do Pai. Os espíritos encarnados passam por situações de sofrimento, mas devem passá-las sem sofrer, louvando o nome de Deus.

“Sinto uma grande aflição nesta hora. Mas o que vou dizer: Pai afasta de mim este cálice. Mas eu vim aqui para isto. Pai glorifica o teu nome em mim”. (João -)

Portanto, se cada um é um transmissor de ensinamentos para os outros através dos atos comandados por Deus, podemos então afirmar que todos somos “profetas diários” para a vida daqueles que nos relacionamos direta ou indiretamente.

“rejeitai o vivo que está à vossa frente e falais dos mortos”

No entanto, o espírito ao receber um ato que fere os seus conceitos (o que acha “certo” ou “errado”), julga e acusa o praticante. Para isto utiliza a própria lei de Deus transmitida pelos profetas, dado-se o direito de julgar...

Sempre que um espírito pratica qualquer ato ele se julga “certo”. Faz porque tem motivos, mesmo que estes motivos sejam “certos” apenas para ele mesmo. Um bandido rouba porque acredita que não teve chances de estudo, porque não consegue emprego, etc. Cada um cria os motivos para a prática do ato através do sentimento que escolhe e Deus lhe dá o pensamento que cria os motivos materiais que justificam o ato... Assim, “julgam” os outros com suas próprias convicções, ou seja, utilizam suas medidas para medir os atos dos outros.

É na própria lei transmitida pelos profetas desencarnados que o espírito busca o embasamento para suas acusações, afirmando que houve maldade, injustiça, acusando o praticante de não cumprir o ensinamento de Jesus (“amar aos outros como a si mesmo”), mas se esquece que, ao julgar e acusar alguém, também não o está amando. Jesus não transmitiu o ensinamento de que devemos amar apenas aqueles que são “certos” ou que fazem o que nós gostaríamos, mas ensinou a amar a todos, indistintamente, sejam quais forem os atos praticados por eles.

“Se vocês amam somente aqueles que os amam, porque esperam alguma recompensa de Deus? Até cobradores de impostos amam aqueles que os amam! Se vocês falam somente com os seus amigos, o que é que fazem de mais? Até os pagãos fazem isso! Portanto, sejam perfeitos em amor, assim como é perfeito o Pai de vocês, que está no céu”. (Mateus – 5,46)

Amar o inimigo, aquele que é julgado “errado” é difícil para o espírito que não compreender que o seu inimigo não é um oponente, mas o “profeta” diário escolhido por Deus para mostrar a ele o sofrimento que causa os outros.

Por este motivo, o ensinamento de Jesus de que devemos amar a todos indistintamente e não apenas aqueles que nos satisfazem. O verdadeiro amigo é o “inimigo” que nos mostra o que devemos mudar e não o “amigo”, aquele que reafirma nossa posição como “certos”.

Cada “inimigo” é um transmissor de ensinamentos, ou seja, um profeta, mas os espíritos encarnados preferem renegar o “vivo” que está à sua frente e citar o ensinamento dos “mortos”, utilizando-o para julgar o “vivo”.

O evangelho segundo Tomé

Logia 53 - Circuncisão espiritual

“053. Seus discípulos disseram a ele: é a circuncisão vantajosa? Respondeu-lhes ele: se fosse vantajosa, vossos pais vos gerariam circuncidados em vossas mães. Mas a verdadeira circuncisão no Espírito, essa se torna vantajosa em todos os sentidos”.

“é a circuncisão vantajosa?”

A circuncisão dos filhos varões dos israelitas foi estabelecida como uma lei a ser cumprida pelos integrantes desse povo. O objetivo era “marcar” aqueles que pertenciam ao povo escolhido de Deus.

Quando os apóstolos perguntaram sobre a vantagem da circuncisão, não estavam falando em termos médicos, uma vez que os avanços da medicina eram poucos naquele tempo, mas buscavam saber do Mestre se a prática deste ato traria vantagens para a evolução do espírito.

“se fosse vantajosa, vossos pais vos gerariam circuncidados em vossas mães”

Jesus afirmou que a circuncisão não traz nenhuma vantagem, pois se houvesse necessidade dela, Deus já teria projetado o corpo humano circuncidado, pois Ele dá aos espíritos todos os mecanismos que podem auxiliá-lo na sua evolução espiritual.

“Agora vamos fazer os seres humanos...” (Gênesis – 1,26)

Deus criou o corpo humano para que o espírito o utilizasse no seu processo de evolução. O corpo humano não é o processo de evolução do macaco, de qualquer outro animal nem muito menos surgido a partir de elementos monocelulares. Ele foi criado e moldado por Deus já completo e não foi gerado paulatinamente a partir da evolução de outros seres.

Cada órgão foi projetado de acordo com a necessidade de cada planeta e todos têm função específica de sustentação da encarnação. Não existe no corpo humano nada que não tenha utilidade ou função específica. Nenhum órgão pode existir isoladamente do conjunto. O corpo humano é um todo harmonioso que se completa.

No corpo humano Deus colocou tudo aquilo que o espírito precisa utilizar durante a sua estada no planeta para a evolução espiritual. Como a vestimenta utilizada pelos astronautas ao saírem deste planeta, o corpo humano “veste” o espírito e tem todos os mecanismos de auto-sustentação e de comandos para serem utilizados pelo espírito.

 Se alguma “peça” deste “equipamento” corpo fosse desnecessária, Deus não a teria colocado. Como toda obra de Deus, o corpo humano é perfeito.

Às vezes, entretanto, aparentemente alguns corpos não parecem tão perfeitos. Corpos deformados por doenças ou propensos a elas, parecem atrapalhar a utilização desta vestimenta pelo espírito. Afirmar isto seria o mesmo que dizer que o corpo que um determinado espírito utiliza veio com “defeito de fábrica”.

Antes da encarnação, o espírito juntamente com outros espíritos superiores, “escreve” os trabalhos que irá executar dentro da vestimenta que irá utilizar encarnado: provas, missões e expiações. Depois de traçados estes objetivos, o corpo humano é então idealizado como instrumento para que o objetivo da encarnação seja alcançado.

Se um espírito encarna em um corpo com alguma deficiência é porque esta é necessária para os seus “trabalhos”. O corpo é programado com essa “imperfeição” para que sirva adequadamente às provas ou missões que o espírito irá enfrentar. Assim, nenhum corpo é deficiente, mas perfeito, pois foi criado para o objetivo da encarnação que o espírito necessita.

Voltando à circuncisão (retirada da pele que envolve o pênis masculino), podemos ter a certeza de que o corpo humano na forma masculina necessita ser como é e por isto Jesus afirma que se ela (circuncisão) fosse necessária, Deus já teria programado o corpo humano masculino sem a pele.

Não nos compete aqui estudar detalhadamente o auxílio que esta matéria carnal pode dar ao espírito no seu processo evolucional. As coisas existentes servem a variadas provas, penas e expiações de acordo com a necessidade do espírito. No mundo espiritual não existe a padronização que o ser humano quer que exista. Perder um dedo em um acidente não revela, necessariamente, a expiação por ter tirado o dedo de alguém em outra vida. Pode ser, mas não se pode tomar como regra.

“a verdadeira circuncisão no Espírito”

Entretanto, vir à carne em um corpo que não funcione bem ou no qual falta algum órgão ou membro, não garante só por isso a evolução do espírito. Não será a deficiência que garantirá a evolução nessa encarnação, mas será apenas o instrumento para que isso aconteça. O que vai levar o espírito a evoluir é como ele reagirá `a deficiência de seu corpo carnal.

Para que a verdadeira evolução espiritual aconteça é necessário que o espírito ame a Deus acima de todas as coisas, acima da sua “incapacidade” corporal. É preciso que o ser humano não se revolte com a sua situação e entenda a necessidade da sua fragilidade corporal na contribuição da sua evolução espiritual.

A verdadeira circuncisão que Jesus fala (“circuncisão espiritual”) é o acordo espiritual com Deus. É a certeza de que cada um é escolhido de Deus na busca da evolução espiritual. Todo espírito que encarna recebe autorização específica de Deus para tanto, bem como aprovação do seu “plano de vida”. Este é o verdadeiro pacto entre Deus e o espírito na carne: “Eu lhe dou a chance e você a aproveita”.

A circuncisão é recomendada pelos médicos sempre que há acumulo de substâncias que possam fazer mal à saúde sob a pele que reveste o pênis do homem. Essa cirurgia visa impedir o acúmulo destas substâncias que podem ser danosas à saúde. A circuncisão espiritual também tem esta finalidade: eliminar substâncias que provocam a doença no próprio espírito. Fazer a circuncisão espiritual é eliminar os sentimentos negativos que o espírito carrega consigo, limpar estas substâncias que prejudicam a evolução espiritual.

Juntando-se os dois conhecimentos podemos entender o que Jesus quis dizer com a figura da “circuncisão espiritual”: entender a “vida” material como um pacto com Deus onde ele assume a responsabilidade de lhe dar todos os meios necessários para a sua evolução e você se compromissa com a limpeza das impurezas que possam atrapalhar esta evolução.

“essa se torna vantajosa em todos os sentidos”

Somente a consciência desta verdade pode ser vantajosa ao espírito, ou seja, pode auxiliá-lo na sua evolução. Apenas a certeza de que tudo nesta vida (corpo e acontecimentos) é resultado de um pacto onde Deus se compromete a mantê-lo, mesmo que no meio do caminho nós peçamos ao contrário.

Praticar a circuncisão material é orar a Deus pedindo a saúde física. Todas as doenças, como vimos, foram programadas e constam do pacto com Deus. No plano espiritual pedimos a doença como alavanca para a elevação. Depois, na carne, sem eliminar as substâncias impuras (sentimentos negativos) buscamos a satisfação material.

Fazer a circuncisão espiritual é compreender a vida neste sentido e orar a Deus pedindo forças para passar pela doença. Essa força resultará de sentimentos positivos que varrem os sentimentos negativos de dentro de nós mesmos. Não se deve buscar a doença, mas aceitar o que Deus nos mandar, como oriundo do pacto que deu início à encarnação.

Orar pedindo o alimento a Deus é buscar a satisfação material. Orar pedindo forças para passar pela fome, sabendo que ela faz parte da programação que você mesmo fez e que consta do pacto com Deus, é praticar a circuncisão espiritual.

Por isto Jesus nos alertou:

“Não ajuntem riquezas neste mundo, onde as traças e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e roubam. Ao contrário, ajuntem riquezas no céu, onde as traças e a ferrugem não podem destruí-las, e os ladrões não podem arrombar e rouba-las. Pois, onde estiverem as suas riquezas, aí estará o coração de vocês”. (Mateus – 6,19).

Orar pedindo um prato de comida é juntar bens na Terra (satisfação da fome); aceitar a fome sem revoltar-se contra ela é juntar bens no céu. Não é nos acontecimentos materiais da vida que se encontram as riquezas, mas no sentimento com o qual eles são recebidos. Cada um tem a fome e a doença que pactuou com Deus, mas apenas passar por elas não garante a evolução espiritual. É preciso praticar a circuncisão espiritual, ou seja, eliminar as “sujeiras” que atrapalham o cumprimento do pacto.

O evangelho segundo Tomé

Logia 54 - Pobre de espírito

“054. Disse Jesus: benditos os pobres, porque deles é o Reino dos Céus”.

Nota: para a transmissão deste ensinamento, transcrevemos palestra proferida pelo espírito que se intitula “Joaquim”. Buscamos desta forma transmitir todo o sentimento com o qual ela foi impregnada e que é o fundamento deste ensinamento, afastando-nos um pouco da técnica até aqui utilizada para a decodificação do Evangelho de Tomé..

“Bem-aventuranças”

Vamos falar da página mais bonita do Novo Testamento. Esta passagem ficou conhecida como "Sermão do Monte" e é composto de diversas frases pequenas que sempre começam da mesma forma: "Bem-aventurado". Assim, este ensinamento faz parte das bem-aventuranças, que foi o ensinamento que Jesus transmitiu no "Sermão do Monte".

Mas, o que é bem-aventurança?

BEM AVENTURANÇA – Felicidade eterna que os santos gozam no céu (Mini Dicionário AURÉLIO).

Bem-aventurança é viver a vida no reino do céu, no estado de felicidade plena. (ver logia 003). Jesus mostrou nesta frase o caminho para se viver a vida com Deus. É um "mapa do tesouro", um ensinamento onde se mostra o caminho para ser bem-aventurado, ou seja, ser feliz, ser santo. Não santo como o ser humano entende, mas sim no sentido de ser de Deus.

Aquele que é de Deus é santo; o que não é de Deus é “morto” (ver logia 001).

Jesus deixou estes ensinamentos como um caminho a ser seguido por aqueles que querem alcançar uma vida com a glória de Deus. As bem-aventuranças são os ensinamentos que o espírito precisa praticar se quiser viver com Deus. É o caminho, é o “mapa” que vai mostrar o maior tesouro que pode ser alcançado na vida material: viver com Deus. Não existe tesouro maior para um espírito do que viver na glória do Pai, viver com Deus, porque Deus é a alegria e a felicidade eternas.

Os bem-aventurados vivem felizes e alegres para sempre. No bem-aventurado a tristeza não tem morada, o sofrimento não encontra abrigo e a raiva passa muito longe, porque essas não são coisas de Deus (espirituais): são coisas do homem (material). É o ser humano quem busca os sofrimentos negativos e não Deus que lhe manda.

O caminho para viver desta forma (espírito na carne e não ser humano), Jesus traçou no "Sermão do Monte", mostrando qual é a reta que o espírito na carne tem que seguir para encontrar a glória de Deus. Nas bem-aventuranças está o caminho para se receber a honra de ser tratado como o filho pródigo que, mesmo quando “foi embora e gastou todo dinheiro do pai”, este o recebeu como o filho perdido que retornava à casa. As bem-aventuranças são o caminho de retorno à casa do Pai, o caminho que conduz diretamente à casa de Deus.

“benditos os pobres, porque deles é o Reino dos Céus”

Pobre é aquele que passa necessidades porque tem poucas posses. Se a frase é "bendito os pobres de espírito", podemos, com o conhecimento do significado do que é ser pobre, afirmar que o ensinamento de Jesus quer dizer: bendito o espírito que tem pouca posse. Mas, qual a posse de um espírito?

As posses de um espírito são os seus sentimentos, a energia, A única coisa que o espírito possui são os sentimentos que ele nutre. Assim, a frase de Jesus já passou a ser entendida da seguinte forma: "bem-aventurados" os que têm pouca posse de sentimentos porque deles será o Reino dos Céus.

A "pouca posse" de sentimento que um espírito deve ter para viver no Reino dos Céus não deve ser medido em volume de sentimentos, mas na qualidade destes.

O espírito deve possuir um único sentimento em toda a sua existência: o AMOR. Este sentimento é formado pela junção de três outros: alegria, compaixão e igualdade. Portanto, quem tem só três sentimentos é "pobre", possui poucos sentimentos, pois existem muitos outros no universo.

É preciso ter só o amor e não outros sentimentos, como a raiva, a soberba, a desonestidade. É do AMOR que vem os outros sentimentos: a honestidade, humildade, carinho, amizade, etc. Todos estes sentimentos originam-se do AMOR e necessitam dele para existir.

Vamos, então, entender o que Jesus realmente falou:

"benditos aqueles que só têm o amor, porque deles será o Reino dos Céus".

Só o AMOR deve ser a posse do espírito. Só aquele que tem exclusivamente AMOR dentro de si pode viver no Reino do Céu!

Para saber se esta conclusão está certa, basta compará-la às Leis de Deus.

Deus diz que não devemos ter raiva dos outros. Como podemos deixar de ter raiva de uma pessoa que nos machuca, que nos ataca com um tapa? Só com o AMOR. Mas como achar esse AMOR, o que fazer para não ter raiva? "Sentindo" o que está sendo feito e não "vendo" o que está sendo feito... Ou seja, quando uma pessoa nos agride, não devemos ver a agressão física, mas "sentir" o que está motivando a agressão (ação de Deus com Justiça e Amor). Se prestarmos atenção apenas no tapa (físico), não vamos "sentir" os sentimentos de quem “agrediu” e os nossos próprios, para que Deus gerasse o ato físico da agressão. Todo ato físico só acontece porque é determinado por Deus daquela forma e contra quem merece recebê-lo.

Se procurarmos "ver" o tapa não vamos conhecer a Fonte que o motivou. Não entenderemos que há uma Causa Primária dirigindo todos os acontecimentos com Inteligência Suprema, Justiça Perfeita e Amor Sublime. Se não reagirmos com amor (ver a ação de Deus), receberemos o sentimento que deu origem ao ato e ficaremos mais "ricos" (com mais sentimentos) espiritualmente.

Para que se veja acima do ato, ou seja, a ação de Deus, é preciso compreender que quem pratica o ato só conseguirá agir desta forma se o outro merecer sofrer aquele ato.

No exemplo acima, não é a pessoa que está dando o tapa por livre e espontânea vontade, mas sim porque Deus mandou que ela agisse assim, porque ela mereceu se transformar em uma agressora. Você só vai receber o tapa se merecer ser agredido...

Para ser pobres de espírito temos que entender que todas as coisas que acontecem são frutos de momentos anteriores, os quais foram vividos com outros sentimentos que não o AMOR (lei da ação e reação). Tudo o que acontece está programado e reflete uma reação a uma ação anterior. No momento que merecermos e precisarmos do “alerta” para os sentimentos que estamos usando, Deus comandará outra pessoa e ela agirá conosco com o mesmo sentimento que já usamos antes...

Mas, por que Deus faz isso acontecer? Para que sintamos o efeito dos sentimento que já usamos contra outros, para que sintamos a dor que causamos a outras pessoas.

Se não recebermos a “ofensa” com AMOR (alegria, igualdade e compaixão), precisaremos novamente sofrer o mesmo sentimento usado por nós alguma vez. Isto é a Justiça de Deus e é também a única explicação para todas as coisas que acontecem. Todas as "histórias" que tentamos montar sobre as coisas que acontecem são ilusões baseadas nos sentimentos que utilizamos.

Sempre que o espírito encarnado ou desencarnado quer saber ou entender o que aconteceu, está querendo ser Deus, pois só Ele faz tudo acontecer e pode saber porque aconteceu.

Mesmo buscando e analisando fatos para saber onde erramos, nada vai mudar o fato do ato já ter acontecido. Se o que você queremos é não mais “errar” (usar sentimentos que não espelhem o AMOR), é muito simples: basta agir com AMOR sempre, As "histórias" da nossa vida são apenas ilusões que Deus cria para ver se interpretamos bem o nosso "papel", agindo com AMOR ou não...

Benditos são os "pobres" de espírito: aqueles que só usam o AMOR.

Se voltarmos ao passado procurando motivos para entender o enredo da vida, estaremos procurando uma “justiça” que satisfaça os nossos conceitos. Mas a função de promover justiça é exclusiva de Deus, que tudo sabe e tudo vê. Na verdade o que queremos é entender o que Deus está fazendo, querendo adivinhar as Suas vontades.

Lendo o livro da Bíblia "Jó", veremos o quanto ele sofreu procurando entender porque Deus fez tudo aquilo em sua vida e saberemos também a conclusão a que ele chegou.

Pobre de espírito, então, é aquele que usa só o AMOR, sem procurar entender os acontecimentos. Sem isto, continuaremos chorando a “vitima” da "bala perdida", vamos continuar xingando e maldizendo quem nos machuca ou aos nossos entes queridos.

O que não compreendemos é a vida. A vida é viver com AMOR, aconteça o que acontecer.

Viver é passar cada segundo vendo as coisas com alegria, compaixão e igualdade.

Este é o caminho, mas por que o ser humano não o alcança? Porque quer entender a vida... Se não compreender tudo o que está acontecendo, o ser humano acha que perdeu o "domínio" ("Como isso aconteceu?" "Para que isso aconteceu?" "Por que isso aconteceu?").

O ser humano busca responder estas perguntas para poder ter o domínio da construção do seu futuro, mas o futuro só Deus pode conhecer e traçar. O ser humano não tem qualquer controle sobre as coisas que irão acontecer, mas sofre, briga, achando que isso é possível. Esquece-se de que Deus é o único responsável por todas as coisas que vão acontecer na vida de cada um e no universo todo.

O único trabalho do ser humano: receber tudo o que Deus lhe dá com AMOR.

O mundo espiritual é como uma grande família, cujo chefe (Pai) é Deus e se Ele tentasse explicar o porquê das coisas, dificilmente aceitaríamos.

Portanto, devemos aceitar todas as coisas que o Pai nos dá com amor, porque sabemos que Ele é justo e amoroso. Não vemos o que o Pai vê. Na verdade, levamos a vida querendo ser o "homo sapiens", o ser humano, o homem que raciocina, o ser dominador, o rei do universo, aquele que tem todas as coisas abaixo de si, porque é o ser inteligente.

Não foi exatamente isso que Eva fez? A "cobra" disse ao casal que Deus não queria que comessem o fruto da árvore proibida, mas Eva achou que seria bom ter "todo o conhecimento como Deus". O que a Eva fez foi querer ser Deus, ou seja, ter o poder de "criar" as coisas do Universo, ter o comando do destino de sua vida, dominar as situações, julgar o bem e o mal.

O puro, o simples, o pobre de espírito é aquele que vê as coisas acontecendo e não pergunta para quê, como, onde e porquê: só reage com AMOR.

Quando queremos responder às perguntas, já usamos os sentimentos de curiosidade, cobiça, vaidade, raiva, inveja, etc. Já entraram muitos sentimentos diferentes do AMOR...

O pobre de espírito "ganha salário mínimo de sentimentos": “só” o AMOR.

O pobre de espírito não é sábio: não procura respostas para as perguntas do mundo. Abraão não procurou respostas para saber por que Deus mandou-o matar seu filho único. Ele levou o menino para o altar dos sacrifícios, obedecendo a Deus. Deus, porém, disse a Abraão que ele podia levar seu filho porque já tinha provado o que devia provar: o AMOR por Deus acima de todas as coisas.

Se Abraão pode dar seu filho único, por que você não pode dar o seu destino, a sua história, as suas vontades a Deus? Por que você não se desliga deste sentimento de “ser superior” e admite que existe um Ser superior no Universo? Por que você continua procurando outros sentimentos que não o AMOR para viver? Por que você quer dominar, ser "homem grande", capaz de mandar?

Como viver todas as coisas com AMOR sem entender que todas elas são causadas por Deus? Só entendendo que tudo é obra de Deus podemos sentir AMOR por elas, pois pela Sua grandeza, pelo Seu sentido de justiça e pela Sua bondade, só Ele é capaz de fazer as coisas PERFEITAS.

Só entendendo que tudo o que está acontecendo é perfeito, podemos amar cada momento, cada segundo, cada situação. Por isso, não devemos tentar entender tudo o que acontece, porque nos faltam atributos para isso.

Jesus disse:

"Se o seu olho faz você pecar, arranque-o e jogue fora! Pois é melhor entrar na vida eterna com um olho só do que ficar com os dois e ser jogado no fogo do inferno."

Quantos cegos, que não usam a visão da carne, alcançam a felicidade!

Quantos seres humanos, só depois de perder um membro do corpo é que conseguem ser felizes?

O puro, o simples, o pobre de espírito é aquele que reage a todas as coisas com AMOR, mesmo sem entender porquê, para quê. O puro reage com AMOR a qualquer coisa que aconteça.

Foi isso o que Jesus quis dizer quando mandou procurar a riqueza do céu e não a riqueza da Terra: a única riqueza que existe no céu é o AMOR.

Assim, o pobre de espírito é aquele que tem só AMOR, mas não é pobre por isso: é rico. Ele é feliz, aceita tudo com alegria, não vê o "eu", mas o "nós".

O pobre de espírito não consegue achar “certo” ou “errado”: tudo é motivo de alegria, de felicidade.

Só o AMOR pode nos transformar em pobres de espírito. Só o AMOR pode nos levar a sermos bem-aventurados. Só o AMOR pode garantir a entrada no Reino dos Céus. Qualquer outro sentimento vai nos levar a outro lugar, não ao umbral ou inferno, mas a outro estado onde existe o sofrimento.

É isto que é ser pobre de espírito e é isto que Jesus ensinou e deixou muito claro: “só não viu quem não tinha olhos de ver ou ouvidos de ouvir...”

O evangelho segundo Tomé

Logia 55 - Igualdade

“055. Disse Jesus: todo aquele que não odeia seu pai e sua mãe não será capaz de ser meu discípulo, e todo aquele que não odiar seus irmãos e suas irmãs, e não tomar a sua cruz no meu caminho não me serve a mim”.

Nota dos autores espirituais:

No cabeçalho desta logia transcrevemos o ensinamento como traduzido para as línguas de hoje. Entretanto, temos que acusar algum problema na tradução original. Um livro onde até agora só se falou de amor, não poderia incentivar o ódio. Na verdade, o ensinamento do Mestre é que apenas aquele que repudia seu pai e sua mãe poderá ser seu discípulo. É com este sentido que faremos a decodificação.

“todo aquele que não repudia seu pai e sua mãe e todo aquele que não repudiar seus irmãos e suas irmãs,”

Apesar de aparentemente chocante, este ensinamento do Mestre também está estampado nos evangelhos canônicos e em outros evangelhos.

“Quem ama o seu pai ou a sua mãe mais do que a mim não serve para ser meu seguidor. Quem ama o seu filho ou a sua filha mais do que a mim não serve para ser meu seguidor”. (Mateus – 10,34)

Vocês pensam que eu vim trazer paz ao mundo? Pois eu afirmo que não vim trazer paz, mas divisão. Porque daqui em diante uma família de cinco pessoas estará dividida: três contra duas e duas contra três. Os pais vão ficar contra os filhos e os filhos contra os pais. As mães vão ficar contra as filhas e as filhas contra as mães. As sogras vão ficar contra as noras e as noras contra as sogras”. (Lucas – 12, 49)

São diversos os ensinamentos onde Jesus afirma: é necessário que se repudiem os laços de família para que possa ser um seguidor de Jesus. Será que o Mestre veio trazer a espada ou a paz?

Jesus, a ação do verbo amar, não poderia nunca insuflar os espíritos para a prática do sentimento negativo contra um irmão, pois Ele que pautou toda a sua vida por este sentimento não poderia em momento algum ensinar a emitir sentimentos negativos. Então, o que nos ensinou Jesus?

Quando Jesus nos pediu que repudiássemos o pai e a mãe, estava falando da figura que se forma a respeito deles: os seres mais perfeitos do mundo, acima de qualquer suspeita, mesmo que firam outros espíritos...

Para nós, nossos pais não cometem erros, não magoam, sempre são bondosos e caridosos. É a figura que se faz desses espíritos que ocupam a figura de “pai”ou “mãe”, “irmãos” e “irmãs” que Jesus pede que repudiemos. Devemos repudiar as figuras e não os espíritos que as ocupam.

“Olhe, a sua mãe e os seus irmãos estão lá fora e querem falar com o senhor.

Quem é minha mãe? E quem são os meus irmãos? Vejam, aqui está minha mãe e os meus irmãos. Pois quem faz a vontade do meu Pai que está no céu é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.(Mateus – 12, 47).

Quando avisado da presença de seus parentes, Jesus ensinou que todos somos parentes de uma mesma família universal: para isto basta que façamos “ a vontade do meu Pai”. Quando colocamos nossos parentes materiais em um patamar acima de outras pessoas, acima da vontade do Pai, deixamos de fazer parte da família universal.

Repudiar a figura de pai e mãe é tratar a todos com igualdade, pois pertencem à mesma família. Louvar estas figuras “acima do bem e do mal” é atribuir a elas a perfeição.

Este ensinamento não é para que os espíritos “odeiem” seus pais e irmãos, mas que convivam com eles em igualdade com as demais criaturas do universo, pois todos são irmãos na família de Deus. Jesus nos ensinou a amar a todos e não apenas àqueles que nos são próximos por parentesco ou afinidade.

Colocar alguém em superioridade a outro é acabar com a igualdade entre todos, criando um sistema de classes que irá privilegiar, com certeza, uns em detrimento de outros. Achar a mãe “santa” e outros “monstros” é criar espíritos de primeira grandeza (mãe) e espíritos de qualidade inferior (assassinos, ladrões).

Colocar essa desigualdade entre as pessoas e entender isso como uma verdade universal é acabar com a Justiça Perfeita de Deus. Se fomos gerados por Deus que ama a todos nós, por que Ele criaria espíritos “melhores” do que outros? Onde haveria justiça nesta forma de proceder?

Espíritas alegam que aqueles que hoje agem de forma negativa, assim o fazem por causa de “débitos” acumulados em vidas passadas. Entretanto, isto os torna diferentes de nós? Será que devemos amar apenas o “puro”, o “respeitável”, o “dentro da lei”?

Jesus nos ensinou a amar a todos, sem exceção e distinção e não apenas aqueles que julgamos merecedores deste amor. Separar espíritos em categorias (os que amo mais, os que posso amar e os que não devo amar), é acabar com a igualdade pregada pelo Mestre, é acabar com o próprio AMOR.

Jesus abandonou seus discípulos, aqueles que procuravam seguir seus ensinamentos, para banquetear com ladrões, prostitutas e cobradores de impostos. Quando questionado, afirmou: “eu não vim para os sãos, mas para os doentes”. Todo aquele que tem o amor dentro de si deve compreender que veio a esta carne para aqueles que estão “doentes”, para amar aqueles que aparentemente fazem atos errados.

Como conseguir amar a todos enquanto houver um “exemplo” de amor a ser seguido? O amor deve ser incondicional e não deve precisar de antecedentes favoráveis para ser sentido. As figuras do pai e da mãe, como vistas hoje no planeta, criam estes antecedentes do exemplo que deve ser seguido para que possamos conceituar quem devemos amar ou não.

Jesus veio trazer a paz, mas esta não pode ser conquistada com a submissão dos outros aos nossos desejos ou conceitos, mas através da utilização do AMOR UNIVERSAL (ver logia 16).

“... e não tomar a sua cruz no meu caminho não me serve a mim”.

Para seguir Jesus é necessário mais do que acabar com os desníveis espirituais criados pelas figuras que o espírito ocupa: é necessário que nos vejamos todos iguais. Nenhum espírito pode ser superior a outro, pois isto ofende a Justiça de Deus e, portanto, ninguém pode sentir-se superior ao bandido, seqüestrador ou assassino.

Achar-se superior aos demais irmãos de caminhada é achar que Deus esqueceu de alguém, é acusá-Lo de causar injustiças, de coisas que não merecíamos receber.

Caminhar com a cruz no caminho do amor é saber que todas as coisas que acontecem são necessárias e merecidas. Enquanto o espírito achar que não mereceu os acontecimentos, estará se colocando em superioridade aos outros espíritos.

Tudo que acontece no universo é comandado por Deus (Causa Primária). Ele é a Inteligência Suprema, ou seja, Aquele que melhor conhece todas as coisas e possui melhores condições de análise. Pauta esta análise com a Justiça Suprema por isso sempre dá aos seus filhos aquilo que eles merecem. No entanto, nunca age por vingança ou punição, mas sempre visando o melhor caminho para a evolução espiritual, pois todas as suas análises são permeadas com o Amor Sublime.

Para carregar a nossa cruz sem lamentações, sem nos considerarmos injustiçados, é necessário que vejamos esta ação de Deus sobre as coisas.

Aquele que se sente injustiçado, imagina-se superior à Inteligência Suprema, capaz de saber o que é a Justiça Perfeita para cada caso. Não procurando o Amor Sublime, mas buscando a satisfação pessoal, acaba com igualdade entre todos.

O evangelho segundo Tomé

Logia 56 - Ser humano

“056. Disse Jesus: aquele que conheceu o mundo encontrou um cadáver, e aquele que encontrou um cadáver, o mundo não serve para ele”.

“aquele que conheceu o mundo”

Todos os enviados de Deus afirmaram e afirmam que o ser humano é mais do que se imagina. Chamaram a esse “mais” de alma ou espírito. Não importando a palavra, o que eles afirmaram é que o ser humano é composto por matérias carnais que possuem um prazo determinado de existência e alguma coisa a mais que tem eternidade. É este “algo mais” que muitos seres humanos não conseguem identificar, não conseguem achar dentro deles mesmos.

Kardec nos deixou o ensinamento de que existem “três coisas que são o princípio de tudo” (“Livro dos Espíritos” – perg. 27). Essas três “coisas” são: “matéria, espírito e Deus, o criador, o pai de todas as coisas” (perg. 27).

Os espíritos em evolução não conseguem ainda compreender Deus porque falta a eles “um sentido” (perg. 10 do Livro dos Espíritos). A “coisa” matéria é “o laço que retém o espírito; é o instrumento de que ele se serve e, ao mesmo tempo, sobre o qual exerce a sua ação” (perg. 22). Quanto à “coisa” espiritual, a espiritualidade informou a Kardec que é “o princípio inteligente do Universo” (perg. 23).

Tudo o que existe no Universo é composto por estas três “coisas” ou “reinos”: matéria, espírito e Deus.

O ser humano não poderia ser diferente, ou seja, não poderia ser único no Universo. Todo ser humano é composto por elementos destes três reinos.

Buda Guautama deixou como ensinamento que para se alcançar elevação espiritual há a necessidade de se compreender que tudo no Universo é composto e não único. O ser humano é composto de matérias (minerais, líquidos, gases, vegetais e animais), de espírito e de Deus. Ele não é único, pois tem em si cada uma das demais “coisas” do Universo em quantidades variadas, ou seja, é composto do somatório de todas essas coisas.

“Encontrar o mundo” é querer manter a unidade do ser humano e não compreender a sua multiplicidade, não querer entender a sua composição em “coisas” universais, já informadas a Kardec. Encontrar o mundo é considerar-se ser humano e não um composto formado pelas “coisas” universais.

Para se alcançar elevação espiritual é necessário que se tenha consciência do todo formado pelas diversas “coisas” do Universo. A elevação começa com a consciência da Primeira Verdade Universal: você já é um espírito, apesar de estar habitando uma massa carnal. É preciso abandonar a convicção que só nos tornaremos um espírito quando houver o desencarne.

Toda vida do ser humano necessita ser modificada, pois ela não contempla esta verdade. Jesus nos alertou que devemos buscar possuir bens no “céu” e não na Terra. Levar uma vida em busca da satisfação material, deixando as “conquistas” espirituais para depois do desencarne, é “encontrar o mundo”.

“encontrou um cadáver”

Outro ensinamento de Sidarta Guautama (Buda), nos diz que as “coisas” do Universo não são permanentes: elas se transformam constantemente. Tudo que existe vive uma etapa sob uma forma e na etapa seguinte se transforma. A folha que cai vira adubo, o animal vira alimento. A folha não acabou, mas continuará a “existir” como fertilizante, o animal “viverá” como o alimento para o ser humano ou outros animais. A água do rio se transformará em chuva; continuará existindo quando fizer parte de uma planta com seu fruto e voltará ao rio pelos lençóis d’água subterrâneos depois de ser expelida dos corpos físicos pela urina.

Isto foi transmitido a Allan Kardec e repassado por ele aos espíritos encarnados:

“A matéria inerte se decompõe e toma nova forma ...”. (O Livro dos Espíritos – perg. 70).

O ser humano, aquele que se imagina uno, não vê as coisas universais como seus próprios componentes, não consegue entender esta impermanência das coisas e imagina que a morte do corpo físico é o fim. O cadáver, neste ensinamento, simboliza o fim.

Aquele que encontra um cadáver imagina que houve um “fim” para ele e necessitará de um recomeço sob nova forma, pois a coisa espiritual (espírito) ainda não está presente dentro dele. Para aqueles que ainda se consideram unos, existe sempre um fim de alguma coisa e o início de outra.

Se o ser humano é um composto de todas as coisas universais, a coisa espiritual (espírito) já existe dentro dele. Quando alcançar esta consciência o ser compreenderá que a morte é apenas uma transformação da sua matéria física em alimento para outras formas e que a coisa espiritual é ele mesmo, o ser inteligente.

Esta coisa espiritual (espírito) sempre existiu e compôs o ser humano durante toda a sua existência. Na “morte”, ela apenas se liberta do “laço que a retém” (corpo físico). O espírito vive eternamente, independente de estar aprisionado ou não à matéria carnal.

“aquele que encontrou um cadáver, o mundo não serve para ele”

A não compreensão ou aceitação desta existência espiritual faz com que os espíritos na carne não compreendam a universalidade das coisas. Existe no universo um equilíbrio perfeito entre as coisas. Sem amarras, os planetas giram em órbitas perfeitas ao redor do sol e a lua afeta as marés do oceano.

Buda deixou nos seus ensinamentos que o universo é interdependente, ou seja, tudo se relaciona, todos os fatos acontecidos influem em todas as coisas, como ondas que se propagam.

Para haver vida há necessidade de oxigênio. Se em um país a poluição for grande, todo o planeta e o Universo serão afetados por ela. Os efeitos do trabalho de um grupo de espíritos são sempre sentidos por toda humanidade.

Para que exista este balanceamento perfeito das coisas há a necessidade de um comandante supremo: Deus. É o Pai, o Criador, a Inteligência Suprema que causa todas as coisas universais para que este equilíbrio seja mantido. Deus age assim para proporcionar a cada ser elementos necessários para a sua evolução.

Portanto, o mundo espiritual não é individual, mas sim coletivo. Todos os espíritos com certo grau de evolução compreendem esta correlação entre as coisas e buscam sempre alcançar o “bem” da coletividade e não a satisfação pessoal.

O ser humano, ou seja, o espírito que não “vê” o universo dessa maneira coletiva, não consegue compreender a necessidade dessa interdependência das coisas e, por isso, busca apenas alcançar seu prazer próprio. O mundo do ser humano é individualizado, ou seja, existe para satisfazer os seus anseios pessoais.

No entanto, se essa satisfação pessoal fosse realizada, todo o equilíbrio universal seria afetado. Em proporções minúsculas, podemos ver isto acontecer no próprio planeta Terra. Os países mais desenvolvidos não abrem mão da sua industrialização, que afeta com a poluição todos os seres humanos. O homem represa as águas dos rios porque busca mais energia elétrica para impulsionar o seu futuro, mas se esquece que com isso os animais e vegetais sofrem as conseqüências.

Aquele que não encontrar a coisa espiritual dentro de si mesmo não conseguirá entender esta interdependência das coisas e continuará a ser individualista. Deus, porém, não pode satisfazer os desejos de uns em detrimento de outros, pois Ele é a Justiça Perfeita.

Por este motivo, o mundo não serve para aquele que não encontra em si a coisa espiritual (espírito). Os acontecimentos da vida de um ser humano nunca poderão apenas satisfazer seus anseios pessoais, mas sempre serão comandados por Deus para que o equilíbrio universal se mantenha. É da não visão desta ação divina (Justiça Perfeita) que o ser humano vê nos acontecimentos a “injustiça”.

Quando os anseios do ser humano não são atingidos ele sofre, pois nos seus conceitos, ele tem seu próprio “querer”. Para que ele viva no mundo de Deus, onde todas as coisas são justas e amorosas, é necessário que o ser humano abra mão do seu individualismo e aceite todos os acontecimentos como fonte de uma Inteligência Suprema, que age objetivando manter o equilíbrio universal.

Alcançar a felicidade universal é entender-se como um ser composto pelo todo, um ser individual mas não individualista e ter fé no comando do equilíbrio do universo, pois ele é mantido para que a Justiça Perfeita se imponha com Amor Sublime.

O evangelho segundo Tomé

Logia 57 - O joio e o trigo

“057. Disse Jesus: o Reino do Pai é como o homem que tem boa semente. Seu inimigo vem à noite, semeia o joio no meio da boa semente. O homem não permite que seus servos arranquem o joio. E diz-lhes: isto, para que não suceda que ao arrancar o joio venha também o trigo. No dia, porém, da colheita, o joio aparecerá, será arrancado e queimado”.

O joio e o trigo

“Joio:Erva tóxica, que medra no meio do trigo” (Mini Dicionário Aurélio – 3a Edição)

O joio é uma erva daninha que não serve como alimentação para os seres vivos. A ingestão deste vegetal pode causar problemas à saúde. No entanto, ele é muito parecido com o trigo, que é um alimento saudável, durante o processo de desenvolvimento das duas plantas.

A utilização destas duas figuras por Jesus neste ensinamento muito conhecido, pois também está nos evangelhos canônicos, busca simbolizar aquilo que faz “bem” ao espírito ou não, aquilo que deve ser utilizado como “alimentação” ou não.

Como alimentação não devemos entender apenas a alimentação material, pois Jesus não ensinou ninguém a viver como ser humano. Sua busca sempre foi, como estamos vendo nesta obra, passar todos os ensinamentos para que nos mantivéssemos “vivos”, ou seja, dentro do mundo de Deus. Estar “vivo” é participar da felicidade universal (ver logia 01).

Portanto, neste ensinamento devemos entender como trigo tudo aquilo que auxilie o espírito a atingir esta felicidade e como joio, aquilo que pode causar sofrimentos (tristeza, mágoa, angústia).

“o homem que tem boa semente”

Todo espírito nasce puro e ignorante, nos ensinou a espiritualidade através de Kardec, ou seja, possui “boa semente” (puro), mas não possui o conhecimento das coisas universais (ignorante).

Desta forma, podemos entender que a “evolução espiritual” é obter o conhecimento das coisas universais, mantendo a pureza.

“Seu inimigo vem à noite, semeia o joio no meio da boa semente”

 Para entender e alcançar este conhecimento, o espírito necessita estudar. Isto ele faz durante a sua vida em matéria menos densa que a carnal, ou seja, no “mundo espiritual”, como informado na literatura pós Kardec.

Porém, todo estudante tem que passar por verificações de conhecimentos (provas). Estas provas devem ser executadas sem consulta aos livros. É por este motivo que o espírito vem à matéria carnal: fazer provas de conhecimentos sem alterar a sua pureza (Quarta e Quinta Verdades Universais).

O chamado “véu do esquecimento”, ou seja, a não utilização da memória das coisas espirituais durante a vida carnal, é exatamente para que o espírito possa executar estas provas sem consultar suas “anotações” durante as aulas. É por causa desta ausência de visão das coisas que Jesus chama de “noite” a vida material neste ensinamento.

Durante a vida o “inimigo” buscará semear entre os ensinamentos que alimentam o espírito mantendo-o na felicidade, outros que se pareçam com estes, mas que tragam sofrimentos, ou seja, acontecimentos da vida carnal que não satisfazem os conceitos de um ser humano. Para ser “inimigo” de um ser humano é necessário que se contraponha aos seus desejos, não fazendo as coisas da forma e do jeito que ele quer.

Assim, no ensinamento Jesus está dizendo: durante a vida carnal aparecerão pessoas que se irão se contrapor às suas verdades.

“O homem não permite que seus servos arranquem o joio”

Através dos relacionamentos da vida social o espírito auxilia Deus na Sua obra, temperando (sal) a vida dos outros. Deus comanda todos os atos de um ser humano para que eles sirvam de transmissão de ensinamentos para ele mesmo e para os outros. Todos os nossos atos são “sementes que plantamos nas terras dos outros”.

O dono da terra que arranca a semente plantada é aquele que devolve aos outros o que recebe. Se você ataca quem lhe ataca, ofende quem lhe ofende e magoa quem lhe magoa, está arrancando as sementes que foram plantadas por ordem de Deus dentro de você.

“isto, para que não suceda que ao arrancar o joio venha também o trigo”

Quem devolve o que recebeu, nunca poderá saber se aquilo era para sua “alimentação” ou não. Quando retribuímos o sentimento (que imaginamos que originou o ato que recebemos) na mesma “moeda” (ofensa com ofensa), não poderemos saber se o que nos foi passado foi “bom” ou “mal” para nós.

É pela pressa de separar o joio do trigo (o “certo” do “errado”) que o espírito não se “alimenta” dos ensinamentos que Deus manda para ele através de outros seres humanos. Quantas vezes alguém já nos alertou de algum comportamento e, à primeira vista, recusamos o alerta classificando-o como acusação? Será que realmente o “inimigo” estava “errado”, ou nós que não percebemos o “mal” que causamos?

Este é o ensinamento de Jesus: não devemos “arrancar” nenhuma semente que Deus planta em nós, pois não sabemos se elas são joio ou trigo.

Estes dois alimentos, durante a sua germinação e crescimento, são muito parecidos. É preciso esperar que eles amadureçam para que se possa distingui-los.

Este amadurecimento ensinado por Jesus é a auto-avaliação. Quando reagimos instantaneamente a um acontecimento, acusando-o de “errado”, podemos estar eliminando uma fonte de nutrição espiritual. É necessário que se reflita sobre todos os acontecimentos para que os ensinamentos sejam compreendidos.

Esta auto-avaliação, porém, não pode ser baseada em conceitos individuais, ou seja, não pode ser avaliada com o que nós achamos “certo”. Nossos atos não podem buscar a satisfação pessoal, mas devem sempre cooperar para o equilíbrio universal.

Esta é a compaixão, integrante do amor universal. Para se alcançar a consciência do sofrimento que pode ser causado a outra pessoa é necessário que se avalie os seus atos com os conceitos dessa pessoa e não com os nossos.

Não ter conceitos não deve gerar um novo conceito: “não se deve ter conceitos”...

Não ter conceitos é participar do conceito de todos, no momento em que eles estão sendo colocados em pratica. Porém, este conhecimento não pode ser colocado em prática por obrigação ou seja, pelo conceito de que “eu não devo ter conceitos”.

Não possuir conceitos é não necessitar de razões para ser feliz. Aquele que alcançar esta consciência encontrará felicidade em todos os acontecimentos da vida e neste momento poderá participar da felicidade coletiva, a felicidade universal.

Isto é deixar as sementes amadurecerem.

“No dia, porém, da colheita, o joio aparecerá, será arrancado e queimado”

Quando conseguir colher o trigo (ensinamento espiritual contido em cada ato humano), você poderá ver o joio que cresceu junto com ele, ou seja, os seus conceitos. No entanto, se arrancá-lo ainda durante a semeadura não conseguirá se alimentar do ensinamento.

Para saber que ainda temos conceitos é necessário que eles sejam contrariados. Como saber que não gosto do amarelo em um local onde não exista esta cor?

É para isso que Deus faz o seu “inimigo” contrariar sua forma de ver e entender as coisas: ela é o seu conceito. Na verdade, os atos dos outros sempre serão trigos, pois o joio somos nós mesmos que plantamos dentro de nós...

O evangelho segundo Tomé

Logia 58 - Situações de sofrimento

“058. Disse Jesus: bendito o homem que sofreu porque encontrou a Vida”.

Sofrimento

O objetivo dos ensinamentos de Jesus é que o espírito alcance o reino do céu independente da matéria que ocupe.

Como já vimos (logia 03), este reino não é um lugar físico, mas sim um estado espíritual onde se vive com felicidade plena ou universal. Se o espírito em evolução ainda não está lá é porque ainda vive com tristezas e sofrimentos.

Se a felicidade nos coloca no reino do céu e, como já vimos também (logia 01), é ela que determina se o espírito está “vivo”, podemos afirmar que aquele que ainda sofre não vive no reino do céu e está morto. Com este raciocínio aparentemente o ensinamento de Jesus nesta logia á ambíguo: “bendito o homem que sofreu porque encontrou a vida...”.

Para encontrar o sentido do ensinamento de Jesus, que também faz parte do Sermão da Montanha narrado nos evangelhos canônicos (“Felizes os que choram, pois Deus os consolará”- Mateus 5,4), há a necessidade de se entender o sofrimento.

Existem diversos tipos de sofrimento:

Material – fome, dor física, não possuir o que se deseja

Sentimental – saudade, ser esquecido, abandonado

Moral – contrariedades, desrespeito, discordância

Todos estes sentimentos citados e outros mais causam sofrimento ao espírito. Por este motivo, podemos dizer que o sofrimento não é um sentimento, mas um estado espiritual causado por um grupo de sentimentos. Assim como existem diversos sentimentos que causam a felicidade, também o sofrimento é alcançado a partir da utilização de diversos sentimentos.

Eliminar o sofrimento, portanto, é alterar os sentimentos que se utiliza para perceber os acontecimentos da vida: ao invés de sentir sentimentos do grupo de “sofrimento”, o espírito deve sentir aqueles que compõem o estado de espírito felicidade.

  Este é o trabalho espiritual que todos devem fazer no sentido de alcançar a sua elevação espiritual, ou seja, sua reforma íntima. É necessário reformar a sua forma de “ver” as coisas do mundo para que aconteça a purificação, ou seja, a utilização de sentimentos que contemplem as leis de Deus.

O espírito é motivado a escolher sentimentos pelos acontecimentos da vida criados por Deus. A cada fato que ocorre ele inicia um processo de raciocínio (espiritual) e escolhe um determinado sentimento para reagir àqueles acontecimentos.

Esta escolha é sempre baseada em sentimentos que o espírito já tenha incorporado àquele tipo de acontecimento: uma dor física deve ser sofrida, uma saudade deve ser sofrida. Estes sentimentos pré-determinados são o que chamamos de conceitos, ou sentimentos conceituais.

Porém, eles foram determinados pelo próprio espírito na busca da satisfação individual. Quando um ser humano “morre” aqueles que gostavam dele sofrem, mas quem não gostava alegra-se. Este “gostar” é o sentimento pré-determinado de cada ser humano para outro ser humano ou coisas do universo.

Por isto, para se alcançar a evolução espiritual, é necessário que sejam alterados os sentimentos pré-determinados do grupo do sofrimento para aqueles que pertençam ao grupo da felicidade: utilizar apenas o amor como sentimento único para todas as coisas. Não serão as coisas que se alterarão, pois elas são simplesmente questões de uma prova, mas cada espírito terá que “responder” a elas dentro das leis de Deus.

Aqueles que agirem desta forma conseguirão a evolução espiritual, a purificação, a elevação.

Esta é a reforma íntima que Jesus pediu a todos.

“bendito o homem que sofreu porque encontrou a Vida”

Portanto, encontrar a felicidade (vida) não é não passar por situações que possam gerar a escolha de sentimentos pré-determinados do grupo sofrimento, mas sim não sentir estes sentimentos em momento algum.

Quando Jesus nos ensina que bendito (feliz) será o homem que sofrer, está afirmando que o espírito só será feliz se passar por situações de sofrimento, sem utilizar sentimentos que levem ao estado de espírito “sofrimento”. Será feliz aquele que passar pela situação de sofrimento, sem sofrer.

Foi este o significado da crucificação de Jesus. Se o Mestre houvesse desencarnado de forma natural ou por doença, não deixaria este recado a nós. Jesus passou por todas as situações que imaginamos que passamos no dia a dia: foi caluniado, perseguido, difamado, maltratado, atacado, mas manteve-se firme no seu destino e desencarnou saldando o Pai.

Jesus não sofreu nem reagiu ao seu martírio porque sabia que tinha vindo aqui para isso. Resistiu às tentações do “diabo” porque são elas que formam os sentimentos conceituais. Subiu direto aos céus, porque enfrentou todas as situações de sofrimento com a felicidade que nós hoje podemos alcançar graças às suas lições.

O exemplo do Mestre, aquele que viveu a sua vida material com a ação do amor universal, deve ser seguido: todo espírito deve passar por situações de sofrimento, sem escolher sentimentos de sofrimento, para poder alcançar a vida. Não são as coisas que devem fazer o espírito sentir determinados sentimentos, mas cada um deve escolher com que sentimento reagirá a elas.

Quando cada um utilizar o amor universal como único sentimento, as coisas mudarão para ele não na sua forma, mas sim na sua essência. Quando agirmos assim, só encontraremos o amor em tudo e não será mais necessário que as coisas ocorram da forma que imaginamos “certas” para que possamos amá-las.

Atingindo a plenitude do amor, o espírito receberá qualquer acontecimento de forma amorosa.

Por isto Jesus ensinou:

“Ninguém acende uma lamparina para pôr debaixo de um cesto. Ao contrário, ela é colocada no lugar próprio para que ilumine todos os que estão na casa. Assim também a luz de vocês deve brilhar para que os outros vejam as coisas boas que vocês fazem e louvem o Pai que está no céu” (Mateus – 5, 15).

Portanto, ser feliz não é ver acontecer o que queremos.

Mesmo com a prática integral do amor universal, continuarão os fatos que hoje nos fazem sofrer. Isto ocorrerá porque Deus utilizará quem já interiorizou o amor universal como uma “lamparina” para que a sua luz (amor) sirva para que outros alterem seus sentimentos. Será com a doação do amor aos que ainda escolhem outros sentimentos que os ensinaremos a louvar ao Pai.

Neste momento, o espírito terá encontrado a vida.

O evangelho segundo Tomé

Logia 59 - Personalidade

“059. Disse Jesus: levai em consideração o Vivo enquanto estais vivos, senão morrereis e tentareis vê-lo e não o conseguireis”.

“levai em consideração o Vivo enquanto estais vivos”

O “Vivo” é o próprio Jesus como Tomé apresentou o Mestre (Apresentação).

Neste ensinamento Jesus pede que Ele seja levado em consideração. Não pede que o adorem, mas que considerem a sua existência carnal.

Aqueles que transformam Jesus em Deus contrariam todos os ensinamentos do Mestre. Em todos os seus ensinamentos convidou a buscar o Pai e não a Ele mesmo. Nunca atribuiu durante a sua vida carnal nenhum dos “milagres” à sua própria vontade, mas ao “desejo de meu Pai”. Toda sua existência foi voltada para as coisas de Deus e não para sua própria satisfação.

Jesus quando desencarnou realmente “subiu aos céus”, “sentou-se ao lado direito de Deus” e de lá continua governando o planeta. Entretanto, Ele não é Deus, mas sim nosso Irmão Maior, o Mestre dos ensinamentos de Deus.

Nos evangelhos bíblicos, quando se fala da comunhão de Jesus com Deus após seu desencarne, não deve ser entendido como o Mestre ocupando o lugar do Pai, pois o próprio Jesus nos ensinou que um escravo não pode mandar mais que o patrão.

Ele se tornou trabalhador de Deus porque abandonou o individualismo e trabalhou para a coletividade espiritual. Todos aqueles que abandonarem seus desejos e apenas praticarem os desejos de Deus também estarão na mesma comunhão com o Pai. Jesus não é o filho único de Deus, mas o único que viveu para Deus naquela época.

Desta forma, Jesus não “causou” nada, mas apenas serviu de instrumento do Pai para que Sua obra fosse feita. Quando pede que o levem em consideração, Ele não busca a fama para si, mas espera que cada um tenha ouvidos de ouvir para entender os ensinamentos que transmitiu e que se busque a compreensão e prática dos seus ensinamentos, pois neles está traçado o caminho para a elevação espiritual, objetivo de todos.

O Mestre foi categórico: esta busca deve ser realizada enquanto se está “vivo”, ou seja, preso na matéria carnal. Esta etapa da vida espiritual é a que pode trazer a elevação. Fora dela o espírito busca conhecimentos (estuda) mas precisa comprovar os conhecimentos adquiridos o que só ocorre quando ele está na carne (Terceira Verdade Universal).

Apenas estudar não eleva o espírito: é preciso que ele comprove que realmente aprendeu os ensinamentos do Pai.

 Como afirmado na Quarta Verdade Universal, o estudo do universo é sobre o amor universal. Durante a sua existência fora da carne o espírito aprende este sentimento e quando vem para a carne, apenas com os conhecimentos que ficaram gravados em sua memória espiritual, tem que responder as questões. A prática do amor universal sem motivação específica é a prova de todo espírito na carne.

Na logia anterior compreendemos que é o espírito que deve aplicar um sentimento aos acontecimentos e não os acontecimentos que devem despertar determinados sentimentos no espírito. Desta forma, provar é aplicar a tudo o amor universal durante a vida carnal. Para isto é preciso promover a reforma íntima, ou seja, reformar os sentimentos que existem dentro de cada um.

Ao conjunto de sentimentos que cada espírito possui, chamamos de “personalidade”. Uma pessoa é nervosa ou calma, honesta ou desonesta, incompreensiva ou compreensiva de acordo com os sentimentos que nutre. Por este motivo podemos dizer que uma pessoa que se chame “João da Silva”, na verdade é um conjunto de sentimentos que a levam a fazer determinados atos. O nome (João da Silva) é apenas um rótulo para este conjunto de sentimentos.

Os sentimentos que comporão a personalidade são determinados pelo espírito (junto com outros espíritos que o ajudarão) objetivando as provas que ele irá fazer durante a vida (Livro da Vida). Se o espírito precisa vencer a soberba, este sentimento estará em maior quantidade do que a humildade na formação da sua personalidade. Será a utilização do amor universal que reformará a personalidade deste espírito, ou seja, positivará o sentimento de soberba transformando-o em humildade.

Espiritualmente falando, João da Silva é um espírito em evolução que está fazendo suas provas aprisionado em uma matéria carnal. Podemos então definir o rótulo João da Silva como uma personalidade que o espírito recebe para viver uma vida carnal. Isto é uma encarnação.

Podemos definir encarnação como um conjunto de sentimentos (personalidade) que o espírito assume para provar os conhecimentos adquiridos no mundo espiritual sobre o amor universal.

A encarnação se inicia na transferência dos sentimentos que comporão a personalidade para o espírito que irá encarnar e só terminará quando ele se reformar, ou seja, positivar todos os sentimentos negativos com a utilização do amor universal.

A encarnação não se inicia com o “nascimento” nem acaba com a “morte”, mas dura o exato tempo em que o espírito possuir aquela personalidade planejada e com a qual encarnou. A “vida” como hoje entendida pelos seres humanos (encarnação) vai, portanto, além do falecimento dos órgãos.

“senão morrereis e tentareis vê-lo e não o conseguireis”

Por isto Jesus afirma que não será apenas com a saída do corpo físico que o espírito alcançará o Reino do Céu, ou seja, a felicidade universal, mas é necessário que ele “morra” (acabe com aquela personalidade) para chegar a isto.

Este ensinamento sobre a “morte” nada tem a ver com a matéria à qual o espírito está aprisionado, mas sim com o conjunto de seus sentimentos. Um espírito preso à carne pode alcançar esta verdade e vivenciá-la: basta acabar com o individualismo. Com a positivação dos seus sentimentos, o espírito passará a buscar a felicidade universal e não a conquista de seus desejos pessoais. Enquanto o espírito não morrer (perder o individualismo) ele não encontrará a felicidade plena.

Como comentado na logia 03, o único espaço físico existente é aquele que os seres humanos conhecem. Por este motivo, aquele que morre fisicamente não vai para o céu ou para o inferno: continuará neste mesmo espaço. Estes lugares serão determinados pela personalidade de cada um.

De acordo com os seus conceitos, os espíritos plasmam os locais físicos que habitam. Desta forma, aqueles que ainda possuem sentimentos de nervosismo certamente plasmarão um ambiente que reflita este seu “estado de espírito”. Como os afins se unem, quando sair da carne este espírito permanecerá no mesmo ambiente (planeta Terra), mas plasmará, em conjunto com outros que possuem o mesmo sentimento, um local que reflita esta característica de sua personalidade. Nesse lugar, Deus continuará colocando provas (situações de sofrimento) até que o espírito reforme-se, alterando a positividade de seus sentimentos. Neste momento, com a sua personalidade alterada, ele poderá ser atendido pelos irmãos: esta encarnação acabará.

A personalidade, então, voltará a ser aquela que ele possuía antes da encarnação (seu nível de elevação espiritual). Novamente este espírito voltará aos “bancos escolares” até que tenha novamente que prestar “exames”, quando sua personalidade será novamente alterada.

Passar na prova, então, é vencer a personalidade que o espírito adquire para a encarnação, não importando em que momento (dentro ou fora da carne) isto ocorra. Para isto, devemos compreender os ensinamentos do Mestre.

O evangelho segundo Tomé

Logia 60 - Doação da razão 2

“060. Eles viram um samaritano carregando um cordeiro a caminho da Judéia. Ele disse a seus discípulos: Porque este homem leva o cordeiro consigo? Eles responderam: Para mata-lo e comê-lo. Ele lhes disse: Enquanto ele estiver vivo não o comerá; somente quando o tiver matado e ele for um cadáver. Disseram-lhe eles: De outra forma, ele não o conseguiria. Disse-lhes ele: Buscai um lugar para vós no Repouso; porém, só se vos tornardes cadáveres e fordes comido”.

“Enquanto ele estiver vivo não o comerá”

Apesar da história ser bem clara com a citação do cordeiro e do samaritano, sabemos que Jesus deixou seus ensinamentos através de parábolas. Estamos, pois, frente a mais uma, que não foi descrita pelos evangelistas da Bíblia.

Todos os ensinamentos do Mestre, como vimos até agora, direcionaram-se ao relacionamento dos espíritos, ou seja, de como eles devem se relacionar para viverem uma vida espiritual na carne. Portanto, é nesta direção que buscaremos entender este ensinamento.

O verbo “comer” nos ensinamentos de Tomé foi já por muitas vezes utilizado no sentido de acabar, eliminar, exterminar. Aplicando-se este mesmo sentido ao trecho aqui estudado veremos que Jesus quis dizer que enquanto uma pessoa estiver viva, ela não poderá ser exterminada. Isto ocorre porque o vivo ainda tem capacidade de reação. É preciso eliminar a capacidade de reação de uma pessoa para que a exterminemos.

Voltando à base dos ensinamentos de Jesus, conseguiremos entender o ensinamento. Todos os relacionamentos entre os seres humanos são pontilhados pela discordância, desde pequenas diferenças de opiniões até posições completamente antagônicas. Os relacionamentos são marcados pela diversidade de opiniões. Isto ocorre porque não existem dois seres humanos que possuem o conjunto de seus conceitos idênticos.

Assim, quando as pessoas se relacionam e as divergências aparecem, sempre uma quer provar à outra que ela está com a razão naquele assunto e afirma que a outra está errada. Uma tese é desenvolvida, aparecem os motivos para comprovar a razão e desta maneira uma procura acabar com as certezas da outra, buscando impor as suas.

É a esta forma de proceder que Jesus se reporta neste trecho. O ser humano busca eliminar todos os conhecimentos do seu antagonista para que ele não possa reagir, impor a “verdade” dele.

“somente quando o tiver matado e ele for um cadáver”

Podemos afirmar que um ser humano é conhecido pelos atos que pratica. Quando queremos descrever uma pessoa dizemos que ela é pacata, honesta, inteligente, ou seja, pratica atos que refletem estes sentimentos. Se os atos, como já vimos, são originados nas “verdades pessoais” (conceitos) de cada um, podemos dizer que uma pessoa é os seus conceitos.

Para todos os atos que pratica, o ser humano possui argumentos (verdades pessoais) que justificam sua vida Um ladrão rouba porque não tem emprego, tem que sustentar sua família, não teve chance de estudar, e, aparentemente, seus argumentos mostram que ele não tem outra saída: é preciso roubar.

Desta forma, o roubo para quem o pratica é certo, ou seja, plenamente justificado pelos seus “argumentos”. Não estamos falando de lei material (Civil ou Penal), mas daquele “código” pessoal que determina o que pode ou não ser feito, mesmo que fira a lei dos homens.

Sendo assim, o “erro”, para o ladrão não existe, mas está apenas em quem vê o erro e não em quem pratica. Quando uma pessoa aponta erro em outra, está transferindo os seus “conceitos” para os outros. Ao se alterar os conceitos de uma pessoa estaremos matando-a, pois, com essa mudança ela deixará de ser ela mesma e será uma nova pessoa.

Por isto Jesus afirma que para se exterminar uma pessoa (“comê-la”) é necessário que antes a matemos, ou seja, para eliminá-la é preciso alterar os seus conceitos. Isso se faz apontando erros nos atos que ela pratica.

“De outra forma, ele não o conseguiria”.

Sem que se aponte o erro de uma pessoa, é impossível alterar os seus atos. No entanto, aquele que age desta forma reclama para si o direito de ser o “dono da verdade”, ou seja, o comandante da vida dos outros.

O ser humano não tem a capacidade para assumir esta posição, pois não possui os atributos necessários para tanto. Para que alguém possa exercer a função de Comandante do Universo é necessário que possua a Inteligência Superior e com ela pratique a Justiça Perfeita com o Amor Sublime. Aquele que busca para si esta posição fere o amor a Deus, ou seja, não O reconhece como a Perfeição do Universo.

É este conhecimento que Jesus nos repassa nesta parábola. Matar para comer, ou seja, apontar erros para alterar os conceitos dos outros seres humanos é usurpar o direito exclusivo de Deus.

A estes espíritos Jesus avisou: “com a mesma medida que medires, serás medido”.

Aqueles que se julgam com o direito de julgar os atos dos outros, serão julgados por Deus.

“Buscai um lugar para vós no Repouso; porém, só se vos tornardes cadáveres e fordes comido”

Para que o espírito entre no reino do céu (felicidade universal) é preciso que ele se deixe ser comido, ou seja, deixe sempre o outro ter “razão”. Gozar da felicidade universal é não discordar dos atos dos outros, não ver erros em nada que os outros façam.

O espírito reconhece o verdadeiro Comandante dos atos humanos: Deus e por esta origem sabe que todas as coisas são perfeitas. Pela sua fé sabe que todos os acontecimentos dos quais participa são administrados pelo Pai e se foram praticados na sua presença é porque você precisa e merece que aquilo esteja ocorrendo. O espírito compreende que os encarnados e desencarnados auxiliam, mesmo sem saber, a Deus na Sua obra, servindo como “sal para a humanidade”.

Aquele que goza da felicidade universal (espírito) não aponta erros em nenhuma atitude de seu irmão, pois tem a plena convicção que os acontecimentos da vida são ensinamentos de Deus e busca entender o ensinamento que o Pai está passando através de outro espírito.

Para isso, porém, tem que doar a razão, ou seja, permitir que o outro se considere certo. Se o ladrão consegue assaltá-lo, o espírito não deve acusá-lo, mas doar a razão a ele, não sofrendo com a perda de bens materiais, mas reconhecendo que Deus utilizou aquele espírito para “falar” com ele.

Doar a razão é não se contrapor aos argumentos dos outros, até sobre o próprio espírito. Ao invés de querer provar aos outros o que é, o espírito deve aceitar os argumentos dos outros (doar a razão) e buscar raciocinar o que Deus quis dizer com aquelas palavras ditas pelo outro.

Ao doar a razão o ser humano que aparentemente, perdeu, na verdade ganhou, pois, ouviu o ensinamento que o Pai repassou para a sua vida. Ele estará “morto” e será “comido”, mas gozará da felicidade universal, pois alcançará a sua evolução espiritual.

A felicidade de um não pode ser alcançada com a infelicidade de outro. O espírito que doa a razão por causa da sua fé em Deus vive feliz porque alcança a sua evolução e quem recebe a razão também fica feliz porque se imagina “vencedor”.

Esta é a felicidade universal: quando todos mantêm a sua alegria.

Quem acha, “perde”. Quem perde, “acha”. Aquele que acha que tem a razão perde a Deus e aquele que perde a razão encontra Deus, pois quem mantém a razão sempre está satisfazendo seus próprios conceitos, suas verdades.

Buda Guatama nos ensinou que para sermos quem somos(espíritos), devemos deixar de ser quem somos (seres humanos). Para sermos espíritos é preciso ouvir os ensinamentos de Deus para acabar com nossos conceitos, pois enquanto eles forem utilizados para “julgar” os outros, não nos desfaremos deles.

O evangelho segundo Tomé

Logia 61 - Imagem e semelhança de Deus

“061. Disse Jesus: dois descansarão em um leito: um morrerá, outro viverá. Perguntou Salomé: Quem és tu, homem, e de quem és filho? Tu te sentaste em meu banco e comes de minha mesa. Respondeu-lhe Jesus: sou o que vem daquele que é Igual; a mim me foi dado das coisas de meu Pai. Disse Salomé: Sou tua discípula. Disse Jesus a ela: por conseguinte te digo: se alguém pertencer ao Igual, será preenchido de Luz, mas se for dividido, estará cheio de trevas”.

“dois descansarão em um leito: um morrerá, outro viverá”

Com esta frase Jesus está falando da “casualidade”, ou seja, aquilo que acontece sem motivo aparente.

Se duas pessoas estão em um mesmo lugar e acontece algum fato que tire a vida material de um deles, o efeito deveria ser o mesmo para todos. No entanto não é isto que ocorre. Mesmo estando lado a lado ao lado de um fato causador de “morte”, muitas vezes um sucumbe e o outro não.

A este acontecimento é dado o título de “casualidade”, “sorte”, “azar”. Entretanto, sempre fica uma pergunta: “Por que um e não outro? Por que a sorte foi “caprichosa”, ou seja, porque escolheu exatamente aquele e não o outro?

Quando utilizou a frase acima, Jesus estava dizendo que Ele sabia o motivo para a ação da casualidade.

 “Quem és tu, homem, e de quem és filho?”

É exatamente esta dúvida que sempre fica sem resposta que faz com que Salomé questione a Jesus quem é Ele para dar respostas e com quem aprendeu para poder ensinar.

“sou o que vem daquele que é Igual; a mim me foi dado das coisas de meu Pai”

Jesus afirmou que recebeu seus ensinamentos de alguém que era igual a Ele e a todos que se encontravam ali.

No livro “Gênesis” da Bíblia Sagrada está escrito que “vamos fazer os seres humanos, que serão como nós, que se parecerão conosco” (1, 26). Juntando-se as duas informações, poderíamos concluir que Jesus estava dizendo que recebeu este ensinamento de outro ser humano. No entanto, os seres humanos não conhecem o motivo para a casualidade. Com isto compreendemos que Jesus não era um “ser humano”, mas sim um espírito na carne.

O ser humano não se reconhece como espírito: imagina que só se transformará neste ser após a morte. Por este motivo aplica o ensinamento do livro Gênesis em sentido inverso, ou seja, imagina Deus como um ser humano ao invés de saber que ele, ser humano, já é um espírito à semelhança de Deus.

Deus não possui materialidade e não vive para coisas materiais. Ele nunca quer estar certo, porque sempre assim está; não busca a razão, porque sempre a tem. A inversão da auto-visão que um ser humano tem de si (ser espírito já), lhe levará a participar destas verdades universais. Enquanto o ser humano buscar na sua própria imagem a semelhança com Deus, não conseguirá participar do Universo que vive (espiritual).

Portanto, ao afirmar que veio do Igual, Jesus estava dizendo que se sabia um espírito habitando uma carne e não um ser humano. Por este motivo conhecia as verdades universais sobre as coisas.

“Sou tua discípula”

Na logia 15 Jesus afirmou que aquele que não se reconhecer como filho de mulher (ser espírito) poderá ser pai de outras pessoas, ou seja, ensiná-las como viver para alcançar a elevação espiritual. Isto porque quem se reconhece como espírito conhece as verdades universais e não julga ou condena ninguém e mantém a alegria universal.

Por entender que Jesus não se sentia como ser humano, mas sim como espírito na carne, é que Salomé afirmou que queria aprender com o Mestre a “viver”.

“se alguém pertencer ao Igual, será preenchido de Luz”

É preciso que o ser humano se veja à imagem e semelhança de Deus (espírito) para compreender os acontecimentos da vida material. A casualidade não existe no mundo de Deus porque ela não é inteligente, justa ou amorosa.

Achamos que uma bala perdida faz uma “vítima”, ou seja, alguém que pagou pelo erro de outro e foi injustiçado e maltratado. O ser humano não consegue entender porque aquela bala penetrou exatamente na pessoa que isto precisava e merecia e por isto sofre. Não entende os motivos que levaram o “criminoso” a atirar e acertar, casualmente, quem “não tinha nada a ver com isto”.

Quem se sabe espírito sabe também que o criminoso não atira porque quer e que a bala não acerta ninguém a não ser que seja direcionada para aquela pessoa (Deus Causa Primária das coisas). Por isto não vê “bala perdida”, mas sim a “bala achada”. Compreende que aquele tiro foi direcionado por Deus para aquela pessoa que, aparentemente, nada tinha a ver com a situação.

É na Inteligência Suprema que o espírito retira as verdades do mundo. Ele sabe que é filho de Deus, habita em Sua residência e que o Pai é o único e por este atributo pode comandar as coisas para que a Justiça se imponha perfeitamente. Além disto, confia plenamente no Amor Sublime que o Pai dedica a seus filhos e sabe que Ele nunca os castigaria, mas promoveria a sua justiça e evolução.

Por este motivo, o espírito não acusa o outro de ser um assassino, mas sabe que ele serviu de instrumento de Deus para causar o que deveria ser feito. Reconhece os motivos por merecimento ou necessidade que levaram a bala a ser direcionada contra aquela pessoa. Sabe que quem recebeu o tiro não é uma vítima, mas que merecia passar por aquilo para a sua evolução.

“mas se for dividido, estará cheio de trevas”

O espírito, portanto, não sofre. Aquele que reage com sentimentos de sofrimento a qualquer acontecimento da vida humana é porque ainda imagina que Deus é um ser humano, ou seja, a imagem e semelhança dele mesmo.

Aquele que se encontra dividido entre a conquista de bens materiais e espirituais vive nas trevas, ou seja, no escuro, não conhece a razão para os acontecimentos da vida (Deus Causa Primária) e por isto escolhe sentimentos que provocam sofrimento, angustia-se com o amanhã, preocupa-se com os acontecimentos, apavora-se com o destino. Todos estes sentimentos são negativos, ou seja, provocam no ser humano a sensação de sofrimento e originam-se na falta de fé, ou seja, na não entrega e confiança absoluta em Deus.

Aquele que tem fé confia em Deus e sabe que, apesar da forma qualquer que o acontecimento tenha, ele será perfeito, pois foi comandado por uma Inteligência Suprema. Sabe que sempre receberá apenas o que merece, pois confia na Justiça Suprema. Recebe o que vem com alegria, pois sabe que visa a sua melhoria espiritual.

Para se viver desta forma é necessário que o ser humano saiba que ele veio do Igual e que pertence a Ele. Tem que saber que este Igual não é um “ser humano”, mas sim um espírito voltado para as verdades espirituais. É preciso saber que ele (ser humano) foi gerado à imagem e semelhança deste Igual e que, portanto, ele também é um espírito.

Neste momento o espírito abandonará a auto visão ser humano e conhecerá o seu futuro: será como Deus determinar...!

O evangelho segundo Tomé

Logia 62 - As Quatro Âncoras

“062. Disse Jesus: eu conto meu segredo aos que forem dignos do meu segredo. O que tua mão direita fizer, não deixes que a esquerda saiba”.

“eu conto meu segredo aos que forem dignos do meu segredo”

Jesus é nosso irmão maior e compreende perfeitamente a existência espiritual: agir com igualdade entre todos, objetivando a evolução.

Jesus não poderia escolher pessoas para repassar seus ensinamentos ou ainda colocar pré-requisitos para aqueles que fossem receber. Por este motivo, a frase acima não pode conter uma escolha pessoal de Jesus, mas sim uma disposição do ouvinte para receber o segredo do Mestre.

Jesus ensina a todos, mas é preciso que o espírito seja digno para conhecer seus ensinamentos, ou seja, é preciso que o espírito se reconheça como tal para compreendê-los. Jesus não ensinou o espírito a viver como ser humano, mas sim a compreender a vida material sob os aspectos espirituais.

Para se entender o que Jesus ensina, é preciso buscar a elevação espiritual e não o sucesso material. Aquele que tiver esta predisposição entenderá as mensagens do Mestre.

“O que tua mão direita fizer, não deixes que a esquerda saiba”

Jesus ensinou que “fora da caridade não há salvação”, ou seja, sem este objetivo nos atos da vida material não existe elevação espiritual. Fazer a caridade é ajudar e apoiar os irmãos em evolução. Desta forma, o ensinamento do Mestre nos diz que se a vida material não for vivida com o sentido de ajudar e apoiar os outros, não existirão conquistas espirituais.

Esta ajuda e apoio, no entanto, não deve se refletir apenas na caridade material, ou seja, dar coisas materiais. Quando Jesus nos afirma que fora da caridade não existe salvação, está utilizando o sentido amplo da palavra.

Aquele que critica, julga, acusa seus irmãos não é caridoso. A caridade deve passar pela “doação da razão” que aprendemos na logia 60. Agir com caridade é praticar a doação moral.

Quem acha que possui outro ser humano não é caridoso. Amar não significa possuir, mas sim se sentir igual ao outro.

Para amar de verdade outro espírito, é necessário que se pratique a caridade sentimental, ou seja, doar a cada um o direito de fazer o que quiser. Aquele que ama de verdade não sente ciúmes nem controla os passos do seu ente querido, pois doa a ele o direito de ser livre.

Porém, Jesus nos coloca mais uma condição para qualquer caridade: não deixar que os outros saibam desta ajuda. O auxílio deve sempre ser praticado de forma a não expor a necessidade do irmão aos outros para não humilhá-lo. Para viver desta forma, o espírito na carne precisa levantar as “quatro âncoras” que o aprisionam.

Estas “quatro âncoras” são os sentimentos que o espírito busca para si. Esses sentimentos provocam a notoriedade material, mas impedem a evolução espiritual.

São elas as quatro âncoras:

ganho ou perda

prazer ou desprazer

elogio ou crítica

fama ou infâmia.

A utilização destes sentimentos nos atos (caridade) levam o espírito à busca do sucesso material e impedem o seu avanço espiritual.

Em qualquer atitude que tome, o ser humano busca “ganhar” algo e tem medo de “perder” algo. Não se está falando só de bens materiais, mas também de bens morais e sentimentais.

Aquele que pratica a caridade não deve nunca se preocupar com o que irá receber em troca do seu gesto, mesmo que esta preocupação não esteja vinculada a um “ganho”. Aquele que pratica a caridade não pode esperar por um “obrigado” ou mesmo uma demonstração de agradecimento pelo ato.

O espírito espera ganhar o elogio que lhe concede fama e traz prazer. Se, no entanto, esse elogio não vem, o espírito se sente difamado com a crítica, o que lhe causa desprazer. Isto tudo porque imagina que fez a caridade em vão, ou seja, “perdeu”.

Quem se preocupa com a reação do irmão que está sendo ajudado é porque não compreende que Deus a tudo vê. Aquele que reconhece a presença de Deus constantemente não precisa receber elogios na vida material, pois sabe que estará recebendo na espiritual. Esperar receber qualquer coisa em troca (elogio) para poder sentir-se feliz (prazer) é buscar o sucesso material (fama) e não o espiritual.

Ganho ou Perda

O sentimento de “ganhar” algo vem da necessidade que o ser humano tem de “possuir” as coisas. Apenas aquilo que o ser humano consegue captar com os sentidos do corpo (ver, ouvir, pegar e sentir sabor, cheiro) é que tem valia para ele. Isto é possuir as coisas.

Quem age assim não compreende que já é dono de tudo, pois é filho do Dono. É a herança que o Pai concede ao filho que determina que ele já é o dono de tudo.

O espírito dentro da evolução “provas e expiações” (maioria dos encarnados e desencarnados do planeta Terra) precisa aprender o “ofício” para que o Pai possa lhe conceder o direito de comandar a “propriedade”. Quando aprender corretamente, não mais o espírito tentará fazer sozinho, mas sempre perguntará ao Pai como fazer, ou seja, buscará a Sua vontade.

Foi o que nos ensinou Paulo na Carta aos Gálatas:

“Quero dizer o seguinte: o filho que vai herdar a propriedade do pai é tratado como empregado enquanto é menor de idade, ainda que seja de fato o dono de tudo. Enquanto é menor, há pessoas que cuidam dele e dirigem os seus negócios até o tempo determinado pelo pai. Assim também nós, antes de ficarmos adultos espiritualmente, fomos escravos dos poderes espirituais que dominam o mundo” (4,1).

A posse de bens (materiais, morais ou sentimentais) é dada ao espírito em evolução como prova para que ele aceite os ensinamentos do Pai, ou seja, não queira comandar o seu próprio destino.

O medo de perder ou a busca por possuir é feita por aquele que não sabe que está aprendendo com o Pai a “viver” (ofício) espiritualmente. Precisa “possuir” para satisfazer-se.

Prazer ou Desprazer

Quando um ser humano busca o seu prazer, normalmente causa desprazer a alguém. Para que um ser humano sinta prazer é necessário que os seus conceitos sejam satisfeitos. No entanto, não existem duas pessoas que possuam o mesmo conjunto de conceitos. Desta forma, alguém sempre será descontentado para que alguém fique contente.

Para elevar-se espiritualmente o espírito necessita sentir felicidade a todo o momento, ou seja, escolher este sentimento para reagir aos acontecimentos da vida. Isto é demonstrar a fé em Deus. Aquele que busca a sua satisfação ou tem medo de ser insatisfeito não reconhece Deus como Causa Primária das coisas, ou seja, não O ama acima de todas as coisas.

Elogio ou Crítica

O instrumento que leva o ser humano ao prazer é ganhar um elogio. Quando o elogio não vem, o ser humano imagina que seu ato não foi aprovado, ou seja, ele foi criticado. Aquele que possui as coisas precisa receber um reconhecimento material do seu trabalho.

Porém, de nada adianta sermos reconhecidos por outros seres humanos, ou seja, por espíritos que ainda possuem conceitos. Este elogio ou crítica será baseado exclusivamente nos conceitos e não em verdades universais.

O real reconhecimento que um espírito espera é Daquele que conhece todas as coisas: Deus. Este reconhecimento, no entanto, não vêm através de elogios, mas sempre em forma de novas chances de aprendizado.

O elogio de Deus não se reflete em dar mais coisas para o espírito possuir (materiais, morais ou sentimentais), mas sim na evolução espiritual. Quando o filho do Dono trabalha bem, ele recebe mais serviços para executar. É da comprovação desta verdade silenciosa que o filho retira a sua felicidade universal que acaba com o prazer material.

Fama ou Infâmia

O ser humano procura ganhar para, além da satisfação, ser apontado como superior (fama). Quando isto não acontece, sente-se difamado, ou seja, inferiorizado aos outros. A fama, sucesso material, é, portanto, a busca da superioridade.

O espírito não pode buscar a fama entre os seus iguais, pois sabe que desta forma não estará agindo com o amor universal. Só agindo com o amor universal o espírito pode elevar-se.

O espírito deve viver para Deus e por Ele para auxiliar seus irmãos. Por isto, quando pratica a caridade compreende que nada teria feito sem o auxílio Dele e sabe que o único que merece o elogio que leva à fama é o Pai. Quando o espírito assim age todos ganham e vivem na felicidade universal dada por Deus.

O evangelho segundo Tomé

Logia 63 - Essência da vida

“063. Disse Jesus: havia um homem rico que tinha muito dinheiro. E ele disse: usarei meu dinheiro para semear, colher e plantar, e encherei meu celeiro de frutas, para que nada me falte. Era isso que ele sentia em seu coração. E naquela noite ele veio a morrer. Aquele que tem ouvidos que ouça”.

“havia um homem rico que tinha muito dinheiro”

Jesus nos ensina, mais uma vez por parábolas, a essência da vida carnal, ou seja, a finalidade das coisas materiais para a obra de Deus. Todas as posses do ser humano são instrumentos que Deus utiliza para as provas que esse espírito vem fazer na matéria densa.

Casa, emprego, dinheiro, roupa, família, amigos, estudo, tudo o que o ser humano possui é dado por Deus para ele como instrumento para que utilize o amor universal para cumprir a Sua lei transmitida por Jesus: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.

“usarei meu dinheiro para semear, colher e plantar, e encherei meu celeiro de frutas, para que nada me falte”

Um emprego não é uma fonte de renda para o ser humano, mas serve como instrumento para a ação de Deus, aplicando a Justiça e o Amor para todos os seres humanos. Um médico não trabalha para curar os outros, mas serve de instrumento para uma materialização da ação de Deus.

Como já vimos neste livro, é Deus que causa todas as coisas. Desta forma não será o remédio que curará uma doença, mas sim o merecimento do doente em se curar é que fará Deus acabar com a doença.

Ele poderia fazer isto (a cura) sem haver necessidade de materialização de nenhum gesto, mas desta forma não haveria merecimento dos espíritos encarnados. Para que o amor a Deus acima de todas as coisas seja verdadeiro, é preciso que o espírito tenha fé.

“Certa mulher que fazia doze anos que estava com hemorragia, veio atrás dele (Jesus) e tocou na barra da sua roupa. Ela pensava assim: se eu apenas tocar na roupa dele, ficarei curada. Jesus virou, viu a mulher e disse: coragem, minha filha! Você sarou porque teve fé” (Mateus – 9, 20)

  Não houve necessidade de nenhum ato de Jesus para que esta mulher fosse curada. Como o Mestre afirmou, foi apenas a fé que a curou, ou seja, a crença e a confiança na ação de Deus através daquele “homem”.

Esta deve ser a essência daqueles que se formam em medicina: servir de instrumento para Deus materializando uma cura para aqueles que têm a fé no Pai. O ser humano que compreende esta verdade servirá de instrumento melhor a Deus e por isso merecerá mais acontecimentos positivos.

A partir do conhecimento de Deus Causa Primária, podemos entender que os seres humanos são espíritos que vivem determinados “papéis” em uma grande “peça”, pois não praticam atos de livre e espontânea vontade, mas sim aquilo que Deus (o Autor) ordena, de acordo com o merecimento de cada um.

Este conhecimento nos mostra que o espírito não vem à carne para vencer as suas provas isoladamente, mas que necessita de todos os demais para isso. Não é através da reclusão que o espírito poderá vencer seus desafios nesta encarnação, mas sim com o relacionamento com os outros espíritos.

É através do serviço a Deus com amor, “temperando” a vida dos outros seres humanos, que o espírito conseguirá vencer as suas prova: esta é a essência da vida. As coisas deste mundo não estão aqui para servirem ao próprio ser humano, mas são instrumentos de Deus para que o espírito responda se viverá para si mesmo ou para a humanidade.

Ninguém veio construir a sua vida, mas sim participar da vida dos outros e deixar que os outros participem da sua. O objetivo (essência) da vida é semear o amor a Deus e ao próximo entre todos.

O “lucro” individual é algo material: é amealhar bens na terra onde os vermes comem e a ferrugem destrói. Somente o sucesso de uma coletividade pode levar ao sucesso individual. Buscar apenas para si pode levar à satisfação pessoal, mas nunca à felicidade universal.

Imaginar que existe uma vida individual e viver para servi-la é amá-la acima de Deus. Aquele que busca objetivos individuais ama mais a si mesmo do que ama a Deus.

 ”E naquela noite ele veio a morrer”

Onde ficam os bens materiais depois que há o desencarne? Como fica a “sua vida” depois do desencarne?

Uma encarnação (vida humana) é apenas um lapso de tempo da vida espiritual. Aqueles que constroem apenas vida material, depois do desencarne ficam sem saber como agir, uma vez que descobrem que todos os bens materiais serviram apenas para aquela vida com suas provas e missões.

Aqueles que têm como sentido de vida a construção da felicidade material (satisfação própria) sentem-se perdidos sem o que construíram durante a existência carnal, pois esta posse não os acompanham depois do desencarne...

A essência da vida não é construir “sua vida”, mas responder a Deus que aprendeu a amá-lo acima de todas as coisas. Aquele que luta para construir um patrimônio (bens materiais, fama, etc.) acaba se afastando de Deus.

A vida do espírito como um todo (encarnado e desencarnado) é para louvar a Deus, ou seja, construir a existência universal. Quando fora da encarnação, ou seja, com a visão espiritual das coisas, o espírito se conscientiza da imensidão maravilhosa da obra do Pai e consegue viver com esta essência. Entretanto, quando na carne, imagina-se o “ser superior”, aquele que consegue “causar e fazer as coisas” e, assim, busca apenas satisfazer a si mesmo.

“Aquele que tem ouvidos que ouça”

Jesus ensina aos espíritos nesta logia que, apesar da auto-visão seres humanos, continuem a viver como seres universais, que amam a Deus acima de todas as coisas, inclusive a si mesmo.

A essência da vida não deve ser procurar construir uma vida material digna, mas viver dignamente como espíritos. A vida material não deve ser compreendida como satisfazer as vontades do ser humano, mas sim passar por todas as situações, quaisquer que sejam, com amor. O sucesso material é perene, encerra-se com o desencarne, mas o sucesso espiritual permanece para sempre.

A vida material precisa ser vivida com valores espirituais e não materiais. A busca de cada espírito encarnado deve ser no sentido de amar as situações criadas por Deus e não de alterá-las porque não gosta, não concorda ou quer outra coisa para si.

É amando cada situação de vida que Deus dá, sem desejar outra coisa, que o espírito consegue o sucesso da sua encarnação. A essência da vida é amar a todas as coisas, independente das suas formas, sem desejar nada além do que já tem.

“Quem tem ouvidos que ouça” e busque a reforma íntima abrindo mão de seus desejos para amar tudo o que Deus lhe dá.

O evangelho segundo Tomé

Logia 64 - Individualismo

“064. Disse Jesus: um homem tinha convidados e quando a ceia estava preparada, enviou o seu servo para avisá-los. Foi ao primeiro e disse-lhe: meu senhor te convida. E ele disse: tenho algumas questões contra alguns comerciantes; eles virão a mim esta noite; devo dar-lhes minhas ordens. Rogo ser escusado de ir cear. Ele foi a outro e disse-lhe: meu senhor te convida. Ele disse: comprei uma casa e eles precisam de mim por um dia. Não terei tempo. E foi a outro e disse-lhe: meu senhor te convida. E ele disse: meu amigo vai casar-se e estou lhe preparando um jantar, não poderei comparecer. Rogo ser escusado do jantar. Ele foi a outro e disse: meu senhor te convida. Ele disse: comprei uma fazenda e vou receber o arrendamento. Não poderei ir. Rogo ser escusado de ir. O servo foi ao patrão e disse: aqueles que convidaste para cear escusaram-se. O patrão disse ao seu servo: vai pelas estradas, traz os que encontrares, para que possam cear. Negociantes e comerciantes não entrarão nos lugares de meu Pai”.

“um homem tinha convidados e quando a ceia estava preparada, enviou o seu servo para avisá-los”

Em mais uma parábola, Jesus nos traz outro importante ensinamento. O “homem” que prepara a ceia é Deus. A “ceia” ou banquete, como em outros ensinamentos está dito, é a felicidade universal.

Os enviados de Deus (servos) são mandados para convidar aos espíritos a participarem do Seu banquete, ou seja, da felicidade universal que existe no reino do céu. Estes enviados não são os santos, apóstolos ou os mestres, mas todos os espíritos encarnados.

Cada ser humano é um enviado de Deus, do qual Ele se utiliza para passar ensinamentos aos outros através dos atos físicos. Portanto, cada ser humano que se relaciona com outro, seja direta ou indiretamente, é um enviado de Deus que convida o outro para participar do “banquete” da felicidade universal.

“Rogo ser escusado de ir cear”

Em cada situação que um espírito participa existe um convite de Deus para que ele alcance a felicidade universal, mas para isso é preciso que o espírito abra mão da sua felicidade individual, ou seja, não utilize os seus conceitos para julgar se o que está acontecendo é “certo” ou “errado”, “bom” ou “mau”, “feio” ou “bonito”, etc.

Quando o espírito utiliza os seus conceitos e reage com eles aos acontecimentos, está pedindo a Deus para não participar do banquete, pois antes de alcançar a felicidade universal ele precisa satisfazer os seus próprios desejos.

“devo dar-lhes minhas ordens”

Antes de participar da felicidade coletiva, o espírito precisa sempre saber o que deverá acontecer para que ele seja feliz.

A felicidade individual (“o que eu quero”) não se compatibiliza com a felicidade universal porque os conceitos são individuais. Desta forma, aquilo que satisfaz a uns, não satisfaz a outros. O espírito que busca esta felicidade quer determinar que prato será servido no banquete do Senhor.

A felicidade universal é uma sensação que deve existir independente de ordens do espírito, ou seja, amar o que está acontecendo e não ter amor porque aconteceu de determinada forma. Para isto é preciso aceitar que qualquer alimento nutre, independente de se “gostar” ou não dele.

 “Não terei tempo”

Muitas vezes o espírito deixa de participar desta felicidade universal por não ter tempo, ou seja, por estar se dedicando a outras coisas. O tempo é uma questão de opção: ele sempre será o mesmo para todos, mas cada um escolhe no que o gastará.

Aquele que não participa do banquete do Senhor é porque está ocupado demais buscando a felicidade individual, ou seja, tentando conquistar objetivos individuais que satisfaçam os seus conceitos.

Deus está sempre chamando os espíritos para participar da felicidade universal, mas eles não conseguem encontrá-la porque não têm tempo para isto: escolhem por gastar o tempo buscando a satisfação pessoal.

“meu amigo vai casar-se e estou lhe preparando um jantar”

A felicidade universal, apesar de originada na felicidade do todo, é individual e não pode ser alcançada apenas com a felicidade alheia, mas sim pela felicidade em ver o outro feliz.

Aquele que busca a felicidade universal apenas satisfazendo os conceitos dos outros por “obrigação”, não conseguirá alcançá-la. É preciso que o espírito faça as coisas por amor, ou seja, mantenha a sua própria alegria.

Quando um espírito sente-se obrigado a fazer determinada coisa, mesmo que o ato seja amoroso, ele não estará participando da felicidade universal. Esta obrigação não surge da consciência do amor, mas é gerada por um conceito que “obriga” o espírito a agir de determinada forma.

Para se participar do banquete do Senhor é necessário que se tenha a consciência do amor universal.

“comprei uma fazenda e vou receber o arrendamento”

Aquele que tem a consciência do amor universal e participa da felicidade universal não espera retribuições por seus atos, pois não pratica atos esperando retribuição e não tem outro objetivo a não ser proporcionar a todos a chance de também serem felizes.

Enquanto o espírito estiver preso às Quatro Âncoras (ver logia 62) não conseguirá participar da felicidade universal.

“aqueles que convidaste para cear escusaram-se”

Deus convida a todos para participar da felicidade universal, mas poucos aceitam, pois participar desta felicidade é abrir mão do individualismo, ou seja, da satisfação individual.

O espírito que quiser servir a Deus não pode servir a ele mesmo, ou seja, não pode ter outros objetivos na sua existência que não seja este. Para se banquetear com Deus o espírito precisa abrir mão de todos os seus desejos e vontades individuais.

Todo espírito possui uma individualidade, ou seja, traços espirituais (conjunto de sentimentos) que o caracterizam. Entretanto, esta individualidade não pode gerar um individualismo, ou seja, criar objetivos individuais.

Enquanto o espírito possuir o individualismo será necessário satisfazer os seus conceitos para que ele alcance a felicidade e esta felicidade será individual, ou seja, um prazer.

Alcançar a reforma íntima (eliminar os conceitos) é acabar com o individualismo que o espírito vive. Quando isto acontecer ele participará do todo universal, pois seus objetivos não mais serão individuais, mas coletivos.

“traz os que encontrares, para que possam cear”

Todos aqueles que não tiverem individualidade (possam cear) participarão da felicidade universal: esta é a promessa de Deus.

Quando o individualismo não estiver mais presente não será necessário que o acontecimento ocorra de determinada forma para que o espírito seja feliz, pois em tudo que acontecer ele encontrará felicidade.

Ter individualidade é esperar que o acontecimento satisfaça o ser humano para ele ser feliz. O espírito, aquele que participa da felicidade universal, não busca satisfações materiais, mas alegra-se com todos os acontecimentos, pois reconhece em tudo a presença do Pai.

Ser espírito é participar de um todo universal, buscar a felicidade a partir da felicidade de todos.

O espírito não quer nada, mas encontra felicidade em tudo.

Quando assim agir, o espírito terá alcançado a real fé, ou seja, a confiança e entrega absoluta nas mãos de Deus. Enquanto tiver desejos individuais, sempre os colocará acima dos desígnios de Deus.

“Negociantes e comerciantes não entrarão nos lugares de meu Pai”

Por isto Jesus chama a estes de negociantes ou comerciantes, ou seja, aqueles que buscam negociar o amor a Deus em troca de favores pessoais. Os seres humanos condicionam o amor a Deus ao recebimento de satisfações.

Se um ser humano recebe aquilo que quer, diz que está feliz e que ama a Deus, mas se não recebe, acusa o Pai de ser injusto, de promover maldades com ele. Não há uma entrega a Deus, mas uma “negociata”.

Isto ocorrerá ao espírito encarnado enquanto ele for individualista, ou seja, tiver conceitos que precisam ser satisfeitos para que a “felicidade” seja alcançada.

Para banquetear-se com o Senhor, participar da felicidade universal, o espírito necessita não ter outros compromissos. Precisa estar sempre à disposição de Deus.

A fome, a doença e os problemas são o banquete que Deus oferece a cada um dos espíritos. É através da reação a cada uma destas situações que o espírito participará ou não da felicidade universal. Quando o espírito ama a Deus, entende que estas situações foram projetas por Ele para que ocorra a elevação espiritual.

Quando ainda se busca a satisfação individual (fim da fome, saúde e situações que contemplem os conceitos), o espírito procura satisfazer-se apenas. Esta busca representa uma negociação com Deus: me dê que eu lhe dou.

Deus não pode dar, ou ceder a estas chantagens, porque não seria justo com o espírito. Todos devemos evoluir e estas situações são necessárias para o crescimento de cada um.

Lembremo-nos de que Jesus nos ensinou que Deus dá a cada um de acordo com a sua necessidade e merecimento.

Quando o espírito alcançar o entendimento dos atributos de Deus (Causa Primária, Inteligência Suprema, Justiça Perfeita, Amor Sublime) poderá então participar do banquete do Senhor. Para isto, entretanto, será necessário amar a Deus acima de todas as coisas, ou seja, acima de seus “desejos” e “vontades” (acima do seu individualismo).

O evangelho segundo Tomé

Logia 65 - Os necessitados

“065. Ele disse: um homem honesto tinha uma vinha. Ele deu a uns agricultores para que trabalhassem nela e pudessem receber os frutos. Mandou seu servo para que os agricultores lhe dessem os frutos da vinha. Eles prenderam seu servo, bateram-lhe; mais um pouco e o teriam matado. O servo foi e contou ao seu senhor. E o senhor disse: talvez não o reconhecessem. Ele mandou outro servo; os agricultores bateram nele também. Então, o dono mandou seu próprio filho. Ele disse: talvez respeitem meu filho. Assim que aqueles agricultores souberam que era o herdeiro da vinha, sujeitaram-no e o mataram. Aquele que tem ouvidos que ouça.”.

“um homem honesto tinha uma vinha”

A humanidade na época em que Jesus viveu encarnado vivia basicamente da agricultura e da criação de animais. Existiam algumas outras atividades, mas a economia baseava-se quase que exclusivamente nestes dois pilares. Na região onde o Mestre viveu encarnado a plantação de uvas (vinha), era a base da economia.

Pela afirmação de Jesus no início desta parábola, podemos entender que ele está falando de um homem que possuía algo que servia de base de sustento para a vida. Entretanto, sabemos que Jesus sempre usava figuras para passar os seus ensinamentos.

Desta forma podemos entender o homem, o proprietário, como Deus, ou seja, aquele que realmente possui todo o universo. Deus possui a fonte de sustentação da vida, ou seja, o amor universal. É este sentimento que emana de Deus que dá a vida a todas as coisas do universo.

“Ele deu a uns agricultores para que trabalhassem nela e pudessem receber os frutos”

Deus dá o amor universal a todos os seus filhos e espera que eles “trabalhem” este amor para que ele gere frutos, ou seja, espera que seus filhos utilizem este amor em sua vida para que se seja mantido no todo a felicidade universal.

Esta sensação (felicidade universal) é o fruto do amor universal. Aquele que se nutre deste sentimento vive em harmonia, paz e alegria constantes.

“Mandou seu servo para que os agricultores lhe dessem os frutos da vinha”

É por ser o dono da “fazenda” que Deus manda seus servos receberem a parte que lhes cabe da colheita, ou seja, coloca aqueles que precisam do amor frente àqueles que receberam o fruto da vida de Deus.

Os servos de Deus que vêm receber a parte do Pai são aqueles que precisam de ajuda (alegria, compaixão e igualdade). Deus os coloca frente àqueles que a quem Ele deu o direito de “explorar” a vinha com a intenção de que estes “agricultores” entreguem para o servo a parte que Deus mandou.

“Eles prenderam seu servo, bateram-lhe; mais um pouco e o teriam matado”

O servo do Senhor, ou seja, aquele que necessita de ajuda, é alguém que não vive com amor. São as pessoas que vivem à margem da lei de Deus e são eles que Deus encaminha para os “agricultores” que exploram a vinha (vivem dentro da lei de Deus) com a intenção de que eles recebam parte da colheita do fruto da vida.

No entanto, estas são as pessoas que os arrendatários da fazenda do Senhor mais maltratam. Ao invés de serem amados são criticados, acusados pelos atos que praticam.

Jesus disse que se deve amar a todos e não que devemos amar apenas aqueles que estejam dentro da lei.

Amar a todos é manter a alegria sempre. Quando um ser humano se indigna, quando sofre vítima de um roubo, adultério, assassinato ou ainda quando vê alguém cometer a idolatria (mesmo que seja a ele mesmo) está negando o amor que Deus deu a ele.

Quando um ser humano julga e acusa, mesmo que o outro esteja ferindo “leis”, não está utilizando a compaixão, ou seja, está causando ferimentos.

Quem está ferindo as leis de Deus não precisa de acusações mas de mais amor para que possa voltar a “viver”.

Aquele que acusa está sempre se sentindo superior ao acusado e, com isto, destrói todo o amor que o outro precisa. Somente quem compreende a vida a partir das verdades espirituais entende que todos os espíritos estão em evolução e por isso são iguais.

Lembremo-nos da parábola da ovelha perdida:

“Cuidado para não desprezarem nenhum destes pequeninos. Eu afirmo a vocês que os anjos deles estão sempre na presença do meu Pai que está no céu”.

“O que é que vocês acham? Se um homem tem cem ovelhas e uma delas se perde, o que é que ele faz? Deixa as noventa e nove pastando no monte e vai procurar a ovelha perdida” (Mateus – 18, 10).

Aquele que critica os que quebram as “leis” abandona a ovelha e segue apenas com as outras. Mas, quantas ovelhas ele terá que deixar no caminho?

Entregar a Deus parte da Sua vinha é amar a todos sem distinção alguma. Os anjos dos que quebram a lei estão sempre na presença de Deus mostrando a Ele que o seu “protegido” foi ferido por aqueles que estão explorando a vinha.

“Ele mandou outro servo; os agricultores bateram nele também”

Deus, no entanto, é justo e sempre concede uma nova chance aos seus filhos. Várias são as situações pelas quais o espírito passa onde ele vê pessoas necessitadas, ou seja, aqueles que precisam receber o amor. É esta sucessão de “provas” que forma uma encarnação.

A vida na carne (encarnação) não é um descanso para o espírito que não vem aqui de férias ou a passeio, mas para “trabalhar” (Terceira verdade Universal).

Jesus nos ensinou: “Não vim para os sãos, mas para os doentes”.

Todas estas situações que se sucedem compõem a vida carnal. Em cada uma das pessoas que quebram “leis” encontraremos uma ”prova”.

Quando falamos de “leis” não estamos apenas nos referindo às leis de Moisés ou às leis da justiça terrena, mas também às leis individuais, ou seja, aos conceitos que cada ser humano possui. Quando uma pessoa faz alguma coisa “errada”, ela se transforma numa transgressora das leis de quem apontou o erro.

A estes “transgressores” que devemos entregar a safra da vinha do Senhor. O ser humano deve amar aquele que discorda dele, aquele que o contraria, os servos de Deus que vêm buscar a parte do Dono da fazenda.

O espírito não vem à carne para fazer o que quer ou estar com quem gosta, mas vem para viver com os necessitados, ou seja, aqueles que contrariam os seus conceitos...

“Se vocês amam somente aqueles que os amam, por que esperam alguma recompensa de Deus? Até os cobradores de impostos ama aqueles que os amam! Se vocês falam somente com os seus amigos, o que é que fazem de mais? Até os pagãos fazem isso! Portanto, sejam perfeitos em amor, assim como é perfeito o Pai de vocês, que está no céu” (Mateus – 5, 46)

Todos os espíritos encarnados são necessitados de amor, porque senão não estariam encarnados. Esta etapa que os espíritos do planeta Terra estão vivendo é a do conhecimento e busca da interiorização do amor universal. Portanto, acusar alguém de alguma coisa “errada” é dizer que esta pessoa é inferior, o que não é verdade, pois todos do planeta Terra precisam de muito amor.

Para receber este amor, é preciso dá-lo antes.

“Então, o dono mandou seu próprio filho. Ele disse: talvez respeitem meu filho”

Todos os espíritos são filhos de Deus e, por isto, não podemos entender aqui que o dono da vinha tenha mandado alguém específico.

Apesar de sermos todos filhos, a maioria dos espíritos encarnados não entende desta forma. Imaginam que são seres humanos, independentes de Deus. Acham que são os causadores das coisas universais.

Para se reconhecer como filho de Deus, é preciso que o espírito ame ao Pai acima de todas as coisas, inclusive da comprovação material do Seu comando sobre as coisas.

Nesta parábola, quando Jesus afirma que o dono mandou seu próprio filho, está falando das almas santas ou benditas, ou seja, espíritos que já interiorizaram o amor universal, mas que aceitam encarnar neste planeta para auxiliar os irmãos em processo de evolução. São espíritos que encarnam para vivificar a vida espiritual na carne e não buscam objetivos materiais, não possuem coisas materiais, mas vivem na felicidade universal.

“Assim que aqueles agricultores souberam que era o herdeiro da vinha, sujeitaram-no e o mataram”

Mesmo os filhos de Deus são atacados pelos agricultores. São chamados de “bobos”, “sonhadores” ou ainda de “fanáticos”. Bobos porque não buscam levar vantagens; sonhadores porque vivem acreditando no futuro onde todos se amarão e fanáticos porque têm “grande dedicação ou amor a algo” (Mini Dicionário Aurélio – 3a. Edição).

Porém, mesmo as almas santas ou benditas não podem levar a colheita que vieram buscar. Aqueles que buscam apenas o sucesso da vida material (satisfação pessoal) (agricultores) atacam e acusam os que vivem pela felicidade universal porque sabem que um dia terão que abrir mão da vinha em que estão, pois ela pertence, por sucessão hereditária, àqueles que são filhos do dono.

O evangelho segundo Tomé

Logia 66 - Pedra angular

“066. Disse Jesus: mostra-me a pedra rejeitada pelos construtores; é a pedra angular”.

Para compreendermos as parábolas de Jesus, muitas vezes temos que voltar no tempo, pois Ele falava para os homens daquela época, utilizando-se de exemplos que vivenciados.

No tempo de Jesus, não existiam tijolos. As casas eram construídas com pedras sobrepostas umas às outras. No espaço entre elas, os povos antigos passavam uma massa que as unia e ao mesmo tempo evitava a entrada da água da chuva.

No entanto, esta massa muitas vezes deixava a desejar na impermeabilização e, por isto, as pedras deveriam se encaixar o máximo possível uma nas outras para evitar grandes frestas. Assim, as pedras eram escolhidas pelo seu melhor encaixe com outras. As pedras que não se encaixavam eram rejeitadas, ou seja, não eram utilizadas na construção da casa.

“mostra-me a pedra rejeitada pelos construtores”

Como já vimos, os ensinamentos de Jesus são no sentido que o espírito construa sua evolução espiritual. Por outros ensinamentos do Mestre, entendemos que esta construção se faz por meio do relacionamento do espírito com os outros espíritos encarnados.

Os espíritos sempre dividem seus relacionamentos entre “amigos” e “inimigos”. Os primeiros são aqueles que possuem conceitos semelhantes aos seus, ou seja, aqueles que possuem “idéias” parecidas. Os “inimigos” são aqueles que, ao contrário, não possuem conceitos semelhantes ao do espírito.

Aos primeiros, o espírito procura sempre, mas ao segundo grupo, ele rejeita a presença. É a esta rejeição que Jesus está tratando neste ensinamento.

“é a pedra angular”

A pedra angular era aquela que ficava na base do ângulo formado por uma parede e o chão. Sua importância era grande, pois ela sustentava todo o peso da parede. Esta pedra tinha que ser escolhida com muita atenção e, normalmente, era a primeira a ser escolhida. A escolha das outras sempre dependia do seu encaixe na pedra angular.

Voltando ao ensinamento do Mestre, podemos entender esta parábola: aquele que o ser humano rejeita como “inimigo” é o que deve ser “ouvido” primeiro, pois é a sustentação da evolução do espírito.

Temos estudado que a base para a evolução espiritual está no fim do individualismo, ou seja, no fim dos conceitos que o espírito possui. Somente quando ele não tiver mais conceitos que o faça agir em benefício próprio, conseguirá penetrar no reino do céu e viver na felicidade universal.

A importância do “inimigo” para este processo é preciosa, pois é ele quem mostra ao ser humano a existência dos seus conceitos. Quando alguém pratica um ato (físico ou oral) contrário à idéia do ser humano, está avisando: “Você ainda acha isto certo e aquilo errado”. Esta é a grande importância do “inimigo”: mostrar ao ser humano que ele ainda possui verdades individuais.

Na verdade o “inimigo” é direcionado por Deus (Causa Primária) para praticar um ato sob determinada forma na frente de uma pessoa justamente para isso: avisá-la o que deve ser mudado. O “inimigo”, portanto, é um enviado de Deus para transmitir um ensinamento a um ser humano.

Um ser humano só sabe que possui cores preferidas quando alguém o expõe a todas as cores. Se vivesse em um mundo onde só existissem suas cores preferidas, nunca iria saber se essas eram realmente suas preferidas e diria sempre que amava “todas” as cores. O inimigo de um ser humano é aquele que expõe a ele o seu “não gostar”, ou seja, o “errado”, o “mal”, o “feio”, as “outras cores”...

Se a vida carnal do espírito consiste em provas para que ele responda apenas com o amor, o “não gostar” de alguma coisa, é a reprovação. Por isto, o inimigo do ser humano é a “pedra angular” desta construção.

O evangelho segundo Tomé

Logia 67 - Causa Primária

“067. Disse Jesus: Todo aquele que conhece o Todo, mas não conhece a si próprio, a este falta tudo”.

Este ensinamento de Jesus é muito parecido com outro transcrito nos evangelhos canônicos além de ser uma máxima filosófica. Já na antiguidade um filósofo afirmava: “conhece-te a ti mesmo”.

“Todo aquele que conhece o Todo”

O ser humano aprofunda os conhecimentos nas coisas materiais. Descobre o funcionamento do corpo físico, remove montanhas ou as atravessa, constrói “espigões” que permanecem eretos, desvenda alguns segredos do universo. Apesar de todo este conhecimento, existe a “fatalidade”, ou seja, acontecimentos aos quais o ser humano não sabe atribuir a origem.

A cada nova descoberta, o ser humano imagina que chegou no âmago do assunto. Esta idéia dura até que nova descoberta ponha mais elementos no assunto e aquilo que era verdade absoluta, acaba se transformando em uma verdade relativa. A Terra já foi plana com bordas das quais se caía para o vazio e já foi o centro do universo em torno da qual outros astros, como o próprio sol, giravam.

As doenças tinham causas diversas até que se descobriu o mundo microscópio das bactérias, vírus, etc. Hoje começa-se a compreender que estes micróbios atacam não somente por acaso, mas que existe uma propensão a determinadas doenças já traçadas no DNA.

Sempre que a ciência consegue comprovar o funcionamento de determinadas coisas, logo depois novas descobertas provam que aquilo que se descobriu ainda não era a “verdade absoluta”. Além disto, muitas vezes as descobertas não produzem o efeito esperado, pois para tudo que existe materialmente há uma “causa primária”.

“07 – Poder-se-ia encontrar a causa primeira da formação das coisas nas propriedades íntimas da matéria?”

“Mas então qual seria a causa dessas propriedades? É preciso sempre uma causa primeira.”

“Atribuir a formação das coisas às propriedades íntimas da matéria seria tomar o efeito pela causa, porque essas propriedades são elas mesmas um efeito que deve ter uma causa”. (Livro dos Espíritos)

O ser humano não busca a causa primária além das próprias coisas materiais: atribui esta causa ao próprio elemento. No entanto, sempre fica a pergunta: como o efeito surgiu pela primeira vez? O cálcio ajuda na formação dos ossos, mas o que causou este efeito primariamente?

“08 – Que pensar da opinião que atribui a formação primeira a uma combinação fortuita da matéria, isto é, ao acaso?”

“Outro absurdo! Que homem de bom senso pode olhar o acaso como um ser inteligente? Aliás, que é o acaso? Nada”. (Livro dos Espíritos)

O ser humano pesquisa todos os “causadores” das doenças (vírus, bactérias, etc). Quando os conhece consegue desenvolver remédios que os combatem, eliminando com a doença. No entanto, o remédio tem cem por cento de eficácia, ou seja, cura todas as pessoas que estão acometidas do mesmo mal?

Quando o efeito não é o mesmo estudado, o ser humano atribui este resultado diferente ao “acaso”, “sorte”, “azar” e nunca imaginou que estas doenças, vírus, bactérias, não são inteligentes... Nada existe no universo por acaso e sempre ocorre o equilíbrio perfeito entre tudo.

“09 – Onde se vê, na causa primeira, uma inteligência suprema e superior a todas as inteligências?”

“Tendes um provérbio que diz isto: pela obra se reconhece o artífice. Pois bem! Olhai a obra e procurai o artífice. É o orgulho que engendra a incredulidade. O homem orgulhoso não vê nada acima dele e é por isso que ele se chama de espírito forte. Pobre ser, que um sopro de Deus pode abater”! (Livro dos Espíritos)

Apenas quem possui a Inteligência Suprema do Universo pode ser a causa primária de todas as coisas para que o equilíbrio universal se mantenha. Sempre que o homem busca ser a causa primária das coisas, acontece o desequilíbrio. É por este motivo que a resposta da espiritualidade a Kardec sobre o que é Deus foi: “Deus é a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas”. A resposta é bem clara: Deus é causa primeira de todas as coisas porque possui a Inteligência Suprema do Universo.

É Ele que causa as coisas no universo, mas sempre baseado nos seus atributos, ou seja, Justiça Perfeita e Amor Sublime. A causa sendo comanda por estes atributos mantém o equilíbrio do universo.

Quando se fala em causa primeira das coisas, alguns seres humanos já aceitam que Deus o seja, mas somente nos outros elementos universais: mineral, líquido, gasoso e vegetal. Para ele (ser humano) não aceita esta verdade, pois se considera “inteligente”, ou seja, com capacidade para governar as coisas e “sua vida”.

O ser humano imagina que pode controlar a natureza, as doenças, o destino. No entanto, sempre acontecem as “fatalidades”, ou seja, efeitos contrários ao que ele quis ou planejou. Apesar disto, não se rende às evidências e busca a causa primária das coisas nele mesmo.

Se o ser humano pudesse realmente ser o “causador” dos acontecimentos, o destino de cada um seria apenas o que ele projetasse: não existiriam mais “tragédias”, não aconteceriam mais “desastres” nem acontecimentos contrários aos seus desejos.

Na verdade, o Comandante de todas as coisas do universo é Deus. O homem não possui o conhecimento suficiente das essências universais para que possa causar acontecimentos sem quebrar o equilíbrio (justiça) universal. É preciso que o Pai dirija os seus atos para que ele não utilize seus conceitos para ferir quem não merece.

“mas não conhece a si próprio,”

O espírito não chegou a esta consciência porque não conhece a si próprio. Imagina-se como um corpo vestido (ser humano) e que o mundo material é autônomo do desejo do Pai. Para que ele conheça o universo é preciso, primeiro, que ele se reconheça como espírito.

“17 – É dado ao homem conhecer o princípio das coisas?”

“Não. Deus não permite que tudo seja revelado ao homem neste mundo” (Livro dos Espíritos)

Deus não permite que o ser humano tenha comprovações das verdades universais porque assim a sua prova não seria executada corretamente. Um dos objetivos da encarnação é comprovar a fé que o espírito tem no Pai.

Para isto ele tem que crer sem ver, ou seja, confiar e entregar-se ao Pai sem comprovações materiais. Exigir de Deus estas comprovações é subordiná-Lo ao espírito, satisfazer a individualidade de cada um, quando a evolução espiritual se dá pela perda desta individualidade.

 “Quanto mais é dado ao homem penetrar nesses mistérios, mais cresce sua admiração pelo poder e sabedoria do Criador; mas, seja por orgulho, seja por fraqueza, sua própria inteligência o faz joguete da ilusão. Ele amontoa sistemas sobre sistemas e cada dia que passa lhe mostra quantos erros tomou por verdades e quantas verdades rejeitou como erros. São outras tantas decepções para o seu orgulho”. (Livro dos Espíritos – perg. 19)

Somente o espírito, aquele que não possui conceitos ou individualidades a serem satisfeitos pode entregar o comando de sua vida nas mãos de Deus e aceitar uma existência (vida material) destinada a servir de instrumento para que o equilíbrio universal (justiça) se mantenha.

“18 – Um dia o homem penetrará o mistério das coisas que lhe estão ocultas?”

“O véu se levanta para ele á medida que se depura; contudo, para compreender certas coisas, precisa de faculdades que ainda não possui”. (Livro dos Espíritos)

Reconheça-se como espírito e o Todo lhe será revelado.

O evangelho segundo Tomé

Logia 68 - Felicidade universal

“068. Disse Jesus: Felizes sereis vós quando vos odiarem e vos perseguirem; e não havereis de encontrar um só lugar onde não sereis perseguidos.”

Neste estudo temos visto com insistência que a recompensa daquele que viver apenas com o amor universal é a felicidade universal. Este sentimento é desconhecido do ser humano e, por isso, nesta logia vamos abordá-lo com mais profundidade.

INTERAÇÃO UNIVERSAL

Todas as coisas do universo agem entre si, ou seja, sempre que existe uma causa, o efeito será sentido por todas as demais coisas do universo. Por menor que seja um movimento (material ou não), provocará efeitos em todo o universo.

O simples mexer de uma mão provoca o deslocamento do ar que ocupa todos os lugares chamados “vazios” do planeta. Como uma onda, este deslocamento percorrerá espaços infinitos, mexendo com o ar que existe nestes lugares.

Mesmo o pensamento (gesto imaterial) propaga-se pelo universo e, apesar de não ser detectado por outras pessoas, vagueia pelo universo interferindo no pensamento de outras pessoas.

TODO UNIVERSAL

Por este motivo, não podemos tratar as coisas universais particularmente, pois isto não é possível. O universo é um todo coletivo, cuja história é formada pelos atos individuais.

Quando falamos que a evolução espiritual está na perda dos conceitos que levam à individualidade, observamos justamente este aspecto do universo. É preciso a compreensão de maneira que cada movimento (material ou não) busque a satisfação do todo e não apenas a satisfação individual.

SATISFAÇÃO PESSOAL

Quando o ser humano se deixa guiar pelos seus conceitos, busca a sua própria satisfação, pois, como já vimos, não existe no universo outro espírito com o mesmo conjunto de conceitos que serão supridos com aquele ato.

O espírito precisa amar a Deus acima de todas as coisas para poder gerar atos dentro de Suas leis. Para se viver desta forma é preciso amá-Lo acima sua própria vontade. Quando o espírito ama a Deus acima de tudo, sempre “pergunta” a Ele que Ele quer que seja feito, desta maneira causando os movimentos necessários para outros espíritos (interação).

Quando o espírito ama a si mesmo acima de tudo (individualismo), pode causar acontecimentos que não sejam justos para outros. Por este motivo, enquanto ele não souber o que deve causar é necessário que Deus seja a causa primária dos seus movimentos.

FELICIDADE UNIVERSAL

A felicidade universal, portanto, não é promover acontecimentos que tragam a satisfação pessoal, mas aceitar todos os acontecimentos como causados por Deus. A felicidade universal vem do amor a Deus acima de todas as coisas, ou seja, a aceitação de que o universo existe como um todo coletivo e que é comandado por uma Inteligência Suprema que age sempre com a Justiça Perfeita e o Amor Sublime.

O espírito individualista se coloca à parte do universo, pois não compreende a interação das coisas e, por isso, não imagina que seus atos refletirão no todo. Busca o seu individualismo como forma de se satisfazer, mas não vê que esta sua satisfação causa sofrimento aos outros.

Para se ter a felicidade universal é preciso que o espírito viva para o todo universal e não apenas para si mesmo. Seus atos e os acontecimentos de sua existência deverão produzir uma felicidade em todos e não apenas em si mesmo.

O espírito que vive com a felicidade universal (reino do céu) aceita Deus como Causa Primária das coisas, não discute com os acontecimentos, mas entende que eles são perfeitos pela origem que os causou; sabe que só recebe o que merece, mesmo que desconheça a origem do seu merecimento (positivo ou negativo), confia no Pai que dá a cada um de acordo com suas obras e entende que aquele merecimento não é um castigo ou prêmio, mas fruto de um Amor Sublime que só quer o melhor para o todo.

INSTRUMENTO DE DEUS

Deus causa todas as coisas através dos espíritos. Eles são porta-vozes de Deus para levar o ensinamento merecido e necessário para os outros.

É desta visão de servir ao todo coletivo que o espírito tem que buscar o sentimento necessário para viver na felicidade universal.

A felicidade universal nasce do amor a Deus acima de todas as coisas, na oferenda maior que cada um deve fazer ao Pai: sua própria existência.

Enquanto o espírito se considerar ser humano, autônomo do todo espiritual, não conseguirá entregar-se a Deus e criará um universo onde seja ele o comandante das coisas.

“Felizes sereis vós quando vos odiarem e vos perseguirem e não havereis de encontrar um só lugar onde não sereis perseguidos”

Aqueles que vivem com esta felicidade universal não sofrem com os acontecimentos do mundo, pois sabem que os envolvidos estão servindo de instrumento ao Pai para que o todo espiritual evolua. Por isto Jesus afirma que será feliz aquele que for odiado e perseguido.

Quanto maior o grau de evolução de um espírito, mais vezes ele será utilizado por Deus para levar o ensinamento àqueles que mais precisam. É através do amor que o espírito continuará a sentir que a mudança do outro poderá se fazer mais rapidamente.

Ter o amor universal não significa que todos os acontecimentos da vida do espírito serão felizes, mas que ele encontrará a felicidade nos acontecimentos, sejam quais forem. Esta felicidade que o espírito sente quando passa por situações de sofrimento vem do amor que dedica ao Pai, o causador da situação. Na fé, ou seja, entrega e confiança absoluta em Deus, o espírito retira a convicção de que está sendo útil ao todo coletivo.

“Sinto agora uma grande aflição. O que vou dizer? Direi: Pai, livra-me desta hora de sofrimento? Não, pois foi para isto que eu vim. Pai glorifica o teu nome!”

“Então veio uma voz do céu dizendo: Eu já glorifiquei o Meu nome e continuarei a glorifica-Lo”. (João – 12, 27)

Jesus foi o espírito mais puro que encarnou neste planeta. Se um espírito acha que por praticar o amor universal só terá acontecimentos que ele imagina “felizes” (satisfaçam sua individualidade), Jesus deveria ter tido apenas momentos majestosos. Entretanto, não foi isto que aconteceu.

Jesus passou por sofrimentos, humilhações, maus tratos, mas permaneceu feliz em todos os momentos, pois sabia que estava glorificando o nome de Deus, ou seja, amando-o acima dos acontecimentos materiais. Manteve-se feliz porque sabia que com aquela situação estaria criando oportunidades para que outros espíritos evoluíssem.

“Meu reino não é deste mundo! Se ele fosse deste mundo os meus seguidores lutariam para eu não ser entregue aos judeus. Mas o fato é que meu reino não é deste mundo! (João – 18, 36)

O ser humano busca em todos os acontecimentos da vida utilizar os sentimentos que compõem as Quatro Âncoras (Logia 62), mas o espírito busca apenas glorificar o nome de Deus. O espírito não precisa ser satisfeito, pois obtém a felicidade apenas por satisfazer a Deus.

Portanto, a felicidade universal não é alcançada com a satisfação nos acontecimentos, mas sim pela essência destes: amar a Deus acima de todas as coisas.

O evangelho segundo Tomé

Logia 69a - Auto acusação

“069a. Felizes daqueles que forem perseguidos em seu coração; estes são os que na verdade conhecem o Pai.”.

Neste ensinamento Jesus volta a falar do ensinamento “amar a Deus sobre todas as coisas”. Tanto o texto da logia anterior como este também são apresentados nos evangelhos canônicos sob o título de Sermão da Montanha.

As bem-aventuranças como ficaram conhecidos os oito ensinamentos que iniciaram este discurso de Jesus são um “guia” que Jesus deixou para os seres humanos alcançarem a felicidade universal. Aquele que viver sob os parâmetros destes ensinamentos participarão do reino de Deus, ou seja, da felicidade universal.

“Felizes daqueles que forem perseguidos em seu coração”

Na logia anterior Jesus afirmou que aqueles que passassem por maus tratos físicos sem sofrimentos viveriam com a felicidade universal. Neste ensinamento Ele nos fala que aqueles que forem perseguidos em seu coração, também viverão com a felicidade universal.

O coração, como já falamos, simbolicamente é a sede dos sentimentos. Assim, podemos entender que Jesus nos fala das perseguições que sofrerão aqueles que vivem com o amor universal.

Quando um espírito busca elevar-se, ou seja, praticar atos que reflitam o amor universal, passa a ser alvo da observação de todos aqueles que não estão dispostos a trocar a sua satisfação pessoal pela felicidade universal. Seus atos são medidos e pesados para ver se estão de acordo com os preceitos do amor universal.

Quando um espírito que busca a elevação espiritual pratica um ato que não reflita a alegria, compaixão e igualdade, aqueles que não querem abrir mão de suas verdades o acusam, apontando erros e falhas no seu proceder.

Este procedimento visa desestabilizar o espírito na sua busca da elevação, comprovando que nenhum ser humano pode alcançar a prática do amor universal. Estas acusações podem levar o espírito a se auto-acusar e a abandonar a busca. Por isto o primeiro ensinamento de Jesus foi: “Aquele que procura, não cesse de procurar até quando encontrar” (logia 002).

No universo só existe a Perfeição (Deus). Nenhum outro espírito será perfeito porque senão seria um “deus”.

A vida do espírito é um caminhar constante com a certeza que um dia tropeçará nos “buracos da estrada” e cairá. Neste momento ele deverá levantar-se rapidamente e continuar a sua caminhada com uma única certeza: cairá novamente e se levantará da mesma forma.

Portanto, muitas vezes o espírito buscará o amor universal para reagir aos acontecimentos, mas não o encontrará. Muitos que gostam de criticar, aproveitar-se-ão destes momentos para induzir o espírito a novas “caídas” e, com isso, afastá-lo do caminho estreito que leva ao Pai...

No livro “Jesus no lar” estão narradas diversas conversas de Jesus com os seus discípulos que não foram registradas em evangelhos. Entre estas o autor espiritual nos transmite um belíssimo ensinamento. O Mestre conta a história de um espírito na carne temente a Deus e que vive com o amor universal. Por diversas vezes os espíritos que ainda não alcançaram esta condição buscam tirá-lo deste caminho. Promovem situações de sofrimento com ele, com a família e com os amigos, mas nada abala a fé do homem crente em Deus. Um dia, porém, estes espíritos começam a mostrar a este homem os seus “erros”. Neste momento ele sente-se envergonhado de seus atos, não mais digno do serviço a Deus e recolhe-se ao seu quarto até desencarnar.

É a este ataque que Jesus está se referindo nesta logia. A auto-acusação que o espírito faz a si mesmo é que destrói a busca da evolução.

Para se alcançar a felicidade universal é preciso saber que a perfeição jamais será alcançada e que ele e todos os outros serão sempre espíritos em desenvolvimento e, portanto, sujeitos a momentos onde não utilizarão o amor universal.

“estes são os que na verdade conhecem o Pai”

Mesmo quando o espírito praticar atos que não reflitam o amor universal não terá havido “erro”. Todos os ensinamentos de Jesus nos levam a entender que todos os atos humanos são comandados por Deus para que aconteçam frente a quem precisa e merece recebê-los. Desta forma, um ato aparentemente negativo é positivo, pois foi direcionado a quem deveria recebê-lo.

Ninguém faz nada errado: nem os outros nem você. Todos os acontecimentos universais são administrados por Deus para que aconteçam apenas àqueles que precisavam daquele ensinamento. Por isto, a auto-crítica pela prática de algum ato é a negação de Deus Causa Primária.

Para se viver a felicidade universal é necessário que o espírito conheça o funcionamento do universo e o aplique em todos os momentos e situações. De nada adianta o espírito desculpar os atos dos outros como justos e necessários para ele mesmo: é preciso que também veja desta forma aqueles atos que pratica. Reagir com amor a qualquer ato que pratique, sem auto-acusação é servir de instrumento para Deus, gozando, assim, da felicidade universal.

Mesmo Jesus praticou atos que não espelhavam o amor universal. Por diversas vezes acusou os apóstolos de falta de humildade e de fé, expulsou os comerciantes do templo sob chicote. No entanto, não foi por isso que se sentiu menos digno da missão que veio executar. Ele sabia que todos os seus atos durante a encarnação eram dirigidos por Deus para aqueles que precisavam e mereciam e entregava-se totalmente ao Pai.

A crítica é a arma daquele que não quer abrir mão da sua individualidade, do seu querer, para aceitar a vontade de Deus. A auto-acusação é a arma daquele que quer ser “deus”, ou seja, perfeito.

Aquele que quer servir a Deus não pode impor condições, ou seja, não pode determinar o ato que irá praticar. Servir a Deus é a abstenção total da individualidade.

O evangelho segundo Tomé

Logia 69b - Busca espiritual

“069b. Felizes os que têm fome, porque o seu ventre será preenchido com o que desejam”.

“Felizes os que têm fome”

Na logia 68 Jesus nos falou como alcançar a felicidade universal nos atos físicos e na logia 69 como alcançá-la nos atos espirituais. Nas duas logias, entretanto, sempre se referiu a atos praticados pelos outros.

Neste ensinamento, o Mestre nos fala como alcançar este mesmo sentimento em acontecimentos que não possuem um causador aparente. Nas duas logias anteriores Jesus nos ensinou a reagir aos atos praticados por outros, mas nesta ele nos ensina como reagir conosco mesmos.

A carência de nutrientes materiais (fome) é um destes acontecimentos. Aparentemente não existe um “causador” para a situação de penúria que leva um ser humano a passar fome. Entretanto, não existe efeito sem causa. Por isto, a fome tem que ser causada por alguém ou por alguma coisa ou situação.

O ser humano, aquele que não reconhece Deus como a Causa Primária das coisas, busca outras origens para o seu estado. Acusa o governo pela situação econômica, aquele que lhe tirou as posses, a sociedade que não é caridosa, uma fatalidade, o destino, etc. Muitas são as origens, mas todas elas são “materiais”.

Quando aprendemos que Deus é a Causa Primária das coisas, temos que entender que não cai uma folha de uma árvore sem que Ele faça cair. Desta forma, a fome, como todas as situações da vida, é causada por Ele.

Deus não faz qualquer um passar fome, pois é Justo e Amoroso. Assim, só passa fome quem precisa e merece desta situação para alcançar a sua evolução espiritual. Todas as situações da vida são provas que visam a melhoria espiritual.

Deus não faz isso porque quer ou escolhe determinado espírito para passar por uma ou outra situação, mas dá a cada um o que precisa e merece. As situações de uma vida são geradas por Deus, mas seguem o “destino” traçado e pedido pelo próprio espírito antes da encarnação.

“A fatalidade não existe senão pela escolha que fez o espírito, em se encarnado, de suportar tal ou tal prova. Escolhendo, ele faz uma espécie de destino que é a conseqüência mesma da posição em que se encontra”. (Livro dos Espíritos – perg. 851)

Cabe ao espírito a escolha moral de como suportar tal prova, ou seja, passar pela fome utilizando a felicidade (entendendo a sua finalidade) ou de acusá-la de ser fruto de uma maldade alheia. Nos dois casos, porém, ele terá que passar pela fome, pois isto é o melhor para ele. Vencer a prova é reagir com amor universal à fome.

“porque o seu ventre será preenchido com o que desejam”

Não estamos aqui pregando a inércia na vida material. A lei de Deus afirma que todos devem trabalhar para merecer receber algo em troca. O trabalho é “uma expiação e, ao mesmo tempo, um meio de aperfeiçoar sua inteligência” (Livro dos Espíritos – Perg. 676).

Nota: Como inteligência na citação de Kardec entenda-se o próprio espírito.

Sendo assim, o ser humano que se encontra em situação de penúria precisa trabalhar para ganhar o seu sustento. No entanto, este trabalho não é apenas material.

“675 – Não se deve entender pelo trabalho senão as ocupações materiais?”

“Não. O espírito trabalha como o corpo. Toda ocupação útil é um trabalho”. (Livro dos Espíritos)

 Existe, portanto, um “trabalho físico” e outro “espiritual” em cada atividade da vida humana. Por isto muitas vezes o ser humano está empregado, mas passa por situações de necessidades (fome). Não é apenas o trabalho físico que determina a situação da vida do ser humano, mas, principalmente, o trabalho espiritual que realiza.

O trabalho espiritual é sempre reagir com amor universal aos acontecimentos da vida material. Aquele que sofre porque está com fome não realiza este trabalho espiritual e por isto não recebe o alimento, mesmo que exerça trabalhos físicos.

Para que Deus forneça o alimento na vida de cada um é preciso que o espírito passe pela fome com felicidade universal entendendo que aquela situação é perfeita, pois será ela que o levará a elevar-se. Deus não satisfaz os desejos humanos (alimento), mas dá a cada um o necessário para que evolua.

Enquanto o espírito não compreender esta verdade universal e sofrer acusando o “mundo” de injusto, não receberá o seu alimento. Aquele que conseguir executar o seu trabalho espiritual, receberá de Deus o alimento material, pois terá vencido sua prova e não mais necessitará daquela situação.

Além do trabalho espiritual, o ser humano precisa do trabalho material. Portanto, não adianta ao espírito ficar sentado chorando de fome: precisa buscá-lo. A humildade de pedir esmolas para aqueles que não têm atributos que possam gerar outra forma de trabalho é uma vitória para o espírito.

São os dois trabalhos (espiritual e material) conjugados que podem dar ao espírito o fim da sua prova. De nada adianta apenas um deles. Não procurar ajuda não garante o fim da prova. Jesus nos ensinou que o espírito precisa pedir para receber, bater para que a porta se abra.

O trabalho material, no entanto, muitas vezes não é na “forma” que o espírito deseja. Existem muitos que por soberba e altivez passam fome, mas não procuram trabalhos considerados por ele como inferiores à sua capacidade ou não aceitam o auxílio dos outros. Para que a prova seja vencida em toda a sua totalidade, o espírito precisa ser feliz sempre, não importando as condições existentes.

O evangelho segundo Tomé

Especial - Amar a Deus sobre todas as coisas

Este texto não se refere a nenhuma logia especial, mas é um resumo das logias 68, 69a e 69b

Amar a Deus sobre todas as coisas

Nos três últimos ensinamentos (logia 68, 69a e 69b) foi ensinado como amar a Deus acima de todas as coisas, ou seja, amar a Deus acima do que os outros fazem, do que nós fazemos e acima das situações da vida.

Esses ensinamentos são a base para a felicidade universal, pois é necessário que o espírito se sinta participante das coisas universais para poder alcançar esta felicidade. Apenas entendendo Deus como Causa Primária, Aquele que possui a Inteligência Suprema, a Justiça Perfeita e o Amor Sublime, o espírito conseguirá evoluir.

Quem ama a Deus acima dos atos reconhece a Justiça Perfeita e por isso não se sente injustiçado (não tem seus conceitos satisfeitos). Quem ama a Deus acima de todas as coisas reconhece o Amor Sublime e não se acusa porque sabe que está servindo de instrumento a Deus para a execução de Sua obra.

Para poder viver esta realidade universal é preciso que o espírito ponha em prática os sentimentos do amor universal. Quando fizer isto não mais sofrerá com os acontecimentos da vida material e viverá feliz.

Este amor foi também descrito no Sermão do Monte na primeira frase de Jesus: “Bem-aventurado os pobres de espírito” (logia 54). Neste sermão Jesus traçou todos os requisitos para os bem-aventurados, ou seja, para aqueles que gozam a felicidade dos santos. Santos não são os puros, mas aqueles que amaram a Deus acima de todas as coisas, aqueles que não se preocuparam com as situações de sofrimento que os outros impuseram a eles, não se auto flagelaram com seus próprios atos e nem questionaram as suas condições de vida. Estes conseguiram amar a Deus acima de todas as coisas.

O ser humano afirma que não consegue esta prática por que não é “santo”, mas com isto comprova que não conhece a história da encarnação destes espíritos. Sidarta Guatama (Buda), o primeiro espírito a alcançar a evolução nesta geração do planeta Terra nasceu rico, filho de um grande senhor, criado em um castelo longe de todas as pessoas para que não sofresse. Poderia ter vivido toda a sua vida dentro daquelas paredes, mas um dia saiu para procurar o que lhe faltava e achou.

São Francisco de Assis era filho de senhor de terras. Pertencia à nobreza da sua época e recebeu, durante boa parte de sua vida, todos os conceitos de um ser humano. Um dia, porém, abandonou tudo e foi vivenciar os ditames do Sermão da Montanha.

Francisco Cândido Xavier não nasceu “santo”. Sua infância, juventude e boa parte do seu trabalho mediúnico foram influenciados pelos conceitos de ser humano. Um dia, porém, conseguiu abrir mão desses conceitos e começou a viver a bem-aventurança.

Muitos são os exemplos que poderemos dar, principalmente de Jesus, que viveu a infância, juventude e início da maturidade como ser humano até o dia em que despertou para sua missão. Citamos estes três exemplos para que aqueles que buscam “desculpas” para iniciar seu processo de evolução não justifiquem sua inércia, acusando e culpando as condições de sua vida para tanto.

Buda viveu antes de Jesus, São Francisco de Assis na idade média e Chico Xavier na atualidade. Todos foram capazes, apesar dos costumes, condições e conceitos da vida humana em cada época. A reforma íntima não depende de fatores externos, mas é necessária uma atitude interna: amar a Deus acima de todas as coisas.

Não é preciso ser “santo” para se reformar, mas santo é aquele que consegue se reformar, ou seja, vencer a si mesmo. Para isto basta o espírito abrir mão de sua individualidade, da necessidade de premiar os seus conceitos. É preciso ter a fé de que o Pai o proverá e então realizar os seus trabalhos (espiritual e material), deixando que Deus guie seus passos sem impor condições.

A transformação do ser humano em espírito tem que passar pela convicção que Deus é a Inteligência Suprema do universo e por isso só Ele tem o poder de causar os acontecimentos para que a Justiça e o Amor sempre prevaleçam.

O evangelho segundo Tomé

Logia 70 - Viver para Deus

“070. Disse Jesus: se derdes à Luz o que tendes dentro de vós, o que tendes dentro de vós vos salvará. Se não tendes dentro de vós, o que não tendes dentro de vós vos matará”.

A visão passada no capítulo anterior (“Especial”) facilita a compreensão desta aparentemente difícil logia de Jesus.

“se derdes à Luz o que tendes dentro de vós”

O espírito tem que entregar tudo o que possui dentro dele (sentimentos) a Deus, ou seja, saber que eles só irão gerar atos na forma que Deus quiser.

À primeira vista, os ensinamentos transmitidos por Jesus podem servir de argumentos para julgar os outros. Se Deus dá a cada um o ato de acordo com os seus sentimentos, um ser humano pode acusar o outro de praticar atos raivosos porque possui raiva dentro de si. Desta forma, aquele que pratica o ato será “culpado” pelo mesmo.

A ação de Deus, porém, é mais complexa. Aquele que pratica o ato por possuir sentimentos negativos, na verdade só conseguirá fazê-lo para aquele que precisa e merece. Deus aproveita os sentimentos que um ser humano possui, materializando-os em atos que o reflitam, mas este ato será direcionado para quem precisa ou merece recebê-lo.

 Podemos afirmar que uma pessoa não tem raiva de uma outra, mas simplesmente que “tem raiva”. Por possuir este sentimento dentro dela, Deus o direciona para quem merece e precisa receber esta raiva. Assim, o objeto da raiva de um ser humano é direcionado por Deus.

O espírito, se não conseguir entender o ensinamento por completo, vai se utilizar apenas do que lhe satisfaz: acusar a outra pessoa de praticar atos raivosos por ter sentimentos negativos. Aplicando os ensinamentos verá que se ela recebeu foi porque precisava e merecia...

O ser humano age desta forma para satisfazer os seus conceitos, ou seja, buscar a sua “inocência”. Procura satisfazer o seu “eu” por ter sido caluniado ou recebido uma crítica.

Por isto Jesus afirma que temos que dar à Luz (Deus) aquilo que temos dentro de nós. Ao entregar os seus conceitos na mão de Deus, o ser humano compreenderá o ensinamento passado pelo Pai. Entregar os seus conceitos é aceitar que não existe um culpado, mas que Deus gera os atos por Justiça e Amor.

“o que tendes dentro de vós vos salvará”

Simplesmente abandonar os seus conceitos, mantendo-se “vazio”, não será possível porque no universo não existem vazios.

Por isso, para abrir mão dos seus conceitos o ser humano precisa substituí-los. Para acabar com a sua individualidade, o ser humano necessita colocar a coletividade, ou seja, para acabar com seus conceitos ele tem que colocar Deus na sua vida.

Colocar Deus na vida de cada um é entender que Ele é a Causa Primária de todas as coisas e que rege o universo com a Justiça Perfeita e o Amor Sublime. Todo “achar” (conceitos) do ser humano deve ser trocado por esta Verdade Universal.

Quando isto acontecer, o espírito não mais acusará outro de provocar situações que lhe firam ou lhe magoem, pois entenderá que por trás do ato existe o comando de Deus para que o ato seja praticado daquela forma. Este ato refletirá uma justiça perfeita, ou seja, acontecerá na medida certa para quem o está recebendo. Porém, não será aplicado como uma punição, mas como um ensinamento para que o espírito reaja com amor e, desta forma, eleve-se um pouco mais.

Quando o espírito tiver dentro dele apenas Deus, ou seja, as Verdades Universais e a compreensão dos atributos de Deus, a sua forma de agir o salvará, pois ele terá feito a reforma íntima. Não existe outro meio de um espírito se elevar a não ser trocando do seu “achar” pela Verdade Universal da ação de Deus sobre o planeta.

“Se não tendes dentro de vós, o que não tendes dentro de vós vos matará”

Enquanto o ser humano possuir vontades, desejar qualquer coisa que não servir a Deus ou querer ter compreensão sobre as pessoas ou sobre os acontecimentos, estará morto, ou seja, viverá com sentimentos negativos.

Jesus nos ensinou que devemos amar a Deus acima de todas as coisas, mas o ser humano ama mais a compreensão que ele tem sobre as coisas do que a Deus e não consegue abrir mão do seu suposto comando sobre as situações

É muito mais simples sair acusando a todos de terem agido “errado” e praticado o “mal” do que compreender que os outros espíritos agem de forma justa e amorosa: você é que merece tudo aquilo que acontece e da forma como acontece.

Todos os acontecimentos da vida de um espírito são “escritos” por Deus dentro do merecimento de cada um, objetivando que ele perceba o sofrimento que ele pode transmitir aos outros. Quando alguém consegue fazer a um espírito o que ele não gosta, é porque é preciso mostrar a ele que ele ainda tem escolhas do que “gosta” (“melhor” ou “pior”, “bom” ou “mau”, etc).

Deus escreve os acontecimentos como lições para o espírito entender que ele não pode se satisfazer, ou seja, precisa abrir mão do seu individualismo (felicidade pessoal) e participar da felicidade universal. Para isto é preciso que ele não tenha mais desejos ou vontades, trocando-os pela fé e o amor a Deus.

O que cada espírito não tem dentro de si é Deus. Por mais “religiosa” que uma pessoa seja, ela sempre busca satisfazer as suas “vontades” e não aceita os desígnios de Deus. Aqueles que afirmam amar a Deus desta forma, na verdade estão impondo condições a Deus para amá-lo.

Amar a Deus acima de todas as coisas (viver a felicidade universal) é amar todos os acontecimentos que Ele comanda, pela fé (confiança e entrega) irrestrita. Desejar situações para que este amor exista é impor condições para ser feliz.

A “felicidade” que o ser humano quer nunca será comandada por Deus porque ele não possui a visão do todo universal necessária para que promova a justiça perfeita. Por isso, Jesus nos ensinou: Deus dá a cada um de acordo com suas obras”. Todos as situações são reflexos do merecimento de cada um.

Esta visão das coisas do mundo (ação de Deus), salva o espírito, mas se ela não existir, levará o espírito à “morte”.

O evangelho segundo Tomé

Logia 71 - Situações negativas

“071. Disse Jesus: eu destruirei esta casa e ninguém será capaz de reconstruí-la”.

Quando o comando de Deus sobre os acontecimentos satisfaz, pelo menos em parte, os conceitos do espírito, ele o credita ao Pai, mas quando seus conceitos são feridos, o espírito afirma que o ocorrido não foi obra de Deus. Alguns até criam um novo “deus” para estes fatos: o “diabo”.

Demônios

“Se houvesse demônios, eles seriam obras de Deus, e Deus seria justo e bom se houvesse criado seres devotados eternamente ao mal e infelizes? Se há demônios, eles habitam em teu mundo inferior e em outros semelhantes. São esses homens hipócritas que fazem de um Deus justo, um Deus mau e vingativo e crêem lhe serem agradáveis pelas abominações que cometem em seu nome”. (Livro dos Espíritos – perg. 131).

A Bíblia Sagrada nos conta a história dos “demônios”. Segundo esta fonte, eles teriam surgido após o ato de rebeldia de Lúcifer contra Deus.

Conta a história que Lúcifer era um dos anjos de Deus. Um dia, ao não acatar uma determinação do Pai sobre os desígnios da vida no Universo, rebelou-se, abandonou o “céu” e veio se instalar nas profundezas da Terra. Junto com ele vieram os seus seguidores. Na Terra se juntaram para guerrear contra Deus, ou seja, para impedir a realização dos desígnios do Pai. É a lenda dos “anjos caídos”.

Kardec, mais afastado da era mitológica, nos diz que os demônios são os “homens hipócritas que fazem de um Deus justo, um Deus mau e vingativo”. Juntando-se as duas informações podemos entender os demônios como:

“Espíritos que se rebelaram contra Deus e vieram para a Terra (homens) por não concordarem com os atos que Deus comanda, ou seja, não considerá-los justos, mas sim maus e vingativos”.

Esta é a definição que se tem dado em todo este trabalho ao “ser humano”. Portanto, aquele que acusa alguém de praticar algo que fira os seus conceitos, está chamando o outro de demônio, pois não vê a justiça de Deus em ação e nem entende o seu Amor Sublime.

Pecado original

“Ser humano” é uma auto visão que o espírito alcança quando tem a sua memória espiritual encoberta pelo véu do esquecimento. O espírito é lançado nesta situação para que possa provar a sua fé (entrega e confiança absoluta em Deus) e o seu amor pelo Pai, que em determinado momento fraquejaram.

A bíblia nos relata a história deste momento de fraqueza: Adão e Eva. Este casal simboliza o espírito no seu nascimento, ou seja, “simples e ignorante”. Eles vivem no “paraíso”, ou seja, no reino do céu. Em determinado momento são tentados (testados) a desobedecer ao Pai e cedem a esta tentação. A esta fraqueza, os católicos dão o nome de “pecado original”.

“A mulher respondeu: podemos comer as frutas de qualquer árvore, menos a fruta da árvore que fica no meio do jardim. Deus nos disse que não devemos comer desta fruta nem tocar nela. Se fizermos isso, morreremos”.

“Mas a cobra afirmou: vocês não morrerão coisa nenhuma! Deus disse isso porque sabe que quando vocês comerem a fruta dessa árvore, os seus olhos se abrirão e vocês serão como Deus, conhecendo o bem e o mal”.

“A mulher viu que a árvore era bonita e que as suas frutas eram boas de se comer. E ela pensou como seria bom ter este conhecimento”. (Gênesis – 3, 2)

Nesta rápida visão deste ensinamento bíblico, podemos compreender que o ser humano é o espírito que desobedece a Deus e busca para si o poder de decidir o que é “bom” ou “mal”, “bonito ou feio”, “certo” ou “errado”.

Mal

Portanto, o mal não existe a não ser a partir do julgamento de um espírito que possui os “olhos abertos”, que quer enxergar mais do que Deus. As situações negativas, ou seja, aquelas que não agradam os conceitos (leis) de um ser humano não são más, a não ser na própria visão do espírito. É pelo poder imaginário que o ser humano tem de conceituar o que é “bom” ou “mau” que esses conceitos passam a existir.

As situações negativas, assim como todos os acontecimentos do universo, são oriundos de Deus e afirmar que um acontecimento é fruto do mal é dizer que o Pai é capaz de praticá-lo. Se Deus é o Amor Sublime, não poderia jamais praticar o mal!

Aquelas situações que não contemplam os interesses do ser humano são geradas por Deus como uma fonte de amor e não de maldade. Deus não pune o espírito fazendo-o passar por determinadas situações, mas dá essas situações a ele para auxiliá-lo na sua depuração sentimental. É através da utilização da fé que o espírito não sofre (ver o mal) nas situações que lhe desagradam.

“eu destruirei esta casa e ninguém será capaz de reconstruí-la”

É a isto que Jesus se refere nesta logia: as situações negativas da vida de um ser humano (aqui representada pela destruição de uma casa) são administradas pela espiritualidade sob o comando de Jesus e de Deus. Ninguém pratica nada sem que esta cadeia de comando seja contemplada.

Ao utilizar o pronome “eu”, Jesus afirma categoricamente que mesmo o acontecimento negativo é fruto de uma ação da espiritualidade superior respondendo a um comando de Deus. Não é obra de um demônio ou de uma pessoa má (criminosa), mas executada por espíritos elevados.

Jesus nos afirma mais: diz que qualquer coisa que aconteça jamais será alterada, mesmo que contrarie as leis ou desejos dos seres humanos, porque foi executada sob as ordens de Deus e, portanto, são perfeitas (inteligentes, justas e amorosas).

O que Deus constrói, ninguém destrói, mas o que Deus destrói, ninguém consegue reconstruir, pois todo acontecimento é perfeito por sua Causa Primária.

O evangelho segundo Tomé

Logia 72 - Comunhão universal

“072. Um homem disse a ele: diz aos meus irmãos que dividam comigo os bens de meu pai. Ele lhe disse: ó homem, quem nomeou a mim como aquele que há de dividir? Voltou-se aos seus discípulos e lhes disse: não sou aquele que divide, sou?”.

“diz aos meus irmãos que dividam comigo os bens de meu pai.”

Os seres humanos reconhecem o mundo através de binômios, ou seja, em tudo acreditam na existência de dois elementos antagônicos: o “bem” e o “mal”, o “branco” e o “preto”, o “rico” e o “pobre”, o “limpo” e o “sujo”, o “religioso” e o “ateu”. Quando assim agem, os seres humanos dividem o mundo, ou seja, os bens de Deus.

Não importam quais sejam os binômios que o ser humano crie, cada um dos seus componentes estará no grupo dos “certos” e o outro no grupo dos “errados”. Estes grupos (certos/errados) são definidos a partir dos conceitos que o ser humano possui. Desta forma, a divisão do mundo para cada ser um se faz entre os que pensam diferente e os que pensam como ele.

Uma vez que o espírito foi feito à semelhança de Deus (Gênesis – Cap. 1 – vers. 26) existe dentro dele a mesma inteligência, justiça e amor que existem no Pai, apesar destes atributos encontrarem-se ainda em graus muito menores nele. Assim, podemos dizer que, mesmo instintivamente, o espírito utiliza sempre estes três fatores quando raciocina (escolhe sentimentos).

 A utilização destes três atributos no espírito encarnado, no entanto, sujeita-se aos conceitos que ele possui (binômio). Assim, o espírito usa a sua inteligência para dizer o que é “certo”, pratica a justiça contemplando os “conceitos” e busca no amor o seu “prazer”.

É a isto que Jesus está se referindo quando fala em dividir os bens do Pai: utilizar as propriedades intrínsecas que cada espírito possui para seu próprio benefício.

“ó homem, quem nomeou a mim como aquele que há de dividir?”

Uma verdade para ser verdadeira tem que ter dois parâmetros: ser universal, ou seja, aplicar-se a todos e eterna, ou seja, nunca ter sido alterada. Somente quem pudesse estabelecer parâmetros universais e eternos para criar uma escala para separar cada um dos elementos dos binômios poderia dizer que seu binômio era “verdadeiro”.

Para um homem que ganha milhões de reais, quem ganha milhares é pobre, mas para quem ganha apenas centenas, o que ganha milhares é rico, pois os binômios são criados a partir de conceitos individuais e, por isso, não contém a universalidade e eternidade necessária para ser verdade.

Nem Jesus, espírito mais elevado que já viveu no nosso planeta, assumiu o ônus de criar escalas para dividir os seres humanos sob nenhum aspecto, pois sabia que deveria satisfazer a vontade de Deus.

“não sou aquele que divide, sou?”

A mensagem de Jesus não é individualista, mas universal. Ele não veio para trazer ensinamentos para que o espírito satisfizesse a sua vontade, mas para que participasse do universo espiritual que se subordina a Deus.

“Um escravo não pode servir dois donos ao mesmo tempo, pois detestará um e gostará do outro; ou será fiel e um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e também servir ao dinheiro” (Mateus – 6, 24)

Nota: Como “dinheiro” no texto acima devemos compreender a materialidade (vida material).

O ser humano, aquele que se acha no direito de dividir o mundo (os bens do Pai), serve apenas a si mesmo, ou seja, aos seus conceitos. Foi para estes que Jesus trouxe a “Boa Nova”, a notícia do amor e fé que se deve ter a Deus.

O universo compõe-se de um todo que funciona como uma orquestra regida por Deus. Todos os músicos desta orquestra preocupam-se para que o som saia uníssono.

Existe uma comunhão universal, ou seja, um objetivo comum entre este todo e os elementos do universo. Esta comunhão baseia-se no amparo mútuo para que a evolução espiritual aconteça.

Todos os elementos do universo se interagem objetivando auxiliar o próximo na sua evolução. Como Jesus nos disse, cada espírito é o “sal” para a existência de todo o universo, ou seja, cada um “tempera” a existência do próximo. Esta é a comunhão universal.

Somente Deus (que possui a Inteligência Suprema, a Justiça Perfeita e o Amor Sublime) pode coordenar as peças do universo para que essa comunhão não se deteriore, desequilibrando a vida universal. Somente o Pai conhece a Verdade de todas as coisas, pois é Onipresente e Onisciente.

Quando um ser humano utiliza algum de seus conceitos no processo raciocínio ele utiliza uma verdade individual que apenas lhe satisfará, o que fere a comunhão universal. É por este motivo que ao longo deste livro apresentamos a Verdade Universal de que Deus é a Causa Primária de todas as coisas.

Todos aqueles que já compreenderam esta verdade, como Jesus, sempre buscam agir dentro dos ditames de Deus, pois sabem que desta forma estarão colaborando para a comunhão universal.

O evangelho segundo Tomé

Logia 73 - Crescei e multiplicaivos

“073. Disse Jesus: a colheita é verdadeiramente grande, mas os trabalhadores são poucos; por isso, implorai ao Senhor para que Ele mande mais trabalhadores para a colheita”.

“a colheita é verdadeiramente grande”

Jesus nos fala da quantidade de espíritos que “vivem” no planeta Terra, encarnados ou não, que buscam a sua evolução. Para cada espírito hoje encarnado, existem aproximadamente seis esperando a sua chance de evolução (encarnação).

“mas os trabalhadores são poucos”

Os “trabalhadores” da colheita de Deus não são espíritos especiais, elevados, que vêm ao planeta para auxiliar na evolução dos demais. Como comentamos na logia anterior, a comunhão universal de todos é que serve de amparo para a evolução de cada espírito.

Desta forma, ao afirmar que os trabalhadores para a colheita de Deus são poucos, Jesus está dizendo que existem poucos espíritos encarnados para auxiliar os que se encontram na mesma situação.

“por isso, implorai ao Senhor para que Ele mande mais trabalhadores para a colheita”

A espiritualidade narrou a Kardec e a outros médiuns a existência de um mundo espiritual ativo, onde os espíritos buscam sua evolução através de estudo ou de prestação de serviço a outros espíritos. Apesar disso, a evolução real só acontece quando um espírito vive uma “encarnação”.

Viver no mundo espiritual, com apenas parte do véu do esquecimento bloqueado, o que proporciona lembrança de algumas verdades universais, é muito mais fácil do que viver encarnado e ter que professar a fé em Deus sem lembrança alguma. Por isto a importância e a necessidade da encarnação para a evolução espiritual.

Fora da encarnação o espírito aprende as verdades espirituais e consegue facilmente ter a fé pela comprovação que tem destas verdades. Para que ele prove realmente que aprendeu esta fé é que o espírito assume uma encarnação, onde estará afastado destas lembranças.

A afirmação de Jesus nesta logia (implorar ao Pai por mais trabalhadores) está de acordo com as palavras de Deus a Adão e Eva: “Crescei e multiplicai-vos”.

Nos dias atuais, os espíritos que servem a materialidade possuem sentimentos que fazem com que Deus lhes dê o raciocínio de buscar métodos anticoncepcionais. Com esta forma de proceder estão atrasando a sua própria evolução, pois o planeta irá alterar o seu sentido de encarnação quando uma maioria de espíritos atingir um determinado grau de evolução e não quando todos evoluírem.

Aqueles que utilizam de métodos anticoncepcionais para não gerar filhos estão indo contra a lei de Deus para servir à materialidade. Alegam que na vida atual não há como se gerar novos filhos sem a garantia do sucesso material e com isto impedem que novos espíritos busquem a sua evolução.

Cada espírito encarnado é um trabalhador para, acima de qualquer glória individual, servir à coletividade espiritual na busca de sua elevação. Sua primeira tarefa é dar a chance de evolução a um maior número de espíritos possível. Esta é a lei passada a Adão e Eva. Quando esta chance é restrita, os espíritos estão atrasando sua própria evolução, pois seu retorno à carne também será adiado pelo conceito (controle da maternidade) que se estabeleceu.

Alguns alegam fenômenos materiais para não conceber: fome, carência de habitação, etc. Não compreendem que Deus é que provê tudo, pois mesmo com o planejamento familiar que hoje impera no planeta, a fome e a carência de habitação não diminuíram ou acabaram.

Mesmo aqueles que se dizem seguidores de Jesus utilizam-se de métodos anticoncepcionais, apesar do Mestre ter ensinado:

“Não se preocupem com a comida e com a bebida que precisam nem com a roupa que precisam para vestir. Afinal, será que a vida não é mais importante do que a comida?” (Mateus – 6,25)

Outros falam da situação do planeta: têm medo de colocar um filho no mundo por causa da violência e da situação do planeta (sofrimentos). Não compreendem que estes sofrimentos são gerados por eles mesmos quando quebram a lei de Deus. Como também nos ensinou o Mestre, o Pai dá a cada um de acordo com o seu merecimento...

Neste ensinamento Jesus nos pede que imploremos a Deus para que mande mais espíritos para que um ampare o outro, mas o Pai não pode agir desta forma enquanto o sentimento do ser humano for direcionado ao bem individual e não ao coletivo.

Compete ao espírito promover a sua reforma íntima e pedir, como Jesus, a cada instante que ele sirva de instrumento a Deus para a execução dos trabalhos necessários para o todo. Para isto é preciso “abrir mão” de seus prazeres individuais.

Como já explicado, a vida carnal está toda escrita no livro da vida, feito pelo espírito antes de sua encarnação e que serve para Deus como guia da causa primária. No entanto, os sentimentos dos espíritos também “escrevem” este livro diuturnamente como “carma da vida atual”.

Todas as missões que o espírito irá realizar estão descritas no livro, mas Deus só dará a este espírito aquelas que ele puder suportar. O Pai não seria o Amor Sublime se fizesse o espírito passar por determinadas provas, expiações ou missões se isto não fosse contribuir para ele evoluir.

Assim, no livro da vida do espírito pode estar descrita a geração de algumas novas massas carnais que servirão de morada a espíritos (filhos) que precisam conviver com aqueles pais para sua evolução. Os sentimentos desta vida, porém, podem fazer com que Deus não utilize algumas destas encarnações previstas.

Deus age desta forma para não sobrecarregar os espíritos geradores (pais) com provas que certamente não terão sucesso, por não possuírem os sentimentos necessários para essa missão. O espírito que não teve a sua chance de encarnação não ficará desamparado, sendo providenciada nova encarnação para ele, pois Deus é a Justiça Perfeita. No entanto, aqueles que eliminaram a chance de um novo nascimento, sairão desta vida “devedores” e terão que buscar uma nova chance para sua evolução.

Mais uma vez, nesta logia, o conselho de Jesus objetiva a evolução espiritual. Aqueles que conseguirem eliminar seus conceitos poderão ser úteis ao todo universal gerando outras formas para que espíritos evoluam e, com isto, também conseguirão a sua própria evolução.

O evangelho segundo Tomé

Logia 74 - Caminho, verdade e luz

“074. Disse Jesus: muitos estão em volta da cisterna, mas ninguém entra nela”.

Cisterna

“Depois disso, houve uma festa dos judeus e Jesus foi a Jerusalém. Ali há um tanque com cinco entradas, que fica perto do Portão das Ovelhas. Na língua hebraica esse tanque se chama “Betezata”. Muitos doentes estavam no chão: cegos, aleijados e paralíticos. Havia um homem que estava doente fazia trinta e oito anos. Jesus o viu deitado e, sabendo que estava doente todo esse tempo, perguntou:

Você quer ficar curado?

Senhor, – respondeu ele – não tenho ninguém para me pôr no tanque quando a água fica agitada. Cada vez que quero entrar, outro doente entra antes de mim”. (João – 5,1)

Por este relato de João Evangelista, podemos ter uma noção exata do termo “cisterna” utilizado por Jesus nesta logia. Para o povo de Jerusalém a água daqueles tanques possuía a capacidade de promover a cura dos males físicos daqueles que tinham este merecimento, segundo o cumprimento das leis de Deus deixadas através de Moisés.

Como Jesus sempre afirmou que falava por comparações, podemos entender nesta logia que a palavra “cisterna” está sendo utilizada pelo Mestre como a “salvação para aqueles que tenham merecimento e fé”.

“muitos estão em volta da cisterna”

Muitos se encontram perto da “salvação” (elevação espiritual): este é o ensinamento de Jesus. Estar perto da elevação espiritual é conhecer os ensinamentos que Deus nos mandou através dos seus enviados para servir como guia para que cada um promova a sua reforma íntima.

Estes ensinamentos foram transformados pelos seres humanos nas doutrinas das diversas religiões que existem no planeta. Os ensinamentos de Jesus se transformaram na doutrina das religiões cristãs, os dos mestres orientais nas diversas religiões existentes na região oriental do planeta (Budismo, Taoísmo, Confucionismo, etc), os recebidos por Maomé, na religião islâmica e, mais recentemente, as informações recebidas por Kardec se transformaram na religião cristã espírita (kardecismo).

Estar em volta da cisterna (lugar de salvação) é conhecer os ensinamentos das doutrinas das religiões existentes no planeta.

“mas ninguém entra nela”

No entanto, apenas conhecer as doutrinas e praticar os ritos de uma determinada religião não garantem a elevação do espírito: é necessário que se entre na “cisterna”, ou seja, se viva de acordo com os ensinamentos que os mestres deixaram.

“Não fiquem tristes e preocupados. Confiem em Deus e confiem também em mim. Na casa do meu Pai há muitos cômodos e eu vou preparar um lugar para vocês. Se não fosse assim, eu já lhes teria dito. E depois que eu for e preparar um lugar para vocês, voltarei e os levarei comigo para que vocês estejam onde eu estiver. E vocês conhecem o caminho que leva ao lugar para onde eu vou”.

Não sabemos aonde o senhor vai. Como podemos saber o caminho? – perguntou Tomé.

Jesus respondeu: EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A LUZ; somente por meio de mim é possível chegar ao Pai.” (João – 14, 1)

Este ensinamento consta da Bíblia, atribuído a Jesus. Por ele, o Mestre nos deu a entender que para alcançarmos a nossa elevação espiritual necessitamos seguí-lo. Entrar na cisterna é mais do que participar de uma religião, freqüentar seus cultos e conhecer sua doutrina, mas “ser Jesus”.

 No entanto, fica a pergunta: -Quem é Jesus?

Para conhecermos a resposta a esta pergunta, vejamos um texto do irmão Lucius no livro “Caminho, Verdade e Luz”:

“- Jesus é um espírito de alta elevação, Governador Geral do sistema solar, nosso irmão maior. Apenas por esta análise curta ainda não respondemos: Quem é Jesu”?

Se Jesus é um espírito, independente de sua elevação, ele não possui cor, raça, sexo e nem identidade. Espíritos não possuem nome e, por isso, continua a pergunta: Quem é Jesus?

Nomes são artifícios utilizados por espíritos quando encarnam para serem reconhecidos. Desta forma podemos dizer que um nome é um título dado a uma encarnação de um espírito. Jesus não é o nome do espírito, mas sim o nome daquela encarnação deste espírito, assim como assumimos diversos nomes durante as diversas encarnações. Portanto, mais do que nunca a pergunta é válida: Quem é Jesus?

A encarnação do nosso irmão maior (Jesus) foi definida por João no seu Evangelho como o "Verbo". A função do verbo em uma sentença é determinar a "ação" que o sujeito irá praticar: tocar, orar, fazer, ser, estar. Portanto, a encarnação Jesus é a ação de alguma coisa.

Estudando a missão que este espírito assumiu na encarnação "Jesus" podemos entender que ela foi a "ação do amor". Com os novos mandamentos (Amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo), "Jesus" definiu a ação do amor.

EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA; somente por meio de mim é possível chegar ao Pai.

Depois desta análise de quem é Jesus, podemos, então, compreender o ensinamento: a ação do amor é o caminho, a verdade e a luz e o único caminho para se chegar a Deus, ou seja, elevar-se.

Uma encarnação é uma "vida material", ou seja, a coletânea de atos praticados por um espírito sob determinado rótulo. Se a encarnação Jesus, ou seja, a coletânea de atos praticados pelo nosso irmão maior durante a existência carnal foi a “ação do amor” e se esta é a única forma de se aproximar de Deus (elevar-se), o ensinamento pode então ser compreendido como:

"O CAMINHO, A VERDADE E A LUZ ESTÃO CONTIDAS NO MEU MODO DE PROCEDER. NINGUÉM CHEGA AO PAI A NÃO SER PRATICANDO OS ATOS QUE EU PRATIQUEI".

Conseguir praticar a reforma íntima, alcançando a elevação espiritual, é viver todos os momentos de nossa vida como Jesus viveu a dele. Não existe outra forma para se chegar a Deus. Aqueles que buscam ensinamentos contrários aos atos praticados por Jesus não alcançam esta evolução.” (Caminho, Verdade e Luz – Lucius – Espiritualismo Ecumênico Universal)

Entrar na “cisterna” é refletir a cada momento da vida carnal como Jesus agiria em cada situação. Somente quando o espírito buscar esta “consciência crística” é que terá promovido completamente a sua reforma e o “novo homem” surgirá de “dentro do velho”.

Não será seguindo leis religiosas (doutrinas religiosas) que o espírito alcançará a evolução, pois se assim fosse Jesus nos diria que o caminho, a verdade e a luz eram os ensinamentos trazidos por Moisés. Não será buscando comprovações científicas que o espírito conseguirá chegar a Deus, pois se assim fosse, a salvação seriam os ensinamentos de Kardec.

Somente quando cada espírito viver colocando o amor em ação, ou seja, entendendo e seguindo os atos de Jesus é que alcançará a elevação: isto é entrar na “cisterna”.

O Evangelho de Tomé, por não ter sido alvo de mudanças por nenhuma religião e os ensinamentos que o Espiritualismo Ecumênico Universal estão trazendo, tem esta finalidade: trazer os conhecimentos necessários para se viver uma vida como Jesus viveu, utilizar o ensinamento do Mestre como “emblema” de uma religião, sabendo que não vivenciá-lo é estar em volta da cisterna e não entrar nela.

Não adianta dizer-se cristão, conhecedor dos ensinamentos de Jesus e na hora da prática não levá-los em consideração. Como utilizar para a elevação o conhecimento repassado por Kardec e os mestres orientais sobre o carma de vidas passadas e quando eles acontecem não é vista a ação de Deus como Causa Primária, acusando e culpando os outros pela “má sorte”, “azar”, “desgraça”?

Todas as religiões deviam amar-se mutuamente, pois todos os mestres ensinaram que esta deve ser a motivação desta vida. No entanto, vivem a “alertar” aos seus fiéis sobre o “perigo” das outras.religiões... Todos os fiéis deviam amar-se uns aos outros como foi ensinado, mas vivem a acusar, sob as bênçãos dos “senhores da lei”, aqueles que servem de instrumento para ação de Deus no combate aos seus conceitos!

“Conhece a verdade e ela vos salvará”: a única Verdade Universal é Deus e Sua ação nas coisas universais. Isto foi ensinado por todos os enviados do Pai, mas o ser humano, religioso ou não, busca verdades pessoais como salvação.

Promover a reforma íntima é converter-se, como afirmado nas mensagens do espírito que viveu sob o nome de Maria, mãe de Jesus. Porém, não se converter para uma determinada religião, mas sim para Deus, pois o primeiro mandamento é “Amar a Deus acima de todas as coisas”, inclusive da própria religião.

Para se entrar na “cisterna” (salvação) é necessário mais do que estar em volta dela (tornar-se religioso): é preciso abrir mão do individualismo como fizeram todos os mestres enviados por Deus quando de suas encarnações.

O evangelho segundo Tomé

Logia 75 - A lei e o Cristo

“075. Disse Jesus: muitos estão à porta, mas somente os solitários entrarão na câmara municipal”.

Esta logia segue o ensinamento da logia anterior: é preciso viver como Jesus viveu para que se alcance a glória espiritual.

“muitos estão à porta”

Muitas pessoas procuram Jesus, o amor, mas poucas estão dispostas a entrar, ou seja, a abrir mão de suas “verdades” e desejos individuais para viver para o todo espiritual.

“mas somente os solitários”

O ensinamento do termo “solitário” foi abordado na logia 49, onde Jesus nos ensina que não devemos viver pensando, analisando as atitudes de outras pessoas. Nesta logia, o Mestre volta a ressaltar a importância de não julgar os outros, impondo ao universo suas próprias verdades, para que se alcance o reino do céu.

“entrarão na câmara municipal”

A simbologia do casamento de Jesus está no livro Apocalipse da Bíblia (Cap. 21, 1)

“Então vi um novo céu e uma nova terra. O primeiro céu e a primeira terra desapareceram e o mar sumiu. E via a Cidade Santa, a nova Jerusalém, que descia do céu. Ela vinha de Deus, enfeitada e pronta, vestida como uma noiva que vai se encontrar com o noivo”.

O novo mundo, que está prestes a chegar sobre o planeta, será o casamento de Jesus com os espíritos que habitam na Terra, ou seja, o casamento destes espíritos com o amor. Nesta nova etapa da evolução do planeta e dos espíritos a busca da prática do amor universal será o motivo das encarnações. Por isto Kardec denominou este novo mundo como “mundo de regeneração”.

Para que os espíritos possam viver neste novo mundo, no entanto, precisam conhecer o amor universal e praticá-lo. Não bastará apenas conhecer as leis de Deus e aplicá-las como defesa de suas “verdades”, mas será preciso alcançar a “consciência crística”.

Esta consciência, que vem sendo alvo de diversos debates pelas religiões, nada mais é do que atingir a compreensão da frase “EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA”. Possuir a consciência crística é viver como Jesus viveu na sua vida carnal, pois ele foi o verbo, ou seja, ação do amor universal.

Muitos procuram os ensinamentos para uma vida baseada na busca da elevação espiritual, mas não conseguem atingir esta consciência, pois se prendem a objetivos materiais, enxergando as coisas sob o prisma material e não sob a visão espiritual ensinada pelo Mestre.

Atingir a consciência crística não é aprender a leis ditadas, mas viver como Jesus viveu: dando o real sentido à lei. O apóstolo Paulo nos fala muito de perto sobre a questão cumprimento da lei e a prática do amor:

“O que há com você? Você se diz judeu, confia na Lei de Moisés e se orgulha do Deus que você adora. Você conhece a vontade de Deus e aprende na Lei a escolher o que é certo ou errado.

Você está certo que é guia dos cegos, luz para os que estão na escuridão, orientador dos ignorantes e professor dos jovens. Você está certo de que na Lei encontra o conhecimento e a verdade. Você que ensina os outros, porque é que não ensina a você mesmo? Se afirma que não se deve roubar, porque é que você mesmo rouba? Se diz que não se deve cometer o adultério, porque você mesmo comete? Você odeia os ídolos, mas rouba as coisas dos templos. Você se orgulha de ter a Lei de Deus, mas você é uma vergonha para Deus quebrando a sua Lei”. (Romanos – 2, 17).

Atingir a consciência crística é viver o amor universal e não simplesmente colocar parâmetros para que os outros sigam.

Um “professor da lei” de uma religião conhece todos os ensinamentos que o Mestre deixou, mas ainda continua julgando sua religião como a única “certa” e as demais “erradas”, acusando os praticantes das demais religiões como se estes não fossem filhos de Deus.

Os mais fiéis praticantes de muitas religiões acusam e atacam todos aqueles que possuem imagens, mas não vêem que eles idolatram os professores da lei de sua religião ou até o próprio mestre que trouxe a base de sua crença.

“Pois eu afirmo que vocês só entrarão no reino do céu se, ao fizerem a vontade de Deus, forem mais fiéis do que os professores da Lei e os fariseus” (Mateus – 5, 17).

Para se atingir a consciência crística é preciso ser mais fiel a Deus do que a qualquer ensinamento religioso. Jesus foi judeu, pregou nas sinagogas, mas foi fiel a Deus, pois fez a Sua vontade e não se preocupou em seguir os ensinamentos da religião ao fazer cura nos sábados, ao não acusar a mulher adúltera e ao ensinar que deveria ser “dado a César o que era de César”. O Mestre exemplificou todos os elementos do amor universal.

Para se viver como Jesus é preciso esquecer os valores individuais e aceitar toda ação de Deus (acontecimentos da vida) como perfeita, justa e amorosa.

A consciência crística não é viver dentro da interpretação dos textos legais, mas aplicar a todos eles os componentes do amor universal, como Cristo fez durante a sua vida. Esta consciência não se alcança através de julgamentos ou acusações, mas vivendo o amor e sentindo: “Pai, perdoa porque eles não sabem o que fazem”.

“Meus irmãos, se alguém for apanhado em alguma falta, vocês que são espirituais devem ajuda-lo a se corrigir. Mas façam isso com humildade e tenham cuidado para que vocês não sejam tentados. Ajudem uns aos outros e assim estarão obedecendo à lei de Cristo” (Gálatas – 6, 1)

Quem possui a consciência crística não acusa o irmão de ter cometido um “deslize”, mas ama-o sempre. Por pior que tenha sido a “falta” do espírito, ele é nosso irmão universal e merece de nós todo amor. Os assassinos e criminosos também são espíritos em evolução e merecem todo o amor mesmo daqueles que se sentiram “ofendidos” com suas ações.

“Quem está aprendendo o evangelho de Cristo deve repartir todas as coisas boas com aquele que o ensina. Não se enganem: de Deus não se zomba. Aquilo que uma pessoa plantar é isso mesmo que colherá. Se plantar o que a sua natureza humana deseja, essa mesma natureza lhe dará a colheita de morte. Porém, se plantar o que agrada o espírito de Deus, do espírito colherá a vida eterna” (Gálatas – 6, 6)

A vida como espírito, aquela que Jesus viveu é voltada para o bem coletivo; a vida do ser humano é aquela que é voltada a satisfazer suas próprias vontades. Quem tem a consciência crística não possui parâmetros para julgar ninguém, pois sabe que apenas o Pai conhece todas as Verdades Universais.

“Porque é por meio da fé que todos são filhos de Deus e estão unidos com Cristo Jesus” (Gálatas – 3, 26)

Apenas a fé (entrega e confiança absoluta) em Deus e nos seus atributos (Causa Primária das Coisas, Inteligência Suprema, Justiça Perfeita e Amor Sublime) pode levar um espírito encarnado a viver como Jesus, ou seja, atingir a consciência crística.

O evangelho segundo Tomé

Logia 76 - Consciência crística

“076. Disse Jesus: o Reino do Pai é como um homem, um mercador, que possuía muitas mercadorias e encontrou uma pérola. O mercador foi prudente. Ele vendeu as mercadorias, comprou a pérola para si. Buscai vós também o tesouro imperecível e perene, aquele que nenhuma traça pode roer e verme algum pode destruir”.

NOTA:

Todas as citações desta logia foram retiradas do Evangelho de Mateus.

“o Reino do Pai é como um homem, um mercador, que possuía muitas mercadorias e encontrou uma pérola”

Os seres humanos religiosos são os mercadores que possuem um tesouro (leis religiosas) que os levarão à conquista do reino do céu.

“Buscai vós também o tesouro imperecível e perene, aquele que nenhuma traça pode roer e verme algum pode destruir”

No entanto, este tesouro só servirá como passaporte para a felicidade universal (reino do céu) se contiver valores espirituais, pois estes são imperecíveis e perenes.

A missão de Jesus foi trazer os valores espirituais que devem ser a motivação da vida na carne. Moisés trouxe as leis de Deus, mas Jesus aplicou a elas o verdadeiro sentido que pode levar o ser humano a transformar-se em espírito. O conhecimento e a prática destes ensinamentos são chamados de “consciência crística”, ou modo de viver baseado em Jesus Cristo.

A “consciência crística” foi transmitida por Jesus aos seus discípulos durante a passagem conhecida como “Sermão do Monte” (Evangelho de Mateus ):

- espiritualmente pobre (5, 3)

Pobre é quem possui poucas posses. A posse de um espírito é o sentimento que ele nutre. Aquele que é espiritualmente pobre só possui o amor como sentimento para responder a qualquer acontecimento da vida;

- consolo de Deus (5, 4)

Quem atinge a consciência crística não necessita que as situações de vida estejam dentro de suas “expectativas” para viver com felicidade, mas se consola nos atributos de Deus e entende que tudo é Perfeito, Justo e Amoroso;

- humildade (5, 5)

Humilde é aquele que não deseja, mas satisfaz-se com tudo o que tem;

- fome e sede de fazer a vontade de Deus (5,6)

Para se atingir a consciência crística é necessário entender que o espírito não vem a este mundo para construir individualismos, mas para auxiliar Deus na construção de Sua obra que visa sempre a felicidade do todo universal;

- misericórdia (5, 7)

A consciência crística tem que passar necessariamente pela compaixão, ou seja, a consciência do sofrimento que se pode causar aos outros. Enquanto o espírito não se preocupar com o “efeito” dos seus sentimentos sobre os outros, não conseguirá viver como espírito;

- coração puro (5, 8)

Quem atinge a consciência crística não necessita que as situações de vida estejam dentro de suas expectativas para viver com felicidade, mas se consola nos atributos de Deus e entende que tudo é Perfeito, Justo e Amoroso.

- paz (5, 9)

O espírito sabe que não veio a este mundo para alcançar uma paz baseada na imposição de suas verdades aos outros, mas que veio construí-la aprendendo a “doar a razão”;

- sofrer perseguição por fazer a vontade de Deus (5, 10)

Quem atinge a consciência crística, utilizando somente o amor e buscando o consolo somente em Deus será humilde, terá compaixão, permanecerá com o coração puro e alcançará a paz universal. No entanto, esta consciência não será dada gratuitamente, mas terá o espírito que passar por provas, ou seja, ter as suas verdades contestadas pela coletividade;

- sal da humanidade (5, 13)

O espírito que vive como tal entende que este mundo é apenas um campo de provas, onde a sua vida se interliga a todo o universo, auxiliando todos a fazerem a sua prova;

- luz para o mundo (5, 14)

A consciência crística não garante o sucesso e a felicidade material. Mesmo quem vive desta forma estará exposto a situações negativas para que, reagindo com amor, possa “iluminar” o caminho do irmão;

- lei (5, 17)

Viver com o amor universal é atingir a consciência de não ferir o próximo: este é o verdadeiro sentido da lei. Para esta prática é necessário ser mais fiel a Deus do que às leis;

- contrariedades (5, 21)

Quem procura seguir os passos de Jesus entende que por menor que seja a acusação ao próximo, ela interfere na sua elevação espiritual;

- essência (5, 27)

A consciência crística leva o espírito a se preocupar com a essência dos acontecimentos (sentimento) e não apenas com os atos praticados;

- tentação (5, 31)

O espírito compreende que a vida material é composta de provas e que para que elas ocorram são necessárias as tentações. Ao atingir a consciência crística o espírito entende o mundo desta forma e consegue superar as tentações, mantendo-se fiel às suas missões e expiações;

- causa primária (5, 33)

O espírito não se compromete com as coisas, pois sabe que Deus é que disporá a sua vida.

- justiça (5, 38)

A consciência crística leva o espírito a entender a ação de Deus sobre todas as coisas e o faz enxergar a justiça que existe em tudo. Por este motivo, não se revolta contra os acontecimentos da vida carnal;

- inimigos (5, 43)

O espírito não possui inimigos individuais ou coletivos, pois entende que aquele que pratica atos contrários aos seus desejos trazem a ele um ensinamento do Pai para a sua evolução;

- autoria dos atos (6, 1)

O universo é um todo formado de individualidades que não possuem individualismos. Por isto, aquele que vive com o amor universal não procura a fama, mas credita o resultado de seu trabalho à ação de Deus;

- oração (6, 5)

O espírito que vive com a consciência crística não é aquele que vive a declamar versos em forma de oração, mas quem compreende que deve transformar a sua vida para que ela reflita o contido na oração;

- obrigação (6, 16)

O amor universal não permite que um espírito encontre “obrigações” na vida, mas o faz regozijar-se no trabalho de auxílio a Deus;

- visão espiritual (6, 22)

Alcançar a consciência crística é estar constantemente vigiando seu entendimento sobre as coisas do universo para que os seus conceitos não sejam utilizados;

- preocupações (6, 24)

O espírito que vive com o amor universal não precisa se preocupar com os acontecimentos, pois tem um Pai que é a Causa Primária de todas coisas, agindo com Inteligência Suprema, motivado por uma Justiça Perfeita, mas aplicando esta Justiça com o Amor Sublime;

- julgamento (7, 1)

A consciência do seu papel na vida do planeta (espírito em evolução – sal para a humanidade), não permite que aquele que vive como espírito julgue os outros, pois ele só reconhece como Perfeição no Universo o Pai;

- amor sublime (7, 7)

O espírito que sabe que sua vida carnal é para o cumprimento de provas que possam elevá-lo espiritualmente, sabe que Deus é o Amor Sublime e que não pune ninguém, mas dá a cada um o remédio necessário para a sua própria doença;

- provas (7, 13)

Quem atinge a consciência crística não questiona os acontecimentos da vida, pois entende que eles são necessários para a sua evolução;

- amar a Deus (7, 15)

O universo possui uma única Verdade: Deus. Aquele que atinge esta consciência não se prende a ideologias ou doutrinas, mas busca sempre viver como Jesus, sabendo que este é o único caminho para Deus;

- amar ao próximo (7, 21)

O amor universal exige a adoração ao Senhor, mas exige também, para que exista a compaixão a compreensão do próximo como espíritos em evolução que são;

Estes são os ingredientes da verdadeira consciência crística, ou seja, do caminho, verdade e luz que podem fazer um espírito atingir a elevação. Por isto Jesus termina o sermão do monte dizendo que quem seguir estes mandamentos, terá construído sua casa sobre as rochas, onde o mar não destruirá as fundações.

São estes os bens que um espírito precisa garantir para si para ter o reino do céu e estes bens só serão conseguidos quando se entender totalmente os ensinamentos do Mestre.

O evangelho segundo Tomé

Logia 77 - Jesus

“077. Disse Jesus: eu sou a Luz que paira acima de todas as coisas, eu sou o Todo, o Todo veio através de mim e o Todo emana de mim. Parti um (pedaço de) madeira, lá estou; levantai uma pedra, e ali me encontrareis”.

Para melhor facilitar a compreensão neste trabalho, chamaremos de Jesus o espírito que serve a Deus como Governador Geral neste planeta Terra, apesar do ensinamento de que um espírito não possui nome.

“eu sou a Luz”

Aquele que viveu uma encarnação “Jesus” é um espírito como qualquer outro. Como nos ensinou Kardec, nasceu simples e ignorante e conseguiu, através das suas reencarnações, adquirir o conhecimento mantendo a simplicidade.

“Antes de ser criado o mundo, aquele que é a Palavra já existia” (João – 1, 1)

Jesus passou por todas as etapas de ensinamento de um espírito que os espíritos encarnados conhecem: etapas de evolução material e etapas de evolução sentimental. Ele não nasceu com todos os conhecimentos que hoje possui, mas alcançou-os através de provas como nós ainda estamos fazendo.

Quando buscamos a consciência crística, ou seja, o modo de proceder na vida como Jesus, não podemos nos abster da verdade acima. Muitos adiam compromissos e a prática dos ensinamentos por imaginarem que Jesus é um espírito de elevação inatingível para aqueles que encarnam neste planeta.

Quando o espírito que estamos chamando de Jesus viveu suas encarnações para provas e expiações não acreditou que não fosse possível uma grande evolução e foi isso que fez com que Ele conseguisse rapidamente evoluir.

Apesar de todo o conhecimento que já possui, “Jesus” ainda não é perfeito, pois apenas Deus tem este atributo. Ele já conseguiu a evolução em muitos campos, mas a ainda busca em outros.

Os espíritos presos à orbe terrestre no mundo de evolução espiritual provas e expiações estão buscando sua reforma dentro de graus diferenciados de evolução. Isto, no entanto, não quer dizer que não se possa atingir o grau de Jesus em apenas uma encarnação: basta ter fé em Deus e viver como espíritos que Deus nos concederá todas as chances para esta evolução.

“Bata que eu abrirei”, nos ensinou o Mestre. Ele abrirá a porta, ou seja, nos fornecerá os instrumentos necessários para a evolução. Depois da porta aberta é preciso que nós a transponhamos e entremos neste novo mundo que se abre quando procuramos Deus.

 Quando imaginamos a impossibilidade da evolução em uma encarnação, apesar da procura da reforma, ficamos frente à porta aberta esperando que as “forças universais” venham nos carregar através dela... Isto feriria a lei Deus que diz que todos os espíritos devem “trabalhar” para merecer. Foi buscando o entendimento e a prática dos ensinamentos recebidos na sua época pelos mestres enviados de Deus ao seu planeta que Jesus e todos os espíritos conseguiram a sua evolução.

Se Chico Xavier, Francisco de Assis, Madre Teresa e muitos outros que poderíamos citar também paralisassem a sua evolução acreditando ser impossível chegar onde chegaram, não teriam conseguido ser o exemplo de vida que foram. Deus dá a todos a mesma chance: alguns não perdem tempo e põem mãos à obra, mas outros buscam desculpas para o atraso que os envolve.

“que paira acima de todas as coisas”

O espírito que paira acima de todas as coisas na orbe terrestre recebe o título de “Governador Geral”.

Eu vi na mão direita daquele que estava sentado no trono um livro em forma de rolo. Estava escrito dos dois lados e selado com sete selos. Vi também um anjo forte, que perguntava bem alto:

Quem é digno de quebrar os selos e abrir o livro?

Mas não havia ninguém, nem no céu, nem na terra, nem debaixo da terra que pudesse abrir o livro e olhar dentro dele. Eu chorava muito porque não havia ninguém que fosse digno de abrir o livro ou de olhar dentro dele. Então um dos líderes me disse:

- Não chore. Olhe! O Leão da tribo de Judá, o descendente do rei David, conseguiu a vitória e pode quebrar os sete selos e abrir o livro. (Apocalipse – 5, 1)

Neste texto do livro bíblico Apocalipse (“Revelação”) pode se encontrar a cerimônia de escolha de Jesus (Cordeiro) para governar o desenvolvimento dos espíritos no planeta Terra. Nesta função Jesus comanda o planejamento para a evolução de todos os espíritos que encarnam neste planeta.

Por este motivo é que Jesus afirma que ele é aquele que paira sobre todas as coisas. É dele que parte o comando para todos os acontecimentos no orbe terrestre.

Mas Jesus não conseguiu esta função gratuitamente: ela foi conquistada pelos conhecimentos espirituais (sentimentos) já adquiridos durante a sua evolução, ou seja, sua dedicação a Deus.

Tu és digno de pegar o livro e de quebrar os selos. Pois foste morte na cruz e, por meio da tua morte, compraste para Deus pessoas de todas as tribos, línguas, nações e raças. Tu fizeste dessas pessoas um reino de sacerdotes para servir ao nosso Deus; e elas governarão a terra. (Apocalipse – 5, 9)

Por este trecho da louvação que os líderes universais fizeram quando da escolha de Jesus para a função de Governador Geral do Planeta Terra, pode se ver claramente que todo o “destino” do planeta já estava traçado, inclusive a encarnação “Jesus” do Mestre. Foi por aceitar esta programação de encarnação que Jesus ganhou a função de Governador Geral do Planeta.

“eu sou o Todo, o Todo veio através de mim e o Todo emana de mim”

O Governador Geral de um planeta é o representante de Deus no comando do mesmo. Quando Jesus afirma que ele é o Todo, quer dizer que “representa” o Todo Universal (Deus) para os habitantes do planeta.

Para o cumprimento de sua missão, o Governador Geral do planeta tem o poder de comandar e causar todos os acontecimentos dele, no entanto antes de comandar qualquer acontecimento, sempre aguarda um comando do Pai.

O Governador Geral do planeta quando comanda um acontecimento não é a causa primária deste, pois o comando para a forma do acontecimento vem de Deus, que é a real causa primária de todas as coisas do Universo. É por este motivo que Jesus afirma que o todo emana e vem através Dele.

“Parti um (pedaço de) madeira, lá estou; levantai uma pedra, e ali me encontrareis”

A função de Jesus de governar o planeta não inclui apenas as formas humanas ou os espíritos que as habitam, mas todas as “coisas” do planeta.

A formação de uma montanha rochosa ou de um simples grão de areia, a evaporação, condensação e deságüe como chuva, a mais leve brisa bem como o furacão mais possante, da germinação do grão até a manutenção das mais altas árvores, do micróbio até o animal mais forte, da fecundação até a mais avançada idade de vida de um ser humano, em tudo está a presença de Deus através de Jesus.

Em todos os segundos de todos acontecimentos da vida humana, bem como em todas as “invenções” e “descobertas” que a “ciência” produz, Jesus está presente comandando todos os acontecimentos a partir dos desígnios do Pai.

Esta visão universal das coisas (o individual servindo ao todo) é que pode acabar com a “soberba” e a “vaidade” que o espírito utiliza quando encarna e que destroem a consciência crística que está presente em todos nós.

O evangelho segundo Tomé

Logia 78 - Busca da Verdade Universal

“078. Disse Jesus: porque ides ao deserto? Para ver o junco sacudido pelo vento? E para ver um homem envolto em finos panos? (Vede, vossos) reis e os altos dignatários são aqueles que vestem finas (roupas), no entanto, não conseguirão conhecer a Verdade”.

Para entendermos melhor esta logia, precisamos partir da afirmação de Jesus:

“não conseguirão conhecer a Verdade”

Podemos entender por esta última frase de Jesus que todo o resto do texto fala a respeito da busca da verdade.

Como já falado neste trabalho, existem dois tipos de verdades: a individual e a universal.

A verdade individual é aquela que cada espírito possui, pois representa apenas o seu “modo de ver” a questão. Esta verdade está impregnada por conceitos e não representa o conhecimento autêntico sobre o assunto.

A verdade universal é a que contêm o conhecimento profundo e perfeito sobre o assunto. Apenas Deus, Aquele que possui as propriedades do ser elevadas ao expoente máximo pode alcançá-la, pois não possui conceitos ou verdades individuais. Esta verdade não será alcançada por nenhum espírito, pois para tanto é necessário que ele possua a Inteligência Suprema, a Justiça Perfeita e o Amor Sublime.

Analisando as informações iniciais da logia, podemos entender que Jesus nos fala aqui do lugar para a busca da verdade universal, ou seja para a compreensão das coisas isentas de conceitos.

 “porque ides ao deserto?”

A região que Jesus viveu era cercada por desertos. Os pregadores de então, aqueles que ensinavam os valores espirituais, muitas vezes perseguidos, habitavam estas regiões e ali faziam as suas pregações.

Por isto entendemos que a pergunta de Jesus se refere ao lugar da busca para o conhecimento dos ensinamentos espirituais: “Porque procuras em um lugar material os ensinamentos espirituais?”

Para alcançar a verdade universal sobre as “coisas” do planeta, não há necessidade de nenhum local físico. Os seres humanos acreditam em “locais santos” que formem a morada de Deus. No entanto, as igrejas, centros, templos, não são os detentores das verdades universais: o mundo de Deus está em toda parte.

Como Jesus nos ensinou, o Templo de Deus está dentro de cada um e de cada coisa. Para conhecer a verdade universal, o espírito precisa voltar-se para si mesmo. Necessita de uma profunda análise de seu comportamento sentimental isento de conceitos, ou seja, sem a utilização de “certo ou errado”, “bom ou mau”.

Ao expurgar os seus conceitos, restará ao espírito a verdade mais profunda que ele pode conseguir. Esta já será uma verdade espiritual, mas não ainda a verdade universal, pois esta apenas Deus conhece.

A verdade espiritual, aquela que faz o espírito participar do todo universal é alcançada quando o espírito busca dentro de si a sua essência espiritual, eliminando a visão “ser humano”.

“Para ver o junco sacudido pelo vento?”

O junco, (planta típica da região onde viveu Jesus) sacudido pode ser entendido como um “efeito material”. Podemos definir esta pergunta como: “Procuras um ensinamento espiritual analisando os fenômenos materiais?”

Mais uma vez Jesus usa de uma “figura” para transmitir um ensinamento. Buscar a verdade no junco sacudido pelo vento pode ser entendido como buscar a verdade nos conhecimentos científicos ou materiais.

Assim como muitos buscam as verdades espirituais somente em alguns lugares, outros acreditam que todas as verdades do universo têm que estar subordinados aos conhecimentos científicos materiais. Esta busca não leva à verdade universal, pois os conhecimentos científicos não possuem as duas características necessárias para conter a verdade universal: eternidade e universalidade.

Os conhecimentos científicos não são eternos: o que ontem era verdade, hoje pode ser mudado. Tudo que no início do século passado era conhecido como verdade científica, hoje, com o avanço do conhecimento, transformou-se em coisa ultrapassada. Se hoje o conhecimento está ultrapassado, é porque nunca foi verdade universal, mas sim verdade temporária ou individual em outro tempo.

Da mesma forma, as descobertas científicas não possuem a propriedade da universalidade, ou seja, aplicam-se a certas circunstâncias ou ocorrem apenas em determinados momentos: um remédio não cura todas as pessoas que o tomam, uma lei física pode ter momentos em que não produza o fato esperado...

A Verdade Universal das coisas (Deus) não pode se subordinar a condições.

Por isto Jesus diz para não se procurar a verdade universal nas coisas materiais, mas aplicar a estas coisas as verdades que são eternas e universais. Somente quando o ser humano buscar o conhecimento material a partir das propriedades de Deus é que encontrará a verdade universal.

“E para ver um homem envolto em finos panos?”

Além dos pregadores, muitos “professores da lei” hebraica também pregavam nos desertos. Mais uma vez podemos entender a pergunta de Jesus da seguinte forma: “Procuras Deus através dos ensinamentos de outros homens?”

Deus é apenas uma palavra que representa o Pai. Portanto, quando o ser humano busca a compreensão de Deus (Verdade Universal) através de ensinamentos de outros seres humanos não conseguirá encontra-la, pois, para tanto, necessitaria ter exatamente o mesmo conjunto de conceitos daquele que está ensinando.

A verdade universal não é para ser compreendida, mas sim sentida. Deus não é para ser entendido, mas amado acima de todas as coisas. Enquanto o ser humano quiser encontrar Deus através de uma lógica, não o encontrará. A Verdade Universal está acima de todas as lógicas humanas e para alcançá-la são necessários diversos conhecimentos que o espírito encarnado não possui.

Deus deve ser sentido, ou seja, deve ser alcançado pelo sentimento e não pela razão. Por isto Jesus nos ensinou: “Louvado seja Deus que ensina aos simples aquilo que esconde dos sábios”.

“(Vede, vossos) reis e os altos dignatários são aqueles que vestem finas (roupas), no entanto, não conseguirão conhecer a Verdade”

O ensinamento de Jesus no final do item anterior, aqui fica bem claro. Os sábios, aqueles que buscam ensinar aos outros a verdade universal, nunca conseguirão alcançá-la, pois para isso é necessário amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Enquanto um sábio não praticar o que ensina, não poderá conhecer a verdade universal. Muitos são os que se dizem sábios nas escrituras sagradas (ensinamentos de Deus), mas aplicam os ensinamentos da forma que acham “melhor”, ou seja, satisfazendo os seus conceitos. Assim, estes sábios ensinam as suas verdades individuais e não a Verdade Universal.

De todo este ensinamento do Mestre devemos tirar o seguinte ensinamento: a procura de Deus deve ser de cada um, baseando-se no amor ao Pai acima de todas as coisas e não submetendo este amor às lógicas (conhecimentos) materiais.

Tudo no universo (religiões e ciências) transmitem verdades, mas elas não podem ser consideradas verdades universais. Para alcançar toda a verdade nas coisas universais é preciso submetê-las à Verdade Universal, ou seja, a Deus e a seus atributos (Causa Primária, Onipresença, Onisciência, Onipotência) que são gerados pelas suas propriedades intrínsecas (Inteligência Suprema, Amor Sublime e Justiça Perfeita).

Quando o ser humano procurar a verdade nos acontecimentos a partir da Verdade Universal (atributos e propriedades de Deus) aí a encontrará. Enquanto submeter os acontecimentos ao seu conhecimento (verdade individual) não conseguirá encontrá-la em nenhum lugar, fato ou “sabedoria”.

O evangelho segundo Tomé

Logia 79 - Valorização da vida carnal

“079. Uma mulher da multidão disse a ele: bendito seja o ventre que te gerou e os seios que te amamentaram. Disse-lhe ele: benditos são aqueles que ouviram a palavra do Pai e a guardaram verdadeiramente. Pois haverá dias em que irá dizer: bendito o ventre que não concebeu e os seios que não amamentaram”.

“bendito seja o ventre que te gerou e os seios que te amamentaram”

A mulher que fala com Jesus nestes termos está valorizando o nascimento, a vida carnal, a encarnação. Ao dizer o ventre que gera e os seios que amamentam sejam benditos, ela está louvando a nova chance de vida carnal que um espírito teve.

“benditos são aqueles que ouviram a palavra do Pai e a guardaram verdadeiramente”

Jesus respondeu à mulher que benditos são os que ouvem e guardam a palavra do Pai, ou seja, aqueles que alcançam a evolução espiritual. Aqueles que assim procedem estão livres do processo de reencarnação na sua etapa de evolução, pois alcançam tudo o que podem nele. Só voltarão a este processo por missão específica ou quando iniciarem uma nova etapa de conhecimentos a serem aprendidos.

Conhecidas as essências das duas primeiras frases, podemos entender o significado da lição que Jesus nos traz: bendita não é a vida encarnada, mas a vida espiritual vivida dentro das leis de Deus.

 Quatro Nobres Verdades

No seu primeiro discurso (Rodando a Roda do Darma) depois de alcançar a elevação, Sidarta Guatama, o Buda, nos ensina as “Quatro Nobres Verdades” da vida na carne:

“A Primeira Nobre Verdade é a existência do sofrimento ”

“A Segunda Nobre Verdade versa sobre a origem, as raízes, a natureza, a criação e o surgimento do sofrimento”

“A Terceira Nobre verdade é a cessação da produção de sofrimento”

“A Quarta Nobre Verdade é o caminho que nos conduz à abstenção das coisas que geram sofrimento”.

(A Essência dos Ensinamentos de Buda – Thich Nhat Hanh)

Para Buda existem diversas fontes de sofrimento (velhice, doença, morte, tristeza, etc), mas todas elas começam com “nascer é sofrimento”. Este é o ensinamento de Jesus nesta logia.

“Monges, quando realizei a Nobre Verdade do sofrimento, surgiram em mim a visão, a intuição, a compreensão, a sabedoria e a luz em relação às coisas das quais eu nunca ouvira falar”. (Discurso Girando a Roda do Darma – Samyutta Nikaya V, 420)

 Para que o espírito evolua espiritualmente precisa compreender que estar vivo é uma fonte de sofrimentos. Com esta Verdade Universal, ele poderá desapegar-se da vida carnal, aceitando-a como um estágio forçado apenas para aqueles que ainda não conseguiram sua evolução espiritual.

Origem do sofrimento “vida”

“Quando realizei que a Nobre Verdade do sofrimento precisa ser entendida, surgiram em mim a visão, a intuição, a compreensão, a sabedoria e a luz em relação às coisas das quais eu nunca ouvira falar”. (Discurso Girando a Roda do Darma – Samyutta Nikaya V, 420)

Encontrar-se dentro do processo nascimento/morte (encarnação) não é motivo para júbilo, mas deve o espírito entender que isto só ocorre porque ele ainda não alcançou grau de elevação espiritual necessário para não mais encarnar.

Enquanto o ser humano se apegar à vida carnal como a “melhor existência”, como um prêmio concedido por Deus, não alcançará a Verdade Universal sobre ela: estágio forçado na vida de um espírito em evolução.

Viver na carne é um sofrimento para o espírito que se afasta de seu próprio mundo. Como um exilado, para quem até a comunicação com seus entes queridos não é permitida, o espírito transforma as Verdades Universais em verdades individuais por amar aos acontecimentos da vida acima da sua própria existência eterna.

Pelo fato da existência carnal (encarnação) alterar a própria “personalidade” do espírito, ela cria um mundo fictício que o espírito precisa entender como tal para não mais ter que passar por isto novamente.

Enquanto o espírito amar esta “ficção” (vida carnal) não encontrará a felicidade e não extinguirá o sofrimento.

“Quando entendi a Nobre Verdade sobre as causas do sofrimento, surgiram em mim a visão, a intuição, a compreensão, a sabedoria e a luz em relação às coisas das quais eu nunca ouvira falar”. (Discurso Girando a Roda do Darma – Samyutta Nikaya V, 420)

Cessação do sofrimento

“Quando compreendi que as causas do sofrimento precisam ser abandonadas, surgiram em mim a visão, a intuição, a compreensão, a sabedoria e a luz em relação às coisas das quais eu nunca ouvira falar”. (Discurso Girando a Roda do Darma – Samyutta Nikaya V, 420)

Para que o espírito cesse o sofrimento em sua existência (vida carnal), é preciso que ele entenda que a personalidade que ele vive nesta vida é fictícia: foi projetada apenas para esta existência.

O espírito não é aquilo que ele imagina que é. Todo o seu auto-conhecimento é produzido a partir dos conceitos que são gerados durante a vida carnal. Para cessar o sofrimento de nascer, ele precisa abrir mão de todos estes conceitos (o que ele imagina que é) para se tornar apenas um espírito em processo de elevação.

Abrir mão dos seus desejos, das suas verdades, das suas vontades: este é o caminho que pode levar o espírito ao fim do ciclo de sofrimento nascer/morrer.

“Quando compreendi que as causas do sofrimento haviam sido abandonadas, surgiram em mim a visão, a intuição , a compreensão, a sabedoria e a luz em relação às coisas das quais eu nunca ouvira falar”. (Discurso Girando a Roda do Darma – Samyutta Nikaya V, 420)

Caminho para o fim do sofrimento

“Quando realizei a Nobre Verdade do fim do sofrimento, surgiram em mim a visão, a intuição, a compreensão, a sabedoria e a luz em relação as coisas das quais eu nunca ouvira falar”. (Discurso Girando a Roda do Darma – Samyutta Nikaya V, 420)

O caminho para o fim do sofrimento Buda nos ensinou e representou com o nome de “Nobre Caminho Óctuplo”:

“Quando compreendi que o fim do sofrimento precisa ser experimentado, surgiram em mim a visão, a intuição, a compreensão, a sabedoria e a luz em relação às coisas das quais eu nunca ouvira falar”. (Discurso Girando a Roda do Darma – Samyutta Nikaya V, 420)

 COMPREENSÃO CORRETA

A vida material não é independente da vida espiritual e precisa ser vivida como tal para que cesse o sofrimento do ciclo nascer/morrer.

 PENSAMENTO CORRETO

Todo pensamento deve conter os três pilares básicos do Amor Universal: alegria universal, compaixão e igualdade.

 . ATENÇÃO PLENA CORRETA

Para se conseguir a compreensão correta e o pensamento correto é necessário que se viva o momento atual, ou seja, que não se deixe que os conceitos anteriores interfiram no entendimento deste momento.

 . FALA CORRETA

De posse de uma atenção correta, a vida será vivida com uma fala correta, ou seja, aquela que expresse em palavras os componentes do amor universal.

 . AÇÃO CORRETA

Entender que Deus é a Causa Primária de todas as coisas e por isso todas as ações do universo são perfeitas.

 ESFORÇO CORRETO

Viver esforçando-se no sentido de amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo e nunca no sentido de buscar o sucesso individual.

 CONCENTRAÇÃO CORRETA

Concentrar-se naquilo que realmente tem valor para um espírito, ou seja, buscar juntar bens no “céu” e não na Terra.

 MEIO DE VIDA CORRETO

Entender que não existe “vida material” a ser construída, mas que ela deve ser vivida para atender a todas as expectativas espirituais.

“Quando compreendi que o Nobre Caminho Óctuplo que conduz ao fim do sofrimento precisa ser experimentado, surgiram em mim a visão, a intuição, a compreensão, a sabedoria e a luz em relação às coisas das quais eu nunca ouvira falar”. (Discurso Girando a Roda do Darma – Samyutta Nikaya V, 420)

Este “Nobre Caminho Óctuplo” não são passos independentes, mas todos se relacionam como afirma Sidarta Guautama no seu “Discurso sobre os Quarenta Grandes”. Para que o espírito alcance a evolução espiritual e fuja do sofrimento gerado pelo nascer/morrer, é preciso que busque a prática de todos eles ao mesmo tempo. Um dos caminhos jamais será completado enquanto o outro também não tiver sido.

“Quando compreendi que o Nobre Caminho Óctuplo que conduz ao fim do sofrimento havia sido praticado, surgiram em mim a visão, a intuição, a compreensão, a sabedoria e a luz em relação às coisas das quais eu nunca ouvira falar”. (Discurso Girando a Roda do Darma – Samyutta Nikaya V, 420)

“Pois haverá dias em que irá dizer: bendito o ventre que não concebeu e os seios que não amamentaram”

Nos dias de hoje toda esta compreensão, esforço e busca ensinada por Buda são primordiais, pois como Jesus ensina nesta logia haverá o dia em que bendito será aquele que não mais reencarnar.

O planeta passa por um processo de transformação no seu sentido de encarnação. Encerra-se o período de encarnações para provas e expiações e começará a encarnação com a finalidade de alcançar a regeneração, ou seja, a mudança completa dos hábitos, vícios ou seja, da maneira de viver.

Aqueles que não conseguirem sair do ciclo encarnatório para provas e expiações terão que partir do planeta Terra e recomeçar seu processo de evolução em um outro planeta. Como os espíritos exilados de Capela são conhecidos hoje através da literatura, um dia, no novo planeta, se escreverá o livro “Exilados da Terra”.

Neste novo planeta, como foi aqui no início, os espíritos encarnarão em um mundo sem avanços tecnológicos e conviverão com um mundo hostil como o que ficou conhecido neste planeta como “Idade das cavernas”.

Este tipo de mundo gerará encarnações com muito mais sofrimentos físicos que foram eliminados hoje do planeta Terra pelo avanço material. Por isto, o aviso de Jesus:

“chegará a hora em que todos os espíritos não mais quererão reencarnar para provas e expiações”

A busca da evolução se faz mister neste início de século XXI e todo esforço neste sentido é pouco para que se saia do ciclo de sofrimento nascer/morrer para provas e expiações.

O evangelho segundo Tomé

Logia 80 - Divina Comédia Humana

“080. Disse Jesus: aquele que conheceu o mundo encontrou um cadáver, mas aquele que encontrou um cadáver, o mundo não é digno dele”.

NOTA:

Todas as citações desta logia foram retiradas do livro bíblico “Eclesiastes” ou “O Sábio”.

Esta logia foi repetida pelo próprio Tomé, pois o mesmo texto encontra-se também na de número 56. Naquela logia falamos do ser humano e nesta abordaremos aspectos da vida carnal do espírito com esta auto-visão.

aquele que conheceu o mundo encontrou um cadáver

“Eu, o Sábio, fui rei de Israel, em Jerusalém. E resolvi examinar e estudar tudo o que se faz neste mundo. Que serviço cansativo é este que Deus nos deu”. (1, 12)

Nesta logia Jesus nos fala sobre a razão de vida de cada espírito durante a sua existência carnal. Alguns vivem a vida material com o sentido da elevação espiritual, mas a grande maioria busca a elevação material. Para estes, vamos pedir o auxílio de Salomão, um dos maiores profetas da antiguidade e que provou toda a sua sabedoria através dos provérbios transcritos na Bíblia Sagrada.

“Eu tenho visto tudo o que se faz neste mundo e digo: tudo é ilusão. É tudo como correr atrás do vento. Ninguém pode endireitar o que é torto nem fazer contas quando faltam números. E pensei assim: eu me tornei um grande homem, muito mais sábio do que todos os que governaram Jerusalém antes de mim. Eu realmente sei o que é a sabedoria e o conhecimento. Assim, procurei descobrir o que é o conhecimento e a sabedoria, o que é a tolice e a falta de juízo. Mas descobri que isso é o mesmo que correr atrás do vento. Quanto mais sábia é uma pessoa, mais aborrecimentos ela tem; e quanto mais sabe, mais sofre” (1, 14)

Buscar conhecer o mundo é querer impor a sua vontade aos acontecimentos e aos outros espíritos, viver para os seus desejos, as suas vontades. Aqueles que vivem desta forma precisam compreender que as todas as coisas materiais são temporárias e que eles não as possuirão por toda a eternidade.

“Todos morremos, tanto os sábios como os tolos. Por isso a vida começou a não valer nada para mim: ela só me havia trazido aborrecimentos. Tudo havia sido ilusão: eu apenas havia corrido atrás do vento”. (2, 16)

O espírito sofre um desgaste de energias positivas querendo “organizar” o mundo de acordo com suas vontades, mas quando chega o desencarne, tudo permanece no mundo material e, neste momento, aqueles que continuaram na carne agirão “livremente”, independentemente da vontade do desencarnado...

Todas as coisas e as situações que existem são temporárias e existirão apenas enquanto o espírito necessitar delas para as suas provas, expiações ou missões. Sempre que elas não forem mais necessárias, Deus providenciará que as coisas se transformem.

Se o espírito não estiver aberto às Verdades Universais, não verá estas transformações e, mais uma vez, sofrerá. Este é o “prêmio” para aqueles que procuram uma vida material: sofrimento antes, durante e depois de cada episódio da vida.

A vida carnal é como um filme, uma peça de teatro ou uma novela de televisão. Todas as coisas materiais que existem não passam de “cenários” e os acontecimentos são “tramas” temporárias. Todas estas coisas são criadas para que o ator (espírito), possa representar seu personagem (ser humano) de acordo com os atos e falas que o Autor (Deus) escreve para cada um...

Dentro de qualquer interpretação o ator não pode alterar as situações de seu personagem nem mudar suas falas, sem correr o risco de “estragar” a representação. Assim também o espírito não pode mudar as situações de sua vida

“Tudo o que eu tinha e que havia conseguido com o meu trabalho não valia de nada para mim. Sabia que teria de deixar tudo para o rei que ficasse no meu lugar. E ele poderia ser um sábio ou um tolo – quem é que sabe? No entanto, ele seria dono de todas as coisas que eu consegui com o meu trabalho e ficaria com tudo o que a minha sabedoria me deu neste mundo. Tudo é ilusão. Então eu me arrependi de ter trabalhado tanto e fiquei desesperado por causa disso. A gente trabalha com toda a sabedoria, conhecimento e inteligência para conseguir alguma coisa e depois tem de deixar tudo para alguém que não fez nada para merecer aquilo” (Eclesiastes – Sábio – 2,18)

Todas as posses materiais que o espírito tem durante a sua vida carnal permanecerão no planeta. Veículos, imóveis, posição social, riquezas materiais, tudo só existirá como posse do espírito enquanto Deus julgar conveniente para as provas que ele veio realizar.

Quando novas provas começarem e o espírito não mais precisar destas coisas, Deus as colocará à disposição de outros com a mesma finalidade. Criar elementos materiais para depois descarta-los simplesmente não seria obra de uma Inteligência Suprema.

Todas as matérias do universo estão à disposição dos espíritos para a sua elevação e não como propriedade eterna.

“Então resolvi me divertir e gozar os prazeres da vida. Mas descobri que isso também é ilusão. Cheguei à conclusão de que o riso é tolice e de que o prazer não serve para nada”. ((2, 1)

Os prazeres da vida carnal causam a felicidade material, ou seja, a satisfação individual. O espírito vem à matéria carnal para provar que é capaz de ser feliz apenas por ser filho de Deus e não para que se satisfaça quando seus desejos são satisfeitos.

Para aqueles que buscam felicidade em determinados acontecimentos, ela só acontece temporariamente. Esta felicidade é tolice, pois é efêmera e enganosa, pois para um ser humano ser feliz com seus conceitos, quem tem conceito diferenciado sofre. Desta maneira, esta felicidade de nada contribui para a elevação espiritual.

“Neste mundo eu também reparei o seguinte: no lugar onde deviam estar a justiça e o direito, o que a gente encontra é a maldade. Então pensei assim: Deus julgará tanto os bons quanto os maus porque tudo o que se passa neste mundo, tudo o que a gente faz, acontece na hora que tem que acontecer. Aí cheguei à conclusão de que Deus está pondo as pessoas à prova para que elas vejam que não são melhores do que os animais. No fim das contas, o mesmo que acontece com as pessoas acontece com os animais. O ser humano não leva nenhuma vantagem sobre o animal, pois os dois têm que respirar para viverem. Como se vê, tudo é ilusão, pois tanto um como o outro irão para o mesmo lugar, isto é, o pó da terra. Tanto um como o outro vieram de lá e voltarão para lá. Como é que alguém pode ter a certeza de que o sopro da vida do ser humano vai para cima e que o sopro da vida do animal desce para a terra”? ”. (3,16)

O ser humano em todos os momentos de sua vida está sempre “julgando” os acontecimentos e as pessoas. Busca sempre apontar o “bom e o mau”, o “certo e o errado”, o “justo e o injusto” e age desta forma porque possui o raciocínio, que o diferencia do animal.

Mas estes acontecimentos e pessoas são provas que Deus dá a cada um dos espíritos para que ele utilize o poder do raciocínio para “julgar” dentro dos seus parâmetros individuais, ou se, como os animais, seguem o instinto deixando Deus guiar seus passos.

Os pássaros migram no inverno para encontrar alimentos, outros andam ou nadam quilômetros para procriar ou deixar seus ovos e têm outras fantásticas atitudes que os seres humanos não compreendem. Quem os guia: a inteligência ou a “natureza” (Deus)?

Por isto o Sábio afirma que os seres humanos não são melhores do que os animais.

“mas aquele que encontrou um cadáver, o mundo não é digno dele”

“Quem ama o dinheiro nunca ficará satisfeito; quem tem a ambição de ficar rico nunca terá tudo o que quer. Isso também é ilusão. Quanto mais rica é a pessoa, mais bocas têm para alimentar. E o que ela ganha com isso é apenas saber que é rica. O trabalhador pode ter pouco ou muito para comer, mas pelo menos dorme à noite. Porém o rico se preocupa tanto com as coisas que possui, que nem consegue dormir” (5,10)

Todo aquele que possui as coisas, sejam posses sentimentais, morais ou materiais, tem que se preocupar em salvaguardar o seu patrimônio. Além disso, todos os que possuem alguma coisa sempre estão à procura de mais posses, pois por mais que tenha, jamais estará satisfeito.

Estas duas situações (insatisfação e preocupação) são sentimentos enviados por Deus, negativados pelo espírito com a utilização individualista (posse). Por isto Jesus nos diz que aquele que buscar a felicidade material não será digno de viver neste planeta.

Como já vimos, quando um ser humano pratica um “raciocínio” utiliza um sentimento que será depois expelido no universo e este procedimento o transforma em uma torre de amplificação daqueles sentimentos negativados.

Assim, toda vez que um espírito deseja algo por insatisfação com o que já tem ou preocupa-se com o que já possui, está contribuindo para a poluição sentimental do planeta, pois estará colocando mais sentimentos negativados à disposição de outros espíritos, influenciando em futuros processos de raciocínio destes.

Nós somos o sal para a humanidade, mas se o sal perde o sabor será jogado fora. Se o espírito “poluir” o planeta terá de ser arrancado dele.

Este é o alerta de Jesus.

O evangelho segundo Tomé

Logia 81 - Política e religião

“081. Disse Jesus: aquele que se tornar rico, que venha a ser rei, e aquele que tiver poder, que renuncie a ele”.

Na logia 07 foi falado sobre o poder, ou seja, sobre a humanização do poder. No entanto, nunca é demais falar sobre o assunto.

O tema será os dois poderes existentes sobre o planeta: o poder material e o espiritual.

Utilizaremos neste capítulo trecho do livro “Visão Espiritualista”, onde o espírito, que ficou conhecido em uma de suas encarnações como Prudente de Morais, presidente do Brasil, nos fala sobre a política.

POLÍTICA E RELIGIÃO

Prudente Barros de Morais

Gostaríamos, antes de qualquer coisa, deixar bem claro que religião e política não têm diferença: a religião é a política do espírito. Se a política é a arte de servir ao povo, da mesma forma o é a religião: é a arte de servir aos espíritos encarnados. Portanto, política e religião em nada se distinguem no seu objetivo final que é conduzir a massa encarnada para melhores lugares e com melhores resultados para suas vidas.

O político, o espírito que nasce com a liderança, nada mais é do que um servidor do Plano Espiritual como guia de um grupo de espíritos para servir de instrumento de Deus. Esta deve ser a sua postura. O político não pode pensar em vida própria, pois ele nasceu, além das suas missões individuais, com a missão de liderar populações buscando melhores condições para a vida material.

Quem nasce com esta missão coletiva (líder) tem sempre o sucesso de suas missões individuais ligadas ao sucesso da missão coletiva. Portanto, levando a cabo a missão coletiva com o amor universal estará cumprindo todos os seus “trabalhos”. Apenas buscar solucionar suas missões individuais, poderá deixar serviços para trás.

O espírito que nasce com a vocação política em suas veias deve ter a certeza absoluta de que sua vida está à disposição dos outros espíritos na carne. Alguns, entretanto, mesmo que não nasçam com esta missão, se evocam o direito de procurar a vida política como meio de subsistência material.

Esses espíritos se carregam de muitos erros, pois não têm essa missão. Não podem fazer aquilo para o qual não se encontram preparados. Política é para aquele que vem com esta missão, ou seja, para aqueles que abandonam objetivos individuais para pensar no coletivo. Aos outros, Deus dá como prova a carreira política.

Mas, como identificar aquele que vem com essa missão? Procure no político a liderança. Necessita o político ter a liderança natural, ou seja, quando ele fala as multidões compreendem e o seguem, pois sabem que ele está falando para o “bem” coletivo. Já aquele que não tem essa missão, procura através da corrupção, da compra dos votos, da compra e aquisição de destino dos outros, um lugar para “ganhar dinheiro”.

Não tem esse político o menor pensamento no sentido de servir ao próximo. Não consegue arrebatar da multidão sentimentos positivos e somente com troca de favores consegue o mandato. É como um padre, um pastor, um mentor espiritual ou um guia que trabalha para auxiliar os irmãos cobrando por seus atos.

A vocação em política ou na religião traduz-se pela liderança natural. É líder aquele que é capaz de transmitir a sua mensagem de tal forma que possa o espírito ouvinte compreendê-la, entendê-la e segui-la.

É por este motivo que existem tantos casos de corrupção política. Eles acontecem não só nos dias de hoje, mas no decorrer de todos os milênios. Aquele que sobe ao poder sem ter liderança sobe para satisfazer suas próprias necessidades. É o mesmo que um padre ou um pastor sem vocação.

Muito se fala das igrejas adventistas, das Assembléias de Deus, mas muitos destes lugares fazem trabalhos magníficos quando o pastor é um líder nato. Por esses motivos, todo aquele que tem a função de líder possui a missão para exercer a liderança.

Um outro fator importante: quem assume a posição de líder, assume a responsabilidade pelos atos que praticará ou que fará outros praticarem. O acúmulo de erros daqueles que buscam a sua satisfação pessoal na política é muito grande porque se o grupo erra por determinação do líder, certamente o acúmulo de erros do grupo será todo lançado sobre ele. Não pode nunca o líder pensar em si para resolver. E aquele que não tem essa missão e se avoca, o “erro” é muito maior.

Portanto, política e religião em nada se diferenciam: são dois instrumentos de Deus para colocar espíritos à prova e trazer o benefício para a humanidade.

O evangelho segundo Tomé

Logia 82 - Meu Reino não é deste mundo

“082. Disse Jesus: todo aquele que estiver próximo a mim, está perto do fogo, e todo aquele que estiver afastado de mim, estará longe do Reino”.

“todo aquele que estiver próximo a mim, está perto do fogo”

Na logia 10 Jesus já nos avisou que tinha vindo ao mundo para “colocar fogo nele e que estaria vigiando enquanto ele ardesse”. Naquela logia foi ensinado que este fogo é o amor universal, que é o resultado da reforma íntima dos espíritos.

Agora Jesus diz que quem está perto Dele está também perto deste fogo, ou seja, deste amor universal. Estar perto de Jesus é viver como Ele viveu sua encarnação, ou seja, o que foi abordado nas logias 74, 75 e 76, quando se falou do “Caminho,Verdade e Luz” e da “Consciência Crística” que todos os espíritos devem ter.

“e todo aquele que estiver afastado de mim, estará longe do Reino”

Neste trecho desta logia, mais uma vez Jesus nos alerta que somente a vida da maneira explanada nas logias anteriores pode nos levar à felicidade universal, aquela que não é temporária e nem depende de acontecimentos para ser alcançada.

 “Só pode ser meu seguidor quem pega a sua cruz e me segue. Quem se esforçar para conservar a sua vida vai perdê-la. E quem perder a sua vida por minha causa vai achá-la” (Mateus – 10, 38)

A cruz simboliza nos dias atuais o martírio e sofrimento de Jesus. Portanto, ao dizer que só pode ser seu seguidor aquele que pegar a sua cruz e segui-lo, o Mestre afirma que só alcançará a felicidade universal quem passar por momentos de sofrimento como Ele passou. Jesus foi preso, humilhado, sofreu torturas físicas, mas em nenhum momento reagiu ou tentou libertar-se do seu destino.

Muitas vezes a Bíblia relata intervenção espiritual nos acontecimentos materiais, como no exemplo abaixo:

“Prenderam os apóstolos e os colocaram na cadeia pública. Mas naquela noite um anjo do Senhor abriu as portas da cadeia, levou os apóstolos para fora e disse...” (Atos – 5,18)

Se a espiritualidade pode salvar os apóstolos, interferir na vida de Abraão, Isac, Jacó e muitos outros profetas, por que não fez nada para salvar Jesus de seus sofrimentos? O próprio Mestre nos ensinou:

Pilatos tornou a entrar no palácio, chamou Jesus e perguntou: Você é o rei dos judeus?

Esta pergunta vem do senhor mesmo ou foram outros que disseram isso a respeito de mim? – respondeu Jesus.

Você pensa que eu sou judeu? – disse Pilatos. Pois foi sua própria gente e os chefes dos sacerdotes que o entregaram. O que foi que você fez?

O meu reino não é deste mundo – respondeu Jesus. Se ele fosse deste mundo, os meus seguidores lutariam para eu não ser entregue aos judeus. Mas o fato é que o meu reino não é deste mundo. (João – 18, 33)

Como já entendemos que o reino do céu para Jesus é a felicidade universal, podemos compreender que ao afirmar que seu reino não era deste mundo, o Mestre estava dizendo que sua felicidade não se baseava em acontecimentos materiais, mas que dependia do sentimento que utilizasse para passar por eles.

Por este motivo a espiritualidade não pode interferir nos acontecimentos e “libertar” Jesus do que iria suceder. Nem Jesus, que conhecia estas Verdades Universais aceitaria esta interferência.

“Aí Simão Pedro tirou a espada e cortou a orelha direita de um homem chamado Malco, que era empregado do Grande Sacerdote. Então Jesus disse a Pedro:

- Guarde a sua espada! Você pensa que eu não vou beber o cálice de sofrimento que o meu Pai me deu?” (João – 18,10)

É a esta forma de agir que Jesus está se referindo quando diz que devemos carregar nossa cruz. Todos devem passar por suas situações de sofrimento com amor, sem sentir sofrimento nessas situações, para que possa alcançar o Reino do Céu.

Viver com a consciência crística, seguindo o caminho, a verdade e a luz da elevação espiritual é aceitar todos os acontecimentos da vida como fonte de ensinamento do Pai para todos.

Para se alcançar a elevação espiritual é preciso perder a “vida”, ou seja, aquilo que o ser humano considera vida: os valores materiais. É preciso despossuir as verdades e os outros seres humanos. Aquele que alcança a reforma íntima está “morto” para as coisas deste mundo, ou seja, para os sentimentos negativos que imperam sobre o orbe do planeta.

Jesus viveu desta maneira e por isso está no reino do céu. Quem viver afastado Dele, possuindo valores materiais, viverá também afastado do reino.

O evangelho segundo Tomé

Logia 83 - As duas verdades

“083. Disse Jesus: as imagens são manifestadas ao homem, e a Luz que está dentro delas estará oculta pela Imagem da Luz do Pai. Ele manifestar-se-á a si próprio e sua Imagem será ocultada pela sua Luz”.

“as imagens são manifestadas ao homem”

Os espíritos retidos dentro de uma matéria carnal percebem as imagens através dos órgãos sensitivos do corpo físico. Visão, audição, sabor, olfato e tato, são os sentidos utilizados pelo ser humano para perceber os objetos.

“a Luz que está dentro delas”

Todas as formas existentes foram criadas por Deus como instrumentos para as provas do espírito durante a sua vida carnal.

Uma cadeira não é apenas uma forma de um objeto, mas esse objeto possui uma essência, um valor.

Existem dois tipos de valores ou essências: a verdade relativa e a verdade absoluta. Buda chamou este binômio de “As Duas Verdades”.

A verdade relativa é o valor que o ser dá às coisas, enquanto que a absoluta é o valor real dessas coisas dado por Deus. Portanto, no universo todas as coisas possuem uma verdade absoluta, mas recebem verdades relativas de acordo com o conceito do espírito.

Para alguns, a cadeira pode ser um conforto ou uma sustentação, mas para outros pode ser um objeto de soberba. Tanto o sentimento positivo quanto o negativo são verdades relativas, pois dependem do “ponto de vista” do ser. A verdade absoluta de uma cadeira é que ela é um instrumento de Deus para a evolução do espírito.

Esta essência dos estes objetos é que Jesus chamou nesta logia de “luz” de cada objeto, ou seja, o seu valor espiritual.

Tudo no universo (inteligente ou não) é instrumento de Deus, portanto, possui uma essência positiva. Uma pedra que rola obstruindo uma passagem, um rio que se polui ou um ser humano que causa uma situação negativa a outro são instrumentos da Inteligência Suprema para promover a Justiça Perfeita com a sublimação do Amor. Esta é a “luz” que se encontra dentro de todas as coisas.

No entanto, o ser se imagina com condições de julgar os acontecimentos e por isto aplica a estes instrumentos do Pai uma essência negativa (“mal”). Estes acontecimentos, se gerados por Deus Causa Primária, não podem ser negativos, pois Aquele que possui todos os seus expoentes elevados ao máximo não pode gerar acontecimentos negativos. É o espírito que compreende a coisa como negativa.

O livre arbítrio é a escolha que o ser pode fazer das essências. A reforma íntima que todos buscam é a alteração da essência que se aplica às coisas.

“estará oculta pela Imagem da Luz do Pai”

Para que o espírito possa alcançar a verdade absoluta de alguma coisa (instrumento do Pai para a elevação espiritual) é preciso que ele compreenda o Ser Supremo do Universo.

A essência que o espírito aplica em todas as coisas depende da essência que ele aplica a Deus, ou seja, qual a “imagem” que faz de Deus. Se um espírito acredita que Deus é um Juiz implacável, certamente aplicará em todos os acontecimentos a essência de uma pena. Se o ser acredita que o Pai está inativo esperando o fim da encarnação para julgar, verá no outro ser humano o causador dos acontecimentos e responderá com uma acusação.

A verdade absoluta das coisas fica escondida por causa da verdade relativa que cada um tem de Deus e de Sua ação no universo. Para poder ser atingida a verdade absoluta sobre o Pai, é preciso abrir mão das verdades relativas que cada um possui e buscar a absoluta naqueles que a conhecem: os enviados de Deus.

Os mestres podem nos transmitir a verdade absoluta porque não falaram por si, mas foram “porta-vozes” do Pai. Para eles, Deus é a Inteligência Suprema, a Justiça Perfeita e o Amor Sublime e possui como atributo específico a Causa Primária de todas as coisas: esta é a verdade absoluta de Deus, ou seja, a “imagem da luz do Pai”.

Para que o espírito possa promover a sua reforma íntima é preciso que ele abra mão da verdade relativa que possui sobre o Pai e compreenda Deus a partir da verdade absoluta trazida pelos mestres.

“Ele manifestar-se-á a si próprio e sua Imagem será ocultada pela sua Luz”

Deus causa todos os acontecimentos do universo com perfeição (Inteligência Suprema), visando dar a cada espírito o que ele merece (Justiça Perfeita), mas não como uma pena. Todos os acontecimentos que Deus causa objetivam um ensinamento para a elevação espiritual. Assim, tudo o que acontece é fruto de um Amor Sublime.

Aquele que compreender esta ação no universo não terá mais motivos para ser infeliz e aprenderá com o ensinamento, purificando-se dos sentimentos negativos (sofrimentos). A pedra que obstrui o caminho não mais será empecilho; o rio poluído não mais será mais uma agressão e o próximo não mais nos ofenderá, pois em todos estes atos será compreendida a ação de Deus justa objetivando a elevação espiritual.

Esta visão é a verdade absoluta sobre todas as coisas. Ver a obstrução do caminho pela pedra, a poluição do rio como um “mal” ou sentir-se agredido pelo próximo reflete apenas uma verdade relativa, pois não contempla a verdade absoluta de Deus.

Deus comanda todos os acontecimentos, mas o espírito não vê isso porque ainda “olha-os” com a verdade relativa. É por causa desta verdade relativa que o espírito não alcança a compreensão dos acontecimentos do universo e por isso sofre.

A verdade relativa que o espírito aplica sobre as coisas é sempre um sentimento negativo que fere a lei de Deus “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. É a quebra desta lei que traz o estado de espírito “sofrimento”.

A mudança da verdade que se aplica às coisas (de relativa para absoluta) é a reforma íntima que o espírito promove e que lhe traz a felicidade universal (elevação espiritual).

O evangelho segundo Tomé

Logia 84 - Vaidade

“084. Disse Jesus: quando vedes vossa aparência, vós vos rejubilais. Mas quando virdes vossa imagem, aquela que existe antes de vós, a que não morre e nem se manifesta, quanto podereis suportar?”

“quando vedes vossa aparência, vós vos rejubilais”

“APARÊNCIA – o que se mostra à primeira vista” (Mini Dicionário Aurélio – 3a. Edição).

Ao buscar a definição da palavra “aparência” pode se compreender sobre o que Jesus nos ensina: o corpo físico. O ser humano, aquele espírito que imagina que o corpo é ele, possui adoração por essa figura física. Desde a antiguidade se realizam cerimônias onde o culto ao corpo físico é exercido.

Cuidar do corpo físico é amealhar bens na Terra, o que é contrário ao ensinamento que o Mestre nos deixou. O grande culto que o espírito deve fazer na sua existência é às coisas espirituais.

Nos dias de hoje este culto é mais acentuado. Além da beleza estética (ginásticas, medicamentos, etc) o ser humano ainda procura o culto ao corpo sob a forma de saúde física. São diversos nutrientes, exercícios, cuidados e até cirurgias que o espírito encarnado usa para o seu corpo físico no sentido de prolongar a sua rigidez e aparência.

O sentimento que leva o ser humano a esta busca é conhecido como “vaidade”.

Procurando-se na mesma fonte da citação anterior encontraremos a seguinte definição para o sentimento “vaidade”: “Desejo moderado de atrair admiração”. No entanto, no mesmo dicionário encontramos também a seguinte definição: “Qualidade do que é vão, ilusório”.

A vaidade que leva o ser humano a cuidar de seu corpo físico é vã, pois a essência desta busca não contempla o todo, mas busca alcançar a fama e o elogio individuais.

Como já afirmado, todo sentimento utilizado para o individual é negativo.

Cultuar o corpo físico com o sentido de parecer mais belo ou mais jovem, é um ato movido por um sentimento com polaridade negativa. Cultuar a saúde com a simples intenção de prolongar a vida material sem que esta tenha nenhum objetivo espiritual, também é um ato negativo.

Tudo aquilo que o ser humano pratica que não leve em consideração a elevação espiritual é em vão e ilusório. Em vão porque a decadência do corpo físico é inexorável. Por mais cuidados que se tenha com o corpo, um dia uma doença se instalará e tanto o “forte” como o “fraco” serão desligados dessa matéria densa.

A vaidade negativa é a que é utilizada para fins materiais (individualistas), mas existe também a vaidade positiva (que visa a elevação espiritual), pois o espírito tem a obrigação de cuidar de seu corpo físico que é o instrumento que Deus lhe emprestou para a sua encarnação. Este cuidado, porém, nada tem a ver com remédios ou nutrientes materiais, mas sim com as coisas espirituais.

“Mas quando virdes vossa imagem, aquela que existe antes de vós, a que não morre e nem se manifesta”

Jesus nos fala de uma outra imagem: a que existe antes do ser humano, a que não “morre” nem se manifesta aos sentidos do corpo físico. Esta imagem (“corpo”) foi explicada pela espiritualidade a Alan Kardec.

93 – O espírito propriamente dito, tem alguma cobertura, ou está, como pretendem alguns, envolvido numa substância qualquer?

O espírito está revestido de uma substância vaporal para os teus olhos, mas ainda bem grosseira para nós; muito vaporosa, entretanto, para poder elevar-se na atmosfera e se transportar para onde queira.

150 b – Não tendo mais seu corpo material, como a alma constata a sua individualidade?

Ela tem ainda um fluído que lhe é próprio, tomado da atmosfera de seu planeta e que representa a aparência de sua última encarnação: seu perispírito.

Durante a vida, o espírito se liga ao corpo por seu envoltório semi-material ou perispírito. A morte é apenas a destruição do corpo e não desse segundo envoltório que se separa do corpo quando cessa neste a vida orgânica. (Comentários à resposta da pergunta 155)

(Livro dos Espíritos)

Nestes três textos do “Livro dos Espíritos” encontramos as informações passadas por Jesus nesta logia a respeito desse corpo: anterior ao espírito, sobrevive após o desencarne e não é perceptível pelos espíritos encarnados.

Na verdade o perispírito é formado por diversos “fios” energéticos que possuem o mesmo formato do corpo físico internamente ou externamente, pois possui a mesma forma do corpo, tendo em vista que envolve todas as células deste.

Estes “fios”, além de servirem para “reter” o espírito, transmitem os sentimentos que o espírito recebe através dos chacras. Todas as energias (sentimentos) que penetram por qualquer chacra do corpo espiritual (perispírito) circulam por toda extensão deste antes de serem utilizadas pelo espírito.

“quanto podereis suportar”

O sentimento negativado quando circula pelos “fios” que compõem o perispírito causam um efeito semelhante à oxidação que sofrem os materiais metálicos materiais. Os sentimentos positivos, ao contrário, possuem uma propriedade revitalizante destes “fios”.

Quando existe a oxidação dos metais na matéria, as partes oxidadas vão se desprendendo da peça atingida. O mesmo ocorre com os “fios” que compõem o perispírito. O sentimento negativo ataca estes fios decompondo as “paredes” do mesmo.

Muitos são os exemplos que a literatura espírita traz sobre os efeitos dos sentimentos negativos sobre o perispírito, mas o espírito na carne continua ignorando estes avisos e cultuando a forma do corpo físico e não a do seu corpo espiritual.

Por isto Jesus pergunta se poderemos suportar ao ver a nossa real aparência: o perispírito. Um ser humano atlético, forte, com uma “bela” aparência física, causada pelo sentimento vaidade negativado, não conseguiria se reconhecer através do seu perispírito...

Como foi dito anteriormente, se o sentimento negativo oxida os fios do perispírito, o sentimento positivo os revitaliza. Portanto, a vaidade positiva pode medicar o que a vaidade negativa destrói.

Para se ter a vaidade positiva é necessário que o espírito utilize o amor universal como base para os seus atos. Somente a reforma íntima, que faz o espírito atingir o amor universal, pode garantir a beleza do perispírito!

O evangelho segundo Tomé

Logia 85 - Pecado original

“085. Disse Jesus: Adão veio a existir a partir de um grande poder e uma grande riqueza e, ainda assim, não se tornou digno de vós, porque se o fosse, (ele) não (teria experimentado) a morte”.

“Adão veio a existir a partir de um grande poder e uma grande riqueza”

Precisamos, primeiramente, entender a figura de Adão. Segundo a Bíblia Sagrada, Adão foi o primeiro “homem” criado por Deus no universo (planeta Terra), cuja afirmativa não consegue respaldo nos acontecimentos posteriores.

Vejamos: Adão e Eva tiveram dois filhos: Caim e Abel. O mais velho (Caim) matou o mais novo e foi expulso por Deus do local onde habitava, indo para a região de Node. Ali encontrou sua mulher e com ela teve filhos (Gênesis – cap. 4).

Se Adão e Eva foram os primeiros seres humanos e só tiveram dois filhos, um dos quais foi morto pelo outro, de onde veio a esposa de Caim? Por que Deus teria feito um sinal em Caim para que quem o encontrasse no caminho não o matasse?

Diante desses fatos estamos, portanto, frente a mais uma simbologia utilizada pelos autores dos livros da Bíblia Sagrada.

Os espíritas, buscando interpretar esta simbologia falam na “raça adâmica”, ou seja, Adão e Eva simbolizariam todo um grupamento de espíritos que formou a primeira “turma” a encarnar no planeta Terra.

50 – A espécie humana começou por um só homem?

- Não; aquele a quem chamais Adão não foi o primeiro, nem o único que povoou a Terra. (Livro dos Espíritos)

Esta versão, em se tratando de planeta Terra é verídica, mas ainda não corresponde com a intenção com a qual foi ditado ao mundo dos encarnados o episódio de Adão. Como afirma a Bíblia, Adão e Eva moravam no “paraíso”, ou seja, no reino do céu. A raça adâmica teria sido um grupamento de espíritos vindos de outro planeta (Capela) quando este transformou o seu sentido de encarnação (passou de mundo de provas e expiações para mundo de regeneração). Portanto, esses espíritos não vieram do “paraíso” (local de moradia de espíritos elevados), mas foram exilados de seu planeta por não terem alcançado a evolução necessária para ali permanecerem.

A história de Adão e Eva se refere aos primeiros espíritos criados no universo e não no planeta Terra e foi trazida aos espíritos que aqui encarnaram como uma lembrança do “trabalho” que deve ser executado para que se possa voltar ao “paraíso”.

Portanto, “Adão” é um espírito gerado por Deus em qualquer época, puro e ignorante (sem conhecimentos). É isso que Jesus afirma: quando Deus gera um espírito: que isso é um grande poder e uma grande riqueza.

“ainda assim, não se tornou digno de vós, porque se o fosse, (ele) não (teria experimentado) a morte”

Podemos comparar o espírito gerado por Deus com um recém-nascido no planeta Terra: possui a pureza sentimental, mas ignora as coisas do mundo que o recebe. Assim como o bebê, o espírito precisa aprender as coisas do universo. No entanto, esta procura não pode causar a perda da sua pureza, como acontece com os seres humanos.

Esta condição para o aprendizado consta da história de Adão e Eva:

“Você pode comer as frutas de qualquer árvore do jardim, menos da árvore que dá o conhecimento do bem e do mal. Não coma a fruta dessa árvore, pois, no dia em que você comer, certamente morrerá” (Gênesis – 2,16)

Como vimos na apresentação deste livro (logia 19), na Bíblia Sagrada a árvore representa o conhecimento e os seus frutos os ensinamentos. Utilizando estas figuras, podemos entender que Deus avisa ao espírito recém-nascido que ele pode obter todos os conhecimentos, menos os que lhe darão os ensinamentos para decidir entre o “bem e o mal”. Se o fizer, certamente entrará no ciclo de encarnações (“morrer”).

“A mulher viu que a árvore era bonita e que as suas frutas eram boas de se comer. E ela pensou como seria bom ter este conhecimento” (Gênesis – 3,4)

O espírito recém-nascido que estava na busca do conhecimento perdeu a sua pureza, pois buscou o conhecimento para poder decidir por si próprio o que era “bem ou mal”. A religião católica chamou a esta perda de pureza por parte dos espíritos de “pecado original”.

A transgressão aos desígnios de Deus origina a determinação para que o espírito entre no processo de reencarnações, que acabará quando em uma das encarnações ele conseguir “abrir mão” deste conhecimento. Por isto a religião católica afirma que o batismo (ato religioso realizado algum tempo depois da encarnação) “apaga o pecado original”.

No entanto, apenas ser batizado não garante a elevação espiritual. É preciso que ao longo de sua vida o espírito mantenha a pureza com a qual vem ao mundo. Como já abordado neste trabalho, o poder de definir entre o “bem e o mal” se origina nos conceitos que o espírito forma ao longo da sua vida material.

Para que o espírito mantenha-se puro durante a encarnação, precisa abrir mão de seus conceitos colocando no lugar deles a certeza de que Deus age perfeitamente.

Alcançar este estágio de evolução espiritual é a chamada “reforma íntima”, ou seja, a mudança de sentimentos.

Não é o batizado ou qualquer cerimônia religiosa que pode conseguir o fim do “pecado original”, mas somente a mudança dos sentimentos de um espírito para o amor universal ensinado por Jesus.

Esta mudança determinará o fim da “morte”, ou seja, o fim do processo da “transformação” de ser humano em espírito. Enquanto isto não acontecer, este espírito não será digno da coletividade espiritual, porque buscará a sua felicidade individual com prejuízo da felicidade do todo universal.

O evangelho segundo Tomé

Logia 86 - Sonhos

“86. Disse Jesus: (As raposas) (têm) suas (tocas) e os pássaros têm (seus) ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde recostar a cabeça e descansar”.

“(As raposas) (têm) suas (tocas) e os pássaros têm (seus) ninhos”

O animal, assim como o ser humano, é uma massa carnal que abriga um espírito que dirige as atividades desta massa de acordo com a causa primária determinada por Deus. No entanto, o espírito desse animal encontra-se em uma busca diferenciada daquele que habita a massa do ser humano.

Os espíritos que comandam a massa humana estão na busca da prova, ou seja, provar a Deus que são capazes de, com o processo raciocínio, escolher apenas o amor universal como seu sentimento básico. Aqueles que habitam a massa animal ainda não precisam passar por esta prova e, por isto, seguem o seu instinto.

“INSTINTO – Impulso espontâneo alheio à razão” (Mini Dicionário Aurélio – 3a. Edição)

73 – O instinto é independente da inteligência?

Não precisamente, porque é uma espécie de inteligência. O instinto é uma inteligência não racional e é por esse meio que todos os seres provêm a sua necessidade” (Livro dos Espíritos)

Como já vimos, o raciocínio é a capacidade de perceber e analisar percepções, tomar uma decisão e comandar atos. A parte racional, ou seja, a análise das percepções e a tomada de decisões, não está presente no instinto conforme explicou a espiritualidade a Alan Kardec.

Podemos então definir o instinto como a capacidade de perceber percepções e comandar atos.

A análise e tomada de decisões de um raciocínio como também já vimos, é quando o espírito recebe uma percepção e a analisa a partir de seus conceitos pré-estabelecidos. Se estas etapas não existem no instinto, quer dizer que o espírito que utiliza esta forma de raciocínio não utiliza conceitos para buscar entender os acontecimentos.

O espírito possui uma memória espiritual. Nela, antes da encarnação, são colocados os comandos básicos para facilitar a vida do espírito na carne. Aqueles que encarnam nas formas humanas possuem esta programação, mas sempre questionam qual será a melhor escolha, enquanto que o espírito que habita uma forma animal sempre segue esta programação.

75 – É exato dizer-se que as faculdades instintivas diminuem à medida que aumentam as faculdades intelectuais?

Não, o instinto existe sempre, mas o homem o negligencia. O instinto pode também conduzir ao bem; ele nos guia quase sempre e, algumas vezes, com mais segurança que a razão. Ele não se transvia nunca.

Porque razão não é sempre um guia infalível?

- Ele seria sempre infalível, se não fosse falseada pela má educação, pelo orgulho e o egoísmo. O instinto não raciocina; a razão permite a escolha e dá ao homem o livre arbítrio” (Livro dos Espíritos).

Por estas respostas da espiritualidade, fica bem claro que o espírito que encarna em uma forma humana possui, então, uma missão diferente: precisa vencer a capacidade de querer analisar e escolher qualquer sentimento (raciocínio espiritual) para que possa exercer bem só o amor universal. O espírito que encarna em um corpo de animal, que só utiliza o instinto, não tem esta missão.

“mas o Filho do Homem não tem onde recostar a cabeça e descansar”

Devido à dificuldade maior da missão dos espíritos que encarnam na forma humana, Deus criou um artifício para facilitar sua missão: o sono. Quando o ser humano adormece, seu corpo continua a funcionar e ele (espírito) liberta-se desta prisão carnal e continua a sua existência espiritual fora da carne.

Esta vida que o espírito terá fora da carne dependerá do seu grau de evolução espiritual. Caso esteja ele na busca da elevação espiritual, poderá encontrar mentores para estudo, energização ou missões e poderá participar ativamente da vida fora da carne. Se, no entanto, não estiver nesta busca, continuará a vida material sem perceber que seu corpo está dormindo e que ele está utilizando um corpo mais volátil (perispírito).

Por este motivo é muito comum espíritos fora da carne sentados na cama fora de seus corpos físicos, continuando uma discussão iniciada antes de dormir... Outros espíritos vão a lugares distantes e diversos para “tomar satisfação” de espíritos com os quais tenham tido qualquer tipo de mágoa naquele dia ou em outros. Assim, a vida continua a mesma e ainda facilitada pela libertação do espírito da matéria densa.

Esta existência passa-se no que é conhecido pela ciência como inconsciente do ser humano. Tudo o que o espírito faz ou participa fica ali registrado.

Para que o espírito lembre-se dos acontecimentos do momento do sono, é necessário que estas lembranças alcancem o consciente, ou seja, a memória utilizada por ele na vida carnal.

Sempre que há necessidade desta lembrança para a evolução do espírito, o plano espiritual comanda esta transferência de mensagem. Entretanto, para que não exista uma confirmação material da vida espiritual para aqueles que não têm fé, estas lembranças ficam como se o espírito houvesse tido um “sonho”.

Sonho, portanto, é a lembrança da vida fora da carne que o espírito vive diariamente enquanto o corpo permanece em repouso. Para explicar melhor esta questão, transcrevemos abaixo palestra do amigo Zytos (instrutor espiritual deste grupamento) proferida em 17/05/2000:

O sonho é um estágio conhecido pelos moradores da carne como ”uma fase alcançada durante o sono”, ou seja, durante o processo de dormir. Este conhecimento em parte é verdadeiro: o sonho acontece durante o processo de dormir, mas pode acontecer em outras etapas que vamos estudar também. Primeiramente, vamos deixar bem claro que o sonho independe do sono.

Se o sonho para alguns faz parte do sono, vamos falar muito rapidamente de sono, sem entrar em maiores detalhes, pois trata-se de um assunto específico.

 O sono é um estado no qual a carne fica sem a presença física do espírito. Durante um determinado momento ou tempo, o espírito afasta-se da carne sem perder o contato com esta. Assim, os sentidos da carne são desligados e a matéria entra no estágio sono.

Por que isso acontece, a finalidade, a falta do sono ou outros problemas para dormir, vamos estudar em outra oportunidade.

A partir do momento em que o espírito se afasta do corpo, entra no que é conhecido como “sonho”, ou seja, ele passa a viver a vida espiritual afastado da matéria. O espírito continua tendo a sua vida própria, mas afastada da matéria; vivendo em um mundo espiritual sem massa densa.

 O sonho, então, nada mais é do que a vida espiritual plena, vivida sem matéria densa.

Esta saída se dá da seguinte forma: o espírito sai da matéria densa alongando o perispírito em torno do “cordão” que o liga ao chacra animal (de animação), ou chacra que recebe o fluído animador. Assim, o espírito liga-se ao corpo físico por um ”fio” e o perispírito em torno deste “fio” continua envolvendo o espírito. Após a saída do corpo denso, o espírito dirige-se ao mundo espiritual, dentro do orbe terrestre ou não.

O espírito pode sair ou ir para qualquer dos planos e vida espiritual acessíveis a ele, dependendo da sua missão ou grau de elevação. Pode, ainda ficar na própria orbe terrestre ou ter acesso aos mundos espirituais inferiores. Todos esses locais, dependendo da função ou da missão que será desempenhada, o espírito pode visitar.

Livre então da matéria, vivendo com os seus iguais, fazendo parte do mundo espiritual sem matéria densa, o espírito pode executar atos espirituais. Pode participar de trabalhos, conversar, passear, rever amigos, pode tudo que qualquer espírito fora da carne pode fazer. Não existe restrição para o espírito que mora em uma carne quando ele está fora dela.

O mais comum é o espírito, ao se retirar da carne, ficar no próprio mundo da matéria densa. Quando ele sai, normalmente é para missões de trabalho próprio ou missões de ensinamento, que é outra função muito utilizada durante o sonho. O espírito é levado ao sexto plano e ali é feita uma reciclagem dos conhecimentos adquiridos durante a sua última passagem fora da carne, nas escolas espirituais.

Esta é a função mais comum do espírito quando se retira da carne. Entretanto, quando ele retorna ao mundo denso e tem a consciência material, não se lembra perfeitamente de tudo. É acionado novamente o “véu do esquecimento” que só está presente quando o espírito está na carne. Quando ele sai a trabalho ou em missão durante o sono ou não, o “véu” é retirado.

Por que muitas vezes nos lembramos do que sonhamos e tudo nos parece muito descabido? O que acontece é que cada véu do esquecimento de cada espírito possui um código próprio, personalizado, que interpreta aquilo que aconteceu com ele durante o sono do corpo material. Daí os sonhos mais estranhos ou sem sentido. Sonhos sem sentido porque na realidade são figuras passadas pela “peneira” e interpretadas pelo “véu” para depois serem lançadas na memória.

O “véu” cria figuras que codificam e posteriormente decodificam os atos que aconteceram na vida espiritual, enquanto o espírito esteve fora.

Assim, o espírito sai toda a noite ou todo o dia ou a qualquer momento que o corpo durma, ou seja, tenha os seus sentidos desligados. Sai para estudos, trabalhos, visitas, passeios. Quando retorna, esta lembrança é codificada de acordo com o seu próprio código.

Aqueles que nunca se lembram dos seus sonhos é porque não existe codificação para os atos praticados fora do corpo. O que acontece geralmente nesses casos é que o que foi praticado durante a saída do espírito, não vai ter reflexos e, portanto, não terá necessidade de ser relembrado quando na carne. Quando não existe a lembrança é porque não existe a necessidade daquele ensinamento ou do que foi realizado fora da carne.

Quando existe a lembrança, deve o espírito na carne ter atenção com o “sonhado”, pois ali existem ensinamentos que foram recolhidos fora da carne, não se esquecendo de que foram codificados no seu código próprio. É para isso que serve o sono: para que o espírito na carne tenha um direcionamento mais amplo, uma vez que ele não tem contato consciente com os seus mentores espirituais, que, no “sonho” fazem este trabalho através de lições ou só conversas.

O espírito pode também sair e não existir a necessidade de viagens astrais. Dessa maneira, ele fica sobre a própria orbe terrestre passeando, aguardando a hora de voltar para o corpo, aguardando a hora que o corpo estará pronto para recebê-lo novamente. Durante esta saída pode receber amigos, trocar informações, ou seja, fazer todos os atos que um espírito pode fazer.

Esta é a função do sonho: o espírito vivendo o seu próprio mundo que é o mundo espiritual afastado da matéria densa.

Todo este processo Deus criou para auxiliar os espíritos que se encontram na massa carnal humana, devido às características desta encarnação. Aqueles que encarnam em massas animais, apesar de também terem o processo “sono”, não precisam deste desligamento da carne e, por este motivo, podem descansar.

Este é o ensinamento que Jesus nos traz nesta logia.

O evangelho segundo Tomé

Logia 87 - Religação com Deus

“087. Disse Jesus: maldito o corpo que depende de um corpo e maldita a alma que depende desses dois”.

“maldito o corpo que depende de um corpo”

A essência da busca dos ensinamentos de Jesus fica bem clara pela quantidade de vezes que Ele fala do mesmo tema: o fim da vida com a visão “ser humano” para o início da vida baseada na busca da elevação espiritual.

Nesta logia a frase “maldito o corpo que depende de um corpo” quer dizer: “maldito” será o espírito que se achar carne e fizer das coisas materiais a motivação da sua vida.

Porém, esta repetição de ensinamentos no mesmo sentido facilita o estudo e o entendimento, porque permite analisar diversos ângulos da questão. Nesta logia, serão transmitidos os ensinamentos de como fazer a sua religação com Deus, independente da matéria física.

“maldita a alma que depende desses dois”

Para Jesus, “maldito” será o espírito que depender de uma matéria para viver a sua vida material, “maldito” será o espírito que precisar de coisas materiais para poder se religar com Deus.

A palavra “depender” significa subordinar-se a uma condição material para que exista a prática espiritual (religação)

Existindo ou não as condições e objetos materiais, o espírito tem sempre que procurar a sua religação com Deus. Quem deixa de fazê-lo por imaginar que Deus está em apenas em algum lugar ou objeto e não no todo universal, é que Jesus chama de “maldito”.

Locais de oração

Muitos acreditam que para se religar a Deus precisam ir a lugares como igrejas, templos, centros, pois só lá conseguirão fazer a sua religação espiritual. Os próprios espíritas desaconselham o trabalho espiritual fora dos centros, avisando que, assim procedendo, não encontrarão “defesas” contra “espíritos negativos”. Mas tudo isso é apenas fruto da visão “ser humano” e da divisão do universo em “mundo espiritual” e “mundo material”.

Deus está em todas as partes e em tudo. Desta forma, qualquer que seja o lugar pode haver a religação com Deus. O que é necessário para esta religação é a fé em Deus e isto está dentro de cada um e não em uma dependência física.

De nada adianta o ser humano ir a uma igreja de qualquer religião e não se preocupar com seu real encontro e momento com Deus e ali estar apenas por “obrigação” ou medo das acusações da sociedade...

Rituais

Os seres humanos acreditam em rituais pré-determinados que se não forem seguidos, poderão impedir a religação com Deus. Quando isto acontece, mais uma vez a matéria (forma) se sobrepõe à essência (sentimento).

Para se religar com Deus, o espírito não necessita de nenhum rito, de palavras decoradas, mas precisa falar a mesma “língua” de Deus. Esta “língua” é a felicidade universal que só é alcançada com a utilização do amor universal.

Portanto, não importa quais sejam os ritos ou palavras executadas, o espírito conseguirá a sua religação com Deus quando utilizar o amor universal para falar com o Pai.

Imagens

O segundo mandamento da lei de Moisés é muito utilizado por algumas religiões para condenar aqueles que utilizam imagens na sua religação com Deus, que são chamados de “idólatras”.

As imagens possuem algumas funções na vida material dentro de templos e centros de algumas religiões ou fora deles, que precisam ser compreendidas.

As imagens podem ser utilizadas, desde que não sejam idolatradas, ou seja, não se deve depender delas para fazer a religação com Deus.

O ser humano que depende de imagens para se religar com Deus é “maldito” para o mundo espiritual, pois ele fica preso à materialidade e não entende que o que importa na religação com Deus é o sentimento que ele coloca nela.

Quando existe a idolatria pelas imagens, o sentimento é dirigido àquele pedaço de matéria e não ao Pai Supremo.

Ao se usar imagens é preciso saber que uma das suas funções é a de “depósito” de energias que serão utilizadas pela espiritualidade durante um trabalho espiritual. A outra fala diretamente ao espírito encarnado: como o raciocínio material é feito sobre “figuras”, as imagens podem facilitar o endereçamento da religação.

Para muitos seres humanos é difícil ligar-se a alguma coisa sem uma figura. Deus, por sua imaterialidade, não possui muitas figuras e quase nenhuma imagem. Mas, a figura dos “santos” ou do próprio Jesus podem facilitar a ligação ao Pai. No entanto, adorar a imagem ou ao próprio santo, é desrespeitar o primeiro mandamento da lei trazida por Moisés e confirmada por Jesus: amar a Deus acima de todas as coisas.

 

Objetos Materiais.

Existem diversos objetos utilizados durante os cultos. Todos eles têm um papel importante para auxiliar a religação de alguns espíritos na carne. Os católicos utilizam o texto, a hóstia; o evangélico usa a Bíblia; os cristãos espíritas utilizam as flores e a água que será fluidificada pelos espíritos desencarnados.

Os espíritas africanos (Umbanda, Candomblé) são os que mais utilizam coisas materiais nos seus rituais, mas existem motivos para tanto: elas são utilizadas para compor um “personagem” que pode auxiliar alguém a exercer a sua fé de que o Pai irá agir através daquele espírito para trazer o auxilio a ele. Assim, o “preto velho”, personagem da “umbanda”, precisa se caracterizar através de seu cachimbo e dos defumadores; o índio precisa do arco e flecha e a rainha do mar (Iemanjá), precisa dos colares e enfeites...

Seguindo a base deste ensinamento, o problema não é utilizar estes materiais, mas sim depender deles para o culto. Acreditar que uma pedra pode trazer felicidade sem esforço (trabalho) para sua reforma íntima, transformará o espírito em “maldito”.

Jesus nos deixou através do Evangelho de Mateus:

Quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas. Eles gostam de orar de pé nas casas de oração e nas esquinas das ruas para serem vistos por todos. Lembrem-se disto: eles já receberam toda a recompensa. Porém, quando você orar, feche a porta e ore ao seu Pai, que não pode ser visto. E o seu Pai, que vê o que você faz em segredo, lhe dará a recompensa.

Nas suas orações, não fiquem repetindo o que já disseram, como fazem os pagãos. Eles pensam que Deus os ouvirá porque fazem orações compridas. Não sejam como eles, pois o Pai já sabe o que vocês precisam, antes de pedirem. (6,5)

O evangelho segundo Tomé

Logia 88 - As doze tribos de Israel

“088. Disse Jesus: os anjos e os profetas virão a vós e vos darão o que é vosso. E vós, da mesma forma, devereis dar-lhes o que está em vossas mãos e dizei convosco próprios: em que dia virão eles para receber o que lhes pertence?”

“os anjos e os profetas virão a vós e vos darão o que é vosso”

558 – Os espíritos têm outra coisa a fazer que melhorar-se pessoalmente?

- Eles concorrem para a harmonia do universo, executando a vontade de Deus, do qual são ministros. A vida espírita é uma ocupação contínua, mas que nada tem de penosa, como sobre a Terra, porque não há fadiga corporal, nem as angústias da necessidade. (Livro dos Espíritos)

Nesta logia Jesus fala do “sal da humanidade”: cada espírito tem a missão de auxiliar o próximo no seu processo de evolução. Tanto os anjos (espíritos desencarnados) como os profetas diários (espíritos encarnados – ver logia 54), vêm dar o que é do espírito, ou seja, o ensinamento que Deus mandou.

562 – Os espíritos de ordem mais elevada, não tendo nada mais a adquirir, estão em repouso absoluta ou têm também ocupações?

Que quereríeis que eles fizessem durante a eternidade? A ociosidade eterna seria um suplício eterno.

Qual a natureza dessas ocupações?

Receber diretamente as ordens de Deus, transmiti-las em todo universo e velar pela sua execução.

É desta forma que o universo vive: Deus comanda todas as coisas com Perfeição e utiliza os espíritos para executarem as suas determinações. Para este funcionamento existe toda uma organização entre os espíritos e mesmo os chamados negativos (do “mal”) cumprem um papel útil na harmonia universal (ver perg. 559 do Livro dos Espíritos).

A cadeia de comando dos acontecimentos do universo começa em Deus (Causa Primeira) e daí segue para os Governadores Gerais dos sistemas solares (divisão do universo quanto aos locais de moradia. Um sistema solar é composto pelos planetas que gravitam em torno de um mesmo “sol”). Estes Governadores, por sua vez, comandam toda uma cadeia de espíritos que executam as suas determinações, sempre baseadas no Comando Primário dado por Deus.

No caso do planeta Terra, o Governador Geral de todo o sistema solar é o espírito que é conhecido por Cristo. É Dele o comando de todos os acontecimentos também sobre o nosso planeta e para auxiliá-lo existe toda uma cadeia de espíritos que executam a tudo que é determinado por Deus.

Esses espíritos ocupam nove dimensões espirituais que existem junto com o planeta físico. (ver logia 03).

1a Dimensão – Cristo e os Ministros planetários;

2a Dimensão – Anjos

3a Dimensão – Arcanjos

4a Dimensão – Almas Santas ou Benditas

5a Dimensão – Espíritos comandantes

6a Dimensão – Espíritos professores

7a Dimensão – Espíritos socorristas

8a Dimensão – Espíritos na carne (densidade material)

9a Dimensão – Espíritos negativados fora da carne

Cada uma destas dimensões (densidade da matéria ocupada) é ocupada por espíritos de acordo com sua elevação espiritual, ou seja, pelo grau de universalidade de aplicação de sentimentos que ele já conseguiu.

560 – Os espíritos têm, cada um, atribuições especiais?

- Isso quer dizer que todos nós devemos habitar em toda parte e adquirir o conhecimento de todas as coisas, presidindo sucessivamente a todos os componentes do universo. Mas como está dito no Eclesiastes, há um tempo para tudo; assim, tal cumpre, hoje, seu destino neste mundo, tal cumprirá, ou cumpriu, em outra época, sobre a Terra, na água, no ar, etc. (Livro dos Espíritos).

Como transmitido a Alan Kardec, os espíritos possuem funções específicas por determinado tempo até que tenham aprendido o que Deus queria lhes ensinar e depois irão executar missões diferentes, para novo aprendizado.

Na logia 77 foi falado sobre a escolha de Cristo para presidir a evolução dos espíritos no planeta Terra. Após a “cerimônia” que confiou a Ele a presidência dos trabalhos para a evolução dos espíritos, Cristo “quebrou os selos” e conheceu todo o destino do planeta, conforme já previsto por Deus. Depois que tomou conhecimento do seu trabalho, Cristo, então, escolheu os auxiliares para a sua missão.

Depois disso vi quatro anjos em pé nos quatro cantos do mundo, segurando os quatros ventos da terra a fim de que nenhum vento soprasse sobre ela, nem sobre o mar, nem sobre nenhuma árvore. Vi outro anjo que subia do lado que o sol nasce e que trazia nas mãos o sinete do Deus vivo. Ele gritou com voz bem forte para os quatro anjos que tinham recebido o poder de fazer estragos na terra e no mar. O anjo disse:

Não façam estragos na terra, nem no mar, nem nas árvores, até marcarmos com o sinete a testa dos servos do nosso Deus.

Então me disseram o número dos que foram marcados nas suas testas com o sinete de Deus: eram cento e quarenta e quatro mil. Pertenciam a todas as tribos do povo de Israel, doze mil de cada tribo:... (Apocalipse – 7,1).

Antes de qualquer atividade, Cristo “marcou” os espíritos que iriam auxiliá-lo diretamente no processo de evolução dos que encarnariam no planeta Terra. Esses espíritos auxiliares foram divididos em doze grupamentos espirituais, cada um em uma missão, possuindo representantes de todas as dimensões espirituais.

Oito destes grupamentos foram destinados para comandar o “acontecimento das coisas”:

1o acontecimentos no mundo mineral;

2o acontecimentos no mundo aquático;

3o acontecimentos no mundo gasoso;

4o acontecimentos no mundo vegetal;

5o acontecimentos no mundo animal;

6o acontecimentos no corpo humano;

7o acontecimentos nas coisas “criadas” pelos seres humanos;

8o acontecimentos “gerados” pelo ser humano, ou seja, o pensamento.

Dois grupamentos trabalham no apoio às religiões:

9o Auxílio às religiões cristãs;

10o Auxílio às religiões não cristãs.

Existem ainda dois grupamentos que só trabalham em ocasiões especiais, cuja função é trazer ensinamentos necessários para a compreensão das coisas fora da matéria densa: o 11o e o 12o Grupamentos Espirituais.

SOCIALIZAÇÃO DO PLANETA (Formação das civilizações antigas): 11o Grupamento;

IMPLANTAÇÃO DO DEUS ÚNICO (Unicidade dos deuses): 12o Grupamento;

VINDA DE JESUS (Apoio à encarnação e posterior divulgação dos ensinamentos): 12o Grupamento;

INFORMAÇÃO DA EVOLUÇÃO ESPIRITUAL (Ensinamentos transmitidos a Alan Kardec): 11o Grupamento;

TRANSFORMAÇÃO DO PLANETA DE PROVAS E EXPIAÇÕES PARA REGENERAÇÃO (Momento atual): 11o Grupamento.

Estes dois grupamentos espirituais só trabalham em missões específicas. Seus componentes são espíritos oriundos de outros planetas e que já alcançaram uma evolução maior do que os espíritos que se encontram em evolução no planeta onde atuam.

Os espíritos do 11o Grupamento vieram de um planeta chamado “Sol Poente” e os do 12o Grupamento vieram do planeta chamado “Orion”, que não é a mesma estrela batizada com este nome pelos astrônomos terrestres. Estes últimos foram convidados pelo próprio Cristo, uma vez que foi nesse planeta que Ele fez todo o seu processo evolutivo até assumir o comando deste sistema solar.

Apesar do grau de elevação espiritual, esses espíritos podem e falham em suas missões quando estão na carne. Sempre que isso acontece é necessário expiar as faltas em encarnações posteriores, mas, de qualquer maneira, esta expiação estará sempre ligada à missão do grupo.

A existência destes grupos especiais foi desvendada a Alan Kardec quando de sua missão.

Podemos voltar a ela depois de termos vivido em outros mundos? Seguramente, já vivestes em outros mundos e sobre a Terra. (Livro dos Espíritos – perg. 173)

“E vós, da mesma forma, devereis dar-lhes o que está em vossas mãos”

Os anjos e profetas que procuram o espírito encarnado fazem parte do 8o Grupamento, ou seja, aqueles que vêm dar o pensamento que irá gerar o ato determinado por Deus. Ë assim que esses espíritos têm conhecimento dos sentimentos que cada espírito nutre.

É isto que Jesus fala nesta logia. Todos aqueles que vêm trazer o comando de Deus levam de volta ao universo (a Deus), através da cadeia de espíritos, os sentimentos que estão sendo utilizados por aqueles que eles atenderam. Será esta informação que levará o Pai a construir o próximo acontecimento da vida daquele espírito.

Assim, se o espírito possui uma base negativada, Deus comandará um acontecimento que auxiliará aquele espírito a alterar esta base sentimental. Todas as ações do Pai são no sentido de provocar a alteração sentimental dos espíritos e não castiga-los pela utilização do negativo.

A presença destes irmãos ao lado dos outros espíritos é constante. A cada segundo um enviado de Deus vem trazer a um espírito um pensamento que provocará um ato. Da mesma forma, a cada segundo o espírito trabalhador transmitirá para o universo os sentimentos daquele que está sendo atendido e novo pensamento será enviado por Deus.

Esses “comandantes de pensamentos” não ficam permanentemente ao lado do outro espírito. Eles recebem o direcionamento para uma determinada seqüência de atos (ir de um lugar para outro, fazer determinado trabalho, etc.) e quando ela termina, retornam para receber nova missão junto a outro espírito.

“dizei convosco próprios: em que dia virão eles para receber o que lhes pertence”

É por isso que existe a necessidade constante da vigilância dos sentimentos que o espírito utiliza, que Jesus vem nos alertando sempre neste evangelho.

Quando o espírito trabalhador vem dar o pensamento e constata um sentimento negativo, ele informa a Deus e Ele terá que gerar um acontecimento negativo, pois somente agindo sobre o “individualismo” do espírito é que Deus o estará auxiliando na evolução.

Para que o espírito evolua, Deus não pode comandar o que ele quer (individualismo), mas precisa mostrar-lhe que ele não possui comando algum sobre a sua vida material. A situação negativa não é uma pena, mas um ensinamento que deve ser recebido com alegria, pois o Pai sabe o que é melhor para cada espírito.

Desta forma, quando o espírito possui o amor universal os acontecimentos sempre o satisfarão, pois ele não perderá jamais a felicidade universal.

O evangelho segundo Tomé

Logia 89 - Higiene espiritual

“089. Disse Jesus: Por que lavais o exterior da taça? Não entendeis que o que fez o interior é o mesmo que fez o exterior?..

“Por que lavais o exterior da taça? Não entendeis que o que fez o interior é o mesmo que fez o exterior”

Esta logia, para quem vem acompanhando os ensinamentos que este livro está trazendo, é de fácil compreensão, pois Jesus nos alerta de que o espírito não deve preocupar-se com a aparência física, mas sim com a aparência espiritual, ou seja, com seus sentimentos.

Para justificar esta “limpeza”, Jesus volta a lembrar que o ser humano é um espírito preso a uma matéria densa. Afirma também que não adianta o espírito se preocupar com o exterior (corpo físico) porque este corpo não será resultado do trabalho do espírito, mas obra de Deus.

A “higiene” de que Jesus trata nesta logia é a reforma íntima. Como já visto, o caminho, a verdade e a luz (reforma íntima) que podem levar a Deus é a vida como Jesus viveu. Por este motivo, esta logia estuda mais alguns dos ensinamentos que o Mestre nos deixou e que são conhecidos dos cristãos, pois se encontram no Evangelho de Mateus:

Jantar com as pessoas de má fama

Jesus ensina que não deve haver preconceitos de espécie alguma. Aquele que deseja promover a sua reforma íntima não pode escolher os que são merecedores ou não do amor. Viver como o Mestre é aceitar a todos como espíritos em evolução. Para isso é preciso acabar com os conceitos que separam as pessoas entre as “certas” e as “erradas”. (9, 9)

Não paz, mas a espada.

A reforma íntima não pode ser alcançada pela paz baseada na dominação da vontade dos outros. Para que ela seja executada é preciso utilizar a espada que Jesus traz (amor) para eliminar a auto visão “ser humano” que o espírito aprende durante a encarnação. (10,34)

Jesus e o sábado

Para o Mestre a reforma íntima leva o espírito a compreender que os termos da lei não são para serem entendidos pela letra fria, mas que se deve agir com bondade com todos. (12, 1)

A mãe e os irmãos de Jesus

Com a pergunta “Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?”, Jesus ensinou a igualdade necessária do amor universal. Aquele que quiser promover a sua reforma íntima tem que tratar a todos os irmãos da caminhada de forma igual. (12,46)

Parábola do semeador

Com este ensinamento, Jesus mostra que os ensinamentos necessários para a promoção da reforma íntima não dependem do semeador, pois ele sempre estará espalhando sementes prontas para germinar. No entanto, esta germinação depende exclusivamente do terreno onde caírem, ou seja, da recepção que cada um der aos ensinamentos. (13, 1)

O joio e o trigo

Para alcançar a reforma íntima é necessário que o espírito deixe tudo o que for “plantado” dentro dele germinar para só depois escolher o que é trigo ou joio. (13, 24).

O mais importante no reino do céu

A reforma íntima verdadeira, aquela que acaba com todos os conceitos, devolve ao espírito a sua pureza sentimental, acabando com o seu “querer”. É por isto que Jesus afirmou que o mais “importante” no reino do céu será aquele que for como uma criança. (18, 1)

Perdoar sete vezes setenta vezes

Aquele que busca a reforma íntima não pode em momento algum e por motivo nenhum revidar aos acontecimentos com outros espíritos. Isto só será conseguido quando o espírito não for mais “ferido”, ou seja, não tiver mais desejos para serem contrariados. (18, 21)

O moço rico

Na resposta que Jesus deu ao moço rico que queria seguir as leis de Deus, aquele que quer promover a sua reforma íntima encontra um sábio ensinamento: é preciso abrir mão das posses, não só das coisas materiais, mas também das posses morais e sentimentais. (19, 16)

Os trabalhadores da plantação de uvas

Deus promove os acontecimentos da vida de acordo com o planejamento da encarnação (livro da vida) feito pelo próprio espírito. Promover a reforma íntima é não cobiçar o que os outros recebem e saber que aquilo que está recebendo é o justo e necessário para a sua evolução. (20,1)

Os dois filhos

Neste ensinamento, Jesus nos alerta que a reforma íntima é alcançada por aquele que cumpre os desígnios do Pai, mesmo que inicialmente tenha se contraposto a eles. (21, 28)

O mandamento mais importante

Amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, é a única ação que um espírito pode fazer para alcançar a reforma íntima. Todos os outros aspectos da lei de Deus convergem a este mandamento. (22, 34)

Jesus condena os professores da lei

Com estes ensinamentos, Jesus traça todo o perfil da ação de quem se vê como ser humano. Ao não agir de acordo com os atos dos professores da lei descritos, o espírito consagra o trabalho para a promoção da sua reforma íntima. (23,1)

O grande sofrimento

Em diversos ensinamentos Jesus alerta aos espíritos que chegará a hora em que o planeta evoluirá (troca do sentido da encarnação) e que aqueles que não promoverem a sua reforma íntima terão que ser dele retirados, continuando seu processo de evolução em outro lugar. (24,1)

O empregado fiel e o infiel

Para Jesus, o empregado fiel é aquele que o patrão coloca para tomar conta dos outros e lhes dar alimentos no tempo certo. Como ser como este empregado sem seguir o mandamento de amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo? O Mestre ainda nos avisa neste ensinamento: “Feliz aquele empregado que estiver fazendo isso quando o patrão chegar! “ (24, 45)

As dez moças

Com o exemplo das moças desajuizadas, o Mestre nos avisa que a vigilância deve ser completa para que o espírito esteja preparado para o dia em que terá que se apresentar ao Pai para saber se continuará ou não no planeta. Aquelas “moças” que saem para comprar são os espíritos que deixam para outras vidas a promoção da reforma completa de sua vida. (25,1)

Os três empregados

O “dinheiro” que o patrão dá aos seus empregados é o amor. Quando ele retornar perguntará quem colocou o amor em movimento para que ele gerasse frutos. Estes serão os empregados bons e fiéis que receberão mais “dinheiro” (amor) para trabalhar. Mas aquele que individualizar a utilização deste amor será considerado um empregado “mau e preguiçoso” e será lançado no lugar onde há ranger de dentes. (25,31)

Esta é uma lista de “produtos” que podem promover a “higiene” do espírito, principalmente juntando-se a eles a lista de “produtos para esterilização” transmitidas no sermão do monte (logia 76).

O evangelho segundo Tomé

Logia 90 - Jugo leve

“090. Disse Jesus: vinde a mim, pois que meu jugo é leve e meu domínio, suave e achareis repouso”.

“vinde a mim, pois que meu jugo é leve e meu domínio, suave”

Jesus promete, para aqueles que buscam seguir os seus ensinamentos, um jugo leve e um domínio suave. Mas, será que é isto que acontece àqueles que buscam nas doutrinas religiosas os ensinamentos de Jesus?

As doutrinas religiosas cristãs hoje existentes no planeta colocam, na verdade, um jugo pesado para os seus seguidores. São regras e leis que devem ser seguidas sem restrições, pois aqueles que não as seguirem poderão ser condenados ao “fogo do inferno”. Um religioso cristão precisa portar-se de uma maneira específica, precisa praticar atos padronizados na sua vida pública para poder “merecer entrar no reino do céu” e aqueles que não praticam esses ditames pré-concebidos são acusados sem hesitação.

Isto já é antigo nas religiões. Todas as doutrinas baseadas nos ensinamentos trazidos por Jesus até hoje criadas transformaram os ensinamentos do Mestre em ditames, o que Ele mesmo combateu em sua época.

“Amarram fardos pesados e põem nas costas dos outros, mas eles mesmos não os ajudam, nem ao menos com um dedo, a carregar esses fardos” (Mateus – 23, 4)

“Pois atravessam os mares e viajam por todas as terras para procurar converter uma pessoa à sua religião. E, quando conseguem, tornam essa pessoa duas vezes mais merecedora do inferno que vocês mesmos” (Mateus – 23, 15)

Com estes dois ensinamentos deixados por Jesus podemos compreender o que deve ser uma doutrina que realmente reflita os seus ensinamentos.

Para ter um jugo leve é preciso que a doutrina ajude cada pessoa a carregar os seus fardos. Estes fardos podem ser explicados como as “culpas” que o espírito tem: seus sentimentos negativos. No entanto, quando o espírito “erra”, as doutrinas apressam-se a condená-lo.

Uma doutrina baseada verdadeiramente nos ensinamentos do Mestre não pode acusar ninguém, principalmente nos momentos em que os espíritos mais precisam de amor. Colocar um jugo leve, um domínio suave sobre a vida dos espíritos é dar a eles o ensinamento necessário para que consigam atingir a consciência da ação do amor universal, mas respeitando o direito de cada um de não aceitar esse sentimento.

Jesus ordenou que amássemos ao próximo como a nós mesmos. Em uma das parábolas Ele nos fala quem é o nosso próximo ao contar a história de um samaritano, que socorre um homem ferido (um hebreu). Esta parábola transformou o sentido da palavra “samaritano”, que hoje tem o valor de “homem bom, caridoso” (Mini Dicionário Aurélio – 3a Edição). No entanto, o samaritano da parábola era um habitante da cidade de Samaria, na Palestina, cujos habitantes eram inimigos dos hebreus (tribo do homem ferido).

Com este entendimento o ensinamento de Jesus fica muito mais claro: o próximo que devemos socorrer é sempre o nosso inimigo. O inimigo (aquele que pratica atos que outro ser humano não concorda) é o próximo que deve ser amado mais fortemente. Ensinar e principalmente praticar este amor é condição básica para que uma doutrina tenha o jugo leve.

Como amar o inimigo, perdoar setenta vezes sete ou dar a outra face? Isto só pode ser conseguido não vendo aquele que age diferente como um inimigo. Para isto é preciso acabar com os conceitos, principalmente os religiosos, ou seja, acabar com as leis doutrinárias que querem reger, fiscalizar e comandar a vida dos fiéis.

O jugo leve que Jesus diz que a sua doutrina possui não pode se basear em códigos de leis, mas tão somente na utilização do amor universal.

“e achareis repouso”

O repouso que Jesus promete aos espíritos é a felicidade universal. Quando o espírito consegue trilhar o caminho para a elevação espiritual (colocar em prática os ensinamentos de Jesus), ele acaba com a tristeza que cansa os espíritos.

Aquele que vive sob códigos de lei que devem ser seguidos e, principalmente, quando é cobrada a sua execução, não consegue repousar, pois estará sempre vigilante para poder acusar os outros em seus momentos de “deslizes”.

Aquele que encontra o caminho, a verdade e a luz para alcançar a sua elevação espiritual, não julga os seus semelhantes e, por isso, não precisa ficar vigiando os atos alheios para determinar o “certo” e o “errado”. Esse espírito encontra repouso na ação de Deus (Causa Primária) movida por Seus atributos (Inteligência Suprema, Justiça Perfeita, Amor Sublime).

O jugo leve que leva ao repouso que Jesus nos ensina baseia-se, então, no fim das leis (individuais e coletivas), trocando-as pela ação universal do Pai com Seus atributos. Isto foi ensinado por Jesus no Evangelho de Maria Mágdala, que já citado na logia 06:

“Em marcha! Anunciai o Evangelho do Reino. Não imponhais nenhuma regra além daquela da qual fui o Testemunho. Não ajunteis leis às dadas por Aquele que vos deu a Tora a fim de não vos tornardes seus escravos”. (O Evangelho de Maria – Miriam de Mágdala – Pág. 8 – linha 23)

Nota dos autores espirituais

A missão da Academia Superior de Ciências Espirituais neste momento do planeta é trazer os ensinamentos que realmente reflitam a essência das Verdades Universais, assim como transmitir os ensinamentos necessários para a evolução de todos. Isto não pode ser feito sem que se faça uma exposição da maneira de proceder existente atualmente. O conteúdo deste texto é o ensinamento necessário para que os “professores da lei” possam, eles mesmos, entrar no reino do céu, ou seja, na felicidade universal, sem acusações às diversas religiões existentes.

O evangelho segundo Tomé

Academia Superior de Ciências Espirituais

A Academia Superior de Ciências Espirituais é composta por espíritos pertencentes ao 11o e 12o grupamentos de auxílio a Cristo na administração da evolução dos espíritos no planeta Terra (vide logia 087). 

Nela são gerados os programas para as transformações do sentido de encarnação sobre o planeta, segundo as causas primárias ditadas por Deus e transmitidas pelo seu Mestre Supremo, Cristo.

Foi assim quando da socialização do planeta. Desde as primeiras sociedades orientais até as ocidentais (Grécia, Roma e Egito), todas nasceram comandadas por espíritos pertencentes a esta Academia, encarnados ou não.

Quando da implantação do Deus Único, foram espíritos do 12o grupamento que executaram as missões que estão estampadas na Bíblia Sagrada. Além disso, eles foram comandados diretamente por espíritos pertencentes à Academia Superior de Ciências Espirituais que viveram encarnações como a de Abraão, Isaque, Jacó e Moisés.

Quando Deus decidiu criar uma encarnação para um espírito que se chamaria Jesus, coube a esta Academia toda a preparação e apoio ao Mestre Cristo. Foram planejadas as encarnações de Maria, José, Isabel, João Batista e muitos outros, que criaram o ambiente necessário para as transmissões de Cristo por intermédio do espírito que encarnou como Jesus. Além das encarnações também coube à Academia Superior de Ciências Espirituais ordenar todo o apoio “invisível” para que aquela encarnação ficasse marcada pelos “milagres”.

Todas as curas foram executadas por espíritos desencarnados sob o comando de Cristo obedecendo a Causa Primária determinada por Deus. Por este motivo não existe na Bíblia uma linha em que “Jesus” tenha afirmado que Ele executou as curas, mas sim que todos alcançaram seus objetivos pela fé. Os doentes eram, na verdade, mensageiros enviados anteriormente pela Academia com esta missão específica e que suportaram suas mazelas com amor e como instrumentos do Pai.

Senhor, o seu querido amigo Lázaro está doente!

Quando Jesus ouviu isso disse:

- O resultado final dessa doença não será a morte de Lázaro. Isto está acontecendo para a glória de Deus, a fim de que o Filho de Deus seja glorificado. (João – 11, 3)

Por este acontecimento trazido por João, fica bem claro: houve todo um planejamento para que a encarnação Jesus jamais fosse esquecida sobre a face do planeta. A multiplicação dos pães, a transformação da água em vinho, as curas e as ressurreições foram organizadas e administradas por toda uma plêiade espiritual que seguiu a organização gerada pela Academia Superior de Ciências Espirituais, a fim de que Cristo pudesse transmitir seus ensinamentos. Para muitos outros atos “extraordinários” de Jesus (andar nas águas, secar a figueira), não houve a necessidade de interferência de espíritos desencarnados, pois Ele, nessa encarnação, por sua elevação, também conhecia profundamente os ”segredos” da natureza.

Durante os dois milênios que se seguiram, diversos foram os membros da Academia que encarnaram sempre procurando manter vivos os ensinamentos enviados por Cristo. Eles se transformaram nos santos, iluminados ou qualquer outro nome que as religiões tenham dado àqueles que viveram com o amor universal. No entanto, a grande maioria dos espíritos que encarnou para este fim teve uma encarnação anônima.

A missão destes enviados anônimos foi junto a grupos restritos de espíritos, auxiliando os seus irmãos trabalhadores a recuperarem a seu padrão sentimental para poderem voltar a executar suas missões.

No final do segundo milênio, a Academia Superior de Ciências Espirituais recebeu a determinação de preparar o planeta para o fim do mundo de provas e expiações. Para tanto, um de seus membros encarnou com a missão de codificar novos ensinamentos que seriam necessários para a alteração da encarnação.

Hippolyte Léon Denizard Rivail, ou simplesmente Allan Kardec, foi o nome com o qual ficou conhecida a encarnação do mensageiro da Academia que trouxe ao planeta a notícia da evolução espiritual dentro de uma escala, de acordo com os sentimentos que cada um nutre.

Quem conhece a biografia desta encarnação sabe que Kardec, após participar de algumas sessões com espíritos desencarnados, recebeu a comunicação de um espírito que se intitulou “Espírito da Verdade”. Este espírito desencarnado que relembrou a Allan Kardec a missão que ele viera para cumprir no planeta, era membro da Academia e estava em missão de apoio ao seu irmão encarnado.

A partir daí foram quatorze anos de trabalho conjunto de Kardec com seus companheiros da Academia para formar a codificação dos ensinamentos que deveriam formar uma das bases para a alteração do sentido da encarnação no planeta.

“Se vocês me amam, obedeçam aos meus mandamentos. Eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Auxiliador, o Espírito da Verdade, para ficar sempre com vocês” (João – 14,15)

Cristo prometeu através de Jesus que outro auxiliador seria enviado e que ele representaria o Espírito da Verdade. Todos os missionários que transmitiram os mandamentos do Mestre foram espíritos auxiliadores, que vieram em missão da Academia Superior de Ciências Espirituais, que Jesus chamou de “Espírito da Verdade”.

Desde o advento da codificação todos os acontecimentos da humanidade foram direcionados no sentido de preparar a humanidade para a alteração do sentido da encarnação. Algumas vezes com a presença de espíritos auxiliadores, mas muitas vezes com a ação de espíritos com sentimentos negativos (Hitler, Mussolini e outros). No entanto, todos os acontecimentos visaram permitir a espíritos retardatários que tivessem a chance de se preparar para uma última e decisiva encarnação neste planeta.

O último destes auxiliadores foi o espírito que ficou conhecido pelo nome de Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier). Agora, no entanto, que o momento decisivo para a humanidade se aproxima, não poderá haver nenhum Auxiliador na matéria carnal.

Este é um momento onde o espírito, por si só terá que vencer o seu pior inimigo: o ser humano que ele julga ser... A presença de um Auxiliador criaria comprovações materiais que não devem existir no momento de prova maior da fé no Pai.

Por este motivo este evangelho não foi até o presente momento (ano de 2003) divulgado à humanidade. Era preciso que o espírito que viveu a encarnação “Chico Xavier” e outros que viveram encarnações anônimas tivessem se retirado da matéria densa para que se iniciasse a transformação do planeta.

Não podemos estar com vocês diretamente, mas todos os membros da Academia, bem como todos os falangeiros de Cristo encontram-se em estado de alerta para socorrer os irmãos ao primeiro sinal de busca da conversão.

Se não pudemos encarnar para guiar aqueles que buscam a sua elevação, também não podemos nos omitir. Além do trabalho de implantação das Cinco Verdades Universais através da revisão de textos evangélicos e de transmissões técnicas espirituais, alguns membros da Academia Superior de Ciências Espirituais querem deixar a sua mensagem pessoal para auxiliar os irmãos na sua busca da elevação.

Para este fim, doravante utilizaremos o Evangelho Segundo Tomé para que possamos transmitir estas mensagens. Todas elas serão identificadas quanto à sua autoria, mas estas não serão reconhecidas pelos encarnados.

IRMÃO ANDRÉ.

O evangelho segundo Tomé

Logia 91 - Deus, Causa Primária

“091. Disseram a ele: Dize-nos quem és para que acreditemos em ti. Ele lhes disse: observais o aspecto do céu e da terra e não conheceis aquele que tendes diante de vós e não sabeis avaliar este instante”.

Damião

Jesus ensinou que Deus era a Causa Primária de todas as coisas, agindo com a Inteligência Suprema, Justiça Perfeita e Amor Sublime. Este conhecimento, fundamental para se ter a fé necessária para alcançar a evolução, foi também a base dos ensinamentos de todos os enviados de Deus.

Em todos os ensinamentos transmitidos, Jesus alerta a todos os que duvidam desta Verdade Universal para que verifiquem e compreendam que ela pode ser constatada em todos os cantos do planeta.

Para auxiliar os irmãos nesta tarefa, aproveito a oportunidade que me foi dada para fazer apenas uma das centenas de perguntas feitas por Deus a Jó, no livro bíblico do mesmo nome e que tem a mesma finalidade: provar a origem de Deus, Causa Primária.

“As suas palavras mostram a sua ignorância; quem é você para pôr em dúvida a minha sabedoria? Mostre que é valente e responda às perguntas que lhe vou fazer”.

“Onde é que você estava quando criei o mundo?” (38,4).

Lembro-me de uma história que foi intuída por um membro da Academia a um encarnado. Ela dizia que os cientistas do planeta, depois da descoberta e mapeamento do “DNA” que permitiu a clonagem, resolveram que deveriam ter uma conversa com Deus para dizer-lhe que não mais precisavam Dele, pois o último “segredo” do universo havia sido descoberto. Depois de muito debate um deles resolveu se aventurar a ter esta conversa. Ao chegar frente ao Onipotente transmitiu o recado do qual era porta voz e Deus, na sua infinita bondade, deixou o cientista falar à vontade. Então respondeu:

“Está certo, mas acho justo que cada um monte novamente um corpo de ser humano e depois voltaremos a conversar se realmente vocês daqui para a frente podem viver sem Mim.”

O cientista achou justo e aceitou o desafio de Deus. Correu ao laboratório, pegou uma das células que estavam congeladas e voltou à presença de Deus.

“Estou pronto. Podemos começar a prova”, afirmou o cientista.

Neste momento, Deus, com sua Suprema Sabedoria, disse ao cientista:

“Desta forma não vale. Se vocês querem ser os criadores do ser humano, têm que começar criando a própria célula base, para depois poder construir o homem...”

Este ensinamento reflete muito bem a situação atual da humanidade. O ser humano, orgulhoso e vaidoso de sua capacidade de raciocínio, se acha superior a tudo no Universo, mas, no entanto não consegue realmente criar. Ele apenas aprende a modificar as coisas que Deus criou para alcançar os resultados que Ele próprio deseja.

Um verdadeiro criador precisa partir do zero e construir, além da peça final, toda a base que utilizará no seu projeto. Se não agir desta forma, será um “adaptador” e não um criador...

Todo aquele que cria algo se torna responsável por sua criação. Como então o Pai, que é a Justiça Perfeita, poderia criar elementos no universo e depois deixá-los “soltos” para serem utilizados por seres que pensam exclusivamente na sua própria felicidade? Este é o raciocínio que pode levar o ser humano a compreender a necessidade da existência de uma Causa Primária alheia à sua vontade!

É preciso que se entenda que Deus é o criador de todos os elementos universais. Porém, se de acordo com o homem o universo foi criado a partir de uma explosão cósmica, é sinal de que esse universo não existia. Assim sendo, o que teria então explodido? São questões simples que o ser humano evita fazer a si mesmo, pois sabe que precisará abrir mão do seu suposto “poder” para respondê-las.

A observação de todas as coisas universais pode mostrar ao homem a sua “incapacidade” frente ao todo universal para que ele deixe de querer se transformar na causa dos acontecimentos.

O ser humano acha que consegue superar as leis da natureza, mas Deus vive provando que ele apenas pensa que tem esse poder de criação ou mudança. Quando Deus deseja, é Ele quem acaba com o que foi construído. As grandes construções, “Torres de Babel”, que têm sido erguidas desde a antiguidade até hoje, não resistem a uma pequena ordem do Pai. Não são bombas ou catástrofes que derrubam essas obras, mas o Pai que se utiliza destes artifícios materiais e dos seres humanos como instrumentos da Sua vontade, para lembrar ao homem que sem Ele nada existe.

 O ser humano constrói diques e barragens, aterra o mar, pensando que dominou a “fúria da natureza”. Mas, quando é necessário, Deus cria mais e tantos outros “fenômenos naturais” que acabam com toda a vaidade e soberba dos seres humanos.

Deus utiliza meios materiais para a realização de suas determinações porque “Eu sou quem sou” (resposta de Deus a Moisés) e não precisa criar “milagres” para gerenciar os acontecimentos do planeta. Cabe ao homem entender que por mais que faça para proteger as “suas” obras, nunca estará no comando da situação.

Por este motivo a pergunta feita a Jó sobre onde estava o ser humano quando Deus criou os elementos da natureza... Como agora ele se acha no direito de fazer alguma coisa utilizando as obras de Deus sem a parceria Dele? Tudo o que o homem conseguir erguer sob o comando de Deus, que tenha sido gerado com o sentimento do amor universal, será mantido pelo Pai, mas tudo aquilo que for originado por Deus como merecimento de um sentimento negativo, será extinto pelo seu real Criador.

Se estes ensinamentos são verdadeiros para as matérias do universo, que dirá para um ser que foi gerado à imagem e semelhança de Deus? Será que o Pai não tem poder suficiente para proteger alguém semelhante a Ele e que foi Sua geração?

Por isto, o ensinamento Deus Causa Primária atende a toda lógica que o ser humano quiser utilizar para filtrá-la: se Deus protege as matérias do universo da ação dos seres humanos, por que não iria proteger seus próprios filhos?

É o ser humano que não quer reconhecer esta ação divina, pois sabe que desta forma terá que também aceitar que os momentos negativos de sua existência foram criados por ele mesmo quando, em algum momento, utilizou sentimentos negativos. Fica mais fácil acusar os outros do que buscar dentro de si mesmo os motivos que levaram o Pai a ter que transmitir o ensinamento pela dor.

Irmãos universais, somente positivando o negativo nós podemos avançar na jornada espiritual. Somente com a ação do amor sobre todos os acontecimentos do planeta, sejam eles feitos ou recebidos por nós mesmos, é que conseguiremos a tão sonhada evolução.

Cristo nos ensinou isto e durante milênios ficamos procurando interpretações outras para as palavras ditadas pelo Mestre. Para auxiliar nesta reforma é que utilizo hoje esta chance que me foi dada para conclamar a todos os irmãos universais a se olharem de frente e, acabando com suas falsas verdades, positivarem todas as situações de suas vidas.

Viver com Cristo é viver em paz, harmonia e felicidade. Esta felicidade não pode ser adquirida pela promoção da “causa” que o espírito deseja, mas sim no amor incondicional e supremo ao Deus Pai.

Lembrem-se que se tivermos a fé do tamanho de um grão de mostarda, tudo conseguiremos.

No entanto, não poderá existir fé enquanto não houver submissão e confiança completa e irrestrita no Pai e no Seu comando sobre as coisas do universo.

Que a paz esteja com todos.

O evangelho segundo Tomé

Logia 92 - História universal

“092. Disse Jesus: buscai e achareis, mas aquelas coisas que me perguntastes naqueles dias, não vos respondi então; agora, quero contar-vos, mas vós não me pergunteis”.

Alexandre

Irmãos!

A mim foi dada a incumbência de falar sobre a história da evolução do mundo de provas e expiações do planeta Terra até os dias atuais. Claro está que este trabalho não se trata de um compêndio histórico, mas de uma rápida visão da evolução histórica dos ensinamentos transmitidos pelo Mestre, como sugere o texto da logia à qual nos reportamos.

Até a chegada do espírito Jesus para transmitir o ensinamento do amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, a motivação religiosa para se conseguir a utilização dos sentimentos positivos do universo era o temor a Deus.

Os ensinamentos religiosos levavam o espírito a buscar os sentimentos positivos não pela felicidade universal, mas para evitar sofrimentos futuros. Todos os apóstolos afirmavam que você deveria praticar o que Deus determinava ou então iria “arder no fogo do inferno”...

Isto era necessário para o entendimento da época. Os espíritos, recém saídos da era das cavernas, possuíam poucos recursos científicos para a compreensão das verdades universais. Esta ausência de conhecimentos deveria ser suprida com uma obediência cega às leis. Para conseguir esta obediência foram criados, então, os castigos para aqueles que não cumprissem os textos legais.

Cristo, através de Jesus, alterou tudo isto. Com a simples informação de que a missão que estava se desenrolando tinha como finalidade “dar o real sentido da lei”, o Mestre alterou o sentido da encarnação. Aqueles que antes encarnavam para cumprir a lei, a partir de então começaram a viver a fase da “provação”.

Todos aqueles que um dia tiveram acesso à fonte borbulhante de amor que era a presença física de Jesus, compreenderam esta guinada no sentido da encarnação. Mesmo quem teve acesso somente àqueles que se “molharam nesta fonte” (os seguidores de Jesus da época), conseguiram compreender parte deste amor.

Foi por isto que os primeiros cristãos não reclamaram das perseguições que sofreram, pois aderiram ao novo mandamento e amaram aqueles que lhes fizeram o “mal”. Mas o tempo foi passando e de geração em geração esta água milagrosa (amor de Jesus) foi sendo alterada.

Houve então a necessidade de uma primeira verificação dos ensinamentos deixados por Cristo através de Jesus.

A humanidade cristã foi submetida a líderes religiosos que se transformaram nos “senhores da lei” combatidos por Jesus.

 A prova era a do amor a Deus acima de todas as coisas. Os espíritos precisavam, apesar da administração com fins materiais das coisas espirituais, escolher se amavam o Pai acima dos lideres ou se abandonavam o Supremo pelo descrédito gerado pelas ações individuais dos líderes.

Infelizmente a grande maioria ficou desacreditada do ensinamento por não ver comprovado na prática o ensinamento dos que deveriam ser os primeiros a exemplificar. Os mesmos sentimentos negativos dos “senhores da lei” começaram a ser nutridos pela humanidade. A corrupção, a utilização dos ensinamentos para adquirir o poder e os feudos que surgiram deste poder calaram mais forte naqueles que deveriam amar a Deus acima de qualquer coisa.

Os espíritos encarnados que não mais possuíam a fonte borbulhante do amor para beber, não conseguiam nem acesso aos ensinamentos deixados por Cristo através de Jesus e dos evangelistas. Todo acesso a esta fonte de ensinamentos foi vetado por aqueles que queriam o poder.

Claro está que isto era mais uma prova. Aquele que ama a Deus não se prende à letra fria das palavras, mas alcança este amor apenas na observação da grandeza do universo. Foi por isto que muitos conseguiram viver baseados neste sentimento.

Para auxiliar aqueles que não conseguiam se desligar das ondas negativas lançadas pelos líderes religiosos, Deus ordenou que os ensinamentos fossem colocados à disposição deles. Pelo menos assim o espírito teria um “mapa” para achar o tesouro: a felicidade universal prometida por Cristo.

Foi por isto que aconteceram revoltas que deram origem às igrejas reformistas: protestantes e evangélicas. Os espíritos que não mais podiam beber na fonte borbulhante do amor poderiam então entender como chegar a ela.

Claro que a prova teria que ser novamente aplicada e aos espíritos missionários que promoveram a reforma sucederam outros que também utilizaram sentimentos negativos. Mesmo de posse dos ensinamentos, os espíritos que foram direcionados para as diversas religiões passaram a adorar os ídolos que tanto negaram: os “senhores de suas leis”. Apesar da nova oportunidade, muitos espíritos foram “reprovados” outra vez, porém muitos aproveitaram a chance e conseguiram fazer a sua evolução.

Deus não seria o Amor Sublime se desistisse de auxiliar seus filhos no caminho da evolução e, assim, gerou mais e novas chances aos espíritos que O procuravam e que não tinham se aliado à fileira daqueles que adoravam os “senhores das leis” das religiões existentes.

Foi para isto que surgiu o espiritismo: combater a prepotência dos “senhores da lei” com uma doutrina que estaria em constante evolução e sempre objetivando passar novos ensinamentos para auxiliar os espíritos a amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmos.

Toda a base da nova doutrina trazida por ordem do Pai começa com a seguinte frase: “Deus é a Inteligência Suprema do universo, Causa Primeira de todas as coisas”, ou seja, mostrando que o amor ensinado pelo Mestre só se alcança com esta compreensão.

Como sempre, um ensinamento “novo” precisa de uma verificação de seu aprendizado. Também o comando desta doutrina foi retirado da mão de espíritos missionários e entregue nas mãos de “senhores da lei”. A prova, como sempre, consistia em que os espíritos continuassem a praticar os ensinamentos como haviam sido trazidos e não pela interpretação passada a eles.

A interpretação que os “senhores da lei” da doutrina espírita fizeram a respeito da palavra “coisas” da frase “Deus é a Inteligência Suprema do universo, Causa Primeira de todas as coisas”, é que Deus comandava apenas o acontecimento das “matérias” e não dos seres humanos, pois estes não eram “coisas”. Desta forma, colocaram o homem independente da vontade do Pai e para isto inventaram o “livre arbítrio” do ato.

Como visto no trabalho da Academia neste evangelho, o Livro dos Espíritos é acima de tudo um tratado sobre a Causa Primária exercida por Deus sobre os espíritos. Os “senhores da lei” abandonaram esta visão para poder exercerem o seu controle sobre os outros seres humanos. Muitos acreditaram neles e deixaram de utilizar mais esta oportunidade para alcançar a evolução, ou seja, amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmos.

Novamente, gerando mais uma oportunidade da prática das verdades universais, Deus enviou novos líderes para este planeta denso. Foi assim que surgiu a equipe espiritual liderada por um espírito que recebeu o nome de “Chico” Xavier. Utilizando-se dos ensinamentos enviados pelo Mestre e aliados às informações codificadas por Kardec, este espírito encarnado e toda uma plêiade de desencarnados procuraram retornar os ensinamentos ao seu conteúdo original.

Assim Emmanuel, André Luiz, Ramatís e tantos outros espíritos utilizaram-se de médiuns para conclamar os espíritos encarnados a não se deixarem levar pelos “senhores da lei”, mas amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmos.

Como este último movimento gerado por Deus produziu uma “boa colheita”, foi criado então o lema “Brasil – Pátria do Evangelho”, ou seja, o país onde acontecerá a divulgação da decodificação dos evangelhos trazendo as Verdades Universais de volta ao planeta.

É neste momento que se encontra a humanidade. O que acontecer de agora em diante será história que um outro narrador contará algum dia. Que cada um possa aproveitar a sua oportunidade.

Amém!

O evangelho segundo Tomé

Logia 93 - Deus capacita

“093. Disse Jesus: não deis aos cães o que é sagrado, para que não o joguem no esterco. Não jogueis pérolas aos porcos, para que não façam delas (..........)”.

Nota dos autores espirituais:

Algumas das logias tiveram parte de seu texto perdida devido a problemas de exposição dos originais ao tempo. Por isso, a pessoa que compilou estes textos na obra utilizada para a confecção deste evangelho colocou a marca “(...)” nestes locais. Como conhecemos o texto integral preencheremos estes espaços.

Nesta logia o ensinamento do Mestre diz: “não deis aos cães o que é sagrado, para que o joguem no esterco. Não jogueis pérolas aos porcos, para que não façam delas objetos sem valor”.

JUAN

Um ensinamento passado por André Luiz ao mundo encarnado afirma: “Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos”. O aviso passado pelo irmão retrata perfeitamente o ensinamento que o Mestre nos trouxe nesta logia: não se deve dar nada àquele que não sabe valorizar o que está recebendo.

A capacidade pode ser retratada pela quantidade de conhecimentos que um espírito adquire em sua existência. Pensando desta forma, este livro está completo de novos conhecimentos que poderão aumentar a capacidade de cada um. No entanto, é preciso que o espírito saiba dar valor a estes ensinamentos para que eles possam úteis na reforma íntima de cada um.

“Deus não escolhe os capacitados” quer dizer que a quantidade de ensinamentos que um espírito possui não servirá de parâmetros para a sua promoção. Não será apenas por conhecer estes ensinamentos que o espírito conseguirá manter-se no planeta Terra e voltar a reencarnar apenas para a regeneração.

Ler este livro com a intenção de aumentar a capacidade de conhecimentos não será a base de escolha de Deus. Para o Pai, o espírito precisa é “escolher-se” para que Deus o capacite. Se escolher é buscar a prática dos ensinamentos recebidos, será essa busca que dirá a Deus que você está dando valor aos ensinamentos recebidos.

Já foi ensinado que não existe um ser humano e sim um espírito encarnado e quem é espírito deve viver com objetivos espirituais e não materiais. Para que se consiga viver desta forma devemos abolir os conceitos. Ao eliminar os seus conceitos o espírito entenderá que não existe “certo” ou “errado” e acabará com o seu individualismo. Ao eliminar a busca de sua satisfação pessoal, o espírito entrará na universalidade das coisas e alcançará, então, a felicidade universal.

Para conseguir tudo isto, Jesus estabeleceu o parâmetro: viver uma vida como Ele viveu.

Escolher-se para Deus é buscar a prática de todos estes ensinamentos. No entanto, esses ensinamentos não serão atingidos se forem buscados de uma forma desordenada, pois um depende do outro, como tudo no universo.

Se o ser humano não acreditar que ele é algo mais do que uma carne (espírito, alma, ou qualquer outro nome que se queira dar), nunca conseguirá acabar com seus conceitos. O início de todo processo de elevação tem que começar com uma definição do que o ser deseja nesta vida.

A reflexão sobre este tema tem que ser o ponto de partida para todo o processo seguinte. A busca da elevação não pode advir de uma obrigação. Não há como se alcançar a satisfação material e a felicidade espiritual ao mesmo tempo, pois a primeira exige que os conceitos sejam satisfeitos, enquanto que a segunda requer que não existam conceitos.

A resposta à pergunta sobre o que o ser deseja para a sua vida dirá se ele viverá para Deus ou para a matéria. Aquele que responder afirmativamente ao Pai, poderá contar com o apoio de toda coletividade espiritual para que os ensinamentos sejam compreendidos na sua essência.

Como foi ensinado neste evangelho, o pensamento material é dado por Deus de acordo com os sentimentos que o espírito nutre. Desta forma, aquele que se escolher para o Pai, receberá pensamentos que trarão a compreensão necessária dos ensinamentos. Aqueles que decidirem pela satisfação pessoal, com certeza a compreensão destes ensinamentos será muito mais difícil ou quase impossível.

Muitos questionamentos e dúvidas virão surgirão. Muitas palavras se transformarão em enigmas ou parecerão tolices, de acordo com o sentimento que estiver sendo utilizado.

No entanto, a decisão do modo de vida não poderá refletir-se apenas em palavras, mas deverá ser expressada também nos gestos. Assim que o espírito tomar a sua decisão, deverá começar um processo de vigilância constante sobre si mesmo. Esta vigilância deverá ser na base sentimental (sentimentos) que o espírito nutrir. É preciso saber, porém, que o espírito não conhece os seus próprios sentimentos...

Por este motivo, a vigilância inicialmente deverá ser exercida sobre os seus pensamentos. Se já sabemos que o pensamento reflete o sentimento que está por trás, o espírito que conseguir questionar-se antes da prática dos atos, demonstrará que sua base sentimental está voltada para o positivismo. Isto também é capacitação que Deus dá a quem se escolhe.

Por tudo isto, deixo aqui a minha mensagem no sentido que o espírito faça inicialmente a sua auto-avaliação do que pretende para si no futuro. Se neste questionamento chegar à conclusão de que quer buscar a felicidade universal, observe os acontecimentos da vida sob a visão de Deus ensinada neste evangelho: DEUS INTELIGÊNCIA SUPREMA, JUSTIÇA PERFEITA, AMOR SUBLIME, CAUSA PRIMÁRIA DE TODAS AS COISAS.

Apesar de todo este ensinamento e busca da evolução, se o espírito não possuir fé, ou seja, entrega com confiança total no Pai, de nada adiantarão todos os seus esforços e trabalhos.

Portanto, àqueles que buscam sua evolução fica aqui um conselho de alguém que já passou por tudo isso: para qualquer situação exerçam sempre a fé total na Justiça Perfeita e no Amor Sublime e entreguem-se totalmente, pois seja o que for que acontecer sempre será Perfeito.

Fiquem com Deus.

O evangelho segundo Tomé

Logia 94 - Entre

“094. Disse Jesus: Todo aquele que buscar encontrará e todo aquele que bater se lhe abrirá”.

Lucius

A existência espiritual é um eterno caminhar. Desde que nasce, simples e ignorante, o ser caminha pelas estradas da vida espiritual buscando o conhecimento que o aproximará cada vez mais do Pai. Às vezes caminha pelo caminho “estreito”, mas muitas vezes se deixa levar pelo caminho “largo” ao qual Jesus já se referiu em outro ensinamento.

No entanto, como no ensinamento conhecido como “Pegadas na Areia”, sempre a espiritualidade, comandada pelo Pai, estará perto para auxiliar. Este auxílio é a “porta” que Jesus fala. Em qualquer caminho que esteja o ser, sempre haverá uma porta que pode facilitar o seu trajeto rumo à elevação.

Estas portas são aquelas situações consideradas pelos seres encarnados como negativas ou “más”. O ser foge destas portas, evitando-as, quando deveria bater pedindo que elas se abrissem.

Todos os acontecimentos negativos da vida de um ser são ensinamentos profundos que o Pai lhe manda. Ficar sofrendo, sentindo-se vítima de injustiças, não permite que se compreenda o ensinamento. É o mesmo que passar pela “porta” sem bater. Fugir da situação, não encarar os problemas, também é passar direto sem bater pela porta que Deus colocou no seu caminho.

Bater na porta é encarar as situações negativas de frente, vivendo a situação sem sofrimento, buscando compreender o ensinamento que está recebendo do Pai.

Para viver sem sofrimentos o ser deve analisar-se sem agir como seu próprio advogado de defesa ou acusação. Sem preconceitos e conhecedor dos atributos divinos, deve o ser começar toda a sua análise sabendo que a justiça está sendo feita com base em um Amor Sublime.

Aqueles que assim procederem, receberão, como nos garante o Mestre.

Mas receberão o quê? Um novo caminho. Quando a porta se abrir, um novo caminho será aberto para ser trilhado e este será o resultado para quem, ao invés de fugir ou sofrer, encarar as situações sem sofrimento. O resultado da análise sem autodefesa será guiado pelo Pai e resultará em uma nova compreensão dos fatos, tornando-se um novo caminho para o espírito.

Porém, bater na porta não significa que, ao abrir, o ser entrará. Ninguém o colocará para dentro, pois para que isto aconteça é preciso que ele próprio cruze a soleira.

Entrar pela porta é a aceitação do resultado da auto-análise. É muito comum o ser fechar a porta que se abriu, ou seja, não aceitar o resultado, protegendo-se e criando falsas verdades que destroem o resultado da análise.

Este é o caminho “largo” e mais uma chance concedida por Deus foi perdida. Mais uma vez outra porta será colocada no caminho para que este espírito bata ou não, entre ou não...

Por isto o título convite desta mensagem: ENTRE.

Sempre que uma porta aparecer em sua vida, bata nela bem forte. Abrace o “sofrimento”, encarando-o de frente, sem sofrer. Busque compreender todos os aspectos envolvidos na situação. Procure analisar todo o acontecimento como se estivesse fora dele. Retire as “verdades” individuais e tente ver as coisas também a partir da visão dos outros. Isto o levará a passar pela porta que se abrirá...

Estive preso ao processo de reencarnações para provas e expiações durante longos anos. Foram centenas de encarnações onde milhares de portas foram colocados no meu caminho. Preferi fugir da situação agredindo o causador ou o próprio Deus.

Quantas vezes gritei aos céus e aos deuses da minha época que não merecia o que estava acontecendo. Em diversas destas vidas cheguei a negar o Pai porque sempre me imaginava com a razão!

Hoje, revendo estas portas que não bati compreendo como a sabedoria divina é perfeita. Todas as vezes que uma porta apareceu, posso ver hoje, havia nela um caminho que encurtaria em muito a minha elevação.

Tive que passar por tudo e Deus não tem culpa disso: o único responsável pelo meu trajeto fui eu mesmo. Não compreendia que o Pai colocava aquelas portas como uma forma de me ajudar e preferia manter-me firme naquilo que acreditava ser a verdade.

Agora tenho a oportunidade de aqui vir para poder deixar esta palavra: ENTRE. Não fuja de seus sofrimentos, não perca tempo querendo provar a Deus que você está com a razão...

Somos seres um busca de evolução e não da perfeição. Como ensinou o Mestre, o empregado não pode querer ser igual ao patrão...

O evangelho segundo Tomé

Logia 95 - Amor ao inimigo

“095. Disse Jesus: Se tiveres dinheiro, não o emprestes a juros, mas dá-o àquele que não vai pagar-te”.

Luiz

Paz!

O ser humano procura conviver com quem gosta e aprova, com quem possui os hábitos e costumes semelhantes aos seus. Afirma que agindo desta forma está amando aquele amigo.

Infelizmente a verdade é outra: o ser humano que assim age está amando a si mesmo.

Ele não convive com a outra pessoa por causa dela, mas para gerar satisfação para si mesmo. O que move esta relação não é amor, mas egoísmo, individualismo. O que o ser humano busca nestes relacionamentos é apenas a sua própria satisfação.

Dentro do que o Mestre ensinou nesta logia, o ser humano só empresta o seu dinheiro para aquele que, com certeza, poderá pagá-lo com juros, ou seja, só gosta daquele que provavelmente não irá aborrecê-lo, pois possuem conceitos semelhantes.

É muito fácil conviver com quem se gosta. Como nos ensinou Cristo, viver com quem se ama é muito fácil; o importante é aprender a conviver com aqueles de quem não gostamos, ou seja, dar o “dinheiro” para aquele não poderá pagar o que está recebendo.

Tratar os que possuem conceitos assemelhados com benevolência e camaradagem não é um ato de amor ao outro, mas de amor a si mesmo: é egoísmo. O que o ser busca nesta amizade é a paz baseada na não exposição a situações que contrariem os seus conceitos.

O ser humano egoísta e individualista age desta forma. O espírito procura exatamente o contrário.

Aquele que busca a sua evolução sabe que só a conseguirá expiando faltas de vidas anteriores. Toda expiação é um pagamento, ou seja, gera uma perda de “posses”.

Quando se paga alguma coisa, recebe-se algo e perde-se o que se tinha. Em uma transação comercial o espírito paga o valor devido por uma mercadoria, perde a posse da moeda, mas ganha a posse da mercadoria.

Na expiação, ou seja, na convivência com aqueles que possuem conceitos diferenciados (“inimigos”) é a mesma coisa: o ser perde suas posses morais, mas entra de posse de tesouros que o levarão à felicidade universal.

Expiar não pode ser um ato que cause satisfação material ao ser. Se a expiação é um dos trabalhos que o espírito vem fazer na carne e que é necessário para a sua evolução, pode se compreender que somente convivendo com aqueles que possuem conceitos contrários (“inimigos”) o ser alcançará a evolução.

Por este motivo o Mestre enviou tantos ensinamentos de amor a todos, amor ao inimigo e àquele que não pode pagar por este amor. Se o seu inimigo puder pagar com amizade o seu amor, não será mais inimigo, mas amigo. A partir deste momento não existe mais expiação.

Amar um viciado não deve se traduzir na tentativa de tirá-lo do vício, mas de amá-lo dando-lhe o direito de exercer o seu vício. O vício seja ele qual for, não é bom ou ruim: é apenas mais uma condição que Deus criou para que os espíritos possam provar, expiar e cumprir missões.

Se assim o é, não será um ato material de qualquer dos envolvidos que poderá extinguir a situação. Se um ato material extinguisse uma situação ela teria que ser fruto da materialidade. Somente um ato espiritual positivo pode dar motivo a Deus para modificar o ato material que Ele mesmo criou. Somente o amor incondicional entre os envolvidos na expiação pode acabar com a situação que foi criada para este fim.

Quando falo em viciado, não estou me referindo apenas ao viciado em drogas, bebidas ou cigarro, ou seja, no viciado material. Os seres humanos são viciados também em sentimentos. Existem aqueles que são viciados em raiva, outros em mágoa, muitos se viciam em reprovação. Para todo e qualquer vício, o amor incondicional é a única solução.

No entanto, o amor de que estamos falando não é aquele conhecido no planeta, mas sim o AMOR UNIVERSAL.

Para o ser humano existem três formas de amar: a professoral, a que envolve sofrimento e o fim das perdas acontecidas durante a expiação. Nenhuma delas reflete o amor universal.

Sempre que uma pessoa age “errado” dentro dos padrões das outras, a primeira reação é alguém ensinar o que é “certo”: este é o amor professoral. O “certo” ensinado, porém, não reflete uma Verdade Universal, mas sim uma verdade individual. Aquele que é viciado material (drogas, cigarros, bebidas, etc.) está “certo”, pois é desta situação que necessita para fazer sua expiação.

Aquele que utiliza o amor universal compreende esta situação e ama o próximo da forma que ele é. Ao invés de lhe dar “lição de moral” e cobrar a sua recuperação, mostra constantemente que o ama, sem cobranças ou exigências.

Outra forma de reagir é sofrer com o “errado”. Um viciado passa por diversas situações de sofrimento. Quem ama com o amor universal reconhece este sofrimento, mas não chora com o viciado.

Ao invés de encharcá-lo com mais sentimentos negativos tendo “pena”, mantém sua alegria para poder transmiti-la ao necessitado. O ser que utiliza o amor universal compreende que estas situações foram criadas por Deus com a intenção de que aquele outro altere os seus sentimentos e deixe de sofrer.

Existem ainda os que são “superprotetores”. Esta forma de amor busca sempre minimizar as situações de sofrimento pelas quais o ser necessita passar para a sua evolução. Em nome de um amor inexistente fazem uma caridade que, na verdade, acaba causando prejuízo ao ser.

Falo em amor inexistente porque quem age desta forma ama a si mesmo e não ao próximo. O que ele procura é a sua satisfação, ou seja, que aconteça tudo o que ele quer para o outro. Aquele que procura compensar as “perdas” ocorridas durante a situação de sofrimento de um espírito, não ajuda a ele, mas, ao contrário, prejudica a sua evolução.

O espírito para evoluir precisa “pagar” todas as suas dívidas.

O amor em qualquer das três formas nada tem a ver com o amor universal, mas sim com o material, pois ele sempre espera uma recompensa, um retorno do “capital” empregado acrescido dos juros.

O evangelho segundo Tomé

Logia 96 - As aparências enganam

“096. Disse Jesus: O Reino do Pai é como uma mulher que tomou um pouco de fermento (e o escondeu) em uma massa (e) com ela fez grandes pães. Quem tem ouvidos que ouça”.

Estevão

Queridos!

Reparem no ensinamento de Cristo nesta logia. O amado Mestre diz que a mulher que representa a felicidade universal colocou o fermento escondido dentro da massa para que os pães crescessem. Aqueles que comeram o pão não souberam deste ato, mas sentiram o sabor melhor do pão.

O mesmo ensinamento foi passado por Cristo de diversas outras formas. No sermão do monte alertou para que os deveres religiosos e as orações fossem feitos no isolamento. No repúdio aos professores da lei, pediu que não fossem imitados seus exemplos e entre eles enumerou o da procura do reconhecimento.

De todos estes ensinamentos é possível tirar uma conclusão: a fé não pode servir de emblema, mas deve se refletir nos atos que o ser pratica.

Muitos são os que possuem uma fé emblemática e utilizam belos adornos que expõem para que todos saibam o quanto ele tem fé em Deus. No entanto, são como sepulturas: caiadas por fora, mas podres por dentro.

A fé de cada um não deve ser divulgada por símbolos externos, mas tem que se refletir nas atitudes que cada um pratica. Que adianta se possuir um belo adorno se o seu fim será igual a de todos os fariseus e hipócritas?

Não entendam esta mensagem contrária aos símbolos. Ordenei-me padre, carreguei símbolos e muito tempo depois na espiritualidade ainda possuía um vistoso cordão onde podia ser visto o símbolo que adotara na eternidade. O que estou falando são daqueles que utilizam o símbolo para serem reconhecidos.

Muitos utilizam a cruz do Cristo ou a estrela de David para dizer quem são, para mostrar o seu poder. Porém, deveriam procurar agir de forma amorosa com seus semelhantes para que os seus atos chamassem a atenção do símbolo utilizado no peito.

Existem ainda aqueles que não carregam os símbolos no peito, mas levam-nos na língua...

Como ensinado, todos estamos aqui para sermos o sal da humanidade, mas este “sal” deve ser muito bem medido.

Quando uma cozinheira põe o tempero na comida, não pode se preocupar com o seu próprio paladar, mas deve procurar agradar àqueles que irão comê-la. Da mesma forma, quando um ser tempera a vida de outro, não pode obrigá-lo a aceitar o que ele oferece, mas deve levar em conta o livre arbítrio de cada um.

Aqueles que utilizam o símbolo na “língua” são os que querem temperar a vida de todos, “salgando” a comida com as suas próprias verdades.

Cristo nos alerta que a mulher que faz os pães maiores e mais saborosos coloca a porção extra do fermento sem alarde, por isso aquele que busca a consciência crística não faz alarde dos seus conhecimentos. Ao invés disto, apresenta o pão grande e saboroso para os comensais.

O cartão de visita de um espírito não deve ser seu conhecimento, mas sim a prática dele. É exatamente esta prática que poderá levar o próximo a se interessar em conhecer a fé do outro.

Enquanto o ser buscar “ensinar” será repudiado, pois o espírito sentirá como um ataque ao seu livre arbítrio. Quando exemplificar seus ensinamentos, despertará no outro o sentimento da busca da mesma felicidade.

O sábio não é o que sabe, mas aquele que pratica.

O evangelho segundo Tomé

Logia 97 - Obrigação

“097. Disse Jesus: O Reino do Pai é como uma mulher que carrega um jarro cheio de trigo. Enquanto caminha por uma estrada distante, a asa do jarro se quebra. A farinha se espalha na estrada, às suas costas. Ela não se dá conta e não se apercebe do acidente. Depois de chegar à casa, coloca o vaso e o encontra vazio”.

Zoé

Cristo Mestre!

Agradeço profundamente a chance que me foi dada de falar aqui sobre o tema que mais demorei a aprender durante a minha evolução.

Queridos irmãos,

Durante diversas vidas carnais procurei seguir os ensinamentos deixados por Cristo Mestre para nossa salvação. Aprendera que para a minha evolução tinha que ser o sal para a humanidade e por isto vivia querendo ensinar a todos como seguir os ensinamentos salvadores.

Passava a vida na busca de converter todos aqueles que comigo interagiam para os ensinamentos do Cristo Mestre. Quando retornava à espiritualidade via que tinha evoluído, mas ainda não o suficiente para libertar-me do círculo reencarnatório.

No plano espiritual voltava aos estudos aprofundando-me ainda mais nos ensinamentos do Cristo Mestre. Encarnando novamente levava uma vida missionária, exclusivamente dedicada ao trabalho da conversão dos “pagãos”. Ao final da encarnação o mesmo resultado: existiam ainda provas por concluir.

Não compreendia esta situação, pois imaginava que estivesse agindo dentro dos ensinamentos, até que em um destes meus estudos fora da carne encontrei Estevão, este amigo complacente que me auxiliou muito. Seu ensinamento foi simples e resumiu-se em uma palavra: “eu”.

Imaginava que a evolução espiritual seria alcançada a partir da quantidade de pessoas que eu auxiliasse a se elevar, mas ao me preocupar com todos, esquecia da pessoa mais importante: eu mesmo...

Quando aprendemos superficialmente os ensinamentos do Cristo Mestre nos sentimos na obrigação de promover a reforma íntima de todos, mas esquecemos que a nossa prioridade na vida é promover a nossa própria reforma. Achamos que nossa reforma íntima será conquistada a partir da quantidade de “almas” que conseguirmos salvar.

Neste trabalho muito foi falado a respeito de individualismo em uma vida objetivando o universal. Mas, apesar destes ensinamentos, ainda é muito difícil para o encarnado compreender esta volta ao todo universal.

Os espíritos ao encarnarem aprendem desde cedo que a vida deve ser vivida com normas e regras que ditem os procedimentos e todos os atos são regulados por padrões que devem ser seguidos.

Dentre estes padrões, os religiosos acreditam que devem promover a salvação do universo. Não conseguem compreender, por não entenderem a Causa Primária, que o universo está salvo, ou pelo menos que está no caminho da salvação mesmo da forma que está.

Aprendem e vivem querendo mudar todas as coisas do mundo para salvá-lo, ou seja, querem a alteração da situação a partir do ponto de vista de cada um e isso é individualismo

Para ajudar a todos, o ser humano aprende que tem que “amá-los” e aí é que reside o problema: amor, para o ser humano, é ditar normas, é cobrar resultados, é sofrer junto com os outros. Só que amar é muito mais que isso!

Amar é não acusar jamais, não ofender por motivo algum, não sofrer nunca. Isto é o verdadeiro amor. Apenas ao constatar que um outro ser humano é pagão e que precisa mudar-se, o espírito já deixou de amá-lo.

Por isto a importância deste ensinamento do Cristo Mestre. Quem ama espalha o amor atrás de si sem sentir. Não se vê obrigado a parar e forçar o semelhante a aceitar o seu amor. É com a reforma íntima que a vida se transformará e, desta forma, será espalhado este amor entre os demais.

Amar incondicionalmente tudo e todos: era isso que eu não fazia nas minhas encarnações.

Criava circunstâncias para amar os outros. Acusava-os de não conhecerem os ensinamentos do Cristo Mestre e me avocava a condição de arauto do “certo” e, como uma mãe faz com uma criança, empurrava o “remédio” pela boca dos “doentes”.

Não sabia que eu era a mais doente. Não respeitava a individualidade da missão de cada um. Não vivia com a verdade universal de que a elevação espiritual é uma conquista individual. Nem a Deus eu amava, pois se Ele deu o livre arbítrio aos espíritos, eu achava que sabia o que seria o “melhor” para eles.

Por isto, irmãos, eu agradeci no início a chance que o Cristo Mestre me deu para aqui deixar esta mensagem. Transformemos o amor na farinha da mulher do ensinamento desta logia. Deixemos que ele flua através de nossos poros e contamine a todos e a tudo no caminho. Mas, jamais queiramos forçar a alguém a amar...!

O evangelho segundo Tomé

Logia 98 - Minha vida

“098. Disse Jesus: O Reino do Pai é como um homem que desejara matar um homem poderoso. Em casa, desembainhou a espada e enterrou-a na parede para certificar-se de que sua mão seria capaz de faze-lo; então ele matou o homem poderoso”.

Joana

Louvado seja o Pai!

Quem vive universalmente não pode admitir que exista outra razão do que a de Deus, pois compreende, pela simples observação das coisas da Terra, que um poder maior tem que existir para que tudo aconteça dentro da Perfeição.

Somente aquele que vive individualmente não imagina que o seu “certo” levaria ao caos absoluto.

Existe apenas uma vida: a vida universal. A vida individual, aquilo que o ser humano quer construir, não pode existir, pois ela não conteria os ingredientes necessários de inteligência, justiça e amor. Mas o ser humano não compreende esta verdade, pois vive isolado do todo universal, preso a uma pequena casa que mantém de portas e janelas fechadas.

Como participar do universo se o espírito prende-se nesta casa pequena? Como conhecer o todo se o seu mundo é restrito pelas paredes que ele levanta? É preciso derrubar estas paredes para que o espírito entre em contato com o universo.

Como ver o céu se existe telhado, como descobrir além da visão se ela é tapada pelas paredes?

A vida individual é cercada por paredes formadas pelo “eu sei”, “eu conheço”, “eu posso”. Estas paredes limitam a visão das coisas universais. É preciso derrubá-las para se ampliar a visão para o todo universal. Enquanto o ser humano “souber” alguma coisa, apenas conhecerá as paredes de sua casa. Para participar das verdades do universo ele terá que quebrar estas paredes.

O teto da casa é a lei que o ser humano imagina que deve ser obrigatoriamente cumprida, mesmo com sofrimento. Este teto (lei) n